quinta-feira, fevereiro 23, 2023

No rombo nas Americanas, bancos dão um “jeitinho” de transferir a dívida para União


Carlos Vasconcellos
Bancários Rio

Empresas fornecedoras com seus prejuízos e trabalhadores com a perda de seus empregos sofrem com o escândalo das Lojas Americanas, após um rombo estimado em R$20 bilhões. Mas o Bradesco, segundo maior banco privado do país, segundo artigo do jornalista Cláudio Magnavita, dono do jornal Correio da Manhã, transfere sua dívida de R$1,8 bilhão para a União, ou seja, para os cofres públicos. Na verdade,  quem vai pagar a transferência da dívida é o contribuinte.

Segundo o texto, o Bradesco usa de um artifício no mercado financeiro chamado de “receita cessante”, expressão usada para explicar um crédito líquido e certo que “evapora”.

A ESTRATÉGIA – Nestes casos, diz o autor do artigo, esta estratégia considera, fundamentada numa resolução do Banco Central, que seria “obrigação entrar nos cofres públicos o dinheiro desviado por instrumento ilegal”, o que mostra, mais uma vez, que o mercado financeiro cria mecanismos para que o setor continue a ser o mais lucrativo do país e os riscos sejam transferidos para o Estado, que os donos dos bancos privados tanto criticam.

O aparato legal está na Resolução 2682/1999  do BC, criada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso  (PSDB). Foi durante a gestão de FHC também que foi criado o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), com o objetivo de socorrer o sistema financeiro em caso de crises e dívidas contraídas em investimentos e operações de risco.

O calote dos bancos socorridos pela medida de FHC custará muito caro ao país e aos contribuintes.

ESTADO MÍNIMO – É o chamado estado mínimo, tão decantado pelos neoliberais e pelo mercado, é apenas para cortar investimentos voltados para o trabalhador. Os banqueiros, grandes empresários e especuladores querem o Estado apenas para acumularem ainda mais riqueza, transferindo dívidas bilionárias para o contribuinte.

Talvez isso explique porque o cartel dos bancos defende a chamada ‘autonomia’ do Banco Central, para manterem seus privilégios e aplicarem os maiores juros do mundo sobre a população, as empresas do setor produtivo e o próprio estado. 

O Bradesco, por exemplo, pretende transferir 40% da dívida bilionária das Americanas para os cofres públicos.

MENOS IMPOSTOS – Magnavita mostra a fórmula da transferência da dívida bilionária que acaba sendo paga pelos contribuintes. Ao determinar o lucro real do trimestre, o banco aumentou o “Provisionamento para Devedores Duvidosos (PDD), velha estratégia utilizada pelos bancos de guardar dinheiro em seus cofres alegando riscos de inadimplência, e que é abatido nos impostos a pagar.

Não por caso, o Bradesco dobrou o valor de seu provisionamento, que passou a ser de R$14,9 bilhões, cobrindo com sobras a dívida das Americanas com o banco, que chega a R$4,8 bilhões. É deste montante da dívida que a instituição financeira quer transferir 40% para o estado brasileiro. 

Com essa jogada “contábil”, o Bradesco paga R$ 1,8 bi a menos de impostos e diminui seus prejuízo.

SOCIALIZAÇÃO – “Esta fórmula é lesiva à União. Os dividendos são privados e os prejuízos, socializados”, denuncia o jornalista, defendendo que a União e o BC deveriam reagir, já que do provisionamento de R$4,9 bilhões, 40% são deduzido dos imposto a pagar e “não se trata da socialização da inadimplência de milhares de comerciantes” que são fornecedores das Americanas, mas do banco e da gigante do setor de e-commerce que entrou em recuperação judicial após sofrer um rombo.

O escândalo deixa cada vez mais evidente que os fraudadores precisam ser responsabilizados e punidos pela Justiça, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) investiga o caso das Americanas.

O Bradesco “fez a operação por sua conta e risco com único cliente e agora deixa de recolher aos cofres públicos dois bilhões de reais e provisiona, de uma só vez, toda a dívida para gozar do benefício fiscal”, acrescenta o artigo.

SANTANDER E ITAÚ – Mas não foi só o Bradesco quem provisionou para pagar menos impostos aos cofres públicos: Itaú e Santander provisionaram 30% das dívidas das Americanas, usando mais uma vez o PDD para aumentar ainda mais seus ganhos com redução tributária.

O jornalista defende que o governo não aceite essa jogada contábil e lembra ainda que o total provisionado cobre o passivo um ou dois anos depois como ocorre nos descontos estratosféricos que os bancos dão ao consumidor, quando percebem que não irão recuperar mais o montante total da dívida, incluindo juros e multas.

“Lucro para poucos e prejuízo socializado e espetado na conta da União”, conclui o jornalista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente a reportagem enviada por José Vidal. Mostra a má fé dos bancos, porque o escândalo das Americanas veio a furo em 6 de janeiro, mas eles fizeram o provisionamento com se isso tivesse ocorrido em dezembro, no trimestre anterior, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente. (C.N.)

