segunda-feira, junho 20, 2022

Pra lá de Ratanabá




A tal cidade perdida na Amazônia evidentemente nunca existiu, assim como o vermífugo que mata coronavírus, mas a lenda ajuda no processo de descolamento da realidade que acomete parte do eleitorado brasileiro. 

Por Alexandre Borges (foto)

Antes dos dinossauros, há meio bilhão de anos, havia uma civilização avançada na Amazônia, uma complexa cidade-estado com riquezas incalculáveis e tecnologia avançadíssima, chamada Ratanabá. O descobridor dessa relíquia arqueológica revolucionária é o paulista Urandir Fernandes de Oliveira, presidente da Fundação Dakila e “pai” do ET Bilu. O pesquisador foi recebido em agosto de 2020 pelo então secretário de cultura do governo Bolsonaro e ex-astro de Malhação, Mario Frias.

Segundo a ciência, esse ramo do marxismo cultural que planeja colocar um chip na cabeça de cada brasileiro para dominar o país, o mais remoto parente do homo sapiens, com uma estrutura cerebral que evoluiu dos símios para o que temos nos homens atuais, viveu há 1,5 milhão de anos. Como uma civilização que construiu carros voadores viveu no Paleozóico? Talvez Urandir pudesse pedir esclarecimentos ao ET Bilu.

Já os patriotas, cristãos e conservadores antivax acreditam que há tanta riqueza em Ratanabá que o Brasil poderia se tornar o país mais rico do mundo com ela, o que explicaria o interesse das ONGs estrangeiras, sempre elas, na Amazônia. Urandir, claro, é um cético em relação às vacinas e terraplanista. Com estas credenciais, o fato dele ainda não ter sido contratado como comentarista e colunista de alguns veículos governistas é outro mistério.

Mario Frias, agora candidato a deputado federal, usou suas redes sociais recentemente para emprestar sua notória respeitabilidade intelectual e cultural para defender que devemos levar a sério os indícios da civilização perdida na Amazônia. O ex-secretário chegou a dizer que pretende visitar o local, hoje mais receptivo do que na época dos trilobitas paleozóicos.

O bolsonarismo com raízes no pensamento do falecido médico, militar e político Enéas Ferreira Carneiro (1938-2007) evidentemente tem simpatia por teorias ultranacionalistas que acreditam que o Brasil tem riquezas incalculáveis, especialmente na Amazônia, e nosso subdesenvolvimento não seria culpa dos nossos erros e vicissitudes, mas um plano maligno de inimigos externos auxiliados por traidores da pátria internos que nos roubam desde sempre.

Não há nada de errado com o patriotismo, diga-se. Um sentimento sincero de amor à pátria, à “minha terra” que “tem palmeiras onde canta o sabiá” e que “as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá” cria um saudável sentimento de pertencimento, união e história partilhada, a cola necessária para uma sociedade coesa e funcional. Já o nacionalismo xenófobo e paranoico, que nutre os piores instintos de preservação contra inimigos externos imaginários, está na origem de boa parte das guerras e ditaduras.

A tal cidade perdida na Amazônia evidentemente nunca existiu, assim como o vermífugo que mata coronavírus, mas a lenda ajuda no processo de descolamento da realidade que acomete parte do eleitorado brasileiro. Esta semana, por exemplo, o governo defendeu privatizar e intervir na Petrobras. Como seria possível isso? Talvez em Ratanabá.

A política brasileira está doente e a cura passa, necessariamente, pela reconciliação do brasileiro com a busca desinteressada e genuína pela verdade, mesmo que desafie convicções prévias de quem não teme o conhecimento. Num momento em que a realidade traz sucessivas más notícias, a busca de um refúgio utópico é natural, humano e até previsível, o que não significa benigno. Em vez de todos os problemas atuais, preferimos voar para Ratanabá e nos encastelarmos em bolhas de gente que pensa como a gente e repete os mesmos bordões e palavras de ordem ditadas por políticos, clérigos e influenciadores inescrupulosos.

Quando se abandona a verdade, todo o resto desmorona e a sociedade se torna uma distopia orwelliana. Como o próprio bolsonarismo gosta de repetir, a verdade liberta. O Brasil precisa de um choque de honestidade intelectual para não afundar por décadas numa guerra fratricida em que não haverá vencedores, apenas terra arrasada no final. E assim viraremos, finalmente, uma cidade perdida na Amazônia.

Gazeta do Povo (PR)

Entre Lula e Bolsonaro: a eleição se transformou em um ato de ódio ou de fé




A lógica continuará sendo “evitar a eleição daquele que considero o pior”. Dessa forma, esta eleição se transformou em um ato de ódio ou de fé, dificilmente de escolha.

Por Marize Schonz* 

A decisão de “votar no menos pior” tem sido uma das ações mais comuns dos eleitores em sistemas democráticos. Mesmo no multipartidarismo brasileiro, o incentivo é mais pela rejeição e menos pela escolha por uma agenda disponível. O eleitor órfão de uma Terceira Via, apesar de acusado de se isentar, na realidade já começou a se posicionar, na disputa polarizada para o cargo de presidente da República.

