segunda-feira, dezembro 14, 2020

Colégio Eleitoral confirmou vitória de Biden. Fim da linha para Trump?

 

  • Mariana Sanches - @mariana_sanches
  • Da BBC News Brasil em Washington
Joe Biden e Donald Trump
Legenda da foto,

Entre vitória anunciada e agora formalmente confirmada de Biden, Trump tentou de várias maneiras reverter o resultado das urnas

O Colégio Eleitoral americano cimentou, nesta segunda-feira (14/11), o nome de Joe Biden como o 46º presidente da história dos Estados Unidos.

Meramente um rito protocolar nas eleições americanas do último século, em 2020 a reunião dos delegados eleitorais aconteceu enquanto o atual presidente, o republicano Donald Trump, seguiu repetindo acusações infundadas de fraude eleitoral, se recusando a conceder a derrota ao democrata e investindo em tentativas de reverter o resultado.

O processo ocorreu com tranquilidade nos 50 Estados e na capital. Não houve qualquer manifestação ou voto dissidente mesmo nos Estados de eleição apertada, como a Geórgia, onde a reunião foi comandada pela ex-candidata democrata ao governo Stacey Abrams.

Sem se manifestar sobre o resultado final, divulgado no fim da tarde, desta segunda-feira, Trump anunciou a despedida de William Barr, procurador geral nomeado por ele e que há alguns dias o contrariou ao afirmar não haver fraude eleitoral.

Nos 37 dias que separaram o anúncio da vitória de Biden (projetado pela imprensa no dia 7 de novembro) da data para a chancela do democrata no Colégio Eleitoral, Trump lançou mão de diferentes recursos para tentar impedir o desfecho.

Suas investidas foram derrubadas por diversas instituições americanas. Foi o que se viu nas certificações de votos pelas autoridades eleitorais dos 50 Estados (depois de uma série de recontagens) e nas dezenas de negativas dadas por tribunais em Estados como Geórgia, Michigan e Pensilvânia aos pedidos dos advogados de Trump para o descarte de votos em massa.

Também houve recusa de parlamentares desses mesmos Estados ao chamado do republicano para que ignorassem os resultados das urnas e indicassem ao Colégio Eleitoral delegados que garantissem a ele um novo mandato.

A confirmação de Biden no Colégio Eleitoral deve efetivamente impossibilitar qualquer tipo de virada de mesa e assegurar que o democrata passe a ocupar a Casa Branca em 20 de janeiro de 2021.

Isso significa que Trump abandonará a linha de ataque e concederá a eleição? Do lado de Biden, o presidente eleito terá um início de governo no qual será capaz de implementar o seu programa? A resposta para as duas perguntas é: não necessariamente.

Suas investidas foram derrubadas por diversas instituições americanas. Foi o que se viu nas certificações de votos pelas autoridades eleitorais dos 50 Estados (depois de uma série de recontagens) e nas dezenas de negativas dadas por tribunais em Estados como Geórgia, Michigan e Pensilvânia aos pedidos dos advogados de Trump para o descarte de votos em massa.

Também houve recusa de parlamentares desses mesmos Estados ao chamado do republicano para que ignorassem os resultados das urnas e indicassem ao Colégio Eleitoral delegados que garantissem a ele um novo mandato.

A confirmação de Biden no Colégio Eleitoral deve efetivamente impossibilitar qualquer tipo de virada de mesa e assegurar que o democrata passe a ocupar a Casa Branca em 20 de janeiro de 2021.

Isso significa que Trump abandonará a linha de ataque e concederá a eleição? Do lado de Biden, o presidente eleito terá um início de governo no qual será capaz de implementar o seu programa? A resposta para as duas perguntas é: não necessariamente.

Um muro no caminho judicial

À exceção de Wisconsin, que garantiu a Biden dez delegados no colégio eleitoral, todos os demais Estados americanos certificaram seus resultados antes de 8 de dezembro. A data é um marco importante.

"Sempre que um Estado finalizar sua lista de delegados no prazo de Safe Harbor (ou Porto Seguro), em 8 de dezembro, esses resultados são essencialmente protegidos por lei federal e não podem ser alterados", explica a analista política Regina Argenzio, da consultoria Eurasia Group.

Na prática, a regra do Safe Harbor deve tornar extremamente improvável que a Suprema Corte aceite se envolver no processo eleitoral e alterar o resultado da disputa, o que poderia ferir a autonomia dos Estados.

Trump pretendia contar com o Judiciário desde a campanha.

"Acho que isso vai acabar na Suprema Corte", chegou a dizer o presidente, cerca de um mês antes do pleito.

Ele indicou três juízes para o tribunal — uma delas, a conservadora Amy Coney Barrett, foi empossada nas semanas que antecederam a eleição. Diante das derrotas nos judiciários estaduais, Trump e os aliados passaram a contar cada vez mais com a intervenção dos nove juízes da corte.

"As derrotas nos Estados acontecem porque os juízes ali estão muito politizados. Mesmo os indicados pelos republicanos podem não gostar do presidente. A Suprema Corte é hoje o tribunal menos político do país", afirmou à BBC News Brasil Michael Johns, fundador do Tea Party e aliado de Trump.

