sábado, maio 09, 2026

Juiz e promotor receberão penduricalho por acúmulo de função até se estiverem de licença


Conselhos da Justiça e do Ministério Público autorizam gratificação mesmo em casos de afastamento

Por Raphael Di Cunto/Folhapress

09/05/2026 às 08:00

Foto: Ana Araújo/Divulgação CNJ

Imagem de Juiz e promotor receberão penduricalho por acúmulo de função até se estiverem de licença

CNJ faz sessão para aprovar resolução que regulamenta pagamento de penduricalhos no Judiciário

Responsáveis pelo controle administrativo, financeiro e disciplinar do Poder Judiciário e do Ministério Público, o CNJ e o CNMP autorizaram que juízes e promotores recebam uma gratificação pelo acúmulo de funções mesmo quando estiverem de licença ou afastados do cargo –e, portanto, sem acumularem atividades extras. O pagamento pode chegar a R$ 16,2 mil por mês líquidos.

O benefício foi aprovado em abril pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Conselho Nacional do Ministério Público em resolução após o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) que buscou limitar os penduricalhos (verbas extras aprovadas para viabilizar salários acima do teto constitucional). A normativa orienta todas as instâncias do Judiciário e do Ministério Público.

O benefício em questão foi autorizado pelo STF no julgamento que tratou do tema. A verba, uma gratificação por exercício cumulativo de jurisdição, atribuição ou ofício, é concedida quando o juiz ou promotor precisar exercer uma função além da sua normal. Isso ficará configurado, segundo a resolução, "mediante efetivo incremento de sua atuação primária" no serviço público. O adicional permite elevar o salário dos magistrados e de procuradores e promotores a R$ 62,6 mil.

A gratificação tem natureza indenizatória e, portanto, não paga Imposto de Renda ou contribuição previdenciária, diferentemente do salário da maioria dos trabalhadores. O bônus equivale a 35% do subsídio, o que faz com que possa chegar a R$ 16,2 mil mensais, e se soma ao teto salarial do funcionalismo de R$ 46 mil.

Apesar de ser uma compensação pelo aumento da quantidade de trabalho, uma indenização pelas atividades extras, CNJ e CNMP autorizaram que seja paga para juízes e promotores afastados ou de licença –quando outra pessoa terá que substituí-lo devido à ausência.

A resolução não lista quais licenças permitirão manter o pagamento, mas determina que todos os afastamentos legais dariam esse direito. Entre as previstas em lei estão as por razões médicas, por casamento (oito dias), capacitação (de três meses para estudos a cada cinco anos trabalhados), maternidade (120 dias) e paternidade (20 dias).

Luciana Zaffalon, diretora-executiva da plataforma Justa, organização que pesquisa temas relacionados à Justiça, afirma que há uma tendência de usar as gratificações de maneira oportunista para escapar do rearranjo imposto pela decisão do Supremo. "Não há que se falar em substituição em outras funções se há o afastamento do cargo", comenta.

Para ela, decisões como essas tendem a desacreditar o Judiciário para a sociedade. "Como é que o cidadão comum compreende uma normativa como essa? Como desvio. Se as instituições de Justiça não querem ser compreendidas como desviantes, elas também precisam ter atenção a essa regulamentação para que ela ocorra de maneira honesta e transparente".

As licenças-maternidade e paternidade, até cinco meses atrás, não davam direito a essa gratificação. O CNJ autorizou o benefício em dezembro, por unanimidade, em resposta a uma demanda da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil). A vantagem foi mantida mesmo após o julgamento do STF.

Até então, a Justiça Federal e a maioria dos tribunais estaduais rejeitavam o pagamento da gratificação para juízes que foram pais ou mães durante o período de afastamento, com o argumento de que a remuneração extra ocorria como compensação ao trabalho adicional.

A Ajufe acionou o CNJ argumentando que a interrupção da gratificação reduzia o salário das juízas em cerca de 15% durante a licença. Com isso, disse a associação, a maternidade poderia "ser utilizada como subterfúgio para configurar interrupção profissional, notadamente para reduzir os direitos remuneratórios da gestante".

