sexta-feira, junho 13, 2025

Almiro de Sena perde cargo de promotor após condenação definitiva por assédio sexual

Foto: Divulgação
Almiro de Sena Soares Filho13 de junho de 2025 | 11:01

Almiro de Sena perde cargo de promotor após condenação definitiva por assédio sexual

exclusivas

O procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, formalizou nesta sexta-feira (13) a perda do cargo do promotor de Justiça Almiro de Sena Soares Filho, após o trânsito em julgado de sentença judicial que determinou sua destituição. A medida decorre de uma Ação Civil de Perda de Cargo julgada pela 4ª Vara Cível e Comercial da Comarca de Salvador, com base em denúncias de assédio sexual cometidos por Sena contra servidoras do Ministério Público da Bahia.

A decisão judicial se tornou definitiva em 14 de maio deste ano, após a conclusão de todas as etapas processuais, incluindo procedimentos administrativos internos e recursos judiciais. A exoneração, que só pode ser aplicada a membros do Ministério Público mediante esgotamento das vias legais, foi efetivada após anos de tramitação do caso. Os casos de assédio aconteceram em 2014, quando o promotor era titular da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado.

Almiro de Sena já havia sido condenado criminalmente a 4 anos, 5 meses e 15 dias de detenção por crime de assédio sexual praticado em 2014. O ex-promotor recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de anular o acórdão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que confirmou sua condenação. No entanto, o recurso foi negado pelo ministro Luiz Fux, o que selou o fim de sua permanência na instituição.

Política Livre 

CNJ abre processo disciplinar contra juiz que tem avião e fazenda de R$ 30 milhões

 Foto: Alysson Maruyama/TV Morena

O juiz titular da 2ª Vara Cível de Campo Grande (MS), Paulo Afonso de Oliveira13 de junho de 2025 | 13:22

CNJ abre processo disciplinar contra juiz que tem avião e fazenda de R$ 30 milhões

brasil

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou abertura de processo administrativo disciplinar contra o juiz titular da 2ª Vara Cível de Campo Grande (MS), Paulo Afonso de Oliveira. Alvo da Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro pela Polícia Federal, o juiz está sob suspeita de ligação com esquema de venda de sentenças e de movimentação financeira incompatível com seu patrimônio declarado ao Fisco.

Entre os bens do magistrado estão um avião que a PF estima custar até R$ 1,2 milhão e uma fazenda de mil hectares em Mato Grosso do Sul avaliada em pelo menos R$ 30 milhões.

Ao CNJ, Paulo Afonso nega atos de corrupção. Ele afirma que o avião que adquiriu é dotado de “equipamentos obsoletos”, de modo que não alcançaria o valor mencionado pela PF. A fazenda, ele diz, “é constituída por área de preservação permanente e de uso restrito e, portanto, não pode ser utilizada para a exploração econômica”.

A Operação Ultima Ratio mira cinco desembargadores e um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, além do juiz Paulo Afonso.

A decisão sobre abertura do Processo Administrativo Disciplinar foi tomada por unanimidade pelos conselheiros na sessão da última terça-feira, 10. A investigação atribui a Paulo Afonso “desvios de conduta” e “afronta a deveres funcionais”. Ele pode ser aposentado compulsoriamente, sanção mais “severa” prevista na Lei Orgânica da Magistratura.

O CNJ votou também pela manutenção do afastamento cautelar do magistrado. Ele já está fora das funções desde que a Operação Ultima Ratio saiu às ruas.

O relator do caso é o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell. Ele indica haver “elementos que corroboram a suspeita” sobre Paulo Afonso de violação à Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e ao Código de Ética da Magistratura.

Em seu voto, Campbell observa que após a quebra do sigilo bancário e fiscal de Paulo Afonso “foram constatados saques em espécie em data próxima à prolação de decisão importante nos autos da execução extrajudicial, que totalizaram R$ 580 mil”.

Também foi registrado, de “maneira atípica”, o pedido de provisionamento para saque da quantia de R$ 100 mil, feito em 2 de abril de 2018, “mesmo dia em que o investigado (Paulo Afonso) rejeitou os embargos à execução opostos por uma vítima de estelionato supostamente praticado por uma advogada, casada com um outro juiz de Mato Grosso do Sul. O golpe rendeu à advogada, que chegou a ser presa, a quantia de R$ 5 milhões, segundo a PF

O provisionamento foi seguido de dois saques de mesmo valor, três dias após. A PF diz que os dados bancários evidenciaram que o provisionamento feito na conta de Paulo Afonso foi realizado quando o saldo disponível era de R$ 39.160,23.

