quinta-feira, agosto 12, 2021

As mortes por falta de oxigênio em Manaus e o direito à indenização de suas famílias


Parentes de pacientes hospitalizados se reúnem para comprar oxigênio e encher botijões em empresa privada em Manau — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

De quem foi a culpa pela falta de oxigênio no Amazonas?

Jorge Béja

Desde o início da pandemia que a questão da responsabilização civil não sai do meu pensamento. Nela reflito todos os dias. Afinal, foram mais de 40 anos, sem interrupção, patrocinando ações indenizatórias cíveis, com pedidos de reparação por danos de toda ordem.

Na sessão da CPI da Pandemia desta quarta-feira (11), seu presidente, senador Omar Aziz, disse que entraria em contato com a Defensoria Pública do Estado do Amazonas para que os defensores “acolhessem” os parentes dos vitimados que morreram em Manaus pela falta de oxigênio.

E em defesa deles dessem entrada na Justiça com pedido de indenização. Nada mais justo. Iniciativa oportuna e que tem fundamentação jurídica.

TODOS SÃO VÍTIMAS – Pela pandemia, à primeira vista, não se pode imputar a responsabilização ao poder público. No plano internacional, seria cabível examinar o dever de indenizar que recai sobre a República Popular da China, de onde partiu o vírus. Mas imputar responsabilidade pública no âmbito na administração nacional, a princípio creio que não. Todos fomos e somos vitimados, o Brasil e os brasileiros.

No entanto, se ficar constatado que o poder público não agiu a contento em defesa da saúde pública, do socorro aos cidadãos, daí nasce o dever de indenizar. Seja sob a ótica da Teoria Objetiva, que recai sobre o Poder Público, seja pela ótica da Teoria Subjetiva, também denominada Culpa Extracontratual ou Aquiliana, o dever estatal de reparar o dano passa a ser indiscutível.

DANO E NEXO CAUSAL – Na responsabilização estatal objetiva não se discute culpa. Basta a constatação do dano e o nexo causal com a ação omissiva ou comissiva do poder público, representado por seus agentes, para daí nascer o dever de indenizar.

Exemplo de um caso concreto. Foi na década de 80. Aqui no Rio, mãe e filho de 5 anos caminhavam de mãos dadas pela calçada. Inesperadamente a criança larga a mão da mãe e corre para rua. Atingido por um jipe do Exército, a criança morre em consequência.

Houve culpa da vítima?. De certa forma sim, ainda que não se possa atribuir culpa a uma criança de 5 anos. Mas nem isso livrou a União de ser condenada a pagar o dano pela morte da criança. Isto porque a Justiça Federal, corretamente, aplicou o princípio da Responsabilidade Civil Objetiva inscrita no artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal:  “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros…”.

CASO DA PANDEMIA – Mas a Responsabilidade Civil Objetiva não deve ser invocada nem aplicada no caso das mortes pela pandemia. Salvo, se ficar comprovado que o Poder Público teve sua parcela de culpabilidade, mínima que seja.

Para José de Aguiar Dias — o mais respeitado e consagrado jurista brasileiro —, na sua clássica e sempre consultada obra “Da Responsabilidade Civil”, ele ensina que, na excepcionalidade de haver necessidade da apuração da culpa estatal, como ocorre no caso da “faute du service”, esta se verifica quando 1) o serviço inexistiu; 2) o serviço existiu mas não foi prestado; 3) o serviço existiu, foi prestado, mas deficientemente. Daí, ensina Aguiar Dias, nasce o dever estatal de indenizar o dano causado.

É o caso de Manaus, onde a falta de oxigênio causou tantos óbitos.  O serviço inexistiu. Faltou, quando dele precisava. Faltou, quando dele havia uma grita geral que estava acabando e não havia mais cilindros. Faltou, e por causa da falta ocorreram muitos e muitos óbitos que não ocorreriam se oxigênio houvesse.

A QUEM PROCESSAR? – Portanto, no caso da comprovação da morte pela falta de oxigênio, a responsabilização do poder público se mostra patente. Mas aqui se levanta uma questão que o senador Omar Aziz não comentou: contra quem dirigir as ações indenizatórias? Contra o Município de Manaus? Contra o Estado do Amazonas? Contra a União?.