Não haverá bondade sem maldade




Imposto menor para alguns elevará a carga dos demais

Por Lu Aiko Otta (foto)

Os primeiros passos da reforma tributária neste ano indicam que sua aprovação não será tão célere quanto espera o governo. O Executivo fala em votação no primeiro semestre. Porém, o grupo de trabalho criado na Câmara para analisar a proposta tem prazo até o início de maio para produzir um relatório.

Em seguida, o texto passará pelo Senado, que desejará fazer uma avaliação criteriosa. Do ponto de vista de quem tem pressa, o ideal seria alguns senadores acompanharem o debate na Câmara, para ganhar tempo. Esse esquema funcionou bem na reforma da Previdência.

Estão sobre a mesa duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs), a 45 e a 110. Em comum, elas fundem os tributos sobre o consumo para criar um imposto sobre valor agregado. De diferente, a PEC 45 propõe que a fusão resulte num só imposto sobre bens e serviços, enquanto a PEC 110 propõe um novo tributo dual: uma parte a cargo da União, e outra, dos Estados e municípios.

Uma vantagem da reforma é simplificar o sistema. Por exemplo, com a uniformização de 27 regras diferentes que hoje regem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Outra, acabar com a guerra fiscal. Ou ainda, permitir que as empresas deduzam totalmente, a cada etapa de produção, os impostos que pagaram na etapa anterior, acabando com o pesadelo que existe hoje. Assim, a reforma pretende simplificar a vida das empresas e reduzir seus custos de conformidade. É esperado impacto positivo nas decisões de negócio e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Os benefícios são muitos, mas a reforma tributária aguarda aprovação há mais de 30 anos. Não é por acaso.

Olhando no detalhe, a simplificação pretendida na reforma tromba de frente com uma constelação de especificidades e pressões políticas. Ao longo dos anos, essas forças criaram esse monstrengo que temos hoje e barraram as tentativas de reforma. O roteiro ameaça se repetir.

O grupo de trabalho da Câmara tem três deputados do Amazonas. A Zona Franca de Manaus é potencialmente prejudicada com a reforma, pois os tributos que não são cobrados lá (mas o são no restante do país) deixarão de existir. Assim, deixa de existir o que é hoje um atrativo suficientemente grande para levar indústrias a se instalarem num local distante dos centros de consumo e com logística cara.

Além do fim do IPI, está previsto o fim do PIS/Cofins, uma belezinha cujo funcionamento é regulado por um catatau de 811 artigos. Diz a lenda que ninguém na Receita Federal sabe tudo sobre ele. Hoje, há 38 programas por meio dos quais setores específicos pagam menos ou não pagam o PIS, e outros 43, o Cofins. Juntos, eles retiram dos cofres públicos R$ 130 bilhões.

Em teoria, o fim do PIS/Cofins acabará com todos eles. Porém, não se espera uma rebelião generalizada dos setores hoje beneficiados. Isso porque os regimes especiais foram criados para contornar o problema da cumulatividade. Que, em tese, será resolvido pela reforma.

Assim, pelo menos na teoria, o fim dos benefícios não resultará em aumento da carga tributária. As empresas pagarão o mesmo.

Da mesma forma como a Zona Franca pressionará por um tratamento especial na reforma, outros grupos farão o mesmo. O setor de serviços é um deles. A PEC 45 diz que empresas dos setores de saúde e educação terão 12 anos de tratamento diferenciado, a ser detalhado em lei. Ninguém duvida que a lista aumentará, com itens de maior ou menor mérito, limitando a simplificação pretendida. É o preço que está posto para a aprovação da reforma.

Há, porém, um limite nessa construção. A reforma tem de ser neutra, ou seja, tem de garantir que a arrecadação após sua aprovação continue nos mesmos níveis de hoje. Assim, se algum setor for beneficiado com recolhimentos menores, todo o conjunto restante terá de bancar essa diferença. Como se diz no Executivo: não haverá bondade sem maldade.

Quanto mais exceções houver, maior será a alíquota geral do novo tributo sobre o consumo que se pretende criar. Sem tratamentos diferenciados, a alíquota seria de 25% para todos. Com tratamentos diferenciados, poderá ficar maior.

O tamanho da alíquota era visto pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes como um problema político. Embora apenas reflita o que já pagamos hoje sem nos darmos conta, é um número elevado que pode perfeitamente ser explorado pela oposição à proposta.

No governo anterior, a reforma tributária tinha a seu favor um inédito consenso dos governadores em torno de uma proposta elaborada pelo Comitê de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) e apresentada como emenda às duas PECs. Esse texto foi incorporado à PEC 110.

No entanto, dado que está em construção um novo relatório, com parte das duas PECs, o apoio será reavaliado, disse a esta coluna o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que no governo passado presidia o Comsefaz.

Ele acha que não haverá unanimidade em torno da proposta. Ainda assim, está otimista quanto à aprovação, dada sua importância econômica. E também porque, desta vez, a reforma é apoiada pelo presidente da República.

São Paulo quer protagonismo nessa discussão, segundo se informa no entorno do governador, Tarcísio de Freitas. Acusado nos bastidores de ter trabalhado contra a reforma tributária no ano passado, Guedes deve ser conselheiro no Palácio dos Bandeirantes.

