sexta-feira, junho 25, 2021

Bolsonaro nega corrupção e ataca o deputado Miranda: ‘Quem buscou armar vai se dar mal’

 


Bolsonaro afirmou que pediu à PF para investigar o deputado Luís Miranda

Jair Bolsonaro pediu à PF para investigar Luís Miranda

Dimitrius Dantas
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro atacou na noite desta quinta-feira o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), parlamentar que revelou nesta quarta-feira que avisou o presidente sobre um possível suposto esquema de corrupção na aquisição da vacina indiana Covaxin. O presidente, em transmissão feita nas suas redes socias, negou as acusações, sugeriu que o deputado teria um “prontuário extenso” e que aqueles que estariam armando contra ele iriam “se dar mal”.

Apesar dos alertas feitos por Luís Miranda e por um servidor do Ministério da Saúde, o Palácio do Planalto determinou a instauraçao de um inquérito sobre as atividades do servidor e do parlamentar. Durante a transmissão, Bolsonaro alertou o deputado sobre possíveis consequências de sua revelação.

PRONTUÁRIO EXTENSO — “Vamos tomar as providências, como determinei que a Polícia Federal investigue esse caso, desse deputado aí, que tem um prontuário bastante extenso. Isso aconteceu em março, quatro meses ele resolve falar para desgastar o governo. Andou de moto comigo, esteve aqui conversando comigo. De repente, do nada. Vai ser apurado e, com toda certeza, quem buscou armar vai se dar mal.

Na quarta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni afirmou que seria aberta uma investigação sobre as declarações de Luís MIranda e do servidor.

Onyx também disse que o governo pedirà à CGU a realização de um  procedimento administrativo disciplinar (PAD) para investigar o servidor.

DISSE LORENZONI — “Iremos solicitar um procedimento administrativo disciplinar junto à CGU, um PAD, para investigar a conduta do servidor, já que o documento, que vou apresentar a seguir, existem indícios de adulteração do documento. Vamos solicitar uma perícia do documento à Polícia Federal”,        afirmou o ministro.

Na transmissão da live, Bolsonaro reforçou que a empresa indiana afirmou que o preço cobrado do Brasil foi o mesmo de outros 13 países interessados. O presidente voltou a falar que não há nenhuma denúncia de corrupção do governo, embora tenha admitido que, “na ponta da linha”, é possível que algum esquema possa existir. Bolsonaro afirmou que determinou à Polícia Federal a investigação desse caso e disse que Luís Miranda tem um “prontuário extenso”.

“Agora, corrupção, pessoal? Não gastamos um centavo, não recebemos uma dose. Que corrupção é essa? Assim como o Luis Miranda esteve aqui, podia ligar pra mim. Agora não atendo mais, poderia perguntar o que está acontecendo e eu ia falar para ele” — disse o presidente.

A MAIS CARA – A Covaxin foi a vacina mais cara comprada pelo governo brasileiro, com preço unitário de R$ 80,70. As negociações apresentam diversas movimentações atípicas quando comparadas às que Planalto teve com outras farmacêuticas.

A aquisição do imunizante foi a única a contar com uma empresa intermediadora, a Precisa Medicamentos, que participou de diversas comitivas à Índia para tratar da importação do produto junto da embaixada brasileira em Nova Déli.


CPI da Pandemia ouve deputado e servidor do Ministério da Saúde sobre a ...

Superpedido de impeachment será protocolado no dia 30

 Redação Notícias

Demonstrators gather with signs and flags during a protest against Bolsonaro's administration on June 19, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Brazilian president Jair Bolsonaro is facing a probe for pandemic mismanagement as the country counts 500,022 deaths of COVID. The controversial decision to host the Copa America 2021 amid the coronavirus crisis is questioned by a large part of the population. (Photo by Cris Faga/NurPhoto via Getty Images)
Manifestação contra Bolsonaro no dia 19 de junho, em São Paulo. Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
  • Partidos de esquerda e ex-aliados de Bolsonaro se uniram para tentar dar mais força ao pedido

  • Movimentos sociais planejam ato para o mesmo dia em Brasília

  • Texto deve apontar mais de 20 crimes do presidente

Partidos de esquerda e movimentos sociais se juntaram para elaborar um superpedido de impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido), que será protocolado na próxima quarta-feira (30). O pedido vai listar mais de 20 crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente.

