quarta-feira, maio 24, 2006

TSE confirma: mudanças na lei eleitoral já estão valendo

Por: O Liberal

s ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluíram ontem que as principais mudanças impostas pela minirreforma eleitoral serão aplicadas à eleição deste ano. Contrariando as expectativas nos meios jurídicos e políticos, o TSE resolveu que, na campanha eleitoral deste ano, estão proibidas a distribuição de brindes, como camisetas e bonés, e a realização de showmícios. As medidas foram aprovadas pelo Congresso com o objetivo de reduzir os custos das campanhas e evitar a prática de irregularidades como o caixa dois e estão na Lei 11.300 (Minirreforma Eleitoral).
O relator do assunto no TSE, ministro José Gerardo Grossi, alertou que a proibição da distribuição de brindes tornaria mais sem graça as campanhas. "A eleição deve ter um pouco de alegria", afirmou Grossi. Ele observou que "não é por aí (distribuição de brindes)" que as irregularidades são cometidas. Mesmo assim, a maioria dos ministros do TSE entendeu que a distribuição de brindes precisa ser vetada. O mesmo ocorreu em relação aos showmícios. Poeta, o ministro Carlos Ayres Britto disse que show e política "são como água e óleo", ou seja, não se misturam. Apesar de ter concordado com a proibição da distribuição de brindes e da realização de showmícios, o TSE decidiu que a Lei da Minirreforma não poderia ter impedido a divulgação de resultados de pesquisas de intenção de voto nos 15 dias anteriores à eleição. Os ministros concluíram que a regra é inconstitucional. Eles resolveram, também, que não deve valer para a eleição deste ano o artigo prevendo que até o dia 10 de junho seria editada uma lei fixando os limites dos gastos de campanha. O dispositivo estabelece que, se a lei não for editada, caberá a cada partido político fixar o seu limite de gastos. Antes da lei 11.300, os partidos apenas comunicavam à Justiça Eleitoral quanto pretendiam gastar. Mudanças desse tipo, que interferem no processo eleitoral, teriam de ser feitas com a antecedência mínima de um ano, conforme a interpretação do TSE. "Gastos de campanha repercutem sobremaneira, principalmente considerada a realidade brasileira, no processo eleitoral", comentou durante o julgamento o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. Os ministros decidiram por unanimidade que vale para esta eleição o artigo prevendo que o candidato também é responsável pela veracidade das informações financeiras e contábeis da campanha. Antes, a jurisprudência era de que a responsável era a pessoa que assinava a prestação de contas.
Os ministros também aceitaram a aplicação à eleição deste ano do dispositivo segundo o qual o uso de recursos financeiros provenientes de caixa dois implicará desaprovação da prestação de contas do partido ou do candidato. Se ficar comprovado o abuso de poder econômico, poderá ser cancelado o registro da candidatura. O TSE concluiu ainda que deve ser exigido na eleição deste ano que as doações de recursos financeiros sejam feitas em cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos e proibiu doações em dinheiro. Pela decisão do tribunal, os partidos terão de divulgar na internet nos dias 6 de agosto e 6 de setembro de 2006 relatório discrim ando os recursos que tenham recebido para financiamento da campanha e os gastos que realizarem.

Sono de manhã é pior do que bebedeira, diz pesquisa

Por: BBCBrasil

A capacidade de raciocínio pode ser melhor depois de uma noite em claro ou de uma bebedeira do que depois de uma boa noite de sono, de acordo com um estudo da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.
A equipe liderada pelo professor Kenneth Wright descobriu que a capacidade mental dos pacientes é pior nos primeiros minutos depois de acordar.
Essa conclusão, publicada na revista especializada Journal of the American Medical Association desta semana, tem implicações diretas para pessoas que trabalham em turnos noturnos e aqueles que, como médicos, têm que realizar tarefas importantes pouco depois de acordar.
"Descobrimos que a capacidade cognitiva é pior logo depois de acordar do que depois de uma longa falta de sono. Por pouco tempo, pelo menos, os efeitos de sonolência podem ser tão ruins ou até piores do que os do estado alcoólico previsto por lei", disse Wright.
Os participantes do estudo passaram seis noites dormindo oito horas e ao acordar participavam de um teste que pedia que se somassem números de duas casas decimais gerados aleatoriamente.
Inércia
Os resultados deste teste indicaram que os maiores problemas de memória imediata, habilidades matemáticas e cognitivas eram causados pela sonolência nos três primeiros minutos depois de acordar.
Os efeitos mais graves da inércia do sono geralmente desaparecem em dez minutos, segundo a pesquisa, embora os efeitos dela possam ser detectados por até duas horas.
Nenhum dos nove voluntários tinha qualquer problema médico, psiquiátrico ou de sono, e nenhum deles usou álcool, nicotina, drogas ou cafeína durante o estudo.
Eles também passaram várias horas por dia exercitando-se nos testes de matemática usados para avaliar os efeitos da sonolência.
O professor Wright afirmou que médicos, bombeiros, motoristas de ambulância e funcionários de outros serviços de emergência podem estar correndo – e colocando outras pessoas – risco quando têm que entrar em ação minutos depois de acordar.
No entanto, o professor Neil Stanley, da Sociedade Britânica do Sono, afirmou que para alguns médicos, o importante não é o número de horas de sono, mas sim, quando eles podem dormir e acordar.
"Ninguém deveria fazer nada realmente importante de 15 a 30 minutos depois de acordar", disse o médico.
Stanley disse ainda que a transição do estado de sono para o estado de alerta é muito maior do que a que acontece entre estar acordado e manter-se acordado.

