quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Se Neto também migrar, Otto perde controle do PSD na Bahia, por Raul Monteiro*

 

Se Neto também migrar, Otto perde controle do PSD na Bahia, por Raul Monteiro*

Por Raul Monteiro*

05/02/2026 às 06:30

Atualizado em 05/02/2026 às 09:31

Foto: Saulo Cruz/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Se Neto também migrar, Otto perde controle do PSD na Bahia, por Raul Monteiro*

Otto Alencar

O senador Otto Alencar ajudou a rifar o colega Angelo Coronel (PSD) da chapa de Jerônimo Rodrigues (PT), a partir do momento que emplacou um filho no Tribunal de Contas do Estado, e depois quando colaborou para praticamente expulsá-lo do grupo governista, demonstrando de público exercer pleno domínio sobre o PSD na Bahia. Neste sentido, prestou um serviço inestimável ao governo e, em especial ao senador Jaques Wagner (PT), que há tempos desejavam se livrar de Coronel, a quem chamavam nos bastidores de 'infiel e desleal', mas, por óbvio, não queriam sujar diretamente as mãos com a operação.

Otto não está, entretanto, livre de sofrer um revés pelas mãos do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, considerado nos meios políticos um verdadeiro 'mágico', capaz de dar nó em pingo de éter. Kassab é o responsável pela transformação do PSD, nas palavras de Hélio Schwartsman, numa 'Pasárgada partidária', em que todos podem ser felizes, não importa a ideologia que abracem, desde que não atentem contra seus interesses. A ausência de salvaguardas com relação ao que pode acontecer com o PSD na Bahia talvez esteja na base do nervosismo que se sente em setores do governo desde que Coronel anunciou a decisão de sair da base governista.

Era para ser uma festa, com comemoração por todos os lados. Afinal, com a mudança de lado, Coronel abriu espaço para a consolidação da chamada chapa 'puro-sangue', pondo fim ao conflito criado com a decisão do senador Jaques Wagner de disputar a reeleição ao lado de Jerônimo e do ministro Rui Costa (Casa Civil), um arranjo partidariamente abusivo que leva o PT a ocupar simplesmente três das quatro vagas em jogo na sucessão estadual para atender ao desejo de um dos seus líderes. Mas não é o que se vê. O governador e o ministro ainda não dão a saída de Coronel como fato consumado, passando a impressão de que não estão seguros.

Faltando cinco meses para as convenções partidárias que oficializarão alianças e candidaturas, há convicção de que muita água ainda pode rolar por debaixo da ponte e que ninguém, no país em que a insegurança predomina em todos os níveis e esferas, pode estar convicto de que está tranquilo. A situação se aplica como uma luva a Otto, que pelo serviço prestado de limar Coronel, pode até ser destinatário hoje de uma gratidão do governo que embale projetos futuros - já se fala no desejo de colocar o filho Daniel como candidato ao governo em 2030 - mas não tem, na prática, o mínimo controle sobre um partido que acaba de ganhar o terceiro candidato presidencial.

Qual a garantia pode obter de Kassab, por exemplo, de que conseguirá manter o partido apoiando Jerônimo e Lula na Bahia, caso um dos três nomes disponíveis hoje no partido venha a despontar e ganhar musculatura para a sucessão presidencial? Fora de cogitação que o presidente nacional do PSD possa submeter um projeto de fortalecimento e vitória nacional a sua camaradagem com Otto. Outro porém: E se o líder das oposições na Bahia, ACM Neto (União Brasil), depois de avaliar prós e contras, decidir seguir Caiado e se filiar ao PSD, transformando-se no candidato a governador do partido no Estado? As pedras só começaram a rolar...

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.


Nota da Redação Deste Blog -  Se Neto também migrar, Otto perde o controle do PSD na Bahia?

Uma análise sobre poder, prefeitos e a força da máquina estadual

Por José Montalvão

A possibilidade de uma migração de lideranças estratégicas dentro do PSD baiano, como ventilado no cenário político, reacende uma discussão inevitável: até que ponto o senador Otto Alencar manteria o controle do partido na Bahia? E, caso perca o comando formal da legenda, isso significaria perda real de influência sobre os prefeitos e sobre o eleitorado do interior?

