segunda-feira, maio 12, 2025

Silêncio do Globo sobre viagem de Lula exibe o que significa “imprensa comprada”

Publicado em 12 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Lula defende viagem à Rússia e diz que críticas são “exploração política”

Lula disse que as críticas são “especulações políticas”

Leonardo Corrêa
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Foi com dureza e precisão que Estadão e a Folha de S.Paulo reagiram à visita de Lula à Rússia. Em editoriais contundentes, os dois maiores vespertinos paulistas não pouparam o presidente brasileiro pelo gesto de confraternização com Vladimir Putin, no coração de Moscou, durante as comemorações do chamado “Dia da Vitória”.

A Folha classificou a viagem como um “erro diplomático patente”, denunciando a deferência a um autocrata que promove guerra e violações massivas aos direitos humanos. Já o Estadão foi além: evocou o peso da História e carimbou a cena com palavras que não se esquecem — “o dia da infâmia da política externa brasileira”.

SEM NEUTRALIDADE – Ambos editoriais reconheceram o gesto como mais que simbólico: viram nele a falência de qualquer pretensão de neutralidade, e a submissão da diplomacia brasileira a uma lógica antiocidental.

Lula, ladeado por ditadores latino-americanos, assistiu ao desfile de mísseis que hoje esmagam cidades ucranianas. Para os jornais de São Paulo, a presença não foi um deslize; foi um manifesto, uma escolha. Um país que diz prezar pela paz não se senta à mesa com quem abraça a guerra.

No entanto, entre as grandes redações nacionais, um nome destoou. O Globo, sempre pronto a assumir o centro do debate institucional, desta vez foi tímido. Publicou um editorial antes da visita, ainda no tom das advertências diplomáticas. Condenou a reinterpretação histórica feita por Putin sobre a Segunda Guerra Mundial, mas evitou criticar diretamente o presidente brasileiro.

SEM COMENTÁRIOS – Nem a imagem de Lula na Praça Vermelha, diante de ogivas e tanques, foi suficiente para arrancar do jornal da família Marinho ao menos uma nota à altura do que se viu nos editoriais do Estadão e da Folha.

A razão talvez não esteja nas páginas de opinião, mas nas cifras da publicidade oficial. Segundo levantamento publicado pela Veja, entre 2023 e 2024 a Rede Globo recebeu R$ 177,2 milhões da Secretaria de Comunicação do governo Lula — valor que supera o total repassado à emissora durante os quatro anos de Jair Bolsonaro.

Em 2024, sozinha, a Globo ficou com 53% de toda a verba federal de publicidade destinada às principais TVs do país. Não se trata de conjectura: trata-se de números. Dados públicos que expõem um elo financeiro robusto entre o governo e a emissora que, por décadas, se autodenominou “independente”.

LUCRO ESPANTOSO – Mais do que isso: enquanto os demais grupos de mídia receberam valores menores e até decrescentes, a Globo viu seu lucro saltar 138% em 2024, chegando a impressionantes R$ 2 bilhões, conforme revelou reportagem publicada pelo portal Teletime em abril de 2025. A coincidência entre esse crescimento exponencial e o volume de repasses publicitários da Secom é eloquente demais para ser ignorada.

Diante disso, é legítimo perguntar: por que um jornal que sempre se destacou por seus editoriais vigorosos parece agora tão contido diante de um episódio tão grave? Por que a maior emissora do país, diante do constrangimento internacional causado por um presidente que se associa a ditadores e autocratas, responde com o silêncio?

A resposta pode não estar apenas na redação, mas no caixa. Quando a crítica custa caro, a complacência vira investimento. A verdade, então, não se cala: se o Estadão e a Folha ainda cumprem o papel de imprensa livre, O Globo parece cada vez mais satisfeito em atuar como assessoria de imprensa do poder. Um poder que paga bem.

VÍCIO SISTÊMICO – Mais do que omissão, o comportamento de O Globo expõe um vício sistêmico: quando o dinheiro do pagador de impostos é usado pelo governo de ocasião para financiar o discurso, a liberdade de expressão se desfaz. Não há neutralidade possível quando o Estado banca o microfone.