Dormir ajuda mulheres a manter peso, diz pesquisa

Por: BBCBrasil

Uma boa noite de sono pode ajudar as mulheres a se manterem magras, segundo um estudo apresentado nesta terça-feira no Encontro Internacional da Sociedade Torácica Americana, na Califórnia.
Segundo a pesquisa - a maior deste tipo já realizada - mulheres que dormem em média cinco horas ou menos por noite têm tendência maior a engordar. Elas têm chances de 32% maiores de engordar, do que mulheres que dormem pelo menos sete horas por noite.
Elas também têm chances maiores, de 15%, de serem obesas.
O estudo, realizado nos Estados Unidos, monitorou a rotina de sono de quase 70 mil mulheres durante 16 anos, registrando as mudanças de peso e das horas de sono por noite.
Dieta
Segundo os pesquisadores, a dieta e os exercícios não têm nenhuma influência no resultado.
"Estudos anteriores mostraram que depois de alguns dias de falta de sono, os hormônios que controlam o apetite deixam as pessoas com mais fome, então, achamos que as mulheres que dormiam menos comiam mais", disse Sanjay Patel, da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, que liderou o estudo.
"Mas na verdade elas comem menos. Isso sugere que o apetite e a dieta não são responsáveis pelo aumento de peso das mulheres que dormem menos."
No início do estudo, as mulheres que dormiam menos pesavam, em média, quase 2,5 kg a mais do que as que dormiam mais.
"Pode não parecer muito, mas esta é a média - algumas mulheres engordaram muito mais do que isso, e mesmo uma pequena diferença no peso pode aumentar os riscos de problemas de saúde como diabetes e hipertensão", afirmou Patel.
Os cientistas descobriram que o sono e o aumento do peso estão relacionados, mas ainda não descobriram o que causa este aumento.
"Ainda não temos uma resposta neste estudo sobre por que a falta de sono causa aumento de peso, mas há algumas possibilidades que merecem ser estudadas", disse Patel.
"A falta de sono pode acarretar mudanças no ritmo do metabolismo basal (o número de calorias que se gasta normalmente, sem se levar em conta exercícios)."
"Outro fator que contribui para a regulação do peso descoberto recentemente é a chamada termogênese não associada ao exercício, que se refere a atividades involuntárias, como as pessoas que se mexem muito, ou que ficam em pé, em vez de sentadas", completa.
"Pode ser que, porque você dorme menos, você se mexe menos e acaba queimando menos calorias," conclui.

FT: 'Perfil' da dívida interna impede crescimento

Por: BBCBrasil


O jornal britânico Financial Times diz nesta quarta-feira que o perfil da dívida interna brasileira está impedindo que o Banco Central reduza as taxas de juros e, por conseqüência, que o país cresça.
Ao contrário da dívida externa, afirma o diário, o Tesouro não conseguiu ligar a dívida interna a juros fixos. Isso acontece, segundo o jornal, porque os investidores estariam cientes de um possível risco inflacionário. Aceitar os juros fixos seria um sinal de confiança que eles ainda não estariam dispostos a dar.
O Financial Times diz que outro motivo para a desconfiança é o alto gasto com seguridade social (que inclui Previdência, Saúde e Assistência Social), cerca de 42% do Orçamento.
Essa porcentagem é bem maior do que a destinada por qualquer outro governo da região, e o Brasil não estaria dando sinais de que pretende combater o problema de frente, preferindo tomar "medidas paleativas" como mudanças no gerenciamento e fiscalização. O artigo conclui que esses investidores podem levar em conta os desequilíbrios fiscais do país "quando forem reavaliar onde colocam seu dinheiro".
Paulo Coelho
O também britânico The Guardian diz que a viagem de Paulo Coelho pelas estepes siberianas supera qualquer método já utilizado por escritores do país para se encontrarem com seus leitores.
Que o brasileiro era um escritor popular, todos sabiam, mas o jornal diz que mesmo seus editores devem ter se surpreendido com a comoção que o escritor vem causando por onde passa.
Paulo Coelho vem cruzando a Rússia, de Moscou até Vladivostock, pela famosa ferrovia Transiberiana, fazendo diversas paradas para assinar autógrafos.
O fato de o autor se referir à travessia como uma peregrinação pode ser visto como um exagero, de acordo com o artigo.
Peregrinações remeteriam à idéia de viagens árduas feitas por pessoas simples em busca de sabedoria.
Os dois vagões extra conectados ao trem – um para Coelho e seus editores e outro para seus assistentes – “superariam, na verdade, o sonho do escritor mais exigente”.