No meu singelo entender, Otto pode até enfrentar dificuldades internas na condução do PSD, sobretudo se nomes de peso decidirem mudar de rumo político. Contudo, uma coisa é o controle formal da sigla; outra, bem diferente, é o controle político sobre as bases municipais.

Prefeitos e governadores: uma aliança histórica

A relação entre prefeitos do interior e governadores no Brasil sempre foi marcada por uma lógica pragmática: a necessidade de recursos. Municípios, especialmente os de pequeno e médio porte, dependem fortemente de repasses estaduais e federais para manter serviços básicos como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

O governador, ao controlar o orçamento estadual e influenciar a distribuição de convênios e emendas, torna-se peça-chave para a sobrevivência administrativa dos prefeitos. Essa dependência cria uma aliança que vai além da ideologia partidária: trata-se de uma relação de sobrevivência política e financeira.

A força da “máquina” eleitoral

Não se pode ignorar que a engrenagem prefeitura-governo funciona como uma verdadeira máquina política. Em anos eleitorais, a intensificação de convênios, obras e investimentos fortalece alianças e consolida palanques. O prefeito que mantém boa relação com o governo estadual tende a receber mais atenção, mais obras e, consequentemente, melhores condições para sustentar sua base eleitoral.

Levantamentos em diversos estados mostram que a maioria dos convênios e transferências voluntárias costuma beneficiar prefeitos aliados ao governador. Esse dado ajuda a explicar por que raramente gestores municipais rompem com o chefe do Executivo estadual — especialmente quando há risco de isolamento político e financeiro.

Partido não transfere voto automaticamente

Mesmo que haja mudança no comando do PSD, isso não significa que prefeitos migrariam automaticamente ou que votos seriam transferidos em bloco. No interior, a fidelidade política é construída muito mais na relação pessoal, na confiança e na reciprocidade de apoio do que na mera sigla partidária.

Prefeitos não “pertencem” a partidos; pertencem a arranjos políticos locais. Se o senador Otto mantiver diálogo, apoio institucional e capacidade de articulação, sua influência pode permanecer viva, ainda que o controle formal da legenda seja disputado.

Dinheiro, poder e riscos

Entretanto, é preciso reconhecer que esse modelo de dependência também carrega riscos. Investigações da Polícia Federal em diversos estados, inclusive na Bahia e no Maranhão, já revelaram esquemas envolvendo desvios de recursos de emendas e fraudes em licitações. Quando a relação entre prefeito e governador se baseia exclusivamente em troca de favores e vantagens, abre-se espaço para distorções e corrupção.

A transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle são fundamentais para evitar que a legítima cooperação institucional se transforme em conluio político-administrativo.

O desafio da independência municipal

No fundo, o grande dilema dos municípios é a baixa autonomia financeira. A maioria depende quase exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de repasses estaduais. Enquanto não houver reforma que fortaleça a arrecadação própria e amplie a autonomia fiscal das cidades, prefeitos continuarão presos à lógica da dependência.

Por isso, ainda que o PSD passe por mudanças internas, é pouco provável que prefeitos abandonem alianças consolidadas apenas por rearranjos partidários. A política real se move pela necessidade concreta de governar.

Conclusão

Se Neto migrar e o PSD sofrer abalos internos, Otto pode até enfrentar turbulências na condução partidária. Contudo, perder o controle da sigla não significa, necessariamente, perder o controle político das bases.

Na Bahia — como no restante do Brasil — quem controla a caneta e os cofres tem vantagem estratégica. E prefeitos, antes de tudo, precisam garantir obras, recursos e governabilidade.

