segunda-feira, julho 12, 2021

O desastre chamado Bolsonaro esquece que, ao ameaçar as eleições, atinge deputados e senadores

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Descendo a ladeira, Bolsonaro sobrevive de ameaças e repetições

Pedro do Coutto

Efetivamente existe na Presidência da República do Brasil um desastre chamado Jair Bolsonaro, que repete a todo o instante erros políticos, equívocos administrativos, omissões em série e até ameaças às eleições e, portanto ao regime democrático, esquecendo que a sombra que levanta sobre o desfecho de 2022, envolve os mandatos dos senadores, deputados federais, estaduais e os governadores que também em outubro do próximo ano enfrentarão o julgamento das urnas populares.

A ameaça partiu de um absurdo, como todos sabem. Caso o voto impresso não for aprovado pelo Congresso, na profecia de Bolsonaro, não haverá eleições. Em tal hipótese dramática, os parlamentares não poderiam se reeleger, perspectiva que atingiria os governadores e os oposicionistas que lutam para substituí-los na estrada democrática.

IMPEACHMENT – As ações sem sentido se acumularam de tal forma que, revela o Datafolha, pela primeira vez, a maioria dos eleitores e eleitoras manifestaram-se a favor do impeachment do presidente da República: 54% defendem a abertura de processo pela Câmara contra 42% que rejeitam o afastamento de Bolsonaro.

O quadro se inverteu em relação à pesquisa anterior realizada em maio.  A maioria que era contrária ao impedimento agora passou a ser a favor e, na minha opinião, a diferença do sim contra o não se ampliará na medida em que se estreita o campo de manobra e de ação equivocada do Planalto.

Vale lembrar que a aceitação do processo pela Câmara, na qual se acumulam 123 pedidos de impedimento, causará o afastamento do presidente da República por quatro meses. O quórum para iniciar o processo ainda não atingiu o sinal verde, mas a simples intenção derruba ainda mais os muros de proteção de um governo que saiu vitorioso das urnas, mas que no exercício do poder desmoronou completamente. Na Folha de São Paulo a reportagem sobre o impeachment é de Igor Gielow. No O Globo saiu sem assinatura.

INCAPAZ DE LIDERAR – Ocorre que o Datafolha em outra pesquisa acentuou o fato já absorvido pela opinião pública de que Bolsonaro é incapaz de liderar o país. Para 63%, ele não possui tal capacidade, e para 34% ele possui essa condição. Acontece que há um aspecto importante do levantamento do Datafolha. No mês de maio, 52% achavam que ele era capaz. Verifica-se assim que no prazo de um pouco mais de um mês houve uma perda de 18 pontos em sua aprovação.

Ao lado desse movimento negativo dos índices surge uma outra revelação, destaca a Folha de São Paulo: 55% dos eleitores e eleitoras nunca confiam nas declarações de Bolsonaro, enquanto 15% confiam sempre e 28% às vezes confiam e outras não. Esse mapa fecha as perspectivas sobre o Palácio do Planalto, levando o presidente a uma esfera extremamente crítica.

WEINTRAUB – Reportagem de Guilherme Caetano, O Globo, redigida em Washington, onde Abraham Weintraub ocupa um cargo no qual o governo o colocou quando foi demitido do Ministério da Educação. O ex-ministro afirmou que pretende disputar o governo de São Paulo nas urnas de outubro de 2022, tendo como base pequenas legendas e, ao mesmo tempo, frisou fora da área de influência da família Bolsonaro.

Absurdo completo. Weintraub foi o ministro que na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 atacou em bloco todos os ministros do Supremo Tribunal Federal, afirmando que eram vagabundos, concluindo por uma assertiva alucinada ao dizer que Jair Bolsonaro deveria colocá-los na cadeia. Entre as legendas cogitadas por Weintraub figura a do Partido Trabalhista Cristão, tendo como principal articulador Victor Metta, seu ex-assessor no Ministério da Educação.
Sobrepreço

SOBREPREÇO – Quando se pensa que se chegou a um limite de absurdos, sempre surge mais um. É o que revela Felipe Frazão, no Estado de São Paulo de domingo, apontando o sobrepreço cobrado pela empresa FBM Farma, selecionada para fornecer diluentes a imunizantes da Pfizer contra a Covid-19.