REPRESSÃO POLICIAL CONTRA ESTUDANTES DE PEDAGOGIA EM BRASÍLIA

Por: Profª Sônia Guariza Miranda

email da Profª Sônia Guariza Miranda do DEPLAE- Setor de Educação-UFPR.
Na tarde de 22/05/06, segunda-feira, ocorreu em Brasília a manifestação de estudantes de Pedagogia, como uma das atividades programadas do FONEPE- Fórum Nacional de Estudantes de Pedagogia que vinha ocorrendo em Goiânia desde 20/05/06. A manifestação tinha como objetivo uma audiência com o Ministro de Educação Fernando Haddad quando os estudantes apresentariam sua discordância ao fato do Ministro ter homologado em 04/04/056 as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o Curso de Pedagogia, contrariando acordo feito por ele com a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia em 14/11/05 onde através de ofício, e gravação de imagens do encontro, se comprometeu a não homologar as referidas DCNs sem antes fazer mais uma rodada de discussões com a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia. A insatisfação dos estudantes e de grande parte das instituições formadoras respalda-se no fato de o texto homologado ter deixado de contemplar diversos aspectos que contribuiriam para maiores avanços na formação de profissionais da Pedagogia no Brasil, além de conter uma concepção que privilegia interesses privatistas de formação de profissionais de educação, por seu teor aligeirado e simplificador. Estudantes que ainda estão em Brasília e que participaram da manifestação entraram em contato conosco para informar que o Ministro não só NÃO RECEBEU a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, como esperou a manifestação com policiais fortemente armados que exerceram repressão com truculência, efetuando disparos na direção dos estudantes, espancando estudantes, provocando ferimentos graves em vários deles, e ainda prendendo cerca de quarenta estudantes de diversos estados do Brasil, que permanecem incomunicáveis, incluindo-se estudantes procedentes do Paraná. Após o recebimento destes informes notificamos à presidência da APUFPR solicitando que esta comunicasse e solicitasse ao ANDES-SN em Brasília a assistência jurídica aos estudantes presos, bem como verificasse a situação dos alunos feridos para seu rápido atendimento médico, pois os demais alunos não tiveram mais notícias dos estudantes presos, inclusive dos feridos. Contatos nossos com o ANDES-SN, posteriormente, nos informaram que este enviou Diretores e a Assessoria Jurídica para dar suporte jurídico aos estudantes e levantar com mais precisão o estado dos estudantes feridos e intervir no sentido de seu pronto encaminhamento ao atendimento médico necessário, além de proceder às providências para a liberação dos estudantes presos. Até o momento do envio desta ainda não recebemos novas informações a respeito. Entendemos que precede a qualquer outro aspecto deste lamentável incidente, no momento, a segurança e a garantia dos direitos humanos dos estudantes envolvidos, para num momento imediatamente posterior a comunidade universitária nacional analisar o significado deste ato repressivo sem justificativa por parte do Governo Federal através da pasta da Educação, cabendo uma clara demonstração de repúdio pela forma excessiva e descabida de uso do aparato policial contra estudantes, tratados como marginais, pelo fato de manifestarem sua legítima indignação diante da improbidade ético-política de um Ministro de Educação que não consegue nem ao menos manter acordos formalmente firmados. Nem contra marginais podemos admitir este tratamento, pois se é que aspiramos viver um dia numa democracia, que ainda estamos longe de ser faticamente, devemos lutar por uma a estrutura jurídica que analise com isenção e autonomia a conjuntura dos fatos. Curitiba, 22/05/06. Profª Sônia Guariza Miranda. DEPLAE- Setor de Educação-UFPR

