quarta-feira, dezembro 11, 2019

Procuradoria pede que Gilmar Mendes mande o casal Garotinho de volta para a prisão


Casal foi solto em outubro, mas não houve decisão definitiva
André de Souza
O Globo
O procurador-geral da República, Augusto Aras , pediu ao ministro Gilmar Mendes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), que os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho voltem à prisão. No fim de outubro, o próprio magistrado deu uma liminar mandando soltá-los e determinando a aplicação de medidas cautelares.
No entanto, não houve uma decisão definitiva e Gilmar ainda pode reconsiderá-la, rejeitar o pedido de Aras ou levar o caso para julgamento da Segunda Turma do STF, composta por cinco ministros.
DETERMINAÇÕES – Por decisão de Gilmar, o casal está proibido de manter contato com outros investigados ou testemunhas. Eles também tiveram de entregar os passaportes e não podem sair do país sem autorização judicial. Além disso, devem comparecer mensalmente à Justiça até o quinto útil de cada mês, onde têm que comprovar o local de residência.
Aras observou que uma das cautelares — a proibição de manter contato com outros investigados — não é possível de ser cumprida. Isso porque um dos seus advogados, autor do habeas corpus que levou à libertação do casal de ex-governadores, é Thiago Soares de Godoy, que também é um investigado.
ACUSAÇÃO – Garotinho e Rosinha são acusados de superfaturamento em contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos, no Norte fluminense, e a construtora Odebrecht , para a construção de casas populares dos programas Morar Feliz I e Morar Feliz II durante os dois mandatos de Rosinha como prefeita (2009/2016). Em abril de 2017,  O Globo mostrou que as casas construídas pela Odebrecht não tinham porta, telhado e janela.
A praxe no STF é analisar um pedido apenas quando ele terminou de tramitar nas instâncias inferiores, como o STJ. No caso de Garotinho, isso ainda não tinha ocorrido. Mas Gilmar afirmou que essa regra poderia ser flexibilizada quando há “patente constrangimento ilegal ou abuso de poder”.
“SUPOSTA AMEAÇA”  – Segundo Gilmar, não há qualquer fato concreto para corroborar a suposta ameaça a testemunha que teria sido feita pelo casal. De acordo com ele, “não há sequer indicação de pessoas específicas que estariam causando tais intimidações. Ou seja, não se pode fundamentar a prisão cautelar de uma pessoa a partir de juízos hipotéticos carentes de qualquer embasamento fático em concreto”.
Em seu parecer, Aras retoma o argumento de que o processo não terminou de tramitar no STJ para defender a volta do casal à prisão. Também afirmou que as decisões das instâncias inferiores mostraram “a necessidade da prisão preventiva de Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho dos demais envolvidos que foram alvo da medida reside na conveniência da instrução criminal, ante os relatos de uma das testemunhas de que estaria sendo ameaçada por pessoas ligadas aos pacientes”.
MAIS DE UMA VEZ – E lembrou que este caso não é o único em que Garotinho “buscou criar empecilhos ao escorreito andamento da ação penal”. Assim, não adianta aplicar apenas medidas cautelares. Com HC negado, ex-governadores só deixaram prisão após decisão do ministro
Os dois foram presos preventivamente no começo de setembro em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, órgãos vinculados ao Ministério Público do estado. A medida foi autorizada pela Segunda Vara Criminal de Campos dos Goytacazes.
MENOS DE UM DIA – Menos de 24 horas depois, o desembargador Siro Darlan , plantonista do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), mandou soltar o casal. Segundo ele, a decisão determinando a prisão não tinha “alicerces sólidos”.
Em outubro, a 2ª Câmara Criminal do TJRJ derrubou a liminar que concedia habeas corpus aos ex-governadores, determinando a volta do casal à prisão. Depois, o ministro Leopoldo de Arruda Raposo, do STJ, também negou um habeas corpus da defesa do casal. Somente com a decisão de Gilmar é que puderam deixar a prisão.
“ILEGALIDADE” – No pedido ao STF, a defesa de Garotinho e Rosinha alegou que o decreto de prisão foi de “manifesta ilegalidade”. Entre outros argumentos, desqualificou a testemunha que relata ter sofrido ameaças, dizendo que ela é inidônea.
Os advogados também alegaram que os supostos crimes dos quais são acusados não são de agora, já tendo cessado. Assim, não haveria razão para decretar uma prisão preventiva. Gilmar concordou, dizendo que “fatos antigos não autorizam a prisão preventiva, sob pena de esvaziamento da presunção de inocência”.
ESQUEMAS CRIMINOSOS – Aras argumentou que os delitos em questão tiveram longa duração, de 2009 a 2016. Também destacou que há mais processos contra os dois tratando de outros esquemas criminosos. Além disso, mesmo que os crimes já não estejam mais sendo cometidos, Aras citou precedentes do próprio STF que apontam para outro fator: o risco de voltar a delinquir.
“Tais circunstâncias, quando associadas aos demais elementos da conduta dos agentes já explorados — a gravidade em concreto dos crimes e a habitualidade delitiva dos envolvidos, compreendida inclusive em outras ações penais em que são réus –, evidenciam a legalidade da prisão preventiva decretada pelo Juízo de 1º grau. Somente essa medida tem o condão de evitar a continuidade delitiva”, anotou Aras.
Os advogados citaram ainda o estado de saúde do ex-governador — o que também foi destacado por Gilmar na decisão — e o risco à integridade física do casal na prisão. Aras, por sua vez, ressaltou que não houve perícia oficial para constatar o estado de saúde