Não houve licitação, problema para o ministro Marcelo Queiroga, sobretudo porque a FBM Farma, revela Frazão, foi multada e advertida por práticas semelhantes por 75 vezes, o que chamou a atenção da Controladoria Geral da União que identificou uma série de falhas e focalizou o histórico de problemas da fornecedora. Um sobrepreço de R$ 2,5 milhões. Mais um lance de uma sequência que parece ser interminável.

SELEÇÃO BRASILEIRA – Como na bela canção de Andrew Lloyd Webber e letras de Tim Rice, “Não chores por mim Argentina”, focalizo que o esquema de Tite, com a retenção demasiada da bola nos pés de Neymar e o desempenho do time brasileiro em seu conjunto, a rigor, não deve sequer ser lamentado pela torcida porque tal resultado negativo é uma consequência do esquema adotado e que insiste em movimentos geométricos e a utilização de espaços que, no fundo, travam a seleção de ouro.

A seleção brasileira, na noite de sábado, tornou-se a maior adversária de si mesma. O meio campo brasileiro, o que vem ocorrendo desde a Copa da Rússia, não se entende e nem tem criatividade, fazendo com que a partida fique mais lenta. A lentidão, por seu turno, facilita a marcação e como os passos trocados são curtos, não havendo lançamentos à distância, exceto os tiros de meta do goleiro, os jogadores ficam mais expostos à violência de adversários.

Na noite de sábado a Argentina bateu muito, mas o Brasil também. Não é por aí. A partida do Maracanã, Estádio Mário Filho, palco de tantas vitórias, tornou-se o cenário  de uma derrota difícil de suportar. Tite precisa reformular a sua visão de jogo e abandonar a complicação de um esporte fantástico que tem como essência a descomplicação.

Associação de procuradores diz que discurso de Bolsonaro merece repúdio e vigilância

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Procuradores protestam contra ameaças de Bolsonaro

Deu no Correio Braziliense

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) se pronunciou, no fim da tarde deste sábado (10/7), sobre as falas de Jair Bolsonaro (sem partido) em que chama o sistema eleitoral brasileiro e o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fraude.

Em nota, a organização afirma que a democracia dispõe de debate de ideias e olhares divergentes, mas que “não convive e não aceita posições que impliquem a sua própria negação ou a relativização de seus pontos essenciais”.

SEM PROVAS –  “Afirmações que pretendam criticar o sistema eleitoral não podem se basear em suposições, em alegações genéricas e sem provas”, diz um trecho da nota. “Além disso, a discussão acerca do modelo de votação jamais pode ocorrer em um ambiente de ameaças sobre a própria realização das eleições, pois isso violaria a Constituição e o próprio regime democrático”, repreende.

O grupo de procuradores da República também afirma que os discursos do chefe do Executivo merecem “não apenas repúdio, mas vigilância permanente quanto aos seus efeitos e aos riscos para a nossa democracia”.

Na semana passada, o presidente da República disse que Aécio Neves derrotou Dilma Rousseff em 2014 e que irá apresentar provas disso; chamou o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, de “idiota” e “imbecil” e afirmou que ele queria a “volta da roubalheira” e da “fraude eleitoral”.

REJEITAR ELEIÇÕES – O chefe do Executivo ainda disse que, caso o sistema eleitoral não adote o modelo de voto impresso, “algum lado pode não aceitas as eleições, e esse lado é o nosso”.

Junto à ANPR, outras entidades e personalidades repudiaram as falas de Bolsonaro dos últimos dias, como o Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade); o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); e os presidentes de oito partidos da chamada “terceira via”.


A novidade (por Mary Zaidan)

 

Simone Tebet pode não chegar lá, mas já começa a dar trabalho

atualizado 11/07/2021 3:27

Hugo Barreto/Metrópoles

Fora os índices de rejeição, que fulminam pretensões eleitorais, pesquisas de intenção de voto costumam ser analisadas de acordo com o gosto do freguês. Embora o favoritismo de Lula tenha se desenhado diante de um Jair Bolsonaro cada vez mais minguado, seria recomendável alguma cautela dos que já dão o jogo como encerrado. Até porque novidades surgem.

A 15 meses da eleição e sem todas as opções postas à mesa, imensa parcela dos eleitores, 42%, não aponta qualquer candidato fora dos nomes mais conhecidos – Lula (26%), Bolsonaro (19%), Ciro (2%), nas respostas espontâneas. E a rejeição – 59% para Bolsonaro e 37% a Lula – é desconfortável para os líderes.

