domingo, outubro 22, 2023

Suprema agora “inventou” que marco temporal pode ferir cláusula pétrea da Constituição

Publicado em 22 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Isabella Lubrano on X: "Já que inventaram essa loucura de marco temporal só  para grilar e desmatar um pouco mais, deveriam usar este marco temporal  aqui. Excelente charge do @petitabell https://t.co/0k7ndjg7Si" /

Charge do Petit Abel (Arquivo Google)

Laryssa Borges e Leonardo Caldas
Veja

Era o dia 22 de maio quando o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reuniu em um jantar em Brasília três integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) para, com as devidas mesuras, discutir o enrosco do marco temporal, tese que estabelecia a data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, para se definir se indígenas têm ou não direito a terras atualmente ocupadas por não indígenas.

Àquela altura, o julgamento que o STF promoveria sobre o tema estava nas mãos do ministro Alexandre de Moraes que, presente ao jantar, havia pedido ainda em 2021 que o caso fosse discutido abertamente no plenário físico do tribunal.

SONDAGEM – A principal preocupação de Fávaro era sondar com o decano Gilmar Mendes, o ministro André Mendonça e com o próprio Moraes uma eventual alternativa caso o Supremo derrubasse o marco temporal. De acordo interlocutores presentes ao encontro, um dos magistrados aventou a hipótese de uma proposta de emenda à Constituição conseguir “legalizar” a tese do marco temporal.

Duas semanas depois, Alexandre de Moraes votou contra o marco, mesma posição que mais tarde seria adotada por Mendes. André Mendonça foi favorável à adoção da interpretação favorável aos agricultores, mas ao final o tribunal decidiu, por nove votos a dois, que a data da Constituição não pode servir de baliza para se delimitar a ocupação de terras por comunidades indígenas.

Passado o julgamento, hoje ministros do STF colocam em xeque a hipótese de que uma emenda à Constituição resolveria o caso e dizem que, se ela for levada adiante, possivelmente será declarada inconstitucional. 

CLAUSULAS PÉTREAS??? – Isso porque, quando o STF barrou o marco temporal, parte da decisão tocou nas chamadas cláusulas pétreas constitucionais, que não podem ser alteradas nem mesmo por uma PEC.

É cláusula pétrea, por exemplo, os direitos e garantias individuais, tema que permeou o voto da ministra Cármen Lúcia, que, entre outros pontos, disse que a posse da terra não pode ser desmembrada dos outros direitos fundamentais garantidos aos indígenas.

Na contenda sobre o tema, parlamentares aprovaram um projeto de lei sobre o marco temporal, mas o presidente Lula vetou grande parte do texto nesta sexta-feira, 20.

UMA NOVA PEC – Em mais um capítulo de um cabo de guerra que reflete em boa parte o empoderamento do Congresso 27 senadores de oposição apresentaram uma PEC para ressuscitar a tese do marco temporal.

Eles alegam que “ao definir um marco temporal, respeitamos a necessidade de proteger os direitos históricos das comunidades indígenas, ao mesmo tempo em que consideramos a importância de garantir a estabilidade das relações sociais, econômicas e territoriais em nosso país”, mas sabem desde já que, qualquer que seja o teor da discussão, o caso invariavelmente será levado mais uma vez às portas do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os ministros do Supremo estão mestres em “narrativas” e “interpretações”. É como se o restante da sociedade fosse formado de néscios e imbecis, prontos a engolir qualquer bobagem que eles digam. É necessário um marco temporal, caso contrário os índios podem dizer que são donos do Corcovado, da Pampulha, da Praça da Sé, da Usina de Angra dos Reis e da Praça dos Três Poderes, porque tudo era deles. O marco temporal nada tem a ver com cláusula pétrea, é uma tremenda conversa fiada. O que se torna necessário é apenas uma ressalva, para dizer que o marco temporal não tem validade nas causas em que os indígenas já estejam disputando a propriedade das terras na Justiça.  Simplesmente isso, sem essa enrolação dos insuportáveis supostos intelectuais de toga preta. (C.N.)