A crítica se torna concessão, o silêncio vira contrato, e a imprensa deixa de servir ao público para servir ao poder. O jornalismo independente não sobrevive onde a publicidade oficial compra a pauta e entorpece a vigilância. Nesse cenário, não há pluralismo — há alinhamento. Não há voz — há eco.

Enquanto isso, os mísseis dos censores não desfilam apenas em Moscou — apontam, cada vez mais, para as redes sociais.

SEM CUSTOS – Nas redes sociais, onde não há verba da Secom, não há controle por contrato. São vozes soltas, sem pauta vendida, sem blindagem estatal. E é justamente por isso que incomodam tanto.

As plataformas digitais expõem o que os editoriais calados escondem: a opinião dos indivíduos, não a conveniência dos grupos. Onde o dinheiro público não chega, a liberdade resiste. No fim, o que se cala pesa mais do que o que se diz. A imprensa existe para ser contrapeso, não escudo. Quando falha em denunciar o poder, torna-se cúmplice dele. E quando o silêncio é comprado com dinheiro público, a verdade passa a ter preço — e o cidadão, a pagar com desinformação.

Mas há ainda quem escreva sem patrocínio, quem fale sem filtro, quem resista sem medo. São essas vozes, dispersas e indomáveis, que mantêm viva a centelha da liberdade. Mesmo quando tudo parece dominado, elas lembram que o eco não é a única forma de som.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Relevante artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas, ex-secretário de Administração do Governo RJ. Exibe a desfaçatez da imprensa comprada e destaca a importância da imprensa independente. (C.N.)


Cabrini investiga fraude milionária do INSS

Inflação alta de abril surpreende e reforça a pressão sobre juros

Publicado em 11 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Alimentação e saúde afetam IPCA de abril

Pedro do Coutto

A inflação brasileira voltou a ganhar fôlego em abril, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando avanço de 0,43%, conforme divulgado na última sexta-feira. O resultado, impulsionado principalmente pelos segmentos de alimentação, bebidas, saúde e cuidados pessoais, reacendeu o alerta sobre a trajetória dos preços e trouxe novas dúvidas quanto ao rumo da política monetária.

O que mais chamou a atenção dos analistas, porém, foi o comportamento dos chamados núcleos da inflação — indicadores que excluem itens voláteis para captar tendências mais duradouras. A média desses núcleos avançou 0,50% no mês, sinalizando uma inflação mais resistente do que o esperado.

DEMANDA  – Entre os destaques do período, figuram a aceleração nos preços de bens industrializados — puxada por vestuário — e o avanço no setor de serviços, especialmente alimentação fora do lar e serviços pessoais. Esses componentes são tradicionalmente mais sensíveis ao nível de atividade econômica e, portanto, indicam uma demanda ainda aquecida.

Desde o final de 2024, a inflação de serviços tem se mantido elevada, oscilando entre 7,5% e 8% em termos anuais. Essa persistência sugere que o mercado de trabalho segue forte, o que sustenta o consumo das famílias e dificulta o processo de desinflação. Já a alta nos preços de bens industrializados pode refletir tanto o ritmo mais robusto da economia quanto os efeitos residuais da desvalorização cambial observada no fim do ano passado.

Apesar de alguns alívios pontuais — como a queda nos preços das passagens aéreas e o recuo nos alimentos consumidos no domicílio, especialmente os in natura —, o IPCA acumulado em 12 meses subiu para 5,53%, reforçando a percepção de um cenário inflacionário ainda desafiador.

FLEXIBILIZAÇÃO MONETÁRIA – Diante desse panorama, economistas avaliam que o ciclo de flexibilização monetária pode ser interrompido. A expectativa majoritária do mercado aponta para uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 18 de junho.

Em um contexto de inflação resiliente e atividade econômica firme, os dados de abril reforçam a ideia de que o Banco Central poderá adotar uma postura mais cautelosa, adiando eventuais cortes de juros para o último trimestre do ano.

DIAGNÓSTICO – O desempenho do IPCA em abril reforça o diagnóstico de uma inflação estruturalmente mais resistente, em grande parte alimentada por um mercado de trabalho ainda aquecido e pela força do consumo em serviços. A combinação de núcleos inflacionários elevados, aceleração em bens industrializados e ausência de sinais claros de arrefecimento nos componentes cíclicos desenha um cenário que impõe desafios relevantes à condução da política monetária.

