domingo, maio 28, 2023

Qual declaração do IR compensa mais: conjunta ou separada?

 

Qual declaração do IR compensa mais: conjunta ou separada?

Por Cristiane Gercina | Folhapress

Qual declaração do IR compensa mais: conjunta ou separada?
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Contribuintes casados ou que convivem em união estável costumam ter dúvidas se devem fazer a declaração do Imposto de Renda em conjunto ou separadamente. A opção será do casal, mas, há algumas regras que precisam ser observadas antes de decidir pelo melhor modelo.
 

Para fazer a declaração conjunta, é necessário que um dos contribuintes não esteja obrigado a declarar o IR 2023. Neste caso, é obrigatória a prestação de contas de forma separada, sob pena de pagamento de multa --mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido-- e outras consequências pela não entrega da declaração.
 

Segundo a Receita Federal, o conceito de declaração conjunta é de um documento feito por dois contribuintes "cujos rendimentos sujeitos ao ajuste anual estejam sendo oferecidos à tributação na declaração apresentada pelo contribuinte titular". Essa regra vale para o marido, a mulher ou outro dependente, como um filho, por exemplo.
 

Quem optar por este modelo terá que escolher um dos contribuintes para ser o titular da declaração. O outro será dependente e, neste caso, há direito à dedução por dependente no valor de R$ 2.275,08 (veja aqui quem pode ser dependente no Imposto de Renda). Após a identificação do contribuinte, na ficha dependentes, inclua o cônjuge sob o código 11.
 

Será necessário declarar todas as rendas recebidas por cada um dos contribuintes, com suas respectivas fontes pagadoras. Também é necessário informar todos os bens, investimentos, contas bancárias e gastos de cada um dos contribuintes na declaração.
 

Neste caso, é possível deduzir as despesas dos dois contribuintes e dos filhos, se houver. Um cuidado que é preciso tomar é identificar, nos campos de "Descrição" ou "Discriminação" de algumas fichas, se o bem ou despesa é do contribuinte titular, do cônjuge indicado como dependente ou de seus filhos.
 

Em geral, a declaração conjunta não compensa, porque o mais vantajoso é declarar dependente que não tenha renda. No entanto, as simulações devem ser feitas no programa do IR e o casal é quem decide como irá fazer a prestação de contas.
 

"O preenchimento é simples, mas o casal precisa estar atento para não cometer erros, não esquecer principalmente de informar todas as fontes pagadoras de ambos, pois esse tipo de erro é um dos que mais leva o contribuinte para a malha fina", afirma Daniel de Paula, especialista tributário da IOB.
 

Segundo ele, o direito de fazer declaração do IR em conjunto vale para casais heterossexuais e homossexuais. "Importante salientar que todas as regras valem para casais homoafetivos, desde que a relação seja comprovada por meio de certidão de casamento ou contrato de união estável registrado em cartório ou por acordo judicial", diz.
 

*Quem deve declarar o IR em 2023?*
 

Deve declarar o Imposto de Renda neste ano quem, em 2022:
 

- Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70, o que inclui salário, aposentadoria e pensão do INSS ou de órgãos públicos
 

- Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 40 mil
 

- Teve ganho de capital (ou seja, lucro) na alienação (transferência de propriedade) de bens ou direitos sujeitos à incidência do imposto; é o caso, por exemplo, da venda de carro com valor maior do que o pago na compra
 

- Teve isenção do IR sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias
 

- Realizou operações nas Bolsas de Valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto
 

- Tinha, em 31 de dezembro, posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, acima de R$ 300 mil
 

- Obteve receita bruta na atividade rural em valor superior a R$ 142.798,50
 

- Quer compensar prejuízos da atividade rural de 2022 ou anos anteriores
 

- Passou a morar no Brasil em 2022 e encontrava-se nessa condição em 31 de dezembro

Motivo de acusação contra Moro já cassou mandato de senadora; entenda

 

Sérgio Moro
Foto: José Cruz / Agência Brasil

O senador Sergio Moro (União-PR) pode ter seu mandato cassado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico. O PL o acusa de ter furado o teto com os gastos de pré-campanha. Procurado, Moro disse que a ação é “manifestamente improcedente”.

