sábado, maio 09, 2026

Haddad mira Flávio Bolsonaro e liga campanha de 2026 ao escândalo do Banco Master


Haddad cobra explicações sobre patrimônio de Flávio Bolsonaro

Hyndara Freitas
O Globo

Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou, nesta quinta-feira (7), que as pessoas “não têm ideia” de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Lula (PT) na disputa ao Palácio do Planalto, e que espera que a campanha mostre “quem é o personagem e quem são os amigos dele”. Ao comentar sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Haddad ainda citou o caso do Banco Master.

— Eu creio que as pessoas não têm ideia de quem seja o Flávio. Eu espero que a campanha mostre quem é o personagem, quantos mandatos ele teve, quantos projetos ele aprovou, como é que ele angariou esse patrimônio considerável que ele detém, quem são os amigos dele. As investigações estão sendo aprofundadas sobre os escândalos que o governo desbaratou, então tem havido uma compreensão maior de quem é responsável por esses desmandos, quando surgiram esses desmandos, quem foram os responsáveis. Isso tudo vai ajudar a esclarecer — falou o ex-ministro da Fazenda em coletiva de imprensa após dar uma palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo.

CASO MASTER – Ele havia sido indagado sobre como o governo poderia dialogar mais com a população, tendo em vista que Flávio aparece empatado ou até ultrapassando Lula numericamente em pesquisas eleitorais recentes. Haddad então citou o caso Master e acrescentou que é preciso “colocar as instituições para funcionar, cada um com a sua competência”, citando a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público.

— Cada uma no que lhes compete, e esclarecer para a opinião pública para onde foi o dinheiro do Master, que campanhas o Master financiou, quem é amigo de quem, para a gente ter clareza do que aconteceu. Isso vai ajudar muito. Agora, o papel é dar transparência para isso. Nós já sabemos na gestão de quem, no Banco Central, diretores foram corrompidos. Estamos investigando parlamentares que podem ter envolvimento em beneficiar o Master, e vamos atrás — acrescentou, dizendo que esse caso “obviamente vai ter impacto eleitoral” na campanha.

Na manhã desta quinta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura as ligações dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Indagado sobre a operação, Haddad disse que não havia tomado conhecimento.

MEDIDAS ECONÔMICAS – O ex-ministro da Fazenda negou que tenha havido aumento da carga tributária durante a gestão atual de Lula, e afirmou que isso só ocorreu significativamente no país durante a ditadura militar e após o Plano Real. Ele ainda justificou o aumento de gastos no governo por medidas tomadas na reta final da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— O que aconteceu em 2022 foi grave. Diante do cenário de derrota iminente, houve uma sangria nas contas. E o legado para pagar no ano seguinte era de quase R$ 200 bilhões, de precatórios não previstos, porque o Supremo declarou inconstitucional a PEC do calote, e tinha o reajuste do Bolsa Família que não estava no orçamento — falou Haddad.

– Eu não sou uma pessoa dogmática que acha que não pode gastar mais do que arrecada. Em que condições? Tem várias maneiras de fazer ajuste fiscal. E dependendo da sua visão de mundo, você faz o ajuste de uma forma ou de outra, penalizando quem ganha salário mínimo ou penalizando quem não paga para começar a pagar — , acrescentou

DIFICULDADES DA ESQUERDA –  Haddad ainda reconheceu as dificuldades da esquerda no Brasil e no mundo, destacando que experiências passadas, como o bem-estar social e o nacional-desenvolvimentismo acabaram “perdendo o charme” nas últimas décadas e, ao mesmo tempo, houve uma ascensão da extrema-direita, que dificulta planos mais de longo prazo.

— Tem duas forças que restringem a imaginação institucional, na minha opinião: a gente se enviuvou de coisas que parecem não fazer tanto sentido, e a outra é o medo do que vem pela frente. Quando você teme o futuro, você não quer muito sair do lugar. A gente pode estar diante disso em outubro, de gente falando “ah, mas vai piorar”. Se nós não enfrentarmos o espantalho do futuro, nós não vamos sair do lugar — falou.

MAIS LIBERDADE – Para o ex-titular da Fazenda, “quando há duas forças competindo com a regra do jogo bem estabelecida e respeito mútuo, como perdurou no Brasil durante 30 anos”, há “muito mais liberdade para fazer as coisas”, mas este cenário seria diferente agora.

— Porque você sabe que, se você errar, o país vai ser dirigido por gente séria. Agora se você errar aqui, tomar voos maiores, vai jogar o país nas mãos de uma cleptocracia? A extrema-direita atrapalha muito, esse tipo de ameaça inibe você de pensar a longo prazo — acrescentou.