“Do exposto se observa que, por ocasião do provisionamento, Paulo Afonso de Oliveira não possuía saldo suficiente para o saque e já tinha pleno conhecimento de que no dia 5 de abril de 2018 receberia um crédito em espécie da ordem de R$ 100 mil”, assinala o corregedor da Justiça.

Avião de R$ 1 milhão por R$ 100 mil

Despertou a atenção dos investigadores a aquisição pelo magistrado de 50% de uma aeronave Cessna 182P, fabricada em 1974, prefixo PT-JNS, pelo valor de R$ 100 mil, de acordo com sua declaração.

A PF anota que uma aeronave do mesmo modelo, fabricada no mesmo ano, é encontrada à venda no mercado pelo valor de R$ 750 mil a até R$ 1,2 milhão, “sendo evidente, portanto, o subdimensionamento do valor do bem em sua declaração”.

A Operação Ultima Ratio indica, também, que Paulo Afonso comprou a Fazenda Recanto da Serra, em 27 de maio de 2008, pelo valor “sub declarado” de R$ 700 mil. Segundo a PF, atualmente, uma fazenda de mil hectares do interior de Mato Grosso do Sul é avaliada entre R$ 30 milhões e R$ 70 milhões, “sendo fortes os indícios de que tal bem possa ter sido adquirido com recursos ilícitos ou não declarados, por parte do magistrado Paulo Afonso”.

A investigação constatou que o juiz elaborou uma proposta de compra de outra fazenda, denominada Nova Guaporé, na região de Bodoquena/MS, pelo valor de R$ 18 milhões, “montante equivalente a aproximadamente 35 anos do subsídio bruto de um desembargador no Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul”. “Malgrado o negócio em apreço não tenha se concretizado, é notável a intenção do magistrado em adquirir bem de elevadíssimo valor agregado, em montantes manifestamente incompatíveis com seus rendimentos declarados, seja como magistrado, seja como produtor rural”, pontua relatório da PF.

A proposta de Paulo Afonso pela Nova Guaporé incluía a transferência de dois apartamentos como parte do pagamento – um apartamento no valor de R$ 2,5 milhões e outro de R$ 700 mil.

A investigação mostra que o juiz registrou em sua conta bancária “vultosas transferências” recebidas de um frigorífico que teria repassado propinas a um colega dele, casado com a advogada que foi presa pelo estelionato de R$ 5 milhões.

Defesa

Ao CNJ, a defesa de Paulo Afonso sustentou que a reclamação disciplinar deveria ser arquivada por ausência de justa causa. Segundo os advogados do juiz, sua conduta no âmbito de ação de execução questionada já foi objeto de “exaustiva apuração” por parte da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, “nada havendo de novo que seja capaz de alterar a conclusão do Órgão Especial da Corte Estadual que analisou o proceder de Paulo Afonso e concluiu pela sua correção”.

Sobre o provisionamento de R$ 100 mil, ainda que não houvesse saldo em conta, salientou a defesa que, “em verdade, o que ocorreu foi um erro do caixa do banco”.

“Por ocasião do saque, houve um erro do funcionário do banco, que ao chegar à unidade após a quantia ter sido disponibilizada (sacada) no caixa da agência, acreditou que Paulo Afonso havia entregue o numerário para realização de depósito, razão pela qual tal funcionário efetivou a operação de depósito inadvertidamente”, protesta a defesa.

“Ao ser alertado de que os recursos em questão haviam sido sacados e deveriam ser entregues ao magistrado, foi realizado novo saque e, dessa vez, entregando-se os recursos a Paulo Afonso, portanto, o magistrado nunca recebeu um depósito de R$ 100 mil em sua conta. Foi um erro do funcionário do banco”, insistem os advogados.

Paulo Afonso alega que a aeronave adquirida teria “equipamentos de aviônica obsoletos, de modo que, por esta razão, não alcançaria o valor mencionado pela autoridade policial”.

Sobre a fazenda Recanto da Serra, o juiz afirmou que a gleba foi adquirida por ele e sua ex-mulher em 2008 e que a maior parte da propriedade – cerca de 70% – “é constituída por reserva ambiental, reserva legal, área de preservação permanente e área de uso restrito e, portanto, não pode ser utilizada para a exploração econômica”.