Manifesto contra censura reúne intelectuais de vários países e critica Supremo brasileiro

Publicado em 22 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

O cineasta Oliver Stone, um dos signatários do documento

Deu na Folha

Um grupo de intelectuais de diversos países divulgou na última quarta-feira (18) um manifesto em defesa da liberdade de expressão e contra o que classificam como censura que vem sendo praticada pelo mundo.

Um dos exemplos citados no texto é a “criminalização do discurso político” pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro.

DIREITA E ESQUERDA – Os signatários incluem acadêmicos da direita à esquerda. Entre eles estão os jornalistas Julian Assange, Glenn Greenwald e Bari Weiss, a ativista de direitos humanos Ayaan Hirsi Ali, o cineasta Oliver Stone, o ator Tim Robbins, o biólogo Richard Dawkins, o humorista John Cleese, o psicólogo e linguista Steve Pinker e o filósofo Slavoj Zizek.

Do Brasil há três signatários: o jornalista Leandro Narloch, a comentarista Ana Paula Henkel e o biólogo Eli Vieira.

O documento foi organizado pelo escritor americano Michael Shellenberger. Em junho, ele organizou uma reunião em Londres com diversos dos apoiadores do manifesto, que foi batizado de “Declaração de Westminster”.

AUMENTO DA CENSURA – O texto “faz um alerta a respeito do aumento da censura internacional, que ameaça corroer normas democráticas centenárias”.

“Estamos profundamente preocupados com as tentativas de rotular a expressão protegida como ‘desinformação’ e outros termos mal definidos”, afirma o documento, que aponta a existência de um “Complexo Industrial da Censura”, formado por instituições de Estado e agentes da sociedade.

“Esse abuso resultou na censura de pessoas comuns, jornalistas e dissidentes em países de todo o mundo”, diz o texto, que aponta filtragem de visibilidade de textos, aplicação de rótulos e manipulação de resultados de mecanismos de busca como ferramentas para a censura. E defendem a liberdade de expressão como “nossa melhor defesa contra a desinformação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Quando o melhor da direita e o melhor da esquerda se unem, todos podem acreditar que é uma causa nobre e merece apoio incondicional. Vamos ver se os ministros do Supremo se mancam e param de arranhar a democracia. (C.N.)

Jeremoabo ao invés de água ar...

 Moradores de Jeremoabo continuam reclamando a falta d'água, o pior é que não sabe mais a quem reclamar ou denunciar.

Vejamos o que  lamentou um morador desrespeitado  estamos sem água há mais de 2 meses e não temos mais água em nossos reservatórios . Nossa situação está precária, são donas de casa sofrendo deixando pendentes suas tarefas domiciliar, muitas delas com crianças,outras com idosos, pessoas que estão até sem roupa pra vestir com por acúmulo delas sujas e alguns vizinhos estão tendo que ir tomar banho na casa de outros parentes de outros bairros, etc...Peço que por gentileza tomem uma providência de urgência, pois assim não podemos ficar. Eu trabalho no Centro da cidade e água lá nunca falta e em outros bairros mais nobres, isso não é justo. A conta sempre chega todos os meses e o valor nem se fala, um absurdo. Moro sozinho não vivo em casa, porque trabalho demais saío pela manhã logo cedo e volto só a noite e o valor da minha fatura mensal  chega sem os descontos da falta d'água.. Agora eu lhes pergunto, esse valor de quê? Então isso é algo inadmissível, onde pago um valor tão alto por nada, essa é a verdade, de algo que não tenho em minhas torneiras e que não uso, por enquanto só sai ar, depois nem ar mais saírá das mesmas. 

sábado, outubro 21, 2023

Operação contra espionagem ilegal no governo Bolsonaro põe foco em Ramagem, ex-diretor da Abin BRASIL

 Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin21 de outubro de 2023 | 08:41

Operação contra espionagem ilegal no governo Bolsonaro põe foco em Ramagem, ex-diretor da Abin

BRASIL

A Operação Última Milha deflagrada na sexta-feira, 20, pela Polícia Federal (PF) para apurar um esquema de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) coloca o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor do órgão, no centro das atenções do escândalo de monitoramento de políticos, jornalistas, advogados, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e adversários do governo do ex-chefe do Executivo.

