sexta-feira, fevereiro 06, 2026

Redes sociais, ética e poder: o recado de Moraes à magistratura

 

Moraes disse que magistratura é a que mais tem vedações

Pedro do Coutto

No julgamento desta semana no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre limites ao uso de redes sociais por magistrados, o ministro Alexandre de Moraes lançou um recado claro sobre a relação entre liberdade de expressão, ética judicial e as responsabilidades do poder judiciário no Brasil contemporâneo. Ao votar pela manutenção das restrições editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Moraes afirmou que “não há nenhuma carreira pública com tantas vedações quanto a magistratura”, lembrando que juízes já estão sujeitos a um conjunto substancial de restrições constitucionais e legais que visam proteger a imparcialidade e a legitimidade do sistema judicial.

No centro do debate estão duas ações propostas por associações de magistrados que questionam a constitucionalidade de uma resolução do CNJ de 2019 que define parâmetros para a conduta de juízes em plataformas digitais — especialmente no que toca a manifestações político-partidárias ou ao uso da função para influenciar o processo eleitoral. Para Moraes, a norma não cria proibições inéditas, mas confere segurança jurídica a vedações já previstas na Constituição e na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), reconhecendo que o que é vedado no mundo físico deve igualmente ser vedado no virtual.

VISIBILIDADE – A postura de Moraes reflete uma preocupação que vai além de uma mera disputa técnica sobre liberdade de expressão: trata-se de evitar que juízes utilizem sua visibilidade institucional para influenciar debates eleitorais ou político-partidários, algo que, na visão dele, compromete a confiança pública no Judiciário. Ao reafirmar a validade das normas do CNJ, o ministro citou exemplos — inclusive de comportamentos que caracterizam “discurso de ódio” e uso político das redes — e apontou para a necessidade de preservar a imparcialidade como um pilar da magistratura.

Moraes também enfrentou críticas e desinformações sobre supostos privilégios ou liberdades exageradas concedidas à magistratura, esclarecendo que as restrições não atingem o direito de opinião pessoal ou conversas privadas, mas se concentram em condutas públicas que possam interferir na credibilidade das decisões judiciais. Esse posicionamento surge enquanto o STF analisa, paralelamente, a construção de um Código de Ética próprio para os ministros da Corte, impulsionado pelo presidente Edson Fachin, o que amplia a discussão sobre os limites e deveres éticos de quem ocupa os mais altos escalões do Judiciário.

DESAFIOS – No debate em curso, a visão de Moraes dialoga com um contexto mais amplo de tentativas globais de regulamentar o uso de redes sociais por atores públicos, considerando desafios como a polarização, a propagação de desinformação e a necessidade de proteção da integridade das instituições democráticas. Limitar a atuação público-virtual de juízes é, para ele, uma forma de fortalecer a confiança na imparcialidade judicial e resguardar a própria democracia contra excessos que possam surgir quando poderosos atores públicos usam plataformas digitais para fins políticos ou eleitorais — um tema que ganha cada vez mais destaque nas cortes e parlamentos ao redor do mundo.

A posição de Alexandre de Moraes evidencia a tensão entre a liberdade de expressão individual e a exigência de neutralidade e decoro da magistratura, particularmente num momento em que as redes sociais se tornaram arenas centrais do debate público. A decisão do STF sobre o caso — e, mais adiante, o eventual código de ética — pode estabelecer precedentes importantes sobre como o Judiciário brasileiro navega essas fronteiras em uma era digital cada vez mais complexa e exigente.

Nota da Redação Deste Blog - Redes sociais, ética e poder: o recado de Moraes à magistratura e o desafio da coerência institucional
Por José Montalvão

A decisão do ministro Alexandre de Moraes ao reafirmar a validade da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o uso das redes sociais por magistrados não é um simples embate corporativo nem uma discussão abstrata sobre liberdade de expressão. Trata-se de um tema estrutural: a preservação da credibilidade do Judiciário em tempos de hiperexposição digital e polarização política.

Vivemos numa era em que a autoridade institucional pode ser ampliada — ou corroída — por um clique. Juízes não são cidadãos comuns no exercício de suas funções. A Constituição impõe à magistratura deveres de imparcialidade, sobriedade e reserva. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) já vedava manifestações político-partidárias e condutas que comprometessem a dignidade do cargo. O que o CNJ fez, ao editar a resolução de 2019, foi atualizar esses princípios para a realidade das plataformas digitais. Como bem sustentou Moraes, o que é proibido no mundo físico não pode se tornar lícito no mundo virtual.

