quinta-feira, junho 12, 2025

Essa “normatização da censura” será extremamente danosa à democracia

Publicado em 12 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Edin (Arquivo Google)

Diogo Schelp
Estadão

A frase é do filósofo político e jurista italiano Norberto Bobbio (1909-2004), em texto de 1994: “Eu sou um moderado, porque estou plenamente convencido da máxima antiga de que in medio stat virtus (‘no meio-termo está a virtude’). Com isso não quero dizer que os extremistas estão sempre errados. Eu não faço isso, porque afirmar que os moderados estão sempre certos e os extremistas estão sempre errados seria pensar como um extremista.”

Ou seja, é autoprejudicial, além de ineficaz, combater grupos radicais adotando como postura rejeitar tudo o que eles dizem. Eles podem ter razão em algumas questões específicas, ainda que pelos motivos errados.

TESE BOLSONARISTA – Nos últimos tempos, a direita radical, representada por Jair Bolsonaro e seus aliados e seguidores, vem reivindicando para si a bandeira da defesa das liberdades em geral e, mais especificamente, da liberdade de expressão.

Os bolsonaristas são paladinos seletivos do direito à manifestação do pensamento. Seus líderes escondem mal o fato de que, para eles, a liberdade de expressão é uma ferramenta democrática muito útil para minar a própria democracia. E se tivessem sido bem-sucedidos no intento de interromper no nascedouro o atual mandato presidencial de Lula, certamente encontrariam meios de calar as vozes contrárias.

Saber de tudo isso, porém, não justifica fechar os olhos para o avanço da censura no Brasil. Não é o suficiente para fazer da nossa realidade uma ditadura, como dizem os radicais, mas sem dúvida tem o poder de enfraquecer a democracia.

CENSURA JUDICIAL – Não é de hoje que o problema se apresenta. Quem trabalha com jornalismo já tem que lidar há décadas com a censura judicial, resultante da proliferação de processos de crimes contra honra que, muitas vezes, acabam caindo nas mãos de juízes despreparados para lidar com casos que dizem respeito à liberdade intelectual e de expressão.

Sentenças baseadas na noção, falsa, de que o direito à honra se sobrepõe ao direito à informação se tornaram comuns. Mas, por muito tempo, condenações abusivas nesse território — inclusive aquelas que promoviam censura prévia — eram derrubadas em instâncias superiores do Judiciário.

Não mais. O Supremo Tribunal Federal (STF), antes um anteparo para a liberdade de expressão, agora dá o mau exemplo e toma decisões com consequências profundamente danosas para o livre mercado de ideias.

IDEIAS A COIBIR… – Um consenso insidioso começou a se formar na Corte máxima do país e passou a se esparramar nos tribunais inferiores: o de que há ideias “perigosas” em circulação que precisam ser coibidas, nem que para isso seja preciso impor mecanismos de remoção de conteúdo online em massa ou calar seus potenciais autores a priori (por exemplo, por meio da suspensão dos seus perfis nas redes sociais).

Se até a censura prévia encontra amparo nos votos de ministros do STF, como esperar equilíbrio dos magistrados de primeira instância ao julgar casos envolvendo liberdade de expressão?

Condenações como a recebida pela jornalista gaúcha que revelou o salário acima do teto de uma juíza ou pelo humorista que contou piadas ultrajantes se tornarão cada vez mais corriqueiros.

CENSURA, NUNCA MAIS – Pode parecer tentador aceitar interpretações da lei que evitem a divulgação de ideias e opiniões que nos parecem odiosas.

O problema é que censura é como creme dental: depois que saiu do tubo, é impossível colocá-lo de volta. Passa a fazer parte da cultura jurídica e política do país, servindo a diferentes propósitos, e uma hora se vira contra quem a aplaudiu.

Se hoje aqueles que dizem defender a liberdade de expressão o fazem por motivos escusos, essa é uma outra questão, a ser combatida dentro das regras do jogo democrático. Afirmar que extremistas estão sempre errados seria pensar como um extremista. Usar a censura para calá-los seria agir como eles.


Jeremoabo Brilha com Transparência: Recebe Selo do MPBA por Gestão Responsável no São João 2025

Jeremoabo Brilha com Transparência: Recebe Selo do MPBA por Gestão Responsável no São João 2025

Jeremoabo acaba de receber um importante reconhecimento que atesta o compromisso da gestão municipal com a lisura e a responsabilidade no uso dos recursos públicos. O município foi agraciado com o Selo de Transparência nos Festejos Juninos, concedido pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). A certificação, entregue ao prefeito Tista de Deda, é um reconhecimento formal da correta prestação de contas e da gestão responsável dos recursos destinados à contratação de bandas e atrações artísticas para o aguardado São João de 2025.