Paulo Afonso dá sua versão para depósitos recebidos de um frigorífico. “São decorrentes de sua atividade agropecuária, havendo absoluta legalidade em tais expressivos pagamentos.”

Fausto Macedo e Rayssa Motta, Estadão Conteúdo

Membro do CNJ, João Paulo Schoucair ressalta papel fiscalizador do órgão

 Foto: Política Livre

13 de junho de 2025 | 19:15

Membro do CNJ, João Paulo Schoucair ressalta papel fiscalizador do órgão

exclusivas

Em entrevista exclusiva a este Política Livre, nesta sexta-feira (13), o promotor de Justiça e membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), João Paulo Schoucair, falou sobre os 20 anos de atuação do órgão e do seu papel na fiscalização do Poder Judiciário brasileiro.

“O CNJ comemorou nesta semana seus 20 anos de criação. É um organismo fundamental, com a responsabilidade de fiscalizar o Judiciário, seja na parte financeira, administrativa ou na verificação da legitimidade da conduta dos magistrados”, afirmou Schoucair, durante a solenidade de posse da nova Diretoria e dos Conselhos Fiscal e Consultivo da Associação do Ministério Público do Estado da Bahia (AMPEB).

Schoucair ressaltou a importância do compromisso do CNJ com a transparência e a integridade da magistratura brasileira. “Qualquer investigação contra magistrado, desembargador ou ministro precisa, antes de tudo, passar pelo crivo do Conselho Nacional de Justiça, que tem o dever de apurar a veracidade daquela conduta. É importante lembrar que entre os mais de 18 mil magistrados, a esmagadora maioria é composta por pessoas honestas, homens e mulheres de bem. Aqueles que eventualmente se desviam de suas funções terão direito a um julgamento justo, podendo ser punidos ou absolvidos”, completou.

O promotor também comentou sobre a nova diretoria da AMPEB, ao salientar a continuidade e o fortalecimento do diálogo institucional.

“Como representante do Ministério Público no CNJ, falo em nome de 15 mil promotores. Vemos com muito bons olhos essa transição. O promotor Marcelo Miranda fez um trabalho brilhante à frente da associação. Agora, Lucas Teixeira assume uma instituição já estruturada e tem a responsabilidade de aprimorar ainda mais o que foi construído”, afirmou.

STJ condena IstoÉ e jornalistas a indenizar Gilmar em R$ 150 mil por reportagem; cabe recurso

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF13 de junho de 2025 | 20:16

STJ condena IstoÉ e jornalistas a indenizar Gilmar em R$ 150 mil por reportagem; cabe recurso

brasil

A 3ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) condenou dois jornalistas e a revista IstoÉ a indenizar o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em R$ 150 mil por danos morais por reportagem publicada em dezembro de 2017.

“Não se deve confundir liberdade de imprensa ou de expressão com irresponsabilidade de afirmação”, disse o relator do caso, ministro Villas Bôas Cueva. Na decisão da última segunda-feira (9), ele foi acompanhado por Humberto Martins, Daniela Teixeira, Moura Ribeiro e Nancy Andrighi. Cabe recurso.

O decano do STF entrou com a ação em março de 2018 contra a Editora Três, dona da IstoÉ, além dos autores da reportagem intitulada “Negócio suspeito”, Octávio Costa e Tábata Viapiana.

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa), presidida por Octávio Costa, divulgou uma nota afirmando que a decisão é uma mácula à liberdade de imprensa no país e abre um preocupante precedente.

“Ao atingir o presidente da ABI, uma das mais importantes e respeitadas instituições do país, a decisão do STJ atinge frontalmente a própria liberdade de imprensa, já que praticamente passa um recado aos jornalistas e à sociedade de que os membros da corte suprema são intocáveis e podem se voltar contra qualquer profissional que, cumprindo o seu ofício, escreva sobre eles, independentemente do motivo. No caso em questão, a partir de reportagem amplamente documentada, como entenderam as instâncias inferiores”, diz.

A reportagem tentou contato com os dois jornalistas e ainda não obteve retorno, além de ter tentado sem sucesso encontrar algum representante da Editora Três e a advogada que os representa no processo.

A reportagem questionada tratou de investigação de improbidade administrativa relacionada à venda de uma universidade da família do magistrado, em Diamantino, para o Governo de Mato Grosso por R$ 7,7 milhões em 2013. A instituição foi fundada por Gilmar e a irmã, que permaneceu sendo uma das proprietárias até a transação.