 

A acusação contra Moro é a mesma que cassou o mandato da ex-juíza Selma Arruda, que era chamada de “Moro de saias. O TSE entendeu que a então senadora declarou seus gastos de campanha, como contratação de empresas de pesquisa e marketing, como se fossem pré-eleitorais.

 

Pelo fato de os gastos pré-eleitorais não terem teto, candidatos por vezes tentam mascarar gastos de campanha no período anterior às eleições. A Justiça eleitoral considera que essa situação desequilibra a corrida.

Ao rever a cronologia do golpe, podemos constatar que Moraes age acertadamente

Publicado em 28 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Moraes manda prender bolsonaristas; há dezenas de empresários investigados  | VEJA

Sozinho em cena, Moraes tem agido com o rigor necessário

Roberto Nascimento

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal retome as investigações sobre a suposta participação do deputado Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS) em atos antidemocráticos.

A Polícia Civil gaúcha fez investigações preliminares e concluiu que o tenente-coronel participou da tentativa de golpe, mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região não pode prosseguir o inquérito e remeteu os autos para o Supremo, por causa do foro privilegiado do agora parlamentar.

DIZ SER PERSEGUIDO – O coronel está alegando perseguição e retaliação, por ter sido indicado para presidir a CPI do MST. Ora, está valendo tudo para os golpistas se livrarem dos atos ilícitos que praticaram. Estão com medo do ministro Alexandre de Moraes, que tem atuado com rigor.

Agora é tarde, mas lá atrás eles deveriam ter agido corretamente, nos ditames da lei, respeitando quem tem opinião contrária. Mas esses fanáticos foram acometidos pela volúpia do poder a qualquer custo, mesmo que fosse pelas forças das armas.

Tenho absoluta certeza de que o ministro Alexandre de Morais age dentro das quatro linhas da Constituição e saberá usar uma dosimetria adequada para as condenações, sem resquícios de vingança. Vida longa para o ministro do STF.

CRONOLOGIA DO GOLPE – Tenho comentado aqui na Tribuna da Internet, este espaço da Liberdade, que houve uma inquestionável cronologia do golpe.

O planejamento nasceu quando o grupo de militares palacianos, diante das ridículas aparições de Bolsonaro no cercadinho do Alvorada, percebeu que a eleição dele fora um ponto fora da curva, uma conjunção de fatos políticos que em 2018 jogou a direita nos braços de um extremista para derrotar o candidato de Lula.

Obviamente, pela fragilidade intelectual de Bolsonaro, aquelas condições políticas não se repetiriam na eleição de 2022. Assim, um plano alternativo deveria ser costurado, caso se confirmasse a possibilidade cada vez mais real de derrota de Bolsonaro nas urnas, conforme pesquisas de opinião internas, encomendadas pelo grupo palaciano.

COM A PANDEMIA – Veio a Pandemia, que demonstrou o despreparo e a falta de liderança do mandatário, sem condições de liderar a nação em temas sensíveis de proteção da coletividade.

A partir de 2021, Bolsonaro passou a investir contra o Tribunal Superior Eleitoral, com ataques às urnas eletrônicas e ameaças ao Supremo, especialmente aos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

Confirmada a derrota no segundo turno, no final de outubro de 2022 começou a ser colocada em prática a parte final da cronologia do golpe. Na diplomação de Lula como candidato eleito, dia 12 de dezembro de 2022, hordas de bárbaros bolsonaristas semearam o terror na capital, Mas a Polícia Militar do governador Ibaneis Rocha não prendeu ninguém.

A BOMBA FALHOU – No dia 24 de dezembro, véspera do Natal, três bolsonaristas falharam ao cometer um atentado terrorista, ao tentarem explodir uma bomba num caminhão de combustível próximo ao aeroporto de Brasília. O artefato explosivo falhou.

