sexta-feira, novembro 05, 2021

De novo, Bolsonaro envergonha o Brasil - Editorial

 



No exterior, presidente é motivo de zombaria, descaso e vergonha. No Brasil, ele é ainda uma constante fonte de incerteza e angústia

O presidente Jair Bolsonaro foi a Roma a pretexto de participar da cúpula do G20, grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo. A viagem pode ter sido boa para ele e para os membros de sua comitiva. Para o Brasil e para os brasileiros, no entanto, foi péssima. Jamais um chefe de Estado havia envergonhado tão profundamente o País em uma agenda internacional. Mais uma vez, restou evidente que Bolsonaro não está à altura da Presidência da República.

O roteiro da viagem de Bolsonaro pela Itália retratou com exatidão o deserto programático de seu governo, a total ausência de uma agenda do presidente para o País e sua incompreensão do lugar do Brasil no mundo. Como não sabe o que fazer e tampouco separa interesses de Estado e de governo de seus objetivos particulares, Bolsonaro passou longe de reuniões bilaterais produtivas, alinhamento de acordos diplomáticos e comerciais ou simplesmente conversas de alto nível com outros dignitários que pudessem ao menos estreitar laços entre o Brasil e os outros países do G-20. Enquanto chefes de Estado e de governo conversavam entre si sobre temas de interesse comum como vacinação, mudanças climáticas e taxação global para grandes empresas, Bolsonaro se entretinha entabulando conversas sobre futebol com alguns garçons.

O presidente brasileiro se reuniu apenas com o anfitrião da cúpula do G-20, o presidente italiano Sergio Mattarella, encontro meramente protocolar, e com o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Mathias Cormann. Como foi noticiado, o encontro entre Bolsonaro e Cormann foi “rápido e inconclusivo”. Bolsonaro reafirmou a pretensão do Brasil de ingressar na OCDE, mas ouviu do secretário-geral da organização que, embora o País seja “grandioso”, “há um processo e o Brasil é um dos seis países candidatos (a ingressar na OCDE)”.

Em resumo, Bolsonaro cruzou o Atlântico para fazer campanha eleitoral antecipada em solo estrangeiro e, como ninguém é de ferro, algum turismo afetivo. Além das andanças por Roma, nas quais provocou aglomerações e ensejou ataques violentos contra jornalistas no exercício da profissão, Bolsonaro visitou a cidade de seus antepassados e foi ao santuário de Pádua. Em Pistoia, ao lado de Matteo Salvini, líder da extrema direita italiana, Bolsonaro homenageou os 467 soldados brasileiros que morreram em solo italiano durante a 2.ª Guerra, justamente combatendo o populismo autoritário que tanto Bolsonaro como Salvini hoje representam.

Em mais um ato de campanha, durante conversa de corredor arranjada com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, Bolsonaro mentiu descaradamente sobre a situação econômica do País, vituperou contra a Petrobras, reclamou de obstáculos imaginários para sua governança e se jactou de um apoio popular que, na realidade, ele não tem. Foi um ensaio do que dirá no decorrer da campanha eleitoral oficial no ano que vem. A um constrangido diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, Bolsonaro houve por bem tripudiar do fato de ser o único chefe de Estado no mundo acusado de ter cometido crimes contra a humanidade durante a pandemia de covid-19, o que provocou risos no ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em um misto de bazófia e subserviência.

Ficou claro que Bolsonaro usou a cúpula do G-20 para reforçar entre seus apoiadores no Brasil a imagem de um presidente que é pária por ser “antissistema”, alguém que luta praticamente sozinho contra forças muito poderosas de um mundo em degeneração, forças estas que só ele, qual um super-herói, é capaz de impedir que prejudiquem o Brasil. Acredite quem quiser.

No mundo real, aquele que deveria preocupar um presidente digno do cargo, milhões de brasileiros em insegurança alimentar não sabem se serão contemplados pelo programa social que substituirá o Bolsa Família. Como mostrou o Estado, 5,3 milhões de famílias que não atendiam aos critérios para receber o Bolsa Família deixaram de receber o auxílio emergencial e até ontem ainda não sabiam se seriam elegíveis ao Auxílio Brasil.

No exterior, Bolsonaro é motivo de zombaria, descaso e vergonha. No Brasil, o presidente é ainda uma constante fonte de incerteza e angústia.

O Estado de São Paulo

Fora de controle




Por Merval Pereira (foto)

Além dos dados econômicos, há aspectos político-jurídicos que mostram o absurdo representado por essa emenda constitucional que pretende autorizar o governo a dar um calote em parte dos precatórios já autorizados pela Justiça. Os dados mostram que o governo não precisaria furar o teto de gastos se, em vez de ter cedido às pressões políticas para a reeleição de Bolsonaro, realocasse despesas com, por exemplo, uma reforma administrativa para enxugar um pouco a máquina pública e obter a verba necessária a instituir o Auxílio Brasil.