Partidos mudam. Lideranças se reorganizam. Mas a lógica da dependência financeira e da máquina administrativa continua sendo a engrenagem silenciosa que move a política do interior.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

Piada do Ano! Toffoli e Moraes tentam se defender perante os outros ministros


Dias Toffoli ironiza multas aplicadas por Moraes a big techs

Moraes e Toffoli já estão à beira de um ataque de nervos

Felipe de Paula
Estadão

Sob pressão política e da opinião pública após seus irmãos transferirem participação milionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo ligado ao Banco Master, o ministro Dias Toffoli afirmou nesta quarta-feira, 4, no Supremo Tribunal Federal, que magistrados “têm todo o direito de receber seus dividendos”, desde que não participem da administração de empresas.

A declaração foi feita durante a sessão plenária que analisa as regras do Conselho Nacional de Justiça sobre o uso de redes sociais por magistrados.

NA DEFESA… – Relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes também usou a sessão plenária desta quarta-feira para rebater críticas que abalaram a Corte durante o recesso judiciário.

Os ministros são alvo de questionamentos públicos sobre conflitos de interesse, envolvendo relações familiares, empresariais e a atuação de advogados próximos em causas analisadas pela Corte.

Sobre a suspeição de ministros, Moraes disse: “Nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter alguma aplicação em um banco, ações de um banco. Ah, é acionista do banco? Então não vai poder julgar ninguém no sistema financeiro”.

FAZENDO PIADA – Toffoli não se conteve e tentou fazer piada sobre a importante questão: “Ministro Alexandre, o ministro teria que doar a sua herança a uma entidade de caridade”, disse Toffoli.

“Se ele tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou dono de uma fazenda? Vários magistrados são fazendeiros, vários magistrados são donos de empresas e eles não exercendo a administração, têm todo o direito de receber seus dividendos. Estão proibidos de ter a gestão.”

“Isso é não deixar o magistrado na bolha”, completou Moraes.

Conforme revelou o Estadão, a empresa dirigida pelos irmãos do ministro foi sócia controladora e chegou a vender uma fatia milionária de sua participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, para um fundo de investimentos controlado pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mesmo assim, Toffoli é relator das investigações da Polícia Federal sobre o banco.

CUNHADA DESMENTIU – Apesar dos registros nos documentos, ao ser indagada pelo Estadão na casa que aparece como sede da empresa, a cunhada do ministro disse que o marido José Eugênio Toffoli nunca foi dono de resort e usou a situação da própria casa, pequena e com sinais de desgaste, como argumento para negar que o marido seja o verdadeiro proprietário do empreendimento.

Além disso, o Estadão também mostrou que os irmãos de Toffoli foram sócios de um segundo resort da mesma rede, em uma região que fica às margens do Rio Paraná. Conhecido como Tayayá Porto Rico, o empreendimento ainda não teve suas obras concluídas, mas promete ser ainda mais luxuoso do que o primeiro resort do qual os irmãos foram sócios, em Ribeirão Claro (PR).

A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, em nota assinada por José Eugênio Dias Toffoli, afirmou não integrar mais o grupo Tayayá em Ribeirão Claro. “A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de parte da participação ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O assunto fede a quilômetros e mais quilômetros de distância. Mesmo assim, Toffoli procura se justificar e Moraes entra no mesmo esquema grotesco e caricato. Seria melhor se ficassem calados. Imagino o que uma pessoa séria como Carmen Lúcia deve estar pensando deles. Lembro que a ministra, quando começou no Supremo, usava um carro bem velho e ia dirigindo até o tribunal. Depois, com a idade, aceitou o carro oficial, que usa com parcimônia. (C.N.)


