terça-feira, junho 03, 2025

Depoimentos no caso do golpe indicam ação direta de Bolsonaro e não devem mudar cenário no STF

 Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Ex-presidente Jair Bolsonaro03 de junho de 2025 | 08:50

Depoimentos no caso do golpe indicam ação direta de Bolsonaro e não devem mudar cenário no STF

brasil

Depoimentos das testemunhas convocadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros réus na ação penal sobre tentativa de golpe de Estado indicam que o ex-chefe do Executivo agiu nos bastidores para tentar rever o resultado que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente em 2022.

Três testemunhas relataram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Bolsonaro consultou a possibilidade de “virar a mesa” pelo menos a generais das Forças Armadas, discutiu a possibilidade de prender ministro do STF Alexandre de Moraes e procurou irregularidades que pudessem assegurá-lo no comando do País.

Contaram essas situações o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos Almeida Baptista Junior, o ex-chefe do Exército Brasileiro Marco Antônio Freire Gomes e o ex-advogado-geral da União Bruno Bianco.

A oitiva dos depoentes do chamado “primeiro núcleo” acusado de tentativa de golpe de Estado no Brasil foi encerrada nesta segunda-feira, 2, com o depoimento do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Bolsonaro foi visto acompanhando alguma das oitivas das testemunhas – isso ocorreu nesta segunda-feira.

Fazem parte do “núcleo 1” oito pessoas: Bolsonaro, o ex-ministro Walter Braga Netto, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno, o deputado federal Alexandre Ramagem, o ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Ao todo, foram ouvidas 52 pessoas em dez dias de sessão entre generais, senadores, ex-ministros, secretários, funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o vice-presidente no governo Bolsonaro, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Das 52 testemunhas, a defesa elencou 50 – outras cinco foram convocadas pela acusação, feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. No total, houve 28 desistências: uma da acusação e 27 da defesa.

Com o que foi ouvido dos depoentes, o cenário ainda complica Bolsonaro, que responde criminalmente organização criminosa (pena de três a oito anos, podendo chegar a 17 com agravantes), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de quatro a oito anos), golpe de Estado (pena de quatro a 12 anos), dano qualificado com uso de violência e grave ameaça (pena de seis meses a três anos) e deterioração de patrimônio tombado (pena de um a três anos).

Os advogados questionaram as testemunhas, com mais frequência, sobre três episódios: uma reunião ministerial de julho de 2022 – quando Bolsonaro pediu união para “fiscalizar” as urnas eletrônicas e Heleno falou em “virar a mesa” -, as blitze no Nordeste durante o segundo turno e uma live de Bolsonaro de 2021, em que ele atacou as urnas sem provas.

Algumas das testemunhas ouvidas foram indiciadas ou estão sob investigação em outros inquéritos (um, sobre as blitze no Nordeste e, outro da Abin paralela). Nesses casos, Moraes, relator da ação penal, ressalvou que se prejudica a integridade do depoimento dessas pessoas, já que elas podem mentir já que podem virar réus.

O general Freire Gomes – testemunha da acusação e das defesas de Bolsonaro, Cid, Garnier e Oliveira – confirmou que recebeu um plano do governo para impedir a posse de Lula.

Freire Gomes disse que se reuniu com Bolsonaro, os outros dois chefes das Forças Armadas e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, então ministro da Defesa, para discutir o conteúdo da “minuta golpista”. Esse texto foi encontrado pela Polícia Federal (PF) na casa de Anderson Torres.

O general disse que se posicionou contra a tentativa de intervir no processo eleitoral e alertou Bolsonaro que ele poderia ser “enquadrado juridicamente”.

Segundo o ex-comandante, a chamada “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, manifesto foi assinado por 37 militares e recebido por Mauro Cid, foi interpretada como uma pressão para que ele aderisse a uma tentativa de golpe de Estado.

Moraes repreendeu Freire Gomes durante o depoimento na sede da Corte. O magistrado afirmou que o militar mudou a versão dada à PF de que o ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier Santos teria concordado com o plano de golpe de Jair Bolsonaro.