Aquele que ainda conserva algum resquício de antipetismo da época do impeachment está inclinado a escolher Jair Bolsonaro. Para esse grupo, o ressentimento petista com a Lava-Jato é um indício de ruptura institucional e de mais instabilidade política. O eleitor preocupado com as questões econômicas está levando em consideração que o contexto desde a crise de 2008 reforçou o intervencionismo econômico no mundo todo e, dessa forma, Lula, que anda falando abertamente em imprimir dinheiro, não teria motivo algum para adotar, no contexto atual, uma postura ortodoxa na economia, como fez em 2002. As notícias sobre os governos de esquerda na América Latina, como aquelas sobre a hiperinflação na Argentina, também reforçam essa rejeição.

Contribui para esse sentimento contra o PT o fato de o partido se orientar pelos mesmos códigos em suas campanhas. Um deles é destruir a imagem de quem aparece no caminho de seu projeto hegemônico. A estratégia foi usada para enfraquecer a reputação tanto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto da ex-candidata Marina Silva. O outro recurso petista em campanhas é o dar contornos apocalípticos para a eleição. Seus militantes têm se referido à disputa não como um instrumento constante e estável da democracia, que permite a transição de diferentes líderes no poder, e sim como uma questão de vida ou morte.

Quanto a Bolsonaro, sua rejeição parece, em determinados momentos, mais alta do que a repulsão ao petismo. A princípio, existe um teto de vidro natural de quem está na situação, o que facilita o reconhecimento dos erros do governo vigente, pois esses são mais recentes. Entretanto, em relação ao mandato de Bolsonaro, a questão não será apenas lidar com o desgaste natural da imagem de quem está na linha de frente, mas também com os aspectos turbulentos do combate à pandemia, dos conflitos com o Judiciário e do antagonismo com a mídia tradicional.

Tanto o presidente quanto a sua militância parecem apostar na estratégia de alimentar a luta cultural, mesmo que as ações não estejam sempre apontadas para essa realidade (tendo em vista a recente aproximação com o Centrão). Essa estratégia tem tido resultados, mas também traz riscos. É inegável que Bolsonaro nos últimos quatro anos tem tirado proveito das controvérsias em torno do seu nome, apostando em manter uma péssima relação com a grande mídia. Mas, querendo ou não, essa mídia ainda tem algum poder para conduzir a opinião pública e, principalmente, o eleitor mediano.

Como sabemos, eleitores têm memória curta, e será mais fácil lembrar da atuação rebelde de Bolsonaro durante a pandemia de Covid, do que recordar os erros dos governos petistas responsáveis por uma crise econômica e política que ainda não está superada. Os concorrentes vão, com absoluta certeza, bater incansavelmente nesses pontos. Teremos então um duelo entre aqueles que querem relembrar os erros dos governos petistas e os que evocam os equívocos do bolsonarismo.

Mais uma vez, a dinâmica da polarização inviabiliza qualquer terceira opção, pois a terceira força política terá que se dividir em criticar Lula e Bolsonaro ao mesmo tempo, correndo o risco de, ao fazer isso, beneficiar ambos na escalada do processo eleitoral. A lógica continuará sendo “evitar a eleição daquele que considero o pior”. Dessa forma, esta eleição se transformou em um ato de ódio ou de fé, dificilmente de escolha.

*Marize Schons é socióloga, professora no Ibmec de Belo Horizonte e na Mises Academy.

Revista Crusoé

Ucranianos contêm ataques russos no leste e Otan diz temer guerra de 'anos'




O Exército ucraniano anunciou, neste domingo (19), que conseguiu frear os ataques russos perto da cidade de Severodonetsk, no leste do país, palco de intensos combates durante semanas nesta guerra que, de acordo com a segundo a Otan, poderá durar "anos".

"Nosso exército está aguentando", assegurou na noite deste domingo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, no início de uma semana que considera "histórica" e na qual 27 países da União Europeia terão que decidir se concedem a Kiev o status de candidato oficial a integrar o bloco.

Mais cedo, o exército ucraniano informou pelo Facebook que tinha conseguido "frear o assalto na região de Toshkyvka", no leste do país. "O inimigo se retirou".

Os combates se intensificam por enquanto na bacia oriental do Donbass, integrada pelas províncias de Lugansk e Donetsk, e controlada parcialmente pelos separatistas pró-russos desde 2014.

A cidade de Severodonetsk concentra por enquanto os combates entre as tropas russas e ucranianas e Moscou controla grande parte da cidade.

Serguii Gaidai, governador de Lugansk, região onde fica Severodonetsk, classificou como "mentiras" as declarações, segundo as quais a Rússia controla toda localidade.

"É verdade que eles controlam a maior parte da cidade, mas não completamente", frisou.

De Moscou, o Ministério russo da Defesa afirmou, neste domingo, que "a ofensiva contra Severodonetsk está sendo realizada com sucesso".

"Unidades da milícia popular da República Popular de Lugansk, apoiadas pelas Forças Armadas russas, libertaram a cidade de Metolkin", a sudeste de Severodonetsk, relatou o ministério à imprensa.

Também afirmou ter atingido uma fábrica em Mikolaiv (sul), que armazenava mísseis de cruzeiro, e destruído "dez obuses de 155 mm e até vinte veículos blindados, fornecidos ao regime de Kiev pelo Ocidente nos últimos dez dias".