E por fim, a derradeira tentativa de golpe, no dia 8 de janeiro de 2023, com a invasão das sedes do Supremo, do Congresso e do Planalto, três símbolos da República. O objetivo era gerar o caos em Brasília, obrigando os militares a intervir para garantir o cumprimento da Lei e da Ordem.

Em todos os cenários, os golpistas tinham como meta, a volta de Bolsonaro ao comando do país, respaldado pelos militares considerados “frotistas”, da ultradireita do Exército.

FRACASSO DO GOLPE – Por que o golpe não deu certo? Simplesmente porque não houve consenso entre a maioria dos os generais do Alto Comando do Exército.

Os militares legalistas impediram o golpe. Os estrategistas do Exército não embarcaram nesta aventura, pelo risco de desintegração da unidade nacional, além da perspectiva do dia seguinte, como ocorrera na fase mais aguda do regime militar pós – 1964.

A lembrança da ditadura pesou na decisão do Alto Comando. Seus membros evitaram o desgaste dos militares, em nome da causa pessoal e injusta dos golpistas. Ponto para os legalistas. Impediram uma tragédia de grandes proporções. A nação esteve sobre o fio da navalha, no limiar da implantação de nova ditadura. Escapamos, mas a ameaça de golpe ainda aparece no radar da política nacional.


Falar em CPI contra Câmara de Veradores de Jeremoabo será um tiro no pé ou mesmo um suicídio

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⁠Mesmo com suposta boa intenção  do Vereador Zé Miúdo para tentar aprovar e instalar uma CPI para apurar irregularidades da própria Câmara será uma temeridade uma missão impossível, um ato de suícidio coletivo, 

Certa vez em conversa com o Coronel José Rufino ele disse: " Zé urubu não come urubu", era adolescente ainda, porém nunca esqueci desse pensamento que na prática assistimos constantemente com as blindagens. 

Dizem que de boas intenções o inferno está cheio;

No meu entender o vereador Zé Miúdo não contará com o apoio dos seus colegas da situação para tal  mister, isso porque os veradores da situação não irão acusar eles próprios.

Caso fosse implantada a CPI da Câmara provavelmente seria aparurado: omissão e prevaricação dos vereadores da situação, veículos de propriedade de vereadores da situação alugados ao município através de laranjas, parentes de vereadores empregados na prefeitura inclusive temdo também veículos alugados, vereadores recebendo dinheiro com funcionário da prefeitura mesmo não descontando os dias falvados, vereadores usurpando as atribuições do prefeito princialmenet na saude, chegando a desfaçatez de dar bronca em médicos, para não alongar muito até o autor do pedido da CPI teria que explicar a prática de clientelismo e qual foi o artista do seu grupo que qis comprar seu voto oferecendo R$ 300.000,00(trzentos mil reais).

O Vereador Zé Miúdo tem pouco tempo na vereança, ainda é amador não pode nem deve Embarcar em uma canoa furad,  A forma velada e descarada como rasgam códigos, princípios e valores para impor ideias descabidas, deixa-nos a todos boquiabertos.

. Os paradoxos da vida, contudo, trazem lições que não podemos ignorar

CPMI do 8 de Janeiro já tem 396 requerimentos em ‘guerra’ entre aliados de Lula e Bolsonaro




A recém instalada Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas opera no modo “guerra” de requerimentos. Com apenas três dias de funcionamento, parlamentares governistas e de oposição já apresentaram 396 pedidos de providências a serem adotadas pelo colegiado. Longe dos holofotes das sessões transmitidas ao vivo, deputados e senadores batalham nos bastidores para emplacar seus requerimentos, que, ao cabo, podem guiar os rumos das investigações e fazer prevalecer determinadas narrativas.

Não há limite para a apresentação de requerimentos, mas os parlamentares precisam convencer seus pares da necessidade de aprovar as suas demandas. A presidência da comissão precisa pautar os pedidos e a maioria votar pela aprovação.

O recordistas de pedidos apresentados é o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que foi responsável por 82 documentos que pedem desde a convocação de ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL), como Anderson Torres, até aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Marcos Amaro.

