segunda-feira, julho 12, 2021

Jeremoabo: prefeito reeleito é acusado de falsificar exames de Covid-19 para impedir votação de eleitores de adversária

 


Foto: Divulgação | Por Redação LDNotícias no dia 10 de jul - 16h29

O prefeito reeleito de Jeremoabo, Deri do Paloma (PP), no norte baiano, foi denunciado à Justiça Eleitoral por ter falsificado exames de Covid-19 à época da campanha, a fim de impedir que eleitores da candidata adversária comparecessem às sessões eleitorais para a votação.

De autoria da bancada oposicionista na Câmara Municipal, a ação pede que o atual gestor tenha o mandato cassado por abuso de poder político e econômico e fique inelegível por oito anos. Sete meses após a denúncia, no entanto, o processo segue parado na Justiça Eleitoral.

Ao menos dez moradores do bairro Vilas de Brotas tiveram diagnósticos positivos em testes realizados pela gestão municipal por determinação do candidato à reeleição, mas as contraprovas indicaram diagnósticos negativos. Esta é apenas uma das denúncias relacionadas em uma ação de investigação judicial eleitoral apresentada em dezembro de 2020.

Moradores relataram na ação que profissionais da Saúde fizeram busca ativa na região indicando que haveria um surto de Covid-19 no local, embora a população estivesse assintomática. Os resultados dos testes rápidos foram manipulados pela secretaria municipal da Saúde, que recomendou aos moradores quarentena de 14 dias, justamente no período da eleição municipal de 2020. Os moradores se submeteram a testes em clínicas particulares e tiveram resultado negativo.

A eleição em Jeremoabo foi decidida por uma diferença de 159 votos. "Temos certeza que esta mesma prática foi adotada em outros locais da cidade, mas os moradores ficaram com medo de denunciar. O dinheiro para combate à Covid foi utilizado para fins eleitorais", acredita a bancada da oposição na Câmara Municipal de Jeremoabo.

Entre os integrantes do grupo estão o presidente do Legislativo, vereador Carlos Henrique Dantas Oliveira (PSD), e os vereadores Antônio Chaves, Domingos Pinto, Manoel José de Souza Gama, José Raimundo Reis, Benedito Oliveira e Sidney dos Reis Macedo.

A realização direcionada de exames de Covid-19 em Vilas de Brotas, diz a ação, vai na contramão da adoção de medidas de combate à pandemia na cidade de poucos mais de 40 mil habitantes. "Nenhuma cidade dispunha de testes suficientes, mas a administração municipal de Jeremoabo direcionou a aplicação de exames em reduto eleitoral da candidata adversária", ressalta a bancada oposicionista.

Incentivos Fiscais

Ainda durante a campanha eleitoral, Deri do Paloma anunciou que a empresa de laticínios Natville seria instalada em Jeremoabo. Com a suposta chegada da fábrica ao município veio a promessa de campanha de geração de quatro mil empregos.

A notícia foi bem recebida pela população jeremoabense. No entanto, passados oito meses da campanha eleitoral a cidade segue sem qualquer previsão de ver a indústria em operação. "Não há qualquer sinal de obra no terreno onde a fábrica deveria ser instalada, apesar de ter sido prometido que o grupo começaria a funcionar na cidade ainda em 2021", explicam os vereadores.

A promessa é vista como o menor dos problemas. Para viabilizar a instalação da Natville, o prefeito e candidato à reeleição concedeu incentivos fiscais, prática vedada pela Justiça Eleitoral durante a campanha. Os moradores cobram a implantação da empresa. "A cidade ficou frustrada. Quem não ficaria empolgado em votar em um candidato que prometeu trazer tantos empregos para a cidade? Foram todos enganados", expõem.

Currículos de interessados foram direcionados ao então vice-prefeito Lula de Dalvino (DEM), que ficou responsável por coletar dados apenas de potenciais eleitores de Deri do Paloma. Após deixar o mandato de vice-prefeito, Lula tornou-se representante da Natville e não viabilizou a geração de um emprego sequer.

