quinta-feira, junho 05, 2025

Mercado não aceita que Lula continue culpando Haddad por erros do Planalto

Publicado em 4 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Para Haddad, economia é importante, mas não é o único fator que vai definir  eleição

Lula culpa Haddad, que não comsegue culpar ninguém

Neuza Sanchez
Veja

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (3) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, agiu no “afã de dar uma resposta” ao anunciar o decreto que elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações cambiais, o que gerou uma crise política com o Congresso Nacional.

“O Ministério da Fazenda está tentando fazer um reparo que foi um acontecimento do não cumprimento de uma decisão da Suprema Corte pelos companheiros senadores, que quando aprovaram a desoneração, sabiam que tinha uma decisão da Suprema Corte que era obrigado a ver a compensação e ficarão de apresentar a compensação. O Haddad, no afã de dar uma resposta logo à sociedade, apresentou uma proposta que ele elaborou na Fazenda”, declarou Lula em entrevista no Palácio do Planalto, em Brasília.

CRISE DE CONFIANÇA – O aumento do IOF virou símbolo de nova crise de confiança entre o mercado financeiro e o governo Lula, com banqueiros apontando o presidente como principal e único responsável pelo imbróglio fiscal.

Para eles, o problema não está no ministro Fernando Haddad, mas no perfil expansionista do governo, que se recusa a cortar gastos. “O problema não é o Haddad. Este governo não acredita que o Estado tem de gastar menos do que gasta hoje”, afirma um banqueiro ouvido pela coluna.

“Qualquer um que estiver no lugar do Haddad vai estar com as mãos amarradas”, afirmou outro representante do setor. E um terceiro reforça: “(Haddad é o) Melhor (ministro) que tem nos quadros atuais. Tem de cortar gastos! Mas isso quem decide é o Lula”.

ULTIMATO DE MOTTA – O desgaste aumentou após o presidente da Câmara, Hugo Motta, fazer um ultimato ao governo, cobrando a apresentação de uma alternativa ao tributo em até dez dias. O Congresso ameaça derrubar o decreto presidencial do IOF.

O fato é que, em quase dois anos e meio de governo, nenhuma proposta relevante de redução de despesas foi enviada ao Congresso.

A insatisfação do mercado é reforçada por críticas à seletividade do governo na cobrança de impostos. “Absurdo o que o governo está fazendo. Faço só uma pergunta: por que IOF em operação de crédito à PJ e em operações de câmbio, e não em transferências para bets? Ou para compra de criptomoedas?”, questionou um sócio de uma asset.

DEFESA DE HADDAD – Para o mercado financeiro, a percepção é de que o governo penaliza o setor produtivo e a classe média, enquanto mantém brechas para outros segmentos. Mesmo com o desgaste, grandes bancos defendem a permanência de Haddad na Fazenda, visto como um dos poucos defensores do equilíbrio fiscal dentro do governo com acesso direto a Lula.

“Ele é o melhor nome dentro do PT para o cargo e consegue, a duras penas, tirar o possível dentro do governo para ajustar as contas públicas”, avalia um executivo do mercado financeiro.

O impasse sobre o IOF escancara a dificuldade do governo em dialogar com o Congresso e o mercado, e aprofunda a crise de confiança. O resultado é um ambiente de incerteza para empresas, investidores e para a própria economia, já que o aumento do IOF atinge diretamente o crédito, o consumo e o bolso da classe média. Próximos capítulos desse imbróglio seguirão no decorrer da semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– É o PT batendo cabeça, mais uma vez, demonstrando sua inutilidade e sua falta de união. (C.N.)

Na crise do decreto do IOF, Haddad é um saco de pancadas útil para Lula


Clayton Rebouças | Lula e Haddad se reúnem para discutir cortes no  Orçamento… #charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico  #desenho #art... | Instagram

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Diogo Schelp
Estadão

Você sabe que a situação está feia para um ministro da Fazenda quando até as peças publicitárias de empresas privadas ajudam a espalhar a notícia de suas políticas impopulares. Os painéis digitais das avenidas de São Paulo e as redes sociais de bancos e fintechs estão cheios de anúncios prometendo soluções para minimizar o impacto do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Mudou o IOF?”, ironiza uma das propagandas, que promete manter a taxa antiga, de 1,1%, sobre compras internacionais no cartão de crédito. “O governo brasileiro acabou de fazer uma mudança muito séria que vai impactar no seu bolso”, começa outra, sem rodeios. “Aqui ainda é 21 de maio”, provoca uma terceira, em referência ao dia anterior ao anúncio que acabou com o IOF reduzido para contas em dólar.