Numa viagem ao passado e pela experiência acumulada por tantos anos, se advogado fosse dos parentes dos que morreram, ingressaria com as ações contra todos. Isto porque todos são solidariamente responsáveis. E onde a responsabilidade civil é solidária, o credor por dirigir seu pleito contra um, contra uns ou contra todos os devedores solidários. Eles é que se entendam e resolvam como pagar e quem vai pagar. A União, porque ciente do caos em Manaus, cruzou os braços, difundiu tratamento precoce e um tal de “tratcov”, e só depois socorreu. O Estado e o Município porque era de suas competências e obrigações prestar o socorro imediato e adequado. Não lhes socorre o retardo que veio depois do governo federal.

E nunca é demais fazer este alerta: o prazo para dar entrada com as ações na Justiça é de 5 anos. Depois deste prazo, consuma-se a prescrição. Portanto, todo cuidado é pouco. Toda a atenção se pede aos familiares dos que morreram.

Deputado Niltinho repudia ataques contra a prefeitura de Itanhém

 Foto: Reprodução

Deputado Niltinho repudia ataques contra a prefeitura de Itanhém12 de agosto de 2021 | 10:44


INTERIOR

Na madrugada desta quinta (12), a prefeitura de Itanhém foi atacada por bandidos que dispararam tiros, jogaram pedras e incendiaram parte do imóvel. O atentado não deixou feridos.

O deputado estadual Niltinho (PP), entrou em contato com o prefeito Mildson Medeiros repudiando o ataque e se colocando a disposição para ajudar a descobrir os autores e possiveis mandantes deste ação criminosa.

“Fiquei muito preocupado com o que aconteceu na cidade de Itanhém. Já entrei em contato com o prefeito Mildson me colocando a disposição para ajudar a descobrir os autores e possiveis mandantes desta ação criminosa. Também acionei o secretário de segurança Pública, Ricardo Mandarino, e o comandante-geral da PM, Coronel Coutinho, para priorizar as investigações desse atentado”, disse o deputado.

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Morre o ator Tarcísio Meira, aos 85 anos, em decorrência da Covid-19


Morre o ator Tarcísio Meira, aos 85 anos, em decorrência da Covid-19
Foto: Reprodução / Instagram

O ator Tarcísio Meira, de 85 anos, teve a morte confirmada nesta quinta-feira (12), após seis dias de internação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em decorrência da Covid-19.

 

A informação foi confirmada pelo assistente pessoal do casa, Tadeu Lima, ao site da revista Quem. 

 

O veterano deu entrada na unidade com um quadro mais delicado que o de Glória Menezes, que também faz tratamento no mesmo hospital. 

 

Tarcísio, que estava na UTI do Albert Einstein, foi intubado e fazia tratamento com a diálise contínua, um procedimento que tem como objetivo filtrar as toxinas presentes no sangue por meio de uma máquina.

 

O ator havia sido vacinado com as duas doses da vacina contra a Covid-19, e segundo a nora do artista, Mocita Fagundes, que é casada com Tarcísio Filho, o casal foi infectado por um descuido.



Bahia Notícias

Acareação entre Onyx e Luis Miranda é uma da próximas atrações da CPI da Covid

Publicado em 12 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Novo ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni Foto: EVARISTO SA / AFP

Onyx exibiu pela TV um documento grotescamente fraudado

André de Souza
O Globo

 A CPI da Covid aprovou a acareação entre o ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Eles vão falar sobre a compra da vacina Covaxin, que foi suspensa após suspeitas de irregularidade terem entrado no radar da CPI. A acareação deverá ocorrer na semana que vem.

O requerimento para a acareação foi apresentado nesta quarta-feira pelo vice-presidente a CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e colocada em votação pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). A aprovação ocorreu em votação simbólica.

CONTRADIÇÕES – “Após as manifestações dos Senhores Onyx Lorenzoni e Luis Miranda ficaram evidentes diversas contradições em suas versões sobre os fatos, notadamente os relacionados às invoices [documentos de importação] do caso Covaxin”, diz trecho do requerimento.

O deputado e seu irmão, o servidor do servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, disseram que se encontraram com o presidente Jair Bolsonaro em 20 de março, ocasião em que afirmaram ter relatado pressão na pasta para a liberação da vacina Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech e representada no Brasil pela empresa Precisa.