Era só o que faltava! Caso do senador flagrado com dinheiro na cueca é arquivado



Lula só subirá no palanque de Mitidieri se Rogério estiver na chapa

 em 4 fev, 2026 8:25

Adiberto de Souza

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve desembarcar em Sergipe nos próximos dias. Na agenda oficial constará uma visita às inacabadas obras de duplicação da BR-101, porém o “Barba” vem mesmo é discutir o apoio do governador Fábio Mitidieri (PSD) à reeleição do senador Rogério Carvalho (PT). Além de agradecer o prometido voto do líder pessedista à sua reeleição, Lula deve deixar claro que só subirá no palanque do governador se este colocar Rogério na chapa governista. A reeleição do senador petista faz parte do projeto político do presidente para o seu 4º mandato e ele não abrirá mão do apoio de Mitidieri a Carvalho, um fiel aliado de longas datas. Este será mais um abacaxi para o líder pessedista descascar, pois anunciar apoio oficial a Rogério garante Lula no palanque, contudo arranja uma encrenca dos diabos com o senador Alessandro Vieira (MDB) ou com o pré-candidato ao Senado André Moura (União). Aliás, por suspeitar que está sendo traído por lideranças pessedistas, o mandachuva do União Brasil já demonstra interesse em saltar da canoa governista, fato que provocará um grande estrago no projeto de reeleição de Fábio Mitidieri. Marminino!

Faca no pescoço

A presidente do PL em Sergipe, Moana Valadares, botou a faca no pescoço da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos). Segundo a suplicante, se a gestora não mantiver o apoio à pré-candidatura a senador do deputado federal Rodrigo Valadares (União) será considerada uma traidora. A parlamentar lembrou que em 2022, Emília teria firmado o compromisso com o golpista Jair Bolsonaro de votar em Rodrigo para o Senado agora em 2026. Em tom de ameaça, Moana ainda alertou que se Valadares não for o candidato a senador do grupo político da prefeita, o PL lançará candidato a governador. Misericórdia!

Cadê a água?

Até a bancada governista na Assembleia começa a cobrar explicações à empresa Iguá Sergipe pela constante falta d’água nas torneiras da gente do povo. O líder do governo no Legislativo, deputado Cristiano Oliveira (União), está entre os parlamentares temerosos que a grave crise hídrica atinja suas reeleições, pois a concessão dos serviços de água e esgoto foi aprovada pelos deputados da situação. Ontem, Cristiano propôs que a Assembleia convoque a Iguá, a Deso, a Agência Reguladora de Serviços Públicos e o próprio governo, através da Desenvolve-SE, para explicarem a falta d’água que tanto atormenta os sergipanos. Home vôte

https://infonet.com.br/blogs/adiberto/lula-so-subira-no-palanque-de-mitidieri-se-rogerio-estiver-na-chapa/

Após entregar 141 sistemas em 2025, Programa Água Doce avança com novas instalações em 2026

 Após entregar 141 sistemas em 2025, Programa Água Doce avança com novas instalações em 2026

Iniciativa vai instalar sistemas de dessalinização de água salobra e do mar em comunidades do Nordeste e ampliar acesso à água potável

 

Sistemas ajudam na operação adequada e uso responsável da água, garantindo que os benefícios para a população sejam duradouros. Foto: Governo do Ceará

 

O Governo do Brasil prepara a instalação de novos sistemas de dessalinização no primeiro semestre de 2026 em comunidades do Semiárido brasileiro, na Região Nordeste. As entregas fazem parte do Programa Água Doce (PAD), coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). As inaugurações incluem sistemas de dessalinização de água salobra e do mar, ampliando o acesso à água potável em áreas com escassez hídrica.
 

O Programa Água Doce registrou a entrega de 141 sistemas de dessalinização no semiárido brasileiro ao longo de 2025. Nove estados foram contemplados, com destaque para Pernambuco, que recebeu 70 sistemas. Os demais estados beneficiados foram Bahia, com cinco sistemas; Ceará, com 11; Maranhão, com três; Minas Gerais, com oito; Paraíba, com seis; Piauí, com 13; Rio Grande do Norte, com 22; e Sergipe, com três sistemas entregues.
 

EM 2026 — Para 2026, será inaugurado um sistema inédito de dessalinização de água do mar no município de Galinhos, no Rio Grande do Norte, que atenderá cerca de 1,5 mil pessoas e a implantação de cerca de 10 mil metros de rede de distribuição de água. A entrega está prevista para o mês de fevereiro. Ainda no Rio Grande do Norte, está programada para julho de 2026 a inauguração de cinco sistemas de dessalinização, com localidades ainda a serem definidas. A expectativa é de que aproximadamente 1,4 mil pessoas sejam beneficiadas com as novas estruturas.
 