As convocações para suspeitos e testemunhas apresentarem seus depoimentos formam a maioria dos pedidos apresentados pelos parlamentares. Também há medidas administrativas elencadas. A deputada Duda Salabert (PDT-MG), por exemplo, solicitou todos os dados da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) relacionados aos atos do dia 8 de janeiro. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) solicitou ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF) todas as imagens captadas no dia da invasão aos Três Poderes.

Na guerra de requerimentos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aproveitou o poder de polícia da CPMI para pedir acesso completo ao inquérito do STF no qual o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), figura como investigado por suspeita de incitação aos atos golpistas. A defesa do ex-presidente tem alegado que o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito dos atos golpistas na Suprema Corte, os impede de ter acesso às acusações para formular sua estratégia defensiva.

Os aliados de Bolsonaro são responsáveis por 168 dos 396 requerimentos. Como mostrou o Estadão, o ex-presidente ordenou que seus deputados e senadores tenham foco completo na CPMI dos Atos Golpistas em detrimento de outros movimentos de direita, como as manifestações convocadas pelo deputado cassado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) na tentativa de reaver seu mandato. Bolsonaro chegou a boicotar a organização dos atos em discurso.

Há ainda medidas que miram o enfrentamento político. O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou na última quinta-feira, 25, requerimento solicitando a quebra de sigilo telefônico e telemático de Bolsonaro. Correia argumenta no pedido que “a depredação dos prédios dos Três Poderes da República surge da reiterada ação de vários atores políticos inconformados com a derrota eleitoral, uma avalanche de publicações mentirosas nas redes sociais questionando o pleito eleitoral e a ação e omissão do então Presidente da República Jair Messias Bolsonaro”.

Outros aliados de Lula, como a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), que é suplente do ministro da Justiça Flávio Dino, também solicitaram a convocação do ex-ministro e candidato à vice na chapa de Bolsonaro em 2022, general Walter Braga Netto.

Contra o ex-titular do GSI sob Bolsonaro, general Augusto Heleno, recaem sete pedidos de convocação para que ele explique a atuação da área de inteligência do governo em situações de crise que antecederam o 8 de janeiro. Entre elas, o monitoramento dos acampamentos golpistas em frentes aos quartéis militares e os atos violentos no centro de Brasília no dia 12 de dezembro, quando Lula foi diplomado presidente.

Os parlamentares da base de Lula aproveitaram as revelações da Polícia Federal (PF) de que o ex-aliado de Bolsonaro, Ailton Barros, tramou um golpe de Estado com o ex-ajudante de ordens da Presidência, Mauro Cid, para apresentar cinco requerimentos contra Ailton e outros quatro contra Cid. Contra o ex-secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, preso após a tentativa de golpe do dia 8 de janeiro, recaem três pedidos de depoimento.

Os aliados de Bolsonaro se valeram da mesma medida de Correia, mas para desgastar o governo Lula. Izalci solicitou as informações sigilosas do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GS), general Gonçalves Dias, que pediu demissão após ser flagrado dentro do Palácio do Planalto no dia da invasão do dia 8 de janeiro. Já Eduardo Bolsonaro solicitou a convocação dos ministros Flávio Dino e José Múcio, da Defesa.

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) pediu em seu único requerimento que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passo, envie documentos relativos à atuação da corporação no dia 8 de janeiro.

Foram protocolados até o momento 243 requerimentos de convocação, além de três convites para prestar depoimento. Há ainda outros 32 requerimentos de quebra e transferência de sigilos bancário, telemático e telefônico de suspeitos. Os outros 118 documentos apresentados à mesa diretora da CPMI são de pedidos de informação a órgãos do poder público, como a Presidência da República, as Forças Armadas e a Procuradoria-Geral da República.

Estadão / Dinheiro Rural

O problema é o socialismo, não a democracia.




O problema é a ideia de a democracia pressupor negócios públicos; que os contribuintes paguem empresas chefiadas por políticos cuja função não é gerir, mas governar. A democracia não é socialismo.