A declaração, dada por Johns no começo da semana passada, no entanto, logo se mostrou infundada. Na sequência, a Suprema Corte rejeitou dois pedidos de Trump para alterar o resultado das urnas. O primeiro, formulado pelos republicanos da Pensilvânia, requeria que a máxima instância judiciária americana revogasse a certificação de votos no Estado, que deu a vitória a Biden e garantiu ao democrata 20 delegados.

Mas a principal aposta de Trump era no segundo pedido, uma ação movida pelo Procurador Geral do Texas, o republicano Ken Paxton, que acabou derrubada na corte na noite da última sexta-feira.

A autoridade texana pedia que os juízes desconsiderassem o resultado de quatro Estados nos quais Trump perdeu: Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. E embora a peça fosse considerada frágil na apresentação de evidências de fraude eleitoral, 17 procuradores-gerais republicanos de outros Estados e mais de 120 congressistas do partido subscreveram a peça, como prova de lealdade a Trump e forma de pressão política.

Donald Trump
Legenda da foto,

Analistas avaliam que recusa de Trump em reconhecer derrota eleitoral pode ser estratégia para permanecer vivo politicamente

A Suprema Corte não se impressionou e, à exceção de dois membros, votou pela derrubada da ação, indicando que o veredicto do Colégio Eleitoral deverá ser mantido.

"Acho que efetivamente assim que o Colégio Eleitoral votar, os votos estarão contados oficialmente e pronto. A Suprema Corte disse essencialmente que a eleição já acabou. Trump provavelmente ainda fará algum tipo de gesto simbólico tentando desafiar este resultado", afirma o cientista político da Universidade de Boston Thomas Whalen.

A última manobra política no horizonte

O gesto simbólico a que Whalen se refere deve acontecer no Congresso.

O processo eleitoral americano prevê que cabe aos congressistas, no dia 6 de janeiro, contar oficialmente os votos dados no Colégio Eleitoral e ratificá-los. É nesse momento que Trump poderá tentar a sua última manobra para invalidar a vitória de Biden.

A Constituição americana permite que um deputado e um senador levantem um desafio ao resultado e forcem uma votação tanto na Câmara quanto no Senado para subverter (ou confirmar) a eleição. O deputado republicano do Alabama Mo Brooks, aliado a Trump, já anunciou que lançará o desafio.

Não será difícil para ele encontrar um senador que se alie à empreitada. De acordo com um levantamento do jornal The Washington Post, dos 249 parlamentares republicanos no Congresso, apenas 27 reconhecem publicamente a vitória de Biden.

A jogada, no entanto, é natimorta. Isso porque, para prosperar, a iniciativa precisaria do apoio da maioria dos congressistas nas duas casas. Os democratas dominam hoje a Câmara e jamais apoiariam a medida para derrubar seu próprio presidente.

A sucessão de derrotas judiciais não deve, no entanto, parar os aliados de Trump, ao menos por enquanto.

"Não há prazos limites (de apelação), nem mesmo dia 20 janeiro (data da posse), quando se trata de fraude eleitoral. Esses prazos artificiais são apresentados como se de alguma forma o problema de fraude fosse sumir quando ultrapassássemos esses limites. E eu não vejo qualquer indicação disso. Há mais evidências disponíveis hoje da magnitude da fraude do que havia um dia após o dia da eleição em 4 de novembro", afirma Michael Johns, um dos fundadores do Tea Party.

Mas até agora juízes de 6 Estados rejeitaram as supostas evidências a que os trumpistas se referem, e a Suprema Corte rejeitou pedidos para interferir nos processos eleitorais estaduais.

Concessão e presença na posse

Manifestantes seguram cartazes pró-Trump
Legenda da foto,

Manifestantes pró-Trump pedem recontagem de votos

Para Thomas Whalen, a maior preocupação dos republicanos já não é tentar manter Trump na Casa Branca em 2021, mas estabelecer uma narrativa que fortaleça a posição do partido durante os anos de oposição ao governo Biden e na disputa presidencial em 2024.

"O que Trump está tentando fazer é construir esse discurso político de que a eleição foi roubada, que houve uma facada nas costas da democracia americana. E isso significa que daqui quatro anos, ou ele mesmo ou um sucessor que aponte possa dizer aos eleitores republicanos que chegou o momento da restauração, algo como 'vamos retomar o que eles roubaram de nós da última vez'", explica Whalen.

Nesse processo, não é esperado que Trump conceda a derrota e é provável que ele sequer participe da cerimônia de posse de Biden. Como explica o aliado Johns, "por que Trump participaria de um evento ao qual não quer dar credibilidade?"

A ausência na posse seria apenas mais uma peça no tabuleiro de ações recentes do republicano. A administração Trump, por exemplo, adiou por mais de duas semanas o início oficial do processo de transição governamental, que costuma acontecer tão logo o nome do vencedor do pleito seja público.

"Seria sem precedentes, na era moderna, que um presidente em exercício não comparecesse à posse de seu sucessor. Apenas três presidentes fizeram isso na história, sendo o mais recente deles Andrew Johnson, em 1869. Mas, dada a natureza sem precedentes com que Trump moldou toda a sua carreira política, não seria nem um pouco surpreendente se ele ficasse de fora da posse", afirma Argenzio.