PERNAMBUCO – Já em março de 2026, Pernambuco contará com a entrega de 40 sistemas de dessalinização, resultado de um convênio firmado com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca do estado. As estruturas serão implantadas nos municípios de Alagoinha, Caetés, Capoeiras, Frei Miguelinho, Paranatama e Riacho das Almas, beneficiando 11,8 mil pessoas.
 

CEARÁ - No Ceará, a previsão é de inauguração em abril de 2026, com a entrega de cinco sistemas de dessalinização, sendo dois no município de Araripe, dois em Aurora e um em Aracoiaba. A ação deve atender aproximadamente 1.475 pessoas. Para o mês de maio, o Piauí deve receber cinco novos sistemas, sendo quatro no município de Dom Inocêncio e um em Várzea Branca. A previsão é de atendimento a 1.475 pessoas.
 

USO RESPONSÁVEL — “Os sistemas de dessalinização são implantados com foco na operação adequada e no uso responsável da água, garantindo que os benefícios sejam duradouros. O Programa Água Doce é uma iniciativa que alia tecnologia, sustentabilidade e gestão comunitária”, afirmou o secretário Nacional de Segurança Hídrica (SNSH) do MIDR, Giuseppe Vieira.

 

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

 

CONTATOS:
ATENDIMENTO
E-mail: secom.imprensa@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 3411-1601/1044

FOTOGRAFIA
E-mail: seaud.secom@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 98100-1993 (apenas por mensagem via Whatsapp)

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Violência no Brasil: Um Desafio Estrutural que Vai Além das Fronteiras da Bahia

                      Apreensão de fuzis dobrou entre 2022 e 2023 — Foto: SSP-BA


Por José Montalvão


 A violência no Brasil não é um fenômeno isolado, regional ou episódico. Ela é estrutural, histórica e multifacetada. A afirmação de que a violência não é privilégio da Bahia, mas um desafio nacional e complexo, encontra respaldo nos dados e na realidade social do país. Ainda que o estado da Bahia tenha ocupado posições alarmantes nos rankings recentes de mortes violentas, o problema ultrapassa fronteiras estaduais e revela fragilidades profundas da sociedade brasileira.

Um retrato nacional preocupante

O Brasil convive há décadas com taxas elevadas de homicídios. Embora o Atlas da Violência 2025 indique uma redução nacional de aproximadamente 11% nas mortes violentas em 2024 — sendo o quinto ano consecutivo de queda — os números ainda permanecem elevados quando comparados a padrões internacionais.

A queda nacional, embora relevante, não significa solução estrutural. Em muitos estados, a redução está ligada a fatores conjunturais, como rearranjos entre facções criminosas ou mudanças temporárias nas dinâmicas do tráfico, e não necessariamente à consolidação de políticas públicas duradouras.

O caso da Bahia no contexto brasileiro

A Bahia, desde 2020, passou a figurar no topo do ranking nacional em números absolutos de homicídios, superando estados historicamente associados à violência urbana, como Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2024, o estado registrou mais de 6 mil Mortes Violentas Intencionais (MVIs), número extremamente elevado.

É verdade que o governo estadual aponta reduções em determinados indicadores e investe em tecnologia, como câmeras corporais nas fardas policiais, além de treinamentos para reduzir a letalidade policial. Contudo, os dados mostram que o problema permanece grave, especialmente pela concentração de municípios baianos entre os mais violentos do país.

Ainda assim, é essencial evitar simplificações. A Bahia não é uma “ilha de violência”, mas parte de um fenômeno nacional que atinge com intensidade particular regiões marcadas por desigualdades históricas e expansão do crime organizado, especialmente no Nordeste.

As raízes profundas da violência

A dificuldade em combater a violência decorre da combinação de múltiplos fatores.