TIRANDO DINHEIRO… – Para compensar o aumento do imposto e reter os correntistas, as instituições financeiras estão oferecendo spread zero, cashback e descontos nos custos das transações, entre outras promoções. A mensagem que fica é: o governo está tirando mais dinheiro de você, mas nós vamos salvá-lo.

Em outras circunstâncias, a crise do IOF — com seus recuos parciais, impacto no mercado financeiro, jogo de empurra, justificativas desencontradas e danos à imagem do governo — resultaria facilmente na demissão do ministro que levou a medida para a assinatura do presidente.

Isso não acontece com Fernando Haddad, titular da Fazenda, porque ele é um saco de pancadas útil para o presidente Lula.

NA LATA DE LIXO – Haddad apanha da oposição, apanha até de colegas do próprio governo, mas mantém-se de pé para poupar o chefe dos golpes.

Alterar a cobrança do IOF para arrecadar mais dinheiro para o governo poder distribuir em programas sociais — e não como instrumento de regulação das atividades financeiras, como seria o correto — é o tipo de solução que fica no fundo da lata de lixo das políticas públicas à espera de um problema para ser resolvido. No caso, o problema é o fato de que as contas não fecham e Lula só pensa em gastar mais.

Em estudos sobre liderança ética, um dilema conhecido é o de quem deve ser responsabilizado por “problemas de muitas mãos”, ou seja, políticas públicas fracassadas que resultam de múltiplos fatores e indivíduos atuando simultaneamente.

LULA QUER GASTAR -A situação fiscal do Brasil é um desses problemas. Lula quer gastos elevados para se manter no poder, o Congresso quer mais emendas, ninguém se aventura a fazer uma reforma para diminuir despesas correntes, empresas querem eternizar benefícios fiscais, Haddad só encontra saídas que penalizam a classe média, e assim por diante.

Diante de problemas de muitas mãos, sistemas políticos com normas de prestação de contas frouxas ou informais tendem a produzir culpas individuais, em um processo em que todos os envolvidos competem para evitar responsabilização até se unir contra aquele que tem maior chance de culpabilidade.

Para esse posto, Haddad é o melhor candidato. Ninguém sabe apanhar calado como ele.


“Cabe ao Congresso regular redes sociais, e não ao Supremo”, adverte Mendonça

 

“Cabe ao Congresso regular redes sociais, e não ao Supremo”, adverte Mendonça

Julgamento havia sido suspenso por pedido de vista de André Mendonça.

Mendonça indica o caminho certo aos demais ministros

Rayssa Motta
Estadão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou nesta quarta-feira, 4, que vai divergir no julgamento sobre a responsabilização civil das plataformas e provedores por conteúdos publicados pelos usuários.

Ao iniciar a leitura de seu voto, que será concluído na quinta, o ministro defendeu a “autocontenção judicial” e afirmou que, em sua avaliação, o STF não deveria interferir na regulamentação das big techs.

CABE AO CONGRESSO – “Dentro da lógica da separação de poderes, o Congresso Nacional é a instituição que detém a maior capacidade para captar, tratar e elaborar um arranjo normativo a fim de externar os anseios da sociedade em relação ao tema”, defendeu.

Mendonça disse ainda que Poder Judiciário contribui para a crise de sua própria legitimidade ao “assumir mais protagonismo em questões que deveriam ser objeto de deliberação por parte do Congresso Nacional”.

“O Poder Judiciário acaba contribuindo, ainda que não intencionalmente, para a agudização da desconfiança hoje verificada em parcela significativa da nossa sociedade”, advertiu o ministro.

DIVERGÊNCIA CLARA –  O tema teve a repercussão geral reconhecida, ou seja, os ministros já definiram que o tema é relevante e que, a partir da análise de um processo, o STF precisa definir uma tese para ser aplicada nacionalmente.

Mendonça diverge e a tendência é de que apresente um voto mais alinhado aos interesses das plataformas. Ao introduzir o tema, o ministro defendeu a liberdade de expressão como um valor coletivo e afirmou que o controle das redes sociais é “a obsessão de nossa época”.

“É preciso ter cuidado para que essas preocupações legítimas não ofusquem os benefícios reais do maior acesso a arenas públicas”, alertou. “A depender do remédio e da dose administrada, a tentativa de combater o sintoma pode agravar ainda mais a doença.”