“PRECONCEITO” – Ainda em relação à esquerda, Haddad comentou que existe uma parcela desse setor que tem “um certo preconceito” com trabalhadores que não são assalariados e que trabalham de maneira autônoma, lembrando que o PT nasceu entre sindicatos no ABC Paulista e que, hoje, as dinâmicas trabalhistas mudaram.

— Até para você vender um programa de país para uma diversidade tão grande de pontos de vista, isso ficou mais difícil. O PT nasceu num berço de pessoas que vendiam a carteira de trabalho. E ainda existe, nos partidos de esquerda, um certo preconceito com quem não é assalariado. O cara (trabalhador) precarizado, às vezes, não consegue interagir com o operário tradicional. Tem outra cabeça, tem outra visão. Nenhum desses atores são proprietários de dinheiro de produção. Então articular um projeto em torno de emancipação, de crescimento, em torno de visões tão díspares, se tornou um desafio maior – comentou.


Nova indicação ao STF vira impasse e a oposição aposta em Alcolumbre para segurar nome

Publicado em 8 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Alcolumbre poderá arcar com desgaste político

Valdo Cruz
G1

Líderes da oposição querem deixar a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições, após a rejeição de Jorge Messias.

Admitem, porém, que uma possível indicação por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma jurista negra irá criar constrangimentos para eles.

SEM ARGUMENTO – “Vamos ficar sem discurso se o Lula mandar o nome de uma jurista negra, de reputação ilibada e notório saber jurídico. Se rejeitarmos vamos dar munição para ele na campanha eleitoral”, disse um líder da oposição reservadamente.

Segundo ele, o melhor caminho seria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segurar a indicação e não marcar a sabatina, ficando com ele, que não é candidato, o desgaste por engavetar o nome. Ou seja, a oposição não quer ficar com o desgaste de barrar uma nova indicação do presidente Lula se for uma jurista negra, mas espera que Alcolumbre faça o serviço para ela.

Em troca, será dada mais uma vez a sinalização de que Alcolumbre teria o apoio de Flávio Bolsonaro, caso ele vença a eleição presidencial, de ser reeleito presidente do Senado no próximo ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Lula esta revivendo enredo da célebre peça teatral de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar – “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”. Se indicar outro nome e for recusado, estará completamente desmoralizado e pode esquecer a reeleição. Eis a questão(C.N.)

Da “chapa dos sonhos” ao pesadelo da PF: o cerco ao senador Ciro Nogueira

Publicado em 8 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Operação contra Ciro rompe blindagem de políticos

Bernardo Mello Franco
O Globo

Demorou, mas a Polícia Federal enfim bateu à porta de Ciro Nogueira. O senador estava na mira desde o início do escândalo do Master. Numa mensagem célebre, Daniel Vorcaro o descreveu como um dos “grandes amigos de vida”.

Para o ministro André Mendonça, a relação extrapolava a “mera amizade”. De acordo com as investigações, Ciro recebia mesada de até R$ 500 mil. Além disso, usava o cartão do banqueiro para pagar voos internacionais, hotéis de luxo e restaurantes estrelados.

DOBRADINHA – Ciro deixou rastros da dobradinha. Foi dele a proposta de elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Um incentivo e tanto para bancos que fraudam o sistema financeiro com títulos sem lastro. O texto assinado pelo senador já havia sido apelidado de “emenda Master”. Agora sabe-se que foi redigido por funcionários do banco e depositado num envelope em nome de Ciro. “Saiu exatamente como mandei”, festejou Vorcaro. O diálogo atesta a captura do cargo público para fins particulares.

Sempre falante, o chefão do PP passou o dia em silêncio depois de ser acordado pela polícia. Seus advogados disseram que ele “repudia qualquer ilação de ilicitude”. Ciro já foi conhecido como o príncipe do baixo clero. Habilidoso, virou presidente de partido e se projetou como um dos maiores articuladores do Centrão.

ALIANÇA – Nos últimos anos, costurou a aliança do grupo com o bolsonarismo. Foi chefe da Casa Civil de Jair e era cotado como candidato a vice de Flávio. Animado, o senador chegou a definir o arranjo como “chapa dos sonhos”.

Para a bancada do Master, a operação de ontem pode ter sido o início de um pesadelo. A PF ainda não havia encostado em políticos que alugaram seus mandatos ao trambiqueiro da Faria Lima. A fila é extensa e suprapartidária. Além de congressistas, deve pegar governadores que despejaram dinheiro de aposentados nos fundos de Vorcaro.

Pela quantidade de provas citadas por Mendonça, Ciro teve sorte. O senador pode ter perdido algumas horas de sono, mas poderá compensá-las em casa. E sem tornozeleira eletrônica.