A preocupação central não é silenciar juízes, mas impedir que utilizem a força simbólica do cargo para influenciar o debate político-eleitoral. Um magistrado que opina de forma engajada nas redes, que compartilha conteúdos partidários ou que ataca atores políticos específicos, ainda que fora do expediente, projeta sua autoridade institucional sobre o discurso. Isso afeta a percepção de neutralidade — e a confiança pública é o maior patrimônio do Judiciário.

A liberdade de expressão, embora fundamental, não é absoluta. Para agentes públicos investidos de poder decisório — especialmente aqueles que julgam conflitos entre cidadãos e o próprio Estado — há limites mais rigorosos. Não se trata de censura, mas de coerência institucional. A toga não é figurino descartável que se pendura ao final do expediente; ela representa uma função que exige contenção permanente.

Contudo, o debate suscita uma questão ainda mais sensível e muitas vezes negligenciada: e quando não é o magistrado, mas o serventuário da Justiça quem utiliza o cargo para fazer política? O que dizer daquele que, valendo-se da posição administrativa ou do acesso privilegiado à máquina pública, atua nos bastidores eleitorais, promove candidatos, articula apoios ou busca benefícios para familiares?

A resposta, sob o prisma ético e jurídico, deve ser a mesma: o serviço público não pode ser instrumentalizado para fins pessoais ou partidários. A Constituição impõe aos servidores os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. Em cidades do interior, onde as relações políticas são mais próximas e as pressões mais intensas, o risco de confusão entre interesse público e conveniência privada é ainda maior. O ambiente pequeno não justifica práticas pequenas.

Se é condenável que um juiz utilize sua visibilidade institucional para influenciar o processo eleitoral, também é inaceitável que qualquer agente público — magistrado ou servidor — transforme o cargo em trampolim político ou moeda de troca familiar. A ética administrativa não é seletiva. Não pode haver rigor para uns e complacência para outros.

O recado de Moraes, portanto, vai além da magistratura: ele ecoa para todo o aparelho estatal. A autoridade pública não pertence ao ocupante do cargo; pertence à instituição. Quem a utiliza como ferramenta de militância ou de favorecimento pessoal corrói não apenas sua biografia, mas a confiança coletiva no Estado.

Em um país onde a política frequentemente invade todas as esferas da vida pública, reafirmar limites é um ato de defesa institucional. O Judiciário precisa ser visto como árbitro, não como jogador. E o servidor público, seja qual for seu nível hierárquico, deve lembrar que sua lealdade não é a projetos pessoais ou familiares, mas à ordem constitucional.

Sem essa consciência, a democracia perde seu equilíbrio. Com ela, mesmo em tempos de radicalização e redes sociais inflamadas, ainda é possível preservar o que sustenta a República: instituições fortes, imparciais e comprometidas com o interesse público — não com interesses privados travestidos de convicção política.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

INÉDITO: Primeiro teste de desempenho é realizado em bovinos Nelore Pelagens

 1º Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar Nelore Pelagens destaca alta eficiência dos animais e atrai interesse das centrais de genética

Iniciativa foi liderada pela Agropecuária da Mata e Naviraí Agropecuária, com execução técnica da Universidade Federal de Uberlândia e participação da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu.

Quatro reprodutores que participaram do 1º Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar Nelore Pelagens foram contratados por importantes centrais de genética. Esse dado mostra o sucesso da prova, realizada na Vitrine Tecnológica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e idealizada pelo médico veterinário e proprietário da Agropecuária da Mata, Lydio Cosac de Faria.

Entre os machos, o animal campeão foi Eros FIV de Navirai (CSCQ 680), da Naviraí Agropecuária. Ele é filho do touro Valor FIV V3 e da matriz Ganja FIV, da variedade pelagem pintada de preto. O segundo colocado foi Épico FIV de Navirai (CSCQ689) também da Naviraí. Seu pai é Camaro FIV de Navirai e a mãe é 7489 de Naviraí, de pelagem pintada de vermelho.

Na categoria fêmeas, a campeã foi Cereja (LETP 502), da Agropecuária da Mata, tendo como pais Marrocos FIV GC da SL e Laikera, animal de pelagem pintada de vermelho. A segunda colocada foi Babilônia (LETP448), do jovem criador João Gabriel Oliveira de Faria, da Agropecuária da Mata, filha do reprodutor Vitorioso SL Novo e da matriz América – animal de pelagem pintada de Preto.