A revista afirma, no texto, ter entrado em contato com o ministro do STF antes da publicação e que ele confirmou ter sido sócio da Uned até o ano 2000, quando foi nomeado advogado-geral da União. Ele disse ainda não ter tido qualquer participação na venda da instituição de ensino.

Villas Bôas Cueva afirmou que o comportamento assumido pelos jornalistas se distancia dos limites do exercício regular do direito de informar e de expressar seu pensamento e se constitui em agressão à esfera dos direitos de personalidade do decano do STF.

“A matéria está permeada de ironias e insinuações que se voltam nitidamente contra a pessoa do autor da presente demanda, sendo nítido o intuito de associá-lo, de forma pejorativa, a imagem de alguém que se distancia da ética e que visa apenas resguardar benefícios pessoais e favorecer pessoas próximas”, diz o acórdão.

O ministro do STF havia perdido a disputa nas instâncias inferiores, mas Gilmar recorreu. Por unanimidade, o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) havia afirmado que o texto estava dentro dos limites do direito à livre expressão das atividades de comunicação, assegurado pela Constituição.

Ana Pompeu/Folhapress

Lewandowski diz já haver ideia de onde Zambelli está e que ela vai ser extraditada ‘em breve’

 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski13 de junho de 2025 | 19:45

Lewandowski diz já haver ideia de onde Zambelli está e que ela vai ser extraditada ‘em breve’

brasil

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta sexta-feira (13) que já há uma ideia de onde a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) está na Itália e que ela será extraditada “em breve”. A congressista fugiu para o país europeu após ser condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Lewandowski citou, em um evento sobre segurança pública em São Paulo, precedentes de cooperação entre os dois países, como a entrega de Cesare Battisti aos italianos, autorizada em 2018. Reiterou, ainda, que a Constituição italiana não impede a extradição de cidadãos do país.

“Já existe alguma ideia de onde ela esteja e imaginamos que ela em breve será extraditada. Existem precedentes fortes de cooperação entre esses dois países, entre o Brasil e a Itália. Nós temos um tratado de cooperação. A dupla nacionalidade, tendo em conta aquilo que se conta em conta consignada no tratado, não impede a extradição”, disse o ministro.

A afirmação do titular da Justiça é diferente da informação passada pelo governo italiano nesta sexta no Parlamento do país. Segundo a subsecretária do Interior, Wanda Ferro, Zambelli ainda não foi localizada pela investigação policial até agora.

“As investigações policiais até agora realizadas, e em andamento, não consentiram até o momento de confirmar sua localização”, disse, que afirmou que forças de segurança estão em contato com autoridades brasileiras.

Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por ter invadido os sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) junto com o hacker Walter Delgatti Netto. Ela saiu do Brasil para não ser presa após o trânsito em julgado da ação e desembarcou no aeroporto Fiumicino, em Roma, no dia 5, em voo dos Estados Unidos.

Ela passou pelo controle de passaporte com o documento italiano, por possuir a dupla cidadania. Desde então, sua localização é desconhecida.

Segundo Wanda Ferro, a deputada federal brasileira desembarcou por volta das 11h40 no horário local e seu nome não constava dos bancos de dados de forças policiais italianas e internacionais.

Isso porque o pedido de prisão para fins de extradição, difundindo pela Interpol a pedido do Brasil, teria sido publicado às 16h24, cerca de cinco horas após a entrada dela no país.

Na última terça-feira (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) decidiu mandar para o plenário a análise da perda de mandato de Zambelli. Antes, ele havia dito que não havia o que fazer a respeito do caso.

Lucas Lacerda/Folhapress

Irã revida Israel com drones e a guerra no Oriente Médio entra em nova escalada

Publicado em 13 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem mostra um cenário de desastre, com um carro danificado em meio a escombros. Bombeiros estão presentes, um deles está usando equipamento de proteção e segurando uma mangueira. Ao fundo, há prédios danificados e uma luz do sol poente. O ambiente é caótico, com detritos espalhados pelo chão.

Bombas israelenses atingiram bairros residenciais de Teerã

Igor Gielow
Folha

As forças de Israel lançaram ao longo desta sexta (13) mais uma onda de ataques aéreos contra o Irã, dando prosseguimento à nova e perigosa etapa da guerra no Oriente Médio. Teerã, por sua vez, lançou uma primeira leva de drones contra o Estado judeu.