A data foi definida em reunião de líderes das organizações nesta quinta-feira (24). O requerimento se propõe a unificar os mais de 100 pedidos já feitos anteriormente pela oposição e ex-aliados de Bolsonaro, como Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP).

Os debates são liderados pelos presidentes do PSOL, PT, PCdoB, PDT, PSB, Rede, UP, PV e Cidadania. Com a união de diversas siglas, eles esperam ter mais força para pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a pautar o pedido.

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No dia da entrega do pedido será feito um ato em Brasília, às 14h30, encabeçado pelas organizações sociais que participam da mobilização em prol do superpedido, entre elas a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Sem Terra (MST).

"Esse novo pedido é muito importante, primeiro porque vem com a força e mobilização permanente das ruas contra Bolsonaro, e também porque agora reúne todos pedidos anteriores, movimentos sociais e partidos e deverá reforçar ainda mais os próximos protestos", diz Iago Montalvão, presidente da UNE.

O superpedido

Os crimes apontados pelo superpedido de impeachment se referem a diferentes ações do presidente Bolsonaro durante seu mandato. Entre elas, a suposta interferência na Polícia Federal, denunciada pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Questões relacionadas à gestão da crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 também foram levantadas.

Ameaças ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) também devem entrar no pedido, além do apoio e participação em manifestações consideradas antidemocráticas ou anticonstitucionais e a defesa do Ato Institucional nº5 (AI-5), promulgado na ditadura militar.


Superpedido de impeachment contra Bolsonaro será protocolado na quarta (30) com ato em Brasília

***ARQUIVO***ANÁPOLIS, GO, 09.06.2021 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores ao sair de evento evangélico em Anápolis, em Goiânia. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***ANÁPOLIS, GO, 09.06.2021 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores ao sair de evento evangélico em Anápolis, em Goiânia. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Líderes de partidos, de movimentos sociais e deputados decidiram em reunião nesta quinta-feira (24) que apresentarão na quarta-feira (30) o chamado superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, que reúne mais de 100 pedidos feitos por siglas e grupos de oposição e parlamentares que se arrependeram de ter apoiado o presidente, como Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP).

Presidentes de PSOL, PT, PC do B, PDT, PSB, Rede, UP, PV e Cidadania têm liderado as discussões. A expectativa é a de que por se tratar de iniciativa supraideológica o pedido tenda a ganhar força e elevar a pressão para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), analise as acusações.

A entrega dos pedidos contará também com um ato na Câmara dos Deputados, em Brasília, programado para as 14h30, com a presença de entidades que fazem parte da mobilização pelo superpedido, como UNE (União Nacional dos Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), além de parlamentares.

"Vamos presencialmente. Ainda que o sistema seja remoto, todas as entidades e partidos queremos que o ato seja de unidade nacional. É preciso que a voz das ruas ecoe no parlamento. Não é possível que o presidente Arthur Lira (PP-AL) silencie frente a essa voz das ruas que se avoluma. A crise se amplia, as denúncias se agravam, e o Congresso não pode ficar surdo. Os fatos da semana falam por si sós", diz o deputado José Guimarães (PT-CE).

Para os envolvidos, o ato e a entrega do pedido vão dar início a um período decisivo de mobilização contra Bolsonaro. A campanha Fora, Bolsonaro, que encabeça os protestos nacionais contra o presidente, marcou para 24 de julho as próximas manifestações.

"Esse novo pedido é muito importante, primeiro porque vem com a força e mobilização permanente das ruas contra Bolsonaro, e também porque agora reúne todos pedidos anteriores, de movimentos sociais e partidos, e deverá reforçar ainda mais os próximos protestos", diz Iago Montalvão, presidente da UNE.

"Deixa mais pesada a artiharia contra o governo em um momento de desesperança e de letargia de maior parte da sociedade", diz o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).