A leitura dos dados sugere que o espaço para cortes adicionais na taxa Selic se estreitou substancialmente. Em vez disso, o Banco Central poderá ser compelido a interromper o ciclo de afrouxamento — ou até mesmo reverter parte dele — caso a pressão inflacionária persista nos próximos meses.

A manutenção da credibilidade da autoridade monetária exigirá, neste momento, uma comunicação firme e decisões calibradas com base em dados, evitando alimentar expectativas de acomodação diante de uma inflação que ainda mostra resiliência preocupante.

Importantes dicas para conseguir suportar a politização da vida na democracia


O que é a democracia, em teoria, e no que ela se baseia?

É preciso a aprender a viver e a conviver no regime democrático

Vinicius Mota
Folha

A democracia deveria ser chata. O tédio indica que as coisas funcionam bem, políticos e partidos circulam pelas posições de poder quase aleatoriamente e sem solavancos, juízes de que não se sabe o nome fazem o seu trabalho com tranquilidade, e os demais serviços públicos acontecem como o dia sucede a noite. As pessoas tocam a vida sem se ocupar muito do que ocorre nos palácios e nas assembleias.

Há mais de dez anos esse padrão se alterou num punhado de países democráticos. Simulacros de batalhas de vida ou morte impregnaram o cotidiano. Tornou-se hábito denunciar as agendas ideológicas de cientistas, artistas, professores, magistrados, empresários, sacerdotes, esportistas, diplomatas, jornalistas e inseri-las no grande jogo da política.

BAGUNÇAR O CORETO – Ganhar eleição virou credencial para bagunçar o coreto institucional e sabotar contratos sociais profundos e longevos.

Como a autoajuda ainda não saiu de moda, arrisco algumas sugestões para atravessar esse período tempestuoso minimizando, quem sabe, as avarias no casco mental.

Brasília é Brasil. Não caia no conto do vigário de que a política se transformou num clube fechado de privilegiados imorais dedicados a esfolar os bons cidadãos na planície. Se você for eleito presidente e seus amigos virarem deputados, senadores e ministros do Supremo, a situação não melhora.

SITUAÇÃO E OPOSIÇÃO – O radical é o conservador de amanhã. A história universal dos agitadores mostra que o espírito da abertura à novidade é espancado tão logo o demagogo molda o governo à sua feição e se cerca de bajuladores. Na oposição a gente faz bravata, disse um sábio político brasileiro. Acredite nele.

Político não é salvador nem exterminador da pátria. A paixonite por um candidato deveria ser encarada e tratada como síndrome aditiva. O ódio mortal também. Em regimes democráticos o pior canalha acerta aqui e ali, e o melhor estadista de vez em quando apronta uma cabeluda. Venere e execre entidades sobrenaturais, não seres humanos.

Política nacional nem sempre salva a lavoura. É mais importante preocupar-se com a instrução que as crianças recebem num raio de 5 km de você do que esgoelar-se pela anistia em Brasília. Governos e burocracias locais fazem diferença em temas cruciais.

SEM CELEBRIDADES – Politizar e moralizar tudo é artimanha de preguiçosos e néscios. A despeito das opiniões políticas de García Márquez, Vargas Llosa, Nana Caymmi e Aldir Blanc, um universo estético e artístico com códigos próprios envolve as suas obras.

Navegar por ele e nele desenvolver afinidades e críticas faz bem à alma, propicia elevação e gozo. O crápula pode ser sublime, e a vestal, cantar como uma gralha. O que uma celebridade afirmou sobre eleições e candidatos não tem valor especial. Ignore.

Há menos conspirações do que imagina nossa vã ideologia. Maquinações de vilões para destruir o planeta só abundam nos filmes da Marvel. Empresas farmacêuticas não planejam controlar nossos corpos ou evitar que a natureza sozinha nos cure e nos fortaleça. Falta de vacina e de antibiótico pode matar mesmo, e a melhor opção não estará nos florais de Bach, no leite cru, na cloroquina nem na homeopatia.

INFORME-SE, SEMPRE – Valorize o saber, não os sabichões. Procure ser menos conclusivo e mais especulativo ao abordar um campo de conhecimento que mal arranha. Amplie suas informações, aprenda sobretudo a fazer as boas perguntas e a tomar distância de quem posa de profeta para anunciar novidades radicais.