BARROSO INSISTE– Antes da retomada do julgamento, no início da sessão, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, fez um pronunciamento em que negou que o tribunal esteja invadindo competências do Congresso ao julgar o tema.

Barroso afirmou que o STF tem o dever de definir critérios claros para serem aplicados em casos concretos que chegarem ao Judiciário e que essas balizas “só prevalecerão” até que o Congresso aprove legislação sobre o assunto.

A pauta está travada no Legislativo desde o fracasso do PL das Fake News, após amplo lobby das big techs para enterrar o projeto de lei.

ARTIGO 19 – O julgamento gira em torno do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que proíbe a responsabilização das plataformas por conteúdos publicados pelos usuários, exceto se houver descumprimento de decisões judiciais para remover publicações.

O STF vai decidir se se amplia a obrigação das plataformas de fiscalizarem os conteúdos que circulam nas redes – um dos maiores pontos de inquietação das big techs. O STF também precisa definir se as empresas de tecnologia podem ser punidas por publicações mesmo quando não houver ordem judicial para tirá-las do ar, o que implicaria uma moderação de conteúdo mais rigorosa.

Até o momento, votaram os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e o próprio Barroso. Enquanto Toffoli e Fux defendem punições para as empresas de tecnologia que não removerem publicações criminosas imediatamente após a notificação dos usuários.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O assunto é polêmico no mundo inteiro. Nas ditaduras, existe censura; nas democracias, ainda não se conseguiu implantar um controle que seja eficaz sem censurar. Mas o Supremo brasileiro, cujos ministros acham (?) que sabem tudo e pensam (?) que podem tudo, diz que vai resolver sozinho o maior desafio mundial da atualidade. É muita pretensão, minha gente. (C.N.)

Moraes pode esperar sentado, porque dificilmente Zambelli será extraditada


Carla Zambelli disse que 'não sobreviveria na cadeia' após ser condenada  pelo STF; relembre - Estadão

Cidadania italiana é uma proteção contra atos de Moraes

Maria Clara Matos e Teo Cury
da CNN

Em entrevista à CNN, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que anunciou estar fora do Brasil por motivos de saúde, disse ser “intocável” como cidadã italiana. A declaração acontece em meio a condenação da parlamentar a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além da perda de mandato e de um pedido de prisão preventiva emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A dúvida é saber se a parlamentar pode sim ser extraditada, mesmo com a dupla cidadania. Ela diz que, como cidadã italiana, é intocável na Itália”. O pesquisador da Universidade de Harvard e professor da Universidade Federal Fluminense, Vitelio Brustolin, explica que o tratado de extradição entre Brasil e Itália prevê que a extradição de nacionais é facultativa, ou seja, não obrigatória, mas que ela pode ser possível.

QUEM DECIDE? – A decisão depende das autoridades judiciais italianas e das considerações políticas e diplomáticas — o que acaba sendo um processo complexo.

Em 2015, Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil com dupla cidadania dos dois países foi extraditado após uma decisão favorável da Corte de Cassação de Roma. Pizzolato foi condenado pela justiça brasileira no caso do Mensalão, que apurou a venda de votos do Congresso.

“Um detalhe importante é que a Constituição da Itália tem o precedente legal de proteger os seus cidadãos, só que admite extradição quando houver previsão por conversões internacionais”, atesta Brustolin, que lembra que a extradição da parlamentar brasileira depende de como a justiça italiana leia o caso.

CARLA CONTESTA – “Tenho cidadania italiana e nunca escondi, se tivesse alguma intenção de fugir eu teria escondido esse passaporte. (…) Como cidadã italiana eu sou intocável na Itália, não há o que ele possa fazer para me extraditar de um país onde eu sou cidadã, então eu estou muito tranquila quanto a isso”, disse Carla Zambelli ao progrma Bastidores CNN.

Para que exista uma possibilidade de Carla Zambelli ser extraditada, é preciso, antes de tudo, que o governo brasileiro formalize o pedido.

Isso aconteceria com a seguinte sequência: a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a prisão da deputada, como já aconteceu. O ministro já Moraes autorizou, agora falta o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, formalizar o pedido de extradição pela pasta.

INTERPOL – O professor Vitelio Brustolin explica que, se a prisão internacional for emitida com a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal, a deputada pode ser presa.

Além do ex-diretor do Banco do Brasil condenado pelo Mensalão, Brustolin cita o caso do ex-banqueira Salvatore Caciola, extraditado em 2008 em Mônaco. Caciola tem cidadania italiana e foi preso após um alerta da Interpol.