"Robustece o único pedido de impeachment, ainda mais agora com denúncias da Covaxin. Cada dia surge uma coisa nova, algum filho do presidente sendo investigado ou alguma vacina que ele se recusou a comprar, algum email que ele ignorou e que mostra que a gente podia ter iniciado nossa imunização em dezembro. Com essas novidades aparecendo acho importante manter a chama do impeachment acesa para criar momento para acolhimento do pedido", completa o líder do MBL (Movimento Brasil Livre). Ele diz que não poderá participar presencialmente do ato na quarta-feira (30).

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, o superpedido deverá apontar mais de 20 tipos de crimes contra a lei de responsabilidade.​

Para Fernanda Melchionna (RS), deputada do PSOL, autora de um dos primeiros pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o superpedido mostra unidade de ação entre forças distintas e fortalece as mobilizações nas ruas —e também ganha força com elas.

"Nenhum governo cai de podre, é preciso derrotá-lo. O novo calendário de mobilizações é fundamental para que ande a luta política para derrotar o Bolsonaro", afirma.

Sobre as investigações a respeito de indícios de irregularidades no acordo de compra de doses da vacina indiana Covaxin pelo governo federal, Melchionna afirma que nada impede que um novo pedido relativo ao caso seja adendado posteriormente, mas que o grupo preferiu consolidar o superpedido com o material que já havia sido debatido e estava mais maduro para agilizar a mobilização.

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Superpedido de impeachment contra Bolsonaro será protocolado na quarta com ato em Brasília

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 22.06.2021 - Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante lançamento do Plano Safra 2021/2022 no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 22.06.2021 - Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante lançamento do Plano Safra 2021/2022 no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Partidos e movimentos sociais decidiram em reunião nesta quinta-feira (24) que apresentarão na quarta-feira (30) o chamado superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, que reúne mais de 100 pedidos feitos por movimentos sociais, partidos de oposição e parlamentares que se arrependeram de ter apoiado o presidente, como Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP).

Presidentes de PSOL, PT, PC do B, PDT, PSB, Rede, UP, PV e Cidadania têm liderado as discussões. A expectativa é a de que por se tratar de iniciativa supraideológica o pedido tenda a ganhar força e elevar a pressão para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), analise as acusações.

A entrega dos pedidos contará também com um ato na Câmara dos Deputados, em Brasília, programado para as 14h30, e que deverá contar com a presença de movimentos que fazem parte da mobilização pelo superpedido, como UNE (União Nacional dos Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), além de parlamentares.

"Vamos presencialmente. Ainda que o sistema seja remoto, todas as entidades e partidos queremos que o ato seja de unidade nacional. É preciso que a voz das ruas ecoe no parlamento. Não é possível que o presidente Arthur Lira (PP-AL) silencie frente a essa voz das ruas que se avoluma. A crise se amplia, as denúncias se agravam, e o Congresso não pode ficar surdo. Os fatos da semana falam por si sós", diz o deputado José Guimarães (PT-CE).

Para os envolvidos, o ato e a entrega do pedido vão dar início a um período decisivo de mobilização contra Bolsonaro. A campanha Fora, Bolsonaro, que encabeça os protestos nacionais contra o presidente, marcou para 24 de julho as próximas manifestações.

"Esse novo pedido é muito importante, primeiro porque vem com a força e mobilização permanente das ruas contra Bolsonaro, e também porque agora reúne todos pedidos anteriores, movimentos sociais e partidos e deverá reforçar ainda mais os próximos protestos", diz Iago Montalvão, presidente da UNE.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, o superpedido deverá apontar mais de 20 tipos de crime contra a lei de responsabilidade.​

Para Fernanda Melchionna (RS), deputada do PSOL, autora de um dos primeiros pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o superpedido mostra unidade de ação entre forças distintas e fortalece as mobilizações nas ruas —e também ganha força com elas.

"Nenhum governo cai de podre, é preciso derrotá-lo. O novo calendário de mobilizações é fundamental para que ande a luta política para derrotar o Bolsonaro", afirma.

Sobre as investigações a respeito de indícios de irregularidades no acordo de comprar de doses da vacina indiana Covaxin pelo governo federal, Melchionna afirma que nada impede que um novo pedido relativo ao caso seja adendado posteriormente, mas que o grupo preferiu consolidar o superpedido com o material que já havia sido debatido e estava mais maduro para agilizar a mobilização.