O conselheiro Caputo Bastos, relator do pedido, afirmou que a suspensão do trabalho por causa de uma licença "de tamanha grandiosidade não pode interromper" uma verba "paga com regularidade". "As finalidades perseguidas pela Carta Magna transcendem a interpretação literal de que a GECJ [a gratificação] somente pode (e deve) ser paga quando a situação de sobre-esforço se configurar", escreveu.

Ele defendeu que o debate em torno da licença não era sobre discriminação contra a mulher, mas sobre o "decesso remuneratório e previdenciário ocasionado pelo nascimento/adoção de uma criança" e que a redução salarial "ultrapassa as raias da legalidade e da razoabilidade". O voto foi aprovado por unanimidade.

Luciana Zaffalon diz que o Judiciário deveria tratar a licença-maternidade e a gratificação de forma mais clara, em vez de buscar subterfúgios. "É absolutamente necessário que o sistema de Justiça tenha um orçamento sensível a gênero, mas isso precisa acontecer de uma forma ancorada nessas preocupações de fato", opina.

O CNJ respondeu, por meio de sua assessoria, que a manutenção do pagamento durante a licença-maternidade ou paternidade visa compatibilizar as leis sobre a gratificação "com os direitos à infância e à convivência familiar e, também, com a garantia de não redução dos salários".

Na nota, o conselho trata a verba como parte do salário, e não como uma indenização pelo acúmulo de funções. "O recebimento da gratificação deve ser assegurado a todos os magistrados afastados, sem prejuízo à remuneração, sob pena de o nascimento ou a adoção de uma criança impor redução salarial".

CNJ e CNMP foram procurados nesta sexta (8) para que comentassem o pagamento da gratificação mesmo para integrantes que estão afastados de suas funções e quais tipos de afastamento darão direito ao benefício, mas não responderam até a publicação da reportagem.

Politica Livre

Compliance Zero chega ao núcleo do poder em regime de democracia plena

Publicado em 9 de maio de 2026 por Tribuna da Internet


Lula avança no exterior enquanto crise no Centrão abala a direita brasileira

Publicado em 9 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Para Lula, a aproximação ajuda a reduzir tensões comerciais

Pedro do Coutto

A visita do presidente Lula da Silva à Casa Branca produziu uma imagem rara na política contemporânea: dois líderes ideologicamente antagônicos tentando construir uma convivência pragmática em meio a um cenário internacional explosivo. O encontro entre Lula e Donald Trump, marcado por cordialidade e gestos calculados de aproximação, ocorreu num momento em que a geopolítica atravessa uma fase de instabilidade crescente, impulsionada pela escalada militar envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos, pela disputa global por minerais críticos e pela reorganização dos blocos econômicos mundiais.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a explosão do escândalo envolvendo o Banco Master e o senador Ciro Nogueira adicionou um componente doméstico que pode alterar profundamente o tabuleiro eleitoral de 2026. Embora separados por visões distintas de mundo, Lula e Trump compreenderam que havia vantagens mútuas em produzir sinais públicos de entendimento.

TENSÕES COMERCIAIS – Para Lula, a aproximação ajuda a reduzir tensões comerciais e evita que o Brasil fique isolado em um momento em que os Estados Unidos ampliam sua disputa econômica com a China. Para Trump, o gesto serviu para suavizar a imagem internacional de um governo pressionado pelas críticas relacionadas à guerra envolvendo o Irã e os bombardeios no sul do Líbano. A reunião também funcionou como uma tentativa de demonstrar estabilidade diplomática num contexto em que Washington busca recompor alianças estratégicas sem perder o discurso de força que marca o trumpismo.

O componente econômico da reunião talvez tenha sido ainda mais relevante do que o simbólico. A disputa global por minerais críticos e terras raras tornou-se um dos temas centrais da política internacional contemporânea. Estados Unidos, Europa e China travam uma corrida silenciosa pelo controle de cadeias produtivas ligadas à inteligência artificial, semicondutores, baterias, defesa militar e tecnologias avançadas. O governo Trump intensificou recentemente medidas para garantir acesso estratégico a minerais processados considerados essenciais à segurança nacional americana.

