sábado, dezembro 28, 2024

Pacheco encerra gestão marcada por 8/1, blindagem a ministros do STF e avanço de Lira

 Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo

O senador Rodrigo Pacheco28 de dezembro de 2024 | 07:22

Pacheco encerra gestão marcada por 8/1, blindagem a ministros do STF e avanço de Lira

brasil

Rodrigo Pacheco (PSD-MG), 48, encerra os quatro anos de mandato como presidente do Senado em uma transição de fazer inveja a qualquer político do centrão. Se, em 2021, chegou ao cargo como candidato de Jair Bolsonaro (PL), em 2024, deixa o posto como cotado para ministro de Lula (PT).

Tido pelos amigos como diplomático e pelos críticos como fraco, Pacheco recorreu à fama de discrição dos mineiros para atravessar o rearranjo de forças imposto pela mudança de governo e dividir espaço com um dos presidentes mais poderosos da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Na batalha com a chamada “Casa Baixa” —ou, como prefere dizer, com a “Casa ao lado”—, Pacheco viu Lira abocanhar poderes do Senado quando acabou com a tramitação de medidas provisórias e mudou o regimento para que os deputados ficassem com a palavra final sobre os projetos.

Certa vez, brincou com a diferença de estilo. “Este é o cachorro do Arthur Lira”, disse ao ser interrompido por latidos que vinham da casa vizinha, de Lira. “É o cachorro de propriedade do Arthur Lira. O coelho mudou para cá. Não aguentou o ambiente, aqui é mais tranquilo”, emendou a piada.

A queda de braço que afastou os dois presidentes durante meses acabou de lado em prol das emendas parlamentares. Usadas como moeda de troca política, as emendas de relator foram instituídas no Congresso em gestões anteriores, mas ganharam novas dimensões com Pacheco e Lira.

Os dois estavam juntos quando o STF decidiu pela inconstitucionalidade delas e quando o ministro Flávio Dino cobrou mais transparência —sobretudo na distribuição das turbinadas emendas de comissão.

Senadores próximos a Pacheco não escondem esperar que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), seu antecessor e possível sucessor, inverta o jogo de poderes com a Câmara em 2025. Apesar disso, alegam que o mineiro será lembrado pelo conjunto da obra.

“Rodrigo Pacheco, por contingência da vida, acabou vivendo momentos muito críticos da história do país”, diz o futuro líder do PT, Rogério Carvalho (SE), destacando primeiro a pandemia de Covid-19 e, depois, as “tentativas golpistas” —desde o desfile de tanques na Esplanada em meio à gestão Bolsonaro até o ataque de 8 de janeiro.

“Ele tem no currículo um período extremamente conturbado, em que se conduziu com grande competência, capacidade de articulação, mediação. Alguns queriam que ele fosse mais agressivo, mas ele, do jeito dele, conseguiu se conduzir de forma bastante apropriada para o momento que a gente vivia, de muita tensão.”

Pacheco foi eleito presidente pela primeira vez em uma costura política improvável feita pelo então presidente, Alcolumbre (tão novato quanto ele), contra o MDB de Simone Tebet, em um momento em que o Brasil vivia as drásticas consequências da pandemia.

Pacheco resistiu o quanto pôde em abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação do governo Bolsonaro e disse preferir medidas propositivas, como o projeto de lei para facilitar a compra de vacinas contra a Covid, do qual se orgulha de ser autor.

“A CPI poderá, sim, ter um papel de antecipação de discussão político-eleitoral de 2022, de palanque político, que é absolutamente inapropriado para este momento”, declarou.

O desfecho, a contragosto, veio por ordem do Supremo —no primeiro de muitos episódios envolvendo os dois Poderes que marcariam sua presidência. Após determinação do STF, Pacheco instalou a CPI que se tornaria um dos principais focos de desgaste de Bolsonaro, mesmo com o relatório final engavetado.

A comissão abalou a relação com o bolsonarismo e serviu de prenúncio para os embates que viriam depois. Pacheco já tinha indicado que não abriria impeachment contra ministros do tribunal, mas precisou se posicionar abertamente depois que o próprio Bolsonaro pediu a cassação de Alexandre de Moraes.

O senador também endureceu o discurso em defesa das urnas em meio à escalada do ex-presidente. Após o ataque de 8 de janeiro —em que deu carta branca para prisões—, marcou posição ao dizer que eventual anistia não seria votada enquanto estivesse na presidência.