A Casa Branca tem silenciado sobre os planos de Trump para 20 de janeiro e não confirma os relatos de que ele planejaria, inclusive, anunciar sua candidatura para a eleição de 2024 nesse mesmo dia, em um evento paralelo.

Os próximos passos políticos de Trump

Ainda que opte por uma saída mais discreta em janeiro, não há dúvidas de que Trump não abandonará a carreira política.

"Se eu tivesse perdido uma eleição como ele perdeu, eu também estaria ansioso para concorrer de novo", explica Johns.

E a largada em sua carreira política sem mandato será confortável. Isso porque, desde o dia da eleição, Trump conseguiu arrecadar mais de US$ 200 milhões. O dinheiro foi obtido junto a eleitores republicanos dispostos a financiar os esforços judiciais da equipe de Trump.

No ato da doação, no entanto, eles assinavam um termo em que autorizavam o uso dos valores para outros fins que não as disputas jurídicas. Estima-se que 75% do montante arrecadado já tenha sido direcionado ao novo Comitê de Ações Políticas de Trump, batizado de Save America (Salve a América, em português).

Entre outras atividades, o dinheiro poderia bancar uma possível turnê de comícios pelo país nos quais Trump repetiria suas acusações infundadas de fraude eleitoral, em uma espécie de campanha fora de época, enquanto Biden estivesse no comando em Washington.

"Nunca tivemos isso nos EUA, mas o que Trump tentará fazer é comandar um governo de exílio. Basicamente ele vai desafiar a legitimidade do governo eleito, e estabelecer uma situação em que o país vá se dividir ainda mais profundamente. É algo com potencial de detonar violência a qualquer momento", diz Whalen.

As tensões das últimas semanas já têm desaguado em situações de ameaça e violência. No último sábado, uma manifestação de milhares de americanos pró-Trump na capital americana, que contaram com a presença de grupos nacionalistas brancos como os Proud Boys, degringolou para brigas de rua com grupos oposicionistas. A polícia contou ao menos quatro pessoas esfaqueadas.

As autoridades eleitorais também têm enfrentado coerção. Há dez dias, por exemplo, manifestantes armados pró-Trump se reuniram em frente à casa da secretária de Estado de Michigan, Jocelyn Benson, e exigiram que ela anulasse os resultados da eleição presidencial de 2020 em seu Estado. Dentro de casa, Benson tentava lidar com a situação sem apavorar o filho dela, de 4 anos, com quem preparava decorações de Natal.

Para um terço dos americanos, Biden assume como ilegítimo

Como se o cenário de pandemia e crise econômica não fosse suficientemente desafiador para um governo estreante, Biden chega à Casa Branca como um presidente ilegítimo para uma parte significativa da população americana e uma parcela da opinião internacional. Uma pesquisa do Instituto YouGov e da rede CBSNews divulgada no último dia 13 mostrou que, enquanto 62% dos americanos afirmam que Biden é o legítimo vencedor do pleito, para 38% ele é um presidente ilegítimo.

"A extensão e o impacto da diminuição da confiança pública no resultado das eleições são, no mínimo, incertos", afirma Argenzio.

Diante dessa situação, o democrata pode não contar com a mesma condição de impulsionar sua agenda que costuma beneficiar os governantes recém-ungidos nas urnas.

O sucesso do governo Biden dependerá em boa medida de um novo resultado eleitoral: o Estado da Geórgia, no qual o democrata venceu Trump por apenas 14 mil votos de diferença, definirá apenas em janeiro os ocupantes de duas cadeiras no Senado.

Se ganharem as duas, os democratas terão maioria na Casa e garantirão poder suficiente para cumprir suas promessas eleitorais. Se perderem as duas, cenário mais provável segundo os analistas, a administração pode virar uma espécie de faca sem fio de corte.

"Caso os democratas percam, grande parte da ambiciosa agenda de Biden, inclusive sobre mudança climática, ficará bloqueada por um Congresso dividido. Ele terá que governar por ordem executiva, como fez Obama ao longo de seis anos. Outros itens importantes da agenda, como aumentos de impostos sobre empresas e ganhos de capital, aumento dos gastos federais com saúde e educação, etc., também são improváveis de serem realizados com um Senado Republicano", afirma Argenzio.

O histórico de atuação de Biden por quatro décadas no Senado e a antiga relação de parceria dele com o líder republicano na casa, o senador Mitch McConnell, são aspectos que poderiam aumentar as chances das propostas do governo de obter apoio bipartidário. Mas o discurso não conciliatório de Trump e o fato de que, entre seus eleitores, 82% veem Biden como ilegítimo tendem a forçar um posicionamento menos negociador dos republicanos.

Biden terá ainda a difícil missão de conseguir consenso dentro de seu próprio partido.

