terça-feira, outubro 17, 2023

As "intenções malignas" da China, Rússia, Irã e Hesbollah no Brasil




General americana vê ‘intenções malignas’ da China, da Rússia, do Irã e do Hezbollah no Brasil

Ataque do Hamas a Israel reacendeu a ofensiva americana contra a presença de seus competidores estratégicos na América Latina; EUA alertam para os riscos do terrorismo e do crime organizado na região. 

Por Marcelo Godoy 

A general Laura Richardson é conhecida pela franqueza com que expõe o pensamento e as preocupações do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos. Em mais uma entrevista, desta vez, para a Fundação para a Defesa da Democracia, um instituto criado após o 11 de setembro de 2001, ela aproximou as ameaças dos competidores estratégicos dos EUA – China, Rússia e Irã – à representada pelo Hezbollah à segurança do Ocidente. O evento aconteceu no dia 11, em meio à semana em que Israel foi atacado pelos terroristas do Hamas. Richardson mencionou duas vezes o Brasil ao tratar das “intenções malignas” dos adversários.

“As atividades do Hezbollah (na América Latina) obviamente são uma preocupação”, afirmou a general. Hezbollah na América do Sul é quase sempre sinônimo da Tríplice Fronteira, entre Argentina, Paraguai e Brasil. A citação ao grupo libanês aconteceu logo após ela listar movimentos da China e da Rússia na região, como a viagem de Serguei Lavrov, ministro das relações exteriores da Rússia, por Nicarágua, Venezuela e Cuba, em abril. “Mas, depois (Lavrov), também (foi) pelo Brasil para reuniões; e o presidente iraniano veio ao hemisfério, em junho”, lembrou Richardson.

Em seguida, mencionou as passagens de navios de guerra do Irã e da Rússia na América do Sul para assinalar as “intenções malignas” dos competidores dos EUA na região. “Navios de guerra iranianos, que estão fazendo um giro global, vieram para o hemisfério a partir do Pacífico e tentaram fazer escalas em inúmeras cidades, que foram negadas. E a fragata acabou recebida no Rio.”

A general, por fim, advertiu: “Estamos vendo uma tendência de aumento de ações na região também por parte de nossos concorrentes estratégicos e, novamente, é muito preocupante, porque acho que a região está insegura e instável e nós podemos fazer melhor neste momento vulnerável para nós mantermos fora concorrentes estratégicos, que têm intenções malignas”. As falas da general seriam apenas mais uma forma de atrair atenção – e recursos – para seu comando? É possível.

Ou seria uma reedição do eixo do mal? Analistas, como o coronel da reserva Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, lembram que essas ameaças já estavam presentes na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em outubro de 2022. Mas o que existiria de novo? “O espírito que parece é que os americanos dormiram por 20 anos nos desertos do Afeganistão e do Iraque e não viram que estava surgindo uma série de competidores a eles, como a China e a Rússia”, afirmou Sandro Teixeira Moita, professor do programa de pós-graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme).

Até o ataque do Hamas, China e Rússia – nessa ordem – eram apresentadas como as mais perigosas ameaças à segurança dos EUA. Para o coronel Paulo Filho, a nova estratégia nacional de defesa dos Estados Unidos aprofundou a alteração de foco ocorrida no governo de Donald Trump, a qual listou China, Rússia, Irã e Coreia do Norte como as maiores “ameaças”. “A mudança se detém no fato de que, até então, o terrorismo figurava, nos documentos oficiais dos EUA, como principal ameaça à segurança do país.”

Ainda para Paulo Filho, a inclusão do Irã nos Brics conferiu ao grupo uma dimensão geopolítica que estava ausente: “Os Estados Unidos consideram esta ação desfavorável aos seus interesses”. O Irã preocupa os americanos em razão do programa nuclear, das exportações de armas e do papel desestabilizador no Oriente Médio. “Os EUA começaram a expressar abertamente a sua apreensão, inclusive no domínio militar, como exemplificado pelas análises da general Richardson.”