As afirmações não puderam ser verificadas de forma independente.

- "Não há lugar seguro" -

Depois de fracassar em sua tentativa de tomar Kiev no início da ofensiva, em 24 de fevereiro passado, o objetivo da Rússia agora parece ser assumir o controle total da bacia de mineira do Donbass, composta pelas regiões de Lugansk e Donetsk.

"Não há lugar seguro", admitiu o governador em uma entrevista à AFP, de Lysychansk, na região de Lugansk. Os russos "bombardeiam nossas posições 24 horas por dia", descreveu.

"Tem um ditado que diz: você tem que se preparar para o pior, e o melhor virá", diz Gaidai. "Claro que temos que nos preparar", reitera o funcionário, que teme que os russos cerquem a cidade e bloqueiem as estradas que garantem o abastecimento.

Com uma população de cerca de 100.000 habitantes antes da guerra, apenas 10% permanecem em Lysychansk.

E, na cidade, tudo e todos parecem estar se preparando para combates nas ruas: os soldados cavam buracos e colocam arame farpado; a polícia coloca carros incendiados para parar o trânsito; e muitos moradores que ainda estavam lá decidem, enfim, ir embora.

"Largamos tudo e vamos embora. Ninguém pode sobreviver a um ataque desses", lamenta a professora de história Alla Bor.

- "Não vamos dar o sul para ninguém" -

Neste domingo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou sua determinação de continuar resistindo no sul, após uma visita às cidades de Mykolaiv e Odessa no sábado.

Mikolaiv, que tinha meio milhão de habitantes antes da guerra, continua sob controle ucraniano, mas fica perto de Kherson, região praticamente ocupada pelos russos.

Além disso, fica na rodovia que leva a Odessa, o maior porto da Ucrânia, cerca de 130 km a sudoeste, onde milhões de toneladas de grãos ucranianos estão bloqueadas.

"Não daremos o sul para ninguém. Vamos recuperar tudo. O mar será ucraniano e será seguro", prometeu, em um vídeo publicado no Telegram, após retornar para a capital do país, Kiev.

"Estão confiantes e, olhando nos olhos deles, é óbvio que não duvidam de sua vitória", acrescentou Zelensky, referindo-se às suas tropas.

Seu otimismo diverge, no entanto, do panorama sombrio apresentado pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg. Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal alemão Bild, ele avalia que a guerra pode durar "anos" e, por isso, os países ocidentais devem se preparar para um apoio duradouro à Ucrânia.

"Temos de estar preparados para que isso dure anos", afirmou Stoltenberg.

"Não devemos esmorecer em nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam altos, não apenas em termos de apoio militar, mas também no aumento dos preços da energia e dos alimentos", completou.

A Rússia reduziu esta semana o fluxo de gás para a Europa ocidental, alegando problemas técnicos. A Alemanha, na primeira linha, anunciou medidas urgentes neste domingo para assegurar seu abastecimento de energia e estas implicarão recorrer mais ao carvão.

"É amargo, mas é indispensável para reduzir o consumo de gás", declarou o ministro da Economia, o ecologista Robert Habeck, em um comunicado. O governo de coalizão alemão prometeu abandonar o uso do carvão até 2030.

Enquanto isso, o Catar anunciou que o grupo italiano ENI se unia à empresa francesa TotalEnergies no projeto North Field East, cujo objetivo é aumentar a produção de gás natural liquefeito do país do Golfo em 60% para 2027.

AFP / Estado de Minas

Otan alerta que guerra na Ucrânia pode durar anos




Batalha no leste do país continua

Por Natalia Zinets e Max Hunder 

Kiev - A guerra na Ucrânia pode durar anos, afirmou, neste domingo (19), o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, cobrando apoio constante dos aliados dos ucranianos no momento em que as forças russas lutam por território no leste do país.

Stoltenberg disse que fornecer armamentos de última geração às tropas ucranianas aumentaria as chances de liberar a região de Donbas, no leste, que está sob controle russo, segundo o jornal alemão Bild am Sonntag.

Após não conseguir tomar Kiev, capital ucraniana, no começo da guerra, as forças russas concentraram esforços na tentativa de completar o controle de Donbas, que já tinha partes nas mãos de separatistas apoiados pela Rússia antes da invasão de 24 de fevereiro.

“Precisamos nos preparar para o fato de que [a guerra] pode levar anos. Não podemos desistir de apoiar a Ucrânia”, disse Stoltenberg, segundo o jornal. “Mesmo se os custos forem altos, não apenas em apoio militar, mas também na alta dos preços de energia e alimentos.”

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que visitou Kiev na sexta-feira com uma proposta de treinamento às forças ucranianas, também disse no sábado que era importante que o Reino Unido desse apoio no longo prazo, alertando para o risco de haver “saturação da Ucrânia”, com a guerra se arrastando.

Em um artigo de opinião no jornal Sunday Times de Londres, Johnson disse que isso significava garantir que “a Ucrânia receba armas, equipamentos, munição e treinamento mais rapidamente do que o invasor”.

Um dos principais objetivos da ofensiva de Moscou para tomar o controle da região de Luhansk – uma das duas províncias que compõem Donbas -- é a cidade industrial de Sievierodonetsk.