Compra de votos

Materiais de construção comprados pela prefeitura para a construção de uma academia de saúde e da Praça Almiro Ramos, no bairro José Nolasco, foram desviados por Deri do Paloma e doados a eleitores para que concluíssem obras em residências particulares, à época da campanha. "É uma prática antiga, né? Em troca, a pessoa teria que votar nele na eleição", denunciam os edis.

"A gente chegou, inclusive, a ver funcionários da prefeitura transportando cimento pronto para rebocar a casa de moradores. Até a imprensa chegou a ser agredida por tentar denunciar a irregularidade", completam.

Em um dos casos, um morador recebeu um recibo informando que teria direito a uma caixa d'água paga pela prefeitura. Ao tentar fazer a retirada após a eleição, o homem que teria sido beneficiado foi informado de que não poderia retirar o produto porque não votou em Deri do Paloma.


https://www.ldnoticias.com.br/noticias/76533,jeremoabo-prefeito-reeleito-e-acusado-de-falsificar-exames-de-covid-19-para-impedir-votacao-de-eleitores-de-adversaria.html?fbclid=IwAR1PwWwjBJL2jcq94fQRijZ88LPKzh3HhznLeSjKAlOkeFoXoumMYjXxgHg

PF abre inquérito para investigar se Bolsonaro prevaricou em caso de suspeitas da Covaxin

 Foto: Pedro Ladeira/Arquivo/Folhapress

Jair Bolsonaro12 de julho de 2021 | 09:46

PF abre inquérito para investigar se Bolsonaro prevaricou em caso de suspeitas da Covaxin

BRASIL

A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar suspeita de prevaricação de Jair Bolsonaro na negociação do governo para a compra da vacina Covaxin.

A apuração tem origem nas afirmações do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que diz ter avisado o presidente sobre irregularidades nas tratativas e as pressões que seu irmão, servidor do Ministério da Saúde, teria sofrido.

A prevaricação é um tipo criminal em que o agente público deixa de agir ou retarda a ação para satisfazer interesses pessoais.

No caso do presidente, a apuração vai buscar saber se ele foi de fato informado e se tomou medidas.

A investigação foi solicitada pela PGR após a ministra do STF Rosa Weber cobrar manifestação da Procuradoria sobre a notícia-crime apresentada ao Supremo por três senadores.

Na PF, o caso será conduzido pelo Sinq (Serviço de Inquérito) da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, setor que cuida de apurações que envolvem pessoas com foro.

Painel/Folhapresshttps://politicalivre.com.br/

Promotor de justiça Emerson Oliveira morre vítima da Covid-19

 em 12 jul, 2021 8:19

O promotor era titular da Promotoria de Justiça de Canindé do São Francisco (Foto: MPE/SE)

O Ministério Público de Sergipe comunica, com profundo pesar, o falecimento do Promotor de Justiça Emerson Oliveira Andrade, titular da Promotoria de Justiça de Canindé do São Francisco, vítima da COVID-19.

A instituição se solidariza com sua família e amigos.

Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento.

Nota de Pesar

A Prefeitura de Canindé do São Francisco também divulgou nota lamentando a morte do promotor de Justiça. “É com profundo pesar que o Município de Canindé de São Francisco registra o falecimento do Promotor de Justiça, Emerson Oliveira Andrade.

Um representante do Ministério Público atuante e totalmente dedicado à sua profissão, exercendo suas funções com ética e comprometimento, com destaque para projetos sociais voltados às famílias mais carentes, a exemplo da Casa Lar, na qual foi um grande incentivador.

Em 2017 foi agraciado pela Câmara de Vereadores com o Título de Cidadão Canideense.

Que Deus conforte sua família nesse momento de profunda dor”.

*Com informações do MPE/SE

INFONET

Morre ex-presidente do TJ-BA Mário Augusto Albiani Alves

Morre ex-presidente do TJ-BA Mário Augusto Albiani Alves
Foto: Divulgação

Morreu neste domingo (11), o ex-desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Mário Augusto Albiani Alves.

 

O velório será no cemitério Jardim da Saudade, a partir das 11h. A cerimônia de cremação será às 15h.

 

Ele era pai do desembargador Mário Augusto Albiani Alves Júnior.