Assim, autoridades policiais de outros países podem detê-la e, após a detenção, o país onde ela foi detida pode decidir sobre extradição com base em seus tratados e próprias leis nacionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O marido de Carla Zambelli (PL-SP), coronel Antonio Aginaldo (PL), secretário de Segurança Pública da cidade de Caucaia, interior do Ceará, pediu afastamento temporário do cargo há duas semanas, em 21 de maio. A justificativa foi a doença de um parente, e Carla Zambeli alega estar em tratamento na Itália. Quanto à extradição dela, não será nada fácil. No caso de Pizzolato, ele estava envolvido em casos graves de corrupção. Caciola era banqueiro falido, fugindo com o dinheiro, e mesmo assim só foi preso porque resolveu curtir alguns dias em Mônaco, que é outro país, e acabou apanhado na Alfândega pela Interpol. O caso da deputada Carla Zambelli tem ingredientes políticos e vai ser muito difícil a Itália aceitar extraditá-la. (C.N.)


Tentativa de golpe não é “opinião política” cara de pau golpista

 em 5 jun, 2025 3:47

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
    “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

 

Desesperado e acuado, Jair Bolsonaro, aquele golpista de extrema-direita que foi presidente, usou a rede social X há poucos dias para publicar um texto do Cardeal Gerhard Muller, condenando o fascismo e defendendo a democracia e a opinião política (certamente o texto publicado foi pela assessoria já que o fascista não ler nem um texto bíblico, quanto mais…) para comparar com o que vem acontecendo com ele neste momento às vésperas de uma prisão eminente.

“A democracia está seriamente em perigo quando se converte em um instrumento para silenciar o dissidente. A opinião política, ainda que seja minoritária ou impopular, não pode ser criminalizada sob nenhum pretexto. Não se pode tratar como criminoso alguém que simplesmente se opõe à ideologia da moda dominante”, um dos parágrafos escrito pelo cardeal.

Realmente, cara de pau golpista Jair, a democracia corre perigo quando se converte em instrumento para silenciar dissidente, mas não é o seu caso. Seu caso foi o contrário, tentou cessar a democracia e estabelecer uma ditadura fechando o legislativo e o judiciário. Não foi mera “opinião política”, foi tentativa de golpe dito pelos seus próprios comparsas em depoimentos. Ele fala em liberdade de expressão da boca para fora. Só o “gado” dele confunde golpe ditatorial com democracia e liberdade de expressão.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/tentativa-de-golpe-nao-e-opiniao-politica-cara-de-pau-golpista/

Justiça condena ex-prefeito de Dores por fraude em licitação

 Processo licitatório foi direcionado para favorecer empresa

Processo licitatório foi direcionado para favorecer empresa (Foto: Freepik)

Após ação criminal ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal condenou o ex-prefeito de Nossa Senhora das Dores (SE) Thiago de Souza Santos e mais quatro pessoas por fraude em licitação e desvio de recursos públicos. As penas chegam a sete anos de reclusão, a serem cumpridos em regime semiaberto. Os crimes ocorreram na contratação da empresa Aliança Consultoria para prestação de serviços de cursos e capacitações na área de saúde. O valor total do contrato assinado foi de R$ 986 mil.

Os outros quatro condenados são Antônio dos Reis Lima Neto, secretário municipal de Saúde à época, Bhona da Silva Andrade, pregoeira e presidente da comissão de licitação do município, Natalia Pessoa Santos, sócia formal da Aliança Consultoria e Victor Boris Santos Maciel, primo de Natália e sócio de fato na empresa. Na decisão judicial, Tércia Monteiro Viana Silva, assessora de gabinete do secretário municipal de Saúde, foi absolvida das acusações a pedido do MPF.

Fraude

De acordo com as investigações realizadas pelo MPF e pela Polícia Federal (PF), os ilícitos foram cometidos em 2019, na Secretaria Municipal de Saúde de Nossa Senhora das Dores, na aplicação de verbas federais repassadas pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Municipal de Saúde.

A apuração mostrou que houve arranjos para a licitação em reunião prévia entre o prefeito, a pregoeira do município, Bhona Andrade, e Victor Boris Maciel, sócio de fato da empresa Aliança

No edital, regras abusivas limitaram a concorrência entre empresas, como a exigência de registro das empresas concorrentes no Conselho Regional de Administração (CRA-SE) e a comprovação de possuir, no quadro permanente de funcionários, uma lista de 16 profissionais de diversas áreas da saúde, como médicos, enfermeiros, odontólogos e fisioterapeutas.

