quinta-feira, junho 16, 2022

A reorientação asiática da Rússia




Rússia e China estão ativamente interessadas em constranger o Ocidente. Uma linha que tenderão a seguir é a de desafiar a dominância do dólar e das restantes moedas ocidentais. 

Por Rui Miguel Garrido 

A agressão à Ucrânia e os boicotes e sanções daí advindos já estão a isolar a economia russa do Ocidente e a compelir a Rússia a procurar novos horizontes. Isto mesmo foi explicitado pelo apelo de Putin para o redireccionamento das exportações de energia russa para os mercados emergentes a sul e a oriente. Aqui, o foco essencial de Moscovo é inevitavelmente o sistema asiático, no qual a Rússia se insere e no qual veio a envolver-se substancialmente ao longo da última década, pela expansão de laços com China, Índia, Sudeste Asiático, Médio Oriente e Golfo. Em particular, Moscovo veio a desenvolver uma parceria próxima com Pequim, aos níveis económico, político e militar, com esta parceria a ser reforçada a 4 de Fevereiro, quando Xi e Putin declararam que os dois estados expandirão a sua cooperação e agirão em conjunto no sistema asiático.

Desde o início da invasão, o comércio Rússia-China tem vindo a crescer, a China tem aumentado as suas importações de gás, carvão e petróleo russos e os laços infraestruturais entre os dois países têm vindo a ser expandidos. A China já veio dizer que reforçará laços com a Rússia em energia, finança, C&T e no setor técnico-militar e, ainda em Março, pouco após a invasão, Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês, afirmou que os dois países manterão “foco estratégico” e cultivarão “uma parceria abrangente”. De resto, o recente exercício militar conjunto durante a visita de Biden ao Japão foi uma clara asserção de coesão sino-russa.

É muito possível que se esteja, já hoje, perante o nascimento de um eixo geopolítico China-Rússia. Um tal eixo tenderia a agregar toda uma série de estados alinhados e a visar a transformação autocrática da ordem internacional. Procuraria ainda harmonização de interesses ao longo da Ásia, sob égide sino-russa, um cenário que levaria à drástica redução de influência ocidental na região.

Com efeito, Rússia e China estão ativamente interessadas em constranger o Ocidente. Uma linha que tenderão a seguir é a de desafiar a dominância do dólar e das restantes moedas ocidentais, sendo que qualquer redução expressiva dessa dominância teria sérias sequelas para o ocidente em si. China e Rússia passaram os últimos anos a ‘desdolarizar’ o comércio entre ambos e a China parece estar a negociar compras de crude à Arábia Saudita em yuan, algo que, a acontecer, poderia criar um efeito dominó para o petrodólar e, daí, para o próprio dólar como moeda de reserva global.

Moscovo, por sua vez, gostaria de cooptar os BRICS (as cinco maiores economias emergentes) para que expandam o uso das suas moedas nacionais no comércio internacional, em detrimento do dólar. É assim que Lissovolik, do Clube de Valdai, alinhado com o Kremlin, surgiu recentemente a promover um programa do mesmo Valdai para esse exato propósito. O Kremlin também fala através de Sergey Glaziev, que advoga isolar o Ocidente pela criação de uma nova arquitetura financeira internacional para países alinhados com Rússia e China: estes países deixariam de usar o dólar em prol de moedas nacionais e de ouro físico, que, constata Glaziev, “é produzido em abundância na Rússia”.

Moscovo já parece estar a mover o rublo para o padrão-ouro, algo que forçaria atores externos a pagar rublos com ouro para comprar recursos russos. Isto, se mimetizado pela China, que tem vindo a acumular ouro, poderia impor drásticas descontinuidades à estrutura monetária global.