Por André Abrantes Amaral (foto)

Nem sabemos por onde começar porque as histórias quando se conhecem são antigas e cruzam-se temporalmente umas com as outras. Desde as ingerências do poder político na gestão de uma empresa de aviação, à utilização das secretas por parte de membros do governo e em nome de motivos dúbios; da estratégia de endividamento do país em troca do voto fácil, à suspeição de pactos políticos entre PS e PSD para a distribuição de vitórias pelas freguesias de Lisboa. Uma lista infinda de casos que nos levam a considerar que a democracia não anda de boa saúde. Aliás, torna-se necessário que nos interroguemos o que sucederia se Portugal não fizesse parte da UE. Não fossem os fundos que recebemos de Bruxelas ainda existia democracia ou teríamos deitado a toalha ao chão?

O percurso que o país encetou em 1995 conduziu-nos até este momento. Um dos mais delicados numa história de séculos porque se discute a sustentabilidade do Estado sem o soro de Bruxelas; porque se vive sob o peso de uma dívida que força a população a sair do país para a não ter de pagar; porque há sérias dúvidas quanto à independência das instituições do Estado perante o poder político. As dificuldades que começaram na área das finanças públicas, tornaram-se económicas, chegaram à esfera social, à incapacidade do Estado cumprir as suas funções essenciais e transformaram-se numa crise de ordem política.

A democracia liberal pressupõe liberdades individuais, liberdade de voto, de expressão, mudança não violenta de governo, separação de poderes, escrutínio por parte do Parlamento, da imprensa, tribunais independentes, justos e céleres, um papel activo das associações de cidadãos, cidadãos com sentido crítico prontos para duvidar, perguntar e discutir. Implica liberdade religiosa e daí a separação entre o Estado e a Igreja. Mas também significa liberdade para subir na vida pelo trabalho, esforço, ser recompensado pelas escolhas que se fez, por se ter poupado e investido. Uma democracia liberal existe e aguenta-se como garante da propriedade privada. Não destrói capital que é o nosso investimento nas gerações futuras; a nossa confiança nos nossos filhos; é a herança que lhes deixamos. Uma democracia liberal traz também consigo uma separação entre Estado e negócios; entre Estado e empresas; entre políticos e empresários. Naturalmente, que existem negócios entre o Estado e empresas, mas esses cingem-se a certas matérias e não devem constituir a tábua de salvação de empresários que não sobrevivem se cumprirem as regras do mercado livre.

Este não foi o caminho trilhado de 1995 até ao presente. Daí a TAP, o estado caótico da CP, a falta de investimento público e privado; daí uma economia que cresceu à custa do consumo interno e agora, que já nem isso é suficiente, do turismo. É este caminho que está errado; não é a democracia. Em qualquer comunidade existem sempre casos de corrupção, como não deixa de haver roubos, assaltos e homicídios. Mas numa democracia liberal saudável, em que o poder político não se imiscui nos negócios, em que os empresários não precisam dos políticos para conseguirem bons contratos, os casos de corrupção são em menor número porque menos necessários. Numa democracia liberal, a economia privada é suficientemente dinâmica para quem trabalhe seja bem-sucedido.

Não somos anjos. Foi na percepção desta verdade que se separaram os poderes executivo, legislativo e judicial. É na compreensão deste facto humano que a economia, a finança e as empresas não se devem misturar com a política. O papel de um governante é governar, não fechar negócios nem administrar empresas.

Observador (PT)

NEPOTISMO “CONJUGAL”




É claro que os maus exemplos vêm lá de “cima”.E geralmente os maus exemplos que vêm lá de cima são adotados como “referenciais” pelos que estão lá em baixo, e não têm muita moral. Se os lá de cima aboliram quase todos crimes e sanções morais contra a administração pública, definindo  que roubar do erário não é mais crime e passa a ser uma virtude, enquanto  praticar o bem ou buscar a justiça passa a ser um crime ou um mal, está mais que explicado a “bandalheira” e a falta de pudor político na nomeação das esposas de governadores para os cargos melhor remunerados do serviço público brasileiro. Se “antes” havia um certo pudor e constrangimento em se locupletar ilicitamente às custas do erário,agora os infratores deixaram a vergonha na cara para trás.