Este selo é um atestado da conduta transparente e ética da administração municipal, que desde o início demonstrou o firme propósito de conduzir os gastos públicos com a máxima clareza. É crucial ressaltar que os recursos utilizados para o pagamento das atrações artísticas são específicos para essa finalidade e não comprometem outras rubricas essenciais para o bem-estar da população, como saúde, educação e infraestrutura. Trata-se de uma gestão financeira planejada e consciente, que prioriza as diversas áreas da administração sem comprometer o lazer e a cultura, tão importantes para a identidade e a alegria do povo jeremoabense.

O processo para a obtenção do Selo de Transparência teve início no dia 01 de maio, através do sistema informatizado do MPBA, que realizou o rastreamento das informações prestadas pelo município referentes ao período de 1º de maio a 31 de julho. A certificação é, portanto, o resultado de uma análise rigorosa e transparente por parte do Ministério Público, que atestou a conformidade dos dados e a correção dos procedimentos adotados pela Prefeitura de Jeremoabo.

A conquista deste selo é uma comprovação inequívoca de que os gastos efetuados pelo município para a realização dos festejos juninos são realizados com transparência, responsabilidade e dentro das reais condições financeiras, sem impor sacrifícios à folha de pagamento dos servidores, às obras em andamento ou aos pagamentos devidos a fornecedores. É uma demonstração de maturidade administrativa e de respeito ao dinheiro público, que reafirma o compromisso da gestão Tista de Deda com a ética e a boa governança.

Este reconhecimento do Ministério Público é motivo de grande satisfação para a população de Jeremoabo, que pode ter a certeza de que os festejos juninos de 2025 serão realizados com a devida responsabilidade fiscal e transparência, celebrando a rica cultura local sem comprometer as áreas prioritárias para o desenvolvimento do município. O Selo de Transparência é, portanto, um símbolo da seriedade e do comprometimento da gestão municipal com o bem-estar de todos os jeremoabenses.

quarta-feira, junho 11, 2025

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PF e PGR pedem ao STF investigação contra ex-ministro do Turismo por tentativa de tirar Cid do país

 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado11 de junho de 2025 | 18:45

PF e PGR pedem ao STF investigação contra ex-ministro do Turismo por tentativa de tirar Cid do país

brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira, 10, a abertura de inquérito contra o ex-ministro do Turismo Gilson Machado. Ele é suspeito de tentar obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), sair do Brasil. A PGR se manifestou a favor de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre o caso.

Mauro Cid é réu na ação penal do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Gilson Machado disse à reportagem que não recebeu intimação da Polícia Federal nem da Procuradoria e que só ficou sabendo da investigação pela imprensa.

De acordo com a CNN Brasil, Gilson Machado teria atuado, no dia 12 de maio de 2025, para obter a expedição de um passaporte português no consulado de Portugal no Recife (PE).

Além disso, o ex-ministro promoveu, por meio de seu perfil no Instagram, uma campanha de arrecadação de doações em dinheiro para Bolsonaro, o que também chamou a atenção da Polícia Federal.

Em maio deste ano, Gilson Machado afirmou nas redes sociais que o ex-presidente precisa de ajuda para pagar médicos, advogados e enviar dinheiro para o filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos.

A campanha lançada por Gilson Machado foi uma espécie de releitura da “vaquinha” de 2023, que arrecadou mais de R$ 17 milhões via Pix, segundo o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Eduardo gravou um vídeo agradecendo a campanha, mas recusando a ajuda financeira de Gilson.

O ex-ministro negou as acusações de que estaria ajudando Mauro Cid a sair do país e alegou que só entrou em contato com o consulado português em maio para auxiliar o pai dele, Carlos Eduardo Machado Guimarães, a renovar o passaporte.

Maria Magnabosco/Estadão

Bolsonaro divulga vídeos proibidos por Alexandre de Moraes em depoimento

 Foto: Fellipe Sampaio/STF/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)11 de junho de 2025 | 20:00

Bolsonaro divulga vídeos proibidos por Alexandre de Moraes em depoimento

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou no WhatsApp os vídeos que sua defesa pediu para serem exibidos durante seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (10).