Mais vexame! Líder de Bolsonaro arma complô para boicotar prisão em 2ª instância

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Fernando Bezerra está todo sujo, com seus bens bloqueados pela Lava Jato
Gustavo MaiaO Globo
O líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), recolheu assinaturas na noite de terça-feira para apresentar um recurso e levar ao plenário da Casa o projeto de lei que institui a prisão após condenação em segunda instância por meio de alterações no Código de Processo Penal ( CPP ), aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça ( CCJ ). A assessoria de Bezerra confirmou que ele participa da coleta de assinatura.
A intenção é protocolar o documento no fim do prazo regimental de cinco dias úteis e, assim, sacramentar o adiamento da análise da matéria no plenário para 2020. Isso porque o ano legislativo deve ser encerrado na próxima terça, com sessão conjunta do Congresso para votar o Orçamento do ano que vem. Desta forma, não haveria tempo hábil para que o Senado votasse o texto.
COMISSÃO ACELERA – A CCJ concluiu a aprovação, em turno suplementar, nesta manhã. Na terça, os integrantes do colegiado aprovaram o texto, por 22 votos a 1. Por se tratar de um substitutivo ao projeto original, no entanto, o regimento da Casa determina que seja aberto prazo para emendas, o que não ocorreu. Na sessão seguinte, iniciada por volta das 9h55 desta quarta-feira, a tramitação no colegiado foi dada como encerr
O projeto tramita de forma conclusiva na comissão e, por isso, pode seguir diretamente para a Câmara. Para levá-lo ao plenário, um recurso tem que ser apoiado por nove senadores pode levá-lo à votação no plenário do Senado. O líder do PT na Casa, senador Humberto Costa (PE), havia informado que a banca da partido recorreria.
CONSPIRAÇÃO – A iniciativa do petista, no entanto, foi substituída por uma articulação envolvendo Bezerra Coelho e outros senadores, entre eles o líder do MDB, Eduardo Braga (AM), que teria se comprometido a “entregar” votos de parte da bancada. A ideia é transmitir uma imagem de coesão, para dar um contraponto ao grupo “Muda, Senado”, defensor da prisão em segunda instância.
Na terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), já tinha alegado que deputados e senadores fizeram um acordo: aprovar o pacote anticrime no plenário da Casa nesta quarta-feira e continuar o debate sobre a segunda instância apenas no ano que vem.
JOGO POLÍTICO – Questionada no fim da manhã desta quarta sobre a participação do líder do governo no recolhimento de assinaturas, a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), disse ter sido informada sobre a articulação horas antes e que não viu o documento. Mas afirmou que a medida faz parte do “jogo político”.
– Isso faz parte do jogo político, essa é uma casa de embates muito mais do que de debates, é de embates. O Senado sempre foi palco de debates e de embates. O que vence, né? O que tem que prevalecer sempre? É o bom senso, é o rigor no cumprimento da Constituição Federal, mas acima de tudo é o Senado ter consciência de que ele representa a sociedade brasileira e nós temos que ter como termômetro aquilo que a sociedade quer – comentou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O fato é que existe um complô contra a prisão após segunda instância. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está dentro, mas desistiu. O presidente do Senado, porém, mantém o boicote. No Planalto, Bolsonaro diz que não vai interferir, mas seu líder, que está com os bens bloqueados pela Lava Jato, saiu colhendo assinaturas para atrasar a aprovação. É o caso de repetir Francelino Pereira e perguntar: “Que país é esse?”. Ninguém pode entender que o presidente da República não mande no próprio líder… (Marcelo Copelli)

PF indicia Paulinho da Força por repasses de R$ 1,8 milhão da Odebrecht entregues na Força Sindical