Um por todos e todos por um

Por: O Norte

O ritual é sempre o mesmo. Basta surgir alguma denúncia na imprensa contra um senador que lá vai ele até à tribuna se defender. Durante a defesa, não falta solidariedade dos colegas, que, na maioria das vezes, mesmo sem saber se são verdadeiras ou não as acusações, não poupam elogios à figura do senador colocado na defensiva. As denúncias são logo tachadas de absurdas e descabidas e, em geral, são arquivadas sem serem investigadas.
Na última terça-feira (16), o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) foi à tribuna se explicar contra a acusação de fazer parte da quadrilha de comprava ambulâncias em licitações fraudadas. O esquema foi descoberto pela Polícia Federal na Operação Sanguessuga. Em depoimento à polícia, a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, que foi presa na Operação, acusou Suassuna de apresentar emendas para compra de ambulâncias superfaturadas. Na operação, dois assessores do senador foram presos.
Suassuna, que integra a base governista, falou por mais de uma hora da tribuna do plenário, admitindo que apresentou emendas para ambulâncias, mas negando qualquer irregularidade. Foi interrompido por nada mais nada menos que 14 senadores, de diversos partidos. A cada intervenção, sua figura era elogiada por palavras que o definiam como "um líder", "um homem transparente", "honrado" e outros adjetivos semelhantes, ao mesmo tempo em que tachavam a acusação de "absurda" e "descabida". Detalhe fundamental: quase não se discutiu o mérito da denúncia ou a necessidade de apurá-la.
V.Excelência é o máximo!
"Primeiramente, quero prestar a V. Exª toda a minha solidariedade. V. Exª sabe do compromisso que temos com a verdade e tem participado desse esforço no Congresso. V. Exª, durante anos, tem colaborado no sentido de melhorar os procedimentos do orçamento, de dar mais transparência, de fiscalizar melhor. Infelizmente, vivemos um momento de denuncismo desvairado. Tudo é denúncia!", disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
O senador José Jorge (PFL-PE), um dos principais nomes da bancada de oposição no Senado, também interveio em favor do colega governista: "Meu caro senador Ney Suassuna, todos nós conhecemos o trabalho de líder que V. Exª realiza aqui. Na realidade, os políticos de uma maneira geral são sempre acusados e, muitas vezes, sem direito de defesa, isto é, antes de ter o direito de se defender, as acusações já estão na rua, e a pessoa julgada e condenada. Tenho certeza de que vai poder esclarecer todos esses fatos e continuar o seu trabalho de líder do maior partido da Casa".
Ao final do discurso, o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), que por acaso presidia a sessão no plenário, tranqüilizou Suassuna de uma vez por todas. "V. Exª foi ovacionado por quase todos os partidos presentes na Casa: PSDB, PFL, PMDB... V. Exª fez um pronunciamento de mais de uma hora, muito convincente. Em vez anterior, V. Exª. teve uma demanda com o Conselho de Ética desta Casa, do qual sou Presidente, e por não se encontrar nenhuma prova, foi encaminhada ao arquivo. A imprensa não deu nenhuma nota a esse respeito. Vejo que V. Exª novamente é brindado com uma denúncia vazia", concluiu João Alberto