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TV Senado - Ao vivo - Discute Lei de Segurança Nacional

Suspeita sobre Covaxin trinca discurso anticorrupção de Bolsonaro, e governo avalia romper contrato

 

Foto: Reprodução

Jair Bolsonaro25 de junho de 2021 | 06:41

A suspeita de irregularidade na negociação para a compra da vacina Covaxin trincou o discurso anticorrupção que o presidente Jair Bolsonaro ostenta apesar de investigações que têm seus filhos e ministros como alvo.

Além de tentar desqualificar os denunciantes, o Palácio do Planalto discute agora o cancelamento do contrato assinado com a Precisa Medicamentos em fevereiro para obter 20 milhões de doses da vacina indiana produzida pela Bharat Biotech.

Nesta quinta-feira (24), em evento no interior do Rio Grande do Norte, Bolsonaro adotou a estratégia de negar corrupção por não ter havido qualquer pagamento à fabricante da vacina, mas não explicou o que fez em março deste ano, depois de ser alertado sobre supostas irregularidades no contrato de compra da Covaxin.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério da Saúde, que levantaram as suspeitas, serão ouvidos nesta sexta-feira (25) na CPI da Covid no Senado.

Como mostrou a coluna Painel, a Polícia Federal não encontrou registro de nenhum inquérito aberto sobre a compra da vacina, apesar das acusações repassadas pelos irmãos Miranda a Bolsonaro.

A existência de denúncias de irregularidades foi revelada pela Folha na sexta-feira passada (18), com a divulgação do depoimento sigiloso de Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, e irmão do deputado.

Ele disse ao Ministério Público Federal em Brasília que recebeu uma “pressão atípica” para agilizar a liberação da Covaxin, desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

No início, a apuração ocorria no curso de um inquérito civil público aberto pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Depois, o caso foi desmembrado, diante dos indícios de crimes na contratação.

O governo emitiu uma nota de empenho –uma autorização para os gastos– no valor de R$ 1,61 bilhão, que corresponde ao total contratado para o fornecimento de 20 milhões de doses da Covaxin (a US$ 15 cada dose). O valor seria suficiente para a compra, por exemplo, de 28 milhões de doses da Pfizer ou da Janssen (ambas a US$ 10 a dose).

A nota foi emitida em 22 de fevereiro. O contrato foi assinado no dia 25. Quatro meses depois, o dinheiro segue reservado, e o país não recebeu uma única dose do imunizante.

Diante da crise, porém, o contrato deve ser inicialmente suspenso e, em seguida, cancelado.

​Uma das possibilidades é rescindir o acordo em razão do atraso na entrega das unidades contratadas e também da falta de previsão da chegada do imunizante ao Brasil.

Outra hipótese é que não haja assinatura do termo de compromisso exigido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com condições para importação de parte das doses.

As alternativas são debatidas com a consultoria jurídica, departamento de integridade e área técnica do Ministério da Saúde.

Senadores governistas da CPI da Covid afirmaram que Bolsonaro pediu que o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello verificasse as denúncias envolvendo a compra da vacina indiana assim que teve contato com os indícios.

Os senadores Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (DEM-RO) participaram de uma reunião no Palácio do Planalto com Lorenzoni para tratar das denúncias apresentadas pelos irmãos Miranda.

“O presidente da República determinou, quando soube, entre diversos assuntos que esse deputado [Luís Miranda] foi tratar, o presidente falou com o ministro Pazuello para verificar. Como não tinha nada de errado, a coisa continuou”, afirmou Jorginho Mello.

O senador disse ainda que o governo está reunindo documentação para provar que as denúncias são falsas.

“Todos os procedimentos serão encaminhados conforme ele [Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência] anunciou ontem [quarta-feira]: perícia, documentos que não são verdadeiros apresentados por esse deputado, pelo irmão dele que é servidor público, que deveria zelar pelo serviço público, informações, enfim. Então todas as perícias e encaminhamentos o próprio governo já encaminhou para todas as esferas de poder”, afirmou.