No depoimento, o ex-comandante disse não ser possível saber se houve adesão de Garnier à tentativa de golpe. Moraes disse que ele pensasse bem antes de responder, porque “testemunha não pode omitir o que sabe”.

“Se mentiu na polícia, tem que dizer que mentiu na polícia. A testemunha foi comandante do Exército, está preparado para situações de pressão”, disse o ministro relator. “O senhor disse na polícia que Garnier se colocou à disposição do presidente. Ou o senhor falseou na polícia ou está falseando aqui.”

Garnier é apontado pela Polícia Federal como o comandante das Três Forças que teria aderido ao golpe. Delações feitas à PF indicam que o ex-chefe da Marinha chegou a dispor suas tropas para a intentona golpista.

A informação foi confirmada no depoimento de Baptista Júnior, ex-FAB, ao STF. “O almirante Garnier não estava na mesma sintonia, na mesma postura que o general Freire Gomes. Em uma dessas reuniões, chegou a um ponto em que ele falou que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente”, disse.

Nesse mesmo testemunho, Baptista Júnior disse que, na primeira quinzena de novembro de 2022, houve um “brainstorming” sobre a possível prisão de Moraes em uma reunião no Palácio da Alvorada. Essa discussão contou com a presença de Bolsonaro e outros chefes das Forças Armadas.

“Isso era no ‘brainstorming’ das reuniões, isso aconteceu. Eu lembro que houve essa cogitação de prender o ministro Alexandre de Moraes, que era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). ‘Amanhã o STF vai dar o habeas corpus para soltar ele e nós vamos fazer o quê? Vamos prender os outros?'”, afirmou Baptista Júnior, sem dizer quem era o interlocutor.

Também depois de ser derrotado em 2022, Bolsonaro procurou o ex-advogado-geral da União Bruno Bianco para saber da possibilidade de reverter o resultado eleitoral.

Segundo Bianco relatou ao STF, Bolsonaro perguntou se houve problema jurídico no resultado – a resposta foi negativa, ainda de acordo com ele. O ex-presidente estava novamente acompanhado dos chefes das Forças Armadas.

O ex-presidente também foi acusado de consultar locais de votação em Lula para repassar à Polícia Rodoviária Federal (PRF) O ex-analista de inteligência da Coordenação-Geral de Inteligência do Ministério da Justiça Clebson Ferreira de Paula Vieira afirmou que recebeu encomendas de estudos sobre a distribuição de agentes da PRF às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

As ordens, segundo ele, partiram da então secretária de Segurança Pública da pasta, Marília Ferreira de Alencar, a única mulher que é ré nessa ação penal. “Recebi duas demandas, que passaram direto dela para mim. A primeira foi a análise de dados de concentração de votos acima de 75%, tanto para Lula quanto para Bolsonaro. Solicitou para mim que eu fizesse algumas impressões e algumas planilhas. A segunda foi a distribuição da Polícia Rodoviária Federal, um painel para possível tomada de decisão”, disse no depoimento.

Estratégia comum da defesa de todos os réus do primeiro núcleo acusado da tentativa de golpe foi ouvir pessoas próximas que negam terem sido procuradas sobre algum plano golpista.

Bolsonaro convocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o governador Tarcísio de Freitas e Mourão como testemunhas – todos os três relataram não terem sido procurados para reverter a vitória de Lula e relatam que Bolsonaro estava “triste” e “isolado” após ser derrotado por Lula.

Tarcísio disse não ter conhecimento de atos no Planalto que levaram ao 8 de Janeiro, Nogueira afirmou que a transição foi feita para conter caminhoneiros que bloqueavam rodovias no Brasil e Mourão ainda culpou o governo Lula pelos ataques golpistas que depredaram a sede dos Três Poderes.

“Encontrei um presidente triste, resignado”, disse Tarcísio, em breve depoimento. Esse assunto (tentativa de golpe) nunca veio à pauta.”