Bahia Notícias

Líderes de oposição rejeitam discussão proposta por Lira sobre semipresidencialismo

Líderes de oposição rejeitam discussão proposta por Lira sobre semipresidencialismo
Alessandro Molon | Foto: Câmara dos Deputados

A sugestão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de discutir a implementação do semipresidencialismo ou do parlamentarismo a partir de 2026, não foi bem aceita por líderes de oposição. Lira abordou o assunto em entrevista à CNN Brasil na última semana, citando a mudança como necessária para acabar com a instabilidade no Brasil.

 

O líder da oposição na Casa, Alessandro Molon (PSB-RJ), já se declarou contra. “O povo já decidiu pelo presidencialismo no plebiscito de 1993. Não faz sentido tirar dos brasileiros uma decisão que a Constituição de 1988 colocou nas mãos do povo. Fazer isso no Congresso, sem um novo plebiscito, e um ano antes da eleição, é, no mínimo, casuísmo”, disse o deputado à coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

 

O líder da minoria, Marcelo Freixo (PSB-RJ), também é contra. “Antes a gente precisa sair da Idade Média em que estamos. Vamos superar as trevas atuais, garantir a democracia. Depois podemos debater o tema”, declarou.

 

Já o líder do PT, Bohn Gass (RS), apontou que a instabilidade é gerada quando uma presidente como Dilma Rousseff (PT) é tirada do poder sem ter cometido crime, enquanto Lira ignora os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e não instaura os processos. A crítica foi reforçada pela líder do PSOL, Talíria Petrone, que chamou o presidente da Câmara de "bastião do bolsonarismo".

Bahia Notícias

Barros se reuniu com cúpula do governo ao menos 11 vezes após denúncias


Barros se reuniu com cúpula do governo ao menos 11 vezes após denúncias
Deputado Ricardo Barros (PP-PR) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O líder do Governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), se reuniu com a cúpula do governo pelo menos 11 vezes desde 20 de março. Segundo o deputado Luis Miranda (DEM-DF), foi nessa data em que ele e seu irmão, Luis Ricardo, se encontraram com Jair Bolsonaro para tratar de supostas irregularidades nas negociações da compra da Covaxim, vacina indiana.

 

Durante depoimento à CPI da Covid, Miranda alegou que, no encontro, Bolsonaro citou o nome do líder do governo na Câmara como possível envolvido no esquema de corrupção. Barros nega envolvimento.

 

Bolsonaro confirmou ter se reunido com Miranda, mas disse que o deputado não relatou suspeitas de corrupção. O presidente não confirmou nem negou ter se referido a Barros na reunião.

 

Entre os dias 20 de março e 9 de julho, Barros esteve quatro vezes com Bolsonaro, de acordo com agendas de autoridades. O levantamento é do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias. Dois encontros foram privados e dois com presença de mais pessoas.

 

A primeira reunião com Ricardo Barros foi no dia 22 de março, dois dias após Bolsonaro ter conversado com Miranda. Segundo o Metrópoles, a agenda durou 15 minutos e contou com a presença de Luiz Eduardo Ramos, então chefe da Secretaria de Governo, e líderes do Governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

 

Em 24 de abril, o encontro entre Barros e Bolsonaro durou 20 minutos, no gabinete do Planalto. Segundo os registros, os dois estavam a sós. Situação que se repetiu em 17 de maio, por 25 minutos.

 

No dia 25 de maio, Barros participou de uma reunião com Jair Bolsonaro e outras autoridades. Ele teve, ainda, outras seis agendas com a chefe de Secretaria de Governo, Flávia Arruda. A ministra atua na articulação entre Executivo e Legislativo.

 

CPI
Na última quinta-feira (8), a CPI da Covid protocolou um pedido para que Bolsonaro responda às acusações feitas pelos irmãos Miranda.

 

“Tomamos essa iniciativa de maneira formal, tendo em vista que no dia de hoje, após 13 (treze) dias, Vossa Excelência não emitiu qualquer manifestação afastando, de forma categórica, pontual e esclarecedora, as graves afirmações atribuídas à Vossa Excelência, que recaem sobre o líder de seu governo”, diz o texto assinado por Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão.