CRONOLOGIA DA MÁFIA DOS SANGUESSUGAS

Por: Correio Braziliense

Depois de dois anos de investigação, pelo menos 46 pessoas são presas em Brasília e seis estados, durante a Operação Sanguessuga, da Polícia Federal. Elas são acusadas de fraudar licitações em municípios para a compra de ambulâncias e UTIs móveis. Entre os detidos estão os ex-deputados Bispo Rodrigues
(PL-RJ) e Ronivon Santiago (PP-AC), assessores do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), e de oito deputados federais. Também integram a lista empresários e funcionários dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento. A quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões entre 2001 e 2005.
Sexta-feira, 6
O Congresso Nacional decide investigar os parlamentares suspeitos de participar da máfia dos sanguessugas. Pelo menos 64 deputados e o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), de acordo com lista repassada pela Justiça Federal às presidências das duas casas legislativas, estariam envolvidos no esquema de corrupção. Conversa telefônica grampeada por agentes federais revelou que integrantes da quadrilha tramavam a morte de repórter do Correio Braziliense.
Domingo, 7
Os presos acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas são transferidos para Cuiabá, onde permanecerão presos à disposição da Justiça Federal no Mato Grosso. Entre eles está o ex-deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ). O Correio revela que Maria da Penha Lino foi indicada para o Ministério da Saúde pelo deputado José Divino (PRB-RJ), listados entre os parlamentares suspeitos de fazer parte do esquema. Penha era peça-chave nas fraudes da máfia dos sanguessugas. O advogado dela procura a PF, sinalizando contar o que sabe em troca do benefício da delação premiada.
Segunda-feira, 8
A quadrilha não pára de crescer. Em depoimento de seis horas à PF, Maria da Penha Lino, ex-assessora do Ministério da Saúe, afirmou que um terço da Câmara - cerca de 170 deputados - participaria do esquema de fraudes ao Orçamento. De memória, ela pôs no papel o nome do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), e de 80 deputados federais. Ela contou que, em retribuição, esses parlamentares recebiam propina. O dinheiro chegava à Câmara escondido em malas, bolsos de paletó, meias e até cuecas de funcionários da Planam, principal empresa do esquema de corrupção.
Terça-feira, 9
Os presidentes do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SDP), decidiram criar uma comissão formada por três senadores e três deputados para propor alterações na tramitação do Orçamento da União, com base em proposta do deputado Ricardo Barros (PP-PR) apresentada em 200.
Quarta-feira, 10
A Câmara decidiu que, de imediato, investigará somente 16 dos acusados de fraudar emendas para ajudar a quadrilha a vender ambulâncias a preços superfaturados. Os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE) defenderam a abertura de CPI para investigar o caso.
Quinta-feira, 11
Começou sem força a tentativa de se criar uma CPI para investigar o desvio de recursos para compra de ambulâncias. Apenas 25 deputados assinam o pedido. Já a maioria deles prefere disparar a artilharia contra a Polícia Federal e o Ministério Público. Eles querem que o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), faça uma reclamação formal contra a divulgação de nomes de parlamentares. Em Cuiabá, a PF coloca frente a frente o ex-deputado Bispo Rodrigues e o empresário Ricardo Waldmann Brasil, dono da empresa de fachada Suprema-Rio Comércio de Equipamentos de Segurança e Representações, usada nas licitações irregulares com que os sanguessugas fraudavam o Orçamento da União.
Sexta-feira, 12
O ex-gerente do restaurante Northon Grill Marcelo Antônio de França entrega à Polícia Federal os nomes de pelo menos cinco parlamentares que freqüentemente se reuniriam em Brasília com os empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos da Planam e acusados de chefiar a máfia dos sanguessugas. Entre eles estariam o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) e o ex-deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ), que renunciou ao mandato por envolvimento no escândalo do mensalão. Os encontros, segundo Marcelo, ocorriam no restaurante localizado no Hotel Meliá.
Sábado, 13
O Correio revela que o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) indicava o irmão Marcos Balbino Capixaba e seu principal assessor, Celso Augusto Mariano, como procuradores formais das empresas Planam e Santa Maria, empresas fornecedoras das ambulâncias. O documento dava poderes aos dois nas concorrências das prefeituras.
Domingo, 14
Perícia da Polícia Federal em documentos contábeis da Planam indica pagamento de R$ 73 mil a parlamentares. De acordo com documentos sigilosos da PF, pelo menos três deputados constam na lista da empresa: João Mendes de Jesus (PSB-RJ), Elaine Costa (PTB-RJ) e João Magalhães (PMDB-MG).
Terça-feira, 16
Polícia Federal investiga possível braço da máfia dos sanguessugas na área de inclusão digital do Ministério da Ciência e Tecnologia em projetos custeados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A instituição criou uma auditoria interna para investigar o caso.
Quarta-feira, 17
Comissão de sindicância da Câmara dos Deputados começa a apurar a participação de parlamentares na quadrilha das ambulâncias. Ministério Público também vai investigar prefeitos suspeitos de fraude.
Quinta-feira, 18
Em depoimento a deputados da comissão de sindicância, Maria da Penha Lino afirma que a Planam contactou 283 parlamentares.

O Bondoso senador

Por: Luiz Leitão ( O Rio Branco)