Lydio Cosac de Faria destaca que o teste nasceu de uma necessidade de mercado. “Diante da crescente demanda por proteína animal e da necessidade de produzir mais sem ampliar áreas, é fundamental identificar animais mais eficientes, produtivos e funcionais. Já trabalhamos com o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), há mais de 12 anos e com avaliações genéticas e genômicas consolidadas, mas sentíamos falta de informações zootécnicas ainda mais precisas. As provas de eficiência alimentar e a ultrassonografia complementaram esse conjunto de dados e nos permitir identificar, de fato, os animais melhoradores em sistemas de produção a pasto de qualidade”.

O 1º Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar Nelore Pelagens foi liderado pelos selecionadores da Agropecuária da Mata e Naviraí, motivados pela necessidade de obter informações zootécnicas completas que auxiliem a identificação, seleção e multiplicação de animais com maior potencial genético produtivo, aliando desempenho, eficiência alimentar e padrão racial. Os garrotes avaliados pertencem aos dois criatórios.

A prova teve duração total de 70 dias, sendo 21 dias de adaptação e 56 dias de avaliação efetiva, conduzida na Vitrine Tecnológica da UFU. O teste ocorreu em condições de confinamento, porém com dieta semelhante ao manejo em regime de pastagens de boa qualidade no bioma Cerrado, buscando reproduzir a realidade dos sistemas produtivos adotados no campo.

O objetivo foi identificar animais mais adaptados e eficientes em ganho de peso no pós-desmama, avaliando características diretamente relacionadas ao desempenho econômico dos rebanhos. Entre os critérios analisados estão ganho de peso, peso ajustado ao sobreano, precocidade sexual, mensurada nos machos por meio do perímetro escrotal, e biótipo frigorífico.

A avaliação de rendimento e de acabamento de carcaça foi realizada por ultrassonografia, com mensuração da Área de Olho de Lombo e da Espessura de Gordura Subcutânea, sob responsabilidade da Aval Serviços Tecnológicos. Já a avaliação do biótipo animal foi conduzida com base no programa EPMURAS, pela equipe técnica da ABCZ.

“A utilização da ultrassonografia de carcaça aliada à avaliação visual do biótipo animal funcional contribui para resultados mais eficientes, produtivos e lucrativos na seleção do Nelore variedade pelagens”, explica Carlos Alberto de Souza Celestino, membro do Colégio de Jurados das Raças Zebuínas da ABCZ.

Outro diferencial do teste foi o uso da tecnologia canadense Vytelle®️, que permitiu mensurar o comportamento de ingestão alimentar dos animais. A relação entre consumo, peso e ganho em peso possibilitou inferir a eficiência alimentar, identificando indivíduos com maior potencial genético para transformar comida em desempenho produtivo, com impacto direto na redução de custos e no aumento da rentabilidade dos sistemas de produção.

Com a consolidação desses dados, foram gerados índices de classificação dos animais pela equipe técnica da UFU, considerando dois grupos contemporâneos: machos e fêmeas. No grupo de machos, o Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar (TDEA) também foi oficializado pela ABCZ.

“A Prova de Desempenho e Eficiência Alimentar do Nelore Pelagens permitiu identificar, entre os animais avaliados, aqueles geneticamente superiores para velocidade de crescimento, rendimento e acabamento de carcaça, além de mais eficientes do ponto de vista econômico. A iniciativa coloca a ciência aplicada a serviço do agronegócio brasileiro”, destaca a pesquisadora e professora da UFU, dra. Carina Ubirajara Bernardes.

Para Alan Ventura Pfeffer, sócio-proprietário da Agropecuária Naviraí, o teste de desempenho e eficiência alimentar é uma ferramenta estratégica para identificar os animais que consomem menos alimentos e produzem mais carne, o que impacta diretamente a rentabilidade do produtor. Além disso, animais mais eficientes contribuem para a sustentabilidade ambiental, com menor emissão de metano e menor geração de dejetos.

Quatro reprodutores foram contratados pelas centrais de genética Genex e Accelerated Genetics, demonstrando o interesse do mercado por animais avaliados sob critérios técnicos mais amplos.