Bahia Notícias

No desafio da novilíngua, as ideias e palavras novas estão se propagando como vírus

Publicado em 11 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Eurípedes Alcântara
O Globo

O biólogo Richard Dawkins disse que as ideias se propagam como vírus. As palavras novas também. Cringe é a pandemia da vez. Em inglês, cringe é verbo. Significa encolher-se, rebaixar-se ou adular servilmente alguém. Reapareceu como adjetivo. Uma pessoa, alguma coisa ou atitude podem ser chamadas de cringe se forem ultrapassadas, datadas, fora de moda. Só vale de uma geração mais nova para as mais velhas. Deve ficar um tempo em circulação, mas é de prever que em breve falar cringe será cringe e, então, sumirá.

Interessante a discussão obstinada que esse novo termo provocou. São tantos os neologismos colocados em circulação na língua franca universal criada pela internet que uma hora haveria uma reação.

CHEGOU AO LIMITE – Em maio passado, a Academia Francesa, órgão do Ministério da Educação que tem poder normativo sobre o idioma, proibiu o uso dos pronomes de gênero neutros — todxs no lugar de todos ou todas. Do outro lado do Canal da Mancha, o jornal Financial Times lamentou não existir na Inglaterra uma autoridade linguística central como a Academia Francesa com força legítima para dar um basta nas experimentações.

Os ingleses lamentam o abuso consagrador de novas expressões, como gaslighting, uma forma de abuso psicológico continuado que leva uma pessoa a questionar sua própria sanidade mental, sua percepção da realidade ou mesmo a exatidão de suas memórias.

A palavra othering é uma das que mais provocam reações negativas. É usada para se referir ao fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos são rotulados como não adequados. São também gestos ou atitudes que sinalizam que “ele não é um de nós”. Muitos desses termos são usados no Brasil em inglês mesmo.

REALOCANDO JUDEUS – O ponto que interessa nessa questão — até porque ela não pode ser simplesmente relegada à categoria de modismo passageiro — é se o pessoal recorre a esses neologismos para aumentar a clareza do que lhes vai pela cabeça ou para escamotear intenções ou preconceitos.

 Se aumentam a clareza do idioma, essas inovações devem ser bem recebidas. Acho um exagero, mas seus críticos dizem que são formas brandas de “ardis semânticos”, como o escritor George Orwell definia os jargões politicamente insidiosos das tiranias, usados para disfarçar atos criminosos. Os nazistas diziam estar “realocando” judeus e outras minorias mandadas para seus campos de extermínio.

DIZIA DRUMMOND – Aprender novas palavras e tornar outras mais belas é o ofício do poeta, como escreveu Carlos Drummond de Andrade. Esperemos que essa recente nuvem de inovações linguísticas trazidas pelas correntes digitais esteja ajudando os jovens a se comunicar com maior clareza.

Não é o grau de ousadia da inovação ou a estranheza da inventividade que arruína uma gíria ou um jargão. O pessoal hoje está transformando verbos em adjetivos.

Parte do gênio de William Shakespeare foi transformar substantivos em verbos — com jaula, ele criou enjaular; de covarde, ele derivou o verbo se acovardar. Dependendo da fonte, Shakespeare contribuiu com pouco menos de 400 a mais de 1.800 novas palavras para a língua inglesa.

IMORTAL DECRÉPITO – Rechaçar de pronto as inovações linguísticas é arriscado. Sempre foi. Na menos conhecida de suas viagens, Gulliver, criação do satirista Jonathan Swift (1667-1745), aparece em Luggnagg, uma terra estranha em que alguns habitantes nunca morrem. São os struldbrugs.

Eles não morrem, mas envelhecem. Nascer um bebê com o sinal da imortalidade, um pequeno ponto vermelho acima da sobrancelha esquerda, era motivo de apreensão para as famílias. Um imortal decrépito sofria e fazia sofrer. À medida que perdiam a audição e a visão, escapava-lhes o sentido das novas palavras, aumentando seu isolamento a ponto de seu idioma se tornar totalmente diferente do usado no cotidiano pela população.