Política é teatro cívico. Os papéis se invertem, inimigos viscerais se tornam aliados, as derrotas e as vitórias nunca são totais nem irreversíveis. Faça como um político, não odeie a ponto de não negociar; não ame a ponto de não contrariar.

Converse com quem você acha que detesta. Teclar é fácil, quero ver dizer barbaridades de uma pessoa na frente dela, num papo individual. Provavelmente vocês descobrirão que estão mal informados sobre as convicções de cada um, que há preocupações e defeitos comuns e que não vale a pena gastar tanta energia com política. Ouça, repense, proponha.


A pedido da Procuradoria, Moraes enfim determina prisão domiciliar para Roberto Jefferson


Hospital em que Jefferson está internado diz que político já pode ter alta

Roberto Jefferson deve continuar seu tratamento em casa

Maria Clara Matos
da CNN

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou, nesta sexta-feira (9), favorável ao regime de prisão domiciliar a Roberto Jefferson, e no dia seguinte o ministro Alexandre de Moraes concedeu o benefício. Ele deverá ficar na cidade de Comendador Levy Gasparian (RJ), onde tem residência.

Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão do passaporte. O ex-congressista está proibido de deixar o país, usar as redes sociais, dar entrevistas a qualquer veículo de mídia e receber visitas além de advogados, familiares e pessoas previamente autorizadas pela corte.

SAÚDE PRECÁRIA – A PGR entendeu que a mudança se fazia necessária por motivos de saúde do ex-deputado federal, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 9 anos de prisão por atentado ao exercício dos Poderes, incitação ao crime e homofobia.

No parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, citou relatórios médicos enviados pelo Hospital Samaritano Botafogo, onde Jefferson está internado desde junho de 2023.

O laudo médico descreve um quadro clínico de crises convulsivas, desnutrição calórico-proteica, possível foco de infecção em cavidade oral e síndrome depressiva grave.

CÂNCER E DIABETES – Além disso, os documentos apontam um histórico de uma série de tipos de câncer: no pâncreas, tireoide e cólon; além de diabetes.

“A prisão preventiva é medida cautelar pessoal extrema, que será determinada apenas quando, no caso concreto, não for cabível a imposição de medidas alternativas”, argumentou Gonet.

“Diante da documentação mais recente, é imperioso reconhecer a inviabilidade de realização do tratamento no âmbito do sistema carcerário”, continuou. “Portanto, revela-se necessária, adequada e proporcional a substituição da prisão preventiva pelo recolhimento domiciliar.”

DEPENDE DE MORAES – Em abril, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) já havia convertido a prisão preventiva do ex-deputado em regime domiciliar, no processo relativo à ocasião em que Jefferson atacou policiais federais com granadas e tiros ao resistir à prisão, em 2022.

Devido ao processo no STF, porém, ele seguia em regime fechado.

Agora, com a manifestação da PGR, cabe ao Supremo, por meio do ministro relator, Alexandre de Moraes, definir como Jefferson vai cumprir a pena imposta pelo Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não tinha sentido manter a prisão de Jefferson, cheio de comorbidades e que já saiu do mapa da política. Ele tem uma aposentadoria ótima, da Câmara Federal, e pode suprir todas as despesas de tratamento, com sua mulher comandando as necessárias cuidadoras. Jefferson está acabado e não pode mais fazer mal a ninguém, Mesmo assim, Moraes o submete à tornozeleira e toma o passaporte. O ministro confunde justiça com perversidade. (C.N.)


Perdido, só resta a Lula sua velha estratégia de culpar os governos anteriores


Nenhuma descrição de foto disponível.

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Fabiano Lana
Estadão

Até que ponto funciona colocar a responsabilidade no antecessor por todo mal que há num país? A estratégia é bastante utilizada pelo Partidos dos Trabalhadores, mas é uma espécie de artimanha universal da política. O culpado é sempre o outro, o anterior, em geral, pertencente a uma turma incompetente e mal-intencionada. O grupo ora no poder apenas se esforça para remendar a situação herdada.

