sábado, junho 18, 2022

Instituições se enfraquecem por reeleição de Bolsonaro




O que está em jogo hoje é muito mais do que aprimorar a recondução e criar medidas para evitar o uso da máquina pública

Por Fernando Abrucio* (foto)

Bolsonaro e seus aliados estão desmontando e/ou colocando em risco as instituições brasileiras em nome do projeto de reeleição. É bem verdade que outros presidentes já cometeram populismos para manter-se no poder. Como exemplos, Fernando Henrique adiou a desvalorização cambial em 1998, Dilma fez uma campanha sórdida contra Marina em 2014 e haveria muitos outros casos semelhantes nos níveis estadual e municipal. Mas há uma importante diferença agora: o bolsonarismo atua contra as próprias bases da democracia.

A crítica ao instituto da reeleição vem desde a sua criação no primeiro mandato de FHC. O próprio ex-presidente disse recentemente que se arrepende da maneira como esse processo se deu, especialmente porque a regra foi aprovada, em 1997, valendo já para o então incumbente. O uso dessa regra nos últimos 25 anos gerou muitas acusações sobre o uso da máquina a favor do governante de plantão, algumas com muitas evidências de favorecimento e outras com pouca comprovação. De todo modo, quando se vê a pirataria institucional cometida por Bolsonaro para continuar no poder, fica a pergunta se não valeria a pena proibir a recondução.

É preciso lembrar que a máquina governamental era usada para a manutenção de grupos no poder nas três esferas federativas também quando não havia a reeleição. Um dos casos mais famosos é o da eleição de Luiz Antônio Fleury Filho para o governo paulista em 1990. Seu padrinho político e então governador, Orestes Quércia, teria dito no dia seguinte do pleito: “Quebrei o estado, mas elegi meu sucessor”. Em eleições municipais pelo país afora, prefeitos plantavam laranjas para voltar depois, e por vezes colocavam parentes apenas para esquentar a cadeira.

Estudos acadêmicos já mostraram, contudo, que há efeitos benéficos da reeleição, como a continuidade de políticas públicas de Estado, ou mesmo a redução da corrupção local, tal qual têm mostrado os excelentes trabalhos de Claudio Ferraz. Ademais, é possível melhorar as instituições para evitar o abuso do poder às vésperas da eleição. Um exemplo neste sentido seria proibir alterações tributárias pelo menos nove meses antes do pleito. O governo Bolsonaro está fazendo, com o apoio do Congresso e do orçamento secreto, uma festa com o dinheiro público, podendo inviabilizar gestões futuras, não só no nível federal, mas principalmente nos planos estadual e municipal. A Federação poderá amanhecer quebrada em 2023 e quem vai pagar o pato serão os mesmos de sempre, com maior impacto sobre os mais pobres.

O bolsonarismo está montando, de improviso, uma série de medidas desesperadas para garantir a reeleição, que no conjunto conformam um novo Plano Cruzado, aquele que durou o tempo necessário para o PMDB conquistar o maior número de votos e postos de poder em 1986, morrendo no dia seguinte da eleição e estourando a inflação nos anos seguintes. É engraçado, se não fosse trágico, que Paulo Guedes foi muito crítico daquele plano econômico, mas agora ele está montando uma farsa ainda maior.

Mas há uma diferença entre os dois momentos: Sarney fez seu congelamento sem atacar a democracia, ao passo que Bolsonaro tem confrontado as instituições em meio à criação de seu Plano Cruzado, visando ganhar a eleição junto com seus parceiros congressistas e nas governadorias, para com eles desfrutar de um projeto político certamente autocrático. Sua demagogia terá não só enormes custos econômicos e sociais a partir do ano que vem, como ainda poderá reduzir a qualidade institucional do país.

Dessa maneira, o que está em jogo hoje é algo muito maior do que o aperfeiçoamento do instituto da reeleição e da criação de medidas para evitar o uso da máquina pública. O projeto reeleitoral de Bolsonaro contra a democracia pode ocorrer em três cenários: para evitar a derrota, impedindo a sucessão; para inviabilizar a governabilidade do próximo governante; ou vencendo o pleito, mas gerando o enfraquecimento econômico e institucional do país, o que exigirá maior concentração do poder nas mãos do presidente para que ele se coloque como o “salvador da pátria”, o verdadeiro sonho do bolsonarismo.