As “emendas do relator” e os fundos eleitorais milionários são despesas de que os políticos, especialmente os do Centrão, também não abrem mão, criando uma falsa situação de calamidade financeira para fazer com que a sociedade engula decisões desnecessárias. Furar o teto de gastos, um compromisso assumido na Constituição no governo Michel Temer, que coincidia com um compromisso de campanha do ministro da Economia, Paulo Guedes, transformou-se numa “necessidade” inventada.

O mais grave tem a ver com a parte jurídica: colocar na Constituição precedentes como só pagar por ano um percentual dos precatórios que forem expedidos contra a União, autarquias, empresas públicas. Além disso, os juízes ficam impedidos de expedir precatórios depois de transitado em julgado o processo, além desse limite de percentual de gasto por ano.

Descumprir sentença judicial transitada em julgado, a mais sagrada de todas, deveria ser uma decisão grave, não banalizada por interesses eleitoreiros. O que a PEC dos Precatórios, já conhecida como a PEC do Calote, propõe é que, transitada em julgado uma decisão judicial, o governo tenha permissão não apenas “para gastar”, como pediu o ministro Paulo Guedes, mas para não cumpri-la, até que surja na fila a vez do precatório a pagar.

Além de tudo, a PEC viola a independência do Judiciário, a separação dos Poderes. Mais grave: o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em 2010 que uma emenda constitucional de 2001 era inconstitucional exatamente porque parcelava os precatórios. Por isso é que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está afirmando que essa proposta é inconstitucional. Não há a desculpa de que a decisão do STF de 2010 tenha vindo apenas nove anos depois de a emenda ter sido aprovada em 2001. Esse não é um argumento; o errado foi o Supremo ter demorado quase dez anos para decretar a inconstitucionalidade da medida. Embutida nesse comentário está a aceitação de que se aprove uma inconstitucionalidade para que ela seja anulada dez anos depois, com uma dívida acumulada de R$ 1 trilhão, segundo especialistas.

É uma afronta ao Estado de Direito, até mais grave porque o precatório transitado em julgado tem a chancela do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do STF. Não há calamidade financeira, pois o governo está tendo uma recuperação surpreendente da arrecadação, de acordo com a Receita Federal. Os números fiscais do governo central (governo federal, BC e INSS) também apresentaram uma melhora significativa, de acordo com o economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida.

Nos primeiros nove meses de 2020, o déficit primário do governo central havia sido de R$ 677 bilhões (-12,4% do PIB) em decorrência das despesas extras para lidar com a pandemia e perda de arrecadação. No mesmo período deste ano, esse déficit foi reduzido para R$ 82,4 bilhões (-1,3% do PIB), uma melhora de quase R$ 600 bilhões, que deve se manter no fechamento do ano.

Há ainda um detalhe nada sutil na emenda, que deixa clara a vontade de poder gastar mais, e não de ajudar os mais necessitados. Antes corrigido pela inflação registrada em 12 meses até junho do ano anterior ao exercício, o teto de gastos passará a ser atualizado com base no valor realizado até junho do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) relativo ao ano de encaminhamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) mais o valor estimado até dezembro deste mesmo ano. Critério com retroatividade ao ano de 2021. O rombo no teto fica contabilmente menor, mas a realidade é outra.

Aprovada na Câmara, a PEC do Calote encontrará resistência no Senado — e chegará ao Supremo Tribunal Federal.

O Globo

Representante da UE vincula avanço do acordo com o Mercosul aos compromissos ambientais do Brasil




O ministro Carlos França e Josep Borrell, representante da UE, em encontro no Itamaraty.

Josep Borrell elogiou propostas de zerar desmatamento ilegal até 2028. O chanceler brasileiro, Carlos França, diz que país não está isolado do mundo

Por Afonso Benites

Brasília - Em visita oficial ao Brasil, o alto representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, elogiou as metas climáticas que o país apresentou na COP-26 e disse que os europeus estão comprometidos com o fechamento do acordo com o Mercosul. As declarações ocorreram após uma reunião de quase duas horas com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto Franco França.

Em um pronunciamento à imprensa no qual não foram permitidas perguntas, o representante da UE elogiou a proposta do Governo brasileiro de zerar o desmatamento ilegal até 2028 —dois anos antes da proposta inicial— e o novo compromisso que o país assinou na cúpula do clima de Glasgow, a COP26, para deixar de emitir carbono na atmosfera até 2050. “É exatamente o mesmo propósito que temos na União Europeia. Dividimos o mesmo nível de ambição.”