“Muita gente pode criticar o Rodrigo, mas ele passou os piores momentos da República na pós-redemocratização. Tem nosso respeito”, disse o líder do PSD, Omar Aziz (AM), ao anunciar que o partido apoiaria Alcolumbre.

A cisão interna ficou ainda mais evidente nas eleições de fevereiro de 2023, quando derrotou o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN) —em uma disputa vista como reflexo da polarização entre Lula e Bolsonaro.

O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), não esconde a mágoa do grupo. Também critica a postura de Pacheco frente ao STF, ressaltando a situação do colega Marcos do Val (Podemos-ES), que teve as redes sociais bloqueadas por ordem de Moraes.

“Esse desgaste nas relações prejudicou não só o mandato dele, mas criou um clima de desarmonia entre os senadores de situação e de oposição e deixou um vácuo. E eu credito a isso a interferência do Poder Judiciário no Poder Legislativo e o acirramento das relações.”

Mesmo afastando a possibilidade de impeachment, Pacheco patrocinou investidas contra o tribunal ao reabilitar a tese do marco temporal e apresentar, ele próprio, a proposta de emenda à Constituição que criminaliza a posse e o porte de drogas.

Pacheco também comprou a briga da elite do funcionalismo público e tentou restabelecer, sem sucesso, o quinquênio, benefício que garante aumento automático de 5% do salário para juízes e promotores a cada cinco anos.

O senador se esquiva dos rumores sobre a possibilidade de virar ministro, promete passar os próximos dois anos no gabinete 24 do Senado (número que ficou apagado antes dele, em uma manifestação implícita de homofobia) e até deixar a política depois disso.

Aliados mantêm a aposta no nome dele para o governo de Minas Gerais. Um amigo que prefere não ser identificado diz que, desde que entrou na política, o senador nunca pôde reclamar de falta de sorte —ignorando a tentativa fracassada de disputar a Presidência da República, em 2022, como terceira via.

Após a votação do pacote de gastos, Pacheco celebrou a reforma tributária —que considera um de seus principais legados— e começou a se despedir. “Busquei ser o mais democrático possível, respeitoso com a oposição e com a situação, com todos os colegas”, declarou.

A TRAJETÓRIA DE PACHECO NA POLÍTICA

Atuação na advocacia

Advogado criminalista e conselheiro federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Pacheco defendeu envolvidos no escândalo do mensalão e chegou a criticar o poder de investigação do Ministério Público.

Eleição para a Câmara dos Deputados

Foi eleito deputado federal pelo PMDB em 2014 em sua primeira disputa, com 92 mil votos. Nascido em Porto Velho (RO), o político cresceu em Minas Gerais e sempre se lançou candidato pelo estado.

Disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte

À época deputado federal, Pacheco disputou a prefeitura da capital mineira em 2016 pelo PMDB, mas acabou em terceiro lugar, com 10% dos votos válidos. No segundo turno, apoiou o candidato derrotado por Alexandre Kalil (PHS), João Leite (PSDB).

Presidência da CCJ da Câmara

Na Câmara, Pacheco foi eleito em 2017 presidente da comissão mais importante, a de Constituição e Justiça, por unanimidade, ao ser indicado pelo PMDB, partido com o maior número de deputados federais.

Na época, ele era cotado para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Michel Temer no lugar de Alexandre de Moraes. Pacheco era presidente da CCJ quando Temer foi denunciado por corrupção passiva.

Eleição para o Senado

Em 2018, filiou-se ao DEM (atual União Brasil) e disputou uma das duas vagas ao Senado por Minas Gerais. Foi eleito em primeiro lugar, com 20,54% dos votos, derrotando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que acabou em quarto.

Eleição para a presidência do Senado

Foi eleito presidente do Congresso em 2021, derrotando Simone Tebet (MDB), depois que o então presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi impedido pelo STF de disputar o segundo mandato. Na ocasião, conseguiu o apoio de Jair Bolsonaro e da bancada do PT.

Filiação ao PSD

De olho na Presidência da República, Pacheco trocou o DEM pelo PSD em 2021. A cerimônia de filiação ocorreu no Memorial JK, em Brasília, em uma clara tentativa de associação com o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961). Na ocasião, Pacheco criticou a polarização política e a situação do país.

Pré-candidatura à Presidência em 2022

Pacheco ensaiou se candidatar a presidente da República em 2022, contra Lula e Bolsonaro, como terceira via, mas desistiu em março. Sem decolar nas pesquisas, deixou a disputa dizendo nunca ter afirmado que se lançaria ao cargo.