1. Crime organizado e disputa territorial

O tráfico de drogas e armas estrutura grande parte da violência letal no Brasil. A disputa entre facções por controle de territórios urbanos e rotas de distribuição cria ciclos de confronto constantes. Em muitos estados, inclusive na Bahia, essa disputa se interiorizou, deixando de ser um fenômeno restrito às capitais.

Além disso, o crime organizado tornou-se mais sofisticado, com redes interestaduais e até internacionais, o que exige inteligência integrada e cooperação federativa — algo que nem sempre ocorre de forma eficiente.

2. Desigualdade social e exclusão

A violência também é fruto da desigualdade. Regiões com baixo acesso a educação de qualidade, mercado de trabalho formal e políticas sociais consistentes tornam-se terreno fértil para o recrutamento de jovens pelo tráfico.

Não se trata de justificar o crime, mas de compreender que a ausência do Estado em áreas vulneráveis abre espaço para que organizações criminosas ocupem esse vazio, oferecendo renda, pertencimento e poder simbólico a adolescentes e jovens sem perspectiva.

3. Letalidade policial e crise de confiança

Outro fator delicado é a letalidade policial. A Bahia registrou, nos últimos anos, números expressivos de mortes decorrentes de intervenções policiais. Esse dado gera debates intensos sobre o modelo de policiamento adotado.

Quando a atuação policial resulta em elevado número de mortes, surgem questionamentos sobre preparo, protocolos, controle externo e políticas de prevenção. Ao mesmo tempo, os próprios policiais operam sob alto risco e forte pressão.

O desafio está em equilibrar firmeza no combate ao crime com respeito aos direitos fundamentais, fortalecendo a legitimidade das instituições de segurança pública.

4. Fragilidade institucional

A violência prospera onde instituições são frágeis. Corrupção, lentidão judicial, superlotação carcerária e ausência de políticas de ressocialização completam o ciclo. O sistema prisional, muitas vezes, torna-se espaço de fortalecimento das facções, e não de recuperação.

Sem integração entre União, estados e municípios, as ações tornam-se fragmentadas. Segurança pública exige inteligência, investimento social, modernização tecnológica e governança eficiente — não apenas operações pontuais.

Um desafio estrutural, não eleitoral

A violência não pode ser tratada como arma política circunstancial. Reduções ou aumentos pontuais não representam vitória definitiva nem fracasso absoluto de um único governo. Trata-se de um problema acumulado por décadas.

É necessário reconhecer que:

  • Segurança pública exige continuidade de políticas.

  • Repressão isolada não resolve sem prevenção.

  • Investimento em educação, emprego e urbanização é parte da política de segurança.

  • Transparência e controle institucional são fundamentais.

Caminhos possíveis

Algumas medidas mostram potencial:

  • Ampliação do uso de tecnologia e inteligência policial.

  • Integração de bancos de dados nacionais.

  • Políticas sociais focadas na juventude em áreas vulneráveis.

  • Reformas no sistema prisional.

  • Formação continuada e valorização das forças de segurança.

  • Monitoramento da letalidade e adoção de protocolos claros de uso da força.

Mas nenhuma dessas medidas produz resultado imediato. Segurança pública é construção de longo prazo.

Conclusão

A violência na Bahia é grave, mas não isolada. Ela reflete um cenário nacional complexo, marcado por desigualdade, crime organizado, fragilidade institucional e desafios históricos na construção de políticas públicas consistentes.

A queda nacional recente é um sinal positivo, mas insuficiente para acomodação. A Bahia, assim como outros estados, enfrenta um problema estrutural que exige responsabilidade compartilhada entre governos, instituições e sociedade.

Combater a violência não é apenas prender mais ou agir com mais força. É reconstruir o tecido social, fortalecer instituições e oferecer alternativas reais para que o crime deixe de ser, para muitos jovens, a única perspectiva visível.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

Em destaque

Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, suspeita de operar esquema envolvendo emendas

  Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, suspeita de operar esquema envolvendo emendas Dados extraídos do celular dela embasaram decisão que bloq...

Mais visitadas