Foi uma retaliação àquilo que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou de “declaração de guerra” em mensagem ao Conselho de Segurança da ONU. O governo de Tel Aviv fez o primeiro ataque contra o programa nuclear do rival nesta madrugada (noite de quinta, 12, no Brasil).

REAÇÃO COM DRONES – Sem emprego aparente de mísseis balísticos, que causaram bastante impressão no ataque direto a Israel em outubro passado, a retaliação com drones parece ter sido apenas um sinal da liderança da teocracia de que não está passiva ante a violência do bombardeio.

Não houve danos registrados ainda em Israel, e boa parte dos drones pode ter sido abatida pela Jordânia, que afirmou ter acionado defesas aéreas para evitar danos às suas cidades.

Já a nova etapa de ataques israelenses ocorreu em Tabriz, Shiraz e Khorramabad, segundo relatos da mídia local, contra instalações militares. Os alvos da primeira leva foram concentrados em Teerã, onde boa parte da cadeia de comando militar iraniana foi morta, e atingidas instalações do programa nuclear do país, inclusive o reator principal em Natanz.

DANOS CONSIDERÁVEIS – Segundo o porta-voz militar israelense Effie Defrin, a instalação sofreu “danos consideráveis”. O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Rafael Grossi, disse estar em contato com Teerã para avaliar o estrago e o risco de contaminação nuclear. Mesmo crítico do Irã, ele disse que “instalações nucleares nunca devem ser atacadas”.

Além disso, Israel parece ter mirado a defesa aérea do adversário. Já o Exército de Teerã afirmou que “não terá limites” em sua resposta a Israel, e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, disse que “o regime sionista impôs a si mesmo um destino amargo e doloroso”.

Khamenei, evitando a letargia que atingiu o Hamas e o Hezbollah quando tiveram suas cúpulas decapitadas por Israel, na esteira do mortífero ataque do grupo terrorista palestino em 7 de outubro de 2023, já nomeou novos chefes militares.

DOIS COMANDANTES– Foram mortos os dois principais comandantes do país, o chefe do Estado-Maior da Forças Armadas, general Mohammed Bagheri, e o líder da Guarda Revolucionária, Hossein Salami. Além disso, diversos cientistas nucleares importantes foram assassinados na ação.

O programa dos aiatolás está no centro da crise, que tinge com cores dramáticas uma situação que já vinha complexa desde o 7 de Outubro, quando o governo de Binyamin Netanyahu foi a um acerto de contas regional.

O belicoso premiê israelense sempre prometeu impedir Teerã de ter a bomba atômica. Em 2015, o Irã fez um acordo com os Estados Unidos e outras potências para trocar a pretensão nuclear por fim de sanções econômicas.

TRUMP CANCELOU – Durou até 2018, quando Donald Trump retirou Washington do arranjo, dizendo que os aiatolás só estavam comprando tempo. De lá para cá, a AIEA registrou o aumento do enriquecimento de urânio no país persa.

Na quinta (12), a agência da ONU, pressionada pelos EUA, enfim declarou que o Irã estava em total desacordo com o regime de inspeções internacionais, dando uma senha legal para a ação de Israel: Teerã, afinal, tem como política declarada a fabricação de armas nucleares. 333333333

A degradação imposta por Tel Aviv aos prepostos regionais do Irã, o Hezbollah à frente, ficou evidente na reação do grupo libanês aos ataques. Ele os condenou, mas não fez menção de retaliar em nome dos patronos. Os houthis do Iêmen, especialmente ativos no conflito, ainda não lançaram os costumeiros mísseis e drones contra Israel.

TODOS MORTOS – Com as cartas na mesa, nada indica que o ciclo de violência não continuará a escalar. O presidente americano foi a redes sociais para dizer que os linha-dura no Irã estão “TODOS MORTOS agora”, com seu uso típico de maiúsculas.

Ele advertiu o Irã, com quem havia aberto negociações truncadas no mês passado, a voltar à mesa porque as próximas ondas de ataque serão “ainda piores”. Considerando que os EUA são os fiadores militares do Estado judeu, presume-se que ele saiba do que está falando —embaixadas americanas na região vinham sendo esvaziadas de pessoal não essencial nesta semana.

Em destaque

Condenado e isolado, Collor simboliza fim de um ciclo sem herdeiros políticos

Publicado em 11 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Collor é deixado de lado na política de Alagoas Josu...

Mais visitadas