Na quarta, em pronunciamento à imprensa, o ministro não falou sobre que medida Bolsonaro havia tomado após receber a denúncia. Questionado pela Folha, ignorou a pergunta.

A CPI desconfia de favorecimento para a Precisa Medicamentos, que intermediou o contrato de R$ 1,6 bilhão. A vacina Covaxin é a mais cara, com valor de R$ 80 por dose, além de que seu contrato foi fechado em apenas três meses, muito mais rápido que as negociações com a Pfizer e o Instituto Butantan.

O fato de o governo Bolsonaro ter reservado R$ 1,61 bilhão para uma vacina sem perspectiva de entrega, com quebras de cláusulas contratuais, já se configura um prejuízo à saúde pública, disse à Folha a procuradora da República Luciana Loureiro, responsável pelo inquérito civil público que investigou o contrato entre Ministério da Saúde e Precisa Medicamentos.

Desde o agravamento da crise, auxiliares de Bolsonaro se empenham em apurar o passado do deputado e do servidor para desqualificá-los.

Ao fazer a defesa do chefe na quarta-feira, Onyx anunciou que Bolsonaro mandou a Polícia Federal investigar os denunciantes.

O ministro afirmou que o governo pedirá também um processo disciplinar contra o servidor, além de apurações sobre denunciação caluniosa, fraude processual e prevaricação.

A Secom (Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República) divulgou uma sequência de tuítes elogiosos ao governo e com acusações aos denunciantes.

“Ao contrário do alardeado, não houve superfaturamento nem favorecimento”, diz uma das mensagens publicadas nas redes sociais.

“Toda a narrativa divulgada pelo deputado, acolhida e propagada exaustivamente pela imprensa tem como base um documento com ERROS, e que apresenta fortes indícios de ADULTERAÇÃO (será periciado)”, afirma outra mensagem da assessoria de comunicação da Presidência.

A sequência de tuítes continua afirmando que “por algum motivo escuso, aparentemente, um servidor ou adulterou documento ou identificou um erro que logo foi corrigido e, mesmo assim, utilizou o documento errado para criar uma narrativa mentirosa contra o presidente da República e o governo federal”.

Assessores de Bolsonaro também têm procurado minimizar o impacto da denúncia na imagem anticorrupção que Bolsonaro tenta manter, apesar de a crise da Covaxin ter dividido os holofotes com o pedido de demissão de Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente.

Salles é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por operação da Polícia Federal que mira suposto favorecimento a empresários do setor de madeiras por meio da modificação de regras com o objetivo de regularizar cargas apreendidas no exterior.

Filho 01 do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) é acusado de liderar um esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, levado a cabo por meio de 12 funcionários fantasmas entre 2007 e 2018.

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), o 02, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob a suspeita de ter empregado funcionários fantasmas em seu gabinete durante seu primeiro mandato (iniciado em 2001) na Câmara Municipal da capital fluminense.

Também foi interrogado pela Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos, do STF (Supremo Tribunal Federal), do qual são alvos assessores do Palácio do Planalto ligados ao vereador

O 03, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), é alvo de uma apuração preliminar da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre pagamentos em dinheiro vivo na aquisição de dois imóveis na zona sul do Rio de Janeiro entre 2011 e 2016.

Já o 04, o empresário Jair Renan, é investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência de Renan por meio de sua empresa Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, aberta em novembro.

Reportagem aponta pressão atípica (18.jun)
Em depoimento mantido em sigilo pelo MPF (Ministério Público Federal) e obtido pela Folha, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, afirmou ter sofrido pressão de forma atípica para tentar garantir a importação da vacina indiana Covaxin

‘É bem mais grave’ (22.jun)
Irmão do servidor do Ministério da Saúde, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse à Folha que o caso é “bem mais grave” do que a pressão para fechar o contrato

Menção a Bolsonaro (23.jun)
Luis Miranda afirmou ter alertado o presidente sobre os indícios de irregularidade. “No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele”