Reeleição para a presidência do Senado

Em 2023, derrotou o ex-ministro de Bolsonaro Rogério Marinho (PL-RN) e foi reeleito para mais dois anos de mandato por 49 votos a 32. A disputa foi tratada como reflexo da queda de braço entre Lula e Bolsonaro.

Saída da presidência do Senado

Pacheco deixa a presidência do Senado cotado para um ministério no governo Lula e para o governo de Minas Gerais em 2026 como candidato do petista. “O Pacheco no início do governo era meu inimigo. Hoje é meu amigo”, disse o presidente da República no mês passado.

Thaísa Oliveira e Renato Machado/Folhapress
PoliticaLivre

Está estudando? Veja lista de concursos públicos do Judiciário para 2025 em todo Brasil

 

Está estudando? Veja lista de concursos públicos do Judiciário para 2025 em todo Brasil
Foto: Reprodução

Atenção concurseiros! Ao menos seis concursos públicos de órgãos do Poder Judiciário e sistema de Justiça estão ou abrirão em breve inscrições, com previsão de aplicação das provas ainda em 2025. As oportunidades são para as regiões sudeste, norte, centro-oeste e nordeste.

 

Veja lista abaixo:

 

MINAS GERAIS

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) abriu certame para Outorga de Delegações de Notas e de Registro. No ingresso por provimento são 210 vagas e para ingresso por remoção, 117 vagas. Podem se inscrever bacharéis em Direito ou que tenham completado 10 anos de exercício da função em serviço notarial ou de registro. 

 

As inscrições estarão abertas no período de 17 de fevereiro a 18 março, até às 16h – horário de Brasília –, no site da Consulplan, realizadora do processo seletivo. A taxa é no valor de R$ 340. 

 

O processo seletivo será composto por prova objetiva, prova escrita e prática, comprovação dos requisitos, prova oral e exame de títulos. 

 

As provas objetivas estão previstas para o dia 3 de maio, e terão temas de Direito Notarial e Registral e Conhecimentos Gerais, Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Penal e Processual Penal, Direito Tributário, Direito Empresarial, e Direito Administrativo e Constitucional.

 

SÃO PAULO

Já o TJ de São Paulo está com dois concursos abertos, para assistente social judiciário e psicólogo judiciário, com 137 vagas para cada um. As inscrições irão de 8 de janeiro a 10 fevereiro no site da Fundação Vunesp. A taxa de inscrição é R$ 96. 

 

A prova objetiva está prevista para acontecer no dia 6 de abril. Quem se classificar também terá que passar por uma prova título. 

 

Ainda no estado paulista, o Tribunal Regional do Trabalho de Campinas – 15ª Região – tem vagas em aberto para analista e técnico judiciário. As inscrições encerram em 20 de janeiro, no site da Fundação Carlos Chagas. A taxa varia de R$ 90 a R$ 100. 

 

A previsão é de que as provas objetiva e discursiva aconteçam em 30 de março. Para o cargo de Técnico Judiciário - Área Administrativa - Especialidade Agente da Polícia Judicial também terá prova prática de aptidão física.

 

Os cargos disponíveis no concurso são:

 

  • Analista Judiciário - Área Administrativa; 

  • Analista Judiciário - Área Judiciária; 

  • Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal; 

  • Analista Judiciário - Área Administrativa - Especialidade Contabilidade; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquivologia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Biblioteconomia;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Comunicação Social;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia Civil;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia Elétrica;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia Mecânica;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia Segurança do Trabalho; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Estatística; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Fisioterapia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade História; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Medicina; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Medicina do Trabalho;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Medicina Psiquiatria;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Odontologia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Odontologia Endodontia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Psicologia; 

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Serviço Social;

  • Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação; 

  • Técnico Judiciário - Área Administrativa; 

  • Técnico Judiciário - Área Administrativa - Especialidade Agente da Polícia Judicial;

  • Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem do Trabalho; 

  • Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação.

 

TOCANTINS E DF

Em Tocantins, a seleção é para o Tribunal Região do Trabalho (TRT-TO). Por lá são nove vagas, além de formar cadastro reserva, para os cargos de analista judiciário e técnico judiciário. As vagas estão distribuídas entre para Tocantins e Distrito Federal.

 

As inscrições seguem abertas até às 18h do dia 17 de janeiro (horário oficial de Brasília), pelo site do Cebraspe, com taxas de R$ 90 a R$ 120.