Ao STF, Mourão disse que se reuniu com Braga Netto, vice na chapa de Bolsonaro e com o então ministro da defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira algumas vezes depois da eleição de 2022, mas tratava apenas de “assuntos meramente do dia a dia da caserna”.

Mourão foi especialmente elogioso a Mauro Cid durante a oitiva. Ele disse que Cid era “um filho que a gente tem na vida militar”

Assim como ocorreu com Freire Gomes, o ministro relator da ação penal, Alexandre de Moraes, chegou a interromper perguntas e o depoimentos de testemunhas durante a oitiva. As queixas foram especialmente a análise dos acontecimentos dos depoentes.

Em um dos episódios, Moraes ameaçou dar voz de prisão ao ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, testemunha de Garnier.

Rebelo disse que a fala de Garnier em “dispor a Marinha” para uma tentativa de golpe não poderia ser interpretada literalmente, provocando uma interrupção de Moraes.

“O senhor estava na reunião quando o almirante Garnier falou essa expressão?”, perguntou o ministro. Rebelo respondeu negativamente. “Então, o senhor não tem condição de avaliar a língua portuguesa naquele momento. Atenha-se aos fatos”, repreendeu Moraes.

“A minha apreciação da língua portuguesa é minha e não admito censura”, retrucou Rebelo. Moraes então ameaçou prender o ex-ministro. “Se o senhor não se comportar, o senhor vai ser preso por desacato”, respondeu o magistrado.

Moraes deu broncas, entre outros, com a defesa de Bolsonaro, quando perguntaram a Mourão sobre a avaliação dele sobre o 8 de Janeiro. “A testemunha não é um perito. Testemunha não pode chegar a nenhuma conclusão”, afirmou.

Isso também ocorreu com o advogado de Anderson Torres, Eumir Novacki. Moraes acusou Novacki de induzir o testemunho de Freire Gomes. “Não vou permitir que a vossa senhoria faça circo no meu tribunal”, chegou a falar Moraes.

Levy Teles / Estadão Conteúdo

Lula diz que Marina não faz nada sem consultá-lo e que atrito sobre licenciamento sempre existirá

 Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação/Arquivo

Presidente disse que, às vezes, demora do Ibama para liberar obras é por falta de funcionários03 de junho de 2025 | 13:29

Lula diz que Marina não faz nada sem consultá-lo e que atrito sobre licenciamento sempre existirá

bahia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou apoio à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), nesta terça-feira (3), mas disse que divergências sobre licenciamento de obras é normal e sempre existirá no governo. Ele deu as declarações a jornalistas no Palácio do Planalto.

“A Marina Silva é uma companheira da mais extraordinária lealdade ao governo. É uma companheira que eu tenho 100% de confiança nela. É uma companheira que eu tenho certeza que tem 100% de confiança em mim. É uma companheira que tudo o que ela faz ela se propõe a discutir comigo”, declarou o presidente da República.

Marina Silva foi hostilizada por senadores na semana passada e deixou a audiência da qual participava com a Comissão de Infraestrutura do Senado. Lula voltou a dizer que apoiou Marina em sua decisão de abandonar a reunião.

Uma das acusações dos senadores à ministra do Meio Ambiente foi relacionada ao licenciamento ambiental de obras, tema que atrai críticas até de governistas a órgãos como o Ibama. Lula disse que a demora para liberação de obras é normal e que isso sempre gerará atritos dentro do governo.

“É normal que haja demora. Se você fosse ministro dos Transportes, quando você tem o compromisso de fazer uma quantidade de obras e um dos fatores que está atrasando é a questão do Ibama, obviamente que o ministro dos Transportes vai ficar discutindo com o Ibama”, declarou o presidente.

“Muitas vezes a morosidade do Ibama não é nem má fé, muitas vezes é a falta da quantidade de especialistas e muitas vezes é a exigência da capacitação técnica que as pessoas precisam para fazer as coisas. Se você não tem todas as pessoas que você precisa, demora mais”, disse o petista.

Ele também disse que o órgão pode entrar na mira do Ministério Público caso dê autorizações precipitadas para obras.