Aliado fiel do clã Bolsonaro, Ramagem esteve à frente do Abin durante o período em que os servidores presos teriam utilizado a estrutura estatal para localizar os alvos da espionagem, entre julho de 2019 e abril de 2022. A operação desta sexta-feira prendeu dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência que usaram indevidamente o sistema de geolocalização de celulares do órgão para coerção: Rodrigo Colli e Eduardo Arthur Yzycky.

As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou ainda o afastamento de cinco servidores da Abin, entre eles, dois diretores atuais do órgão. Na casa de um deles, Paulo Maurício, a PF apreendeu US$ 171.800,00 em espécie durante as diligências cumpridas na manhã desta sexta. A sede da Abin também foi alvo de buscas.

Pressionado pela operação da PF desta sexta, Ramagem diz que as diligências só foram possíveis graças ao “início de trabalhos de austeridade” promovidos durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em nota publicada nas redes sociais, Ramagem diz que o objeto da operação desta sexta, a ferramenta de monitoramento FirstMile, foi adquirido em 2018, antes do governo Bolsonaro, mas que ao assumir a gestão da Abin determinou uma auditoria interna e encaminhou o contrato do sistema de espionagem para a corregedoria interna da agência. Ele não nega a ação dos servidores.

“Esse sistema objeto da operação de hoje na Abin foi adquirido em 2018, antes do governo Bolsonaro. Quando assumimos a Abin, em 2019, promovemos auditoria formal de todos os contratos. O referido sistema não faz interceptação, mas demonstrava fazer localização. Mesmo tendo passado por prova de conceito técnico e parecer favorável da AGU para aquisição (2018), nossa gestão resolveu encaminhar à corregedoria para instaurar correição. A operação de hoje só foi possível com esse início de trabalho de austeridade promovido na nossa gestão (governo Bolsonaro). Rogamos que as investigações prossigam atinentes a fatos, fundamentos e provas, não se levando por falsas narrativas e especulações”, escreveu.

O caso desta sexta-feira mira supostos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

Segundo a PF, o grupo sob suspeita teria usado o sistema da Abin – um “software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira” – para rastrear celulares “reiteradas vezes”. Os crimes teriam sido praticados sob o governo Jair Bolsonaro. À época, o órgão era comandado por Alexandre Ramagem.

Ramagem é aliado de longa data do clã Bolsonaro

Ex-delegado da Polícia Federal, Ramagem ganhou a confiança do clã da Zona Oeste do Rio de Janeiro antes mesmo da eleição de 2018. Foi designado para cuidar da segurança do então presidenciável após o atentado à faca em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018. E teve ascensão rápida no novo governo.

Chegou a ser nomeado superintendente da Polícia Federal (PF) no Ceará, em fevereiro de 2019, mas foi deslocado para um cargo de assessor especial do então ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz. Em julho, foi para a Abin. Bolsonaro quis nomeá-lo diretor-geral da PF. O presidente queria ter, segundo o então ex-ministro Sérgio Moro, alguém com quem pudesse “interagir” e que lhe fornecesse relatórios de inteligência.

Ainda na gestão de Ramagem, a agência de inteligência teria atrapalhado investigações envolvendo Jair Renan Bolsonaro, filho “04″ de Bolsonaro. Um agente da PF admitiu que recebeu a orientação de “levantar informações sobre uma operação que tinha Jair Renan como alvo para prevenir ‘riscos à imagem’ de Bolsonaro”. À época, a PF afirmou em um relatório que Abin teve um papel de “interferência nas investigações”.