Ele, contudo, condicionou o cumprimento das metas ambientais à assinatura do acordo entre os dois blocos econômicos. “Esses elementos serão cruciais para a conclusão exitosa do acordo UE-Mercosul. Estamos trabalhando juntos com nossos parceiros do Mercosul para fornecer os esclarecimentos necessários no nosso compromisso compartilhado nessa área.”

O Governo Bolsonaro é alvo de diversas críticas na cúpula do clima, por apresentar propostas que parecem ser irreais, diante das atitudes do presidente, que nos últimos anos viu disparar desmatamento da Amazônia, as queimadas e a emissão de carbono na atmosfera. As promessas feitas na COP26 não convenceram ambientalistas, que dizem que o Governo faz uma pedalada climática, uma manobra contábil, para alterar o cálculo da meta.

É a primeira vez que Borrell vem à América Latina em visita oficial, para tentar impulsionar as relações com a região. A última vez que houve um encontro de alto nível diplomático entre representantes da UE e do Brasil foi em 2012. Borrell também esteve no Peru nesta semana.

No caso dos brasileiros, ficou evidente a esperança de que o encontro tenha servido para reafirmar a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, que começou a ser fechado em 2019, mas que ainda está distante da conclusão, por conta de restrições principalmente da França e da Áustria. Há uma intensa negociação entre diplomatas brasileiros e europeus para acelerar esse processo, ainda que sejam novos os compromissos de proteção ambiental por parte do país sul-americano.

“Uma vez assinado, esse acordo vai garantir os mais altos padrões de proteção socioambiental além de trazer benefícios socioeconômicos para as duas regiões”, disse França. Borrell seguiu no mesmo sentido: “A União Europeia está totalmente comprometida com esse acordo (...) A ratificação e a implementação desse acordo vai contribuir para um mundo melhor”.

Em seu discurso, o ministro França também rejeitou a interpretação de que o Brasil estaria isolado internacionalmente, como avaliam analistas políticos e como defendia o seu antecessor, Ernesto Araújo, que não parecia se importar que país ocupasse uma posição de pária. “O Brasil, ao contrário do que muitos falam, não está isolado. Estamos na verdade dentro de todo mundo, nas nossas relações internacionais, em um desempenho muito franco, muito aberto, muito intenso.”

Após a reunião com França, Borrell foi recebido em um almoço pelo vice-presidente Hamilton Mourão e tinha prevista uma rápida reunião com o presidente Jair Bolsonaro, além de encontros com mulheres europeias e com imigrantes venezuelanos.

El País

Bolsonaro tem motivos para estar em pânico com a possível candidatura de Moro




Por Juan Arias 

Sergio Moro voltou dos Estados Unidos decidido a entrar na política e certamente como candidato à presidência da República. O fato criou certa incerteza entre as forças políticas. A primeira coisa que se deveria perguntar sobre a decisão do controvertido ex-juiz da Lava Jato é quem teria mais medo de sua candidatura entre os dois grandes favoritos das próximas eleições, Lula ou Bolsonaro. E isso porque a chamada terceira via, um candidato que possa se opor com força aos dois favoritos, ainda está pulverizada com quase uma dúzia de nomes, por enquanto com pouca força nas pesquisas.

Essa terceira via hoje está pulverizada e tudo faz crer que dificilmente encontrará um candidato de consenso que possa competir com os dois mitos já consolidados. De qualquer forma, a candidatura de Moro chega para desorganizar as eleições. A prova é que ainda não disse a última palavra e todos os outros candidatos já estão alarmados.

Quem, porém, mais deveria temer a chegada de Moro, o terrível, não é certamente Lula e a esquerda, já que seus seguidores jamais votariam em quem levou Lula à prisão. O grande perdedor, aquele que pode estar em pânico, é justamente Bolsonaro, já que o ex-juiz está politicamente mais próximo do bolsonarismo e de uma política neoliberal e é duro em questões de segurança. Não foi um acaso que quem o levou até Bolsonaro, recomendando-o como ministro da Justiça, foi o hoje enfraquecido ministro da Economia, o ultraliberal da escola de Chicago Paulo Guedes.

Moro hoje poderia arrancar votos dos desiludidos com o capitão, principalmente os do mundo das finanças e das classes mais altas que votaram nele e hoje se sentem decepcionados com as excentricidades do mito bolsonarista, que revelou sua incapacidade de governar, seu desequilíbrio psíquico. O Brasil está semeando uma imagem desastrosa no mundo e tornando-se motivo de chacota de seus mandatários, como acabamos de ver no disparate acontecido na Itália, onde até para entrar no santuário de Santo Antônio de Pádua Bolsonaro teve de fazê-lo por uma porta traseira, assediado por aqueles que protestavam contra ele.