Essa ainda é uma realidade que parece distante para a maioria dos brasileiros. Enquanto Gaza era bombardeada pelo Tzahal, as Forças de Defesa de Israel (FDI), a mais nova ameaça visível à segurança em São Paulo vinha do furto de 13 metralhadoras Browning calibre .50 e de outras oito de calibre 7,62 mm do Arsenal do Exército, em Osasco, na Grande São Paulo. A última vez que as primeiras foram usadas no Estado havia sido em 2018, quando a Polícia Militar precisou desse tipo de armamento para conter o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) de resgatar Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Na época, o general Luiz Eduardo Ramos, então comandante militar do Sudeste, providenciou para que homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) fossem treinados para manusear essas armas. É por isso que agora a cúpula da Segurança Pública teme que elas caiam justamente nas mãos do PCC. Essa é a “consequência catastrófica” imaginada pelo secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, conforme publicou em rede social. De posse de tal equipamento, como seria possível deter um assalto do PCC à Penitenciária 2, de Presidente Venceslau, onde a cúpula da facção no Estado está encarcerada?

O que aterroriza os policiais paulistas é o crime organizado e sua convergência cada vez maior com mercados ilegais que abastecem também as organizações terroristas. No começo do ano, a Europol concluiu uma operação onde detectou o envio de fuzis do Paquistão para o Brasil feitos pela ‘Ndrangheta, a máfia da Calábria, que, assim, pagava o PCC por um carregamento de cocaína. É neste mesmo mercado internacional de armas que organizações terroristas como o Hamas se abastecem.

A convergência entre as atividades do terror e da criminalidade organizada foi o que lembrou o major Frederico Salóes, instrutor da Eceme, durante o seminário Análise Situação Israel x Hamas, do Observatório Militar da Praia Vermelha. “No ciclo da atividade terrorista não podemos esquecer do nexo do crime com o terror. Temos a cooperação entre organizações criminosas e organizações terroristas. Elas convergem em objetivos e se hibridizam em diversas estruturas formais, ilícitas e lícitas para alcançarem seus objetivos. O atentado terrorista nunca é uma situação pontual. O ciclo da atividade terrorista se dá por uma estrutura sistêmica que exige uma resposta sistêmica do Estado”, disse.

Nas últimas décadas, foi o crime organizado o maior responsável pelo furto de armas dos arsenais do Exército. No Rio e em São Paulo, as armas desviadas foram depois recuperadas. Nos anos 1960, quem colocava os olhos nas reservas de armas dos quartéis era a guerrilha. Em sua mais ousada ação, o capitão Carlos Lamarca deixou o quartel do 4º RI, em Quitaúna, na mesma Osasco, com três subordinados em uma Kombi com 63 fuzis, três submetralhadoras e uma pistola. Só não levaram mais armas porque o caminhão que seria usado para transportá-las fora apreendido dias antes em Itapecerica da Serra.

O último dos fuzis levados por Lamarca só foi recuperado em 1978, depois que um ex-guerrilheiro se aventurou em roubar um carro, nos Jardins. Por enquanto, o Exército não anunciou o encontro de nenhuma das metralhadoras. É provável que armas como essas sejam colocadas à venda no mesmo mercado mundial, onde os lucros das diversas atividades ilícitas se encontram. É por isso que a general Richardson citou em depoimento ao Congresso, em 8 de março, o PCC como uma ameaça à segurança americana na região?

“Ela já citou em entrevistas o paradoxo de que a ‘região mais importante’ é a que merece menor atenção do seu país. Isso abriria espaço para a entrada dos ‘competidores estratégicos’ (dos EUA)”, afirmou o coronel Paulo Filho. Enfim, o que estaria por trás desse grande movimento, que procura pôr no mesmo balaio todos os gatos que competem com os americanos na América Latina?

“Eles (os EUA) redobraram os esforços de aproximação com os governos e as Forças Armadas na região, que eles deixaram de lado por muito tempo. Estão procurando recuperar o tempo perdido”, disse o professor Teixeira Moita. O problema, segundo ele, é que o poderio chinês não se mede apenas pela questão militar, mas também por sua dimensão econômica. “Os americanos vão ter de se mostrar parceiros econômicos, que é o que os chineses oferecem, se não quiserem perder parceiros na América Latina.”

Há um duplo movimento para mostrar que a política americana é a de promoção da segurança interna e externa da região. Ele coloca o Hezbollah e o Hamas no mesmo bloco que o Irã, a China e a Rússia e une o combate ao terror e à luta contra o crime organizado. Trata-se de uma lógica parecida com a da Guerra Fria ao afirmar: “Eu posso trazer segurança a vocês, respeitando as suas liberdades e seus valores”. A guerra ao Hamas deve aprofundar esse caminho. E aumentar ainda mais os desafios para a diplomacia brasileira.

