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Por João Pedro Abdo/Folhapress
03/06/2026 às 07:15
Foto: Divulgação/Arquivo
Flávio Bolsonaro
A ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por terem acusado de motivação política a operação da Polícia Civil que mirou a produtora Karina Ferreira da Gama e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
Na segunda-feira (1º), foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da produtora da Go UP Entertainment, responsável pelo "Dark Horse", longa sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O escritório do ICB (Instituto Conhecer Brasil) também foi alvo. Karina é proprietária da empresa e presidente do instituto.
A investigação foca um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão de Ricardo Nunes. O acordo previa a instalação de wi-fi gratuito em bairros carentes da capital paulista.
À Folha o presidente da associação, delegado André Santos Pereira, disse que a investigação segue o "rito processual e penal estabelecido na lei" e que "ninguém está acima da lei".
O delegado também afirmou que o TCM (Tribunal de Contas do Município) apontou 20 irregularidades no edital e, mesmo sugerindo a suspensão do certame, a prefeitura optou por mantê-lo.
"Não se trata, a meu ver, de uma perseguição política. Trata-se do cumprimento do dever constitucional de apurar eventual irregularidade no âmbito de contratos públicos", afirma.
Flávio Bolsonaro apontou motivações eleitorais na operação. "Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições", disse.
Nunes, por sua vez, afirmou que há "perseguição política" e "desrespeito à democracia". A sede da secretaria também foi alvo da operação.
O prefeito foi informado que os documentos levados já haviam sido entregues à polícia. Ele admitiu nos bastidores que os investigadores podem ter tido acesso a informações que a pasta não tem.
"Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa disso. Aí é grave, é perseguição política", disse.
A Go UP e o ICB foram dragados para o centro do escândalo do Banco Master após as revelações de que o senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o "Dark Horse". Como revelou o The Intercept Brasil, o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões.
A quantia saiu do Brasil por meio da Entre Investimentos e chegou ao fundo Havengate Development Fund, nos EUA, que é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Responsável pela produção do longa, a Go UP afirmou não ter recebido dinheiro de Vorcaro.
Karina Gama, proprietária da produtora, preside também o ICB. Além da investigação sobre o contrato com a prefeitura, a organização também recebeu R$ 700 mil em emendas parlamentares. A carreira da produtora foi alavancada após ficar mais próxima do deputado federal e ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias (PL-RJ).
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (2) que a Polícia de São Paulo tem autonomia para fazer as suas investigações.
"A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere", disse Tarcísio, em Rio Claro, no interior de São Paulo.
"A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda", afirmou. "Portanto, tivemos a operação. E sempre vai ser assim: a polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado."
Politica Livre
Por Isabella Menon/Folhapress
03/06/2026 às 08:34
Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
Donald Trump
A conclusão da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil elevou a pressão sobre o governo Lula e reacendeu o debate sobre o futuro das relações entre os dois países. Mas, para especialistas ouvidos pela Folha, há espaço para negociar.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, o governo americano recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após uma análise sob a seção 301. O processo dá espaço para comentários do setor privado e do governo brasileiro, além de uma audiência marcada para o dia 6 de julho.
O fim do processo está previsto para o dia 15 de julho e, só então, a proposta que agora será analisada pelo presidente Donald Trump, responsável pela decisão final.
Apesar do endurecimento da posição americana, especialistas ouvidos pela Folha afirmam que é possível negociar antes de uma eventual decisão da Casa Branca.
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a principal diferença em relação ao episódio do ano passado é que, desta vez, existe um canal de diálogo aberto entre Brasília e Washington. Segundo ele, as conversas entre os dois governos se intensificaram nas últimas semanas e ainda há margem para a construção de um entendimento que evite a implementação das tarifas.
No ano passado, afirma, o anúncio de sobretaxas de 50% sobre produtos do Brasil ocorreu em um contexto de ausência quase total de interlocução entre os dois governos. O diálogo só começou a ser retomado meses depois, a partir de encontros bilaterais realizados à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Agora, segundo o executivo, as negociações já estão em curso e foram reconhecidas pelo próprio governo americano na divulgação do relatório.