“Sempre haverá atrito, divergências, entre as pessoas que concedem e as pessoas que querem receber”, afirmou o presidente da República.

Lula também disse que é comum esse tipo de problema ser resolvido em conversas entre os ministros. “Quando não tem solução, vem para a minha mesa e a gente decide”, declarou.

O Senado aprovou no fim de maio um projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental. O texto aguarda análise da Câmara. Lula foi questionado sobre a proposta, mas disse que ainda não o analisou.

Caio Spechoto, Folhapress

Estratégia da defesa aponta nulidade de muitas provas contra os golpistas

Publicado em 3 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Além de Zanin, advogados de Bolsonaro visitaram outro ministro do STF |  Metrópoles

Celso Vilardi, advogado de Bolsonaro, é muito experiente

Daniel Gullino
O Globo

No depoimento mais contundentes na ação penal sobre uma tentativa de golpe no país, o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior relatou a ministros do Supremo Tribunal Federal um encontro com o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, em que lhe foi apresentado um documento que, em sua versão, tinha teor golpista.

Momentos depois, foi questionado pelo advogado Celso Vilardi, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro: “O senhor leu esse documento?”. A resposta foi negativa.

ESTRATÉGIA EFICIENTE – O questionamento evidenciou a estratégia que as defesas dos réus adotaram para tentar absolver seus clientes da acusação de atentarem contra a democracia: a de contestar e demolir as provas apresentadas na ação e os testemunhos sem base.

Com 51 testemunhas já ouvidas, as perguntas feitas pelos advogados — seja para as próprias testemunhas ou para as arroladas por outros alvos e pela acusação — indicaram um esforço para apontar brechas e possíveis erros na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A defesa de Bolsonaro não contesta que o ex-presidente discutiu a possibilidade de decretar Estado de Sítio ou de Defesa no país, instrumentos que, segundo a acusação, seriam usados para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Advogado Vilardi diz, porém, que esses são dispositivos estão previstos na Constituição e que não há elementos que mostrem uma ação concreta que poderia configurar uma tentativa de golpe.

PERGUNTA DEMOLIDORA – O defensor de Bolsonaro questionou o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes se existiu alguma ordem para movimentar tropas ou convocar o Conselho de Defesa, ao qual cabe analisar a decretação de Estado de Defesa ou de Sítio, como foi cogitado por Bolsonaro.

— O senhor chegou, em algum momento, a ser solicitado pelo então presidente da República para alguma movimentação de tropas em uma tentativa de golpe, com a utilização de tropas do Exército? — perguntou Vilardi, recebendo resposta negativa.

A investigação aponta, contudo, que uma medida efetiva não ocorreu justamente pela recusa de Freire Gomes em apoiar uma ruptura institucional. O general da reserva afirmou ao STF ter avisado Bolsonaro sobre a possibilidade de ele ser “implicado juridicamente” caso seguisse os “aspectos eminentemente jurídicos”.

TROPAS À DISPOSIÇÃO – Os relatos dos ex-comandantes também foram alvo de indagações do advogado Demóstenes Torres, que defende o ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos. Após ouvir os dois depoimentos, Demóstenes questionou, por exemplo, a versão que seu cliente disse ter colocado “tropas à disposição” do ex-presidente.

— Veja bem a incongruência temática. Os senhores discutiam institutos jurídicos. Como é que isso evoluiu para colocar tropas à disposição? — perguntou o advogado a Baptista Junior.

Mas o brigadeiro sustentou sua versão, ao dizer que não ficou sabendo “à toa” que a Marinha tem 14 mil fuzileiros. Já Freire Gomes, ao ser confrontado sobre o mesmo tema, disse ter visto as declarações de Garnier como uma “demonstração de respeito” do ex-chefe da Marinha ao então presidente da República.

O general, contudo, confirmou o que havia dito à Polícia Federal, de que apenas ele e Baptista Junior haviam se posicionado de forma contrária às medidas cogitadas por Bolsonaro.