Não são poucos os obstáculos à frente. Porém, além de seus inegáveis impactos econômicos, a aprovação da reforma tributária ajudaria a desanuviar a percepção sobre a economia brasileira. Acredita-se no governo que o clima hoje é pior do que as condições objetivas determinariam.

Os ruídos em torno da política monetária, ainda não superados, provocaram uma sensação de crise. Seria o contrário se o governo tivesse centrado fogo nas duas prioridades que escolheu: reforma tributária e arcabouço fiscal. A ver se o Carnaval contribuiu para recalcular a rota.

Valor Econômico

A impunidade




Por Pedro Valls Feu Rosa (foto)

Dia desses li que no Brasil existem umas 250 mil vagas no sistema penitenciário – mas estima-se em 400 mil o número de presos. O pior: existem 550 mil mandados de prisão pendentes. A conclusão é simples: o Brasil precisaria de 950 mil vagas em suas prisões mas conta com apenas 250 mil.

Este não é um problema exclusivo do Brasil. Não faz muito tempo o jornal The Guardian, do Reino Unido, noticiou um déficit de 80 mil vagas naquele país, no qual presos têm dormido em banheiros e até dentro de Tribunais. Li no Le Monde que a situação nas prisões da França é “explosiva”, estando 60.963 presos ocupando 48.600 vagas. Na Espanha, noticiou o El País que existem 59.199 mais presos que vagas. Nos EUA, registrou o New York Times a soltura de 567 presos pelo Governador do Kentucky, diante da falta de recursos para mantê-los.

Diante desta polêmica concluiu-se que a solução passaria por estimular as penas alternativas e facilitar as liberdades condicionais – uma maneira politicamente palatável de se colocar nas ruas criminosos os mais perigosos. E é assim que tem sido desmoralizada, ao redor do mundo, uma linda modernização do Direito Penal.

As penas alternativas e os mecanismos de liberdade condicional e progressão de regime de cumprimento de pena são algo maravilhoso. Porém, dada a ânsia em esvaziar as prisões, o que temos visto são leis e interpretações absurdas.

Ora pessoas covardemente agredidas vêem seus algozes pelas ruas a troco de uma merreca qualquer para alguma instituição beneficente, ora assassinos e traficantes são soltos quase que no início do cumprimento de suas penas, escandalizando uma Sociedade cada vez mais presa dentro de casa.

É quando aflora a dura verdade de que o Estado não sabe o que fazer com os criminosos. De cada 100 crimes apenas 2 resultam em condenação aqui no Brasil. Do universo de condenados, 70% permanecem pelas ruas, abarrotando os juizados de penas alternativas. E nem assim resolveu-se o problema da falta de vagas no sistema prisional!

Talvez, neste início de milênio, fosse oportuno que a humanidade se desse conta de que o nosso sistema de justiça penal faliu e que já passou da hora de buscarmos responder a algumas perguntas convenientemente deixadas de lado, ora por conta de nossa cegueira, ora por conta da mais fina hipocrisia.

*Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Diário do Poder

ransparência Internacional cobra saída de ministros citados em escândalos




Ministros das Comunicações, Turismo e Integração estão envolvidos em escândalos de dinheiro público; os casos aconteceram antes das nomeações para os ministérios

Por Manuel Marçal 

Ao completar 50 dias do governo Lula, a Transparência Internacional Brasil (TIB) cobrou posicionamento do presidente da República sobre os escândalos com dinheiro público que pairam sobre o nome de três ministros.  

Os casos ocorreram quando eles ainda não tinham sido nomeados, mas vieram a público após serem indicados para compor a gestão do petista. “Estamos há 50 dias com ministros envolvidos com escândalos de dinheiro público. O que o governo Lula vai fazer a respeito?”.  

A ONG lembrou que o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), indicou R$ 5 milhões do Orçamento Secreto para asfaltar uma estrada que vai até a própria fazenda, no Maranhão. O caso foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo.  

Do mesmo partido de Juscelino Filho, a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, é suspeita de desviar verbas públicas durante a sua campanha para deputada federal e de ter ligações com integrantes de milícias no Rio de Janeiro. Um dos criminosos foi condenado a mais de 20 anos de prisão.  

Outro caso também é do ministro da Integração e Desenvolvimento Regional  Waldez Góes (PDT). Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal por crimes de peculato, fraude em licitação e associação criminosa.  

Góes foi condenado, em 2019, a 6 anos e nove meses de prisão pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por crime de peculato. A defesa do político apresentou recurso, que está parado no Supremo Tribunal Federal por pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.  

A Transparência Internacional chegou a contestar a indicação dele para o cargo e, à época, disse que Waldez Góes entrava no governo “pela cota do Centrão, que consegue achacar qualquer governo, à direita ou à esquerda”.  

O ex-governador do Amapá “é um dos principais aliados de Arthur Lira (PP-AL) e deve comandar de perto a Codevasf, estatal loteada pelo Centrão e que durante o governo Bolsonaro abrigou grandes esquemas de corrupção abastecidos pelo Orçamento Secreto”, escreveu o TIB.  