O problema é que não bastam reformas institucionais para evitar esse modelo populista e autoritário de campanha reeleitoral. Muitos grupos políticos e sociais estão apoiando o projeto autocrático de Bolsonaro. São congressistas, políticos locais, grupos de militares, atores sociais e econômicos. Isso revela que a defesa da democracia passa pelo reforço das instituições, mas vai além disso: precisa de apoio ativo da sociedade. Enquanto houver setores que apoiem um modelo de reeleição que se fortalece às custas das instituições, o risco colocado ao país é muito sério - e muitos líderes políticos e investidores internacionais já perceberam esse perigo.

O projeto autoritário da reeleição não é somente um discurso vazio, pois há ações estratégicas em cinco dimensões. A primeira é a dominação do Congresso Nacional. Pela via do orçamento secreto, grande parte dos parlamentares aceitou atropelar os ritos processuais básicos e correr para aprovar qualquer coisa que salve a eleição de Bolsonaro. O comandante desse front é o presidente da Câmara, Arthur Lira, que tem a força de distribuir bilhões de reais e definir o processo decisório dos deputados. Coadjuvante nesse processo é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Embora tente demonstrar maior independência do bolsonarismo nos momentos de maior crise, não consegue reduzir o apelo de projetos governistas que estejam ancorados na alocação de recursos, especialmente os do orçamento secreto, que também chegaram à maioria dos senadores.

A segunda dimensão da estratégia de destruição institucional em prol da reeleição está na Federação. A redução de alíquotas do ICMS tem um efeito muito maior do que diminuir preços de combustíveis e energia. Essa mudança enfraquece os governos estaduais e municipais, que perderão receitas sem que suas despesas efetivamente caiam - ao contrário, com a crise social, terão de gastar mais, até porque as políticas sociais federais estão mais frágeis e desestruturadas hoje. A promessa de recompensar estados e municípios é um engodo, visto que tal medida será detonada pela Câmara e/ou pelo veto presidencial.

Ao final, o presidente do Senado e os senadores, em vez de defenderem a Federação, enfraqueceram aqueles que representam, um verdadeiro escândalo em relação à Constituição, cometendo um crime contra o federalismo que deveriam proteger.

As políticas sociais estruturantes, especialmente educação, ciência e tecnologia, assistência social, saúde e meio ambiente, também estão na mira do projeto reeleitoral - eis aqui a terceira dimensão da estratégia eleitoral do bolsonarismo. Reduzir o orçamento dessas áreas é uma vingança contra os que votam contra o presidente - pois são defensores do Estado de Bem-Estar Social - e uma sinalização das prioridades bolsonaristas: garimpeiros ilegais, homeschooling, enfraquecimento do SUS, destruição do Fundeb, fortalecimento dos picaretas negacionistas da internet contra os argumentos científicos e, como síntese, o apoio àqueles que não querem criar oportunidades e condições dignas de vida aos mais pobres, mas, sim, explorá-los, como os milicianos da base política de Bolsonaro ou os que hoje dominam ilegalmente a Amazônia.

A destruição institucional tem um elemento central no ataque ao Judiciário, em especial ao STF e ao TSE. Quase todos os dias o presidente e seus aliados ameaçam ministros do Supremo. Além das falas cotidianas do presidente, o último bolsonarista a fazê-lo foi o ex-senador Magno Malta, num ataque ao ministro Barroso que não seria feito em nenhum país democrático, uma vez que disse uma mentira destinada a desmoralizar os guardiões da Constituição. Para garantir a reeleição ou evitar a derrota, é fundamental deixar sob suspeita o processo eleitoral e as decisões judiciais, de modo a tentar diminuir a capacidade de os controles institucionais atuarem como freios aos populismos autoritários de Bolsonaro e companhia.

O ataque sistemático ao Judiciário é, dessa maneira, a quarta dimensão do projeto reeleitoral e tem como pior instrumento o uso das Forças Armadas na luta contra o TSE. Somente uma República de bananas, daquelas execradas por figuras como Castelo Branco ou Geisel, aceitaria que militares emparedassem os juízes que comandam a eleição. Foi ultrapassada uma linha básica da democracia, e as consequências disso ainda são incertas.

