segunda-feira, março 13, 2023

Ministro que trouxe joias ilegalmente está ganhando R$ 34 mil de conselho da Itaipu

Publicado em 12 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Bento Albuquerque é o 2º ministro do governo diagnosticado com a covid-19

Bolsonaro recompensou o amigo com uma bela mesada…

Vinícius Valfré
Estadão

O governo Lula da Silva começou a abrigar aliados em cargos estratégicos de empresas públicas que rendem até R$ 40 mil extras por reuniões mensais ou bimestrais. Os assentos nos conselhos das estatais são entregues para contemplar apoiadores, garantir controle nas decisões sobre os rumos das companhias e incrementar as remunerações de ministros e executivos.

Na Itaipu Binacional, indicações de Jair Bolsonaro devem perder em breve os cargos com remunerações de R$ 34 mil para encontros bimestrais. Entre os bolsonaristas remanescentes, estão o ex-assessor especial Célio Faria Junior e os ex-ministros Bento Albuquerque e Adolfo Sachsida.

ESCÂNDALO DAS JOIAS – Bento Albuquerque está no centro do escândalo da entrada ilegal de joias no Brasil, revelado pelo Estadão. Por indicação de Bolsonaro, os ex-ministros têm mandato até maio de 2024. O regimento da empresa, porém, permite a substituição dos conselheiros a qualquer tempo. O governo Lula está preparando as substituições, segundo petistas. Os novos nomes estão sendo analisados pela Casa Civil.

No ano passado, 77 empresas públicas repassaram R$ 14,6 milhões em honorários e jetons para 460 pessoas. O gasto com os extras é ainda maior porque as empresas de economia mista não seguem as mesmas regras de transparência, e os valores pagos não são revelados. Os valores devem ser repetidos até dezembro.

As primeiras alterações no governo Lula já foram realizadas no Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), após a renúncia, em janeiro, de seis nomeados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). Um conselheiro do BNDES recebe R$ 8,1 mil. O valor contempla as reuniões mensais e as extraordinárias. Em 2022, foram 51 encontros, média de quatro por mês.

TRANSIÇÃO AMBIENTAL – Entre os novos membros da equipe estão a ex-ministra de Meio Ambiente Izabella Teixeira, que atuou no segundo mandato de Lula e no governo de Dilma Rousseff (PT), e o climatologista Carlos Nobre. A entrada deles, segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, visa a uma “transição ambiental” no banco.

Chefe da assessoria especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e ex-assessor do gabinete da liderança do PT no Senado, Jean Keiji Uema também virou conselheiro do BNDES. Além dele, está também Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal escolhido pelo ministro da Economia, Fernando Haddad. Barreirinhas chefiou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de São Paulo na gestão de Haddad (2013-2016).

Para a presidência do conselho foi escolhido o economista Rafael Lucchesi, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo do petista Jaques Wagner, na Bahia. Lucchesi também esteve na equipe de transição do governo Lula, no fim do ano passado.

INCREMENTO SALARIAL – As vagas de conselheiros das empresas costumam ser entregues a ministros e executivos provenientes da iniciativa privada para incremento salarial. Os jetons não são considerados salário e por isso não entram nos cálculos de teto salarial, equivalente à remuneração mensal de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que passará a R$ 41,6 mil a partir de abril.

O chefe da pasta das Comunicações, Juscelino Filho, assumiu a presidência do Conselho Deliberativo da Fundação Sistel de Seguridade Social, o fundo de pensão complementar dos trabalhadores das empresas de telecomunicações. Por ser uma entidade privada, a remuneração dos membros do conselho não é pública.

Deputado licenciado do União Brasil do Maranhão e sem expertise no ramo das telecomunicações, Juscelino Filho entrou na vaga da Telebras. A empresa diz que indica “executivos de alto nível como membros representantes para compor o seu conselho deliberativo”. É praxe a Telebras indicar um nome do ministério para o conselho. Até o ano passado a pasta era representada não pelo ministro, mas pela então secretária executiva, Maria Estella Dantas.

ALTOS JETONS – O governo Lula ainda não alterou a composição dos principais conselhos administrativos de estatais. Empresas como Petrobras e Embraer pagam jetons superiores a R$ 40 mil. As primeiras reuniões deliberativas estão em vias de serem realizadas. São previstas novas trocas a partir de abril deste ano. Procurada, a Casa Civil não comentou.