 

A previsão é de que a prova objetiva seja aplicada em 16 de março. Para concorrer é preciso ter nível superior correspondente à área em que pretende atuar. O salário varia entre R$ 8.529,65 a R$ 16.035,69.

 

As vagas disponíveis são as seguintes:

  • Analista Judiciário: Área Administrativa - Especialidade: Contabilidade; 

  • Analista Judiciário Área: Apoio Especializado - Especialidade: Arquitetura; 

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Arquivologia; 

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Comunicação Social;

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Enfermagem do Trabalho;

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado- Especialidade: Engenharia (Civil); 

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Estatística; Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: História; 

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Cardiologia);

  • Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Serviço Social; Analista Judiciário: Apoio Especializado - Especialidade: Tecnologia da Informação; 

  • Analista Judiciário: Área Judiciária (3 vagas); 

  • Analista Judiciário Área: Judiciária - Especialidade: Oficial de Justiça Avaliador; Técnico Judiciário - Área: Administrativa (5 vagas); 

  • Técnico Judiciário - Área: Administrativa - Especialidade: Agente da Polícia Judicial (1 vaga).

 

CEARÁ

A Procuradoria-Geral do Ceará (PGE-CE) tem 40 vagas no concurso para o cargo de Técnico de Representação Judicial. As inscrições terminam no dia 8 de janeiro, às 17h, e devem ser feitas no site da Comissão Executiva do Vestibular da Universidade Estadual do Ceará, com taxa de R$ 250. 

 

As funções disponíveis são para Técnico de Representação Judicial / Direito (19 vagas); Técnico de Representação Judicial / Administração (7 vagas); Técnico de Representação Judicial / Contabilidade (5 vagas); Técnico de Representação Judicial / Engenharia Civil (1 vaga); Técnico de Representação Judicial / Engenharia de Produção (1 vaga); Técnico de Representação Judicial / Tecnologia da Informação - Análise e Desenvolvimento de Sistemas (4 vagas); Técnico de Representação Judicial / Tecnologia da Informação - Infraestrutura (3 vagas).

 

Os aprovados terão jornada de 40 horas semanais, com salário de R$ 5.938,70.

 

SERGIPE

Já em Sergipe, o Tribunal de Justiça abriu seleção para uma vaga de juiz substituto, além de cadastro reserva. As inscrições seguem até 16 de janeiro, no site da FGV. A taxa é R$ 340. 

 

Podem participar do concurso quem tem diploma de bacharel em Direito, atividade jurídica pelo período mínimo de três anos, contados a partir da obtenção do grau de bacharel em Direito; e ter menos de 65 anos na data da posse.

 

A seleção é dividida em uma série de etapas: prova objetiva seletiva, prevista para 13 de abril; provas escritas (discursiva e sentenças), com previsão para os dias 8 e 9 de junho; sindicância da vida pregressa e investigação social; exame de sanidade física e mental; exame psicotécnico; prova oral; análise de títulos.

 

Segundo o edital, o valor do subsídio do cargo é no valor de R$ 34.052,96.

Lula sanciona, com dois vetos, projeto de lei sobre BPC no pacote de corte de gastos

 

Lula sanciona, com dois vetos, projeto de lei sobre BPC no pacote de corte de gastos
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta sexta-feira (27), com dois vetos, o projeto de lei que altera as regras do BPC (Benefício de Prestação Continuada), uma das medidas do pacote fiscal do governo federal.
 

No texto publicado em edição extra do Diário Oficial da União, Lula vetou o trecho que previa necessidade de se atestar deficiência de grau moderado ou grave para concessão do benefício.
 

"A proposição legislativa contraria o interesse público, uma vez que poderia trazer insegurança jurídica em relação à concessão de benefícios", afirma o governo no diário oficial. O veto era esperado após a tramitação do texto no Senado, onde foi aprovado na última sexta (20).
 

Já o outro veto anula o fim de um mecanismo do Bolsa Família sobre reingresso de beneficiários.
 

"A proposição legislativa contraria o interesse público, uma vez que poderia suscitar insegurança jurídica em relação às regras de elegibilidade para reingressar no Programa Bolsa Família", afirma o governo na justificativa do veto.
 

Após a aprovação das medidas na última semana, o Ministério da Fazenda informou que as mudanças feitas pelo Congresso no pacote devem reduzir o impacto econômico para R$ 69,8 bilhões entre 2025 e 2026.
 