Para terminar, o modelo bolsonarista de reeleição sustenta-se em alimentar cotidianamente o medo da população e de vários setores sociais em relação à alternância do poder. Esse processo vai ganhar mais força nos próximos meses e consiste em dizer que qualquer mudança no comando do país é algo que não pode ser admitido. Primeiro, serão execradas pessoas, com histórias geralmente distorcidas. Depois, temáticas polêmicas ou falsas serão espalhadas pelas redes sociais, com foco em grupos mais sensíveis, como os evangélicos. Se tudo isso não der certo, ainda há o não final. O que Bolsonaro quis dizer para Biden quando afirmou que a volta de Lula seria contrária aos interesses dos EUA resume-se na frase famosa dos antifranquistas na Espanha: não passarão. É sob este lema que o bolsonarismo vai conduzir o projeto reeleitoral, colocando em risco a democracia brasileira.

*Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da Fundação Getulio Vargas

Valor Econômico

Janones alerta sobre nova greve dos caminhoneiros e diz que clima é ‘tenso’ entre lideranças




Após a Petrobras anunciar um novo reajuste nos preços dos combustíveis, o deputado federal André Janones (Avante-MG), pré-candidato à Presidência, afirmou nas redes sociais que "uma nova greve dos caminhoneiros pode estourar a qualquer momento".

"ATENÇÃO, URGENTE: uma nova greve dos caminhoneiros pode estourar a QUALQUER momento! O clima é tenso entre as maiores lideranças do País, e já há movimentações favor de um levante popular! Em breve mais informações OFICIAIS!", escreveu Janones.

O deputado ganhou projeção política nacional justamente durante a greve dos caminhoneiros em 2018. Neste período, Janones se apresentou com um porta-voz da categoria e defendeu os grevistas que pediam melhores condições de trabalho e redução nos preços dos combustíveis.

Mais cedo, o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou, após o anúncio do aumento de 14,2% do diesel pela Petrobras, 39 dias depois do último reajuste de 8,9%, que os caminhoneiros vão parar de qualquer maneira, ou por uma greve ou por falta de dinheiro para colocar combustível.

"A greve é a mais provável", disse em nota, uma semana depois de ter informado que a categoria estava dividida em relação a uma paralisação.

Estadão / Dinheiro Rural

Justiça dá 48h para PGE gaúcha explicar pensão de quase R$ 40 mil de Eduardo Leite




A Justiça gaúcha deu prazo de 48 horas para que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) do Rio Grande do Sul explique o pagamento de cerca de R$ 40 mil em pensão ao ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (foto)(PSDB). O ex-chefe do Executivo gaúcho também aparece como réu no processo, mas ainda não foi intimado pela Justiça. A ação foi movida pelo partido Novo, que apontou supostas irregularidades no pagamento do benefício, já que a chamada aposentadoria especial vitalícia a ex-governadores foi revogada antes do pedido de renúncia feito por Leite, em março desse ano.

Conforme o juiz Fernando Carlos Tomazi Diniz, os argumentos apresentados no pedido são "ponderáveis" e há uma possível "interpretação um tanto forçada" feita pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) sobre o caso. A extinção do pagamento de pensão especial vitalícia a ex-governadores, inclusive, foi sancionada por Eduardo Leite quando ainda era chefe do executivo gaúcho, em julho de 2021. Conforme os dados levantados até agora, o ex-governador recebeu R$ 19,6 mil relativos a maio e mais parcela retroativa de R$ 20,3 mil referente a abril, totalizando rendimento bruto de R$ 39,9 mil.

Conforme a assessoria de Eduardo Leite, "ao sancionar a lei n° 15.678/21 (que extingue a pensão especial vitalícia), o ex-governador abriu mão de receber o valor que estava previsto na legislação anterior, restando a ele o direito de receber não o valor integral da pensão, mas 65% do subsídio que recebem ex-governadores e apenas por até 4 anos. Os ex-governadores anteriores têm o direito de receber pensão vitalícia", diz a nota. Sobre a decisão judicial, a assessoria de Leite afirma que vai aguardar o posicionamento da PGE, que foi a parte intimada pela Justiça, para um novo pronunciamento. Já a Procuradoria informa que está tomando ciência do caso e em breve deve emitir posicionamento.

Eduardo Leite se tornou ex-governador após renunciar ao comando gaúcho em março desse ano, pretendendo voos maiores dentro do cenário político nacional. Ele rivalizou com João Doria dentro do ninho tucano quando o PSDB ainda previa uma candidatura própria à presidência e, depois, chegou a ser cogitado como vice de Simone Tebet na chapa da terceira via. Após idas e vindas, voltou ao páreo e é o atual candidato do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul. A candidatura foi oficializada ainda na última segunda-feira, 14.