China e Rússia fazem parte da Organização de Cooperação de Shangai (OCS), que, a abranger também Índia, Paquistão e quatro estados centro-asiáticos, engloba quase metade da população mundial. A 22 de Março, Zhang Ming, secretário-geral da OCS, reuniu-se com a estatal russa VEB.RF para criticar as “sanções unilaterais ilegais” e expressar a prontidão da OCS para prestar “todo o tipo de apoio à VEB.RF” no espaço OCS. A OCS tem vindo a trabalhar no aumento do uso de moedas nacionais em comércio externo e, de Março em diante, tem vindo a avançar a implementação de um tratado para consolidação de relações regionais.

A 26 de Maio, Putin veio avançar a ideia de uma parceria pan-asiática a agregar OCS, ASEAN e outras aglomerações regionais. Esta proposta foi colocada em perspetiva por Kosachev, do MNE russo, que, ao falar de uma tal parceria, disse que a mesma poderia ser usada para isolar o Ocidente.

É incerto se a generalidade da Ásia virá a apoiar a Rússia na sua reorientação a Oriente. Os países asiáticos têm, na sua larga maioria, respeitado as sanções, embora evitando condenar assertivamente Moscovo: como visto a 7 de Abril na ONU, quando quase toda a Ásia evitou votar contra a Rússia.

O fator essencial de imprevisibilidade na Ásia é a Índia, uma potência nuclear que é, já hoje, uma das maiores economias do mundo. A Índia tem fortes laços com a Rússia que, desde a era soviética, tem sido sua parceira estratégica face à China. Porém, isso tenderá a deixar de ser verdade com o presente alinhamento sino-russo. Isto é algo que poderá vir a impelir a Índia mais para ocidente ou que, em contraste, poderá levá-la a harmonizar relações com a China.

Até aqui, e desde a invasão da Ucrânia, a Índia tem vindo a expandir as suas importações de gás, petróleo, carvão e fertilizantes russos, com Delhi a encorajar estatais indianas a investir no setor petrolífero russo e a discutir transações rupia-rublo com Moscovo. Porém, e em simultâneo, a Índia também tem vindo a fortalecer relações com UE, UK e Quad, tal como veio a aderir ao Quadro Económico Indo Pacífico. É assim possível que os indianos estejam a tentar manter a sua condição tradicional de potência autónoma e não-alinhada.

A reorientação asiática da Rússia também passa pela consolidação da União Económica Eurasiática (UEE), o bloco económico que, de 2015 em diante, veio a ser criado em espaço pós-soviético. A UEE agrega Rússia, Bielorrússia, Arménia, Cazaquistão e Quirguistão e, da invasão em diante, tem vindo a desenvolver laços com a OCS e com a CICA, o fórum asiático a abranger 27 países. Tem também adotado medidas de resiliência para lidar com os impactos regionais das sanções e está a trabalhar em integração aumentada, substituição de importações, cooperação industrial e comércio externo pelo uso de moedas nacionais. A UEE está ainda a desenvolver a infraestrutura regional de transportes, o que inclui o Agroexpress, que transportará bens agroalimentares para a China.

A UEE é complementada pela Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), o bloco militar regional estabelecido em 2002. A OTSC está a aprofundar laços com a Organização de Cooperação de Shangai e a China já se mostrou interessada em cooperar com a OTSC. Ainda por ocasião da recente Cimeira da OTSC, a 16 de Maio, foi dito que a mesma será expandida com novos membros, parceiros e observadores e, umas semanas antes da guerra, Pankin, do MNE russo, dizia que a OTSC “devia estar presente na arena global” e que “os nossos muitos parceiros”, dão sinais “de estar prontos para cooperar”.

Parece ser claro que o Ocidente tem de dirigir apelos convincentes aos países que tenderiam a alinhar com Rússia e China. Isto passa largamente pela oferta de programas conjuntos de comércio e desenvolvimento. O Quadro Económico Indo Pacífico já é um primeiro passo nesse sentido.