O Estado de São Paulo

Análise: EUA preparam esforço frenético para evitar guerra mais ampla no Oriente Médio




Tanques israelenses perto da fronteira de Gaza

Presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que seria um “grande erro” uma potencial ocupação na Faixa de Gaza

Por Stephen Collinson

Os líderes dos Estados Unidos estão montando um esforço urgente para prevenir que a guerra de Israel contra o grupo radical islâmico Hamas se transforme em um conflito regional cada vez mais amplo.

O conflito, que já resultado na catástrofe civil na Faixa de Gaza, poderá se transformar em uma bola de neve e uma crise geopolítica ainda maior, após os horríveis ataques terroristas deste mês.

Com o segundo grupo de porta-aviões dos EUA chegando à região, o presidente Joe Biden disse ao “60 Minutes” que está apoiando Israel enquanto o país vinga o dia mais sombrio em 50 anos – e enquanto se concentra na situação dos norte-americanos entre os mais de 150 pessoas feitas reféns durante a incursão do Hamas. Mas Biden também disse, novamente, que seria “um grande erro” Israel ocupar Gaza e pediu o retorno das negociações para um Estado palestino.

Os comentários foram feitos após um fim de semana frustrante para os cidadãos norte-americanos presos na saída entre a Faixa de Gaza e o Egito, enquanto o governo Biden também procura aliviar as terríveis condições humanitárias para os civis palestinos sem passaportes estrangeiros, que estão presos sem assistência clara dos implacáveis ataques aéreos israelenses.

A missão do secretário de Estado, Antony Blinken, para o Oriente Médio mostra que os Estados Unidos, mesmo com os esforços de se desprenderem da região, ainda estão em uma posição única para influenciar Israel, assim como os principais mediadores do poder árabe em um momento de profundo perigo – e ainda dispostos a assumir a tarefa de projetar liderança no Oriente Médio, apesar da turbulência interna em Washington.

Funcionários da administração, que falaram no domingo (15), deixaram claro que também estão olhando para o futuro, tentando desesperadamente preservar a esperança de um Oriente Médio remodelado que levaria Israel e Arábia Saudita a uma normalização diplomática, que os ataques terroristas do Hamas podem ameaçar.

A tarefa dos EUA de equilibrar uma crise que se alastra rapidamente é extremamente complexa e alguns dos seus objetivos podem ser inconciliáveis com outros: Por exemplo, o desejo de Israel de eliminar o Hamas de uma vez por todas pode resultar em uma enorme destruição,e perda de vidas tão grandes que afastaria aliados árabes dos norte-americanos.

“Estamos conversando com os israelenses sobre todo o conjunto de questões, olhando para o futuro para garantir que Israel esteja segura e protegida, e também que palestinos inocentes, que vivem na Faixa de Gaza, possam ter uma vida de dignidade, segurança e paz também no futuro”, disse o conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, no programa “State of the Union”, da CNN.

Sullivan também alertou que a guerra entre Israel e o Hamas poderia ser apenas o começo. “Existe o risco de uma escalada deste conflito, da abertura de uma segunda frente no norte e, claro, do envolvimento do Irã”, disse à CBS.

Os comentários foram feitos no momento em que a escala de uma tragédia humanitária em curso na empobrecida e densamente povoada Gaza começa a emergir, enquanto funcionários das Nações Unidas (ONU) alertam para as condições infernais após mais de oito dias de bombardeio israelenses, que mataram mais de 2,6 mil palestinos em resposta à violência brutal do Hamas, tomada de reféns e assassinato de 1,4 mil pessoas em Israel.

Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas, alertou para a grave escassez de água, eletricidade, alimentos e medicamentos, além dos milhares de habitantes da Faixa de Gaza fogem da região norte após uma declaração israelense de evacuação, mas com a fronteira sul do território com o Egito permanece fechada.

“Gaza está sendo estrangulada e parece que o mundo, neste momento, perdeu sua humanidade. Se olharmos para a questão da água – todos sabemos que água é vida – Gaza está ficando sem água e está ficando sem vida”, disse Lazzarini.