Abrão avalia que a possibilidade de um acordo dependerá sobretudo de disposição política dos dois lados. Na visão dele, o processo não se resume a uma negociação tarifária tradicional, mas à construção de uma agenda mais ampla de convergências.
Entre os temas que poderiam ser colocados na mesa estão reduções tarifárias em alguns produtos industriais, medidas ligadas à propriedade intelectual, combate à pirataria, comércio digital e cooperação na área de minerais críticos.
A interpretação de que a investigação funciona como instrumento de pressão também é compartilhada por Bruna Santos, diretora do Brazil Institute. Segundo ela, procedimentos conduzidos sob a seção 301 historicamente servem menos como um fim em si e mais como mecanismos para ampliar o poder de barganha dos Estados Unidos em negociações comerciais.
"O principal ponto é que esse é um mecanismo frequentemente utilizado para criar alavancagem. Você sinaliza um custo potencial e tenta obter algum tipo de concessão do outro lado", afirma.
Na avaliação da especialista, a inclusão do Pix entre os temas abordados na investigação deve ser lida sob essa lógica. Como os Estados Unidos não têm instrumentos para interferir diretamente no funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro, a ameaça de tarifas serviria para ampliar a pauta de negociação em temas regulatórios.
"A questão do Pix entra muito mais como uma forma de ampliar a mesa de negociação com o Brasil e ganhar espaço para discutir mudanças regulatórias. Há precedentes de acordos desse tipo", diz.
Para Ryan Cummings, economista-chefe do gabinete do Instituto para Pesquisa de Política Econômica de Stanford, o relatório americano também revela uma série de contradições. Ele argumenta que parte das críticas feitas por Washington reproduz práticas adotadas pelo próprio governo dos Estados Unidos, citando como exemplos as acusações relacionadas ao Pix, à corrupção e até mesmo às questões ambientais.
Na avaliação do economista, o documento parece menos uma análise técnica e mais uma tentativa de ampliar o poder de barganha americano nas negociações com o Brasil.
Cummings afirma que a inclusão do Pix é especialmente reveladora porque o sistema brasileiro se tornou uma alternativa pública eficiente e de baixo custo.
Apesar do tom duro adotado pelo governo americano, o economista avalia que a implementação efetiva das tarifas ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos. Ele lembra que empresas americanas afetadas pelo aumento dos custos de importação podem contestar as medidas na Justiça e afirma que o relatório carece de evidências robustas para sustentar algumas de suas acusações.
Além disso, observa que Washington ainda não deixou claro quais concessões espera obter do Brasil, o que dificulta o avanço das negociações e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da disputa comercial.
Politica Livre
Por Redação
03/06/2026 às 08:58
Foto: Reprodução/Arquivo
Daniel Vorcaro
Documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, gastou cerca de R$ 11,9 milhões na realização de eventos e confraternizações para políticos e autoridades brasileiras em Nova York, em maio de 2024. As informações constam de uma investigação que embasa uma das fases da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos e o banqueiro. A reportagem é de Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Entre os eventos citados estão uma degustação de uísques e charutos em um clube exclusivo de Manhattan, além de jantares e festas temáticas que reuniram políticos e outras autoridades brasileiras. Segundo a investigação, apenas a degustação de bebidas e charutos teria custado mais de R$ 5 milhões, incluindo presentes de alto valor distribuídos aos convidados.
A defesa dos envolvidos não foi detalhada na reportagem. O material analisado pela PF foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e integra apurações sobre a relação entre Vorcaro e agentes públicos, incluindo benefícios concedidos durante viagens e eventos realizados no exterior. As investigações seguem em andamento e ainda não houve decisão definitiva da Justiça sobre o caso.
Politica Livre
ARTIGO: Reflexões de um Estudioso da Terra – O Imbróglio Jurídico de Jeremoabo sob a Ótica do Rigor Processual Por José Montalvão Diretame...