Observador (PT)

O Cafezinho



Avião americano da 2ª Guerra é encontrado no RN 80 anos após queda

 Quinta, 16 de Junho de 2022 - 07:20


por UOL

Avião americano da 2ª Guerra é encontrado no RN 80 anos após queda
Foto: Reprodução / Paul Bouffis

Pesquisadores encontraram no litoral do Rio Grande do Norte um pedaço de um avião militar dos Estados Unidos que caiu na região há 80 anos e foi usado na Segunda Guerra Mundial.
 

A aeronave, identificada como um hidroavião bimotor Catalina, ia em direção a uma base norte-americana que ficava na capital do estado, Natal, quando caiu. Havia 10 pessoas no avião no momento do acidente, e apenas três sobreviveram, resgatados por pescadores brasileiros.
 

Os destroços foram encontrados pelo mergulhador Paul Bouffis, que estava dando uma aula na região, e repassou a informação da carcaça para o Centro Cultural Trampolim da Vitória, que estuda a passagem dos americanos pelo estado potiguar durante o período da Segunda Guerra.
 

Em entrevista à TV Globo, o curador da instituição, Fred Nicolau, afirmou que sabia-se da existência do avião, mas sua localização era desconhecida. "Ele disse que tinha achado um 'treco' lá, mas não era um avião. Daí ele me mandou as fotos, olhei e [disse que] de fato é uma sucata, não parece nada".
 

Nicolau afirma que foi pesquisar no próprio acervo e encontrou um pedaço de sucata também de um Catalina. ''Fui ver outras fotos do avião e tive certeza [que era aeronave americana]", afirmou.
 

Segundo Nicolau relatórios da época apontavam, entre as causas da queda do avião, as baixas condições de visibilidade. "Estava chovendo, era de noite, não tinha lua, teto baixo e visibilidade chegando a zero", diz.
 

Segundo Nicolau, há outros destroços de aeronaves espalhados pelo litoral do estado. "A gente sabia que existia esse avião, assim como sabemos que caíram outros dez aqui na costa entre a guerra e o pós-guerra. Os caras que já acharam esses aviões mantêm isso como um segredo. Eu tentei muito achar os outros aviões".
 

Nicolau disse que já avisou a Marinha e as autoridades americanas sobre o achado, mas defende que o mais correto seria deixar a carcaça no local.

Bahia Notícias

Primeira defensora pública indígena da Bahia será empossada na segunda-feira

 Quinta, 16 de Junho de 2022 - 09:20


Primeira defensora pública indígena da Bahia será empossada na segunda-feira
Foto: Divulgação

A primeira defensora pública indígena da Bahia será empossada na próxima segunda-feira (20). O fato será um marco para a história da Defensoria Pública do Estado (DP-BA). Aléssia Pamela Bertuleza Santos, 29 anos, será empossada no auditório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), em Salvador. 

 

Integrante da comunidade Tuxá, do município de Rodelas, no Norte da Bahia, Aléssia foi aprovada em 7º lugar no último concurso para a carreira. Graduada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e professora de carreira jurídica, Aléssia Bertuleza Santos teve a segunda maior pontuação do exame de arguição oral do certame. Na solenidade, que será fechada para convidados por causa do aumento de casos de Covid-19, também serão empossados outros 20 defensores(as) públicos(as). Confira abaixo a relação completa.

 

O concurso para defensores e defensoras da DP-BA ofertou 18 vagas iniciais, com cadastro reserva, foi o primeiro com previsão de reserva de vagas para pessoas indígenas, o equivalente a 2%, conforme estabelecido pela Lei Complementar Estadual 46/2018. O regulamento com a reserva da vaga foi elaborado em 24 de março de 2021 pela comissão organizadora e aprovado pelo Conselho Superior da Defensoria em 5 de abril do respectivo ano.

 

Para concorrer às vagas destinadas, a(o) candidata(o) deveria declarar que pertence à população indígena, que desejava concorrer às vagas reservadas e apresentar documento emitido pela Fundação Nacional do Índio – Funai, o qual ateste sua condição de indígena. O certame também disponibilizou 30% das vagas para pessoas autodeclaradas negras (pretas ou pardas).