A empresa Aliança, mesmo sem cumprir os requisitos exigidos no edital, foi declarada vencedora da licitação. No mesmo dia da sessão, foi assinado o contrato, no valor total de R$ 986.015,00, e realizado o empenho em favor da empresa.

Desvio

De acordo com as investigações, a licitação foi superfaturada e os serviços contratados não foram entregues por completo. Ficou constatado, em depoimentos e documentos, que os profissionais palestrantes apresentados pela Aliança não atendiam aos requisitos do contrato, que houve fraudes nas listas de presença e que materiais previstos nos contratos como bolsas, cadernos e camisetas não foram entregues. Os levantamentos do MPF e da Polícia Federal indicam que houve pagamento irregular de R$ 191,2 mil, em valores de 2021, para a empresa Aliança.

Penas

Os cinco envolvidos foram condenados pelos crimes de fraude à licitação e peculato (desvio de recursos públicos). Thiago Santos foi condenado a sete anos de reclusão e Antônio Lima Neto, a cinco anos e sete meses de reclusão. A pregoeira Bhona Andrade recebeu pena de cinco anos e dois meses de reclusão. Os responsáveis pela Aliança Consultoria, Natália Santos e Victor Boris Maciel, receberam penas de cinco anos e um mês de reclusão. Todos devem cumprir as penas em regime semiaberto. Os cinco condenados também deverão pagar multa de 2% sobre o valor do contrato licitado. Ainda cabe recurso da sentença.

Improbidade Administrativa

Pelos mesmos fatos relatados na denúncia criminal, o MPF também ajuizou uma ação de improbidade administrativa, que está em fase de instrução e tramita na Justiça Federal com o nº 0800465-70.2021.4.05.8501.

Portal Infonet não conseguiu localizar o ex-prefeito e os demais envolvidos, mas permanece à disposição através do e-mail jornalismo@infonet.com.br

Fonte: MPF/SE

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Dia do Meio Ambiente e o Temor de um Novo Ataque à História em Jeremoabo

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                                    Foto Divulgação


Dia do Meio Ambiente e o Temor de um Novo Ataque à História em Jeremoabo

Hoje, 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data crucial que nos convida à reflexão sobre a importância da preservação do nosso planeta e dos recursos naturais. É um momento para reforçar a conscientização sobre a sustentabilidade e a responsabilidade de cada um de nós com as futuras gerações. No entanto, em Jeremoabo, esta data, que deveria ser de união em prol de um bem maior, é permeada por um receio alarmante.

O motivo da apreensão reside na recente e polêmica postura da Câmara de Vereadores, que, sem o devido diálogo com historiadores, políticos, órgãos públicos e, principalmente, com a própria população, demonstra a intenção de alterar a data da emancipação política do município. Esse ato, que beira o autoritarismo e a desconsideração com a memória histórica da cidade, acende um alerta: se a data de fundação de Jeremoabo pode ser arbitrariamente manipulada, o que impediria a mesma Casa Legislativa de, a qualquer momento, tentar implantar ou mudar a data oficial comemorativa do Dia do Meio Ambiente no município?

O temor não é infundado. A falta de critério, de pesquisa e de participação popular na decisão sobre a data da emancipação política sugere um preocupante padrão de desrespeito. A história e as datas comemorativas não são meros caprichos ou ferramentas para manobras políticas. Elas são pilares da identidade de um povo, frutos de um processo que envolve pesquisa, consulta e, acima de tudo, o reconhecimento da comunidade.

Mudar datas de forma unilateral, sem embasamento ou consulta, é uma afronta à inteligência e à cultura local. É uma demonstração de que a representação política, em vez de servir aos interesses e à memória do povo, age de forma autônoma e descolada da realidade.

Neste Dia do Meio Ambiente, que a reflexão sobre a preservação de nossos recursos naturais se estenda também à preservação de nossa história e de nossa identidade. Que a Câmara de Vereadores de Jeremoabo entenda que a gestão pública é um compromisso com o bem comum e com o respeito às tradições e aos valores de uma comunidade. O povo de Jeremoabo espera que seus representantes atuem com sabedoria, responsabilidade e, acima de tudo, com o devido respeito à história e ao futuro da cidade.


Cordel da História que a Câmara Quis Reescrever

                       Foto Divulgação - E 06 de julho qual o destino???
                           