Bolsonaro e seus assessores sabem que a chegada de Moro à disputa eleitoral poderá tirar votos do bolsonarismo menos radical, que atualmente está descontente com seu líder, mas que nunca votaria na esquerda. Entre eles, como aponta a imprensa, estariam muitos militares desiludidos com o radicalismo golpista de Bolsonaro e os policiais aos quais não desagrada a doutrina radical de Moro de combate à violência.

Talvez por isso, desde que se deu como certa a chegada de Moro à política, Bolsonaro começou a falar na possibilidade de não se candidatar à reeleição. Acaba de anunciar que só em março decidirá se disputa ou não as eleições. E talvez seja por isso que seus fiéis seguidores do Congresso tiraram a poeira do velho projeto de conceder a condição de senador vitalício a ex-presidentes da República. Desta forma, se renunciasse à reeleição ou a perdesse, Bolsonaro ficaria, como senador vitalício, blindado para sempre pelo foro privilegiado contra as graves acusações da CPI da covid-19 que poderiam acarretar-lhe muitos anos de prisão.

Se parece claro que não é Lula quem deve temer a candidatura de Moro, que roubaria votos do bolsonarismo, caberia perguntar quais efeitos a chegada de Moro poderia produzir na chamada terceira via, entre aqueles que não querem nem o capitão nem Lula. Entre eles está o famoso centrão do Congresso, que teme Moro por suas lembranças do açoite implacável e discutível da corrupção. O centrão já está tentando desmantelar com novas leis a doutrina da Lava Jato, que pela primeira vez levou políticos à cadeia.

Por todas essas razões se deveria perguntar onde Moro, além dos desiludidos com o bolsonarismo, em quem muitos votaram para encurralar a esquerda, pode encontrar votos. Sobre o que não há dúvida é que a entrada de Moro na política ativa e partidária poderá servir principalmente para turvar ainda mais as águas já agitadas pelo bolsonarismo, que empobreceu o país econômica e moralmente e sujou ainda mais, se é que isso é possível, a já desprestigiada política perante a opinião pública.

O triste é que, aparentemente, o Brasil não é capaz de prescindir de um mito para ser governado democraticamente, condição da qual hoje gozam justamente os países chamados “normais”, que lidam mais facilmente com as crises mundiais. Se um dia se disse que o Brasil era o país do futuro, hoje bastaria, para sair do obscurantismo em que o afundou a extrema direita radical e golpista, além de grotesca, ser um país simplesmente normal e do presente onde todos tenham o suficiente para viver com dignidade e liberdade, sem fome ou absurdas ameaças ditatoriais que assustam até a opinião pública mundial.

As próximas eleições poderão resolver muitas das incógnitas que hoje pesam sobre o presente e o futuro deste país, cada vez mais acuado pelo obscurantismo e pelas incógnitas sobre o seu futuro. Incógnitas criadas por seu líder, que hoje virou motivo de chacota dos mandatários mais importantes do mundo, dos quais o Brasil não pode prescindir e muito menos menosprezar.

El País

Começou a transição

 



Congresso e Judiciário se preparam para tirar o máximo do pato manco no poder para poderem enquadrar um próximo presidente fortalecido pelas urnas

Por Maria Cristina Fernandes 

Completam-se cinco meses desde que o Cidadania, o PSB e o Psol ingressaram no Supremo Tribunal Federal com três ações contra as chamadas emendas de relator. A paralisia de sua tramitação não guarda relação com o interesse da relatora, que decidiu mantê-las a despeito do titubeio de proponentes. Essas ações, porém, só deverão sair do forno no dia em que se enxergar o rumo da transição.

Se o próximo presidente quiser um Orçamento para chamar de seu vai precisar por fim ao expediente que, na votação da PEC dos Precatórios, mostrou seu limite. Tudo se resume ao preço de cada um. Pelo volume de queixas, traições e insatisfações não custa a aparecer as planilhas do crime que um dia foi mensalão, migrou para as estatais virando petrolão e, ao aportar no Orçamento, produziu o emendão.

Não convém mudar isso agora porque desse mato de Jair Bolsonaro já não sai mais cachorro, dirá acordos. A coisa muda de figura no próximo governo seja este qual for. O deputado Arthur Lira (PP-AL) sabe que, se reconduzido, seu poder de mando não se reproduzirá. Seja porque as emendas de relator estão marcadas para morrer seja porque a Casa terá nova configuração com as fusões e federações partidárias. Com bancadas maiores, o colégio de líderes não será o mesmo joguete nas mãos do próximo presidente da Câmara. Lira, porém, ainda estará no cargo até o fim do próximo ano, quando se definirão a régua e o compasso do presidente a ser eleito em 2022, a começar do seu primeiro Orçamento.