ERROS DO PROCURADOR – No caso da defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, os advogados tentaram apontar o que consideraram erros da PGR ao denunciar seu cliente. Um dos episódios questionados foi uma reunião na qual, segunda a denúncia, foi apresentado um plano para a realização de blitzes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições.

Entre as testemunhas indicadas pela defesa estavam seis pessoas que participaram da reunião. Ao depor como testemunhas, todas negaram ter discutido direcionamento político para os bloqueios.

Em 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno das eleições, a PRF fiscalizou dois mil ônibus na região Nordeste e 571 no Sudeste. Essa concentração em rodovias nordestinas levou a Polícia Federal (PF) a apontar a intenção de impedir a circulação de eleitores, sobretudo de Lula.

TREZE ANDARES – Outro ponto questionado pela defesa de Torres é uma troca de mensagens entre dois investigados na qual um deles afirma que “o chefe chamou” para uma reunião no 13º andar. Os advogados usaram as perguntas para mostrar que o Ministério da Justiça não tem 13 andares e que, portanto, não estavam se referindo ao então ministro.

Já a defesa do general Augusto Heleno, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) nos quatro anos de Bolsonaro, adotou a estratégia de apontar o afastamento de seu cliente dos demais réus da ação.

 Em vez de contestar provas ou se houve ou não uma tentativa de golpe, eles optaram por tentar demonstrar que Heleno estava isolado dentro do governo e que, por essa razão, não teria como participar dessas articulações.

DISTANCIAMENTO – Ouvidos como testemunhas, quatro ex-subordinados de Heleno reconheceram esse distanciamento. Um deles, o coronel Amilton Coutinho, apontou que isso ocorreu após Bolsonaro se aproximar dos partidos do Centrão. Isso porque, na campanha de 2018, Heleno havia ironizado as legendas, ao cantar: “Se gritar pega Centrão, não fica um”.

— A partir da aproximação do presidente com essa corrente majoritária (do Congresso), o general Heleno perdeu, vamos dizer assim, espaço no dia a dia na sala do presidente — relatou Coutinho. — Nesses assuntos majoritários e macros do Brasil, houve realmente esse afastamento. Ele entendeu, continuou procurando o presidente diariamente pela manhã, despachando os assuntos apenas do GSI.

Após o fim das audiências com as testemunhas, será marcado o interrogatório dos próprios réus. Novamente, os advogados poderão questionar não só seus próprios clientes, mas também os outros investigados. A PGR e o relator, ministro Alexandre de Moraes, também poderão fazer perguntas para todos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os réus serão condenados com base em provas circunstanciais. Praticamente, não há provas materiais.  A maior parte da acusação é na base do “teria feito”, “teria dito” ou “teria ido”. Chega a ser ridículo. (C.N.)


"Sapateiro, não vá além do sapato": Uma lição esquecida pelos vereadores de Jeremoabo


"Sapateiro, não vá além do sapato": Uma lição esquecida pelos vereadores de Jeremoabo

A expressão popular “o sapateiro não vá além do sapato”, variante do provérbio latino “sutor, ne ultra crepidam”, é uma advertência atemporal: cada um deve se manter no campo do seu conhecimento e especialidade. Trata-se de um chamado ao bom senso e à responsabilidade — valores que parecem estar em falta na atual legislatura da Câmara de Vereadores de Jeremoabo.

Nos últimos tempos, temos testemunhado uma verdadeira inversão de papéis. Os vereadores, cuja função primordial deveria ser legislar, fiscalizar o Executivo e representar os interesses do povo, têm preferido invadir competências que são do prefeito, muitas vezes por omissão, vaidade ou pura ignorância. Em vez de cobrar melhorias na saúde, educação, infraestrutura e segurança, preferem se meter em assuntos que exigem estudo técnico, embasamento histórico e conhecimento jurídico — tudo o que eles demonstram não ter.

O episódio mais recente e revoltante é a tentativa de mudar, de forma leviana, a data da emancipação política de Jeremoabo, um ato que, se concretizado, não será apenas um erro: será uma ofensa à história, um desrespeito à memória coletiva e à identidade do povo jeremoabense.