Bahia Notícias

Excessivo ativismo do Supremo representa um risco concreto à democracia brasileira

Publicado em 15 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Fachin rebate Bolsonaro sobre contagem simultânea de votos: 'crítica indevida' - Brasil 247

O Globo diz que Fachin criou desavença insólita com militares

Deu em O Globo

Afirmar que o governo Jair Bolsonaro representa riscos à democracia se tornou lugar-comum. A campanha contra as urnas eletrônicas e o Judiciário, a apologia da ditadura, os elogios a torturadores transformaram Bolsonaro na nêmesis de democratas mundo afora. Outro risco para nossa democracia, porém, tem passado despercebido. É mais insidioso e permanecerá entre nós mesmo que ele perca a eleição e transfira o poder ao sucessor.

Trata-se da politização do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte, que deveria manter-se equidistante e alheia às paixões, parece a cada dia mais contaminada pelo noticiário, como se devesse prestar contas à opinião pública, não à lei ou à Constituição.

PRAZO DESCABIDO – O ministro Luís Roberto Barroso deu até prazo para o governo tomar providências nas buscas do indigenista e do jornalista desaparecidos na Amazônia, como se isso tivesse algum poder de acelerá-las — ou algum cabimento.

O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se esforça para desvencilhar-se da desavença insólita que ele próprio alimentou com os militares em torno das urnas eletrônicas. E o ministro Gilmar Mendes teve nesta semana de reafirmar o óbvio, dizendo que o Supremo não é “partido de oposição ao governo”. Não é mesmo, nem jamais deveria ser.

A impressão que tem transmitido, contudo, é a oposta. Não é de hoje que o STF invade competências de outros Poderes. “Tenho a impressão de que, qualitativamente, o STF brasileiro, ao lado dos tribunais constitucionais colombiano e sul-africano, está entre os mais ativistas do mundo”, diz o jurista Gustavo Binenbojm.

PASSA DOS LIMITES – Mesmo que, na maioria dos casos, o Supremo mantenha seu papel de tribunal constitucional e última instância do Judiciário, nos poucos em que se arroga missão que o extrapola, dá argumento aos bolsonaristas e aos que promovem campanhas infames e despiciendas contra a Corte.

Nas palavras de um constitucionalista: “Conflito entre Poderes sempre vai existir, mas é difícil achar racionalidade em certas decisões”.

Para citar exemplos, nem é preciso recorrer a casos rumorosos, em que o tribunal assumiu papel nitidamente político, como os inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, a prisão do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) ou os esforços por disciplinar as redes sociais. As decisões contaminadas pelo ativismo podem ser as mais corretas e proteger direitos essenciais, mas isso não impede que abram precedentes perigosos.

LEGISLANDO À VONTADE – Quando o Supremo tornou a homofobia e a transfobia crimes, formulou, sem aval do Legislativo, um tipo penal por analogia — um absurdo, pois o Direito Penal é literal. Quando equiparou os crimes de racismo e injúria racial, alterou definições de leis aprovadas no Congresso.

Quando determinou condições para operações policiais nas favelas cariocas, invadiu competência do Executivo fluminense e determinou uma política pública. Nada disso estava errado em si. Mas criou-se um caminho para arbítrios futuros.

Noutras situações, o STF soube agir com comedimento. Ficou anos sem tomar decisão sobre o Fundo Garantidor de Créditos para não invadir competência do Legislativo. No caso da reeleição para as presidências da Câmara e do Senado, apenas mandou cumprir o que estava na Constituição. Casos assim mostram que os ministros têm plena noção da atitude exigida de juízes que concentram tanto poder. Precisam ter a sabedoria de mantê-la.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente editorial de O Globo, enviado por Mário Assis Causanilhas. Mostra que a Tribuna da Internet não está sozinha ao denunciar a forma desrespeitosa de Fachin tratar as Forças Armadas, que O Globo definiu como “ desavença insólita” que o próprio Fachin “alimentou com os militares em torno das urnas eletrônicas”Parabéns ao editor de Opinião de O Globo, Hélio Gurovitz, que não se deixou contaminar pelo “ideologismo” dos colunistas que frequentam o jornalão. (C.N.)