Tem de tudo no pacote da transição. Do controle sobre o Ministério Público à mudança no sistema de governo, passando por disputas intestinas entre grandes grupos empresariais pelo controle da infraestrutura nacional. O balão de ensaio do senador vitalício, por exemplo, que já tinha aparecido quando a proposta de emenda constitucional do semi-presidencialismo ganhou o apoio de Lira, em julho, foi trazido de volta pelos ventos abreviados da transição.

São mínimas chances de uma mudança desse porte vir a passar depois dos 60 milhões de votos a serem ofertados ao próximo presidente, mas vale tudo no drama da irrealidade cotidiana do bolsonarismo. Até mesmo a introdução do senador vitalício no bojo de uma reforma do Senado para adaptá-lo ao semi-presidencialismo dos trópicos. O cargo de senador vitalício para ex-presidentes só sobrevive na Itália. Pelo histórico político atribulado do país não consta que tenham contribuído para estabilizá-lo.

O objetivo nada velado é anistiar o presidente, que chegará ao fim do mandato tão adornado de denúncias quanto os postes de Rio das Pedras (RJ), de gatos. É natural que aliados temam que o capitão pese demais nos seus palanques, como é o caso daquele da candidata ao governo do Piauí, a deputada Iracema Portela (PP-PI), esposa do ministro Ciro Nogueira. Mas se já é difícil levar essa história de senador vitalício a sério, que dirá a adoção do expediente para fazer Bolsonaro desistir da reeleição.

Se a ideia for para frente, reconhece um de seus arquitetos, é para o caso de derrota do presidente. Seria, em seu eufemismo, uma maneira de “pacificar” o país. É difícil imaginar que alguém ainda acredite ser capaz de tutelar Bolsonaro, mas a aposta é que o Senado o engoliria. Se foi isso o que aconteceu ao longo de 28 anos na Câmara é porque o bolsonarismo ainda não havia saído da Caixa de Pandora.

De toda forma, a história ainda está incompleta. A troco de que se entregaria uma anistia de mão beijada, depois de tudo que ele aprontou, a um capitão que deixa todos os soldados feridos no meio da estrada? Tem a vaga no Supremo no lugar de André Mendonça, o enjeitado, que só a tinta de sua caneta pode indicar. Se Bolsonaro perder a reeleição pode ser mais negócio arrancar deste pato manco um nome ao gosto da freguesia do que de um presidente novinho em folha. Terá sido a vaga mais cara da história do STF.

O pacote da transição se adensa à medida em que se torna mais indefinida a disputa presidencial. Uma parte dele, com muito mais pompa e circunstância do que foi possível fazer neste espaço, começará a ser discutido a partir da próxima semana em Lisboa. Um conjunto de quatro eventos, dois fóruns promovidos pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Fundação Getúlio Vargas e Universidade de Lisboa, e dois seminários, promovidos pela Câmara e pelo Senado, vão instalar a república tupinquim na metrópole portuguesa.

A lista é gigantesca: três ministros do STF (Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes), os presidentes da Câmara e do Senado (Rodrigo Pacheco), o presidente do BC (Roberto Campos Neto), o ministro do Desenvolvimento Regional (Rogério Marinho), o AGU (Bruno Bianco), a presidente do TST (Maria Cristina Peduzzi), um ministro do TCU (Bruno Dantas), o presidente do Cade (Alexandre Cordeiro), três ministros do STJ (Luis Felipe Salomão, Antonio Carlos Ferreira e Antonio Saldanha), o sub-PGR (Paulo Gonet), um ex-presidente da República (Michel Temer), o presidente do PSD (Gilberto Kassab), três senadores (Katia Abreu, Jaques Wagner e Eduardo Braga), um deputado (Aécio Neves), dois ex-ministros da Defesa (Aldo Rebelo e Raul Jungman), diretores e presidentes de agências reguladoras, presidentes de confederações patronais, desembargadores, professores universitários, advogados e economistas.

Estarão em pauta desde dos rearranjos institucionais, jurídicos e econômicos impostos pela pandemia até o semi-presidencialismo. Pacheco é o político mais prestigiado como palestrante da abertura de dois dos eventos, e Gilmar Mendes, o jurista com o maior número de participações (4). A presença do presidente e do primeiro-ministro portugueses, Marcelo Ribeiro e Antonio Costa, ainda não está confirmada, mas a comitiva brasileira é grande o suficiente para decretar um governo independente.

