quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Ex-prefeito de Coronel João Sá é punido por desapropriação irregular de terrenos

 

Ex-prefeito de Coronel João Sá é punido por desapropriação irregular de terrenos

Por Redação

04/02/2026 às 16:00

Foto: Divulgação

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Na sessão desta terça-feira (03), os conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia acataram denúncia apresentada contra o ex-prefeito de Coronel João Sá, Carlos Augusto Silveira Sobral, em razão de irregularidades nas desapropriações de imóveis realizadas nos exercícios de 2018 a 2021. O relator do processo, conselheiro Ronaldo Sant’Anna, imputou multa de R$7 mil ao gestor. E determinou o ressarcimento aos cofres municipais de um total de R$429.493,68, com recursos pessoais, em razão de sobrepreço na desapropriação de terreno destinado à construção da garagem municipal.

De acordo com a denúncia, o gestor teria utilizado a desapropriação para beneficiar Carlos Fernando Oliva Silveira – tio e então seu chefe de gabinete, na prefeitura – por meio de reiteradas aquisições de terrenos, sem justificativas técnicas e objetivas quanto à escolha dos imóveis. No total, foram aplicados cerca de R$2,4 milhões desapropriações.

Os auditores do TCM apuraram que, efetivamente, cinco dos seis imóveis desapropriados no período pertenciam ao chefe de Gabinete e tio do então prefeito, e que foram adquiridos sem que houvesse elementos técnicos ou administrativos que justificassem a escolha desses terrenos em detrimento de outros, evidenciando afronta aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

Além disso, foi comprovada a ocorrência de supervalorização do terreno de 6.705,60m², destinado à construção da garagem municipal, pelo qual a Prefeitura de Coronel João Sá pagou o valor total de R$804.672,00. O laudo de avaliação emitido pela Comissão Municipal calculou o valor do terreno com base no preço de R$120,00 por metro quadrado. No entanto, um imóvel vizinho, com as mesmas características, foi desapropriado em 2019 com o pagamento de R$43,88 por metro quadrado, seguindo os parâmetros fixados pela própria legislação local, denominada Planta Genérica de Valores (Lei Municipal n.º 380/2017).

Por fim, a relatoria constatou que os imóveis objeto das desapropriações não possuíam cadastro no setor de Tributos da Prefeitura de Coronel João Sá, não havendo assim o lançamento nem a cobrança do Imposto Sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU) nos exercícios anteriores às aquisições, apesar de serem terrenos urbanos de expressivo valor comercial, o que configura renúncia indevida de receita e afronta aos princípios da eficiência e da indisponibilidade do interesse público. Cabe recurso da decisão.

Moraes reage a pressão sobre ministros por código de conduta e fala em 'demonização de palestras'

 

Moraes reage a pressão sobre ministros por código de conduta e fala em 'demonização de palestras'

Na primeira sessão plenária do STF em 2026, ministro negou que magistrados julguem casos com os quais tenham relação pessoal

Por Luísa Martins/Folhapress

04/02/2026 às 17:55

Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Em meio às discussões sobre a implementação de um código de conduta no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Alexandre de Moraes negou que magistrados da corte julguem casos com os quais tenham relação pessoal e disse que a opinião pública "passou a demonizar palestras".

"Não há carreira pública com tantas vedações como a magistratura. A magistratura não pode fazer mais nada além do magistério e das palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades", disse.

O ministro afirmou que as regras de impedimento e suspeição são claras no âmbito do Supremo e que "o magistrado, desde o juiz de Aguaí [município de São Paulo] até o STF, está impedido de julgar qualquer caso que tenha, em qualquer das partes, advogados que sejam seus parentes".

Essa é a primeira manifestação pública do ministro sobre o assunto desde a eclosão da crise do Banco Master, que colocou o tribunal sob pressão. O escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões com a instituição financeira para representá-la na justiça.

Também no centro da crise devido a negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master, o ministro Dias Toffoli defendeu a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que prevê regras para o uso de redes sociais por magistrados, dizendo são normas "de autolimite, de autocontenção".

Relator da investigação sobre o Banco Master, Toffoli tem tido sua conduta questionada desde que viajou de jatinho com um dos advogados da causa, impôs um severo regime de sigilo ao processo e proferiu uma série de decisões que causaram mal-estar com a PF (Polícia Federal).

