domingo, fevereiro 08, 2026

Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro

 

Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro

Por Catia Seabras e Caio Spechoto | Folhapress

Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro
Foto: Ricardo Stuckert/PR | Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente Lula (PT) desencadeou uma operação política em duas frentes para tentar fortalecer sua candidatura à reeleição e isolar seu provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
 

O petista tenta afastar os principais partidos do centrão da candidatura de Flávio. Além disso, em um movimento considerado mais delicado, foi receptivo à ideia de mudar o vice de sua chapa para tentar agregar o MDB à sua aliança formal –o que daria mais tempo de campanha na TV e reforçaria a mensagem de frente ampla propagada por ele na eleição de 2022.
 

A ordem de Lula, já assimilada pelo PT, é ampliar o máximo possível seu arco de alianças para a eleição. Articuladores petistas acreditam que a maioria do eleitorado já decidiu de qual lado ficará, e que apenas algo em torno de 10% dos votos está em disputa. Por isso, qualquer ajuda para atrair mais eleitores é valiosa.
 

"Temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições. Não estamos com essa bola toda em todos os estados, tem estados que precisamos compor. A gente precisa decidir se quer ganhar ou se quer perder. Como eu quero ganhar, Edinho [Silva, presidente do PT], você vai ter que fazer as alianças", declarou o presidente no evento de aniversário do PT neste sábado (7).
 

A tentativa de atrair o MDB é sensível porque envolveria tirar da chapa o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Ele é próximo do chefe do governo e quer continuar no cargo no caso de reeleição. Além disso, diretórios poderosos do MDB, como os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, devem resistir a uma aliança.
 

Como mostrou a coluna Painel, da Folha, a cúpula emedebista está se aproximando do PSD, que tem três pré-candidatos a presidente. Dos 27 diretórios estaduais do partido, 17 estariam afastados de Lula e 10, próximos ao governo petista.
 

Há o risco de Lula magoar e perder seu atual vice e a aliança ser derrotada na convenção emedebista, inviabilizando a coligação. Alckmin já disse à cúpula do PT que, se não estiver na chapa presidencial, apoiará a reeleição de Lula sem se candidatar a nada.
 

O presidente discutiu o assunto em dezembro com os senadores lulistas Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Ficou de marcar nova reunião, mas não o fez até agora.
 

Na quinta (5), porém, Lula disse publicamente que Alckmin tem "um papel a cumprir" na eleição em São Paulo. A frase foi entendida como um sinal de que ele quer o vice concorrendo a algum cargo e reforçando seu palanque no estado com maior eleitorado.
 

Emedebistas a par da articulação avaliam que a declaração foi uma espécie de "ok" para avançarem na tentativa de formar uma maioria no partido em favor da aliança. Esse grupo, porém, ainda quer que o presidente faça gestos mais fortes.
 

Dois dias depois, durante celebração dos 46 anos do PT neste sábado (7), em Salvador, o presidente afagou Alckmin dizendo que teve sorte com seus vices: "O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro". O vice esteve presente no evento.
 

Na reunião com os dois emedebistas, Lula disse que via no MDB a única chance de agregar um novo partido à sua aliança –que deve contar com as siglas de esquerda.
 

Renan disse ao petista que a única maneira de tentar levar o MDB para a coligação seria oferecendo a vice, porque isso daria um argumento forte na convenção que decidirá o caminho da sigla na eleição. As convenções partidárias serão de 20 de julho a 5 de agosto.
 

Há três emedebistas cotados para a vice de Lula, caso a articulação dê certo: o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do Pará, Helder Barbalho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
 

O principal destino especulado para Tebet, porém, é uma candidatura a senadora por São Paulo. Existe a possibilidade de ela mudar de partido, uma vez que o MDB paulista apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
 

Aliados de Lula no PT e no MDB, porém, ainda tentam uma solução que permita a Tebet ser candidata e apoiar a reeleição de Lula sem mudar de legenda. Tanto o presidente do PT, Edinho Silva, quanto Eduardo Braga querem conversar com o presidente do MDB, Baleia Rossi, sobre o tema.
 

O principal obstáculo a uma aliança entre Lula e o MDB paulista é a proximidade do prefeito de São Paulo, o emedebista Ricardo Nunes, com Tarcísio. O governador foi fundamental para a reeleição de Nunes, em 2024.
 

Ajuda Lula o fato de Tarcísio ter decidido ser candidato à reeleição em São Paulo. Forças políticas de direita e de centro queriam que ele disputasse o Palácio do Planalto e ficaram sem um candidato preferido.
 