A Rússia afirmou neste domingo que o ataque na cidade estava avançando com sucesso.

O governador de Luhansk, Serhiy Gaidai, disse à televisão ucraniana que os combates tornavam a retirada de pessoas da cidade impossível, mas que “todas as alegações da Rússia de que controlam a cidade são mentira. Eles controlam a principal parte da cidade, mas não toda a cidade”.

A Rússia infomou ter lançado o que chamou de “operação militar especial” para desarmar a nação vizinha e proteger pessoas ali residentes que falam russo. Kiev e seus aliados rejeitaram a justificativa como um pretexto sem fundamento para uma guerra de agressão.

A Ucrânia recebeu encorajamento na sexta-feira quando a Comissão Europeia recomendou que tenha status de candidata, decisão que as nações da União Europeia devem endossar em uma reunião na próxima semana.

Reuters / Agência Brasil

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"Guerra na Ucrânia pode durar anos", alerta chefe da Otan

Jens Stoltenberg afirma que conflito terá altos custos, mas que preço será maior se Rússia vencer. Premiê britânico faz declaração semelhante após visita a Kiev e pede que países se preparem para uma longa guerra.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou que a guerra na Ucrânia pode durar anos e terá altos custos. Em entrevista publicada neste domingo (19/06) no jornal alemão Bild, ele alertou também que, em caso de uma vitória da Rússia, o preço a pagar seria ainda maior.

"Temos de estar preparados para o fato de que [a guerra] pode durar anos", disse Stoltenberg. "Não devemos enfraquecer o nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam altos, não só em termos de apoio militar, mas também devido ao aumento dos preços da energia e dos alimentos, acrescentou.

O secretário-geral acrescentou que esses custos não são nada em comparação com os que os ucranianos pagam todos os dias na linha da frente. Ele destacou ainda que, caso o presidente russo, Vladimir Putin, alcance seus objetivos na Ucrânia, como fez com a anexação da Crimeia em 2014, o preço a pagar "seria muito maior".

Stoltenberg exortou os países ocidentais a continuarem enviando armamento para Kiev. "Com armas modernas adicionais, a probabilidade de a Ucrânia conseguir empurrar as tropas de Putin para fora de Donbass iria aumentariam", sustentou.

O Donbass é o atual alvo russo no conflito. Essa região do leste da Ucrânia tem sido palco de intensas batalhas e os russos já conquistaram o controle de parte dela.

Johnson também vê guerra longa

Uma declaração semelhante a Stoltenberg foi feita neste domingo pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que esteve em Kiev na sexta-feira. Num artigo publicado no jornal britânico The Sunday Times, o premiê falou da necessidade de se preparar para uma longa guerra e afirmou que a Ucrânia precisará de apoio durante anos para permanecer num estado viável.

Johnson destacou que o Reino Unido e os aliados devem assegurar que a Ucrânia "tenha a resiliência estratégica para sobreviver", uma vez que Putin, "recorre a uma campanha de desgaste e tenta brutalmente esmagar a Ucrânia".

"O tempo é um fator vital", acrescentou. "Tudo vai depender de se a Ucrânia pode fortalecer a sua capacidade de defender o seu território mais rapidamente do que a Rússia consegue renovar a sua capacidade de ataque".

O premiê afirmou que, para isso, a Ucrânia dever receber armas, munições e treinamentos mais rápido. Ele também realçou a necessidade de continuar enviando recursos para que Kiev consiga manter a administração do Estado funcionando e para começar a reconstrução "assim que possível".

Rússia intensifica ataques

Neste domingo, a Rússia intensificou os ataques na região do Donbass. Segundo militares ucranianos, a cidade de Sievierodonetsk enfrentou artilharia pesada e bombardeios. Analistas estimam que Moscou será capaz de tomar a cidade industrial nas próximas semanas, mas com o custo de ter concentrado a maior parte de suas tropas disponíveis em uma pequena área.

Sievierodonetsk é o último reduto das forças ucranianas em Lugansk e o cenário mais ativo de hostilidades nas últimas semanas.  As forças ucranianas se isolaram nesta fábrica química numa manobra semelhante à realizada em Mariupol, onde o exército ucraniano se refugiou na siderurgia Azovstal, que acabou por cair, como toda a cidade, no poder de Moscou.

O governador de Lugansk, Serhiy Gaidai, afirmou no domingo que russos controlam apenas parte da Sievierodonetsk e disse que prédios residenciais e casas da cidade vizinha Lysychansk foram bombardeados. "Civis estão morrendo nas ruas e em abrigos antiaéreos", acrescentou.

Deutsche Welle

China: as múltiplas crises que afastam investidores do país em ritmo recorde




A bolsa de Xangai registrou fortes quedas nos primeiros meses de 2021. Na China, a cor verde indica perdas, o vermelho, lucros.

O investimento estrangeiro foi um dos pilares do "milagre econômico" na China, país que em quatro décadas tirou 850 milhões de pessoas da pobreza.

Por Atahualpa Amerise

Após a morte de Mao Tsé-tung em 1976, o comunismo mais ortodoxo deu lugar a uma abordagem pragmática do desenvolvimento econômico e, três anos depois, o país abriu suas portas ao investimento estrangeiro.