No novíssimo e inesperado escândalo nomeado operação Sanguessuga, desencadeada pela Polícia Federal, se sobressai a figura de um senador da República, Ney Suassuna (PMBD-PB), o mesmo que há meses ofendeu o povo português, numa estúpida declaração no congresso, que repercutiu lá fora, saindo nos jornais lusitanos e indignando a todos. Não me recordo dos termos, mas aconteceu.
Ney revela-se um raríssimo benfeitor ao declarar que doou, no mandato anterior, 82 ambulâncias do próprio bolso, o que daria, pelo preço médio de cada ambulância que foi informado pela Operação Sanguessuga, cerca de 80 mil, algo como R$ 6.560.000,00.
Revela-se o senador um homem desprendido, autêntico filantropo, e mais, extremamente rico. Certamente, sua excelência terá declarado tais donativos à Receita Federal.
Quanto a uma CPI das Sanguessugas, o governo é contra por certos motivos que não sabemos, mas desconfiamos, e a sociedade talvez seja contra por conta do pífio resultados das CPIs que precederam esta. Depois, como investigar congressistas se nada menos que 283 deles estão na lista - o que não significa que todos estejam de fato envolvidos -, mais da metade dos 513 deputados, além de um senador.
O esquema de corrupção é imenso, com cerca de 25 empresas, muitas de fachada, envolvidas, sendo que um só fornecedor vendeu centenas de ambulâncias à família Vedoin, que comandava o esquema com a cobertura de deputados e assessores parlamentares, estes encarregados de aliciar novas prefeituras.
Veja o leitor se concorda comigo: um CPI será mera peça eleitoreira, com seus integrantes ganhando propaganda eleitoral televisiva gratuita, como aconteceu com as passadas. Além disso, todos que vão depor o fazem cobertos por habeas corpus, não contribuindo em nada com o esclarecimento dos fatos. Não fossem esse salvo-condutos do Supremo Tribunal Federal, que, aliás, agraciou também o réu João Arcanjo, o comendador, acusado do assassínio do jornalista Domingos Sávio Brandão, da Folha do Estado (MT).
Sendo assim, se só o pessoal do andar de baixo é punido, mais vale fazer as investigações por meio das polícias Federal e Civil e do Ministério Público, pois se gasta menos, vai-se direto ao assunto e no meio das apurações sempre sai uma ou outra revelação que pode vir a implicar a "deputança". Aí, remete-se as informações ao Supremo, em forma de denúncia do MP, e o tribunal que julgue como manda a lei, e não a política.
Cabe lembrar que prefeitos não têm foro privilegiado no Supremo. Como há pelo menos 70 deles envolvidos, há muito leite que tirar desta pedra. Não é possível que um inquérito bem conduzido, quem sabe até com o emprego da delação premiada, não seja um atalho para se chegar aos responsáveis maiores por esta bandalheira. Além do quê, mais barato que uma estrondosa CPI.
As investigações podem envolver vários órgãos, que, trabalhando em sintonia, haverão, sim, de produzir resultados substanciosos. Começando pela Receita Federal, que poderá verificar se o senador Suassuna tinha condições financeiras para doar 82 ambulâncias e se informou o fato em sua declaração de rendimentos. Depois, há o COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras (será que ele investiga senadores?) e, como disse antes, as polícias e os ministérios públicos federal e estaduais. Não é pouca coisa, há fartos meios de se chegar à verdade, mesmo com o Supremo remando contra.
Então, pra quê CPI?

Comunicado do PCC prega voto no PT contra o PSDB

Por: Folha

Em ofício sigiloso, a Polícia Federal repassou ao governo de São Paulo uma mensagem que o PCC fez circular pelos presídios paulistas dias antes de deflagrar a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo entre os dias 12 e 19 de maio. O texto, mantido sob sigilo, concitava os presos a promover levantes nas cadeias e continha uma inusitada mensagem política.
Recolhido pelo setor de inteligência da Polícia Federal, o texto do PCC é manuscrito. Ocupa meia folha de papel ofício. Leva o nome de “salva”, como os integrantes da facção criminosa se referem às ordens expedidas pelo comando. Desaconselha o voto no PSDB. E recomenda explicitamente o voto no PT. O documento foi repassado ao governo paulista por ordem do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que também tomou conhecimento do seu teor.

Nem o governo federal nem a administração de São Paulo deram importância à parte política do manuscrito. Num esforço para evitar a politização da crise, ativeram-se aos trechos que fazem referência às rebeliões nos presídios. Os levantes, conforme previsto no “documento” do PCC, sublevaram mais de oito dezenas de presídios paulistas.

Pelos cálculos da PF, o manuscrito do PCC foi redigido dias antes de o governo de São Paulo transferir para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau os principais líderes da facção. Entre eles Marcos Willians Herba Camacho, apontado pela política como líder do PCC e autor da ordem que resultou nas rebeliões dos cárceres e na onda de ataques às forças de segurança do Estado.

Informado acerca do conteúdo do manuscrito do PCC, Lula tampouco atribuiu importância ao seu conteúdo político. Desde o início da crise, o presidente vem se manifestando, em reuniões fechadas e em manifestações públicas, contra a exploração política da crise. Discurso semelhante vem sendo adotado pelo ministro Thomaz Bastos.

Já na primeira hora, o governo petista procurou traduzir o discurso em gestos concretos. Antes mesmo de conversar com Lula, que se encontrava em Viena no instante em que começaram as rebeliões e a onda de ataques, o ministro da Justiça discou para o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Ofereceu-lhe ajuda.