Estadão / Dinheiro Rural

Um dia após Alckmin ser vaiado, Lula diz que é preciso ‘juntar os divergentes’




Um dia após pré-candidato à vice-presidência Geraldo Alckmin (PSB) ter sido vaiado, durante ato de apoio ao pré-candidato ao Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Natal (RN), o ex-presidente defendeu Alckmin e disse que é preciso "juntar os divergentes para vencer os antagônicos".

Alckmin foi vaiado quando teve o nome anunciado e também quando discursou. O público era formado por petistas e militantes de partidos aliados como o PSB, PCdoB e PSOL.

"Eu aprendi que a gente não tem que gostar apenas das pessoas que pensam como nós, é preciso aprender a viver com os diferentes", disse Lula. "É por isso que estamos construindo essa aliança, para a gente tentar fazer coisa com mais gente, não é só um partido, não é só um pensamento ideológico, é mais gente. Tem muita gente boa que não está no nosso meio", continuou.

Ao justificar a aliança, Lula disse que todos convergem para não deixar o País "continuar sendo governado por um genocida", em referência ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Estadão / Dinheiro Rural

Queda da renda e aumento da pobreza




Existe uma forte rede de proteção informal entre os trabalhadores menos qualificados, uma espécie de seguro informal

Por Naercio Menezes Filho* (foto)

Dados do IBGE divulgados na semana passada mostraram uma grande queda na renda dos brasileiros em 2021. Além disto, outra pesquisa mostrou que a insegurança alimentar e a fome aumentaram bastante. Quais as razões para este rápido empobrecimento da população brasileira? Por que a rede de proteção social não está dando mais conta de proteger os mais pobres da fome?

A figura mostra a evolução da renda per capita média e dos seus componentes (renda do trabalho e de outras fontes) nos últimos 30 anos no Brasil. Várias informações nela merecem destaque. Podemos ver, em primeiro lugar, que a renda aumentou 84% entre 1992 e 2019 (3,6% ao ano), principalmente entre 2004 e 2014. A renda do trabalho foi a principal responsável por este processo, mas as outras fontes de renda também contribuíram bastante.

O mais interessante é que a renda de outras fontes aumentou continuamente no período, tendo passado de R$ 150 para R$ 390 per capita, um aumento de 160%. As principais fontes desta categoria são as aposentadorias, programas de transferências de renda, doações, aluguéis e rendimentos do mercado financeiro. Como essas rendas foram ganhando importância crescente, a renda total foi ficando cada vez menos dependente da renda do trabalho. Se antigamente o desemprego tinha um efeito brutal sobre a renda, hoje em dia as rendas de outras fontes funcionam como um amortecedor, como deve acontecer em um Estado de bem-estar social.

Por exemplo, em 2015 tivemos uma forte queda no PIB per capita, que não se recuperou até hoje. Entretanto, o efeito sobre a renda média foi limitado. A renda média declinou apenas 4% entre 2014 e 2018 e já em 2019 havia recuperado seu valor de antes da crise. Isto ocorreu não só porque a queda do PIB não parece ter afetado fortemente a renda de trabalho, mas também porque as outras fontes de renda continuaram aumentando durante o período, principalmente as que estão vinculadas ao salário mínimo, como as aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada.

Mas o que ocorreu entre 2019 e 2021? Este foi o período da pandemia, que afetou bem mais fortemente o mercado de trabalho. A renda média do trabalho caiu 10% em média neste período, sendo que os trabalhadores mais pobres foram os mais afetados. Entre eles, a renda do trabalho caiu 40% em dois anos, pois o isolamento social diminuiu bastante as oportunidades de trabalho informal e por conta-própria, que são as principais fontes de renda para os trabalhadores sem muitas qualificações. Além disso, o recrudescimento do processo inflacionário pode ter contribuído para a queda de renda real do trabalho, especialmente entre os mais pobres que ganham abaixo do salário mínimo.

A renda de outras fontes caiu 14% entre 2019 e 2021, ao contrário do que estava ocorrendo desde 1992. Por que desta vez foi diferente? Isso é ainda mais intrigante porque o valor das transferências de renda aumentou entre 2019 e 2021, já que o programa bolsa-família, que pagava R$ 200 em média, foi substituído pelo auxílio emergencial, que pagou em torno de R$ 250 em 2021. Assim, o valor médio real efetivamente recebido pelas famílias mais pobres de transferências aumentou 22% em 2021, apesar de ter declinado com relação a 2020, quando os valores transferidos eram de R$ 600 ou R$ 1200.