Além da tentativa de atrair o MDB, Lula busca obter a neutralidade dos principais partidos do centrão na disputa nacional. O objetivo do petista é que essas legendas não deem apoio formal a Flávio Bolsonaro e que suas direções nacionais não dificultem sua busca por alianças com líderes locais.
 

Um dos principais movimentos nesse sentido, revelado pela Folha, foi reunião de Lula com o presidente do PP, Ciro Nogueira, na qual ouviu dele uma proposta de neutralidade nacional do partido. A contrapartida seria facilitar a reeleição de Nogueira como senador no Piauí.
 

Deputados e senadores filiados ao PP e originários de regiões onde Lula é mais popular, como o Nordeste, dão como certo que a legenda liberará seus filiados para se associar ao candidato a presidente que preferirem.
 

O presidente também mira líderes locais do União Brasil. Um dos estados onde esse esforço deve ser maior é o Ceará. Principal líder do PT cearense, o ministro da Educação, Camilo Santana, tenta impedir que o União Brasil apoie Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo local.
 

Lula julga ser fundamental derrotar Ciro e reeleger o governador Elmano de Freitas (PT).
 

O PP anunciou a formação de uma federação partidária com o União Brasil, chamada União Progressista. As duas legendas, juntas, constituiriam a maior bancada da Câmara e seriam obrigadas a agir em conjunto na eleição nacional. Ciro Nogueira é um dos líderes dessa associação, que ainda não foi definitivamente reconhecida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
 

Esse grupo queria apoiar Tarcísio para presidente. Sem uma candidatura de Tarcísio, a prioridade passou a ser eleger o maior número possível de congressistas, o que aumenta a possibilidade de alianças entre Lula e diretórios estaduais dessas siglas.
 

O presidente da República também se aproximou do presidente da Câmara, Hugo Motta. O partido de Motta, o Republicanos, também tem setores que querem disputar a eleição associados a Lula. O deputado tem participado das articulações do presidente da República inclusive fora de seu partido. Ele intermediou a reunião entre o petista e Ciro Nogueira.
 

Lula, Motta e diversos outros deputados jantaram juntos na quarta-feira (4). O chefe do governo minimizou os possíveis atritos por partidos que têm ministérios lançarem candidatos a presidente da República. O recado foi direcionado principalmente ao PSD, que tem três ministros e três pré-candidatos ao Planalto (Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr.).


Arthur Lira avalia recorrer ao STF contra autorização de acareação com deputado baiano

 

Arthur Lira avalia recorrer ao STF contra autorização de acareação com deputado baiano
Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados

O entorno do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem defendido a apresentação de um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a decisão que autorizou a Polícia Federal a realizar uma acareação entre ele e o deputado federal José Rocha (União-BA). Segundo o Metrópoles, a informação é baseada em interlocutores próximos ao parlamentar.

 

A acareação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e integra as investigações do inquérito que apura desvios em emendas do chamado orçamento secreto.

 

O ex-presidente da Câmara argumenta, em conversas com aliados, que a medida é "descabida". Seu principal ponto é que ele ainda não foi ouvido formalmente pela PF sobre o caso e não figura como investigado no procedimento – embora uma operação deflagrada em dezembro do ano passado tenha como alvo sua ex-assessora, Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca".

 

Segundo Lira, não haveria base jurídica para uma acareação antes de seu depoimento. Ele sustenta que o relato do deputado José Rocha já foi confrontado por declarações de outros parlamentares que depuseram, como o deputado Fernando Marangoni (União-SP).

 

Por isso, avalia que uma eventual acareação deveria ocorrer primeiro entre os próprios deputados que já prestaram depoimento e cujas versões apresentam divergências.

 

Em conversas reservadas, Lira também tem mencionado que a distribuição de emendas de bancada segue "múltiplos critérios", entre os quais estariam "o tamanho e a relevância dos partidos, além da posição de líderes de comissão, que concentram maior volume de recursos".

 

O inquérito no STF apura supostos desvios de emendas parlamentares. Deputados ouvidos pela PF, inclusive José Rocha, relataram que a ex-assessora Tuca tinha uma "visão ampla da Câmara para a destinação de emendas".

 

Em seu depoimento, Rocha afirmou que documentos como minutas de ofício e planilhas de indicação de recursos oriundos da presidência da Casa eram encaminhados por Tuca, de forma informal, via WhatsApp. A acareação tem como objetivo confrontar as versões apresentadas.

 

Ainda de acordo com a Metrópoles, a PF ainda define a data para a realização do ato, após a autorização do Supremo.