Nas décadas seguintes, a entrada de capitais cresceu exponencialmente, com o PIB chinês expandindo a uma taxa média superior a 9% ao ano.

Mas agora essa tendência de longo prazo começou a se reverter.

O investimento estrangeiro na China vem despencando desde o início deste ano, especialmente desde a invasão russa da Ucrânia.

Somente entre janeiro e março, investidores estrangeiros retiraram cerca de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 760 bilhões) em ativos financeiros em yuan, principalmente em títulos.

"Embora a China tenha registrado entradas (de capitais) em janeiro, as saídas de fevereiro e março foram tão grandes que tornaram o primeiro trimestre o pior já registrado. A fuga continuou em abril", indica o relatório de maio do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

Variação mensal de títulos chineses em mãos de estrangeiros. . 100 CNY = US$ 14,74.

A entidade com sede em Washington prevê uma saída de ativos da China de US$ 300 bilhões este ano, mais que o dobro dos US$ 129 bilhões em 2021.

Analisamos quais são as quatro principais causas desta tendência, se ela veio para ficar, que consequências terá e como as autoridades chinesas estão reagindo.

1. A estratégia "covid zero"

"As políticas de 'covid zero' estão levando a China a uma contração semelhante à da primeira onda da pandemia", disse à BBC o economista espanhol Juan Ramón Rallo.

Mais de dois anos após o início da pandemia, a maioria dos países retirou as restrições devido à covid. Mas na China é diferente.

'As restrições anticovid em Xangai incluiram quarteirões inteiros, provocando a ira de moradores e uma forte redução na atividade econômica

Pequim, que antes sempre priorizava o crescimento econômico acima de tudo, desta vez colocou isso de lado para evitar uma possível crise de saúde, apesar de a maioria de sua população estar vacinada.

O governo impôs confinamentos rígidos em Xangai — que responde por 5% do PIB nacional. E em outras cidades, ele reforçou medidas anticovid, reduzindo a atividade empresarial.

Assim, o desemprego nas cidades ultrapassou 6%, sua economia contraiu 0,68% em abril e poucos acreditam que a China atingirá a meta de crescimento para este ano de 5,5%, número que já é discreto em relação aos anos anteriores.

"Muitas empresas ainda veem a China como um mercado importante, mas hoje é difícil manter esse otimismo enquanto o resto do mundo se abre e a China permanece fechada", diz Nick Marro, analista da Economist Intelligence Unit (EIU) em Hong Kong.

Marro acredita que a estratégia "covid zero" não estimula investidores a apostarem na China "já que as regras podem mudar repentinamente, sem aviso prévio, o que dificulta ainda mais o planejamento e as decisões sobre investimentos futuros".

"A grande questão é se os investidores estrangeiros veem o 'Covid Zero' como um problema temporário que podem tolerar. Quanto mais tempo essa política continuar, maior será essa intolerância."

2. A crise imobiliária

'O estouro da bolha imobiliária na China deixou imagens como esta: um vilarejo abandonado em Huangshan, província de Anhui, no leste do país'

A construção de casas tem sido um dos motores de crescimento da economia chinesa nas últimas décadas.

No entanto, o setor está em crise desde o ano passado devido ao forte endividamento das gigantes locais, como a Evergrande.

Embora a crise imobiliária na China venha de antes, os temores dos investidores estrangeiros sobre suas consequências na saúde econômica do país em combinação com os efeitos do "covid zero" e outros fatores são mais recentes.

"Nos últimos 10 anos, a China cresceu com base no crédito barato e na bolha imobiliária", lembra o professor Rallo.

Após o estouro dessa bolha, explica ele, o país está imerso em uma mudança no modelo produtivo que ele descreve como "complicada".

"A digestão de uma bolha imobiliária de tal magnitude é um processo lento e doloroso, ainda mais se não se permite um ajuste rápido, como o Partido Comunista Chinês parece estar fazendo."

Conscientes deste problema, as autoridades chinesas tomaram algumas medidas para revitalizar o mercado imobiliário, incluindo vários cortes nas taxas de juro do financiamento habitacional através de decreto do banco central do país.

Isso coloca a China como um dos poucos países que vai contra a maré: enquanto o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve anunciam aumentos de juros para combater a inflação, Pequim recorre a estímulos para aliviar sua crise imobiliária e revitalizar sua economia — aposta que muitos considerar arriscado em plena escalada de preços em nível global.

3. Rússia, tensões geopolíticas e direitos humanos

A invasão da Ucrânia custou à Rússia o isolamento econômico do Ocidente com sanções de magnitude que ninguém imaginaria para um país tão importante.

A guerra levou muitos investidores a se perguntarem o que aconteceria com seus ativos na China se Xi Jinping lançasse uma operação militar em Taiwan, reprimisse um levante popular em Hong Kong pela força ou decidisse resolver disputas territoriais com vizinhos pela força das armas.

A posição da China no conflito ucraniano — mais próxima da Rússia — também não ajuda.

'Apesar de suas diferenças, Vladimir Putin e Xi Jinping mantêm fortes laços como contrapeso ao bloco Europa-EUA'

"Os mercados estão preocupados com os laços da China com a Rússia — isso está assustando os investidores e a aversão ao risco está em evidência desde o início da invasão", disse Stephen Innes, sócio-gerente do serviço de investimentos SPI Asset Management, para a Bloomberg.