O principal responsável pela queda das outras fontes de renda entre os mais pobres neste período parece ter sido as doações. Existe uma forte rede de proteção informal entre os trabalhadores menos qualificados, em que os que passam por períodos melhores transferem renda para os que estão passando por dificuldades. É uma espécie de seguro informal. Mas, durante a pandemia, como todos os trabalhadores menos qualificados foram afetados simultaneamente, este sistema de seguro parou de funcionar. Assim, o declínio da renda do trabalho entre os mais pobres não foi compensado pelas outras rendas e a renda média caiu ainda mais, provocando a volta da fome. Sem o auxílio emergencial a situação seria ainda pior. O que deve acontecer agora?

Como a pandemia foi um evento único e a economia está voltando ao normal em 2022, deveremos observar um aumento das outras rendas e retomada do processo de seguro informal que ocorre entre os trabalhadores menos qualificados, desde que a inflação seja controlada. Além disto, a diminuição do desemprego deverá estabilizar as perdas do mercado de trabalho. Assim, não deveremos observar outra queda de renda nesta magnitude em 2022.

No longo prazo, agora que já temos um Estado de proteção social montado, aumentos de renda terão que vir principalmente da renda do trabalho, pois não será possível aumentar muito mais os rendimentos de outras fontes sem que haja forte aumento da carga tributária ou da inflação. Além disto, devemos aperfeiçoar e recuperar os programas sociais que foram desmantelados nos últimos quatro anos.

Para aumentar os rendimentos do trabalho é necessário aumentar a sua produtividade, melhorando a qualificação do trabalhador e os investimentos. Para isso, temos que melhorar a qualidade da educação, aumentar a parcela de trabalhadores com ensino superior e igualar as oportunidades entre as pessoas e entre as empresas, tornando o ambiente de negócios mais previsível e democrático.

*Naercio Menezes Filho é professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, professor associado da FEA-USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e diretor do CPAP. 

Valor Econômico

No Governo Bolsonaro, diesel subiu 203% e gasolina quase 170%, diz FUP




A Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou nesta sexta-feira, 17, o aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras, mas culpou o presidente da República, Jair Bolsonaro, pela alta de preços, já que ele manteve a política de paridade de importação (PPI) da companhia, implantada pelo governo Michel Temer em 2016.

Segundo dados elaborados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/seção FUP), no Governo Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e 17 de junho de 2022, o diesel nas refinarias subiu 203%, a gasolina, 169,1% e o GLP 119,1%. Enquanto isso, o salário mínimo aumentou 21,4% no período, destacou a FUP.

"O novo aumento do diesel e da gasolina, anunciado na mesma semana em que é aprovado no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLP 18), que reduz o ICMS sobre combustíveis, é mais um descaso do governo federal com o trabalhador brasileiro, a maior vítima da disparada dos preços dos derivados e descontrole da inflação", disse em nota o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, sobre o reajuste de 5,2% no preço da gasolina e de 14,2% no diesel, definido a partir de reunião extraordinária convocada às pressas, no feriado da quinta-feira, 16, pelo presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Márcio Weber.

Bacelar afirmou que "o presidente Jair Bolsonaro debocha dos brasileiros com seu discurso eleitoreiro contra reajustes de combustíveis", já que manteve o PPI, e "a quatro meses das eleições, Bolsonaro se diz contrário às altas dos derivados, as quais deveria ter combatido desde o início de seu governo".

Estadão / Dinheiro Rural

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Lira diz que governo pode dobrar taxação de lucro da Petrobras

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que o governo federal pode dobrar a taxação dos lucros da Petrobras para reverter em benefício ao consumidor. A declaração foi dada após a estatal anunciar nesta sexta-feira, 17, um novo aumento nos preços dos combustíveis.

"Não custava nada para a Petrobras diminuir um pouco os seus lucros agora e esperar o resultado do que nós estamos fazendo, para diminuir a inflação dos mais vulneráveis. Ela não tem, absolutamente, nenhuma sensibilidade", afirmou Lira, em entrevista à GloboNews.