Sanções internacionais conterão Bolsonaro golpista, segundo o quartel-general do PT

Publicado em 16 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

O PREÇO DA RENDIÇÃO DO EXÉRCITO À ESTRATÉGIA GOLPISTA DE BOLSONARO – VISÃO  PLURAL

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Paulo Cappelli
Metrópoles

A avaliação da cúpula do PT é que Jair Bolsonaro de fato conta com o apoio da maioria dos militares para levar a cabo seu projeto de não reconhecer uma eventual derrota. No entanto, por dois motivos, Lula acredita que uma eventual adesão militar não seria suficiente para que Bolsonaro fosse bem-sucedido em alguma aventura golpista.

O primeiro ponto é que a aspiração golpista não teria, no restante da sociedade, uma adesão que sequer se aproximasse da que existe, na visão do partido petista, entre militares.

SANÇÕES DO EXTERIOR – O segundo aspecto levado em conta por Lula é que, tão logo ensaie algo nesse sentido após a derrota nas urnas, Bolsonaro seria alvo de sanções internacionais, sobretudo na área econômica, vindas dos Estados Unidos, de países do Mercosul e de nações europeias.

O entorno de Lula lembra que, como integrante do Mercosul, o Brasil é signatário do protocolo de Ushuaia sobre compromisso democrático.

Assinado em 1998 durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, o documento prevê que “a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento de processos de integração entre os Estados Partes deste Protocolo”. E cita sanções como “suspensão dos direitos e obrigações” em caso de “ruptura da ordem democrática”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A preocupação do PT é improcedente. Somente Bolsonaro fala em golpe. Os chefes militares falam em respeito à Constituinte. Existe uma diferença enorme entre uma coisa e outra. Se o atual e o novo presidente do TSE, Edson Fachin e Alexandre de Moraes, tiverem um mínimo de juízo e deixarem as Forças Armadas participarem da fiscalização, estará tudo resolvido e o golpe será um sonho que virará pesadelo para Bolsonaro. Apenas isso. (C.N.)  


TSE precisa responder logo as últimas propostas da Forças Armadas, para desarmar os espíritos

Publicado em 16 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Ataques bolsonaristas miram Edson Fachin nas redes sociais; | Política

TSE já aprovou dez propostas dos militares e faltam quatro

Roberto Nascimento

Novas respostas do Tribunal Superior Eleitoral às Forças Armadas terão pouca utilidade e não vão adiantar nada. A principal resposta já foi dada: entre as 15 propostas feitas pelos militares, dez foram aprovadas, quatro estão ainda em análise e apenas uma foi rejeitada, referente à questão da transparência. Portanto, é conveniente que o exame das quatro sugestões restantes seja logo decidido, se estão aceitas ou não, para que as Forças Armadas se deem por satisfeitas e a vida possa ir em frente.

Caso contrário, podem vir outros questionamentos e mais outros, para que, no final das eleições, o resultado possa mesmo ser contestado, como ocorreu há dois anos nos Estados Unidos.

SERVE DE PALCO – Todos sabem que o problema hoje é mais político do que tecnológico, já que a urna eletrônica apenas serve de palco para a tentativa de continuidade no poder.

Sabe-se, também, que o sistema que comanda o país não quer a volta de Lula de jeito nenhum. Mas o Supremo tem outra visão política, pois fez questão de libertar Lula e depois devolver-lhe os direitos políticos, para que pudesse de novo se candidatar.