O ministro Alexandre de Moraes proibiu que eles fossem mostrados no tribunal.

Neles, Bolsonaro mostra autoridades como o ministro do STF, Flávio Dino, e o presidente do PDT, Carlos Lupi, defendendo o voto impresso.

Os vídeos mostram também o ex-presidente, ainda no cargo, defendendo a desobstrução de estradas pelos caminhoneiros, pedindo manifestações pacíficas e dizendo que não iriam para “o tudo ou nada”.

Mônica Bergamo/FolhapressPolitica Livre

A memória seletiva de Mauro Cid alterna amnésias e lembranças tardias


Bolsonaro participou da edição do decreto golpista, confirma Mauro Cid |  Radioagência Nacional

Mauro Cid é um oficial que tem memória muito instável

Elio Gaspari
Folha

Ao final do depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, o ministro Luiz Fux disse tudo: “Este não é o momento próprio, mas vejo com muita reserva nove delações de um mesmo colaborador, cada hora apresentando uma novidade.”

Mauro Cid é uma flor do entorno militar de Jair Bolsonaro. Ajudante de ordens do presidente da República, esbanjou seus quinze minutos de fama. Sempre que o ajudante de ordens do presidente ganha notoriedade, há algo de errado com o oficial e com seu chefe. Ninguém se lembra que o major Tomás Paiva foi ajudante de ordens de Fernando Henrique Cardoso. Hoje ele é o comandante do Exército.

FIZERAM FAMA – Alguns ajudantes de João Batista Figueiredo, Costa e Silva e João Goulart fizeram fama e deu no que deu. O marechal Castello Branco zuniu um oficial para o canil porque ele entrou em sua sala querendo saber quem era a mulher que dormira nos aposentos do Palácio das Laranjeiras na noite anterior. Castello espinafrou-o e dispensou seus serviços.

Quando o oficial deixava a sala, o marechal saciou-lhe a curiosidade: A “senhora” era sua neta, uma criança. O general Eurico Dutra, quando ministro da Guerra, testava candidatos pedindo que o acompanhassem no automóvel. Antes de entrar no carro, dizia que ia para casa, em Ipanema.

Ao falar com o motorista dava um percurso absurdo. Os candidatos que o corrigiram foram dispensados, e Dutra contratou o que ficou calado.

DESMEMORIADO – Mauro Cid alterna lembranças tardias com amnésias seletivas. Por causa desse zigue-zague, está preso no Rio o general Walter Braga Netto.

Nas tramas de 2023/2024, Braga Netto foi, comprovadamente, um incitador da turma do ódio, fofoqueiro e irresponsável, mas ele não está preso por isso. Num de seus últimos depoimentos, Mauro Cid acusou-o de ter-lhe entregue, no palácio da Alvorada, uma sacola de vinho com dinheiro para azeitar um dispositivo dos kids pretos.

Lembrou-se tardiamente e não se lembra de quanto havia na sacola nem em que dependência do Alvorada a carga lhe foi entregue, muito menos seu dia. (A amnésia tem sua funcionalidade, pois o palácio tem câmeras. Bastaria um vídeo do general com uma sacola para que ele estivesse frito.)

EM DINHEIRO VIVO – Registre-se que mensagens trocadas por Mauro Cid com o tenente-coronel Rafael de Oliveira trataram de dinheiro para financiar sabe-se lá o quê. Seria coisa de uns R$ 100 mil.

Algum dinheiro rolou, porque documentadamente Oliveira comprou um iPhone 12 no dia 7 de dezembro de 2022. Pagou R$ 2.500 em dinheiro vivo e registrou o aparelho em nome de sua mulher.

A investigação da Polícia Federal demonstrou que kids pretos monitoraram os movimentos do ministro Alexandre de Moraes usando codinomes e celulares com identidades frias. Só o fetiche dos iPhones 12 explica que o tenente-coronel tenha comprado um modelo tão caro, que certamente não seria descartado como manda a etiqueta das quadrilhas de profissionais.

CONDENAÇÕES – Pelo andar da carruagem, os réus da trama golpista serão condenados porque Jair Bolsonaro, com sua retórica apocalíptica, brandia o risco de um golpe desde os primeiros meses de seu governo.

O Brasil teve nove marechais e generais na Presidência. Mas só o ex-capitão Jair Bolsonaro referia-se ao “meu Exército”. Esse foi o eixo de uma trama que, como a batalha de Itararé, não teve arremate, mas desembocou no 8 de Janeiro, com sua “festa da Selma”.