"Todo mundo começou a vender títulos chineses, então estamos felizes por não termos comprado nenhum."

O professor Rallo, por sua vez, destaca a tendência de regionalização do comércio global com duas grandes áreas de influência: Europa-EUA, por um lado, e China-Rússia, por outro.

Assim, para as empresas ocidentais "ter parte de sua cadeia de valor no outro bloco pode ser uma desvantagem", então algumas delas optariam por abrir mão desses mercados.

O analista Nick Marro também destaca "o aprofundamento do cisma entre a China e o Ocidente em questões como competição econômica e estratégica, bem como valores democráticos e direitos humanos".

Um bom exemplo disso é o Norges Bank Investment Management, da Noruega, o maior fundo soberano do mundo que administra ativos de 1,3 trilhão de dólares. Em março, o fundo excluiu as ações da empresa chinesa de roupas esportivas Li Ning pelo "risco inaceitável" que "contribui para graves violações dos direitos humanos".

4. A ofensiva contra o setor privado

'O cofundador do Alibaba, Jack Ma, perdeu bilhões de dólares depois que as autoridades intensificaram o escrutínio de sua empresa e outros grandes conglomerados de tecnologia'

Tanto o "milagre econômico" chinês quanto a avalanche de fluxos de capital que em grande parte o tornaram possível vieram junto com reformas voltadas para o livre mercado e o desenvolvimento de empresas privadas.

No entanto, observa Nick Marro, "muito da agenda de reformas que poderia beneficiar tanto as empresas privadas estrangeiras quanto as locais estagnou".

A tendência recente de protecionismo e intervenção acontece em vários setores, mas sobretudo na tecnologia, "onde as preocupações de segurança nacional superam todo o resto", diz.

O exemplo mais claro é a ofensiva iniciada em 2021 contra as grandes empresas de tecnologia chinesas, que os críticos atribuem à vontade do Estado de controlar o setor. Isso afetou o valor de empresas de renome mundial, incluindo o Alibaba.

A corporação do bilionário Jack Ma foi uma das mais atingidas pela campanha regulatória de Pequim, que em abril do ano passado impôs a maior multa antitruste da história do país, no valor de cerca de US$ 2,8 bilhões.

Segundo o analista, o governo chinês está dando cada vez mais poder às entidades estatais, o que pode contrariar seu objetivo de reanimar o crescimento econômico.

Nas últimas semanas, a agência Reuters e a Bloomberg citaram fontes do setor que dizem que Pequim planeja corrigir sua política sobre empresas de tecnologia, embora o governo não tenha confirmado isso oficialmente.

Desenvestimento tem limite?

Os índices de ações chineses também não têm dado bons retornos aos investidores nos últimos meses.

O Shanghai CSI300 atingiu o fundo do poço no final de abril e desde então se recuperou ligeiramente, embora ainda esteja longe de seus níveis no início do ano.

A moeda local, o yuan, foi negociada em seus níveis mais baixos em dois anos em relação ao dólar em maio.

A curva descendente dos índices chineses não é muito mais acentuada do que a de seus equivalentes nos EUA e na Europa, que também se depreciaram desde o início do ano após atingirem máximas em 2021.

O superávit comercial da China ultrapassou US$ 200 bilhões no primeiro trimestre. Embora isso aconteça em parte por causa da queda nas importações, a reserva é considerável e ajuda o país a resistir melhor às retiradas de investimentos estrangeiros.

Nesse contexto, descreve o IIF em seu relatório, as saídas de capitais da China não estão colocando em risco a solvência do país, que não necessita de moeda estrangeira para cumprir suas obrigações externas.

A instituição também considera que a onda de desinvestimentos na China tem limites.

"Embora vejamos empresas de alto perfil anunciando planos para deixar o mercado, não devemos entender isso como um êxodo. Muitas dessas empresas estão na China há décadas e elas não será fácil ou rápida a decisão delas de deixar esse mercado ," ele diz.

Em editorial recente, a revista The Economist aponta para o próximo Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC), marcado para outubro, como o ponto de virada que pode dar um novo foco à economia chinesa e apresentar uma perspectiva diferente para os investidores estrangeiros.

"A visão otimista é que esse período sombrio de ideologia, erros políticos e crescimento lento faz parte da preparação para o congresso do partido. Quando isso passar, os pragmáticos terão mais controle da política, a 'covid zero' acabará e voltará o apoio à economia e à tecnologia".

BBC Brasil

Candidatos põem pé na estrada para aproveitar festejos juninos e testar popularidade

 Segunda, 20 de Junho de 2022 - 07:30

por Fernando Duarte

Candidatos põem pé na estrada para aproveitar festejos juninos e testar popularidade
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA

A campanha eleitoral da Bahia chega a um momento crucial, ainda que não tenha começado oficialmente. A passagem dos candidatos pelos festejos juninos vão servir de termômetro para a receptividade dos eleitores - e isso é válido não apenas para a corrida pelo governo do estado. Após dois anos sem as comemorações dos santos Antônio, João e Pedro, os políticos vão pular fogueiras para testar se tem relação com a população ou não. Por isso, vai ser comum ver imagens deles nas redes sociais, com uma grande massa ao fundo, mesmo que ali não estejam apenas eleitores deles.