A indicação de Góes para o cargo de ministro foi articulada e apadrinhada pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A expectativa é que ele se desfilie do PDT e migre para o União Brasil. 

“Ministros envolvidos com desvio ou mau uso do dinheiro público estão no governo, que ainda não fez nada para tirá-los de seus cargos”, reclamou a ONG.  

Lula tem tentado minimizar os escândalos que envolvem seus ministros para evitar desgaste da imagem do governo. O petista já adiantou que, eventual demissão do alto escalão, ficaria condicionado a uma “análise interna” de cada caso pela Controladoria-Geral da União (CGU).  

“Nós vamos ver internamente, através da CGU, para saber se tem procedência a denúncia. Se tiver procedência a denúncia, o ministro será afastado. Se não tiver procedência, segundo a CGU, vamos dizer que não tem procedência”, declarou à CNN Brasil em entrevista na última quinta-feira (16).  

Na mesma entrevista, o presidente da República falou, pela primeira vez, sobre o caso do ministro das Comunicações. Ele disse que durante a sua viagem aos Estados Unidos, no início deste mês, ordenou que Alexandre Padilha (Relações Institucionais) desse uma primeira explicação ao governo.  

“Quando saiu a denúncia do ministro Juscelino, eu liguei para o Padilha. Eu estava nos Estados Unidos e falei: ‘Padilha, eu quero que você converse com Juscelino. Eu quero que você ouça a explicação dele, porque ele tem que se explicar corretamente para os meios de comunicação’. E vai ser assim que vai acontecer com todas as denúncias”, disse o presidente. A ligação telefônica, porém, ocorreu 12 dias após saírem as primeiras reportagens mostrando o escândalo envolvendo Juscelino Filho.  

Lula também tentou atenuar as denúncias contra a ministra do Turismo. “Eu, sinceramente, se for levar em conta pessoas que estão em fotografia ao lado de pessoas outras, a gente não vai conversar com ninguém porque eu sou o cara que mais tira fotografia no mundo”, afirmou à CNN. 

Na primeira reunião ministerial do seu governo, no dia 6 de janeiro, o presidente da República chegou a dizer que vai tratar os ministros como “uma mãe”, mas que em “fizer coisa errada” vai ser convidado a deixar o governo e até mesmo investigado.   

"Todo mundo sabe da nossa responsabilidade, todo mundo que é nossa obrigação fazer as coisas corretas, é fazer as coisas da melhor forma possível. Quem fizer coisa errada, a pessoa sabe que só tem um jeito. A pessoa será, simplesmente, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo. E se cometeu algo grave, a pessoa terá que se colocar diante das investigações e da própria Justiça".

O petista não fez menção direta ao nome da ministra durante a reunião. Em coletiva de imprensa após o encontro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, negou que o caso de Daniela tenha sido debatido entre Lula e os ministros. 

O Tempo

Guerra na Ucrânia: por que planos de Putin falharam e o que a Rússia quer agora



Quando o presidente russo, Vladimir Putin, enviou cerca de 200 mil soldados para a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, ele presumiu erroneamente que poderia invadir a capital, Kiev, em questão de dias e depor o governo.

POR PAUL KIRBY 

Após uma série de retiradas humilhantes, seu plano inicial de invasão claramente fracassou — mas a Rússia não vê a guerra como perdida.

Qual era o objetivo inicial de Putin?

Até hoje, o líder russo descreve a maior invasão europeia desde o fim da Segunda Guerra Mundial como uma “operação militar especial”. E não como uma guerra em larga escala que bombardeou civis em toda a Ucrânia, levando mais de 13 milhões a cruzar a fronteira como refugiados ou a se deslocar dentro do próprio país.

Seu objetivo declarado em 24 de fevereiro de 2022 era “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia — e não ocupá-la pela força —, dias depois de reconhecer a independência de duas regiões separatistas no leste da Ucrânia, ocupadas por forças rebeldes apoiadas pela Rússia desde 2014.

Ele prometeu proteger a população de oito anos de intimidação e genocídio ucranianos — uma alegação da propaganda russa sem qualquer fundamento na realidade. Ele falou em impedir o avanço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por meio da Ucrânia, e depois acrescentou o objetivo de garantir o status neutro da Ucrânia.

Putin nunca disse isso com todas as letras, mas no topo da sua agenda estava derrubar o governo do presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

“O inimigo me designou como alvo número um; minha família é o alvo número dois”, declarou Zelensky. As tropas russas fizeram duas tentativas de invadir o complexo presidencial, segundo o assessor dele.

As alegações russas de nazistas ucranianos cometendo genocídio nunca fizeram sentido, mas a agência de notícias estatal russa Ria Novosti explicou que “a desnazificação é também inevitavelmente a desucranização” — que, na prática, seria apagar o Estado moderno da Ucrânia.

Durante anos, o presidente russo negou à Ucrânia sua soberania, escrevendo em um longo artigo de 2021 que “russos e ucranianos eram um só povo”, o que remontaria ao fim do século 9.

Como Putin mudou seus objetivos de guerra

Um mês após a invasão, suas metas de campanha foram drasticamente reduzidas depois que suas tropas bateram em retirada de Kiev e Chernihiv. O objetivo principal se tornou então a “libertação de Donbas” — que se refere amplamente a Luhansk e Donetsk, duas regiões industriais no leste da Ucrânia.