Os irmãos disseram também que apresentaram a Bolsonaro uma cópia da primeira versão do documento de importação, que continha erros, como a previsão de pagamento antecipado. A Covaxin foi a vacina mais cara a ter negócio fechado com o Ministério da Saúde.

RESPONSABILIZAÇÃO – O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), explicou que o objetivo é responsabilizar a União e as empresas que estimularam o tratamento precoce sem eficácia comprovada. A informação foi dada durante o depoimento de Jailton Batista, diretor-executivo da Vitamedic, fabricante da ivermectina

O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), explicou que o objetivo é responsabilizar a União e as empresas que estimularam o tratamento precoce sem eficácia comprovada. A informação foi dada durante o depoimento de Jailton Batista, diretor-executivo da Vitamedic, fabricante da ivermectina

Após o caso vir à tona, Onyx, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, e o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco falaram à imprensa e colocaram em dúvida a autenticidade desse documento, dizendo que apenas duas versões posteriores eram legítimas. A própria Precisa, porém, reconhece ter feito três versões.

BRIGA JUSTIÇA – O episódio levou o deputado e seu irmão a apresentaram duas representações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Onyx por ameaça, calúnia, denunciação caluniosa, comunicação falsa de crime, e coação ilegal na CPI da Covid. Após eles terem denunciado irregularidades na aquisição de vacinas, Onyx disse que a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) seriam acionadas para a apurar a conduta dos dois.

Em entrevista coletiva após a sessão da CPI, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) disse que a acareação será na próxima semana. Ele e Randolfe explicaram que a medida se mostrou necessária após a chegada de informações obtidas por meio da quebra de sigilo.

— Quebras da Precisa, dos personagens, elementos diferentes nos levaram, à luz desses fatos, que era chegado o momento da acareação. É urgente — disse Randolfe.

Também está previsto para a próxima semana o depoimento do empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa.

Para encerrar o capítulo do voto impresso basta ser marcada a posse do general Hamilton Mourão

Publicado em 12 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Presença de Bolsonaro desde o alvorecer de ontem é decorativa

Pedro do Coutto

O inusitado desfile militar no dia da votação que afastou o voto impresso do roteiro das urnas de 2022, causou constrangimento, sobretudo no Exército, conforme revelou Jussara Soares em reportagem na edição de O Globo desta quarta-feira.

Nem poderia ser de forma diferente, tal o grotesco do qual se revestiu o evento cujo alegado objetivo era apenas o de entregar um convite ao presidente da República, convite que a meu ver tem o significado de despedida no alto da rampa do Palácio do Planalto, cenário e testemunha de tantos impasses e contradições.

MAL-ESTAR – Por falar em contradições, é muito bom o artigo de Eliane Catanhêde, edição de terça-feira do Estado de S. Paulo, focalizando o clima de mal-estar precedido de uma decisão tomada no final da tarde de sexta-feira pelo próprio Jair Boslonaro. Aliás, a repórter e analista é uma referência imprescindível sobre qualquer movimentação política ocorrida nas Forças Armadas. Os fatos comprovam que ela possui informações precisas do que acontece nas áreas militares. Acompanho sempre os seus artigos, como também os de Jussara Soares.

Conforme era previsível, a posição do presidente Bolsonaro no Planalto foi totalmente enfraquecida com o desfecho da noite de terça-feira na Câmara de Deputados que, pelo tempo de apuração dos votos, lembrou-me as noites que chamávamos de “vigílias cívicas” na redação do Correio da Manhã quando a temperatura se aproximava do grau de fervura institucional.

FIGURANTE – Jair Bolsonaro perdeu todas as condições de governar. Sua presença desde o alvorecer de ontem é simplesmente decorativa, imagem agravada pelo depoimento do coronel Hélcio Bruno de Almeida na CPI da Pandemia, sessão de terça-feira.

Para que o capítulo do voto impresso se encerre, basta, como eu disse, a posse do general Hamilton Mourão na Presidência da República. O episódio do desfile na Esplanada foi também muito bem analisado por Bernardo Mello Franco, edição do O Globo de ontem.

BOLSONARO IGNORA LEGISLAÇÃO –  Ao refutar o resultado concreto da votação da emenda constitucional do voto impresso pela Câmara, Jair Bolsonaro revela (não desconhecer, mas ignorar) a própria legislação constitucional do Brasil. A aprovação de qualquer emenda constitucional necessita de duas votações favoráveis pela Câmara de Deputados e outras tantas pelo Senado Federal.