 

Há uma construção narrativa clara quando observamos os conteúdos destacados pelas assessorias, através da distribuição de material à imprensa ou por publicações nas redes sociais. Fulano foi responsável por levar recursos para o município A. Beltrano trouxe projetos para a cidade B. Ciclano transformou as áreas pelas quais foi responsável. É um mundo idílico, que conversa com a ansiedade do eleitor, principalmente aquele ávido por boas notícias em meio ao caos instalado desde o início da pandemia, em março de 2020.

 

O final de semana de Corpus Christi já foi sintomático de como vai acontecer o uso dos festejos juninos. Nele, o sagrado e o profano apareceram nos atos dos dois principais pré-candidatos ao governo, ACM Neto e Jerônimo Rodrigues. Os próximos dias serão marcados justamente por essa dicotomia para eles e para quem espera usar esse período para ser reconhecido pela população. Para a sorte desses candidatos, não é vetada a participação ou citação deles nas tradicionais festas do interior baiano. Isso explica o esforço em percorrer o interior como se não houvesse amanhã, mesmo que seja para um tchauzinho de miss seguido pelo pé na estrada para a próxima viagem.

 

Talvez a grande novidade de 2022 seja a tentativa de capitalizar politicamente os festejos juninos em Salvador. Até então, era o grupo político de ACM Neto a ser acusado de usar o artifício das festas para angariar apoio popular. A estratégia, todavia, não vai ser denunciada agora, visto que o governo de Rui Costa investiu pesado na mesma ideia, seja nos polos do interior, seja na capital baiana. Pelo menos, o chumbo é cruzado e não vai doer no lombo alheio. Resta saber o comportamento dos candidatos nesse novo viés da política do Palácio de Ondina.

 

Tenham a certeza de que todos os políticos vão tentar escapar de eventuais bombas que possam aparecer. Essa talvez seja a única tradição junina que não veremos por parte dos candidatos. Mas colocar o pé na estrada, pular a fogueira, dançar forró e beber licor são coisas que não vão faltar nos próximos dias - que vão se estender até o próximo teste de popularidade: o Dois de Julho.

Bahia Notícias

Reduzir ICMS para conter alta de combustíveis é igual a tratar covid com cloroquina, diz Rui

 Segunda, 20 de Junho de 2022 - 08:40

Reduzir ICMS para conter alta de combustíveis é igual a tratar covid com cloroquina, diz Rui
Foto: Divulgação

O governador Rui Costa voltou a criticar a PEC que limita a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis, energia, gás natural, comunicações e transportes coletivo, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada (lembre aqui).

 

O petista comparou o projeto ao tratamento ineficaz para o tratamento contra a Covid-19, muito incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro no auge da pandemia. “O projeto é ruim e ineficaz. É igual a tratar covid com cloroquina. Com a mesma inteligência que o governo federal tratou a covid quer controlar o ICMS”, disse Rui em entrevista ao programa Isso É Bahia, da A Tarde FM, nesta segunda-feira (20).

 

 

Para o governador, a PEC é um jogo de cena “para tentar enganar a população em ano eleitoral”. “Não precisou mais de uma semana para mostrar que ao vai adiantar nada”, disse Rui se referindo ao reajuste na gasolina e no diesel anunciou pela Petrobras dias após a aprovação da medida.

 

Rui ainda tocou em outro ponto polêmico do projeto, que prevê compensação aos estados que praticarem a alíquota do ICMS abaixo dos 17%, limite determinado pela PEC. Segundo ele, não há garantias de que isso vá acontecer.

 

“Em nenhum momento eles aprovaram ou sinalizaram compensação para este projeto. O que eles disseram é que, para os governadores que reduzissem a alíquota, eles enviaram uma PEC para ter uma compensação, mas só a partir de 2023”, explicou.

Bahia Notícias

Cientistas da USP sequenciam vírus da varíola do macaco pela 1ª vez no Brasil

 Segunda, 20 de Junho de 2022 - 09:20

Cientistas da USP sequenciam vírus da varíola do macaco pela 1ª vez no Brasil
Foto: Reprodução / R7

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo concluíram o primeiro sequenciamento genético da varíola dos macacos no Brasil e agora cultivam linhagens celulares do agente causador da doença.

 

De acordo com a Agência Fapesp, o objetivo dos cientistas é distribuir amostras para laboratórios públicos e privados de todo o país, que poderão ser usadas tanto em testes diagnósticos como em pesquisas voltadas a entender a evolução viral e a desenvolver novos tratamentos e vacinas.

 

O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Virologia (LIM52) do Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP) e coordenado pela virologista Lucy dos Santos Vilas Boas.

 

"Recebemos a amostra clínica do primeiro paciente diagnosticado no país e a inoculamos em uma cultura de células vero [linhagem oriunda de rim de macaco e usada como modelo para pesquisas com vírus]. Após 24 horas, já era possível observar alterações morfológicas nas células que são típicas do monkeypox. A confirmação foi feita por RT-PCR", conta Vilas Boas.