Rayanderson Guerra/EstadãoPolitica livre

Cidades são suspeitas de criar turmas fantasma de alunos para desviar verba da educação

 Foto: Pedro França/Agência Senado

Ministério da Educação21 de outubro de 2023 | 11:00

Cidades são suspeitas de criar turmas fantasma de alunos para desviar verba da educação

BRASIL

Dezenas de cidades do país podem estar recebendo mais recursos públicos do que deveriam por meio de matrículas fantasmas em cursos de EJA (Ensino de Jovem e Adulto). A suspeita é que os municípios aumentaram artificialmente o número de estudantes nesta etapa para conseguir mais verbas federais.

A Folha identificou 108 cidades que tiveram grande variação na quantidade de matrículas no programa de 2021 a 2022 e que informaram ter mais de 10% da sua população na modalidade.

Num município de Alagoas, a Prefeitura sorteou três motos para incentivar o cadastro de alunos, mas muitos não vão às aulas. Em uma cidade da Bahia que tem 20% de sua população matriculada no EJA, a verba do programa já representa metade das receitas locais. Procuradas, a maioria das prefeituras negou irregularidades.

O caso envolve as disputas por verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que é financiado por um cesto de impostos.

Os recursos do fundo são distribuídos para estados e municípios de acordo com a quantidade e tipo de matrículas em cada localidade. Assim, se uma cidade aumentar de maneira artificial o número de alunos, vai conseguir receber mais dinheiro, prejudicando outras.

A única exigência para a verba recebida via Fundeb é que 60% do total sejam utilizados para pagar o salário de professores. Além disso, os valores não podem ser usados para pagar merenda escolar e para remunerar profissionais da Educação em desvio de função.

As 108 cidades com grande variação informaram ao governo federal ter tido um crescimento médio de 14,4% nas matrículas de EJA de 2021 para 2022, sendo que no país como um todo teve uma queda de 6,3% no período.

Com isso, elas receberam quase R$ 1,2 bilhão a mais do que teriam se a situação informada fosse similar à tendência nacional.

A quase totalidade dessas cidades está no Mapa de Risco do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao Ministério da Educação), indicador que agrega 520 cidades em que há indícios de problemas nas declarações feitas ao Censo Escolar.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que quando são detectadas grandes discrepâncias nas informações os casos deixam de figurar como suspeitos de erro de preenchimento e “entram na esfera criminal”.

Procurado, o Ministério da Educação disse que as denúncias são tratadas e investigadas. “Isso não significa a ausência de falhas. São mais de 5.500 sistemas de ensino compartilhando um fundo de financiamento. Mas é preciso ter em conta que o Brasil produziu uma belíssima arquitetura institucional de financiamento da Educação”.

A reportagem visitou em agosto três das cidades com variações suspeitas na quantidade de alunos.

Uma delas é Novo Triunfo (BA), que tem 10.660 habitantes e 2.151 matrículas no EJA, ou seja, 20% da sua população. Um salto em relação a 2020, quando tinha 30 alunos na modalidade.

Com isso, elevou sua verba para uma projeção de R$ 30,4 milhões, o que representa cerca de metade das receitas do município.

Nos períodos em que visitou as três escolas municipais da cidade, a Folha não encontrou movimentação de alunos do EJA que tenha chegado perto dos números informados ao Ministério da Educação.

Na maior escola da cidade em número de matrícula de jovens e adultos em 2022, a Maria Simões, havia presença apenas de alunos de ensino fundamental ensaiando para o desfile do 7 de Setembro, mas não turmas do EJA —pelos números informados, deveria haver 315 alunos.

De acordo com a diretora da escola, Liliane Moreira, a unidade estava sem aulas porque os alunos estavam trabalhando na colheita.

Funcionários dessa escola e da segunda maior da cidade na área urbana (253 matrículas), a Tia Arcanja, relataram, sob condição de anonimato, que a média de alunos do EJA em cada escola é de 80 alunos, bem abaixo do que foi informado no Censo Escolar.

Procuradas, a prefeitura e a Secretaria de Educação não responderam aos questionamentos da reportagem.