Em 2020, o Supremo decidiu que políticos e servidores podiam acumular os vencimentos, extrapolando o teto atual do funcionalismo. As gratificações que garantiram supersalários foram consideradas remunerações privadas. Essa situação foi questionada por uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) apresentada pelo PT e pelo PDT ainda em 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso. Depois da gestão do tucano, entretanto, os governos petistas de Lula e Dilma e também os de Michel Temer (MDB) e Bolsonaro recorreram à prática dos jetons para turbinar os vencimentos dos aliados políticos.

MAIS PRIVILÉGIOS – No governo Bolsonaro, generais da reserva e integrantes da equipe econômica estavam entre os que extrapolaram o teto do serviço público com nomeações para os conselhos de estatais. Um dos discursos do governo anterior é que, no caso da área econômica, os vencimentos inflados permitiam a contratação de executivos da iniciativa privada com salários mais elevados.

A priori, as indicações precisam passar por análise de instâncias do governo. A Casa Civil dá a palavra final sobre a aptidão técnica e a capacidade dos indicados para ocuparem cargos nos conselhos das empresas públicas. No entanto, virou quase uma praxe a nomeação de pessoas próximas do presidente ou de ministros sem relação direta com as áreas de atuação das estatais.

Iniciativas para limitar os jetons costumam não ir adiante. Em uma rara inflexão da prática de inflar os salários, a Lei de Estatais, de 2016, proibiu que dirigentes partidários assumissem cargos de direção. A norma que estabeleceu diretrizes de governança para as estatais, entretanto, não impediu o uso dos conselhos como instrumento de garantir altos vencimentos nem como moeda de troca nas negociações do Palácio do Planalto com o Congresso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se pode confiar em governos que usam essa prática de remunerar seus aliados com elevados jetons, a pretexto de participarem de conselhos que nada discutem, nada decidem e somente se reúnem para garantir o faturamento fácil e farto. Essa escandalosa prática mostra que, desse jeito, este país não vai para a frente, sob hipótese alguma. Nossas elites são desclassificadas, desonestas e despudoradas. (C.N.)

Quebrar a estatueta de ouro para caber na mochila prova a má-fé do ex-ministro

Publicado em 13 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil joias avaliadas em R$ 16,5 milhões

Ministro mandou quebrar a estatueta para caber na mochila

Carlos Newton

Passado o escarcéu dos primeiros dias, pode-se agora raciocinar com mais calma sobre o comportamento do então presidente Jair Bolsonaro, que se comportou exatamente como seus antecessores Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ao deixar o governo, os presidentes petistas se apossaram de bens que eram do Patrimônio da União e foram obrigados pelo Tribunal de Contas da União a devolver 472 itens que haviam  usurpado, como se lhes pertencessem, mas o TCU esqueceu de pedir a condenação penal que desmoralizaria esse tipo de governantes.

Pobre que furta uma linguiça para comer é rotulado de ladrão, mas ex-presidentes podem furtar milhões e nada lhes acontece, rigorosamente nada. Aliás, se Lula e Dilma tivessem sido condenados por peculato, com pena de 2 a 12 anos de prisão de e multa, Bolsonaro não teria enveredado pela mesma trilha criminosa, certamente o fez porque sabe que escapará incólume.

CRIMES COM AGRAVANTES – O peculato é um crime cometido por funcionário público que, em razão do cargo, tem a posse de bem público, e se apropria dele ou o desvia, em benefício próprio ou de terceiros. Está descrito no artigo 312 do Código Penal.

No caso de Lula e Bolsonaro, há circunstâncias agravantes. O petista, por exemplo, tinha pleno conhecimento de que os bens furtados eram valiosos. Tanto assim que os guardou no cofre-forte de uma agência bancária em São Paulo.

Governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil joias avaliadas em R$ 16,5 milhões

Esta é base da estatueta de ouro que foi quebrada

No caso de Bolsonaro, houve cumplicidade do então ministro Bento Albuquerque, um almirante de águas turvas, que sabia que se tratava de peças valiosas e que não poderiam ser declaradas à Alfândega, para sonegar impostos, e por isso as dividiu entre dois servidores e até mandou que quebrassem as patas da estatueta equestre de ouro, para que coubesse na mochila. Para o ministro, a estatueta não tinha valor, somente se interessava pelo ouro, vejam a que ponto chegamos.

PROVAS MATERIAIS – No caso de Bolsonaro e Albuquerque, trata-se de crimes com fartas provas materiais, que incluem as pressões feitas a funcionários da Receita Federal.