A  nomeação das esposas ou “esposes”de governadores para preenchimento de vaga nos tribunais de contas dos estados, mal passados os 4 primeiros meses da posse de Lula e dos governadores ,expandiu-se e cresceu como erva daninha. Não há mais qualquer controle.

Essas nomeações escapam do nepotismo formal, pois quem nomeia os conselheiros dos tribunais de contas são os deputados estaduais,não o governador.

O detalhe é que para preenchimento de vaga num tribunal de contas para fiscalizar as contas públicas não é  preciso qualquer formação, curso, ou mesmo saber de cor a tabuada ou o alfabeto. Não é preciso saber nada sobre contas públicas,mas o cargo é “vitalício”,e a remuneração geralmente se equipara ao teto no serviço público ,correspondente  à remuneração de Ministro do STF. Ou seja,é o melhor salário do Brasil.

Os fenômenos políticos que envolvem essas nomeações geralmente “contaminam”os que têm poder  decisório,seja nas Assembléias Legislativas,seja na Justiça.    
                                                                            
 Tanto os parlamentos estaduais,quanto os tribunais,estão “lotados” de nepotismo,e por isso não possuem a mínima moral para afastar o nepotismo dos outros , no caso,de interesse dos governadores pela nomeação das suas “Excelentissimas” esposas ,que pode ser considerado um nepotismo cruzado,uma “troca” de nepotismos,um  “toma-lá-dá-cá” de nepotismos,onde uma autoridade fecha os olhos para o nepotismo da outra, mas exige a recíproca.

Mas a tartaruga lenta da Justiça -para o “comum dos mortais” corre mais veloz que a velocidade da luz quando se trata de desfazer qualquer medida das instâncias inferiores  que possam abalar essas nomeações imorais.

Dentre as inúmeras nomeações de esposas de governadores para o tribunal de contas chama atenção a referente  à nomeação da esposa do Governador Helder Barbalho,do Pará,”companheiro” do Lula,Sra.Daniele Barbalho,que teve a sua nomeação barrada,no dia 23 de maio de 2023,pelo juiz Dr.Raimundo Santana,titular da 5ª Vara da Fazenda Pública,e já no dia seguinte,24,.essa decisão foi reformada, como um relâmpago, pelo Desembargador Mairton Marques Carneiro,do Tribunal de Justiça do Pará, validando a nomeação da esposa do governador.

A lógica do nepotismo conjugal: “deixe a minha que eu deixo a tua”

Por Sérgio Alves de Oliveira - Advogado e Sociólogo

Brasileiros em busca de menos liberdade




Eles querem o conforto psicológico de terem as suas pernas mentais incapazes de qualquer movimento, para terem uma longa naninha intelectual. 

Por Alexandre Soares Silva (foto)

Tem pessoas que só conseguem dormir com o lençol bem apertado. Se sentem mais confortáveis assim, bem aninhados e protegidos.

Essa é a única analogia que consigo fazer para entender o brasileiro em sua busca constante por menos liberdade. Os brasileiros querem o conforto psicológico de terem as suas pernas mentais incapazes de qualquer movimento, para poderem dormir uma longa e tranquila noite de naninha intelectual.

São como essas crianças que você vê que sofrem porque os pais são muito moles. Um profundo ressentimento contra o mundo inteiro começa a brotar nas suas carinhas ranhentas, só porque o pai é meio moleirão, a mãe fracota de vontade e disciplina.

Ou, para usar outra analogia, e não sei mais se já estamos na segunda ou na terceira, são como essas mulheres liberadas que vivem com uma dose evidente de raiva contra os homens ocidentais, que apesar de todo mundo ver que são flácidos, fracos e moles, vítimas de ginecomastia, barbudinhos bebedores de IPA, acusam de serem patriarcas inflexíveis saídos da Bíblia. Você vê claramente que algumas dessas mulheres só vão ser felizes no dia em que se submeterem à civilização islâmica.