PESO GEOPOLÍTICO – Nesse contexto, o Brasil ganhou novo peso geopolítico. O país possui reservas estratégicas de minerais raros e capacidade potencial de expansão em setores ligados à transição energética e à indústria tecnológica. Lula percebeu isso cedo. Nos últimos meses, passou a defender com mais intensidade que o Brasil deixe de ser apenas exportador de matéria-prima bruta e avance na industrialização de cadeias ligadas aos minerais críticos. O encontro com Trump ocorreu exatamente sob essa lógica: ampliar comércio, negociar investimentos e transformar o país em peça relevante da nova economia global.

Politicamente, porém, talvez o efeito mais importante da visita tenha ocorrido dentro do Brasil. A cordialidade entre Lula e Trump produziu desconforto em parte da direita brasileira porque reduziu o espaço para a narrativa de isolamento internacional do governo petista. Ao mesmo tempo, aproximou Lula de setores do centro conservador que valorizam estabilidade econômica, previsibilidade diplomática e pragmatismo institucional. Em eleições polarizadas, movimentos simbólicos costumam ter impacto maior do que aparentam inicialmente.

COMPLIANCE ZERO – Enquanto isso, em Brasília, outro fato político alterava dramaticamente o ambiente nacional. A nova fase da Operação Compliance Zero atingiu em cheio o senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes do Centrão e figura central da articulação bolsonarista no Congresso. A Polícia Federal afirma possuir indícios de que o senador teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em troca de atuação favorável aos interesses da instituição financeira no Parlamento.

As suspeitas são politicamente devastadoras porque atingem um dos pilares da aliança entre o bolsonarismo e o Centrão. Segundo as investigações, projetos legislativos apresentados por Ciro beneficiariam diretamente interesses do Banco Master, incluindo propostas relacionadas ao Fundo Garantidor de Crédito. A Polícia Federal sustenta que a relação extrapolava interlocução política regular e configurava um arranjo de vantagens econômicas indevidas.

O impacto não é apenas jurídico. Ele é sobretudo político. Ciro Nogueira sempre operou como um dos grandes construtores de pontes entre setores fisiológicos do Congresso e o bolsonarismo. Sua eventual fragilização altera equilíbrios importantes dentro da direita. O escândalo produz um efeito particularmente delicado para Flávio Bolsonaro, que dependia da estrutura política do PP e da federação União-PP como peça estratégica para 2026.

CRISE SISTÊMICA – Em Brasília, muitos compreenderam rapidamente a gravidade do momento. O caso Banco Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro e começou a assumir contornos de crise sistêmica. Há receio de que novas delações e novas fases da investigação atinjam outros parlamentares, operadores financeiros e dirigentes partidários. O Centrão, historicamente especialista em sobrevivência política, já demonstra sinais de recalculando alianças e reposicionando interesses.

Lula percebe esse ambiente com atenção. O presidente sabe que dificilmente conquistará apoio orgânico do eleitorado conservador, mas entende que pode ampliar sua margem de competitividade se conseguir fragmentar a coalizão adversária. A combinação entre pragmatismo internacional, estabilidade econômica e desgaste ético de setores da oposição cria um cenário politicamente mais favorável ao Planalto do que parecia há poucos meses.

REFLEXOS ELEITORAIS – Ainda é cedo para afirmar se o encontro entre Lula e Trump terá efeitos duradouros ou se o escândalo do Banco Master produzirá consequências eleitorais profundas. Mas os dois acontecimentos revelam algo importante sobre o momento atual: a política brasileira voltou a ser fortemente influenciada pela intersecção entre geopolítica, economia global e crises institucionais domésticas.