Bolsonaro, que aumenta o tom de fúria na proporção do aperto da corda em seu pescoço, esforça-se para manter um imaginário 30% de apoiadores que supostamente teria, mas que a realidade não comprova. Lula até consegue ultrapassar o seu nicho, atraindo bolsonaristas arrependidos e parte do contingente que anulou ou votou em branco em 2018.

O drama do centro é mais agudo: tem espaço para conquistar os nem-nem, os que rejeitam Bolsonaro e Lula, mas não tem candidato.

Luciano Huck, que apresentava chances eleitorais pela sua fama televisiva, pulou fora da disputa. O pedetista Ciro Gomes (8% das respostas estimuladas), tem um gênio difícil e avesso à aglutinação de forças. O PSDB, com sua eterna guerra fratricida, quase não pontua nas pesquisas: o governador João Doria (5% de intenção de votos e 37% de rejeição), mesmo com a elogiada e decisiva ação pró-vacina, não consegue romper antipatias, e o gaúcho Eduardo Leite (4%), que até ganhou pontos extras ao se tornar o primeiro governador e pré-candidato assumidamente gay, também está longe de se tornar competitivo. Tasso Jereissati é visto como reserva técnica. Sem partido, Sérgio Moro, colaborador e algoz de Bolsonaro, é tido como carta fora do baralho, e o demista Luiz Henrique Mandetta, uma candidatura forçada, criada a partir de um sucesso momentâneo. O popular José Luiz Datena, recém filiado ao PSL, é um outsider, uma incógnita.

Mas em eleição, por mais que as peças pareçam dispostas, surpresas surgem. A do momento é a senadora Simone Tebet, primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado e a disputar, por duas vezes, a Presidência da Casa.

Estrela da CPI da Covid, colegiado que nem mesmo integra formalmente, Simone deixou de ser cogitada como a vice ideal para assumir protagonismo na disputa de 2022. Animado, o MDB, que sempre atuou como linha auxiliar sem almejar a cabeça de chapa, tem pregado abertamente a opção. Claro, enfrentando resistências de líderes como Renan Calheiros, que adoraria ser vice de Lula.

Firme nos embates, a senadora foi quem, depois de horas de negativas, arrancou do deputado Luis Miranda, denunciante do escândalo da Covaxin, o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, que teria sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro como autor de “rolos” no Ministério da Saúde. É dela também a análise detalhada do invoice suspeito, com 17 erros, que o secretário-geral da Presidência da República Onyx Lorenzoni usou para atacar os denunciantes e proteger o presidente do exposto crime de prevaricação.

Na sexta-feira, mesmo dia em que os presidentes do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, e do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, reagiram com firmeza à nova rodada de insultos do presidente à democracia – “atuar para impedir as eleições viola a Constituição e configura crime de responsabilidade”, escreveu Barroso -, Tebet adicionou delitos ao rol de Bolsonaro, assegurando que a CPI já tem elementos para acusá-lo.

No Mato Grosso do Sul, seu estado, a senadora já é tratada como candidata. Em Três Lagoas, cidade natal onde foi eleita prefeita e reeleita por 75% dos votos, ela já está no Planalto. Bairrismos à parte, Simone reúne credenciais para um centro carente de nomes, com capacidade de aglutinar um campo que prega unidade mas não raro pratica dissenso.

Filha do senador Ramez Tebet, que presidiu as CPIs que provocaram a cassação de Luís Estevão e a renúncia de poderosos como Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho, Simone é defensora ferrenha dos direitos das mulheres, progressista nas pautas identitárias e centrista por natureza: votou a favor do teto de gastos públicos e da reforma da Previdência, rejeitou o decreto pró-armas.

Simone é a novidade. Pode não chegar lá, mas já começa a dar trabalho.

Mary Zaidan é jornalista

https://www.metropoles.com/


Assassinaram covardemente uma indefesa árvore centenária, a natureza resolveu fazer justiça de maneira exemplar



A natureza quando agredida não se defende, ela apenas se vinga.


