sábado, novembro 05, 2022
Para apoiar Lula, Kassab quer cargos, parceria federal e a reeleição de Pacheco no Senado

Kassab apoiou Tarcísio de Freitas para o governo paulista
Igor Gielow
Folha
O PSD deve apoiar o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não o fará de graça. Quer se “sentir governando” com cargos e, principalmente, negociar um arcabouço de reciprocidade. A saber, apoio federal às joias de sua coroa: São Paulo, onde é sócio majoritário do futuro governo, Paraná e prefeituras de capitais, que já governa, e Sergipe, que assumirá em janeiro. Por fim, ajuda na recondução de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à presidência do Senado.
Esta é a fatura que o presidente do partido, Gilberto Kassab, adiantou à Folha e será apresentada na semana que vem à sua colega Gleisi Hoffmann, do PT, em conversa pedida por ela. Em troca, traz consigo 11 senadores e 42 deputados federais para a base do governo.
Como o sr. avalia o processo eleitoral?
As eleições mais uma vez aconteceram com normalidade institucional. Agora é virar a página, espero que os vencedores trabalhem e os vencidos, que ajudem a fiscalizar. Mas o país saiu rachado do pleito, não? A parte derrotada tem dificuldade de aceitar o resultado, como se viu nas estradas. São coisas distintas. A fratura não é um problema institucional, é uma realidade política: metade do país escolheu caminho, metade, outro. O vencedor não teve uma maioria expressiva. Portanto, aumenta a responsabilidade do vencedor, porque ele vai ter de ser esforçar muito para ter um bom diálogo. Nesse aspecto, o Lula foi muito feliz na sua primeira manifestação, porque deixou claro que vai governar para todos.
E a reação do presidente? É o estilo dele, cada um tem o seu. Foi com esse estilo que ele se elegeu presidente e quase se reelegeu agora. O importante na essência é que ele reconheceu [a derrota] a seu modo e a transição começou.
Ele sai como um líder de oposição ou a falta de articulação política o fará evaporar?
Falo de uma maneira respeitosa. A votação no Bolsonaro é maior do que a dimensão dele, porque votaram nele também os antipetistas, que podem não ser bolsonaristas. Acho que se o Bolsonaro quiser continuar na vida pública, se tornará um importante líder da direita, mas ele não vai liderar todas as oposições.
E onde se encaixam figuras como o Tarcísio de Freitas e o governador mineiro Romeu Zema?
São pessoas que foram apoiadas pelo bolsonarismo, uns mais, outros menos. No caso do Tarcísio, ele deixa claro que a grande oportunidade que teve foi quando o Bolsonaro o convidou para ser ministro e depois o incentivou e apoiou para ser candidato a governador. Reconhecimento é importante em tudo, ainda mais na vida pública. Agora temos de olhar para a frente.
Voltando ao Tarcísio, ele teve exatamente a mesma votação do Bolsonaro em São Paulo, 55,2%. Mas agora ele não tenderá a se afastar do bolsonarismo?
Ele construiu uma candidatura de centro-direita e ganhou. Ele foi muito bem assimilado pelo centro e pela direita. Soube ocupar um espaço ao centro que o Fernando Haddad (PT) e o Rodrigo Garcia (PSDB) não conseguiram. E soube preservar o apoio da direita bolsonarista. Não vejo ele se afastando de nenhum dos polos, não tem sentido. Ele terá suas relações institucionais.
Há uma máquina estadual montada em quase 30 anos de poder do PSDB. Essa máquina fica e troca de camisa ou haverá mudanças?
Haverá uma pressão de quadros federais que, sem emprego, vão querer vir a São Paulo. O Tarcísio é muito inteligente. Ele nunca negou que São Paulo é um modelo para o Brasil. O que ele diz é que o estado pode mais. É um governo de aperfeiçoamento, não de ruptura. Caberá a ele saber o que deve ser mudado. Porque você já estava numa situação em que o chefe de um departamento se considera dono dele.
O sr. acha que a derrota do PSDB no primeiro turno teve a ver mais com esse cansaço de 30 anos de poder ou com a repetição da polarização nacional no estado?
Eu tenho respeito pelo Rodrigo Garcia. A minha impressão é que ele não soube fazer a somatória política adequada, além do desgaste. E ele teve o azar de ter o Tarcísio como candidato. As pessoas que dizem que ele não tem vocação política porque é técnico não entendem de política. Alguém que foi do governo Dilma, do Temer e do Bolsonaro e é aplaudido por todos não tem habilidade política?