Forçada a se retirar também de Kharkiv, no nordeste, e de Kherson, no sul do país, a Rússia manteve seus objetivos inalterados, mas tem mostrado pouco sucesso em alcançá-los.

Esses reveses no campo de batalha levaram o líder russo a anexar quatro províncias ucranianas em setembro passado, sem ter controle total sob nenhuma delas: nem sob Luhansk ou Donetsk, no leste, nem sob Kherson ou Zaporizhzhia, ao sul.

Putin anunciou a primeira convocação militar da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, embora parcial e limitada a cerca de 300 mil reservistas.

Uma guerra de atrito está ocorrendo agora ao longo de uma linha de frente ativa de 850 km — e as vitórias russas são pequenas e raras. O que era para ser uma operação rápida, se tornou uma guerra prolongada que os líderes do Ocidente estabeleceram que a Ucrânia deve vencer. Qualquer perspectiva realista de neutralidade para a Ucrânia já não existe mais.

Putin alertou em dezembro que a guerra “poderia ser um processo demorado”, mas depois acrescentou que o objetivo da Rússia era “não girar o volante do conflito militar”, mas acabar com ele.

O que ele alcançou?

O maior sucesso que Putin pode reivindicar é estabelecer uma ponte terrestre ligando a fronteira da Rússia com a Crimeia, anexada ilegalmente em 2014, de modo a não depender mais da ponte sobre o Estreito de Kerch.

Ele falou da captura deste território, que inclui as cidades de Mariupol e Melitopol, como um “resultado significativo para a Rússia”. O Mar de Azov, dentro do Estreito de Kerch, “se tornou o mar interno da Rússia”, ele declarou, lembrando que nem mesmo o czar russo Pedro, o Grande, conseguiu isso.

Ele fracassou?

Além de tomar um corredor territorial para a Crimeia, a guerra foi um desastre para a Rússia em si e para o país em que foi desencadeada. Até agora, conseguiu pouco mais do que expor a brutalidade e a inadequação das forças armadas russas.

Enquanto cidades como Mariupol foram arrasadas, vieram à tona detalhes de crimes de guerra cometidos contra civis em Bucha, perto de Kiev. As denúncias levaram a um relatório independente que acusa a própria Rússia de incitação ao genocídio orquestrada pelo Estado.

Mas são os fracassos militares que expõem a fragilidade Rússia:

– A retirada de 30 mil soldados russos de Kherson pelo Rio Dnipro, em novembro, foi uma falha estratégica;

– Um comboio blindado de 56 km que parou de avançar perto de Kiev, no início da guerra, foi uma falha logística;

– As mortes de um grande número de soldados recém-convocados em um ataque de mísseis ucraniano no ano novo, em Makiivka, foram uma falha de inteligência;

– O naufrágio do Moskva, principal cruzador russo do Mar Negro, foi uma falha defensiva, assim como o ataque espetacular em outubro de 2022 que fechou a ponte do Estreito de Kerch por semanas.

As advertências feitas pela Rússia ao Ocidente contra armar a Ucrânia foram ignoradas, com garantias de apoio do Ocidente “pelo tempo que for necessário”.

A artilharia da Ucrânia foi reforçada por mísseis Himars, fabricados nos EUA, e a promessa de tanques alemães Leopard 2.

Mas a guerra não acabou. A luta por Donbas continua. A Rússia capturou a cidade de Soledar neste ano e espera tomar a cidade de Bakhmut, ao leste, na rota para cidades-chave a oeste, além de recapturar o território que perdeu no outono passado.

Especialistas acreditam que Putin vai tentar ampliar o controle das quatro regiões que declarou fazerem parte da Rússia, não apenas em Donbas, mas em direção à cidade-chave de Zaporizhzhia.

Se for necessário, o presidente russo pode estender a mobilização militar e prolongar a guerra. A Rússia é uma potência nuclear, e ele indicou que estaria disposto, se necessário, a usar armas nucleares para proteger a Rússia e manter as terras ucranianas ocupadas.

“Certamente faremos uso de todos os sistemas de armas disponíveis. Não é um blefe”, alertou.

Kiev acredita que a Rússia também está tentando depor o governo pró-europeu na Moldávia, onde as tropas russas estão baseadas na região separatista da Transnístria, na fronteira com a Ucrânia.
Putin foi prejudicado?

Aos 70 anos, Putin tentou se distanciar dos fracassos militares, mas sua autoridade, pelo menos fora da Rússia, foi minada — e ele faz poucas viagens além das fronteiras do país.

Internamente, a economia da Rússia aparentemente resistiu a uma série de sanções ocidentais, embora o déficit orçamentário tenha disparado e as receitas de petróleo e gás tenham caído drasticamente.

Qualquer tentativa de avaliar sua popularidade esbarra em dificuldades.