Qual foi a comissão de alto nível formada pela Câmara para deliberar sobre o tema? Onde estão os historiadores, professores, pesquisadores, representantes de instituições acadêmicas ou órgãos estaduais competentes que deveriam ser consultados antes de qualquer decisão desse porte? Quais documentos oficiais foram analisados? Onde estão os pareceres técnicos?

Mudar a data da emancipação política de um município é algo que exige seriedade, método e responsabilidade institucional. Não se trata de vontade política nem de capricho de um vereador mal assessorado. A iniciativa, quando necessária, deve partir do Executivo, com base em estudos documentais e históricos sólidos, como já ocorreu em outros municípios que optaram por revisar suas datas fundacionais com respeito e critério, como um prefeito do interior de Sergipe que soube conduzir esse processo com dignidade.

Em Jeremoabo, infelizmente, o que estamos assistindo é uma aberração legislativa, um atropelo da razão, uma afronta à história. Não é à toa que o povo tem se sentido humilhado e desrespeitado. Caso esse disparate seja oficializado, a única saída legítima será aguardar as próximas eleições para que a população, de forma democrática, reprovoque nas urnas essa Câmara que não respeita seu povo, sua terra e sua história.

A história de Jeremoabo não pertence a meia dúzia de vereadores sem preparo. Ela pertence ao povo. E o povo saberá defendê-la.


Nota da redação deste Blog - Ande a coisa funciona e o povo é prestigiado e respeito, funciona assim:


Prefeitura de Japoatã faz levantamento sobre data real da Emancipação Política

 
 
 

O município de Japoatã, localizado a 74 quilômetros de Aracaju ainda não tem data fixada para comemorar a Emancipação Política. O prefeito José Magno da Silva (PTN) conversou na manhã desta segunda-feira, 6 com a reportagem da Agência de Notícias Alese e explicou estar fazendo um levantamento no sentido de ter a convicção da real data da independência.

“A Lei Orgânica do Município oficializa o 6 de fevereiro como o Dia da Emancipação Política de Umbaúba. Nós respeitamos a lei, mas como existem outras datas relacionadas à independência do município e uma falha na memória, que no meu entender antecipa a data, resolvemos fazer um levantamento para que possamos dar ênfase e de fato a lei possa ser aplicada”, esclarece.

De acordo com a historiadora e secretária de Cultura de Japoatã, Adriana Oliveira, existem três datas na História de Japoatã. “Nós nos reunimos com o prefeito José Magno e decidimos não comemorar a emancipação nesta segunda-feira, 6 pelo fato de nos documentos existirem três datas: 23 de novembro de 1910, 20 de outubro de 1926 e 6 de fevereiro de 1954. Vamos fazer um estudo amplo, visando identificar qual a data real das três apresentadas. Por isso, não está sendo realizada nenhuma programação em Japoatã hoje para comemorar a Emancipação Política”, explica.

O dia 6 de fevereiro já foi comemorado no município, mas historiadores contam que essa data diz respeito ao desmembramento do município de Pacatuba, de Japoatã, sendo, portanto, a emancipação de Pacatuba.

Para se ter uma ideia, a primeira notícia sobre a evolução política de Japoatã é datada de 1910, quando o então governador Luiz Garcia assinou a lei criando o município, desmembrando seu território de Pacatuba. Mas, de acordo com relatos da História de Japoatã, a população não aceitou e com a ajuda de políticos da época, deixaram que a lei caducasse e com isso, o município não foi instalado e uma nova lei foi assinada em 1926 e só a partir de 1953/1954 teria havido o desmembramento.

Por conta dessa incerteza e não preservação da História  de Japoatã é que a Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Cultura, vai fazer o levantamento nos documentos que destacam a independência do município.

Umbaúba

Já o município de Umbaúba está comemorando nesta segunda-feira, 6, a Emancipação Política. Uma vasta programação está sendo desenvolvida por meio da administração do prefeito Humberto Maravilha (PMDB) e da secretária de Cultura e Turismo, Angelita dos Santos.