Israel afirmou que tenta mitigar o sofrimento dos civis e culpa o Hamas, um grupo radical islâmico apoiado pelo Irã, que incorporou os lança foguetes deles em áreas urbanas lotadas e campos de refugiados para se esconder atrás de civis. O Hamas falou aos civis para ignorarem os avisos israelenses para evacuarem a região norte de Gaza.

Blinken deixa clara estratégia dos EUA

Blinken está em uma trajetória frenética, que inclui paradas em Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Egito e Bahrein. Ele disse no Cairo, no domingo, que havia uma determinação em toda a região para evitar que os ataques terroristas do Hamas se transformassem em uma guerra regional maior. O Departamento de Estado disse que retornaria a Israel para novas conversas nesta segunda.

Israel também convidou Biden ao país para conversas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e ambos os lados estavam considerando a visita, disse uma fonte familiarizada com o assunto à CNN. Nesta segunda, o presidente dos EUA cancelou, inesperadamente, uma viagem planejada ao Colorado, onde falaria sobre energia eólica, embora a Casa Branca não tenha fechado a mudança nos planos para uma possível viagem a Israel.

Mas a possibilidade de o presidente visitar uma zona de guerra e colocar seu prestígio pessoal em risco, nesse momento, seria repleta de complicações.

Washington está caminhando na corda bamba ao sublinhar o apoio inabalável ao direito de Israel de tentar eliminar o Hamas, mas também tenta mitigar o pior revés civil da ofensiva que se aproxima, enquanto segue com os próprios interesses em evitar uma situação que poderia forçá-lo a mergulhar de volta ao Oriente Médio.

Blinken expôs a estratégia multifacetada dos EUA.

“Não acredito que podemos ser mais claros do que temos sido de que, quando se trata da segurança de Israel, nós o apoiamos”, disse em Cairo. Mas também alertou: “A maneira como Israel faz é importante. Precisa fazê-lo de uma forma que afirme os valores compartilhados que temos para a vida e a dignidade humana, tomando todas as precauções possíveis para evitar ferir civis.”

O principal diplomata dos EUA também passou uma mensagem mais ampla de dissuasão, acrescentando: “Ninguém deve fazer nada que possa colocar lenha na fogueira em qualquer outro lugar. Acho que está muito claro.”

Houve sinais de sucesso modesto nos pedidos dos EUA a Israel em nome dos civis palestinos no domingo, quando Blinken prometeu que a passagem de fronteira de Rafah, entre Faixa de Gaza e o Egito, seria aberta. A fronteira foi fechada, com o Cairo alegando a falta de controles de imigração no lado de Gaza e o receio pela segurança dos comboios de ajuda que entram no território bombardeado.

Os suprimentos humanitários têm-se acumulado em postos de controle do lado errado da fronteira, onde são urgentemente necessários. E Sullivan disse a Jake Tapper, da CNN, que, embora as autoridades israelenses e egípcias estivessem dispostas a permitir a evacuação de cidadãos norte-americanos em Gaza pela fronteira de Rafah, o Hamas a impedia.

Sullivan também disse à CNN que Israel concordou em reativar o abastecimento de água para Gaza, uma concessão confirmada pelas autoridades israelenses, mas as autoridades da Faixa de Gaza disseram que não puderam verificar o motivo da necessidade de eletricidade para bombear a água para uso não ter sido restaurada.

Blinken também anunciou a nomeação de David Satterfield, ex-embaixador dos EUA na Turquia, para ajudar a coordenar os esforços de ajuda. O novo enviado dos EUA estará em Israel nesta segunda.

Como a guerra de Israel poderia explodir em novo desastre no Oriente Médio

O receio de uma escalada está ligado a uma esperada ofensiva terrestre israelense dentro da Faixa de Gaza, que poderá resultar em intensos combates com o Hamas e em terríveis baixas civis. Os especialistas temem que cenas de civis atingidos no fogo cruzado possam desencadear violência entre palestinos na Cisjordânia.

Poderiam também levar o Hezbollah, um partido islâmico e grupo militante com sede no Líbano que – assim como o Hamas – classificado como organização terrorista pelos EUA, a enviar milhares de mísseis contra cidades israelenses, abrindo uma segunda frente na guerra.