A dissidência na Rússia é altamente arriscada, com penas de prisão aplicadas a qualquer um que espalhe “notícias falsas” sobre os militares russos. Aqueles que se opõem ao governo da Rússia fugiram ou foram colocados atrás das grades, como aconteceu com a principal figura da oposição, Alexei Navalny.
Mudança da Ucrânia para o Ocidente

As sementes desta guerra foram plantadas em 2013, quando Moscou convenceu o então líder pró-Rússia da Ucrânia a cancelar um pacto planejado com a União Europeia, provocando protestos que acabaram por derrubá-lo e levaram a Rússia a tomar a Crimeia e preparar a apropriação de terras no leste.

Quatro meses após a invasão da Rússia em 2022, a União Europeia concedeu à Ucrânia o status de candidata — e Kiev está pressionando para o país ser aceito o mais rápido possível.

O líder russo de longa data também estava desesperado para impedir que a Ucrânia entrasse na órbita da Otan, mas sua tentativa de culpar a aliança militar do Ocidente pela guerra é falsa.

A Ucrânia não apenas concordou antes da guerra com um acordo provisório com a Rússia para ficar fora da Otan, como o presidente Zelensky se ofereceu, em março, para manter a Ucrânia como um Estado não-alinhado e não-nuclear: “É uma verdade e precisa ser reconhecida .”
A Otan é culpada pela guerra?

Os Estados membros da Otan têm enviado cada vez mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia para proteger suas cidades, assim como sistemas de mísseis, artilharia e drones que ajudaram a virar o jogo contra a invasão russa.

Mas a aliança militar não é culpada pela guerra. A expansão da Otan vem como uma resposta à ameaça russa — Suécia e Finlândia só solicitaram adesão por causa da invasão.

Culpar a expansão da Otan para o leste é uma narrativa russa que ganhou algum espaço na Europa. Antes da guerra, Putin exigiu que a Otan voltasse no tempo para 1997 e retirasse suas forças e infraestrutura militar da Europa Central, do leste europeu e dos países bálticos.

A seus olhos, o Ocidente prometeu em 1990 que a Otan não se expandiria “nem um centímetro para o leste”, mas avançou assim mesmo. No entanto, como isso foi antes do colapso da União Soviética, a promessa feita ao então presidente soviético Mikhail Gorbachev se referia apenas à Alemanha Oriental no contexto de uma Alemanha reunificada.

Gorbachev disse mais tarde que “o tema da expansão da Otan nunca foi discutido” na época.

A Otan afirma que nunca teve a intenção de mobilizar tropas de combate em seu flanco oriental, até que a Rússia anexou a Crimeia ilegalmente em 2014.

BBC Nrasil/ Daynews

Imperatriz Leopoldinense é campeã do carnaval 2023 do Rio de Janeiro

 

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Fotos: Alexandre Durão/g1

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense é a grande campeã do Carnaval 2023 do Rio de Janeiro. Após 22 anos sem conquistar o primeiro lugar, a escola subiu ao pódio com 269.8 pontos.

 

Este ano, a escola levou para a avenida a história de Lampião, rei do cangaço. Maria Mariá, moradora do Complexo do Alemão, de 20 anos, foi a rainha de bateria.

 

O desfile da Imperatriz contou com 3 mil componentes divididos em 24 alas, com cinco carros e dois tripés. A escola Viradouro conquistou o 2° lugar com  269.7 pontos, e a escola Vila Isabel conquistou o 3° lugar com 269.3 pontos.

 

Confira o top 10 dos campeãs do Carnaval do Rio:

1° Imperatriz - 269.8 pontos
2° Viradouro - 269.7 pontos
3° Vila Isabel - 269.3 pontos
4° Beija Flor - 269.2 pontos
5° Mangueira - 269.1 pontos
6° Grande Rio - 268.6 pontos
7° Salgueiro - 268.5 pontos
8° Tuiuti - 268.3 pontos
9° Unidos da Tijuca - 268.2 pontos
10° Portela - 267.7 pontos

Pessoas que tiveram Covid têm mais risco de desenvolver diabetes, diz pesquisa


Por Redação

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Foto: Divulgação

Pessoas que tiveram Covid-19 têm um risco maior de desenvolver diabetes, e esse vínculo parece ter persistido na era Ômicron, segundo um novo estudo publicado no JAMA Network Open. Segundo os pesquisadores do Cedars Sinai Medical Center, em Los Angeles, as evidências sugerem que as infecções por Covid-19 estão ligadas a um novo diagnóstico de diabetes, embora não esteja claro se essa relação é uma coincidência ou causa e efeito.


Os pesquisadores analisaram os registros médicos de mais de 23 mil adultos que tiveram Covid-19 pelo menos uma vez. Eles analisaram a probabilidade de essas pessoas receberem um novo diagnóstico de diabetes, pressão alta ou colesterol alto nos três meses após a infecção por Covid-19 em comparação com os três meses anteriores.


Como as visitas aos serviços de saúde foram frequentemente interrompidas durante a pandemia, muitas pessoas estão apenas fazendo exames de rotina e exames que podem ter deixado para trás.Para os estudiosos, isso poderia torná-los mais propensos a obter um novo diagnóstico de uma condição, como diabetes, que eles podem estar desenvolvendo de qualquer maneira.