Insatisfeitos com algumas de suas escolhas para o gabinete presidencial, como o selecionado para liderar o Departamento de Defesa e o escolhido para a Agricultura, líderes democratas mais à esquerda já prometeram votar contra os interesses do novo presidente no Congresso em alguns temas. Se os republicanos parecem muito coesos em opor Biden, os democratas parecem bem mais dispersos em seu apoio.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55297749

Cármen Lúcia dá 24 horas para Heleno e Ramagem explicarem relatórios da Abin

 

Cármen Lúcia dá 24 horas para Heleno e Ramagem explicarem relatórios da Abin
Foto: Reprodução / Agência Brasil

A ministra Cármen Lúcia deu 24 horas para Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, e Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência, explicarem como foi a atuação do ministério e da agência na produção dos dois relatórios para orientar a defesa de Flávio Bolsonaro na anulação do caso Queiroz.

 

Segundo a Época, a decisão foi tomada no âmbito da ação direta de inconstitucionalidade apresentada pela Rede e PSB, em que foi definido qual é o escopo de atuação das atividades de inteligência, julgada pelo plenário do STF no dia 13 de agosto.

 

No sábado (12), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-Amapá), apresentou novo pedido, para que a atuação da Abin neste caso seja limitada.

 

A Abin sustenta que não produziu nenhum relatório. A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou à coluna que o senador recebeu os documentos da agência.

Bahia Notícias

Afinal, o público acredita que existe imparcialidade no jornalismo ou desconfia de algo mais?


Charges: Por uma imprensa livre!

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Madeleine Lacsko
Gazeta do Povo

O Reuters Institute acaba de divulgar o primeiro relatório de um projeto conjunto com a Universidade de Oxford, o “Trust in News Project”, que vai durar 3 anos e analisa Reino Unido, Estados Unidos, Índia e Brasil. Um dos assuntos pesquisados é saber se o público acredita que existe imparcialidade no jornalismo ou desconfia de algo mais?

Tendência política e endossar sistematicamente o discurso de determinadas elites são fatores apontados como fundamentais para erodir a confiança do público nos jornalistas. Nos países em que a grande maioria dos jornalistas é de uma determinada tendência política, como acontece no Brasil com a esquerda, existe uma desconfiança do público nas motivações da imprensa como um todo.

PAUTAS DA ELITE – Outro ponto é a defesa sistemática de pautas que interessam apenas a uma porção muito específica da população, normalmente aquela elite intelectual com a qual os jornalistas dos grandes centros convivem.

O discurso que afeta superioridade e simplesmente ignora questões reais, porque não incomodam aquela elite, acabou por fazer com que uma parte do público se sinta órfã.

A confiança tem profundas raízes nos sentimentos. A desconfiança acaba se transferindo para todos os que, de alguma forma, façam parte do universo que a gerou, seja o da polarização política ou o dos interesses de determinadas elites.

NÃO ACREDITAM – Rebecca Walters, produtora executiva da KJRH em Tulsa (USA), relatou ter dificuldades em convencer o próprio pai de que a redação que ela chefia não tem interesses políticos ocultos. É complicado quando uma narrativa passa a ser mais forte que os laços familiares mais profundos.

“Ser transparente sobre o que se acredita é uma premissa para gerar uma forte relação de confiança”, frase de Guilherme Cunha Pereira, Diretor Executivo do GRPCOM, que é citada no primeiro relatório do Trust in News Project. Ele acrescenta:

“O fato de que a grande maioria dos meios de comunicação tem uma visão mais progressista, enquanto parte da sociedade não se alinha com isso – é supersaturada, e leva à desconfiança”. O relacionamento do público, hoje, é primeiro com os comunicadores. Organizações podem ter sistemas editoriais que cheguem perto da imparcialidade, pessoas não.

CONSTANTE MUDANÇA – “Reconhecemos que, como pesquisadores, estamos viajando não apenas por um caminho desgastado, mas também por um caminho que atravessa terrenos em constante mudança. As questões que delineamos sobre (a) o papel das plataformas, (b) estratégias de engajamento do público, (c) iniciativas de transparência e (d) preconceitos sobre as notícias, todos servirão amplamente como um roteiro, e colocaremos os usuários de notícias – pessoas cuja confiança os jornalistas procuram ganhar – no centro do nosso trabalho. Este roteiro guiará nosso caminho adiante, permitindo-nos ser guiados pelas descobertas que esperamos encontrar.”, é o encerramento do relatório.

 Estamos ainda tateando no escuro no caminho das mudanças. Confiança não se estabelece do dia para a noite, mas se perde em um piscar de olhos. Ainda continuam sendo as principais referências do público as marcas mais tradicionais, em todos os 4 países estudados, mesmo quando há descontentamento com alguma delas. Ainda estamos na fase em que o público órfão por ver tendência política ou elitismo no comportamento da imprensa empenha confiança em quem repete as práticas, mas se voltando contra quem as inaugurou. É uma fase. A única conclusão do primeiro relatório do Reuters Institute e da Universidade de Oxford é que não basta cada veículo de imprensa tentar fazer o seu, estamos em um novo mundo e precisamos repensar juntos, com a participação do público.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. A autora, Madeleine Lackso, foi Consultora Internacional do Unicef Angola, diretora de comunicação da Change.org e assessora no Supremo Tribunal Federal)

Fachin atende ao PSB e suspende isenção de impostos para importação de armas


Charge do Clayton (Arquivo do Google)

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspendeu, nesta segunda-feira, dia 14, a alíquota zero para a importação de revólveres e pistolas. A isenção tinha sido definida na última semana pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Economia, mas só passaria a valer no próximo dia 1º de janeiro.