Se numa das investidas o projeto for rejeitado, acaba a história. Como disseram o deputado Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco, a PEC do retrocesso foi enviada ao arquivo. Isso de um lado. De outro, nenhuma emenda constitucional rejeitada numa sessão legislativa pode ser reapresentada no decorrer deste período.

Assim, o voto em 2022, seja para presidente da República, governador, senador, deputado federal ou estadual, permanecerá sendo praticado através das urnas eletrônicas. Mas o assunto está superado não apenas por esses dois aspectos já  essenciais. Existe um terceiro; qualquer mudança na legislação eleitoral tem que ser aprovada até um ano antes do pleito a que ela se referia. Portanto, o voto impresso só pode entrar em discussão para as eleições de 2026. Esta é a sua única hipótese de reapreciação. Mas, na minha opinião, toda vez que for reapresentada, tal matéria será rejeitada.

ABSTENÇÕES – Quanto ao resultado da votação de terça-feira, como escrevi no artigo de ontem, os votos contrários à emenda têm que ser acrescidos dos parlamentares que se abstiveram. Isso porque as emendas constitucionais exigem quórum de dois terços dos parlamentares a favor.

Assim, o resultado foi o seguinte: a PEC de Bolsonaro exigia 308 votos a favor. Obteve apenas 238. Somadas as abstenções com os votos contrários, a derrota do governo foi ainda muito maior: perdeu por 283 a 229. Esses dados foram objeto de comentário dos repórteres Nilson Klava e Gerson Camarotti na GloboNews.

COMPULSÓRIOS – No espaço que ocupa semanalmente na Folha de S.Paulo, Delfim Netto escreveu ontem sobre a confusão que a área econômica do governo Bolsonaro está fazendo em matéria de pagamento dos compulsórios.

O tema, também na Folha, já foi abordado por Arminio Fraga: o ex-presidente do Banco Central e o ex-ministro da Fazenda chamam a atenção para mais esse descrédito do governo Bolsonaro em matéria de compromissos financeiros.  

Afinal, acrescento, os precatórios, hoje na ordem do dia, resultam de sentenças da Justiça Federal exatamente transitadas em julgados há 31 anos. Portanto, são de 1990. Três décadas de espera para que alguém receba apenas os seus direitos.

A mamata acabou: cebridades receberam 4,3 milhões para fazer propaganda de Bolsonaro, diz o Intercept

 

Posted: 11 Aug 2021 03:19 PM PDT

As sertanejas Simone e Simara receberam R$ 1 milhão de recursos públicos para fazer propaganda do governo Bolsonaro



Levantamento do site Intercept revela que a gestão de Jair Bolsonaro pagou ao menos R$ 4,3 milhões para apresentadores de TV, radialistas, influencers e uma dupla sertaneja fazerem merchandising de seu governo. Esses gastos da Secom, a Secretaria de Comunicação Especial da Presidência, foram direcionados em 2019 e 2020 direto para emissoras simpáticas ao governo: Band, Record, SBT e RedeTV!. Os documentos que indicam o “pagamento de cachê” constam na relação de notas fiscais da Secom entregues à CPI da Covid, em andamento no Senado, e foram analisados pelo Intercept.

Ainda segundo o Intercept, ao contrário de parte da mídia, alvo de ataques diários de Bolsonaro, as emissoras aliadas ao governo, além de promoverem a atual gestão, recebem o presidente para entrevistas exclusivas. Em alguns casos, ele participa diretamente dos programas de apresentadores que fazem merchan para seu governo, como Datena e Sikêra Júnior.

À CPI da Covid, a Secom enviou 263 notas fiscais sobre “pagamento de cachê”, que juntas somam R$ 4.846.601,72. Entre esses documentos, o Intercept analisou 139 notas, que somam R$ 4,3 milhões. Foram considerados valores mais altos e desconsiderados pagamentos para emissoras locais com valores menores. Nas 263 notas sobre “pagamento de cachê”, não aparecem a TV Globo e afiliadas. A empresa é líder em audiência no país e um dos meios de comunicação que o presidente frequentemente ataca e chama de “lixo”.