As investigações mal começaram, mas já se sabe quase tudo. Por exemplo: desde o início do governo, Bolsonaro já agia assim, pois em 2019 se apossou de estojo de joias recebido de governantes sauditas, com os quais o Brasil iria negociar a venda de uma de suas mais tradicionais refinarias de petróleo.  

Nesta próxima quarta-feira (dia 15), o TCU deve determinar a realização de uma auditoria para examinar a situação de todos os presentes dados a Bolsonaro nos quatro anos de mandato – e não só essas joias enviadas pela Arábia Saudita.

Governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil joias avaliadas em R$  16,5 milhões

Quebra da estatueta exibe o caráter do almirante

PEÇAS MUITO VALIOSAS – Essa auditoria do TCU vai dar o que falar, porque Bolsonaro rotulou como “bens de uso personalíssimo” muitos itens de alto valor, que incluem outros presentes de sauditas e governantes estrangeiros.

A lista do acervo pessoal do ex-presidente inclui itens estranhos, como um fuzil e uma pistola, além de outras peças certamente são ser valiosas e precisam ser incorporadas ao Patrimônio da União, como 44 relógios, sendo 8 de parede, 74 facas e 54 colares.

Já afirmamos aqui a maioria desses objetos tem alto valor, não se trata de itens considerados personalíssimos, como bonés, sapatos e uniformes de clubes esportivos. É evidente que ninguém iria presentear o presidente da República com relógios populares, facas de cozinha ou colares comprados no camelódromo. Presenteá-lo com facas seria atém uma ofensa. depois de Bolsonaro ter sido esfaqueado. Ou seja, onde se lê facas, pode-se ler adagas e espadas. 

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P.S. 1
 – Quando assinalamos que Lula e Bolsonaro são iguais, há muitos comentaristas que protestam. Infelizmente, porém, não podemos desprezar os fatos. O que se constata é que nenhum dos dois está preparado – moral ou intelectualmente – para ser presidente da República.

P.S. 2 – Na minha opinião, tudo é possível, inclusive Bolsonaro ter combinado com Albuquerque lhe dar parte dos presentes — e assim o ministro ficaria com o broche que sumiu do estojo de joias e com a estatueta. Mas o almirante de águas turvas ficou com medo da Alfandega, trouxe consigo apenas o broche, que poderia ocultar na carteira, e mandou quebrar a estatueta, para caber na mochila do assessor. Se a estatueta tivesse de ser entregue a Bolsonaro no Brasil, é óbvio que Albuquerque jamais a danificaria. E como o almirante já deu três versões, esta seria apenas a quarta. (C.N.)

Bolsonaro se recusou a assinar decreto que lhe restringiria a posse dos presentes sauditas

Publicado em 13 de março de 2023 por Tribuna da Internet

PF identificou registro de segundo pacote de joias no acervo privado de  Bolsonaro - ac24horas.com - Notícias do Acre PF identificou registro de  segundo pacote de joias no acervo privado de Bolsonaro

Decreto reforçaria a ilegalidade de se apossar das joias

Manoel Ventura
O Globo

Dez meses depois de o então ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, entrar no Brasil com joias oferecidas por autoridades da Arábia Saudita ao Estado brasileiro, o governo abandonou uma proposta de decreto que impedia que o chefe do Executivo pudesse levar consigo, ao deixar o governo, presentes diplomáticos recebidos durante o mandato.

A iniciativa, elaborada pela Casa Civil, estava pronta em agosto de 2022 e tinha como objetivo atender a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que limitou os itens liberados a ficar com o presidente ao fim da gestão. Três meses depois, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu as joias e, posteriormente, as incorporou ao seu acervo privado, quando deixou o Palácio do Planalto.

TEXTO ERA CLARO – O decreto, ao qual O Globo teve acesso, deixava claro que produtos recebidos “protocolarmente, em decorrência de relações diplomáticas vigentes” não poderiam ser incorporados ao acervo privado do presidente da República. Bolsonaro, entretanto, não assinou a proposta de decreto, condição necessária para que o texto entrasse em vigor.

Agora, por determinação do TCU, a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar o destino dado às joias sauditas. As peças chegaram ao país em outubro de 2021 por meio do então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, escalado para representar Bolsonaro num evento no exterior.

Quando ele retornou ao Brasil, a Receita Federal confiscou um estojo de joias avaliadas em R$ 16,5 milhões. Elas estavam com um assessor de Albuquerque e não haviam sido declaradas.