O Hezbollah é muito mais poderoso que o Hamas, e Israel avisou que lançaria um contra-ataque destrutivo ao Líbano se o grupo intensificasse os conflitos fronteiriços que já eclodiram entre os dois lados. Um duplo ataque a Israel por parte dos representantes iranianos do Hezbollah e do Hamas também poderia levar a uma retaliação israelense contra a República Islâmica, aumentando os riscos do envolvimento dos EUA para proteger o aliado Israel.

A missão do Irã nas Nações Unidas alertou, no sábado, nas redes sociais que se os ataques de Israel em Gaza não pararem, “a situação poderá sair do controle e ter consequências de longo alcance”.

Para os Estados Unidos, existe o risco de que um conflito mais amplo possa levar a represálias por grupos terroristas de milícias, apoiadas pelo Irã, contra as tropas restantes no Iraque e na Síria, onde estão envolvidos em missões para combater o Estado Islâmico.

Uma espantosa ofensiva terrestre israelense na Faixa de Gaza também reduziria o espaço diplomático que os principais estados árabes, como a Arábia Saudita e o Egito, têm para acalmar a situação. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, por exemplo, pediu a “suspensão imediata do cerco a Gaza” quando se encontrou com Blinken, no domingo, e rejeitou “os ataques a civis, a destruição de infraestruturas críticas e a interrupção de serviços essenciais”.

Com o forte apoio a Israel e repetidos contatos pessoais com Netanyahu após os ataques do Hamas, Biden preparou o terreno para Israel se defender. Mas também criou espaço político para os EUA procurarem restringir os piores impactos do que se espera ser uma operação israelense implacável na Faixa de Gaza e tentarem manter vivos os esforços de paz regional a longo prazo.

Dada a complexidade da situação e o trauma que o ataque terrorista do Hamas criou em Israel, não é certo que as ações de equilíbrio do presidente sejam sustentáveis. Mas ele precisa tentar, já que uma grande guerra no Oriente Médio iria pressionar ainda mais os recursos dos EUA, uma vez que Washington mantém uma ajuda multibilionária para a Ucrânia, e poderia fomentar uma impressão de caos global que poderia prejudicar a candidatura de Biden à reeleição no próximo ano.

O presidente disse na sua entrevista ao programa “60 Minutes” da CBS, no domingo, que os EUA poderiam apoiar tanto Israel quanto Ucrânia, e que não tinham outra escolha senão intervir porque “somos a nação essencial”.

“Somos os Estados Unidos da América, pelo amor de Deus, a nação mais poderosa da história – não do mundo, da história do mundo”, disse Biden. “Podemos cuidar de ambos e ainda manter a nossa defesa internacional geral”, acrescentou: “E se não o fizermos, quem o fará?”

O esforço de Biden para apressar mais ajuda a ambas as nações está complicado pelo caos na Câmara dos Representantes, que está paralisada pelo fracasso do dividido Partido Republicano em eleger um novo presidente.

O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, postou nas redes sociais no domingo que os EUA tinham que enviar a Israel o apoio necessário para se defender. O democrata de Nova York disse que uma delegação que liderava em Tel Aviv – que também inclui o senador republicano Mitt Romney, de Utah – foi levada às pressas para um abrigo após um alerta de ataque aéreo.

A postagem dele sublinhou o sentimento de mau presságio em Israel que se desenvolve à medida que os palestinos do outro lado da fronteira em Gaza se preparam para ataques ainda mais implacáveis, com centenas de milhares de reservistas israelenses preparados para receber uma ordem de entrar no território.

De volta a Washington, espera-se que o governo ofereça aos senadores um resumo completo e confidencial sobre a situação na quarta-feira.

Com a semana começando, há uma sensação assustadora de que, por pior que seja a situação, está prestes a piorar. O negociador de paz dos EUA no Oriente Médio veterano, Aaron David Miller, disse que a ofensiva israelense ocorreria dentro de alguns dias e seria angustiante, mas expressou a esperança de que o progresso diplomático possa eventualmente emergir.

“Seja 24 horas, 48 horas, seja na próxima semana, o fato é que está chegando”, disse ele. Acrescentou que espera que “tal como muitas crises nesta região que envolvem uma quantidade extraordinária de dor, em grande medida para os civis (…) haja alguma perspectiva de transformar essa quantidade extra de dor em ganho”.