Swift quis criticar as tentativas mágicas da busca da imortalidade já em voga entre os poderosos de seu tempo, mas mostrou também que, sem idioma renovado, é vã a busca da juventude eterna enquanto dure.

Dificultar a demarcação das terras indígenas é um golpe mortal na floresta amazônica

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

O cacique Raoni, ao centro, entre líderes indígenas de 47 povos, que estiveram reunidos por quatro dias no Mato Grosso para relançar a "aliança dos povos da floresta".

Tribos indígenas enfim se unem para defender suas terras

Joana Oliveira
El País

A sensação de fim de mundo trazida pela covid-19 deixou de ser uma metáfora hiperbólica, quando passei a cobrir o impacto dessa terrível doença sobre os povos originários do Brasil, que, além do garimpo ilegal, da grilagem de terras e dos madeireiros, passaram a lidar com mais esse inimigo mortal.

Talvez o mundo inteiro não se acabe, mas o Brasil, onde a pandemia é só o capítulo mais recente do genocídio indígena, sim.

POVOS ISOLADOS – Essa é minha percepção (e meu desespero) ao contar como mesmo os povos isolados — são cerca de 114 no país — já padecem desse mal, a covid-19.

À mercê do Governo de Jair Bolsonaro, abertamente contrário às políticas indigenistas, esses povos recorrem ao clamor internacional para tentar sobreviver.

Neste mês, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentará ao Tribunal Penal Internacional (TPI) uma denúncia contra o presidente ultradireitista, acusando-o de genocídio e ecocídio. Outra vez a hipérbole e o terror de duas palavras que encerram a ameaça de fim do Brasil, de sua história, de sua cultura, de sua natureza, de sua gente.

UM GOLPE FATAL – Na mesma semana em que publicamos essa notícia, veio a aprovação do PL 490, que dificulta a demarcação e proteção de territórios indígenas e coloca em risco, mais uma vez, a existência dessas civilizações.

Como disse Eliane Brum, é o golpe fatal para a extinção da Amazônia. Como reza Ailton Krenak, agarro-me à esperança de “adiar o fim do mundo”, quem sabe quando governantes e legisladores ecoarem as palavras de outro grande líder, Raoni Metukitire, que me disse uma vez, no coração da Amazônia:

”É a floresta que segura o mundo. Se acabarem com tudo, não é só índio que vai sofrer.”


Pesquisas indicam que a terceira via tem cada vez mais chances de vencer em 2022

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Imagem

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

As pesquisas políticas são sempre questionadas, porque geralmente refletem o interesse de quem as encomendou e está pagando a despesa. De repente, tivemos três levantamentos seguidos – Ipec (ex-Ibope) MDA e Datafolha. Os resultados tiveram diferenças expressivas e isso indica que há erro, mas não se sabe em qual pesquisa.

Conforme já registramos aqui, pesquisas podem ser confiáveis e trazer informações sólidas. Todo recenseamento é precedido de pesquisas, chamadas de amostragens, que abrangem apenas parte do grupo a se recenseado, mas já dão uma noção bastante próxima do resultado final.

QUEM PAGA? –  No caso das pesquisas eleitorais, é sempre conveniente sabe quem é o patrocinador, pois os organizadores sempre dão um jeito de conduzir as perguntas de forma a agradar a quem paga as contas.

Nesses três últimos levantamentos, sabe-se apenas o patrocinador de um deles,  a cargo do Instituto MDA, que foi encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes. As outras duas pesquisas (Ipec e Datafolha), por mais que eu procurasse, não consegui identificar quem patrocinou. (Se alguém souber, por favor nos informe, para que possamos incluir aqui.)

Quando não há menção a quem encomendou, isso significa que há um patrocinador oculto, e isso deve ser levado em consideração na análise.

TERCEIRA VIA – Como tenho deixado claro, sou adepto da terceira via. Por isso me interesso por um quesito em especial – a rejeição dos candidatos. É justamente a parte em que há maiores discrepâncias.

No Ipec, a rejeição de Lula aumentou de 36% para 44%; a de Bolsonaro subiu de 56% para 62%, enquanto a de Ciro caía de 53% para 49%. Ou seja, Ciro teria uma rejeição maior do que Lula. Desculpem, mas não acredito.