O SEGUNDO ESTOJO – Na mesma ocasião, porém, o ministro conseguiu passar com outra caixa de joias, contendo relógio, anel, um par de abotoaduras, caneta, e uma espécie de rosário, tudo em ouro. Esse material foi entregue a Bolsonaro mais de um ano depois, em novembro de 2022. Ao invés de repassá-lo ao acervo histórico da Presidência, Bolsonaro o incorporou aos seus bens pessoais. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de São Paulo.

Uma servidora do governo Bolsonaro disse à Polícia Federal que as joias retidas pela Receita também chegaram a ser incluídas no acervo pessoal do então presidente. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de São Paulo.

A proposta de decreto que regulamentava o assunto, jamais publicado, tem data de agosto de 2022. Àquela altura, a operação dos assessores diretos de Bolsonaro para tentar reaver as joias apreendidas pelas Receita já estava em curso. A PF investiga se o material seria entregue à então primeira-dama, Michelle.

DIZIA O DECRETO – O texto do documento foi redigido pela Casa Civil de Bolsonaro. À época, a pasta estava sob o comando do hoje senador Ciro Nogueira (PP-PI). O decreto tinha como objetivo “melhor definir os bens que integram os acervos documentais privados dos presidentes da República”, de acordo com documento assinado pelo então subchefe de Assuntos Jurídicos da Presidência, Pedro de Souza.

O decreto foi gestado para atender a recomendações do TCU. O tribunal havia concluído uma investigação do paradeiro de presentes recebidos pelo presidente Lula em seus dois primeiros mandatos e pela ex-presidente Dilma Rousseff. A Corte determinou que ambos devolvessem 472 artigos recebidos como chefes de Estado.

Para evitar a repetição do problema, o TCU recomendou que a Casa Civil alterasse a legislação para deixar claro quais tipos de presentes poderiam ser levados após o término do mandato.

OBJETOS PERSONALÍSSIMOS – A minuta do decreto detalhava ainda que o titular do Palácio do Planalto não pode tomar para si presentes recebidos em eventos com chefes de Estado em agendas no exterior ou durante visitas dessas autoridades ao Brasil.

A exceção seriam itens de natureza perecível ou “personalíssima”. O próprio TCU classifica como de natureza personalíssima peças de vestuário e perfumes, entre outro — e exclui joias dessa lista.

— Imagine-se, a propósito, a situação de um chefe de governo presentear o presidente da República do Brasil com uma grande esmeralda de valor inestimável, ou um quadro valioso. Não é razoável pretender que, a partir do título da cerimônia, os presentes, valiosos ou não, possam incorporar-se ao patrimônio privado do presidente da República, uma vez que ele os recebe nesta pública qualidade — disse à época o ministro do TCU Walton Alencar, relator daquele caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se diz popularmente, Lula, Dilma e Bolsonaro, são farinha do mesmo saco. E foram eles que furaram o saco, para roubar a farinha. (C.N.)

domingo, março 12, 2023

Deputados e senadores do Centrão exigem mais cargos para aprovar projetos


Charge do Duke (O Tempo)

Pedro do Coutto

O Globo deste sábado, reportagem de Bianca Gomes, Guilherme Caetano, Sérgio Roxo e Bruno Góis, revela diferenças fisiológicas que surgiram no MDB e no União Brasil, incluindo componentes do Centrão, destinadas a pressionar o governo Lula a ceder nomeações para que aprovem projetos enviados pelo governo, entre eles quatro Medidas Provisórias.

É um absurdo, mas  o governo no fundo atenderá, aliando-se a um jogo antidemocrático de favorecimentos à questões pessoais em troca de apoio às matérias coletivas.  O deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, é o articulador do governo junto ao Plenário e também junto ao Senado, presidido por Rodrigo Pacheco.

VALIDADE – O senador Renan Calheiros sustenta que manter essa situação significa permitir a arguição da validade das deliberações feitas pelas Casas do Congresso em face do atentado que se verifica ao próprio projeto legislativo. Mas, segue o jogo. Inclusive porque a oposição ao presidente da República se reforça na base das exigências fisiológicas daqueles que desde Fernando Collor até agora sempre se distinguiram pela troca do apoio do governo para as votações nas quais se encontrava interessada.