E quando ele se filia ao PSD?
[Risos] Não está em questão. Ele está no Republicanos.
E quando o PSD se fundirá ao Republicanos, ou fará uma federação?
O PSD não fará fusão nem federação. O Tarcísio está no Republicanos, que será o principal parceiro do PSD. A federação engessa.
Bom, o sr. apostou num candidato bolsonarista em São Paulo e, embora não tenha anunciado apoio, estava mais próximo da candidatura do Lula, até por já ter sido ministro de um governo do PT.
Verdade. A candidatura do Tarcísio foi o maior acerto da gestão Bolsonaro.
E como será a parceria nacional do PSD?
Todos sabem que há uma chance grande, até pela conduta de parte expressiva do partido, de caminhar para o apoio à gestão Lula. Vai haver condições, lógico.
Qual sua posição pessoal?
Eu sou a favor, sim, desde que algumas premissas sejam atendidas. É inegociável na construção [com Lula] o apoio aos bons projetos do partido, que são o Eduardo Paes [prefeito do Rio], ao Ratinho Jr. [governador reeleito do Paraná], ao Tarcísio, ao Fábio Mitidieri [eleito em Sergipe] e ao Rodrigo Pacheco no Senado. Também outras prefeituras de capitais, como Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte.
O que significa isso?
O PSD está oferecendo ao governo Lula a possibilidade de construir juntos boas políticas públicas para aproximadamente 40% do país. Nesses estados e no Senado, temos responsabilidade de condução. Temos de deixar claro que se integrarmos a base, queremos a reciprocidade de compartilhamento de condução de políticas públicas. E verbas, cargos, programas federais. Parceria. Esse é o perfil do Lula. Veja, o PSD é bem modesto, não é toma lá, dá cá. Evidente que se você diz que é da base, é natural que por meio de nossos líderes, e tudo caminha para que sejam o Otto Alencar (BA) no Senado e o Antonio Brito (BA) na Câmara, você possa construir um conjunto de participações para o que o partido se sinta governando.
Isso significa indicação?
Não. A indicação é sempre discutida. Eu não tenho nenhum constrangimento. Não tivemos isso no governo Bolsonaro, ficamos independentes, tanto que quando o Fábio Faria foi convidado para ser ministro, nós combinamos de ele se desligar do partido e ele saiu. E o governo federal também pode sempre atrapalhar os estados. Não tem nenhum sentido eu, como presidente do partido, quando todos sabem que abracei o projeto Tarcísio, e vou trabalhar para que ele um dia seja presidente da República, integrar uma base sem que eu peça que São Paulo e governo federal sejam um conjunto só. Não faz sentido eu ser base se o Rodrigo Pacheco não puder continuar como presidente do Senado.
O Lula disse que este não seria um governo do PT, mas o sr. conhece o apetite do partido por espaços.
Olha, do ponto de vista pessoal, todas minhas experiências com o PT foram positivas. Eu sempre tive uma relação honesta com o Lula e a Dilma, a quem eu devo respeito e gratidão. Nos últimos dois anos, o Lula nos convida para uma parceria e compreendeu a posição do PSD em favor do impeachment. Ele teve essa compreensão sobre a minha participação também. O governo vai ter de deixar claro o apoio a esses cinco pontos chaves que citei. O presidente da República nomeia de acordo com suas escolhas pessoais e de acordo com as parcerias que faz para ter governabilidade. Então fazer parte da base é participar. Em hipótese nenhuma serão indicações que não correspondam ao mais alto padrão de eficiência e moral.
O sr. toparia voltar a ser ministro?
Não, porque não apoiei o Lula, tive uma postura como presidente de partido de neutralidade. E estou procurando oferecer para o Brasil um bom partido, que a partir de agora deixa de ser de centro para ser de centro-direita. Eu me considero um bom analista, e para mim está claro que o PT precisa se voltar para o centro.
E nessa parceria, existe uma área preferencial para o PSD oferecer quadros?
Não, acho que aí vai caber aos líderes no Congresso coordenar as conversas. O pacto nacional tem de ser liderado pelo presidente da República. É isso que esperamos do Lula. Isso não significa que nós vamos ser petistas para o resto da vida, o PSD não é petista.
O sr. já falou com o Lula e o PT desde a eleição?