Já a cidade alagoana de Maravilha tem um terço de sua população inscrita no EJA, de acordo com os registros oficiais —3.071 pessoas de um tota de 9.500 habitantes.

De acordo com relatos colhidos na cidade, todos na condição de anonimato, muitos dos alunos não assistiram a nenhuma aula.

A Secretaria de Educação da cidade paga uma bolsa para estimular a permanência no EJA e organizou o sorteio de três motos no início do ano passado para estimular a população a informar nome e CPF, passos necessários para a matrícula no programa.

A cidade é comandada por um clã político influente em Alagoas. A prefeita, Maria da Conceição de Albuquerque, é irmã do deputado estadual Antonio de Albuquerque (Republicanos), que está no parlamento estadual há oito mandatos. Outra irmã, Rosa de Albuquerque, é conselheira do Tribunal de Contas.

Um dos filhos de Antonio, Nivaldo Albuquerque (Republicanos), foi deputado federal entre 2018 e 2022. Outro, Arthur Albuquerque, (Republicanos), foi candidato a vice-governador na chapa de Rui Palmeira (PSD).

A prefeita não quis responder aos questionamentos e indicou a secretária de Educação da cidade, Adriana Paulino. Ela negou que o sorteio de motos tenha sido uma tentativa de inflar artificialmente as matrículas. “[Foi] uma forma de valorizar as matrículas de todas as etapas e modalidades de ensino realizadas na rede pública municipal”, disse.

“Todos os pagamentos de bolsa de auxílio permanência para os estudantes da educação de jovens, adultos e idosos são realizados sob análise e garantia dos requisitos previstos na lei municipal, não ocorrendo a possibilidade de pessoas receberem sem a matrícula na rede e sem a participação efetiva em sala de aula”.

O sorteio não foi realizado novamente em 2023 e com isso o número de matrículas caiu para 1.500 este ano, em números preliminares.

A reportagem localizou pessoas inscritas pela cidade, mas que dizem não frequentar as aulas.

Um casal da zona rural da cidade se matriculou no EJA no início deste ano, por exemplo, mas afirma não ter ido a nenhuma aula. Em outro relato, a mãe de uma professora também disse que está matriculada sem nunca ter frequentado o curso.

Apesar disso, ambos receberam a bolsa permanência criada pela prefeitura em julho, que paga R$ 50 a cada pessoa pela matrícula, mais R$ 100 por mês.

A reportagem visitou duas escolas da zona urbana da cidade e conversou com integrantes da diretoria de ambas. Uma servidora afirmou que a cidade como um todo tem cerca de 400 alunos regulares de EJA, número bem distante dos 1.500 declarados ao Inep.

A coordenadora do EJA em outra escola, Vandilma Silva, disse que o número de matriculados reais no local onde trabalha era menor ainda, 173 matrículas, mas que somente 40 compareciam às aulas regularmente. A reportagem contou 32 alunos entrando na escola quando esteve lá.

MINISTÉRIO PÚBLICO DISSE TER DETECTADO QUASE 10 MIL ALUNOS FANTASMAS EM PE

O MPF (Ministério Público Federal) moveu no ano passado uma ação que levou a cidade de Custódia (PE) a depositar em juízo cerca de R$ 35 milhões, pouco mais da metade do orçamento do município. Segundo a ação, a teria aumentado de maneira artificial a quantidade de alunos no EJA para conseguir mais verbas.

Com isso, segundo a petição dos procuradores, houve a criação de “um amplo cabide de empregos para professores sem capacitação mínima, contratos sem impessoalidade, por meio de indicação política ou com base em arregimentação de alunos, e que não exerciam regularmente suas funções letivas”.

Em 2021, o Inep realizou uma visita ao município, e excluiu 8.779 das 9.500 matrículas de EJA da cidade, reduzindo o contingente de alunos para 739.

Apesar disso, há indícios de que a situação continue. No ano passado, foram 4.100 matrículas, ou 11% da população da cidade, que é de 37,7 mil pessoas. Em 2023, são 3.400 matrículas.