Na pesquisa MDA, a rejeição de Lula seria de 44,5%, coincidindo com o Ipec; a de Bolsonaro iria a 61,8%, também igualando ao Ipec, e a de Ciro estaria em 52,4%, oito pontos acima de Lula. Desculpem, também não acredito.

E no Datafolha o favorito Lula teria 37% de rejeição; Bolsonaro, 59%; e Ciro, 31%. Desculpem, continuo sem acreditar.

TODOS SABEM – Parodiando Machado de Assis, até as paredes do TSE sabem que Lula tem uma rejeição muito alta. Lembrem-se que as pesquisas anteriores mostravam empate técnico entre Lula e Bolsonaro no quesito rejeição. De repente, a rejeição a Lula passou a diminuir, enquanto a de Bolsonaro aumentava, como se houvesse uma migração de votos de um para o outro. Desculpem, mas não acredito, mesmo.

Tenho convicção de que Lula continua com forte rejeição, um pouco inferior à de Bolsonaro, porém bem superior à rejeição de Ciro Gomes.

Por fim, apenas o MDA fez a pergunta que interessa: Quantos não votariam em Lula ou Bolsonaro, em nenhuma hipótese? E o resultado deu 30,1%, que seria hoje o grau de preferência da terceira via, que pode ter Ciro Gomes, João Doria, Henrique Mandetta ou Simone Tebet como cabeça da chapa.

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P.S. –
 Em tradução simultânea, se houver realmente uma frente ampla, a terceira via pode chegar ao segundo turno facilmente, com 30,1%, e no segundo turno ganha de Lula ou Bolsonaro com a maior facilidade. (C.N.)  


CPI se prepara para convocar Onyx Lorenzoni, que tentou coagir uma testemunha-chave

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Para coagir testemunha, Onyx exibiu documento falsificado

Paulo Cappelli, Natália Portinari e Julia Lindner
O Globo

Mirando no Planalto, a CPI da Covid está se preparando para colher o depoimento do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. Para senadores da oposição, o aliado do presidente Bolsonaro é suspeito de coagir uma testemunha-chave para a comissão, o servidor Luis Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde. Em entrevista ao GLOBO, ele denunciou indícios de irregularidades no processo de importação da vacina indiana Covaxin.

Onyx acusou o funcionário público e o seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), de terem forjado um documento que, na verdade, existia e se encontrava no sistema do governo federal. O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a convocação de Onyx para explicar o episódio — Aziz já acenou positivamente.

FLÁVIO BOLSONARO – Em outra frente, a CPI está olhando com lupa a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que fechou um contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde para fornecer vacinas Covaxin. Aliados do primogênito do presidente, como uma servidora do Planalto e advogados, estão mira do colegiado, que analisa ainda movimentações financeiras a partir das quebras de sigilos bancários.

Flávio chegou a intermediar um encontro de Maximiano com representantes do BNDES para tratar da possibilidade de empréstimo para uma outra companhia do empresário, conforme revelou a revista “Veja”. O senador afirma que, na ocasião, Maximiano apresentou uma proposta para instalação de fibra ótica no Nordeste.

Flávio negou qualquer relação com as negociações em torno da Covaxin e afirmou que Renan tem em seu gabinete um organograma com sua foto e a de pessoas com as quais se relaciona para lhes acusar seja do que for.

GABINETE DO ÓDIO – A CPI da Covid também esquadrinha a atuação do chamado “gabinete do ódio”, grupo que reúne assessores do Planalto responsáveis pela comunicação do presidente, suspeitos de disseminar notícias falsas, inclusive na pandemia. Esses auxiliares e outras cinco pessoas ligadas a Carlos e Eduardo, filhos de Bolsonaro, tiveram os sigilos telefônico e telemático quebrados pela comissão.

Procurados pelo GLOBO, Onyx, Eduardo e Carlos Bolsonaro Ramos e Braga Netto não se manifestaram. A assessoria de Flavio Bolsonaro compartilhou vídeos divulgados anteriormente nas redes sociais nos quais o senador nega ter qualquer relação comercial ou financeira com o empresário Francisco Maximiano, da Precisa.


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