No topo da lista de quem recebeu cachê estão Simone e Simaria. O governo pagou R$ 1 milhão para a dupla, que vendeu sua imagem para falar sobre o Combate à Violência Contra a Mulher.

No total, a Secom gastou R$ 1,7 milhão em celebridades para essa campanha. Os R$ 696 mil restantes foram distribuídos para apresentadores da Band (Datena e Catia Fonseca), da Record (Ana Hickmann, Luiz Bacci e Ticiane Pinheiro), da RedeTV! (Nelson Rubens) e do SBT (Lívia Andrade).

Top 5 do merchan bolsonarista, segundo o Intercept:

Simone e Simaria, dupla sertaneja – R$ 1 milhão
César Filho, apresentador da Record – R$ 591 mil
Ana Hickmann, apresentadora da Record – R$ 357 mil
Datena, apresentador da Band – R$ 174, 7 mil
Sikêra Júnior, apresentador da RedeTV! – R$ 120 mil

A matéria completa você confere AQUI


Blog da Noelia Brito

Na falta de votos, tanques - Editorial

 



O presidente Jair Bolsonaro deu ontem uma demonstração cabal de seu profundo isolamento político e de sua fragilidade como governante. A título de exibir força e reafirmar sua condição de comandante das Forças Armadas, Bolsonaro ordenou que a Marinha realizasse um desfile com veículos blindados no coração de Brasília, no dia em que estava programada, na Câmara, a votação da chamada PEC do Voto Impresso.

Tratou-se de evidente tentativa de intimidar os parlamentares e, de quebra, as Cortes superiores, que têm sido o esteio da resistência à escalada autoritária de Bolsonaro. Se pretendia fazer as instituições democráticas se acoelharem, contudo, Bolsonaro fracassou.

A reação do Congresso foi imediata e dura. Mesmo o presidente da Câmara, Arthur Lira, que tanto tem se esforçado para minimizar os atos insanos e antidemocráticos de Bolsonaro, admitiu que a realização de um desfile militar em Brasília no momento em que a Câmara votaria matéria de profundo interesse do presidente foi “uma coincidência trágica”, que, “num país polarizado, dá cabimento para que se especule algum tipo de pressão”.

Já o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, usou as palavras corretas: “Todo homem público, além de cumprir suas funções constitucionais, deveria ter medo do ridículo, mas Bolsonaro não liga para nenhum desses limites, como fica claro nessa cena patética de hoje (ontem), que mostra apenas uma ameaça de um fraco que sabe que perdeu”.

O diagnóstico é preciso. Ao dar a ordem para que o comboio da Marinha, parte de uma operação militar rotineira, fosse usado em uma constrangedora encenação cesarista, Bolsonaro provavelmente reduziu ainda mais as escassas chances que tinha de aprovar a tal PEC do Voto Impresso. Ao saber-se sem votos, Bolsonaro apelou para os tanques.

Com isso, Bolsonaro desmoralizou (ainda mais) as Forças Armadas, que imprudentemente se deixaram enredar pelo governo daquele que, como todos sabem, saiu do Exército como mau militar.

Quando, em março, Bolsonaro trocou intempestivamente os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, porque estes haviam se recusado a transformar os quartéis em linha auxiliar do bolsonarismo, já deveria ter ficado claro que o presidente não se deixaria constranger por qualquer limite da Constituição e do bom senso. Quando o novo ministro da Defesa, Braga Netto, a quem cabe gerenciar as Forças Armadas, mandou dizer ao presidente da Câmara que ou se aprovava a PEC do Voto Impresso ou não haveria eleições em 2022, a escalada autoritária ficou ainda mais explícita.

Nesse contexto, o espetáculo deprimente organizado por Bolsonaro e seu ministro da Defesa ontem em Brasília serviu apenas para confirmar o que já estava evidente para todos os brasileiros: o presidente é hostil à democracia.

Não há volta para um gesto truculento como esse, que foi além das já habituais agressões e mentiras do presidente contra ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

O desfile militar realizado em meio a ameaças de golpe não dará um único voto a mais para o presidente no Congresso nem muito menos reverterá julgamentos contra ele nas Cortes superiores, mas, a esta altura, o mais provável é que Bolsonaro tenha outro objetivo em mente: manter seus camisas pardas em estado de mobilização permanente e estimular a confusão nas Forças Armadas para tumultuar as eleições do ano que vem.