O valor é R$ 2,1 bilhões menor do que os R$ 71,9 bilhões calculados originalmente pelo governo Lula envio das propostas, no fim de novembro.
 

Na tramitação do pacote, os parlamentares blindaram emendas obrigatórias contra bloqueios, afrouxaram o comando para combater supersalários, derrubaram boa parte das mudanças no BPC (Benefícios de Prestação Continuada) e excluíram a medida que permitiria à União reduzir os repasses futuros ao FCDF (Fundo Constitucional do Distrito Federal). Eles ainda restringiram a flexibilização em recursos repassados ao Fundeb (Fundo Nacional da Educação Básica).
 

O BPC é um benefício no valor de um salário mínimo (R$ 1.412, hoje) pago a idosos a partir de de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda (famílias que ganham até R$ 353 por pessoa).
 

Pela lei atual, "considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas".
 

A proposta apresentada pelo governo federal aos congressistas endurecia as regras para ter acesso ao BPC, mas o texto aprovado reduziu as mudanças.
 

Como é hoje:
 

Pessoa com deficiência, de qualquer grau, e idoso com renda familiar mensal per capita igual ou inferior a um quarto do salário mínimo tem direito ao BPC O valor total dos rendimentos, chamado de renda bruta familiar, deve ser dividido pelo número dos integrantes da família Entram no cálculo da renda familiar os valores de salários, proventos, pensões, pensões alimentícias, benefícios de previdência pública ou privada, seguro-desemprego, comissões, pró-labore, outros rendimentos do trabalho não assalariado, rendimentos do mercado informal ou autônomo e rendimentos vindos do patrimônio Remuneração da pessoa com deficiência na condição de aprendiz ou de estagiário e Bolsa Família não são considerados no cálculo Mais de uma pessoa da mesma família pode receber o BPC, desde que cumpra os critérios exigidos Como o governo propôs:
 

Apenas pessoas com deficiência incapacitadas para a vida independente teriam direito ao BPC Se uma pessoa da família tiver BPC ou aposentadoria, esse valor entraria no cálculo de renda per capita Ajuda recebida por quem não mora na mesma casa também entraria no cálculo da renda per capita Pessoas com bens cujo valor seja maior do que o limite para isenção do Imposto de Renda, incluindo imóveis rurais sem investimento (terra nua), não teriam direito Como o Congresso aprovou:
 

Será necessário apresentar a CID (Classificação Internacional de Doenças), no caso de pessoas com deficiência A renda do cônjuge ou do companheiro que mora junto não será considerada para verificar se há direito ao benefício Mais de uma pessoa da mesma família pode receber o benefício O cálculo de renda familiar deve considerar a soma dos rendimentos brutos mensais dos membros da família que vivem na mesma casa Obrigatória a atualização para cadastros desatualizados há mais de 24 meses A concessão do BPC vai depender de uma avaliação da deficiência em grau moderado ou grave, sem retirar a definição ampla da legislação atual (vetado).

Dnit tem 108 obras paralisadas no Brasil; Departamento é responsável por ponte que caiu

 

Dnit tem 108 obras paralisadas no Brasil; Departamento é responsável por ponte que caiu
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) soma 108 obras paradas em todo o Brasil, conforme dados do Tribunal de Contas da União (TCU). Os projetos interrompidos incluem serviços de recuperação, manutenção e conservação de rodovias federais e pontes, com investimento total previsto de R$ 3,7 bilhões.

 

Além disso, outras 973 obras estão em andamento, segundo informações do painel do TCU. O Dnit, que é vinculado ao Ministério dos Transportes, também é responsável por vias de navegação e ferrovias, além das rodovias federais. As informações são do site Metrópoles.

 

Os números mostram uma redução no total de obras paradas e em execução em comparação aos anos anteriores. Em 2023, havia 250 obras paradas e 1.551 em andamento. Em 2022, os números eram de 277 suspensas e 1.680 em construção.

 

O Dnit é responsável pela ponte que desabou entre Tocantins e Maranhão. A Ponte Juscelino Kubitschek desabou no último domingo (22) e ligava Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA). Já são nove mortos e oito desaparecidos. Corpos de duas vítimas foram encontrados a, aproximadamente, 35 metros de profundidade na última quinta-feira (26).

Em destaque

'Eu não sei se o governo foi traído ou se eu fui traído', diz Wagner sobre derrota de Messias no Senado

  'Eu não sei se o governo foi traído ou se eu fui traído', diz Wagner sobre derrota de Messias no Senado Por  Política Livre 11/05/...

Mais visitadas