CPI aprova depoimentos (23.jun)
Os senadores da comissão aprovaram requerimento de convite para que o servidor Luís Ricardo Miranda preste depoimento. A oitiva será nesta sexta-feira (25) e o deputado Luis Miranda também será ouvido.
Os parlamentares também aprovaram requerimento de convocação (modelo no qual a presença é obrigatória) do tenente-coronel Alex Lial Marinho, que seria um dos autores da pressão em benefício da Covaxin. A CPI também decidiu pela quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Lial Marinho

Denúncia grave (23.jun)
Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que as denúncias de pressão e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro tenha tido conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida até aqui pela comissão

Bolsonaro manda PF investigar servidor e deputado (23.jun)
O presidente mandou a Polícia Federal investigar o deputado Luis Miranda e o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda. O ministro da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, e Elcio Franco, assessor especial da Casa Civil e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, foram escalados para fazer a defesa do presidente. Elcio é um dos 14 investigados pela CPI

Empresa diz que preço para Brasil segue tabela (23.jun)
A Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, afirmou que o preço de US$ 15 por dose da vacina oferecido ao governo segue tabela mundial e é o mesmo praticado com outros 13 países

Governistas dizem que Bolsonaro repassou suspeitas a Pazuello (24.jun)
Senadores governistas da CPI afirmaram que o presidente pediu que Pazuello verificasse as denúncias envolvendo a compra da Covaxin assim que teve contato com os indícios

‘Acusação é arma que sobra’ (24.jun)
Bolsonaro fustigou integrantes da CPI, repetiu que não há suspeitas de corrupção em seu governo e afirmou que a acusação sobre a vacina é a arma que sobra aos seus opositores. “Me acusam de quase tudo, até de comprar uma vacina que não chegou no Brasil. A acusação é a arma que sobra”, disse o presidente na cidade de Pau de Ferros, no Rio Grande do Norte

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Cercado, deputado bolsonarista Daniel Silveira tentou pular o muro da casa e fugir, diz PF

 

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Daniel Silveira25 de junho de 2021 | 09:53

O deputado Daniel Silveira tentou pular o muro de sua casa após agentes da corporação comparecerem ao local para dar cumprimento à ordem de prisão expedida contra o parlamentar pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, nesta quinta, 24. A informação consta de relatório de diligência da PF. O documento diz que o deputado foi flagrado por um dos agentes que cercavam sua casa, sendo que, ao se deparar com o policial, Silveira ‘retornou prontamente’.

A prisão de Silveira foi restabelecida por Alexandre em razão de o parlamentar não ter pagado a multa de R$ 100 mil estabelecida pelas sucessivas violações à tornozeleira eletrônica. Em sua decisão, Moraes disse que o deputado agiu com ‘total desrespeito à Justiça’.

Silveira está em regime domiciliar desde março, quando publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a destituição dos ministros do STF. Em menos de dois meses, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio registrou 36 violações à tornozeleira, incluindo descargas, rompimento da cinta e ausência na área delimitada. Em uma das ocasiões, o equipamento ficou desligado por quase dois dias.

O advogado Jean Cleber Garcia, que defende o deputado, criticou nesta quinta-feira, a nova ordem de prisão contra seu cliente, sustentando que os problemas na tornozeleira eletrônica são comuns e não significam que o deputado tenha saído da casa onde cumpre prisão domiciliar. O advogado disse aguardar o julgamento de um habeas corpus pelo plenário do STF, ainda sem data para ser analisado, mas já indicou que pretende recorrer a cortes internacionais de Direitos Humanos se a decisão da Corte não for favorável a Silveira.

Em abril, Daniel Silveira virou réu por grave ameaça, crime tipificado no Código Penal, e por incitar a animosidade entre o tribunal e as Forças Armadas, delito previsto na Lei de Segurança Nacional, após os ministros do STF aceitarem a denúncia oferecida pela PGR na esteira do vídeo gravado pelo parlamentar.

A Procuradoria ainda precisa decidir se oferece nova denúncia contra o deputado, desta vez por crime de desacato contra a policial civil que lhe pediu para colocar a máscara de proteção facial quando deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro para passar por exame de corpo de delito ao ser preso em flagrante. A Polícia Federal concluiu que ele desacatou a agente.

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