Com a decisão de Fachin, fica mantido o imposto de importação atual, que é de 20% sobre o valor da arma. Fachin também determinou que a decisão individual seja submetida à análise do plenário do Supremo, em data a ser definida.

AÇÃO – A suspensão atende a um pedido do PSB, que contestou o ato do governo em ação apresentada na semana passada. Após a decisão, o advogado Rafael Carneiro, que assinou a ação do partido, afirmou que o decreto colocava em risco a segurança da sociedade.

“O Supremo, mais uma vez, age com celeridade para preservar os valores da nossa Constituição Federal. Essa resolução colocava em risco a segurança da coletividade, ao facilitar a inserção de armas no mercado. Além disso, não havia nenhum interesse social em zerar a alíquota de importação de armas em um país que paga altos impostos sobre outros itens essenciais”, disse.

Na decisão, Fachin diz que “o risco de um aumento dramático da circulação de armas de fogo, motivado pela indução causada por fatores de ordem econômica, parece-me suficiente para que a projeção do decurso da ação justifique o deferimento da medida liminar [decisão provisória]”.

VIOLAÇÃO – O ministro afirmou que a redução a zero da alíquota do imposto de importação sobre pistolas e revólveres, por contradizer o direito à vida e o direito à segurança, viola o ordenamento constitucional brasileiro.

O relator também disse considerar a finalidade da isenção é pouco evidente, sendo que “há razões para entender que seus objetivos podem não se coadunar com os mecanismos de legitimação constitucional e a diligência devida”.

Fachin ressaltou que a segurança dos cidadãos deve primeiramente ser garantida pelo Estado, e não pelos indivíduos. “É possível concluir que não há, por si só, um direito irrestrito ao acesso às armas, ainda que sob o manto de um direito à legítima defesa. O direito de comprar uma arma, caso eventualmente o Estado opte por concedê-lo, somente alcança hipóteses excepcionais, naturalmente limitadas pelas obrigações que o Estado tem de proteger a vida”, disse.

EFEITOS – O ministro ponderou ainda sobre os efeitos da medida no mercado nacional. “É inegável que, ao permitir a redução do custo de importação de pistolas e revólveres, o incentivo fiscal contribui para a composição dos preços das armas importadas e, por conseguinte, perda automática de competitividade da indústria nacional; o que afronta o mercado interno, considerado patrimônio nacional”.

A isenção da alíquota não se aplica a alguns tipos de armas, como as que são carregadas exclusivamente pela boca, pistolas lança-foguetes, revólveres para tiros de festim e armas de ar comprimido ou de gás. Esta medida se junta a outras tomadas no sentido da flexibilização nas regras de armamento, que vêm sendo adotadas desde o início do governo Bolsonaro – o presidente é declaradamente favorável ao armamento da população.

PORTARIAS – Antes da isenção tributária, a medida mais recente tinha sido a revogação pelo Exército, em abril, de portarias de rastreamento das armas. A medida foi mal avaliada por especialistas, que apontaram risco de facilitar o desvio do armamento para as mãos de criminosos. Dados do Exército mostram que só neste ano já foram registradas 155 mil novas armas, 60% a mais do que os registros de todo o ano passado.

Ao STF, o PSB afirmou que a resolução com a medida representa um verdadeiro retrocesso na proteção de direitos fundamentais, principalmente sobre proteção à vida e à segurança dos cidadãos. Para o partido, há ainda violação expressa da Constituição, desrespeitando o direito à segurança pública, o direito fundamental à vida e à dignidade da pessoa humana.

Conselho de Ética do Senado pedirá novo parecer que atrasará ainda mais o desfecho do caso de Flávio Bolsonaro


Primeiro parecer demorou quase seis meses para ficar pronto

Adriana Mendes
O Globo

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (DEM-MT), disse nesta segunda-feira, dia 14,  que vai  pedir um novo parecer da Advocacia do Senado no processo que pede a cassação de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)  por quebra de decoro parlamentar. Com isso, o caso tende a demorar ainda mais para ter um desfecho. O primeiro parecer solicitado ao órgão demorou quase seis meses para ficar pronto.

O colegiado recebeu na sexta-feira um aditamento à representação contra  Flávio Bolsonaro com informações sobre os relatórios feitos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em favor do senador. Segundo a revista Época, dois documentos produzidos pela agência ajudaram a defesa de Flávio  no processo das “rachadinhas” ocorridas durante seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro.

ILEGALIDADES – “É preciso reforçar que os novos fatos confirmam que o senador vem utilizando de ilegalidades, durante o exercício do seu mandato parlamentar, com o objetivo de utilizar os órgãos de Estado brasileiros em seu próprio favor, desrespeitando a Constituição e o ordenamento jurídico pátrio”, diz o texto do aditamento à representação apresentada em fevereiro pelo PSOL, PT e Rede.

Os partidos sustentam no processo contra Flávio no Conselho de Ética, entre outros fatores, a  suposta ligação dele com milicianos e a investigação do Ministério Público do Rio sobre o esquema de “rachadinha”. O parecer da Advocacia do Senado, apresentado em agosto, foi pelo arquivamento do pedido. O parecer é apenas consultivo, o presidente do colegiado pode dar sequência à tramitação ou arquivar o pedido.