" É insensato e paradoxal que nós, humanos, dotados de grande inteligência, sejamos os únicos a degradar o habitat em que vivemos. E em sua reação, a natureza é, a um só tempo, nobre e rude. É agradecida com quem a trata bem, além de ser espontaneamente dadivosa, bela e vivificante. Porém, sabe ser pedagógica, ou até mesmo vingativa, aos 7,3 bilhões de terráqueos: "se persistirem em alterar o equilíbrio ambiental, eu os arruíno", ela avisa."
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domingo, julho 11, 2021

Maximiano, do caso Covaxin, deu calote de R$ 8 milhões em Fundo de Previdência da OAB


A Pista

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Deu no G1

O empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, não vive só de vacinas. Seus negócios são como o coronavírus, tem várias cepas. Uma delas chama-se Rompro e é acusada de dar calote de R$ 8 milhões no fundo de Previdência da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro.

Maximiano está sendo processado pela OABPREV -RJ, que pediu a apreensão de bens da Rompro e do empresário para garantir que os aposentados e pensionistas não paguem a conta. Os jornalistas Marcelo Bruzzi, Marcelo Gomes e Ana Carolina Papp investigaram a história e trazem mais detalhes aqui.

FUNDO DE PENSAO – A OAB-PREVB Rio de Janeiro é o fundo de pensão, sem fins lucrativos, que atende aos advogados do estado e seus parentes. Atualmente, a OAB-PREV Rio tem cerca de 5 mil cotistas.

Com as contribuições mensais de cada um, o fundo contrata uma gestora para investir no mercado financeiro. E é aí que essa história esbarra em um personagem que veio à tona nas investigações da CPI da Covid sobre a Covaxin: o empresário Francisco Maximiano.

Em 2015, a gestora responsável pela OAB-PREV investiu em debêntures da Rompro Participações S.A. Na ficha da Receita Federal, Maximiano aparece como um dos sócios da Rompro. O endereço cadastrado é uma sala em um centro empresarial, em Barueri, na Grande São Paulo.

TÍTULO DE DÍVIDA – Debênture é um título de dívida emitido por uma empresa que não seja uma instituição financeira. Ou seja: em vez de a companhia ir ao banco tomar um empréstimo, ela capta recursos diretamente com investidores. O dinheiro é devolvido com juros num prazo determinado.

Pelo contrato, a Rompro retornaria o investimento para a OAB-PREV Rio em 108 parcelas mensais, com o primeiro pagamento em março de 2016 e o último previsto para 2025. Mas, segundo o Fundo de Pensão dos Advogados do Rio, as parcelas não têm sido pagas pela Rompro desde março de 2018.

Em outubro de 2019, a OAB-PREV entrou na Justiça do Rio de Janeiro para cobrar essa dívida. Até aquele momento, segundo o Fundo de Pensão, o valor era de R$ 8,2 milhões.

ATUAÇÃO NA SAÚDE – Com outra empresa, a Global, Maximiano é acusado de dar golpe também no Ministério da Saúde. Recebeu R$ 20 milhões e não entregou os medicamentos. Ele criou, então, uma variante da Global, a Precisa Medicamentos, que é um fenômeno. Conseguiu vender a vacina mais cara de todas para o governo Bolsonaro.

Assinou contrato no dia 25 dia de fevereiro e, nove dias mais tarde, o coronel do Exército Élcio Franco, então Secretário Executivo do Ministério da Saúde, mandou ofício pedindo mais US$ 50 milhões. Funcionários do Ministério alertavam sobre irregularidades no processo que, mesmo assim, ia adiante. O dinheiro já estava reservado.

Ia ser pago para uma empresa em Singapura, cujo o nome não aparece no contrato, que aliás, não tinha fiscal naquele momento. Maximiano representou a única vacina cujo processo de negociação teve a participação do presidente Bolsonaro. Ele sinalizou para o governo da Índia que compararia a Covaxin.

AMIGO DO ZERO UM – Por fim, outra “cepa empresarial” de Maximiano, a XIS Internet Fibra S.A. mereceu carinho especial do senador Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2020, o senador intermediou uma reunião por videoconferência entre Maximiano e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Francisco Maximiano e da Precisa Medicamentos, enviaram um comunicado, dizendo que “”esse é um assunto que está sendo tratado na Justiça, no qual não há irregularidades e que todos os esclarecimentos serão prestados às autoridades”.