Ao chegar ao Brasil, no dia seguinte ao início da crise, o sábado 13, Lula aprovou a iniciativa de seu ministro ao ser informado dela pelo telefone. Na segunda 16, em reunião no Planalto, o presidente pediu a Thomaz Bastos que voasse para São Paulo. Em reunião com Lembo, o ministro reforçou a disposição do governo federal de colaborar. O governador recusou o emprego de unidades da Força Nacional de Segurança e de tropas do Exército. Mas aceitou de bom grado a colaboração da área de inteligência da Polícia Federal.
Escrito por Josias de Souza às 02h01

Nesta terra, tudo pode acontecer

Por: Carlos Chagas (Tribuna da Imprensa)

BRASÍLIA - Em Recife, na Boa Viagem, um tubarão quase matou um jovem que se banhava do lado de cá da arrebentação das ondas, contrariando a história de que tubarões não atacam junto da praia. Em Caruaru, um terremoto de invulgar intensidade deixou todo mundo apavorado, menos pelo balanço das paredes, mais pelo barulho que veio das profundezas. Pelo sim, pelo não, a cidade está programando a maior festa de São João de todos os tempos.
A gente se pergunta o que está acontecendo, já que outros inusitados se sucedem. Chove no Agreste, faz seca na Zona da Mata. Na Assembléia Legislativa, a lista de presença mostra a totalidade dos deputados. Em Recife, no fim de semana, a polícia não registrou nada grave.
Verificam-se em Pernambuco ocorrências jamais vistas e a explicação só pode ser uma: os inusitados devem-se à escolha de José Jorge para candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. O senador imagina repetir a performance de seu colega Marco Maciel, duas vezes vice de Fernando Henrique.
Como a eleição de Alckmin e José Jorge parece coisa mais estranha do que tubarões na arrebentação, terremotos, deputados trabalhando, paz nas ruas e outros fenômenos, quem sabe Pernambuco reserve nova surpresa para o País? Afinal, como dizia mestre Gilberto Freire, pernambucano até a raiz dos cabelos, em sua terra tudo pode acontecer, até o Carnaval cair na Sexta-Feira da Paixão...
Pombo-correio
Se o Supremo Tribunal Federal não tiver decidido em sentido contrário, Delúbio Soares deporá na CPI dos Bingos. Sua convocação deve-se às recentes declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Dantas, de que o ex-tesoureiro do PT tentou achacá-lo, exigindo milhões para suas empresas não enfrentarem problemas com o governo. É claro que Delúbio vai negar, mas se quisesse cooperar poderia contar em detalhes pelo menos a história dos quatro milhões que o ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, confessou ter recebido do esquema de corrupção armado à sombra do Palácio do Planalto.
Esses quatro milhões vieram da agência de um banco controlado por Daniel Dantas, em São Paulo. O portador pegou o dinheiro em espécie e o acomodou em duas malas. Cauteloso, porém, contratou dois táxis para levá-lo ao aeroporto, onde embarcaria para Brasília. No primeiro, colocou as duas malas, no banco de trás. No segundo, instalou-se, determinando ao motorista que não perdesse o outro de vista.
Seguiria atrás. Caso algo desse errado, ou seja, se a polícia parasse o primeiro táxi, ele mandaria o segundo dobrar à direita e sumiria, perdendo o dinheiro mas salvando a pele. Nada aconteceu e o pombo-correio voou até a capital federal, entregando a encomenda a Roberto Jefferson, que poderá dar o nome do banco e do portador, se também for convocado a depor.
Encontro com o ministro
Está confirmado o encontro havido entre o polêmico Daniel Dantas e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na semana passada. Foi na residência do senador Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, aqui em Brasília. O banqueiro jurou ao ministro não ter dado qualquer declaração à revista "Veja", muito menos fornecido a lista de supostos integrantes e ex-integrantes do governo com depósitos bancários no exterior, inclusive o presidente Lula.
A divulgação da lista caiu no vazio, pelo absurdo e sua evidente falsificação, com sobrenomes errados e quantias sem fundamentação. Nem as oposições embarcaram na denúncia, restando à Polícia Federal e ao Congresso abrir investigações a respeito de quem realmente transmitiu ao semanário a falsa relação. Não se trata de quebrar os artigos constitucionais relativos à liberdade de imprensa e ao sigilo das fontes, mas de apurar esse abuso do direito de informar. Ninguém melhor do que o ministro Márcio Thomaz Bastos para liderar a apuração.