Para o bem do país e deixando de lado essa nefasta polarização Lula versus Bolsonaro, o ideal seria um tertius, que representasse a terceira via. Mas os três candidatos que eram mais palatáveis para o centro foram destruídos no nascedouro – João Doria, Eduardo Leite e Sérgio Moro. Restaram Ciro Gomes e Simone Tebet, que só têm chances contra a polarização se integrarem a mesma chapa.

PREFERÊNCIA – A percepção que a meu juízo aflora do quadro eleitoral de hoje, sem paixão e torcida, apenas análise, é de que a Indústria, o Comércio, o Setor Financeiro e o Agronegócio preferem a continuidade de Bolsonaro. Os fatos demonstram e eles não podem ser desmentidos.

A privatização da Eletrobrás e o anúncio de que a Petrobras pode ser a próxima vítima foram as cerejas do bolo a favor de Bolsonaro, mas sua campanha congelou. Apesar disso, a eleição não está decidida em favor de Lula e a vitória no primeiro turno é um sonho de noite de verão. Mesmo assim, Gleisi Hoffmann e José Dirceu insistem na fantasia e resistem em calçar as sandálias da humildade.

Lembrem da última eleição, na qual eles subestimaram a candidatura de Bolsonaro e depois levaram um susto com a abertura das urnas. Em todas as pesquisas, Dilma era tida como eleita para o Senado em Minas, em primeiro lugar, mas abertas as urnas ela amargou a quarta colocação, em vexame enorme.

BOLSONARO VIVE – Se os petistas tirarem o pé do acelerador, logo verão Bolsonaro resfolegar nos seus cangotes e cruzar a linha final para ficar aí mais quatro anos.

Quanto ao voto impresso, seria anacrônico, um retrocesso. Bolsonaro foi eleito com as urnas eletrônicas. Por que bate nelas nessa eleição? Está ficando patética essa perseguição contra as urnas, depois de 30 anos da sua implantação, sem nenhuma discórdia dos políticos, que perderam as eleições.

Temo pelo futuro do país, se não houver respeito à decisão do eleitor em outubro. Como ensaio, estão preparando um novo Sete de Setembro, pior do que aquele de 2021. A quem interessa colocar fogo no paiol?

Editorial de O Globo surpreende, ataca o STF e diz que Fachin alimentou briga com militares

Publicado em 16 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Editorial significou uma mudança de posicionamento do jornal

Pedro do Coutto

Causou surpresa, acredito que para todos os leitores, o editorial da edição desta quarta-feira de O Globo, atacando posicionamentos do Supremo Tribunal Federal e, no caso das urnas eletrônicas, atribuindo ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, ter alimentado desavença que ele próprio criou com militares. O editorial cita também frase do ministro Gilmar Mendes dizendo que o Supremo não é partido de oposição ao governo.

O editorial significou uma mudança de posicionamento do jornal ao dizer, inclusive, que o STF vem promovendo uma politização quando a Corte deveria manter-se equidistante e alheia às paixões. Parece a cada dia (a Corte) mais contaminada pelo noticiário como se devesse prestar contas à opinião pública e não à lei e à Constituição.

PRAZO – O artigo focaliza também a atitude do ministro Luís Roberto Barroso que deu prazo ao governo quanto às buscas do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia. Aí, o editorial passa para o caso das urnas eletrônicas, afirmando que “o ministro Edson Fachin se esforça para desvencilhar-se da desavença insólita que ele próprio alimentou com os militares em torno das urnas eletrônicas”.

Quando presidente do TSE, o ministro Barroso solicitou ao ministro da Defesa a colaboração das Forças Armadas para integrar o sistema de fiscalização da votação e computação dos votos através das urnas que modernizaram as eleições brasileiras a partir de 1996.  Mas o editorial diz que Fachin, ao substituir Barroso, alimentou uma desavença insólita com os militares em torno das urnas eletrônicas.