Cordel da História que a Câmara Quis Reescrever

Em Jeremoabo afamada,
Terra quente e nordestina,
Os problemas foram embora,
Tudo é paz, tudo é bonina.
A saúde tá de ouro,
A educação é fina!
Só que os nobres vereadores
Sem ter dor de cabeça ou sina,
Resolveram, num lampejo,
Reescrever nossa esquina.

“Vamos mudar a História!”,
Disse um deles, com fervor,
“Se não tem mais o que fazer,
Vamos brincar de historiador!”
E esqueceram por completo
Do passado em ruína e dor,
Pois a primeira casa da vila
O vento levou com furor,
E o tempo, qual grande lixeira,
Apagou o que restou de valor.

A Fazenda Caritá,
Do Barão, nobre figura,
Está entregue ao abandono,
Só tem mato e ferrugem pura.
E o casarão imponente,
Que em tempos foi de bravura,
Hoje geme em silêncio,
Clamando por estrutura.
Mas os vereadores... não veem,
Só focam na escritura!

Tanta história afundando
Nas águas do esquecimento,
Mas o presidente da Câmara
Falou com seu mandamento:
“Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura!”
Só que em Jeremoabo, amigo,
Essa água virou enchente impura
E afogou a memória antiga
Com decreto e assinatura!

Já o prefeito Tista de Deda,
Com um olhar mais centrado,
Resolveu fazer o certo:
Salvar o que está largado.
Quer tombar o Casarão,
De valor inestimado,
E criar uma biblioteca,
Um espaço bem estruturado.
Enquanto isso os vereadores
Debatem o passado... fabricado!

Querem mudar datas, nomes,
Fazer história de gaveta,
Com caneta na mão errada
E memória muito seletiva e estreita.
Mas história, meu povo, não é
Pra se escrever em palanque ou enfeita.
Ela mora no chão, no tijolo,
Na lembrança que ainda respeita
O suor de quem construiu
Nossa terra – com luta e com alma perfeita.

E assim segue Jeremoabo,
Com o povo vendo a cena:
Uns salvando a memória,
Outros puxando a antena.
Mas o tempo não perdoa,
Nem a omissão pequena.
Que se salve o que sobrou,
Antes que vire apenas pena,
Num cordel, num canto triste,
De uma história tão amena.

"A Câmara dos Iluminados Reescritores da História"

 

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"A Câmara dos Iluminados Reescritores da História"

Em Jeremoabo, onde o sol castiga e a poeira sobe mais rápido que verba desaparece, os nobres vereadores – depois de solucionarem todos os problemas da cidade, como saúde impecável, ruas lisinhas, escolas funcionando com ar-condicionado e merenda gourmet – encontraram-se num raro estado: ociosidade legislativa crônica.

Sem buracos para tapar (literal e figurativamente), sem escândalos de licitação pra "fiscalizar" e com tanto tempo livre quanto um gato de praça, decidiram então assumir um novo e nobre propósito: reescrever a história de Jeremoabo!

Sim, senhoras e senhores, esqueçam historiadores, livros, documentos ou qualquer ligação com a realidade. Agora quem dita os fatos são eles: os Guardiões do Arquivo Imaginário.

Primeira missão: discutir – com toda solenidade que um cafezinho ralo permite – a data da emancipação política da cidade. Afinal, datas são como cargos comissionados: mudam conforme o interesse.

Enquanto isso, a primeira casa da cidade virou pó e virou lenda, levada pelo vento e pela indiferença. A Fazenda Caritá, berço do Barão de Jeremoabo, está tão abandonada que até os fantasmas pediram transferência. E o Casarão do maior político da história local, que já foi arena de grandes decisões políticas da Bahia, agora ameaça ruir de vergonha. Mas calma! O prefeito Tista de Deda, mais preocupado com a memória do que com manchetes, propõe tombar o espaço como patrimônio histórico e transformá-lo em Biblioteca Pública. Isso sim é reescrever a história – com livro, não com lápis político.

Enquanto isso, na sala da Câmara, os excelentíssimos discutem se o nome da cidade devia ser com “J” ou “G”, e se o Barão de Jeremoabo nasceu mesmo ou foi criação de algum marqueteiro da época do Império.

E assim segue a saga dos Vereadores Cronistas, preocupados com a tinta da pena enquanto a cidade escorre pelas rachaduras do tempo.

Mas não tem problema. Se continuarem nessa toada, logo criarão o cargo de "Historiador Legislativo", com direito a diário oficial, assessoria de memória seletiva e selo de autenticidade histórica carimbado com as digitais da conveniência.


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