REUNIÕES SUSPENSAS – Campos tem reforçado que a decisão deve ser do colegiado, mas as reuniões estão suspensas em razão da pandemia de Covid-19. Segundo ele , o caso deve ser tratado apenas em reunião presencial, o que não ocorre desde setembro de 2019.

“Depende da Mesa Diretora, não depende de mim para marcar uma reunião do Conselho de Ética. Tem uma resolução que suspende as reuniões do colegiado”,  justificou  Campos.

Não está havendo aula presencial, este ônibus escolar, está fazendo o que no Povoado Cítrica?


O Cidadão usando dos seus direitos e dentro da razão, pergunta o que esse ônibus escolar está fazendo no Povoado Cirica?
No mínimo companheiro, está queimando combustível as custas do suor do trabalhador.
Você está com todo direito de reclamar e cobrar que pelo menos  tenham responsabilidade com a cosa pública.
Infelizmente em Jeremoabo tudo pode, principalmente tudo de errado.
Com a palavra os vereadores para mais uma vez denunciar os desmandos com os amarelinhos, que cobrem uma ação da Federal.
Vamos fazer nossa parte cobrando e denunciando até um dia a lei ser aplicada também em Jeremoabo.

Cantora Amanda Santiago é suspeita de operar esquema milionário para mãe desembargadora


por Cláudia Cardozo / Mauricio Leiro

Cantora Amanda Santiago é suspeita de operar esquema milionário para mãe desembargadora
Foto: Bahia Notícias

Além de membros do judiciário, as 6ª e 7ª fases da Operação Faroeste miraram familiares de investigados, entre eles a ex-cantora da Timbalada, Amanda Santiago. Filha da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do TJ-BA, ela foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14). 

 

A artista foi uma das citadas na delação premiada de Júlio César Cavalcanti Ferreira, um dos advogados acusados de negociar compras de sentenças. Ao Ministério Público Federal, ele denunciou a existência de cinco grupos de atuação no esquema: "Orcrim da desembargadora Lígia Cunha", "Orcrim da desembargadora Ilona Reis", "Grupo criminoso do desembargador Ivanilton da Silva", "Orcrim do desembargador Gesivaldo Britto" e o "Orcrim da desembargadora Maria do Socorro". 

 

De acordo com as investigações, Amanda apresentou movimentação financeira de mais de R$ 8 milhões (R$ 8.091.663,00 no total) no período analisado pelas autoridades, apesar de declarar apenas R$ 1 mil em renda neste mesmo tempo. A análise da movimentação bancária da artista apontou transferências "vultuosas" para sua mãe, que variavam de R$ 25 mil chegando até a R$ 80 mil, para tentar "legitimar o fluxo criminoso entre elas".

 

Com os valores, a desembargadora teria feito o pagamento de um imóvel na Praia do Forte à francesa Marie Agnês, que acusa a ex-presidente de ter se apropriado ilegalmente da casa - uma das parcelas quitadas foi de R$ 275 mil. Com sete suítes, a casa é localizada no Condomínio Aldeia dos Pescadores, sendo avaliada entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. A suspeita é de que o imóvel tenha sido vendido pela marido da francesa à desembargadora por valores menores e sem sua autorização.

 

Além disso, Amanda teria realizado operações financeira juntamente com Adailton Maturino e sua esposa, Geciane Maturino, em valores que podem chegar a R$ 1 milhão, fazendo até  "saque em espécie de R$ 500 mil, no intuito de dificultar a vinculação criminosa entre os investigados". Maturino é réu no âmbito da Faroeste, acusado de ser líder do esquema de venda de sentenças em processos sobre posse de terras no oeste baiano. Maria do Socorro, mãe de Amanda, também é ré e está presa por envolvimento na organização criminosa. 

Bahia Notícias

STJ exige da SSP-BA e do MP-BA cópias de documentos sobre litígios imobiliários no oeste

por Cláudia Cardozo / Fernando Duarte

STJ exige da SSP-BA e do MP-BA cópias de documentos sobre litígios imobiliários no oeste
Atuação COI/SSP-BA é citada na investigação | Foto: Jorge Cordeiro

Objetos do suposto esquema de venda de sentenças, os litígios imobiliários no oeste baiano ensejaram outras decisões do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nas 6ª e 7ª fases da Operação Faroeste, deflagrada nesta segunda-feira (14) (lembre aqui). Entre as decisões, o ministro determinou que a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) forneçam todos os documentos referentes a litígios no período entre janeiro de 2016 e março de 2020 – determinando um espaço temporal específico onde os suspeitos teriam atuado para cometer ilegalidades.

 

A requisição a SSP-BA é referente a atos administrativos, incluindo designações, exonerações, remoções de delegados e investigadores e ofícios, “envolvendo policiais que atuaram nas investigações sobre os litígios imobiliários no oeste baiano, vinculados ao Departamento de Polícia do Interior (Depin) ou Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco)”. Além disso, a pasta deve fornecer ainda todas as diligências policiais, inclusive relatórios de inteligência, envolvendo litígios imobiliários que contaram com atuação do Centro de Operações de Inteligência (COI/SSP-BA) - órgão responsável, entre outras coisas, por interceptações telefônicas.