As festividades tiveram início no último dia 3 de fevereiro, com a inauguração do Centro de Artesanato Gorgete Hora; Café Cultural; Exposição de Livros; Gincana Cultural, Show de Talentos; Sarau com apresentação de artistas locais; final de torneio de futebol de campo e Domingo no Parque.

Nesta segunda-feira, a programação iniciou às 6h com Alvorada Festiva pela Banda Marcial Nossa Senhora da Conceição; Corrida Rústica de Caçuá; Hasteamento das Bandeiras; Cortejo Folclórico e às 19h, haverá Missa em Ação de Graça na Igreja Matriz Nossa Senhora da Guia.

Umbaúba está situado no extremo Sul do Estado de Sergipe, a 81 quilômetros de Aracaju. Tem como vizinhos, os municípios de Cristinápolis, Indiaroba, Itabaianinha e Arauá. A padroeira é Nossa Senhora da Guia e a economia é baseada na produção de Laranja.

Por Agência de Notícias Alese

https://al.se.leg.br/prefeitura-de-japoata-faz-levantamento-para-identificar-data-real-da-emancipacao-politica/




Afronta à História: Câmara de Vereadores de Jeremoabo Ousa Mudar a Data da Emancipação Política





Afronta à História: Câmara de Vereadores de Jeremoabo Ousa Mudar a Data da Emancipação Política

Em meio aos festejos juninos, que deveriam ser tempo de alegria e celebração das tradições, a Câmara de Vereadores de Jeremoabo parece empenhada em completar um rol de aberrações e desrespeitos à cidadania. Após um histórico de omissões e conivências que já irrita a população, surge agora a notícia de que os edis planejam um ato de prepotência sem precedentes: a alteração da data da Emancipação Política do município.

É como se, na ausência de pautas relevantes e na total desconexão com os anseios da população, os vereadores se propusessem a "baixar um decreto mudando a lei da natureza". Afrontando o bom senso e desconsiderando a vontade coletiva dos filhos de Jeremoabo, a casa legislativa estaria prestes a perpetrar um ato que, embora possa ser revestido de uma discutível legalidade, fere profundamente os brios e a identidade de um povo.

A data da emancipação política de um município não é um mero número no calendário. É um marco histórico, um símbolo da trajetória, das lutas e das conquistas de uma comunidade. Alterá-la de forma arbitrária, por meio de um decreto ou qualquer outro ato abusivo, é um gesto ditatorial contra a memória e a história de Jeremoabo. É apagar parte da identidade de uma geração para satisfazer interesses desconhecidos ou, pior, para simplesmente exercer um poder que lhes foi concedido para servir, e não para impor.

Os vereadores, que deveriam ser a voz da comunidade e os guardiões de seus valores, parecem ter esquecido que seu mandato é uma outorga popular, e não um salvo-conduto para desrespeitar a vontade daqueles que os elegeram. Continuamos a afirmar, com a amargura da realidade: cada povo tem os vereadores que merece. E, se a Câmara de Jeremoabo seguir adiante com essa afronta, a população terá a prova cabal de que seus representantes estão desconectados da realidade e comprometidos com uma agenda que prioriza o capricho político em detrimento do respeito à história e à identidade de Jeremoabo.

Que a luz da razão e o clamor popular se levantem contra essa aberração. A história não se muda por decreto, e o povo de Jeremoabo não permitirá que sua identidade seja reescrita por um ato de prepotência e desrespeito. A vergonha de tal medida recairá sobre aqueles que ousarem profanar a memória de nossa emancipação.


“Um Povo sem História é um Povo sem Memória, Jeremoabo . Tem História, todavia talvez seja rasgada hoje pela Cãmara de Vereadores."

Nota da Redação deste Blog -  Abram o Link e leiam a origem de Jeremoabo que querem mudar: A origem de Jeremoabo

https://www.agendha.org/sobrejeremoabo




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