Estava pensando na piada do tal de Léo Lins. Tenho uma repugnância sensata ao stand-up brasileiro, porque gosto de rir, sabe, e ir para um teatro só pra interromper a minha rotina de gargalhadas e ficar duas horas sem conseguir rir me parece lúgubre. Mas começo a sentir alguma simpatia pelo segmento, agora que algumas centenas de (para usar o jargão que eles amam mas não costumam aplicar a si mesmos) Corpos Petistas quiseram censurar uma piada, e censuraram.

Aliás, como são competentes os esquerdistas: quiseram censurar, e censuraram. Quando eles querem fazer uma coisa eles acabam fazendo essa coisa, o que é uma metodologia política que nós conservadores ainda não desenvolvemos. Geralmente, nós queremos fazer alguma coisa durante décadas, debatemos, damos palestras, vendemos cursos, choramingamos, brigamos entre nós, comentamos nossa derrota em artigos inteligentes, e depois de algum tempo admitimos que estávamos errados e que nem devíamos ter querido essa coisa em primeiro lugar.

Esse é o modus operandi conservador arquetípico. Querer fazer uma coisa e logo depois fazer essa coisa nos soa como mais um desses absurdos que os esquerdistas sempre fazem.

Sobre a piada em si, é esta: “Negro não consegue achar emprego, mas na época da escravidão já nascia empregado e também achava ruim.”

Estamos entre pessoas inteligentes aqui, todo mundo soube encontrar o caminho pra fora dos lençóis hoje de manhã, então não preciso explicar que a graça está no absurdo lógico do que está sendo dito, certo? E que se rimos é porque achamos essa lógica absurda e insensata, e se achamos absurda e insensata (e rimos) não somos racistas rindo de uma “piada racista”. Entendemos isso, porque é bastante claro. Mas até mesmo pessoas sensatas de esquerda, que defendem a liberdade de contar essa piada, usam a expressão “piada racista” para descrevê-la. Por quê?

Porque, nos últimos anos, o acúmulo de centenas de matérias de jornais e TV convenceram os esquerdistas mais mentalmente frágeis de que, no Brasil, é possível lotar uma plateia inteira de stand-up com pessoas que de fato querem a volta da escravidão. É isso que esses esquerdistas veem quando Léo Lins conta essa piada e o público ri. Não interpretam como algo propositalmente absurdo do qual as pessoas riem porque é propositalmente absurdo, mas como a expressão séria de um desejo finalmente não reprimido.

Ou vejam o caso da romancista e jornalista Giovana Madalosso. Passeando pela cidade de Urubici, em Santa Catarina, Giovana viu duas casas com a palavra HEIL pintada no telhado e achou que estava numa cidade inteira de nazistas. Ela escreveu um artigo na Folha descrevendo sua experiência aterrorizante de publicitária aterrorizada (a expressão “telhas arianas’ está lá em algum trecho, a sério).

Uma cidade inteira de nazistas. Isso foi plausível pra ela. É implausível para mim, e é implausível para a própria estrutura da realidade, onde o HEIL nos telhados era só o sobrenome da família que aluga as casas.

No Brasil inteiro só devem existir uns oito nazistas não irônicos. Mas nazistas brasileiros, às centenas, ou aos milhares, ou até aos milhões se pensarmos nas tias que usam camiseta da seleção brasileira, é o tipo de coisa que é plausível para escritores, jornalistas, ministros do STF e pessoas não muito reflexivas desse tipo. Essa é a visão que a esquerda toda tem do país, porque eles mesmos se hipnotizaram com histórias absurdas durante anos — todos os sinais sutis que indicavam a presença de nazistas secretos, como o número 88, Felipe Martins fazendo o sinal de ok, loiros dolicocéfalos bebendo leite etc.

Para combater esses nazistas imaginários, é óbvio que a liberdade tem que ser restrita. E nem acho que eles usem esse argumento de modo cínico. São como crianças que contaram tantas histórias de fantasmas para si mesmas que agora estão com medo de dormir no escuro.

Revista Crusoé

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