 

No caso do MP-BA, o ministro do STJ determinou a remessa aos autos, em meio digital, de todas as manifestações ministeriais (arquivamentos e denúncias) envolvendo membros da magistratura baiana, sejam eles juízes ou desembargadores, membros do próprio parquet e também o próprio secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa.

Bahia Notícias

Faroeste: STJ afasta desembargador Ivanilton Silva e juiz João Alcântara dos cargos


por Cláudia Cardozo / Matheus Caldas / Bruno Luiz

Faroeste: STJ afasta desembargador Ivanilton Silva e juiz João Alcântara dos cargos
Fotos: Divulgação / TJ-BA

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STF), determinou o afastamento do desembargador Ivanilton Santos da Silva e do juiz João Batista Alcântara Filho. As informações constam em decisão cautelar obtida pelo Bahia Notícias, após deflagração de mais uma fase da Operação Faroeste, que afastou outras cinco pessoas dos seus respectivos cargos públicos nesta segunda-feira (14) (leia mais aqui) – incluindo o secretário de Segurança Pública (SSP), Mauricio Barbosa (leia mais aqui). O documento foi assinado na última segunda (7).

 

Os elementos probatórios que embasaram a decisão de Fernandes, relator da Faroeste na Corte, vieram após delação premiada do advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira, que estava vinculado à chamada organização criminosa do falso cônsul da Guiné Bissau, Adailton Maturino, junto aos desembargadores e magistrados investigados na primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2019. 

 

Segundo a sentença, o Ministério Público Federal (MPF) identificou núcleos criminosos relacionados a Ivanilton, que teria como operador seu filho, Ivanilton Santos da Silva Júnior, e ao ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Gesivaldo Britto, que teria João Batista Alcântara como vinculado, além do servidor José Alves Pinheiro. 

 

As investigações conseguiram constatar que o desembargador recebeu propina para dar decisão favorável a Erardo Marchetti num recurso que estava sendo julgado pela Corte. Ainda de acordo com o documento, neste caso, as provas incriminam Ivanilton Júnior.

 

O delator aponta que o voto foi negociado diretamente pelo filho de Ivanilton da Silva e que, como forma de um adiantamento pelo voto, teria sido paga uma quantia de R$ 82,5 mil. O recurso, interposto por Marchetti, era contra uma decisão interlocutória que determinou que ele pagasse R$ 500 mil de multa por não retirar gado das fazendas Porto Seguro e Porto Feliz.

 

Segundo a decisão, Júlio Cesar apresentou provas para corroborar a acusação. Ivanilton Júnior ainda teria sido flagrado pela Unidade de Inteligência Financeira (UIF) com depósitos em espécie e fracionados no valor de R$ 99.250, nos dias 4 de janeiro de 2018 e 3 de julho do mesmo ano.

 

Já a atuação de João Batista Alcântara teria sido esmiuçada em dez decisões – em uma delas, o servidor José Alves Pinheiro foi beneficiado. Conforme a delação, em cinco sentenças o juiz teria beneficiado o investigado Walter Horita, em processos que giram na casa de R$ 90 milhões.

 

“As sentenças foram elaboradas pelo colaborador Júlio Cesar e assinadas pelo magistrado João Batista Alcântara mediante o pagamento do montante de R$ 2.800.00,00 (dois milhões e oitocentos mil reais), numa engenharia financeira organizada pelo advogado Rui Barata, envolvendo o então presidente Gesivaldo Britto, através do seu assessor Antônio Roque, para manter a designação do juiz João Batista, a fim de que ele efetivasse o julgamento dos processos, acomodando, ainda, os interesses de José Pinheiro”, diz trecho da sentença de Og Fernandes.

 

A propina de R$ 800 mil, neste caso, foi dividia da seguinte forma: R$ 300 mil a José Pinheiro, R$ 300 mil a João Batista Alcântara e R$ 200 mil para Júlio Cesar. Outros R$ 2 milhões foram divididos entre Gesivaldo e Antônio Roque.

 

Nas cinco sentenças restantes, João Batista Alcântara recebeu R$ 200 mil em propina.

 

Ainda segundo a UIF, Alcântara teria tido uma movimentação suspeita de R$ 1.610,441 no período de 17 de junho de 2013 a 8 de agosto de 2016.

 

Além de Ivanilton. Alcântara e Mauricio Barbosa,foram afastados das funções Maurício, Gabriela Macedo, chefe de gabinete da SSP;  Ediene Lousado, indicada para ser conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público; além das desembargadoras Ilona Márcia e Lígia Maria, presas nesta segunda pela Polícia Federal (leia mais aqui). 

Bahia Notícas

Faroeste: STJ nega prisão para advogados apontados como operadores do esquema


por Cláudia Cardozo / Lula Bonfim

Faroeste: STJ nega prisão para advogados apontados como operadores do esquema
Rui Carlos Barata Lima Filho e Marcelo Junqueira Ayres Filho (Foto: Montagem BN)

O ministro Og Fernandes, relator da Operação Faroeste no Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de prisão para os advogados Marcelo Junqueira Ayres Filho, Rui Carlos Barata Lima Filho e Diego Freitas Ribeiro, apontados pelo Ministério Público Federal (MPF) como operadores de células criminosas.