CNN

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Vídeo: Irmã do ministro Cristiano Zanin é agredida na rua

Segunda-Feira, 16/10/2023 - 22h12

Por Redação

Vídeo: Irmã do ministro Cristiano Zanin é agredida na rua
Foto: Reprodução

A advogada Carolina Zanin, de 42 anos, irmã do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, foi agredida na porta de sua casa na tarde desta segunda-feira (16) em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Câmeras de segurança filmaram a ação.


Segundo Carolina contou ao Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, por volta das 17h30 ela saiu de casa para levar seus dois cachorros para passear. Na volta, já no portão do prédio, um homem de camiseta verde, bermuda preta e mochila azul gritou e começou a chutar os cães, da raça corgi, e depois a própria Carolina.


“Eu nunca vi esse cara. Ele olhou para mim e disse: ‘Vou dar um chute em você, vou dar um chute nos seus cachorros’. Eu ainda falei ‘não, imagina’ e fui entrando no meu prédio. Mas aí ele foi chutando”, contou.

 

Carolina declarou que é conhecida no bairro e que a vizinhança sabe que ela é irmã do ex-advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas diz não saber dizer se o caso tem relação com o irmão.

 

“Todo mundo sabe quem eu sou. Nesses dias, estava em um restaurante e tive de ir embora”, disse.

 

Uma hora após o ataque, a advogada disse ainda estar “super nervosa”, mas foi à delegacia de polícia do bairro registrar a ocorrência. Ela afirmou que estava com a perna roxa por causa da agressão e seus cães terminaram sangrando. “Vim denunciar esse homem. O que é isso?”, questionou.

 

Confira:

 

?? Irmã do ministro Cristiano Zanin, do STF, é agredida na rua


Mais de 200 policiais cumprem mandados em megaoperação contra facções em Salvador


Por Redação

Viatura da Polícia Federal
Fotos: Tony Silva/ Divulgação/ Polícia Civil

Mais de 200 policiais civis, contando com o apoio de equipes da Polícia Federal, participam da 5ª Fase da Operação Noise, em Salvador, nesta terça-feira (17). A ação visa coibir a atuação de organizações criminosas, em Salvador e outras regiões. 

 

Envolvidos com o tráfico de armas e de drogas, bem como os crimes contra vida são alvos dos cerca de 70 mandados judiciais decretados pela Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

 

“As cinco fases da Operação Noise são resultado de dois anos de investigações relacionadas ao tráfico de drogas e organizações criminosas”, informou a diretora do Draco, delegada Márcia Pereira. 

 

 

A operação é coordenada pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), e conta com o apoio de policiais dos Departamentos de Inteligência Policial (DIP), de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Especializado de Investigações Criminais (Deic), Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), de Polícia Metropolitana (Depom), de Polícia do Interior (Depin), além das Coordenações de Operações de Polícia Judiciária (COPJ) e de Operações e Recursos Especiais (Core), com o Canil da especializada.

 

A Polícia Federal participa das ações por meio do Comando de Operações Táticas (COT) e Grupo de Pronta Intervenção (GPI), por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). O "Scorpion", veículo blindado da corporação, está dando apoio nas incursões realizadas no bairro de Engenho Velho de Brotas. 

Relatório final da CPI do 8/1 deve mirar Bolsonaro, Torres e Silvinei

Terça-Feira, 17/10/2023 - 07h00

Por Thaísa Oliveira | Folhapress

Arthur Maia e Eliziane Gama, presidente e relatora da CPI
Foto: Pedro França / Agência Senado

O relatório da CPI do 8 de janeiro deve apontar a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques no ataque aos Poderes. O texto também deve mirar em militares.
 

A relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), trata o documento com sigilo. Ela tem redigido o texto final com ajuda de poucos assessores. A apresentação está prevista para esta terça (17), mas a votação deve ocorrer na sessão seguinte, de quarta (18).
 

Apesar da cautela de Eliziane, parlamentares aliados apontam que a participação de Bolsonaro na teia golpista que levou aos ataques de 8 de janeiro foi exposta pelo programador Walter Delgatti Neto, o hacker da Vaza Jato, e pela delação premiada de seu principal ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid.
 

Ao longo dos trabalhos, a CPI derrapou na convocação de fardados e chegou a perguntar ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se haveria constrangimento em ouvir alguém da caserna.
 

O ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier não foi sequer convocado para explicar o suposto aval a um plano golpista de Bolsonaro após a vitória de Lula (PT). A CPI também não levou adiante o depoimento do general Walter Braga Netto (PL), ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro.
 