O presidente da Câmara disse que a estatal é um "monopólio puro na veia", que precisa ser combatido, e trabalha para pagar dividendos a acionistas minoritários. "Nós não queremos o caos, mas nós vamos abrir essa caixa preta da Petrobras e responsabilizar essa diretoria e esse presidente por esses atos de má-fé com o povo brasileiro", emendou.

"Aqui a Petrobras paga de CSLL [Contribuição Social Sobre Lucro Líquido], por exemplo, x% sobre o lucro. Nós vamos, por exemplo, dobrar essa taxação e tentar reverter isso diretamente para a população, para que também não entre no caixa do governo", sugeriu Lira, ao citar como exemplo o que é feito nos Estados Unidos.

Na quinta-feira, Lira anunciou que vai convocar para a próxima segunda-feira, 20, uma reunião de líderes para discutir a política de preços da Petrobrás. No Twitter, o deputado elevou o tom contra a estatal, chamou a empresa de "país independente" e disse que a companhia declarou guerra ao povo brasileiro.

Nesta sexta, o presidente da Câmara afirmou que a reunião vai ser "muito dura".

Estadão / Dinheiro Rural

‘Pura demagogia eleitoreira’, diz Ciro sobre Bolsonaro em postura sobre Petrobras




O pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou nesta sexta-feira, 17, que o presidente da República, Jair Bolsonaro, e sua equipe não têm "inteligência nem coragem" para mudar política de preços da Petrobras e, agora, "fazem teatrinho de briga e xingamentos". "Pura demagogia eleitoreira e muito desespero", disse.

E escreveu no Twitter: "Deixaram a absurda política de preços correr solta durante todo governo, começaram a tomar medidas paliativas - e erradas - nas vésperas das eleições e agora perderam totalmente o controle da situação."

A política de preços citada por Ciro no Twitter está relacionada à política de Preço de Paridade Internacional (PPI) implementada em 2016 pela Petrobras, durante o governo do ex-presidente da República Michel Temer (MDB).

Como mostrou nesta sexta-feira o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o preço da gasolina será reajustado no sábado, 18, pela Petrobras, após 99 dias congelado, passando a custar R$ 4,06 o litro nas refinarias da estatal, um aumento de 5,2%. O diesel, há 39 dias sem aumento, passou a custar R$ 5,61 o litro, alta de 14,2%.

O anúncio preocupa Bolsonaro e sua equipe, que veem os preços dos combustíveis como entrave para o projeto de reeleição.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PL), aliado do chefe do Executivo, aumentou seu tom contra o presidente da estatal, José Mauro Coelho, e cobrou na manhã desta sexta-feira sua renúncia imediata.

O mais alto escalão do governo também já pressiona nos bastidores pela renúncia do presidente demissionário.

Teto ICMS

Ciro Gomes disse ainda que "o desespero é total porque eles sabem que um simples reajuste decretado pela empresa derruba os supostos efeitos positivos da redução do ICMS", em referência ao o projeto de lei aprovada na Câmara que fixa o teto de 17% para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. O texto vai à sanção presidencial.

"Ou seja: a população será duplamente punida porque terá menos verba para educação e saúde junto com preços altos de gasolina, diesel e gás. Tempestade perfeita", continuou Ciro.

O governo vinha tentando convencer Coelho a segurar os preços para que a proposta sobre ICMS surtisse algum efeito nas bombas dos postos de abastecimento.

Estadão / Dinheiro Rural

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Petrobras diz em nota que é sensível a momento que País e o mundo enfrentam

A Petrobras não cedeu às pressões do governo e de autoridades ligadas ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e anunciou aumento dos preços do diesel e da gasolina nesta sexta-feira, 17. Em nota enviada à imprensa, a estatal afirmou que "é sensível ao momento que o Brasil e o mundo enfrentam", de alta de preços, rebatendo declarações que vêm sendo feitas nas últimas semanas por Bolsonaro.

Nesta sexta-feira, o presidente afirmou que "a Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos", e relembrou a greve dos caminhoneiros de 2018, que parou o Brasil.

Na quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), chegou a dizer que a Petrobras "declarou estado de guerra ao povo brasileiro", e que a empresa age como "inimiga do Brasil".

Já o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, do mesmo partido de Lira, disse que a Petrobras "não é de seus diretores. É do Brasil".

Em nota, a estatal explicou nesta sexta que busca o equilíbrio de preços com o mercado global, e evita trazer a instabilidade do mercado internacional para o País, tanto que manteve o preços da gasolina congelado por 99 dias e do diesel por 39 dias, prática que não é comum a outros fornecedores no Brasil e nem fora do País.