Eu mandei uma mensagem para ele e a publiquei. Liguei para cumprimentá-lo pela vitória, mas o presidente estava numa ligação com um chefe de Estado. Depois, liguei para cumprimentar a Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e ela me ligou no dia seguinte, me consultando se eu aceitaria tomar um café com ela para discutir o futuro. Eu consultei o Otto Alencar e o Antonio Brito, e todos entenderam que era correto. Portanto, estarei em breve tomando um café com ela, deixando clara nossa posição.
E em São Paulo, o sr. vai participar diretamente da gestão?
Eu estou muito motivado em ajudar Tarcísio a ser um grande governador. Até o ano passado, meu projeto era fazer do PSD um grande partido. Isso está feito. A direção nacional vai consumir menos tempo, vai sobrar mais tempo para me dedicar a São Paulo. Não passa pela minha cabeça ter responsabilidade no Executivo. Não estou dizendo que não serei, mas não preciso ser secretário para ajudá-lo. O Guilherme Afif Domingos, que foi o grande comandante da campanha, já está me representando.
Ele vai participar do governo?
Para mim, que comecei na vida pública com ele, foi muito gratificante. Acredito que ele fará um trabalho importante se estiver no governo.
E na capital, como o PSD se colocará em 2024? Dissemos ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) que o PSD o irá apoiar se o seu governo for bem avaliado.
Quais suas prioridades no Congresso?
Temos de trabalhar numa reforma administrativa, que preveja a meritocracia. O Brasil não consegue mais conviver com a ineficiência. Precisamos melhorar a saúde, a educação, a segurança, daí fazer uma reforma tributária. Eu fico feliz quando o Lula diz que não é candidato à reeleição, porque uma boa reforma administrativa vai mexer com muita gente. Falando em reeleição, vamos trabalhar para acabar com ela e com as coligações majoritárias. A reforma política está feita e bem encaminhada. O fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho está reduzindo o quadro, chegaremos a 2030 com sete ou oito partidos. Ficou claro para o PSD que há um movimento expressivo em defesa da propriedade privada, das privatizações, a atração do capital estrangeiro. É o que iremos defender.
CNN: Bolsonaro consultou militares sobre questionar a eleição, mas não teve apoio
Publicado em 5 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

CNN diz que Bolsonaro tentou a ultima cartada e fracassou
Kenzô Machida
CNN Brasil
Na terça-feira, quando quebrou o silêncio e fez um pronunciamento no Palácio da Alvorada após o resultado da eleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL), horas antes, consultou militares do Exército Brasileiro sobre a possibilidade de judicializar o resultado das urnas sob a justificativa de que o presidente eleito Lula da Silva (PT) poderia ser considerado inelegível por conta das condenações na Lava Jato.
Integrantes das Forças Armadas, entretanto, não deram apoio ao presidente para seguir nessa investida. Fontes militares ouvidas pela CNN disseram que a sugestão chegou a receber o aval de uma das Forças e negada por outra, além do Exército, o fiel da balança que não endossou a tentativa do presidente.
SEM FRAUDE – Até o momento, levantamento do Comitê de Transparência não encontrou irregularidades nos testes, feitos em 641 urnas, sendo 56 com uso de biometria de eleitores. O Exército integra esse comitê.
Militares do Alto Comando do Exército Brasileiro estão fechados no posicionamento de aceitar o resultado das eleições presidenciais e descartam qualquer possibilidade de intervenção ou golpe.
A CNN apurou que a leitura interna é de que as eleições ocorreram dentro da lisura do processo eleitoral e que não houve fraude comprovada nas urnas eletrônicas. Porém, a instituição não deve se posicionar sobre o assunto. A ordem na caserna é que esse posicionamento, se ocorrer, será por meio do Ministério da Defesa.
PÁGINA VIRADA – Entre os generais de quatro estrelas, o resultado das eleições é considerado página virada e agora os militares já alinham os preparativos para a transição de governo e aguardam a divulgação do nome do novo ministro da Defesa.
Na semana que vem, os generais que compõem o Alto Comando devem marcar a primeira reunião para apresentar a situação atual da Força e as perspectivas para o ano que vem. A reunião faz parte dos trâmites para a passagem para o próximo governo.
Procurado, o Exército Brasileiro informou que não iria se manifestar sobre o tema. A CNN também entrou em contato com a assessoria de imprensa do Planalto a aguarda posicionamento.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como dizem os italianos, “si non è vero, è bene trovato” (se não é verdadeiro, é bem inventado) (C.N.).
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