 

Segundo denúncia do MPF, Rui Barata Filho integrava o núcleo criminoso de sua mãe, a desembargadora Lígia Maria Ramos Cunha Lima. Junto a ele, estavam também seu irmão Arthur Gabriel Ramos Barata Lima e o advogado Diego Ribeiro. Junqueira Ayres Filho, por outro lado, participava ao lado de Fabrício Boer da Veiga do grupo liderado pela desembargadora Ilona Marcia Reis.

 

Rui Barata Filho teria recebido propina no valor de R$ 200 mil, segundo a denúncia da procuradoria. Junqueira Ayres Filho também teria recebido pagamentos indevidos, na importância de R$ 500 mil, para serem destinados à desembargadora Ilona Reis.

 

Com base nessas informações, o MPF pediu a prisão temporária dos três advogados, mas teve seus pedidos negados pelo ministro Og Fernandes. O relator entendeu, em sua decisão, que os fatos relatados pela procuradoria são antigos e que há necessidade de aprofundar as investigações acerca da participação dos três no esquema criminoso.

 

“Apesar de existirem vários fatos supostamente criminosos associados a eles, entendo que, em sua maioria, são despidos de contemporaneidade e representam narrativas que, nesse momento processual, ainda possuem lacunas a serem preenchidas, o que justifica a necessidade de aprofundamento da apuração criminal, sem prejuízo de posterior análise de medida cautelar mais restritiva”, afirma o ministro.

 

Og Fernandes, por outro lado, determinou busca e apreensão nos endereços residenciais e profissionais dos três advogados, que já foram juízes eleitorais.

 

Rui Barata tentou ser reconduzido ao cargo na Justiça Eleitoral, mas o STJ apontou nepotismo, o que impediu a investida. Já Junqueira Ayres é genro do secretário estadual do Planejamento, Walter Pinheiro, e integrou em 2019 a lista tríplice para uma vaga de desembargador no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Bahia Notícias

Embate da vacina: STF decide que governo Bolsonaro não pode confiscar bens de Estados

Publicado em 14 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Despacho proferido por Celso de Mello pode ser usado como precedente

Rayssa Motta e Rafael Moraes Moura
Estadão

Antes de sua aposentadoria em outubro, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu uma decisão que pode ser usada como precedente caso o embate sobre o confisco, pelo governo federal, das vacinas contra a covid-19 obtidas pelos Estados seja intensificado. A ‘requisição’ de imunizantes foi citada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), após um encontro com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

A controvérsia foi enfrentada pelo Supremo em abril deste ano, quando o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), acionou a Corte pedindo o desbloqueio de ventiladores pulmonares comprados pelo Estado. A ação foi apresentada depois que a União, em meio à corrida pelos equipamentos na fase inicial da pandemia, requisitou em caráter compulsório o recolhimento dos aparelhos e de toda a produção da empresa fornecedora.

OPERAÇÃO CINEMATOGRÁFICA – A disputa judicial pelos respiradores levou o governo estadual a montar uma operação cinematográfica para obter 107 aparelhos chineses através de um desvio de rota na Etiópia e de um drible à Receita Federal.

Em uma decisão fundamentada na obra de diversos autores, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, Celso de Mello atendeu o pedido do governo maranhense e se manifestou pela impossibilidade de a União Federal requisitar bens pertencentes aos Estados-membros. “A requisição de bens e/ou serviços, nos termos em que prevista pela Constituição da República, somente pode incidir sobre a propriedade particular”, escreveu o decano.

“Isso significa, portanto, que os bens integrantes do patrimônio público estadual e municipal acham-se excluídos, porque a ele imunes, do alcance desse extraordinário poder que a Lei Fundamental, tratando-se, unicamente, `de propriedade particular´, outorgou à União Federal, ressalvadas as situações que, fundadas no estado de defesa e no estado de sítio, outorgam, ao Presidente da República, os denominados `poderes de crise´, cujo exercício está sujeito à rígida observância, pelo Chefe do Executivo da União, dos limites formais e materiais definidos pelo modelo jurídico que regula, em nosso ordenamento positivo, o sistema constitucional de crises ou de legalidade extraordinária”, completou o ministro.

MEDIDA PROVISÓRIA – O tema voltou a repercutir depois o governo Jair Bolsonaro anunciou uma Medida Provisória para abrir crédito de R$ 20 bilhões para compra de vacinas contra o novo coronavírus. Com a medida, começou a circular o discurso de Caiado de que o Ministério da Saúde pretende comprar e distribuir todas as vacinas disponíveis do País, incluindo a Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, órgão ligado ao governo paulista de João Doria (PSDB). O governo federal busca reagir ao tucano, que promete começar a imunizar a população do Estado em 25 de janeiro.

A briga travada pelos entes federativos em torno dos imunizantes chegou ao Supremo na semana passada. Na última terça-feira, 8, o governo do Maranhão entrou com uma ação pedindo a autorização do tribunal para aquisição de vacinas aprovadas por agências sanitárias internacionais, mesmo sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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