Não teve arremate porque os generais que não falam descartaram o golpismo de oficiais palacianos, que comandam motoristas.


Com passaporte carimbado para a Copa, Ancelotti conquista a torcida no segundo jogo


Assista aos melhores momentos de Brasil x Paraguai

O placar (|1 X 0) não demonstrou o domínio da seleção brasileira

Vicente Limongi Netto

Vitória merecida. Valeu. Deu pro gasto. Primeiro objetivo alcançado. A seleção brasileira carimbou o passaporte para a Copa de 2026. Time correu. Honrou a camisa. Mostrou personalidade. Muito ainda por fazer. Caminhada longa e árdua. 

Ancelotti conquistou a torcida.  Bruno Guimarães joga muito. Mandou no meio de campo. Cedo ainda para devaneios e sonhos maiores. Ancelotti driblou o pessimismo. Comemorou feliz e aliviado o aniversário de 66 anos de idade. 

HOSPITALIDADE – O presidente da Fecomércio/DF, José Aparecido Freire, comandou delegação de empresários a Colômbia. A seu ver, o que a missão empresarial viu nos cinco dias de atividades e negociações em Medellin não condiz com o terrível atentado ao candidato Miguel Uribe, que disputaria a Presidência da Colômbia.

“Levamos para o Brasil valiosas lições de hospitalidade e resiliência do povo colombiano, que encontrou na união, no trabalho coletivo e nas ideias criativas a chave para a transformação e o desenvolvimento social”, finalizou. 

PATETICES – Infeliz, do início  ao fim, o patético depoimento de Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes. Não teve argumentos para retrucar nenhuma acusação do ministro-relator. Tentou ser simpático, imagine, educado, usou a idade avançada (70 anos) para tentar, em vão, sensibilizar Moraes, Fux e o Procurador geral da República.

Bolsonaro mostrou, mais uma vez, como é primário e vazio. Tolices em série. Pedir desculpas a Moraes pelos insultos e convidar o severo relator para ser vice na chapa dele à Presidência da República. Um horror. Outra besteira: fartou-se de insultar Lula. Outro tiro no pé. Esqueceu que a Suprema Corte faz tempo que virou puxadinho do PT e de Lula.

Fica a perplexidade: como um sujeito como Bolsonaro chegou a presidente. Parvo completo. Colhe os horrores que plantou durante 4 anos na chefia da nação. Não seria nenhuma surpresa para este experiente repórter se o destrambelhado Bolsonaro deixasse o recinto algemado.   

DIA DE NAMORAR – Namorar é viver encantado e feliz. São os laços da ternura com o belo. São gestos suaves anunciando o amor. É o sorriso permanente. É a tolerância oferecendo flores para o amanhecer. É a energia sublime dividindo emoções com a pessoa amada.

Namorar é dividir anseios e dúvidas. É o abraço apertado que espanta apreensões da alma. É o cotidiano ameno, carinhoso e solidário. É o beijo amoroso de serenidade e respeito.  O namoro preserva no caminhar da vida, a paciência e a união duradoura. 


Crônica Junina – Memórias de um São João em Jeremoabo

 


Crônica Junina – Memórias de um São João em Jeremoabo

Em Jeremoabo, os festejos juninos sempre foram mais do que simples celebrações: são encontros da alma com a memória, da fé com a alegria, do passado com o presente. É o tempo em que o útil se junta ao agradável, como se diz por aqui, quando o cheiro de milho cozido se mistura com o perfume da saudade.

Junho chega e já se escuta a alvorada pelas ruas, anunciando o começo de tudo. É o casamento do matuto, com seu cortejo divertido, é o forró pegado na Praça do Forró, onde o suor da dança se mistura com o riso solto do povo. Mas também é tempo de fé, com a novena de São João Batista, padroeiro da cidade, que enche a igreja e o coração do povo jeremoabense.

Mas como na vida nem tudo são flores, essa época também carrega a doçura da saudade. Como esquecer o sargento Humberto, que com sua farda da Aeronáutica jamais perdia uma novena? Hoje, ele canta com os anjos. Ou então o desembargador José Nolasco, presença ilustre e devota. E meu pai, João Isaías Montalvão, homem de valor, que hoje vive nas minhas lembranças e nos ensinamentos que deixou.

