A pior imprensa é a imprensa desonesta
Por José Montalvão
Em uma sociedade democrática, a imprensa exerce um papel fundamental: informar a população com responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a verdade. Quando cumpre essa missão, torna-se um dos pilares da democracia. No entanto, quando se afasta desses princípios e passa a agir com interesses ocultos, sensacionalismo e manipulação, deixa de servir ao público e passa a servir a agendas particulares. É nesse momento que surge aquilo que muitos chamam de “imprensa lixo”.
Infelizmente, tornou-se comum observar um método recorrente em certos setores da grande mídia. Quando desejam macular a imagem de uma autoridade ou de uma pessoa de relevância pública, lançam uma manchete escandalosa, carregada de insinuações e julgamentos antecipados. A notícia é divulgada de forma ampla, espalha-se rapidamente pelas redes sociais e provoca uma avalanche de comentários, críticas e condenações precipitadas.
O problema é que, muitas vezes, dias depois surge uma “correção” discreta, informando que houve um equívoco, um erro de interpretação ou a ausência de provas suficientes. Porém, nesse momento, o dano já foi causado. A reputação da pessoa já foi arranhada, a dúvida já foi plantada na opinião pública e a narrativa negativa já ganhou vida própria.
Esse tipo de prática levanta questionamentos sobre o papel de parte da imprensa no debate público atual. No caso recente envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, alguns veículos têm buscado criar grande repercussão a partir de contatos do magistrado com empresários e figuras influentes do sistema financeiro. Entre os nomes citados está o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.
Contudo, é importante lembrar que o relacionamento institucional entre autoridades públicas e representantes do setor econômico não é algo incomum. Há décadas, ministros do Supremo Tribunal Federal, bem como integrantes do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, participam de seminários, fóruns jurídicos e conferências internacionais — frequentemente realizados em cidades como Nova York e Londres.
Esses encontros reúnem juristas, empresários, acadêmicos e autoridades públicas para debater temas ligados à economia, ao direito e à governança global. Em muitos casos, as despesas de viagem, hospedagem e participação são custeadas por instituições organizadoras, fundações ou patrocinadores privados, algo que ocorre também em outros países e em diversas áreas profissionais.
O problema surge quando fatos que, isoladamente, não configuram irregularidade são apresentados de maneira fragmentada ou sensacionalista, criando uma narrativa de suspeita antes mesmo de qualquer investigação ou comprovação de ilícito. Esse tipo de abordagem compromete a credibilidade da própria imprensa e enfraquece o debate público.
A crítica à imprensa não significa defender censura ou limitar a liberdade de expressão. Pelo contrário: a liberdade de imprensa é um valor essencial da democracia. Mas essa liberdade deve caminhar lado a lado com responsabilidade, ética e compromisso com a verdade.
Uma imprensa verdadeiramente livre não é aquela que acusa sem provas, nem aquela que manipula informações para criar escândalos passageiros. A imprensa que fortalece a democracia é aquela que investiga com rigor, informa com equilíbrio e corrige erros com a mesma visibilidade com que divulgou a acusação.
Quando a informação se transforma em arma política ou instrumento de destruição de reputações, quem perde não é apenas o alvo da manchete, mas toda a sociedade, que passa a conviver com a desinformação e com a desconfiança nas instituições.


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