“Já contamos com uma grande bateria de touros Nelore padrão com CAR (Consumo Alimentar Residual) negativo e não poderíamos deixar de contratar o campeão e o reservado campeão do

1º Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar do Nelore Pelagens. São dois indivíduos muito harmônicos, que aliam raça, pedigree e avaliação genética, características que representam o perfil dos touros padrão Genex”, explica a gerente Regional Fernanda Braga.

Segundo William Xavier, gerente comercial da Accelerated Genetics, a prova representa um avanço importante na forma de avaliar o desempenho dos animais. “O que chama atenção é a possibilidade de o produtor, seja ele pequeno ou grande, mensurar e comparar seus animais de forma objetiva. Hoje, a eficiência alimentar, especialmente o Consumo Alimentar Residual, é uma das características mais relevantes, pois não se trata apenas de ganhar peso, mas de transformar alimento em carne”.

Além do impacto direto no campo, o teste também aponta caminhos para o avanço técnico da pecuária nacional, destaca Luiz Antonio Josahkian, superintendente técnico da ABCZ. “Atender à crescente demanda por alimentos produzidos com eficiência e sustentabilidade exige uma nova forma de pensar e agir. Nesse cenário, a adoção de novas tecnologias para a obtenção de novos fenótipos, como a eficiência alimentar, torna-se estratégica para o desenvolvimento da pecuária”.

A iniciativa também é avaliada de forma positiva por Guilherme Queiroz, da GRQ Assessoria. “O Nelore Pintado chama atenção pela beleza, mas beleza sozinha não paga a conta. O que sustenta um sistema é desempenho e eficiência. Ver a pelagem pintada avançando nesse sentido demonstra maturidade técnica”. Yuri Farjalla, zootecnista da Aval Serviços Tecnológicos, destaca o papel da tecnologia na qualificação dos dados obtidos. “A avaliação de carcaça por ultrassonografia permite ir além do ganho de peso e do consumo alimentar, identificando animais que realmente convertem eficiência em carcaça de qualidade, com melhor acabamento precoce e rendimento frigorífico”.

 

Da esquerda para a direita: Carina Ubirajara Bernardes (UFU), Alan Ventura Pfeffer (Naviraí), Lydio Cosac de Faria (Agropecuária da Mata) e Luiz Antonio Josahkian (ABCZ)

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Rafael Iglesias

Texto Comunicação Corporativa

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Passando o facão nos penduricalhos

 

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Arte: Marcelo Chello

E eis que o supremo Dino vestiu sua capa de super-herói para tentar dar uma salvadinha na imagem do Supremo. Depois de Xandão e Toffoli baterem o pé e dizerem “não quero, não quero, não quero” a um Código de Ética, eis que aparece nosso super Dino DaSilvaSsauro e, numa canetada, manda acabar com todos os penduricalhos da galera do serviço público que anda ganhando supersalários. Timing é tudo. Spoiler: tem pegadinha. E, por falar em timing, o Lula disse hoje que Alckmin tem um papel em São Paulo. Oi? O nosso picolé de chuchu mais pop do BRASEW não vai ser vice? Vem ler que o dia está quente.

A treta é a seguinte. O Supremo Dino deu uma decisão hoje mandando acabar com essa palhaçada Brasil afora de ficar botando dez milhões de penduricalhos de todo tipo e transformando salários que não poderiam passar de 46 mil reais (teto do Supremo) em supersalários. A decisão vale para os Três Poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo. Ficou todo mundo: uau. Acabou até com jornadas 3x1. E otrascositasmas, como vale-gasolina pra quem nem tem carro.

Mas lembra do spoiler? Então. Tem uma pegadinha aí no timing. Sabe a jornada 3x1 aprovada para quem tem os maiores salários na Câmara nesta semana? Essa decisão não pega esse pessoal. A lei foi aprovada a toque de caixa há dois dias e vai para sanção do presidente. Uma vez que for sancionada, o benefício não é ilegal (estará na lei) e, portanto, não se enquadra na decisão do Dino.

Quanto otimismo

Só sei que o deputado Pedro Paulo, do PSD do Rio, que é relator da reforma administrativa, saiu dizendo para o Estadão que essa decisão do Dino vai fazer andar a reforma administrativa.

Eu acho esse povo bem otimista de achar que um projeto desse tipo vai ser aprovado em ano eleitoral.