Gilmar cobra OAB por críticas ao STF e pressiona entidade a defender a Corte


“Não podemos fragilizar o STF”, argumentou Gilmar

Rafael Moraes Moura
O Globo

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, cobrou do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, pelas críticas que a entidade vem fazendo à atuação da Corte. Na conversa, ocorrida em uma audiência no Supremo no final do mês passado, Gilmar pressionou Simonetti a sair em defesa da Corte.

“Não podemos fragilizar o STF”, argumentou Gilmar, repetindo em privado uma queixa que já fizera em público a respeito da OAB em entrevista ao Jornal da Globo, dois dias antes da audiência, em 22 de abril. “A OAB de São Paulo tem criticado muito o Supremo Tribunal Federal. Mas a gente também pode fazer uma pergunta: o que a OAB tem feito contra as fraudes perpetradas por advogados?”, indagou o decano do STF à jornalista Renata Lo Prete.

APURAÇÕES E SANÇÕES – Foi para dar uma resposta ao ministro sobre a sua fala que Simonetti pediu para ser recebido. No encontro, ele entregou a Gilmar um levantamento sobre as apurações e sanções praticadas pela própria entidade contra advogados. Mas, como Gilmar se mostrava inconformado, Simonetti foi claro: disse que seu maior problema no momento é justamente conter os ânimos de sua classe, que cobra dele uma atuação ainda mais combativa contra o STF.

O presidente da OAB disse que tem falado bem menos do que a base de advogados tem lhe cobrado diante da crescente insatisfação do meio jurídico com a perpetuação do inquérito das fake news, aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli. O processo foi instaurado para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares – mas, na prática, se tornou uma espécie de atalho jurídico para o tribunal enquadrar críticos e opositores.

Na entrevista a Lo Prete, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e defendeu que ele continue aberto pelo menos até as eleições, o que teve repercussão ainda pior na base de Simonetti.

OFÍCIO –  O ministro já tinha se mostrado particularmente contrariado com a postura de Simonetti de entregar em março deste ano ao presidente do STF, Edson Fachin, um ofício a favor da conclusão do inquérito das fake news, manifestando “extrema preocupação institucional” com “investigações de longa duração”.

Daí a citação à OAB nas entrevistas que Gilmar deu, em resposta ao relatório que o senador Alessandro Vieira apresentou ao final da CPI do Master propondo o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e do próprio Gilmar, e do vídeo satírico divulgado nas redes sociais pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em que o decano era retratado como fantoche.

PRESSÃO – Gilmar tem pressionado a Procuradoria-Geral da República (PGR) para incluir Zema no inquérito das fake news. Na audiência, Simonetti argumentou que tem evitado fulanizar o debate e entrar em embates pessoais, e disse que prefere adotar uma linha institucional de defesa de reformas para o Judiciário, que respondam às demandas da sociedade e ajudem o STF a sair da crise na qual mergulhou com as revelações do caso Banco Master. Os argumentos parecem ter surtido efeito. O que começou como uma conversa dura acabou em tom conciliatório.

No mês passado, a OAB criou uma comissão especial para discutir mudanças no Poder Judiciário, que deverá abordar, entre outros pontos, a limitação de decisões monocráticas e a criação de regras mais rígidas para a atuação de parentes de magistrados na advocacia. Gilmar é um dos mais árduos críticos da proposta de Fachin de implantar um Código de Conduta na Corte.

Em dezembro do ano passado, o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, criticou uma polêmica liminar de Gilmar que dificultou a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF. À época, a decisão do decano foi interpretada como uma forma de blindar a Corte do “risco impeachment”, num momento em que a bancada anti-STF no Senado Federal deve aumentar com o resultado das eleições de outubro.

LIMINAR – “Não dá para entender porque que veio uma liminar, não havia urgência, até porque, em termos práticos, está se alterando por uma liminar o processo de impeachment de ministros. Um processo de impeachment que nunca aconteceu, não há nenhum processo de impeachment acontecendo, então não há emergência, não há conveniência e acho, mais uma vez, que se há a discussão, ótimo que ela seja feita no lugar devido ao Congresso Nacional”, criticou Sica em entrevista à rádio CBN.

Em um primeiro momento, Gilmar decidiu que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia acionar o Senado para cassar magistrados, esvaziando o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de ingressarem com pedidos dessa natureza.

Depois, o ministro recuou desse ponto, mas manteve o trecho da liminar que aumenta de 41 para 54 votos o número mínimo necessário para a abertura desse tipo de processo. Simonetti está em seu segundo mandato à frente da OAB, que só se encerra em janeiro de 2028. Procurada, a OAB informou que Simonetti não vai se manifestar.

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