Ao presidente parece importar pouco, a esta altura, que seus tresloucados gestos e discursos façam o País parecer mais e mais com uma república bananeira, para vergonha internacional. Bolsonaro escolheu o caminho do confronto, o único que conhece, e nessa aventura liberticida ele só dá ouvidos aos urros de seus fanáticos seguidores, excitados com a visão de tanques na rua.

Como comentou o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, esse despautério de Bolsonaro se presta a criar a ilusão de que as Forças Armadas, instituições de Estado, existem para defendê-lo, mas tal ilusão “se voltará contra ele e provocará sua derrota”. Que assim seja.

O Estado de São Paulo

***

Canhões de agosto - Editorial

Parada patética de Bolsonaro rebaixa as Forças Armadas e a imagem do país

A imagem de dois carros de combate leves do Corpo de Fuzileiros Navais, com motores fumando profusamente em frente ao Planalto, não poderia ser mais reveladora.

Os claudicantes veículos eram, afinal, o que mais se aproxima da definição de tanque no despropositado desfile militar concebido pela Marinha para que Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto pudessem afrontar simbolicamente os Poderes Judiciário e Legislativo. Como previsível, o efeito foi exatamente o oposto do desejado.

O episódio remete aos estertores da ditadura em 1984, quando a emenda das Diretas Já sucumbiu sob cenas igualmente patéticas do notório general Newton Cruz, só para atestar o óbito do regime.

Para as Forças Armadas, foi uma derrota moral e um certificado adicional da enrascada em que os fardados se meteram ao apoiar Bolsonaro e ajudá-lo a montar seu governo. Não que fosse necessário, após a fúnebre passagem do general Eduardo Pazuello pela Saúde.

Naturalmente, é preocupante ver o comandante naval se unir ao ministro da Defesa e ao chefe da Aeronáutica como animadores dos delírios do bolsonarismo.

Mas a vacuidade da parada, que desviou blindados e um punhado dos tais tanques fumacentos de seu treinamento em Formosa (GO), acentuou o ar farsesco. Concorre para isso o silêncio do comandante do Exército, Força mais importante, Paulo Sérgio Oliveira.

Mesmo que os relatos de que o general se viu constrangido pelo desfile sejam convenientes, é por ora certo que a resistência a arroubos autoritários de Bolsonaro é ampla na cúpula militar, a despeito da identificação com bandeiras como a do voto impresso.

Parte disso se deve à noção da impropriedade que qualquer aventura fora da Constituição, como Bolsonaro já sugeriu lançar mão, a começar pela reação no exterior: o Brasil viraria pária a ser isolado.

Uma amostra disso se notou nesta terça (10), com o já ridicularizado presidente sendo descrito em veículos importantes como projeto de ditador de república bananeira.

À diferença de 1964, quando a reação militar a João Goulart tinha franco apoio dos EUA, na semana passada duas altas autoridades em visita a Brasília fizeram questão de apoiar o sistema eleitoral.

Em “Os Canhões de Agosto” (1962), a historiadora americana Barbara Tuchman descreveu como o sistema de alianças europeias levou de forma inexorável à Primeira Guerra, em 1914. No agosto de 2021, sob o blefe bolsonarista, são os militares que parecem rumar a um abismo por suas escolhas.

Folha de São Paulo

Brincando com blindados

 



"Bolsonaro sabe do efeito traumático que a ameaça de violência tem sobre seus adversários políticos"

Desfile militar em Brasília é mais um truque barato de Bolsonaro. Mais uma vez, ele joga com o medo de seus adversários. Porém já vemos os primeiros sinais de que essa ameaça de violência não surte mais o mesmo efeito.

Quando era pequeno, eu adorava brincar com miniaturas de soldados e tanques de guerra. Na época, nos anos 80, podia-se comprar dúzias de bonequinhos de plástico, por pouco dinheiro, em qualquer supermercado. Era um sonho. Aí, ao entrar na puberdade, passei a ter vergonha dos joguinhos de guerra. Tocar violão e ler livros inteligentes era a jogada certa para quem queria ganhar pontos com os amigos e o sexo oposto.