Na casa de minha mãe, a saudosa Mariata, o São João parecia um encontro de gerações. A residência se transformava num verdadeiro santuário de família: parentes de todo canto, camas armadas até nos cantinhos do quintal, alegria que não cabia nas paredes. Assim também era na casa da inesquecível amiga Valda de Hugo, que hospedava gente até do Espírito Santo. Aquilo sim era São João com alma!

As girândolas e bombas de Abelardo Santadana rodeavam a igreja e estremeciam a cidade com seus estampidos, como se os céus também festejassem conosco. Se fosse contar casa por casa, quantos não enchiam seus lares de parentes nessa época? Daria uma enciclopédia de afetos e tradições.

E por fim, não posso deixar de lembrar de José Lourenço, ex-prefeito, pai do atual gestor Tista de Deda. Foi ele o criador da hoje tão pequena Praça do Forró, que já não dá conta de tanto povo – moradores e visitantes que, ano após ano, retornam a Jeremoabo em busca dessa chama viva que é o São João.

Entre o cheiro de pólvora e o som da sanfona, a memória segue dançando em nossos corações. E assim, Jeremoabo segue sendo um pedaço de céu em forma de festa, onde cada lembrança vira fogueira acesa no terreiro da alma.

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Cordel Junino de Jeremoabo: Memórias de São João

Por: José Motalvao


🌾 Dedicatória

Dedico estas rimas simples
Com cheiro de milho e chão
À memória dos que amei
E que vivem no coração.
Ao povo bom de Jeremoabo,
Que faz do São João, tradição!


🪗 Capítulo 1 – Tempo de Alvorada

Em Jeremoabo, no sertão,
Quando junho se anuncia,
É alvorada que desperta
Com foguete e alegria.
É forró na madrugada,
É reza, é cantoria!

Tem casamento matuto,
Quadrilha e fogueira acesa,
Bandeirinha enfeitando o céu,
Sanfoneiro com destreza.
E no terreiro da praça,
A festa é uma beleza!


Capítulo 2 – Fé e Tradição

Mas nem só de forrobodó
Vive o povo festeiro.
Tem a novena sagrada
No coração do romeiro.
São João Batista é o guia,
Padroeiro verdadeiro.

A igreja se enche de luz,
De oração e devoção,
Com o povo todo unido
Num só ritmo e oração.
Jeremoabo se curva
Em fé e em gratidão.


🕯️ Capítulo 3 – Saudades no Arraiá

Mas nem tudo é só festejo,
Também chega a saudade...
Do Sargento Humberto, firme,
Exemplo de lealdade.
Com sua farda impecável,
Frequentava a irmandade.

Do doutor José Nolasco,
Desembargador de valor,
Presença nas novenas,
Homem digno, defensor.
E de meu pai, João Isaías,
Que partiu, mas deixou amor.


🏡 Capítulo 4 – A Casa Cheia

Na casa de dona Marita,
Minha mãe de coração,
Tinha cama até no santuário,
Parente de toda região.
Era São João em família,
Era festa e união.

E na casa de Valda de Hugo,
A alegria não cabia,
Gente até do Espírito Santo
Festejava com harmonia.
Seu lar era hospedaria,
Cheio de fé e simpatia.


🎆 Capítulo 5 – Foguetes e Estampido

Abelardo Santana,
Com girândolas na mão,
Rodava a igreja de bombas
Sacudindo o chão do sertão.
O estampido era anúncio:
“Começou o São João!”

Cada casa em Jeremoabo
Era pouso e alegria,
Se eu for contar morador
Dava livro, dava poesia!
Era gente de todo canto
Num só clima de harmonia.


🏛️ Capítulo 6 – A Praça do Forró

E por fim, uma homenagem
Ao José Lourenço, em memória,
Que sonhou e construiu
A praça que virou história.
Hoje a Praça do Forró
É palco de nossa glória.

Mas ela ficou pequena
Pra tanta gente animada,
Moradores e visitantes
Tomam conta da calçada.
É prova de que o legado
Não morre com a jornada.


🌟 Epílogo – O São João Nunca Acaba

O São João de Jeremoabo
É mais que festa no terreiro,
É lembrança que ilumina
O nosso chão verdadeiro.
É memória viva e quente
No coração do brasileiro.

Que essa chama nunca apague,
Mesmo o tempo nos levando,
Pois quem planta tradição
Vê a cultura germinando.
E no compasso do forró,
A vida vai se eternizando.


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