Os desgastes levaram o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a intensificar a campanha por um código de ética para ministros das cortes superiores, designando a ministra Cármen Lúcia como relatora. Na calculadora de expectativas de Fachin, tanto Toffoli quanto Moraes são da ala contrária à fixação das diretrizes.

Apesar disso, ambos se manifestaram pela validade da resolução do CNJ, editada em 2019 fundamentalmente para evitar manifestações de cunho político-partidário por magistrados na internet. Moraes, relator da ação, votou oficialmente, enquanto Toffoli fez um breve comentário, mas ainda não se manifestou de forma oficial.

Até o momento, seguiram o relator os ministros Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin e André Mendonça, além da ministra aposentada Rosa Weber, que deixou registrado o seu posicionamento antes de deixar a corte, em 2023. Por esse motivo, o ministro Flávio Dino, que a substituiu, não participará do julgamento.

O presidente do STF interrompeu o julgamento para que seja continuado quando o ministro Luiz Fux se recuperar da pneumonia que o acometeu nos últimos dias. Além de Fux e Toffoli, faltam votar a ministra Cármen Lúcia, o ministro Gilmar Mendes e o próprio Fachin.

A expectativa era de que o julgamento sobre as regras para publicações de juízes nas redes sociais, que acontece nesta quarta-feira no plenário do Supremo, fosse aproveitado por ministros para passar, ainda que indiretamente, recados sobre o código de conduta.

A ação contra a resolução do CNJ foi escolhida por Fachin como o primeiro item da pauta de 2026 como forma de manter o assunto da ética pública vivo no tribunal. Outros julgamentos que tangenciam esse tema estão previstos para março, como processos que discutem penduricalhos nos salários de juízes e procuradores estaduais.

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Ronaldinho Gaúcho escapou de perder R$ 330 milhões num golpe do Master


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Deu no Portal Terra

Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados em operações financeiras sem sua autorização para captar R$ 330 milhões, com fundos redirecionados em um circuito fechado ligado ao Banco Master, conforme investigações do MPF e Banco Central.

Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados em uma operação financeira para captar R$ 330 milhões com o Banco Master, sem o conhecimento do atleta, segundo revelou o jornal O Globo. Os recursos teriam sido direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira.

SEM COMUNICAR – De acordo com a defesa do ex-jogador, Ronaldinho não foi informado sobre a emissão dos créditos e o negócio imobiliário, que previa o uso das áreas, acabou sendo cancelado antes da execução.

As informações surgiram em investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central.

De acordo com a apuração, o Banco Master, por meio do Fundo City 02, do qual era o único cotista, concedia empréstimos a empresas que, na sequência, reinvestiam os valores em fundos administrados pela Reag, gestora que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. Parte dessas operações envolvia a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos lastreados em créditos do setor imobiliário.

SALVO PELO GONGO – Em agosto de 2023, a Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em CRIs para a S&J Consultoria, com lastro em notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, incluindo duas áreas atribuídas a Ronaldinho.

Segundo advogados do ex-jogador e de sócios do empreendimento, o projeto não avançou por falta de licenças ambientais e pendências fiscais, e não houve aporte relevante nos imóveis.

Em vez de financiar obras, os recursos captados eram realocados em um circuito fechado de fundos ligados ao próprio grupo financeiro, o que teria inflado artificialmente os ativos do banco e melhorado seus indicadores regulatórios, conforme O Globo.

GOLPE DE 1 BILHÃO – As empresas envolvidas são alvo de investigações da Polícia Federal, com mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro, o volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora pode chegar a R$ 1 bilhão.

Criada pelo empresário César Reginato Ligeiro, a Base Securitizadora teve sua estrutura societária alterada em 2022, quando ele deixou formalmente a empresa. A S&J Consultoria, fundada em 2021, tem como sócia a Land I, também ligada a Ligeiro, que ainda figura como administrador da OCC S.A., outra empresa do grupo.

Ao jornal, ele afirmou que sua atuação no mercado imobiliário e financeiro sempre ocorreu dentro da legalidade e que eventuais questionamentos devem ser analisados pelas instâncias competentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, Ronaldinho escapou por pouco, muito pouco. O fato demonstra que ainda é precária a fiscalização das empresas financeiras pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O mercado está cheio de Vorcaros, especialistas em fraudes e golpes. (C.N.)


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