E adivinha quem apareceu para aproveitar o hype? Ele, Renanzito Calheiros. O senador disse que a medida do Dino pode gerar uma economia de 20 bi para os cofres públicos.

Dá uma reparada no tanto de consequências políticas dessa decisão do Dino. Inclusive, ela vai fazer sobrar dinheiro em ano eleitoral para o governo, que sempre pode aproveitar a economia e lançar um novo vale qualquer coisa. Além disso, alguém sempre pode dizer que pode pegar essa economia para fazer frente aos gastos que Câmara e Senado aprovaram para aumento de salários de servidores.

A propósito, a ministra Esther Dweck disse para a Miriam Leitão que o governo não tinha ideia de que o Congresso ia propor aumento dos supersalários, mas defendeu que outros aumentos do funcionalismo público são necessários.

O tamanho do climão

Não se sabe se foi o climão causado por Xandão e Toffoli, mas o fato é que o supremo Fachin desmarcou um almoço com ministros que estava marcado para a semana que vem. A ideia era discutir o Código de Ética. Agora ficou para depois do Carnaval. O Carnaval sempre ajuda a espairecer.

E, na onda do Código de Ética, O Globo fez um levantamento e descobriu que filhos, cônjuges e ex-cônjuges dos atuais ministros supremos passaram a atuar em 94 processos no tribunal após a posse dos magistrados. Olha, o que tem de advogado que reclama dessa reserva de mercado.

MiAlckmin, é você?

O Lula hoje disse, em entrevista para o UOL, que o Haddad e o Alckmin têm um papel a cumprir em São Paulo. Ficou todo mundo assim: então Alckmin não vai ser o candidato a vice?????

Haddad, nosso Fernandinho Cabelo, tem um problema: o PT. A questão é que quadros do partido (como a Gleisi Narizinho Hoffmann e o Rui Costa) sempre vão lá e fazem um discurso diferente do Haddad. Por exemplo? Corte de gastos.

Mas o Lula também falou da Simone Tebet e botou ela no balaio para ganhar as eleições em São Paulo.

Otrascositasmas

Lula botou o Lulinha na reta. Ele disse na entrevista do UOL que olhou no olho do Lulinha e disse: “só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda”. Fiquei aqui pensando: e o que Lulinha respondeu? Quer dizer que nem o Lula acredita no Lulinha?

Lula confirmou que recebeu, sim, o Vorcaro, assim como o presidente do Itaú, do Bradesco, do Nubank… Aliás, vocês viram que o presidente do Itaú saiu por aí hoje falando aos quatro ventos que a bicicleta do Master só foi possível porque teve essa galera que saiu vendendo CDBs do banco? Tipo XP e BTG? Tentando aqui entender o timing, porque timing é tudo.

Por falar nisso, na esteira da crise de imagem do Supremo, Lula aproveitou pra dizer que não é justo a pessoa entrar com 35 anos e ficar até os 75 anos na cadeira suprema. Viu? Eleições mode on. O Supremo que lute.

E, no embalo de eleições mode on, sobrou até para o Maduro. Lula disse que o importante não é Maduro voltar para a Venezuela, mas sim fortalecer a democracia por lá. Aliás, nunca mais se falou no Maduro, notaram? Será que ele está mesmo lá naquela prisão que o Trump disse que ele está? Olha a Tixa aí, gente, fantasiada de teoria da conspiração.

Fica a dica

Lula saiu dizendo também que quer mostrar o que ele fez de política social comparado com o que os governadores fizeram. Isso daí é ele mostrando que já tem discurso pro bloco dos governadores do Kassab.

E em Minas

Lula disse que ainda vai botar o Pacheco, aquele que é o Rodrigo mais alto do Senado, para concorrer em Minas. Vocês hão de se lembrar que Pacheco queria ser ministro supremo. O Lula, por certo, vai dizer: companheiro, se você não ganhar, eu te dou a próxima vaguinha suprema. Lula tem um problema em Minas porque não tem palanque. O que é o palanque? É um candidato a governador forte que eles possam subir juntos no palanque para fazer campanha.

O caso Master

Mais um dia se passa e nada de CPI do Banco Master, nem mesmo já com os votos suficientes para Davi Alcolumbre, nossa estrelinha mor do Senado, instalar a tal comissão. A turma do “deixa disso” está agindo porque o medo geral é de uma nova Lava Jato. Se começar, ninguém fica de fora.

Acorda, BRASEW. Que eu vou dormir.