É a nona edição deste fórum, mas talvez a mais política delas. Naquela realizada em 2016, a duas semanas do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o ministro Gilmar Mendes, um de seus organizadores, denominou o regime vigente no Brasil de “cleptodemocracia” e saudou as instituições brasileiras de combate à corrupção. O então vice-presidente Temer cancelou sua participação de última hora pela polêmica gerada em torno da concentração de partidários do impeachment no encontro. Cinco anos depois, o Brasil escreve as piores páginas de sua história. Oxalá melhorem a pontaria.

Valor Econômico

Tempo trabalha a favor da terceira via




Operadores políticos detectam tendência geral favorecendo uma terceira via

Por William Waack (foto)

Entre os profissionais que operam na política cresce a convicção de que a candidatura de terceira via é “inevitável” e tem grandes chances contra Bolsonaro e Lula. Conversas mantidas com vários desses operadores – nenhum deles candidato e afiliados a cinco partidos diferentes – indicam uma noção de “timing” quase idêntica.

A saber: as eleições ainda não estão no centro das preocupações da grande massa do eleitorado, algo que, supõem eles, só acontecerá a partir de agosto do ano que vem. Admitem que o quadro “psicológico” dos eleitores hoje é de desânimo e resignação, mas a forte polarização entre os extremos do espectro político não faz parte do grande quadro.

É muito parecida também a linha do tempo traçada por esses mesmos operadores. Acreditam que cerca de oito a dez candidatos disputando uma vaga no centro pontuarão abaixo de dez pontos nas pesquisas até aproximadamente maio do ano que vem, quando três a quatro candidaturas surgirão com mais força. Esse número se afunila em julho, época das convenções partidárias, e um desses nomes já teria então pontuação entre 14 e 16% das intenções de voto estimuladas.

Para esses profissionais da política, uma pontuação nessa magnitude seria suficiente para tirar Bolsonaro do segundo turno, no qual todos consideram que Lula, a julgar pelo retrato do momento, tem presença garantida. E que seria muito mais fácil montar uma “aliança nacional” contra Lula do que contra Bolsonaro. Justificam esse prognóstico assumindo que a “demanda” do eleitorado seria claramente por uma candidatura de “centro-direita” (consultado, ao menos um governador de “esquerda” concorda).

Todos admitem que vai ser difícil “roubar” votos dos santuários bolsonaristas, e que Moro seria o único pré-candidato hoje que reuniria essa condição. Olham com atenção a senadora Simone Tebet, embora prefiram considerá-la uma vice ideal. Acreditam que o tucanato terá uma disputa perigosa entre Leite e Doria, com potencial de enfraquecer o partido, e que Rodrigo Pacheco precisa subir vários patamares no desempenho televisivo. Avaliam como muito difícil que Ciro Gomes consiga transpor o cercadinho de esquerda na percepção do eleitor.

No grande cenário traçado pelos diversos operadores políticos existe mais um ponto em comum: consideram que o tempo está trabalhando a favor da candidatura de terceira via. Vem daí o uso da palavra “inevitável”. Detectam uma corrente profunda no eleitorado incapaz de associar a palavra “esperança” a Bolsonaro ou Lula. E é esse grande movimento que derrotará os dois.

O Estado de São Paulo

Por que a popularidade de Biden desabou nos EUA - e qual a influência de Trump nisso

 



Sondagens e resultados eleitorais recentes revelam perda de vigor do presidente democrata, o que se explica por uma série de fatores

Menos de um ano depois, Joe Biden passa pelo que parece ser seu pior momento desde que chegou à Casa Branca.

A queda da popularidade e o triunfo do candidato republicano nas eleições para governador da Virgínia dispararam alarmes na equipe do presidente dos Estados Unidos e seus apoiadores.

Também no Estado de New Jersey, onde o governador democrata, Phil Murphy, obteve resultado bem abaixo do esperado, embora a imprensa finalmente o tenha projetado como vencedor da reeleição.

A um ano da eleição de meio de mandato (a ser realizada em 8 de novembro de 2022), na qual o Congresso de exígua maioria democrata será renovado, os republicanos estão mostrando sinais de recuperação.

O ex-presidente Donald Trump continua totalmente envolvido na política e flerta para concorrer novamente às eleições presidenciais a serem realizadas no final de 2024.

Há um longo caminho a percorrer e os especialistas concordam que as tendências podem ser revertidas, mas a realidade hoje é que Biden está perdendo fôlego.

'Republicano Glenn Youngkin surpreendeu ao vencer na Virgínia'

O que está acontecendo

As pesquisas vinham alertando nos últimos meses para um declínio na popularidade de Biden, que no início de novembro atingiu um nível de reprovação de 51%.