Otto Alencar implanta marcapasso após mal-estar e segue em observação em hospital de Salvador

 

Otto Alencar implanta marcapasso após mal-estar e segue em observação em hospital de Salvador

Por Política Livre

08/02/2026 às 10:47

Atualizado em 08/02/2026 às 13:50

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Otto Alencar implanta marcapasso após mal-estar e segue em observação em hospital de Salvador

O senador Otto Alencar (PSD)

O senador Otto Alencar (PSD) foi submetido a um procedimento cardíaco preventivo após apresentar um quadro de bradicardia, diagnosticado depois de um mal-estar no retorno de uma agenda política realizada na sexta-feira (7), no município de Lapão. De acordo com boletim divulgado por sua assessoria, os exames indicaram a necessidade da implantação de um marca-passo, procedimento realizado com sucesso no Hospital Aliança, na capital baiana.

Segundo a nota, Otto encontra-se clinicamente estável, em observação na UTI Cardíaca, seguindo todos os protocolos recomendados. A equipe médica optou pela intervenção de forma preventiva, e a evolução do quadro é considerada positiva.

Nos bastidores, aliados e amigos do senador avaliam que o forte desgaste político e a pressão acumulada nas últimas semanas contribuíram para o episódio de saúde. O período foi marcado por intensas articulações e tensões internas no PSD, que culminaram no rompimento do compadre e também senador Angelo Coronel (PSD), que anunciou a saída da legenda.

A crise expôs Otto a cobranças públicas e privadas, além de um ambiente de conflito permanente, o que, na avaliação de interlocutores próximos, pesou sobre seu estado físico.

Politica Livre

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Lula disse que Alckmin tem ‘papel a cumprir’ no estado

Decisão irresponsável de Fux prolonga liberação de apostas com Bolsa Família

Nota da Redação deste Blog - 

EDITORIAL: A mordaça geográfica e o direito sagrado à crítica


Por José Montalvão

O papel de um blog de notícias, em sua essência, é ser o cão de guarda da sociedade. No entanto, vivemos em um Brasil onde o direito à indignação parece variar conforme o código de área do telefone. Enquanto em Brasília a grande imprensa utiliza termos como "irresponsável" para classificar decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — como no recente episódio em que o ministro Luiz Fux adiou a suspensão do uso do Bolsa Família em apostas eletrônicas —, no interior do país, a realidade é outra.

Em cidades como a nossa Jeremoabo, o exercício da liberdade de imprensa enfrenta uma barreira invisível, mas pesada: a mordaça judicial.

Se este blog utilizasse a mesma contundência permitida aos grandes portais da capital para apontar o dedo a um servidor do judiciário ou a um detentor de cargo público local, o desfecho seria previsível. Em vez do debate democrático, veríamos a força do Estado sendo usada para calar o mensageiro. Ordens judiciais para retirada de textos, multas desproporcionais que visam a asfixia financeira do veículo e processos criminais tornaram-se o "manual de redação" imposto aos comunicadores regionais.

O Servidor Público e o Escrutínio Popular

É preciso que se diga com clareza: o servidor público, do oficial de justiça ao ministro, do prefeito ao secretário, é um agente pago pelo povo. Como tal, seus atos não são privados; são públicos. A crítica à sua atuação não é uma ofensa à sua honra pessoal, mas um julgamento de sua eficiência e moralidade no cargo que ocupa.

Quando a Justiça é acionada para silenciar críticas sobre "penduricalhos", abusos de poder ou ineficiências administrativas, ela não está protegendo o Direito; está protegendo o privilégio. É justamente esse comportamento que explica por que a confiança do brasileiro no Poder Judiciário é, frequentemente, tão sofrível. O cidadão vê na televisão o questionamento livre em Brasília, mas sente na pele a censura em sua própria terra.

A Nossa Linha Editorial: Independência não é Negociável

Este Blog do Montalvão reafirma hoje seu compromisso com a verdade, custe o que custar. A liberdade de expressão não é um presente dado pelo Estado; é um direito natural garantido pela Constituição que não pode ter "donos" ou "castas". Se um ato em Jacarta ou em Brasília pode ser passado pelo crivo da análise crítica, um ato no fórum ou na prefeitura de Jeremoabo também deve ser.

A justiça deve ser cega para não olhar a quem julga, mas nunca deve ser surda para a voz da sociedade que clama por transparência.

Conclusão

Não aceitaremos a mordaça. O jornalismo de interior é o último refúgio da cidadania onde as instituições falham. Modernizar a gestão, como temos defendido, exige também modernizar a mentalidade de quem julga: aceitar a crítica é o primeiro passo para uma democracia de fato, onde ninguém — absolutamente ninguém — está acima do bem e do mal.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


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