A Acelen, por exemplo, única refinaria de grande porte privada brasileira, reajusta os preços semanalmente.

Após 99 dias congelado, o preço da gasolina será reajustado no sábado, 18, pela Petrobras, passando a custar R$ 4,06 o litro nas refinarias da estatal, uma aumento de 5,2%. O diesel, há 39 dias sem aumento, passou a custar R$ 5,61 o litro, alta de 14,2%.

Os reajustes refletem a disparada dos preços dos derivados no mercado internacional, seguindo a alta do petróleo e refletindo maior demanda e o fechamento de refinarias em meio à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Ainda na mesma nota, a estatal disse que o mercado de energia passa por um momento desafiador, pelo impacto da recuperação econômica e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que reduziram a oferta e aumentaram a demanda, principalmente por diesel.

Em resposta às críticas do governo a empresa explicou também, que apesar de impactar os preços, a conjuntura tem gerado recursos públicos bilionários, destacando que em 2021 pagou R$ 203 bilhões entre impostos, royalties e participações especiais, e que este ano, até julho, vai desembolsar R$ 32 bilhões para os cofres públicos.

Estadão / Dinheiro Rural

União Brasil, PT, MDB, PSD e Progressistas concentram 47% do Fundo Eleitoral




O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o valor que cada partido vai receber na distribuição dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral reservado para as eleições de 2022. O União Brasil, do pré-candidato à Presidência Luciano Bivar, receberá a maior fatia - mais de R$ 782 milhões.

O PT, sigla do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, terá pouco mais de R$ 503 milhões; e o MDB da senadora Simone Tebet ficará com R$ 363 milhões.

O PSD receberá quase 350 milhões e o Progressistas, R$ 344 milhões. Juntas, as cinco legendas respondem por 47,24% dos recursos do fundo distribuídos neste ano.

O PL, sigla do presidente da República Jair Bolsonaro, receberá R$ 288 milhões.

O PDT de Ciro Gomes terá direito a mais de R$ 253 milhões.

O partido Novo renunciou ao repasse e sua cota de R$ 90 milhões será revertida ao Tesouro Nacional. 

Estadão / Dinheiro Rural

Watergate, o escândalo que virou marca




Depois de 50 anos do caso que levou à renúncia de Nixon nos EUA, nome ainda é referência para escândalos políticos em todo o mundo, como o "Partygate" no governo britânico e o "Dieselgate" na alemã Volkswagen.

Por Brenda Haas

Os escândalos que ficaram conhecidos como "Partygate" no Reino Unido, "Nipplegate" nos Estados Unidos e "Dieselgate" na Alemanha devem seus nomes à uma desastrada invasão a um escritório do Partido Democrata em Washington, há exatos 50 anos.

Em 17 de junho de 1972, durante a campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, cinco homens invadiram a sede do Comitê Nacional Democrata, no complexo de edifícios Watergate, na capital americana.

Sua missão? Grampear a sede desse comitê no intuito de obter materiais incriminatórios que pudessem prejudicar a candidatura do democrata George McGovern e assegurar a reeleição do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano.

Após a notícia da invasão se tornar pública, os primeiros relatos na imprensa sugeriam que pudesse haver alguma ligação com a Casa Branca. Mas Nixon manteve a alegação de que nada sabia a respeito do caso, e acabou sendo reeleito em novembro. Em janeiro de 1973, os invasores foram julgados e condenados.

Investigações subsequentes acabariam implicando o comitê de campanha de Nixon e membros de seu governo. Mais tarde, foi revelado que o presidente tinha conhecimento das ações e ainda teria se envolvido no acobertamento do caso.

De modo a evitar um impeachment, Nixon se tornou o primeiro e, até hoje, o único presidente americano a renunciar ao cargo, em 8 de agosto de 1974. As repetidas menções ao nome Watergate na mídia, durante anos e anos de controvérsias geradas pelo caso, tornaram o nome do edifício um sinônimo de escândalo.

Por que Watergate?

Hoje em dia considerado um marco arquitetônico incluído no Registro Nacional de Locais Históricos dos EUA, um dos mais infames endereços do país recebeu esse nome por razões pragmáticas.

Após o término da construção, em 1971, o Complexo Watergate foi o primeiro projeto de uso misto em Washington. Situado às margens do rio Potomac, o edifício consiste em escritórios, um hotel e blocos residenciais. Em seu auge, era o endereço residencial favorito do meio político.