Mesmo assim, assessores que participaram da construção do relatório dizem que o documento deve reforçar o envolvimento de militares formados nas forças especiais do Exército, os chamados "kids pretos", e sugerir indiciamento do general Ridauto Fernandes —que também não foi ouvido pela CPI, mas foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal no mês passado.
 

"Nós ouvimos as mais diferentes patentes aqui nesta comissão, é natural que no nosso relatório nós também tenhamos indiciamentos", disse a relatora nesta segunda (16) sobre o indiciamento de militares e do ex-presidente. Ela não confirmou nenhum nome.
 

A CPI também deve sugerir que militares fiquem afastados da política quando quiserem se candidatar ou assumir cargo no governo federal. O pedido foi reforçado pelo movimento Pacto Pela Democracia, que reúne cerca de 200 entidades da sociedade civil, entre elas o Instituto Vladimir Herzog.
 

"A gente observa que, muitas vezes, a responsabilização das Forças Armadas não é feita. Responsabilizar [os militares] agora é de suma importância para que a gente entenda que qualquer crime contra o Estado Democrático de Direito será responsabilizado, tendo sido cometido por civil ou militar", defendeu o coordenador de Advocacy do Pacto, Arthur Mello.
 

Parlamentares da base avaliam que a comissão foi importante para aumentar a pressão sobre Cid. A CPI convocou o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, ameaçou chamá-lo de novo, quebrou seus sigilos e revelou que a lista de presentes recebidos era maior do que se sabia.
 

Ao mostrar que Bolsonaro tinha ganhado uma caixa de pedras preciosas, por exemplo, parlamentares aliados ao Palácio do Planalto avaliam que a CPI ajudou a expor o esquema de revenda de presentes dados ao Estado brasileiro, como as joias da Arábia Saudita.
 

Já a oposição trabalha em dois relatórios paralelos para reforçar a tese de que o governo Lula poderia ter evitado os ataques contra os Poderes —embora a proteção da Esplanada dos Ministérios seja responsabilidade do governo do Distrito Federal.
 

Um dos pontos de maior embate na investigação foi a participação do ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), e do ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Gonçalves Dias. Segundo aliados de Eliziane, ela não deve sugerir o indiciamento de GDias, mas apontar que houve falhas na proteção do Planalto.
 

Mas o principal relatório da oposição vai pedir responsabilização do próprio presidente Lula, além de GDias, Dino, do ex-interventor e número dois do Ministério da Justiça, Ricardo Capelli, e do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Saulo Moura.
 

O texto da oposição —coordenado pelo deputado federal delegado Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin de Bolsonaro— também pede indiciamento do comandante-geral da Polícia Militar do DF em 8 de janeiro, coronel Klepter Rosa Gonçalves, e do então chefe do Departamento Operacional da corporação, tenente-coronel Paulo José Bezerra.
 

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também vai defender o indiciamento de Dino e GDias em um relatório feito individualmente.
 

Ao longo dos cerca de cinco meses de funcionamento, a CPI sofreu revezes do STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Kassio Nunes Marques, por exemplo, suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Silvinei Vasques.
 

Kassio também dispensou Marília Ferreira de Alencar, ex-braço direito de Torres, de comparecer à CPI —diferentemente de outros ministros do STF, que determinaram que as pessoas convocadas poderiam ficar em silêncio, mas eram obrigadas a ir.

Família de políticos pede a Dino que não haja “covardia” contra eles nas investigações do caso Marielle


Por Redação

Flávio Dino, ministro de Justiça e Segurança Pública
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A família Brazão, dos deputados Domingos e Chiquinho Brazão, fez chegar ao ministro Flávio Dino, da Justiça, um pedido para que não haja “nenhum tipo de covardia” contra eles, em meio às investigações do caso Marielle Franco, no Rio de Janeiro. A informação é da coluna de Guilherme Amado do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.


Uma interceptação telefônica de 2019 mostrou que integrantes do grupo miliciano Escritório do Crime, ligado a Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle, recorreram à família Brazão para evitar o pagamento de propina a um funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Agora, as investigações do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes, lideradas pelo Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal, têm levado a ramificações que ligam o Escritório do Crime a políticos no estado. A família Brazão teme ser injustamente envolvida nesse redemoinho de revelações.

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