Para controlar isso, eles também analisaram o risco de algo que chamaram de diagnóstico de referência – um novo diagnóstico de refluxo ácido ou infecção do trato urinário – como uma forma de lidar com esse viés. Os dados brutos mostraram que as pessoas que tiveram Covid-19 tiveram maiores riscos de serem diagnosticadas com diabetes, colesterol alto e pressão alta após suas infecções.


Mas quando os pesquisadores ajustaram esses números para contabilizar o diagnóstico de referência, apenas o risco de diabetes permaneceu significativamente elevado. A Covid-19 aumentou as chances de um novo diagnóstico de diabetes em cerca de 58%.


Outro ponto forte do estudo foi o fato de incluir pessoas diagnosticadas entre março de 2020 e junho de 2022, portanto, foi capaz de estimar o risco mesmo depois que a variante Ômicron varreu os Estados Unidos. Vários estudos sugeriram que o Ômicron causa infecções por Covid-19 menos graves do que as variantes que o precederam.


O estudo também analisou o papel da vacinação e descobriu que ela pode ajudar a proteger contra o diabetes. Quando os pesquisadores analisaram seus dados para distinguir entre aqueles que foram vacinados contra o coronavírus e aqueles que não foram, eles descobriram que os vacinados quase não tinham risco aumentado de diabetes após a Covid-19, mas os não vacinados tinham quase 80% mais risco de um novo diagnóstico de diabetes. 

 

Esta diferença não foi estatisticamente significativa, no entanto. Kwan diz que se os pesquisadores tivessem um pouco mais de dados, a conexão poderia ser mais clara. Os cientistas não têm certeza de como a Covid-19 pode aumentar o risco de diabetes. Pode haver várias razões. Para realmente entender se o diabetes é uma doença diferente após a pandemia, seriam necessários estudos que acompanhassem as pessoas para coletar informações sobre fatores sociais relacionados à pandemia e mudanças na capacidade do corpo de produzir e usar insulina.

Bahia Notícias
 

Centrão negocia base paralela de apoio a Lula no Congresso

Quinta-Feira, 23/02/2023 - 07h00

Por Ranier Bragon e João Gabiel | Folhapress

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Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

 A montagem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma base de apoio no Congresso envolve a negociação com grupo de parlamentares de partidos que não são formalmente aliados, em especial do centrão --PL, PP e Republicanos, trinca que deu sustentação política a Jair Bolsonaro (PL).
 

Articuladores do governo, dirigentes e integrantes dessas legendas --além de outras menores, como o Podemos-- falam de uma potencial bancada paralela pró-Lula em torno de 70 deputados e 10 senadores, o que seria decisivo para votações importantes no Congresso.
 

O ensaio de adesões ao governo é simbolizado pelo próprio partido de Bolsonaro, o PL, que é o maior da Câmara (99 dos 513 deputados) e o segundo no Senado (12 de 81).
 

Apesar de abrigar alguns dos principais expoentes do bolsonarismo, a sigla deve ter dissidências significativas pró-governo nas duas Casas.
 

O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, tem afirmado em conversas com parlamentares que calcula de 20 a 30 deputados do partido com inclinação a se aliar ao governo, em especial os mais antigos na legenda, que não ingressaram na política por meio do bolsonarismo.
 

Valdemar tem feito uma brincadeira nessas conversas, a de que o PL é, como o próprio nome diz, um partido "liberal", o que é entendido como um sinal de que não haverá punições.
 

Ex-ministro dos Transportes de Dilma Rousseff, por exemplo, o deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) foi eleito coordenador da bancada paulista na Câmara com apoio do PT, que viu na ocasião uma oportunidade para ampliar a divisão no partido entre o "centrão raiz" e o "bolsonarismo raiz".
 

Rodrigues repete um mantra dito aberta e reservadamente por quase todos os parlamentares que hoje não estão aliados formalmente ao governo, mas que ensaiam adesão.
 

"Como brasileiro, torço pelo sucesso [do governo]. Não tem cabimento torcer contra o meu país. Acabou a eleição, temos que torcer pelo sucesso. Eu vou acompanhar as diretrizes partidárias, mas o que for bom para o Brasil, eu não vou votar contra."
 

Rodrigues, inclusive, diz que irá defender na reunião dos congressistas do PL com Valdemar, após o Carnaval, uma deliberação contrária a uma das principais bandeiras do bolsonarismo radical, o ataque ao STF (Supremo Tribunal Federal).
 

"Eu não sou oposição radical não, e sou contra qualquer atitude contra o Judiciário. Decisão judicial se respeita. Vou propor na pauta [da reunião] uma decisão para respeitar o Judiciário."
 

Outro membro mais antigo do PL, Tiririca (SP) diz ser muito cedo para avaliar o governo Lula, mas afirma que é defensor "da democracia e da vontade do povo brasileiro". Toda a proposta que for de interesse da população e para o bem do Brasil terá o seu apoio, diz.
 

No Senado, Romário (PL-RJ) já é tratado por petistas e até por seus correligionários como voto praticamente certo a favor das pautas do governo. Há a expectativa, inclusive, de que ele deixe sua legenda em breve --o senador não quis se pronunciar sobre o assunto.
 