O editorial, por coincidência, colide com os artigos ontem publicados na mesma edição pela colunista Vera Magalhães e pelo colunista Elio Gaspari. Mais diretamente por Vera Magalhães, cujo título do artigo foi “Temporada de caça ao Judiciário”, que na síntese acentua que “o ataque à Justiça é a antessala da agitação que Bolsonaro prepara para logo após o primeiro turno das eleições.

GOLPE – A discordância entre o editorial e o artigo é ampla, e também se evidencia com a comparação com o artigo de Elio Gaspari,  que se refere às articulações de bastidores do Planalto para um golpe contra a democracia e possível resultado das urnas de outubro.

Gaspari lembra passagens anteriores sobre articulações golpistas e a resposta que obteve por parte do governo Castello Branco, antes portanto do Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, decretado pelo presidente Costa e Silva.

É verdade que no governo Castello Branco foi praticada a cassação de Juscelino Kubitschek, favorito nas eleições que não ocorreram em 1965. Mas este é outro assunto. Fica para o quadro da história da política brasileira.

COLISÃO – A surpresa do editorial é que ele colide com o pensamento da maioria da opinião pública e também com a independência de seus jornalistas efetivos, como também é o caso de Bernardo Mello Franco.

Na edição de ontem, por exemplo, Bernardo Mello Franco, ataca a atuação do governo na Amazonia e sustenta que o presidente da República desfechou uma foiçada na Funai, significando que esvaziou o órgão, sendo preenchido pelo garimpo ilegal e por narcotraficantes. Temos assim, uma situação nova no jornalismo brasileiro e que deve ser motivo de análise.

CONFUSÃO NA BOVESPA –  Reportagem de Eduardo Cucolo, Folha de S. Paulo de ontem, destaca a confusão em São Paulo quando o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes e Adolfo Sachsida compareceram à Bovespa para participar do lançamento das ações que marcam o início da privatização da Eletrobras. Entre os manifestantes estavam lideranças de movimentos de trabalhadores sem teto, atingidos por barragens e petroleiros.

A demanda por ações foi forte, com a participação de fundos de pensão das estatais, fundos de investimento e aplicadores do varejo.  No meio do tumulto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defensor da privatização e contra a interferência para segurar preços, tantos os da Petrobras como os dos supermercados, elogiou o “legado dos governos militares que fizeram uma extraordinária gestão do ponto de vista da Infraestrutura”, acentuando que esse legado está sendo perdido.

Mas pedido por quem? Pelo governo atual? Por governos anteriores? Se pelos governos anteriores, por que o governo atual não corrige a questão?

ARTICULAÇOES ESTADUAIS – Na edição de ontem deste site, eu fiz referência a uma declaração do presidente Jair Bolsonaro queixando-se de que o senador, Fernando Bezerra, ex-líder do governo no Senado, não citava o seu nome nos atos políticos em Pernambuco.

O filho do senador Fernando Bezerra Coelho é candidato a prefeito de Pernambuco e não deseja unir a sua imagem a de Bolsonaro, muito atrás nas pesquisas do Datafolha no estado. O motivo, portanto, é esse, o que comprova as dificuldades que candidatos a governos nos estados encontram, dependendo da região, de se unirem a Bolsonaro ou a Lula.

TROCA-TROCA –  Reportagem de Jussara Soares, Alice Cravo, Daniel Gullino e Camila Zarur , publicada no O Globo de ontem, revela que o presidente Jair Bolsonaro decidiu reabrir o debate sobre a escolha de seu candidato a vice em sua chapa,  que até hoje era Braga Netto, pela deputada Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, que sob a visão do Planalto acrescenta muito mais à sua candidatura.

Bolsonaro com a indicação de Tereza Cristina espera obter um crescimento substancial do voto feminina no país e combater a sua alta rejeição entre as mulheres. Segundo o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, Bolsonaro poderia reconduzir Braga Netto ao Ministério da Defesa.

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