Tarcísio e os “poliças” nas salas de aula

 

Tarcísio e os “poliças”

nas salas de aula

Tarcísio diz que não será candidato a presidente neste ano para tristeza de Gilberto Kassab e da elite que, entre outras coisas, não depende de serviços públicos essenciais como  educação. Para a maioria da população, porém, a julgar pela gestão do governador no ensino público paulista, uma presidência do “CEO” de São Paulo teria grande chance de agravar nossos atuais problemas e de criar outros pela adoção de falsas soluções. 

São Paulo, o estado que concentra 30% do PIB brasileiro, ocupa a medíocre sexta posição no ranking nacional no ensino fundamental (primeiros anos e finais do ensino fundamental) e um vergonhoso oitavo lugar no Ensino Médio de acordo com os números do Ideb de 2023, divulgados em 2024 (aguardamos ansiosamente os mais recentes). No período de 2019 a 2023, a qualidade da educação caiu em todos os níveis de ensino.

Mesmo que a gestão de Tarcísio tenha chegado já com a curva descendente (aliás, com Jair Bolsonaro no governo federal), as soluções propostas a partir daí foram no sentido contrário ao recomendado pelos especialistas, ou seja, a valorização dos professores, o aumento de investimento na educação básica e na formação dos profissionais e a construção de uma relação de confiança e inclusão com os alunos e seus familiares. 

Tarcísio reduziu a autonomia dos professores em sala de aula, trocou o livro didático pelas plataformas digitais e a avaliação conjunta do ensino por um sistema de denúncias e punições que aponta unicamente para os professores e em nada contribui para a produtividade nas salas de aula. Como “inovação", trouxe um programa cívico-militar que interfere com a sutileza do elefante na sala em todas as relações escolares - da direção aos alunos. 

Ninguém sabe exatamente quem são esses “monitores”, como são chamados os policiais militares aposentados que não realizam nenhuma prova para obter o cargo que lhes garante remuneração superior à dos professores e é contestada pela Procuradoria Geral da República. Os editais para preencher as vagas nas 100 escolas que entraram no programa (das 302 consultadas) falam em provas de títulos - em uma comparação em que entram apenas PMs - e entrevistas (subjetivas). Um caminho livre para o cabide de empregos. 

A falta de preparo dos monitores militares foi flagrada de maneira quase anedótica pela TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba, em São Paulo, como acho que quase todo mundo viu. No vídeo gravado no primeiro dia de aula de uma escola estadual em Caçapava, enquanto um militar ensinava a “ordem unida” (posturas militares) aos alunos, o outro escrevia três palavras na lousa - duas delas com erros de ortografia.

 Vamos lembrar que estamos em um ambiente escolar, em que aprender português de acordo com a gramática faz parte das habilidades esperadas, enquanto o que foi ensinado pelos monitores - ordens de sentido, continência, descansar - são de duvidosa utilidade para dizer o mínimo, dada a sua total inadequação à sala de aula de uma escola.

Os monitores - pelo menos um em cada escola de acordo com a lei estadual que criou programa - têm entre suas atividades a organização escolar, a segurança e o desempenho de atividades extracurriculares, o que significa interferência na autonomia pedagógica e a imposição de um modelo formativo de corporação militar aos estudantes, oposto ao ambiente de acolhimento, compreensão e inclusão adequado ao aprendizado.

Um problema que se torna ainda maior quando a corporação em questão não tem obtido bons resultados nem para formar seus próprios membros como demonstram os altos índices de violência policial e de problemas de saúde mental entre os policiais militares, que  vêm desde o treinamento.

Educar crianças e adolescentes em um país profundamente desigual, racista, com uma herança de fome, analfabetismo e privação, o que torna ainda mais complexos os novos desafios como a exposição nas redes sociais e a crise de comunicação intergeracional, não permite visões estreitas e ultrapassadas, nem o amadorismo e o risco de colocar nas salas de aula pessoas sem formação adequada ou mesmo com problemas sérios de conduta.  

O governador de São Paulo parece não ter repertório para além do porrete diante de problemas complexos, como demonstra também a sua gestão da segurança pública. Também ali, o governador continua tapando os ouvidos para os que pesquisam e tem propostas consistentes de políticas públicas capazes de transformar a realidade, enquanto a caserna e a Faria Lima ditam oportunisticamente os rumos de sua gestão.

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