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Versão de ‘Paulinho da Força’ desmorona diante dos indícios e provas
Paulo Roberto Netto
Estadão
A Polícia Federal apresentou relatório cobrando o indiciamento do deputado Paulinho da Força (SD-SP) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no inquérito que apura repasses de R$ 1,8 milhão da Odebrecht para o parlamentar em 2014.
As investigações tiveram como base a delação premiada do ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, e áudios da transportadora da empreiteira, a Transnacional. Paulinho da Força era investigado desde abril de 2017, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, abriu inquérito para apurar acusações feitas por Reis contra o parlamentar.
REPASSE – O executivo afirmou ter repassado R$ 1 milhão para o deputado em duas parcelas de R$ 500 mil, em 2014. Anos depois, mudou a versão e afirmou que os pagamentos chegaram a R$ 1,8 milhão.
“Para a empresa seria importante ter um aliado nas ‘fileiras trabalhistas’, mormente um ocupante de cargo legislativo influente, Presidente da Força Sindical e de importante partido de defesa dos direitos trabalhistas (Solidariedade). Em contrapartida, o parlamentar receberia regulares contribuições financeiras para atender aos anseios da empresa”, afirma a Polícia Federal, em relatório.
PGR – O documento foi encaminhado para vistas da Procuradoria-Geral da República, que pode denunciar o parlamentar ou arquivar o inquérito. Em depoimento, Paulinho da Força negou ter recebido os valores assim como ter prometido qualquer tipo de contrapartida em decorrência de doações feitas pelo grupo Odebrecht.
O parlamentar admitiu que se reuniu com executivos da empreiteira no contexto de sua campanha eleitoral em 2014, ocasião em que ficou acertada doação eleitoral de Marcelo Odebrecht. A Polícia Federal, no entanto, declarou que a versão apresentada pelo deputado ‘não encontra guarida’ nas provas coletadas no inquérito.
INDÍCIOS E PROVAS – “A versão apresentada por ‘Paulinho da Força’ não encontra guarida quando confrontada com os indícios e provas dos autos, mormente ante a robusta comprovação das entregas, de maneira dissimulada, utilizando-se senhas, códigos, terceiros interpostos, etc., num complexo e arriscado sistema de ocultação de numerário, sem arrimo nas transações bancárias, tão seguras e céleres”, afirma.
A delação de Fernando Reis aponta que o dinheiro era contrapartida por Paulinho da Força ter intermediado o fim da greve da Embraport, em 2013, e de uma invasão à sede da empreiteira em 2014. Segundo o empresário, a solicitação das vantagens indevidas partiu do próprio deputado para financiar sua campanha eleitoral daquele ano.
“FORTE” – A delação de Reis foi inicialmente corroborada pelo sistema de registro de propinas da Odebrecht, o Drousys, que marcou o pagamento de duas parcelas de R$ 500 mil ao codinome “Forte”, atribuído a Paulinho da Força.
A hipótese, no entanto, mudou após a Polícia Federal receber mensagens de áudios entregues por um ex-funcionário da Transnacional, empresa contratada pelo doleiro Álvaro Novis, hoje delator da Lava Jato, para fazer as entregas de propina a mando da Odebrecht. As conversas indicavam a realização de quatro pagamentos, ao invés de dois, no valor total de R$ 1,8 milhão.
De acordo com as mensagens de áudio, a qual o ‘Estado’ teve acesso em julho deste ano, os repasses foram feitos entre agosto e setembro de 2014 via Marcelo de Lima Cavalcanti, então chefe de gabinete de Paulinho da Força, na sede da Força Sindical, entidade presidida pelo parlamentar até o ano passado.
ENTREGAS – As entregas teriam sido realizadas nos dias 22 de agosto (R$ 500 mil, senha “Ford”), 04 de setembro (R$ 500 mil, senha “Volkswagen”), 11 de setembro (R$ 500 mil, senha “Chevrolet”) e 16 de setembro (R$ 300 mil, senha “Pandeiro”).
Ao ser chamado para esclarecer as discrepâncias entre sua delação e os áudios, Fernando Reis, da Odebrecht, retificou a versão e confirmou que, na verdade, foram pagos R$ 1,8 milhão a Paulinho da Força.
GARANTIA – “Neste mesmo ato, o colaborador relata que os pagamentos foram realizados para garantir uma atuação futura do parlamentar em benefício da Odebrecht no sentido de influenciar no aumento da participação privada no setor de saneamento”, anota a Polícia Federal. Os valores correspondem a planilhas de pagamentos apresentadas à PF pelo doleiro Álvaro Novis em delação premiada.
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COM A PALAVRA, O DEPUTADO PAULINHO DA FORÇA
Em depoimento prestado à Polícia Federal anexado no relatório, o parlamentar nega que tenha recebido vantagens indevidas da Odebrecht ou ter prometido qualquer tipo de contrapartida em decorrência de doações eleitorais feitas pela empreiteira.

Prefeito baixa decreto e fixa preço do quilo da carne a R$ 12 com osso e R$ 15 sem osso | Jornal Ação Popular

Vaza Jato mostra que heróis são “vampiros de Curitiba”

Opinião | Ministro apenas protocolar no comando da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro foi flagrado vampirizando a lei em uma trapaça nunca dantes vista na literatura jurídica nacional. As revelações da turma de Glenn Greenwald são de fazer corar o mais indecente dos rábulas de porta de cadeia. Mas certamente você não verá o maior e mais importante furo jornalístico do ano, a série de reportagens Vaza Jato, nas retrospectivas das emissoras de televisão brasileiras. Leia a coluna de Xico Sá

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