A Reforma da Previdência Social é um exemplo que perdura até hoje. Não há sinal de que tal prática terminará. Para esses parlamentares importa o atendimento de suas pretensões. Trata-se de um péssimo exemplo.

SEGREDO DAS JOIAS –  Com base em relatório do procurador Lucas Furtado, o do Tribunal de Contas da União,  determinou a Jair Bolsonaro que em cinco dias devolva os presentes que recebeu da Arábia Saudita. No O Globo, a reportagem é de Geralda Doca. Na Folha de S. Paulo, a matéria é de Constança Rezende.

O Tribunal, portanto, alterou o despacho do ministro Augusto Nardes que permitia que Bolsonaro se tornasse fiel depositário das jóias recebidas: uma caneta, um relógio, abotoaduras e um terço religioso. O problema assim se agrava, pois Bolsonaro se devolver (está obrigado a isso) terá passado atestado de culpa. Se não devolver, abrirá caminho para um processo criminal.


Sob lavagem cerebral do baixo nível da TV, brasileiros não conseguem aprender a votar

Publicado em 12 de março de 2023 por Tribuna da Internet

ARIONAURO CARTUNS - Blog do Cartunista Arionauro: Charge Manipulação Tv

Charge do Arionauro (Arquivo Google)

Antonio Carlos Rocha

Franqueza é isso: “A gente quer sempre provocar o pior neles, nunca o melhor. A gente não quer que todo mundo diga que se ama. Quando alguém é péssimo para o público, é maravilhoso para a gente”, diz Boninho, diretor da TV Globo, sobre a estratégia do BBB para garantir audiência, segundo registrou o Facebook do deputado estadual Atila Nunes, no último dia 25.

A sinceridade do citado diretor é espantosa. Sua declaração indica um dos vários motivos que fazem a população votar mal e eleger péssimos governantes e representantes. Dizem que os meios de comunicação são o espelho do país. Se eles privilegiam sempre o pior, o resultado não pode ser outro.

PALAVRAS DO REI – Pelé já dizia isso nos anos 1970: “O povo não sabe votar”. Muitos o criticaram, mas, entra década sai década e vemos o tecido social brasileiro dando audiência nas TVs para baixarias, confirmando as palavras do Rei Pelé.

A afirmação do diretor da Globo é conclusiva. Quer dizer que um programa educando o povo através da neurolinguística, com pensamentos positivos/construtivos, estará fadado ao prejuízo? Bem, tive oportunidade de viajar por alguns países europeus e vi emissoras de TV muito diferentes… A meu ver, melhores.

E veja a segunda frase do referido diretor: “A gente não quer que todo mundo diga que se ama”. Justamente o contrário do que sempre disseram Jesus, Buda, Gandhi e tantos outros.

BOTÃO DE DESLIGAR – Claro que ninguém é obrigado a assistir tais programas, como afirmava o saudoso jornalista Sérgio Porto, mas conhecido como Stanislaw Ponte Preta e que era roteirista de TV: “A melhor coisa na televisão brasileira é o botão de desligar”.

Concordo com ele ainda hoje. Talvez por esses e tantos outros motivos não consigo ver TV. Não posso ficar parado horas diante de uma “Bárbara bela tela de TV”, como cantava o poeta Gilberto Gil, em sua canção que lembrava o filme francês “Barbarela”.

Não sou melhor do que ninguém, mas podemos parodiar: “Diga-me o que assistes nas TVs e dir-te-ei quem és, constatarei em quem votas…”.

BRASIL BEM BOBO – Não estou falando nada de novo, outros já escreveram sobre a influência que a televisão exerce sobre as massas, até melhor do que eu, mas a presente reflexão me faz destacar o BBB como um programa tipo Brasil Bem Bobo, que imita o lixo de emissoras estrangeiras.

E as especialistas da mídia não estão nem aí com o que escrevo, porque sou um mortal, com muitas falhas, idealista sonhador social, e meu romantismo vai todo para torcer por um outro BBB, que represente um Brasil Bem Bacana.

Blocão de Lira se desfaz e deixa o PT isolado, sem uma sólida base aliada

Publicado em 12 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Hector Cartunista (Hector_Cartunista) - Profile | Pinterest

Charge do Hector (Arquivo Google)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Ao contrário do que aconteceu no Senado, onde a disputa entre o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que foi reeleito, e o candidato bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) foi um divisor de águas entre a base do governo e a oposição, o blocão formado para reeleger Arthur Lira (PP-AL) presidente da Câmara criou uma espécie de “terra de ninguém” entre a base do governo e a oposição.