No mesmo dia em que Lula buscava se projetar como interlocutor global relevante diante de Donald Trump, a Polícia Federal avançava sobre uma das engrenagens mais influentes do sistema político brasileiro. Talvez essa coincidência explique melhor do que qualquer discurso o tamanho da disputa em curso no país: de um lado, a tentativa de reposicionar o Brasil no cenário internacional; de outro, o desgaste acelerado de estruturas políticas que dominaram os bastidores do poder nas últimas décadas.

Líder do PP no Senado defende a PF após investigação chegar a Ciro Nogueira


Ao deixar o TSE, Cármen Lúcia faz apelo por igualdade e condena violência contra mulheres


Ministra defendeu a participação feminina na Justiça Eleitoral

Pepita Ortega
O Globo

A ministra Cármen Lúcia reforçou a necessidade de garantir a presença feminina nos espaços públicos em sua última sessão como presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A ministra defendeu a participação de mulheres na Justiça Eleitoral para que não prevaleçam as “desigualdades sociais, cívicas, políticas e econômicas” em razão da “violência bárbara” praticada contra as mesmas.

“Isso não é um problema de civilidade, é um problema de humanidade. E o que queremos é a uma Justiça para seres humanos e humanas igualmente dignos. Esperamos que isso continue na Justiça Eleitoral, que tem servido também como exemplo da capacidade de termos uma sociedade muito mais igual para todas as pessoas”, assinalou. A ponderação teve início quando a magistrada defendia que advogadas tenham o mesmo espaço e possibilidade que os colegas homens e ascendam a cargos públicos.

“MATRIZ DA URNA ELEITORAL” –  A ministra afirmou ainda que o País é exemplo de “matriz da urna eleitoral”. “Que a gente chegue ao momento em que possamos nos considerar matriz de democracia para toda sociedade, cumprindo as determinações de construção de uma sociedade livre justa e solidária. Somos capazes de demonstrar ao mundo que podemos viver em paz em condições de igualdade e com respeito as liberdades”, completou.

Cármen ainda fez um breve balanço de sua gestão. Ao longo da mesma, o TSE realizou mais de 300 sessões, 159 delas para julgamento presencial, tendo julgado 5215 processos ao todo. Antes do discurso a ministra foi homenageada e foi aplaudida de pé pelos ministros e demais presentes na sessão.

O presidente eleito da Corte, Kassio Nunes Marques, ressaltou o fato histórico de Cármen Lúcia ser a primeira mulher a presidir o TSE por duas eleições e afirmou que a ministra “defendeu os institutos mais caros da democracia com comprometimento próprio de quem é apaixonado pelo país”.

VISIBILIDADE – O ministro enfatizou a visibilidade dada por Cármen à participação feminina na vida pública, defendendo um tratamento justo para as mulheres nas eleições e também na própria composição da justiça eleitoral.

Kassio indicou ainda que Cármen “conduziu o tribunal por um caminho seguro” e afirmou que ele e os demais ministros seguirão as “trilhas desbravadas” pela ministra”. Como sucessor da atual presidente, ainda pontuou que será fiel ao exemplo dado na condução nas eleições de 2024, com a “firmeza no cumprimento de normas, zelo na garantia de direitos e serenidade na condução dos trabalhos”. O ministro exaltou o “gigantismo” da gestão da ministra e a “magnanimidade” do que a ministra representa para a Justiça Eleitoral.

O procurador-geral da República Paulo Gonet também homenageou a ministra, afirmando que Cármen deixa na memória da Corte eleitoral “os melhores traços de sua exitosa, culta e íntegra” história na Justiça. Segundo o PGR, “o tempo guardará o registro do empenho” da ministra na proteção e na consecução dos valores da Constituição, assim como na “defesa intransigente da democracia e da efetivação dos direitos básicos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ao invés de trocar elogios desnecessários e triviais, os ministros do Supremo deveriam estar preocupados em limpar a instituição, que está com uma imagem totalmente poluída. Mas o corporativismo é tão forte que eles vivem no melhor dos mundos, tentando desconhecer seus gravíssimos problemas. (C.N.)


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