Quando homens adultos exibem o potencial militar de seu país, a intenção é intimidar tanto outros países quanto os inimigos internos: "Vejam só que armas imponentes e aniquiladoras eu tenho!" Vemos as gigantescas paradas na China, Rússia ou Coreia do Norte, em que os líderes – todos homens, aliás – mostram seus músculos. Quanto à discussão sobre até que ponto isso seja também uma demonstração de potência, prefiro deixar para os psicoterapeutas.

O desfile de um comboio militar pela Esplanada dos Ministérios e pela Praça dos Três Poderes em Brasília não foi nenhum sinal para os vizinhos. Não se tratava de dissuadir a Argentina, Paraguai ou Guiana de um avanço sobre o Brasil: ele serviu unicamente para sublinhar a recente ameaça de Bolsonaro de que poderia agir fora da Constituição.

Após ameaçar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes – "A hora dele vai chegar" – e xingar o colega dele Luís Roberto Barroso de "filho da puta", agora rolam os tanques.

Jogando com medos primordiais

A sugestão de violência contra adversários políticos – e a passagem do comboio nada mais é que isso – sempre fez parte dos truques de Bolsonaro. O suposto plano de explodir bombas em quartéis – com que, nos anos 80, o capitão pretendia pressionar o comando do Exército por aumento de salários – já seguia esse esquema.

Mais tarde, nos anos 90, ele mencionaria 30 mil oposicionistas que era melhor a ditadura ter matado. Numa mensagem de vídeo, pouco antes das eleições de 2018, ameaçou expulsar os seus rivais do país.

Bolsonaro sabe do efeito traumático que a perspectiva de violência concreta tem sobre seus opositores políticos. A ameaça de sair das "quatro linhas" da Constituição joga com o medo primordial humano de recaída numa situação social anárquica, em que o mais fraco está indefeso diante de quem tem vantagem física.

O Estado moderno, baseado na divisão dos Poderes e nos pesos e contrapesos, visa justamente evitar isso, permitindo, assim, a seus cidadãos viverem em paz entre si.

Temor de uma nova ditadura

Em muitos bairros pobres brasileiros já – ou melhor, ainda – reina aquele estado primordial anárquico. Lá, a passagem de tanques não é nada fora do comum. Mais ainda: atira-se com munição viva a partir de helicópteros e veículos blindados, e muitas vezes as balas atingem crianças e moradores a caminho da escola ou do trabalho.

Lá se joga roleta russa com a população. Morrer ou viver não depende de ser um cidadão de bem ou um bandido, de ser um bom cristão ou ateu: é puro acaso.

A ameaça de Bolsonaro se dirige àquelas parcelas da classe média e alta que não gostam dele – as quais, segundo pesquisas de opinião, são uma grande maioria dos brasileiros. Desse modo, ele ameaça ampliar essa zona anárquica para incluir as vidas até então tranquilas e protegidas dos seus opositores. É a ameaça de transformar suas vidas também num caos, igual às das classes pobres.

Esse truque de mágico de rua só funciona porque a sociedade brasileira, apesar de todas as asseverações das Forças Armadas, não está segura de que não possam se repetir uma tomada de poder como a de 1964 e o subsequente terror.

Tais dúvidas são reforçadas pela poderosa presença dos militares no governo Bolsonaro. Nomear o general Eduardo Pazuello ministro da Saúde foi um sinal claro: não importa quantos brasileiros morram de covid-19, "um manda, o outro obedece".

Tomara seja só um truque

Entretanto, culpados pela atual bagunça são também os outros Poderes, o Judiciário e o Legislativo. Nenhum dos dois quis ou ousou impor limites ao deputado Bolsonaro quando ele pregou o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso; ou exaltou o torturador Carlos Brilhante Ustra durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Agora, a questão é correr atrás do prejuízo. A Justiça decidiu proceder contra o presidente por divulgação de notícias falsas. Paralelamente, a CPI no Senado visa responsabilizá-lo por sua política para a pandemia de covid-19. E, ignorando os blindados, ainda no mesmo dia a Câmara bloqueou a PEC do voto impresso.

Tudo isso traz esperanças de que os truques de camelô de Bolsonaro sejam finalmente desmascarados como tal. E de que, tomara, não passem mesmo de truques baratos.

*Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20 anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha como jornalista e fotógrafo para veículos como o Bayerischer Rundfunk, a agência de notícias KNA e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.

Deutsche Welle

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