“É importante deixar claro que, além de ser um assunto privado, trata-se de uma empresa sem o menor vínculo com a Precisa Medicamentos e com a importação de 20 milhões vacinas, este sim um assunto que deveria ser de interesse público.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Esse Maximiano é um tremendo 171. Causa espanto que ainda não esteja preso. Dá saudades da Lava Jato. (C.N.)

A Milícia: o que é e como funciona no Brasil! janeiro 11, 2021 Você sabe o que é milícia? Venha entender o que é, como surgiu, como atuam no Brasil e muito mais!

 


O que é milícia?

A milícia é um poder paralelo, que não integra as forças armadas ou de polícia de um país, composta por militares, paramilitares ou civis armados. De acordo com a Anistia Internacional, as milícias utilizam da força para extorquir a população em determinados territórios urbanos ao redor do mundo.

As milícias nem sempre foram apontadas como organizações criminosas, principalmente em sua atuação nas zonas de guerra em países e territórios como o Oriente Médio. Lá, o conceito de milícia era voltado para uma composição extraoficial de forças de combate, geralmente em situações de guerra civil e resistência contra inimigos variados.

Entretanto, a ideia de milícia ganhou uma nova abordagem a partir do momento em que esse tipo de organização tomou os centros urbanos, ocupando espaços nos quais a presença do Estado é quase nula, como as favelas do Rio de Janeiro.

Nesse novo tipo de organização, as milícias são compostas por agentes públicos de segurança, particularmente policiais militares (ou ex-policiais) e também por civis armados.

Como as milícias atuam?

Dentro do contexto atual, o termo milícia passou a ser utilizado para denominar os grupos criminosos compostos por agentes e ex-agentes da lei, além de civis, que exercem um tipo de controle extorsivo sobre comunidades periféricas nas grandes cidades brasileiras.

A função e o objetivo das milícias é, em um contexto macro, obter vantagens políticas, econômicas e sociais. Na prática, é esse tipo de objetivo que separa as milícias de outros grupos criminosos, como os grupos de extermínio.

Atuando em comunidades carentes e que estão à margem do alcance ou, muitas vezes, do interesse do governo, as milícias oferecem diversos tipos de “serviços”, cobrando pela segurança (contra o crime e contra elas mesmas), vendendo água, botijões de gás e outros produtos, além de se inserirem no contexto do tráfico de drogas local.

É possível considerar a milícia urbana como uma evolução, por assim dizer, dos grupos de extermínio. Enquanto esses grupos funcionavam apenas à base da extorsão de taxas de proteção dos moradores, a milícia foi além e dominou uma série de serviços básicos, aumentando assim seu poder de influência e seus lucros ilegais.

Com regras diferentes para cada grupo, é possível encontrar milícias que atuam mais discretamente, proibindo bailes funk em comunidades e sem desfilar pelas ruas com seu armamento pesado, mas exercendo seu poder de maneira firme e cruel.

Ao mesmo tempo, é muito comum encontrar grupos de milicianos que estimulam atividades como os bailes e fazem rondas pelas comunidades deixando bem claro seu poder de fogo.

Fato é que as milícias dominam, hoje, boa parte do território periférico de grandes cidades como o Rio de Janeiro, onde se expandem a passos largos. Em um misto de falta de estrutura e desinteresse do governo, as milícias se apoiam até mesmo na corrupção de alguns políticos, garantindo a sua atuação em troca de votos das comunidades durante as campanhas eleitorais.

tropa de elite 2 atuação da milícia

Foto: Tropa de Elite 2 – Zazen Produções

Como surgiram as milícias?

Segundo alguns estudiosos, como o antropólogo Paulo Storani, é possível destrinchar o surgimento das milícias cariocas em três períodos diferentes, sendo o primeiro deles do início dos anos 1980. Nessa época, organizações da comunidade ofereciam autoproteção, sendo compostas pelos moradores e trabalhadores da própria comunidade.

O segundo passo para o avanço das milícias como as que conhecemos hoje formou-se a partir do momento em que agentes do Estado receberam moradias em conjuntos habitacionais, particularmente na parte oeste do Rio. Esses agentes se organizaram para combater a instalação de traficantes em suas comunidades.

Por fim, as milícias avançaram para as organizações criminosas que conhecemos hoje em dia, quando policiais enxergaram a oportunidade de exploração de atividades econômicas nas comunidades carentes, principalmente após a expulsão dos traficantes.