Mais incrível é que isso é também dito quando crimes e barbaridades continuam a acontecer sob os olhares dos mandatários atuais e em dimensão crescente. É possível que tal estratégia, com todo o cinismo envolvido, dê certo outra vez nesse escândalo do INSS? Não, porque o país é outro.

GUERRA DE VERSÕES – Se a gente fizer uma metáfora da guerra de versões que há no mundo político sobre o escândalo do furto de parte da aposentadoria de milhões de idosos, poderíamos dizer o seguinte: Bolsonaro destrancou o galinheiro, mas os ovos foram roubados para valer no governo Lula, sob a gestão do ministro Carlos Lupi.

Assim tem sido o nível do debate político em que há até reunião ministerial – com direito a troca de acusações internas – para debater a reação a um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), cuidadosamente editado para tornar mais superlativas as falhas da gestão Lula e buscar zerar a responsabilidade de Bolsonaro, ao contrário.

Vídeo, aliás, que é da luta política. Nikolas, aliás, de uma maneira mais ágil e tecnológica, sem igual nos oponentes, faz o que os petistas sempre fizeram com os tucanos, que se mantinham inertes. Atacar com veemência utilizando as armas mais atuais à disposição – hoje são as redes.

É de alguma maneira óbvio que a oposição tem de se aproveitar de uma ideia na qual o rombo no contribuinte seja pago pelo Tesouro, ou seja, pelo próprio contribuinte.

TUDO MUITO ÓBVIO – É bom lembrar que o PT já tomou posse no Palácio do Planalto, em 2003, cravando o rótulo de “herança maldita” no governo de Fernando Henrique Cardoso. No caso do mensalão, de 2005, o PT alegou que seria um esquema de origem tucana, do governo de Minas, e vivíamos apenas a consequência daquele mal, criado há tempos.

As pedaladas da então presidente Dilma no orçamento público também seriam um hábito do governo FHC, apenas repetido. A corrupção da Petrobras era, desde a fundação da empresa, tão visada pelos tubarões. N

essa conversa toda, cuidadosamente, omitia-se que os valores desviados ou irregulares desses escândalos cresciam de maneira exponencial nas gestões Lula e Dilma à frente do governo federal.

SEM VANTAGEM – O problema é que a esquerda não tem mais a vantagem no debate público que tinha anteriormente. Num momento de perda de poder relativa de sindicatos, dos intelectuais orgânicos, dos artistas bajuladores, cada twitter, cada postagem na defesa do governo possui uma quantidade astronômica de replays críticos, agressivos e muitas vezes apenas colocando os pingos nos is, com os fatos.

O Partido dos Trabalhadores não estava acostumado a atuar nesse ambiente acirrado. Era mais fácil quando seus representantes diziam que estavam do lado do povo, mas sob combate cerrado da mídia e das elites predatórias.

A população agora tem redes sociais para expressar – apesar de toda manipulação envolvida – e o que temos é uma sociedade dividida, com uma militância antipetista ultra-atuante a barrar certas estratégias que funcionaram no passado.

PT MAIS FRACO – Hoje, inclusive, o PT quer controlar as redes não devido aos abusos, mas porque vê que o caos cibernético torna a agremiação mais fraca. “A indignação moral sempre esconde vontade de poder”, já dizia um filósofo bigodudo do século 19 – Friedrich Nietzsche.

Portanto, ficou mais difícil sempre jogar os problemas para debaixo do tapete – ou seja, eternamente para o antecessor. Agora existe o contra-argumento até mesmo histriônico e barulhento da internet.

Tornou-se inócua a cadeia de desculpas, pois podemos, inclusive, num processo histórico, falar, sucessivamente, que a culpa foi de FHC, de Sarney, de Collor, dos militares, de Getúlio Vargas, da velha República, do império, de Tomé de Souza, o primeiro governador-geral do Brasil, e quem sabe, de Pedro Álvares Cabral, que teve a desdita de nos “descobrir” para levar a culpa de todas as nossas mazelas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente artigo, enviado por José Carlos Werneck. A bem da verdade, devemos esclarecer que a brecha para lesar aposentados surgiu em 2003, com a lei do empréstimo consignado, criada por Lula. O resto foi consequência nos governos Dilma, Temer, Bolsonaro e novamente Lula, quando o golpe bateu todos os recordes. (C.N.)  


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