Ex-vice-líder do governo Bolsonaro, o senador Carlos Viana (MG) trocou o PL pelo Podemos, mas afirma estar dentro da ala de oposição a Lula. Isso não impedirá que ele vote e defenda pautas do atual governo, diz.
 

"Eu fui vice-líder [do governo Bolsonaro] porque diversas propostas da economia [do Paulo Guedes] eram iguais às minhas, uma política liberal, as privatizações. Mas determinados pontos do bolsonarismo, como a questão das vacinas, eu nunca compartilhei. Meu público sabe que eu defendo o interesse público independente de governo", afirma.
 

"A base bolsonarista mais radical não tem jeito, ela quer oposição por oposição, e isso eu não vou fazer. Precisamos de uma oposição inteligente que defenda o futuro do país", acrescenta.
 

Reservadamente, senadores afirmam que, a depender da pauta, até 25 dos 32 nomes que atualmente compõe o grupo de oposição a Lula podem votar junto com o governo, e o exemplo mais citado é o da reforma tributária.
 

O texto, uma das principais bandeiras econômicas do PT e que vem sendo articulado por Fernando Haddad (Fazenda) e sua equipe junto com o comando do Congresso, pode ser votado ainda no primeiro semestre.
 

Já a nova âncora fiscal, outra promessa lulista para a área, ou mudanças na lei das estatais trazem mais divergências.
 

"A reforma tributária, ainda que tenhamos uma divergência pontual, em essência é uma pauta de convergência, assim como o novo Bolsa Família", diz Alessandro Vieira (PSDB-SE), que se declara como independente.
 

"Há um grupo de 20 ou um pouco mais de parlamentares que são definidores, conduzem a aprovação ou não de temas, sobretudo PECs. Foi assim no governo anterior, que tinha um manejo político mais primário. Esse governo é mais hábil nesse sentido", completou.
 

Lula foi eleito em meio à tentativa de formação de uma ampla união política com o intuito de isolar o bolsonarismo.
 

Seus problemas no Congresso, entretanto, começam pelo fato de a esquerda ter eleito apenas cerca de 25% das cadeiras da Câmara e do Senado.
 

Com isso, Lula distribuiu em um primeiro momento nove ministérios para PSD, MDB e União Brasil, partidos de centro e de direita que elevaram a base formal de Lula --se contada a adesão da União Brasil, ainda uma incógnita-- para 282 das 513 cadeiras da Câmara e 52 das 81 do Senado.
 

Isso não é suficiente para um voo de cruzeiro no Congresso porque, contadas as dissidências nos três partidos de centro e de direita, esses números ainda ficarão longe do necessária para aprovação de emendas à Constituição (que exigem apoio mínimo de 60% dos parlamentares: 308 na Câmara e 49 no Senado).
 

A União Brasil, por exemplo, até hoje vive um clima de conflagração entre lulistas e antilulistas.
 

Por isso, o PT e o governo buscam o centrão, que reúne cerca de um terço das cadeiras da Câmara e um pouco menos no Senado, no varejo com a expectativa de mais adiante também ter o apoio formal dessas legendas.
 

Como sempre ocorre nesses casos, os principais mecanismos de negociação são cargos de relevância na máquina federal e verbas do orçamento para os redutos eleitorais dos deputados, além de outros pleitos.
 

O PP de Arthur Lira (AL), presidente da Câmara, está dividido (a sigla tem 49 cadeiras na Câmara e 6 senadores) e aguarda sinais mais claros do Palácio do Planalto.
 

Lira, que foi reeleito para o comando da Câmara, será um fato crucial nessa equação. De grande sustentáculo da administração Bolsonaro, o parlamentar migrou rapidamente após a eleição para a órbita petista. Ele tem dado suporte ao governo nesse início de legislatura e recebido sinais de retribuição.
 

Entre eles, o apoio do PT e do governo à sua reeleição e a liberação de parte da verba de ministérios para que ele direcione a emendas de deputados novatos que ajudaram a reelegê-lo.
 

Um dos exemplos do poder de fogo do presidente da Câmara ocorreu na votação ainda na transição da emenda à Constituição que deu fôlego orçamentário ao novo governo. Lira comandou a aprovação da proposta e assegurou o apoio de quase 70% da bancada do PP.
 

O Republicanos (42 cadeiras) também reúne pouco mais de 10 deputados que tendem a votar com o governo e pressionam por uma adesão, em especial os do Nordeste.
 

No Podemos (17 deputados após a incorporação do PSC, além de 7 senadores), além do caso de Carlos Viana no Senado, há uma inclinação governista em parte dos deputados.
 

O líder da bancada na Câmara, Fábio Macedo (MA), tem ido a reuniões da base com Lula. Outro deputado, Igor Timo (Podemos-MG), foi indicado formalmente como um dos vice-líderes do governo.
 

Os primeiros testes reais da bancada de Lula no Congresso devem ocorrer após o Carnaval.
 

Entre outros, parlamentares apontam como simbólico nesse sentido (o de medir a força da base governista e a da oposição) a medida provisória que altera regras do Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais). O governo já aceita flexibilizar sua proposta original, mas há ainda risco de derrota.

Bahia Notícias

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