O triunfo imprevisível do republicano Glenn Youngkin na Virgínia, um Estado em que Biden claramente prevaleceu nas eleições presidenciais de um ano atrás, e o atrito do democrata Murphy em Nova Jersey confirmaram essa tendência.

De acordo com Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte, "a política nos EUA segue um padrão conhecido" .

"Um novo presidente é eleito e, depois de uma onda de popularidade inicial, suas tentativas de fazer avançar sua agenda política se deparam com um vento contrário. O partido que perdeu o poder, instigado por sua recente derrota e irritado com as ações do governo rival, recupera a unidade na oposição, enquanto o partido no poder sofre com divisões internas."

Já aconteceu com os presidentes Bill Clinton, Barack Obama e o próprio Trump, assim como no segundo mandato de George W. Bush.

Biden agora sofre as consequências dessa divisão e paga o preço pela falta de acordo dos democratas no Congresso para aprovar suas principais propostas: vários pacotes de gastos com serviços sociais, luta contra as mudanças climáticas e infraestrutura avaliada em trilhões de dólares.

Enquanto os parlamentares democratas mais radicais consideram as medidas insuficientes, outros mais moderados as rejeitam como excessivas, e nesse cabo de guerra as iniciativas seguem estagnadas há meses.

'Donald Trump flerta com ideia de voltar para Casa Branca'

Soma-se a isso a memória da retirada caótica das tropas americanas do Afeganistão em agosto. As pesquisas mostraram que a opinião pública criticou como isso foi feito.

E quanto a Trump e os republicanos

Dez meses depois que os apoiadores de Trump invadiram o Capitólio de Washington DC para evitar a proclamação de Biden e o escândalo que se seguiu, os republicanos recuperaram sua imagem diante do eleitorado.

Trump, que não parou de insistir sem provas de que a eleição de Biden foi "um roubo" e continua na arena política, flerta com a ideia de concorrer à presidência novamente em 2024.

Poucos no Partido Republicano ousaram confrontar abertamente o ex-presidente, talvez por medo de incomodar seus eleitores.

No entanto, embora os candidatos republicanos tenham repetido algumas das mensagens de Trump, como sua denúncia de uma "crise migratória" na fronteira com o México ou sua rejeição dos regulamentos que obrigam o uso de máscaras para conter a propagação do covid-19, alguns começaram a se distanciar.

Youngkin evitou aparecer com Trump em sua campanha de sucesso para se tornar governador da Virgínia e se concentrou em criticar a gestão de Biden, com ênfase particular nos problemas de uma economia com crescimento mais fraco e inflação mais alta do que o esperado, e na defesa do direito dos pais de decidir sobre a educação de seus filhos.

Sem o ex-presidente como protagonista da campanha, os democratas tiveram mais dificuldade em mobilizar muitos eleitores que, acima de tudo, rejeitavam o polêmico magnata de Nova York.

A jornalista da BBC Tara McKelvey diz "Youngkin confiou em um programa de lei e ordem e se opôs às máscaras obrigatórias, ecoando as mensagens que Trump usa, mas manteve distância dele. Ele apelou aos eleitores. Aqueles que gostam da postura de Trump, mas se sentem desconfortáveis com sua figura."

McKelvey diz acreditar que essa pode se tornar uma receita repetida por outros candidatos republicanos. "Sua vitória provavelmente guiará outros conservadores na campanha eleitoral de meio de mandato."

Será "o roteiro Trump sem Trump".

'Democratas não chegaram a acordo no Congresso sobre grandes promessas de Biden'

O que pode acontecer agora

Falta ainda um ano para as eleições que serão decididas pelo Congresso e muito mais para o início de uma nova disputa pela Casa Branca.

Além disso, é comum que o partido que atualmente ocupa a presidência sofra com a menor participação que costuma ocorrer em eleições em que não se decide quem será o presidente.

Mas o que aconteceu já abriu o debate interno do lado democrata e não faltam vozes exigindo maior diversidade na escolha de seus candidatos para mobilizar o eleitor afro-americano.

Nem os que exigem que se cheguem a um acordo de uma vez por todas no Congresso para aprovar as medidas que Biden prometeu a seus eleitores.

Zurcher acredita que "os maus presságios de uma derrota nas eleições de meio de mandato vão desencadear o pânico entre os congressistas democratas e talvez empurrá-los para a ação" para que o presidente e os candidatos de seu partido tenham algo a vender ao eleitorado.

Não há outra maneira pela qual eles possam manter sua maioria parlamentar mínima.

Trump, por sua vez, acompanhará tudo de perto, pesando suas opções para concorrer novamente. E outros republicanos vão analisar as suas para desafiá-lo nas primárias.