Uma professora, que não se identificou com medo de ser punida pela administração local, relatou que no meio do ano passado recebeu uma lista da prefeitura com 60 alunos, dos quais somente 19 foram localizados e 13 frequentaram as aulas.

No fim do ano letivo, ela diz ter sido obrigada pela direção a fazer uma caderneta aprovando os 60 alunos da listagem original.

Há na cidade um quilombo chamado Buenos Aires. Nele estão duas escolas que juntas deveriam ter mais de 1.500 alunos de EJA. Na noite em que a reportagem esteve lá, as duas unidades estavam fechadas apesar de ser um horário de aula.

A reportagem conversou com duas mulheres que estavam matriculadas no curso, mas disseram nunca ter frequentado nenhuma aula.

Sob anonimato, elas disseram ter sido procuradas por professores de EJA para se matricularem em troca de cestas básicas mensais que seriam dadas mesmo se elas não fossem às aulas.

Elas receberam somente uma cesta com alimentos estragados, afirmam.

O secretário de Educação de Custódia, Alysson de Yolanda, disse que na cidade “não tem nenhum caso de alunos fictícios” e que desconhece suspeitas nesse sentido.

Lucas Marchesini/FolhapressPoliticaLivre

Bancada ruralista tem apoio suficiente para derrubar veto ao marco temporal

Publicado em 21 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

Reportagem diz que Pacheco não tem pressa. Será mesmo?

Roseann Kennedy e Augusto Tenório
Estadão

Tão logo foi confirmado o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao marco temporal, a Frente Parlamentar da Agropecuária iniciou a mobilização para derrubar a decisão no Congresso. No entanto, a bancada do agro não deve contar com a pressa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que no mês passado colocou o projeto em pauta no plenário do Senado no mesmo dia em que ele foi aprovado na CCJ.

Quando tocou a votação do projeto no Senado, Pacheco enfrentou desgaste com o Planalto, apesar das conversas com lideranças governistas. Mas cedeu à pressão dos senadores que queriam dar resposta imediata ao Supremo Tribunal Federal (STF), por considerarem que os magistrados estariam invadindo competências do Legislativo em diversas pautas.

OUTRO CENÁRIO – Desta vez, porém, o cenário tem diferenças. Uma delas é que deputados e senadores já avançaram em outras matérias de reação à Suprema Corte. E a votação de vetos não tranca a pauta do Senado, portanto, não atrapalha Pacheco em outras votações, inclusive nas que são de interesse do Planalto.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é composta por 303 deputados federais e 50 senadores em exercício. O número é suficiente para derrubar vetos presidenciais que exige votação mínima de 257 deputados e 41 senadores.

“A FPA não assistirá de braços cruzados a ineficiência do Estado Brasileiro em políticas públicas e normas que garantam a segurança jurídica e a paz no campo”, avisa o grupo em nota.

DECISÃO SOBERANA – O texto também diz que a decisão do Congresso tem de ser respeitada. “A decisão dos dois Plenários é soberana e deve ser respeitada pelos demais Poderes da República”.

Em setembro, porém, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a tese de marco temporal das terras indígenas. E, mesmo que o veto seja derrubado no Congresso, o assunto vai voltar à análise do Judiciário, pois há questionamentos de que para impor um marco, após a decisão do STF, deputados e senadores teriam de aprovar Proposta de Emenda Constitucional e não um projeto de lei.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os informantes dos jornalistas do Estadão agem de má fé. A matéria está contraditória e insinua que Pacheco vai sentar sobre a discussão do veto. Mas há momentos no Congresso que o presidente não manda nada, porque jamais consegue se opor à maioria dos parlamentares. E o próprio texto mostra que os ruralistas têm maioria do Congresso. E quem tem maioria faz o que bem entende. Lula errou ao vetar o marco temporal e vai pagar caro por isso. O Congresso simplesmente vai anular seu veto. Alguém aí quer apostar? Coloco uma caixa de Ballantine’s contra uma viagem de turismo a Israel. (C.N.)

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