No livro Presidential Power on Trial: From Watergate to All the President's Men ("Poder presidencial sob julgamento: De Watergate a 'Todos os homens do presidente'"), o escritor William Noble escreve que o complexo de edifícios recebeu esse nome por estar próximo à comporta ("gate" ou "floodgate", em inglês) que regulava o fluxo de água ("water") do rio Potomac.

Sufixo dos escândalos

Hoje em dia, o sufixo "gate" é utilizado para quaisquer eventos que gerem controvérsia ou rendam manchetes de jornal, sejam políticos ou simples frivolidades.

Um exemplo disso é o Nipplegate ("mamilogate") – a fração de segundo em que uma "falha de vestuário" expôs o seio da cantora Janet Jackson em uma performance durante o show do intervalo do Super Bowl, em 2004.

O sufixo foi utilizado pela primeira vez logo após o escândalo Watergate em Washington, quando a revista satírica americana National Lampoon publicou um escândalo russo falso intitulado Volgagate – em referência a um dos principais rios da Rússia.

William Safire, um ex-assessor de Nixon que redigia discursos para o presidente, costumava utilizar o sufixo em suas colunas no The New York Times quando escrevia sobre escândalos posteriores ao Watergate, em seus 30 anos de carreira trabalhando para a publicação.

Mais tarde, ele disse ter feito isso para desviar as críticas sobre as ações de seu ex-chefe.

'Monica Lewinsky e Bill Clinton são protagonistas do que ficou conhecido como Monicagate ou Lewinskygate'

Outros "gates" que se tornaram conhecidos incluem o Monicagate ou Lewinskygate nos anos 1990, quando o presidente Bill Clinton primeiramente negou, e mais tarde, admitiu que mantinha um caso com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.

De Washington para o mundo

O sufixo, porém, teve impacto bem além das fronteiras americanas, e não se resumiu à língua inglesa. A França teve o chamado Winegate em 1973, quando um esquema fraudulento tentava comercializar produtos de baixa qualidade se passando por vinhos Bordeaux.

A Alemanha teve o chamado Dieselgate, iniciado em 2015, quando a Volkswagen admitiu ter adulterado softwares em seus veículos para emitir dados falsos sobre as emissões de gases poluentes.

A revelação e as investigações que se seguiram tiveram consequências graves para a empresa, com uma série de acordos judiciais e multas em centenas de milhares de dólares nos Estados Unidos.

Recentemente, a automobilística alemã teve de pagar 193 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 1,2 bilhão) em um acordo judicial no Reino Unido, em uma ação movida por aproximadamente 91 mil motoristas.

'Watergate é considerado um marco arquitetônico, incluído no Registro Nacional de Locais Históricos dos EUA'

A Itália chegou a criar seu próprio sufixo para denominar escândalos.

Nos anos 1990, um caso envolvendo políticos que recebiam comissões em troca de contratos públicos foi batizado de Tangentopoli – "tangente" significa propina em italiano, e "poli", de origem no idioma grego, significa "cidade".

Desde então, surgiram vários outros, como o escândalo financeiro Bancopoli e o Calciopoli, sobre manipulação de resultados em partidas de futebol.

Sagaz ou preguiçoso?

Alguns linguistas e críticos rejeitam o sufixo "gate", por entender que ele pode trivializar a gravidade de casos de irregularidades em comparação com outros.

Um exemplo disso seria colocar no mesmo nível o chamado Partygate – sobre as festas promovidas por membros do governo britânico, com a participação do premiê Boris Johnson, enquanto o país vivia a imposição de lockdowns – e o que ficou conhecido como Slapgate ("tapagate"), quando o ator Will Smith desferiu um tapa no rosto do comediante Chris Rock ao vivo na cerimônia de entrega do Oscar.

Alguns, por outro lado, afirmam que o sufixo ajuda a chamar atenção para determinados temas. Seja amado ou odiado, o sufixo "gate" vem sendo – e seguramente continuará a ser – um acessório para escândalos de todos os tipos.

Um quadro de 2010 de um programa de comédia da emissora britânica BBC lançou um bom argumento quanto ao uso do sufixo: "Se 'gate' se tornará o único sufixo a significar improbidade, de qualquer tipo, não seria o caso de o escândalo que deu origem a isso passar a ser chamado de 'Watergate-gate'?"

Deutsche Welle

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