Existem muitas incógnitas e muito poucas certezas. A única, talvez, é que, como diz Zurcher, "os EUA foram e continuam a ser um país altamente polarizado e politicamente dividido" e "não há maiorias governamentais permanentes".

BBC Brasil

Europa volta a ser o epicentro da pandemia

 



Europa registrou aumento de 6% nos casos de covid-19 e alta de 12% na contagem semanal de óbitos

OMS pede que países ampliem campanhas de vacinação, após aumento exponencial de casos de covid-19 em todo o continente. Nações mais afetadas são justamente as que mais removeram restrições para conter o coronavírus.

Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram nesta quinta-feira (04/11) para o fato de que a Europa registrou um salto de mais de 50% nos casos de covid-19 no mês passado, fazendo com que o continente voltasse a ser o epicentro da pandemia no mundo.

Isso ocorre apesar do amplo estoque de vacinas existentes nos países europeus. O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, afirma que mesmo com grandes quantidades disponíveis, a aceitação dos imunizantes é desigual entre as populações. Ele pediu que os governos europeus trabalhem para "fechar essas lacunas”.

"A Europa está de volta ao epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano”, alertou o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge.

Segundo observou, os índices de hospitalização mais do que dobraram na semana passada, o que pode fazer com que a região – que inclui 53 países e se estende até a Ásia Central – venha a ter outras 500 mil mortes até fevereiro.

A OMS Europa registrou quase 1,8 milhão de novos casos semanais da doença, o que significa um aumento de 6% em relação à semana anterior. No mesmo período, foram contabilizadas 24 mil mortes, o que representa uma alta de 12% na contagem semanal de óbitos. 

Kluge ressaltou que os índices de vacinação apresentam grande variação entre os países. No total, 47% das pessoas na região possuem esquema vacinal completo, mas apenas oito países contam com mais de 70% de suas populações totalmente vacinadas.

Vacinação evitou mais mortes e hospitalizações

Esta foi a quinta semana consecutiva com registros de aumento nas infecções ao longo do continente, fazendo da Europa a única região do mundo onde os números da covid-19 ainda crescem.

A diretora de emergências da OMS Europa, Catherine Smallwood, explicou que os países que registraram aumentos nas infecções foram justamente os que mais removeram restrições para conter o coronavírus.

A vacinação evitou com que essas nações registrassem taxas de mortalidade ou de hospitalização ainda mais altas. "Mas, quanto mais casos tivermos, mais pessoas terão de ser internadas e, no final, mais pessoas acabarão morrendo”, afirmou Smallwood.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), responsável pela análise e aprovação das vacinas utilizadas no continente, fez um apelo para que as pessoas aceitem ser vacinadas.

"A situação epidemiológica na Europa é bastante preocupante com a aproximação do inverno, quando costumam aumentar os índices de infecção”, afirmou o diretor de estudos clínicos da entidade, Fergus Sweeney.

"É muito importante que todos se vacinem ou completem suas vacinações”, ressaltou. "Não estaremos protegidos até que todos estejam protegidos.”

Países voltam a impor restrições

A Alemanha registrou nesta quinta-feira um recorde diário de novos casos desde o começo da pandemia, superando a marca estabelecida em dezembro de 2020.

O Instituto Robert Koch (RKI), a agência de controle e prevenção de doenças do país, contabilizou 33.949 novas infecções em 24 horas. Na quinta-feira anterior eram registrados 28.037 novos casos diários.

As duas nações do leste da União Europeia (UE) com índices mais baixos de vacinação, a Romênia (37,2%) e a Bulgária (25,5%), registraram os números diários de mortes mais altos desde o início da pandemia.

Letônia, Lituânia e Estônia, que estão entre os países com registros mais altos de novos casos diários, já enfrentam sobrecargas nos sistemas de saúde.

Cada vez mais, os países do Leste Europeu restabelecem medidas de restrição, como a imposição de um toque de recolher na Letônia e a proibição do acesso de pessoas não vacinadas a eventos públicos na Estônia.

Diversas regiões da Rússia cogitam ampliar as restrições para conter o aumento das infecções, que já levou o governo em Moscou a reimpor um lockdown parcial no país.

Na Europa Ocidental, a Bélgica anunciou a volta de algumas medidas a partir desta segunda-feira, com o retorno da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes internos e incentivos ao trabalho remoto.

A Holanda, que também registrou um aumento exponencial de casos da doença, também reforçará a partir deste sábado as medidas para conter as transmissões do coronavírus, inclusive ao permitir o acesso a locais públicos somente para as pessoas que possuem certificados de vacinação.

Deutsche Welle

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