Com 495 deputados, a base de Lira é um terreno pantanoso para o Palácio do Planalto, que não sabe ainda com quem poderá contar nos partidos do Centrão. Somente o PSol-Rede e o Novo ficaram de fora do blocão, que agora está se desmanchando.

UMA BASE INCERTA – Se o blocão foi muito bom para Lira, não foi nem um pouco para o governo. Fortaleceu o presidente da Câmara, que teve a reeleição mais consagradora da história, mas o presidente Lula não conseguiu estruturar sua base.

Mesmo que o deputado Rui Falcão (PT-SP) venha a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, em acordo com Lira, sua composição é o primeiro sinal de que a governabilidade de Lula depende da “boa vontade” do presidente da Câmara.

Dos 64 assentos, PT e aliados, como o PDT e o PSB, têm apenas cerca de 15 deputados, dos quais 10 são petistas ou deputados federados do PCdoB e PV. Com 26 integrantes, PP, Republicanos e Podemos formam a oposição, sendo 13 do PL, o partido de Bolsonaro. União Brasil, MDB, PSD e deputados do Centrão ligados a Lira somam 18 deputados na CCJ. Restam mais cinco independentes, entre os quais os deputados da federação PSDB-Cidadania.

CAIR NA REAL – Parece que não caiu a ficha para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), que não conseguiu formar um bloco com os aliados tradicionais do presidente Lula, como o PSB, o PDT e o Solidariedade. Ontem, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, a Executiva do PSB aprovou a decisão de formar uma federação com as duas legendas, mirando a construção de uma grande força de centro-esquerda, espaço que o PT não conseguiu ocupar e, aparentemente, também não o deseja.

Os três partidos tiveram desempenho aquém de suas próprias expectativas no ano passado: PSB caiu de 32 deputados para 14; PDT, de 28 para 17; Solidariedade, que incorporou o Pros, tem sete. Com isso, o bloco terá 48 deputados.

Na terça-feira próxima, as cúpulas das três legendas vão se reunir para consolidar a federação. A decisão dos três partidos é uma resposta ao hegemonismo petista, principalmente em relação à orientação política e composição dos ministérios.

FOGO AMIGO – Nem mesmo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está a salvo do fogo amigo petista. Mesmo que as pressões do PT sejam um jogo combinado entre o presidente Lula e a deputada Gleisi Hoffmann, os resultados não estão sendo bons para o governo, que parece ao sabor dos acontecimentos e disperso na ação política.

Pressionado pelos acontecimentos, o presidente Lula tem se saído bem, como nos casos da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, que enfraqueceu muito a extrema direita; do genocídio de ianomâmis, em Roraima; e, agora, o escândalo das joias presenteadas pela Arábia Saudita à ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, no valor de R$ 16 milhões, no qual o ex-presidente Bolsonaro está cada vez mais encalacrado.

Entretanto, o governo Lula parece disperso e sem foco nas suas prioridades. Todos os ministros e partidos da coalizão de governo deveriam estar mais preocupados com a articulação da base governista no Congresso para aprovar os principais projetos de governo, entre os quais a reforma tributária.

MINISTROS DESGASTANTES – O Centrão é mais venha a nós do que ao vosso reino. Os ministros do União Brasil Daniela Carneiro (Turismo), Waldez Góes (Integração) e Juscelino Filho (Comunicações) desgastam o governo. A primeira por causa do apoio eleitoral das milícias da Baixada Fluminense; o segundo, ex-governador do Amapá, foi condenado por peculato. E Juscelino só foi mantido no cargo porque o presidente da Câmara pressionou o governo.

Desde a indicação dos três ministérios, numa negociação conduzida pelo senador Davi Alcolumbre (AP), a bancada do União Brasil está rebelada. Não há nenhuma garantia de que os três ministros possam realmente assegurar os votos que o governo precisa ter na Câmara. O líder da legenda, deputado Elmar Nascimento (BA), é mais aliado de Lira, que deseja fazê-lo seu sucessor, do que do presidente Lula.

Lira é o principal artífice da negociação entre o PP (47 deputados) e o União Brasil (59) para a formação de uma federação, quiça uma fusão, que está emperra por causa dos conflitos regionais. Caso as divergências sejam superadas, os dois partidos serão a maior forca política da Câmara, com 106 deputados, suplantando o PL (99) e a federação PT-PCdoB-PV (81).

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