 

Com o sequenciamento foi possível criar um teste RT-PCR específico para o MPXV pelo Hospital Israelita Albert Einstein. 

 

Após a confirmação de que o vírus que se multiplicava nas células vero era de fato o causador da varíola dos macacos, os passos seguintes foram extraí-lo do meio de cultura e inativá-lo para ser enviado com segurança a outros centros, explica Vilas Boas.

 

Segundo o pesquisador, apesar dos avanços, a escassez de reagentes específicos para o MPXV no país ainda é um grande gargalo para que possa ser feita a testagem em massa da população, caso ela venha a ser necessária.

 

Laboratórios equipados com infraestrutura de biossegurança estão recebendo amostras do IMT-USP. "Nossa função vai ser cultivar o vírus em uma escala maior e dentro de duas ou três semanas começar a distribuir alíquotas para laboratórios de todo o país. Isso será possível graças a um acordo que fizemos no início da pandemia de COVID-19 com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações [MCTI] e com os Correios. A empresa faz o transporte especializado das amostras. Retiram aqui e levam até a porta dos destinatários”, conta o professor Edison Luiz Durigon.

 

Duringon ressalta que o trabalho só foi possível porque o laboratório já contava com os recursos materiais e humanos necessários. “Eu já tinha pessoal treinado, que foram bolsistas de doutorado e de mestrado da FAPESP. Se partíssemos do zero, levaria pelo menos um ano para começar a funcionar. É preciso haver uma estrutura montada e financiamento contínuo para que se possa dar uma resposta rápida a agravos de saúde pública, como uma pandemia.”

 

Agora, além de cultivar o MPXV em larga escala, o grupo de Durigon também fará o sequenciamento de algumas amostras para verificar se há diferenças em relação ao vírus inicialmente isolado no país. 

Bahia Notícias

Fachin diz a Defesa que sugestões de militares serão avaliadas depois de 2022

 Segunda, 20 de Junho de 2022 - 10:00

por Cézar Feitoza | Folhapress

Fachin diz a Defesa que sugestões de militares serão avaliadas depois de 2022
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em nova tentativa de distensionar a relação com as Forças Armadas, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, enviou um ofício para o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, para dizer que as sugestões dos militares de mudanças no sistema eleitoral serão consideradas para as eleições pós-2022.
 

O documento foi encaminhado na sexta-feira (17) e divulgado neste domingo (19) pelo TSE.
 

Durante as eleições, quem estará à frente da corte eleitoral será o ministro Alexandre de Moraes, que assume o posto a partir de 16 de agosto.
 

"Como é do conhecimento de Vossa Excelência, a grande maioria das sugestões apresentadas no âmbito da Comissão foram acolhidas, a indicar o compromisso público desta Justiça Eleitoral com a concretização de diálogo plural não apenas com os parceiros institucionais, mas também com a sociedade civil", escreveu Fachin.
 

"Nessa quadra, impende assinalar que, embora algumas sugestões não tenham sido acolhidas para esse ciclo eleitoral, serão consideradas para uma nova análise objetivando os próximos pleitos", completou.
 

O ofício de Fachin é uma resposta ao pedido do ministro Paulo Sérgio para o agendamento de uma reunião entre equipes técnicas do TSE e das Forças Armadas.
 

Segundo o general, o encontro serviria para "dirimir eventuais divergências técnicas" no debate sobre as eleições.
 

Na resposta, Fachin disse que as dúvidas poderão ser tiradas durante reunião da CTE (Comissão de Transparência Eleitoral), da qual fazem parte técnicos das Forças Armadas e do TSE. A próxima audiência será na segunda-feira (20).
 

O presidente do TSE afirmou que espera contar com a presença do general Heber Portella, representante da Defesa no CTE.
 

"Renovo o reconhecimento deste Tribunal não apenas pela contribuição das Forças Armadas no âmbito da Comissão, mas sobretudo pelo valioso suporte operacional e logístico prestado por elas em todas as últimas eleições", concluiu.
 

As Forças Armadas foram convidadas pelo ex-presidente do TSE Luís Roberto Barroso para integrar a CTE em meio às insinuações golpistas e ataques ao sistema eleitoral feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
 

Desde o fim de 2021, os militares fizeram mais de 80 questionamentos ao TSE, além de sete sugestões de mudanças nas regras das eleições.
 

As recomendações foram rechaçadas pela Corte Eleitoral, em maio. Os técnicos do TSE apontaram erros em cálculos e confusões de conceitos utilizados pelos militares.
 

Após a rejeição das propostas, a relação entre o Ministério da Defesa e o TSE piorou. Além de ataques de Bolsonaro, o ministro Paulo Sérgio enviou documento ao TSE dizendo que as Forças Armadas se sentem desprestigiadas nas discussões.
 

"Até o momento, não houve a discussão técnica mencionada, não por parte das Forças Armadas, mas pelo TSE ter sinalizado que não pretende aprofundar a discussão", disse Paulo Sérgio, em 10 de junho.
 

Para evitar o aprofundamento da crise, Edson Fachin mudou o discurso na segunda-feira (13) e disse que defende o "necessário diálogo institucional" como meio para fortalecer a democracia.

Bahia Notícias
 


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