Milícias no Rio de Janeiro e a política

O Rio de Janeiro é, sem dúvidas, o principal centro de atuação das milícias nos dias de hoje. Em um processo de gradual substituição nos destaques do crime, saiu a figura do traficante “bandido” para o miliciano “político”, uma vez que eles atuam também na esfera política das comunidades.

Essa penetração no governo é tão grande que hoje já se chegou ao ponto de descobrir a ligação entre deputados eleitos que oferecem, há tempos, cargos públicos em seus gabinetes para milicianos e seus familiares. Esse é o caso, por exemplo, do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL) que, quando deputado estadual do Rio de Janeiro, chegou a homenagear o chefe de milícia e ex-tenente da Polícia Militar, Adriano Magalhães de Nóbrega.

O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também já defendeu o miliciano Adriano Nóbrega, além de defender a atuação de grupos de extermínio na Bahia, no ano de 2003.

Há uma grande dificuldade em combater as milícias. Além do respaldo dado por alguns políticos, o próprio fato da milícia ser composta por agentes do Estado torna esse combate muito mais complexo do que possa parecer.

Um bom exemplo de como as milícias atuam no Rio de Janeiro é o filme Tropa de Elite 2. Nele, a relação entre milicianos e políticos fica muito clara, bem como a forte estruturação entre o poder do governo e a atuação desses grupos nas comunidades ao redor da cidade.

A atuação e os riscos à população trazidos pela existência da milícia atingiram um ponto que tornou este assunto o centro de discussões em todo o país. Por isso, são grandes as chances desse tema ser cobrado na prova de redação do Enem.

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“Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para ações antidemocráticas”, dizia Castelo Branco

Publicado em 11 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Jair Bolsonaro sonha em transformar as tropas em milícias

Elio Gaspari
Folha/O Globo

A Venezuela das milícias e dos generais de Hugo Chávez e Nicolás Maduro continua longe, mas ficou mais perto depois da nota do ministro da Defesa e dos três comandantes militares contra o senador Omar Aziz.

Desde 2018, quando o general Villas Bôas soltou seu famoso tuíte prensando o Supremo Tribunal Federal, a cúpula militar mudou de passo. Naquela ocasião, tomando-se a intenção do general, ele se alinhava com o modo de combate à corrupção do juiz Sergio Moro. A nota de quarta-feira teve sentido diverso.

DISSE AZIZ – Presidindo a CPI da Covid, o senador Omar Aziz disse que há muito tempo “não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”. O senador acabara de dar voz de prisão a um ex-sargento da Força Aérea acusado por um cabo da Polícia Militar de ter pedido um pixuleco de US$ 400 milhões para comprar uma vacina indiana. Em torno do negócio, farfalhavam, dois oficiais da reserva do Exército.

Como o senador explicou, foi uma observação pontual. Quem viu o coronel da reserva e ex-deputado José Costa Cavalcanti construir a hidrelétrica de Itaipu sem mudar seu padrão de vida sabe do que o senador fala.

O ministro da Defesa e os três comandantes responderam com uma veemente rajada de adjetivos: vil, leviana, infundada, grave, irresponsável.

PASSO EM FALSO – Até aí poderiam ser salvas trocadas, ainda que com exagero. O passo em falso esteve nas 20 palavras da última frase: “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.”

Ganha um fim de semana em Caracas quem souber o que quiseram dizer. No limite, bastaria um cabo para fechar a CPI, o Congresso e os tribunais que se pusessem no caminho.

Feito isso, o que as Forças Armadas fariam com elas e com o país? Se a passagem do general da ativa Eduardo Pazuello com seu pelotão de militares for uma amostra, as coisas que vão mal haveriam de piorar.

QUEM ESTÁ ENVOLVIDO – Nos rolos das vacinas, salvo o cabo da PM mineira, não há militares em funções profissionais de suas Forças. Estão todos da reserva ou ocupavam cargos da administração civil.

Faz tempo, quando viu as instituições democráticas ameaçadas, o general Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, disse:

“Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos. Destinam-se a garantir os Poderes constitucionais e sua coexistência.”

MAIS PERTO – Repetindo: a Venezuela continua longe, mas vai ficando mais perto.

Quando Bolsonaro diz que “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, ele se afasta de qualquer modelo venezuelano.

À maneira deles, Hugo Chávez e Nicolás Maduro realizaram todas as eleições determinadas pelo calendário.


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