Advogados de Marcola caem em contradição

Por: Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Apontados como cúmplices do Primeiro Comando da Capital (PCC), os advogados Maria Cristina de Souza Rachado e Sérgio Weslei da Cunha caíram em contradição ontem durante depoimentos tensos na CPI do Tráfico de Armas, na Câmara dos Deputados.
Os dois são acusados de comprar de um técnico de som a serviço da Câmara uma gravação da sessão sigilosa em que a CPI ouviu os delegados Godofredo Bitencourt Filho e Ruy Ferraz. Poucas horas depois o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, teria sabido de uma transferência e precipitado a onda de violência que assustou o Estado de São Paulo.
A primeira a falar foi Maria Cristina, que negou ter comprado e repassado a gravação, contrariando declarações do técnico de som Arthur Vinícius Pilastre Silva, que confessou ter vendido aos advogados por R$ 200 um CD com a íntegra da sessão secreta. Logo na chegada à CPI, a advogada levou um tombo na sala de reunião e depois permaneceu sentada em uma bancada usada por deputados até ser chamada para depor.
Durante o depoimento, Maria Cristina chorou, passou mal, mas não sensibilizou os deputados da comissão. Para integrantes da CPI, a advogada mentiu várias vezes.
Indiciados
Os dois advogados são considerados indiciados pela CPI, portanto, o falso testemunho no depoimento não pôde ser considerado motivo para declarar a prisão dos dois. Um pedido de prisão preventiva da dupla foi encaminhado à Justiça Federal em Brasília na segunda-feira passada. Os dois estão sendo investigados pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol) por corrupção ativa e, além disso, são acusados pela CPI por formação de quadrilha.
"É um depoimento cheio de mentiras que será desconstruído", afirmou o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Ele enumerou cinco pontos em que a advogada mentiu na comissão. "Em primeiro lugar, ela não conseguiu explicar o que estava fazendo em Brasília", disse Pimenta.
A advogada afirmou que foi à reunião da comissão do dia 10 porque pensou que seu cliente Marcola fosse depor na comissão. Mesmo depois de saber que não havia sido marcado o depoimento dele, ela permaneceu na Casa, porque, segundo ela, não tinha o que fazer.
Pimenta ressalta também que não havia motivos para que Maria Cristina buscasse a cópia do depoimento da sessão reservada, já que ela não é advogada de Leandro Lima de Carvalho, preso acusado de ligações com o PCC, que depôs no mesmo dia na CPI em sessão reservada. "Ela nega que tenha adquirido e ficado com o CD (cópia da gravação), mas Arthur e os funcionários da loja em que foram feitas as cópias dizem o contrário", continuou Pimenta.
Além disso, o relator afirma que a advogada mentiu ao se referir a troca de e-mail entre ela e Arthur. No depoimento, disse que sua secretária, de nome Sheila, respondeu à mensagem enviada pelo ex-funcionário, mas o relator mostrou cópia da mensagem assinada por "Cris".
Pimenta mostrou ainda imagens colhidas pelo sistema de TV interno da Câmara para contestar parte do depoimento da advogada na qual ela relata como se deu o encontro com o advogado Sérgio e o ex-funcionário Arthur, antes de seguirem para o shopping onde foram feitas as cópias em CD.
A CPI exibiu em um telão imagens do sistema interno da Câmara que registraram a movimentação dos dois na Casa e fotos do sistema do shopping mostrando os três nos corredores e na porta da loja onde foram feitas as cópias, segundo Arthur Silva.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) apontou outra contradição de advogada. Ela afirmou que não freqüentava presídios porque não tinha tempo. O deputado levou dados com registro do número da OAB da advogada em dez entradas em penitenciárias.
No depoimento, a advogada chorou. "Não sou pombo-correio. Eu sou uma advogada", disse Maria Cristina. "Não é justo vocês chamarem uma pessoa que não conhecem de pilantra, sem provar", disse, chorando. A advogada negou que tenha ouvido a gravação.
Nega
Assim como a advogada, Sérgio Cunha também negou fazer parte de facção criminosa. Ele disse que pensou que a cópia entregue pelo funcionário fosse autorizada pela comissão, mesmo sabendo que a sessão era reservada. Cunha, advogado de Leandro Carvalho, argumentou que tinha direito de saber o que foi falado na reunião. "Eu tinha direito. Eu solicitei na secretaria e subentendi que tinha sido autorizado, porque o próprio técnico foi fazer a cópia comigo", afirmou Cunha.
Os dois advogados acusaram Arthur Silva de mentir. Maria Cristina disse que sua carreira profissional está sendo "jogada na lama por um funcionário (Artur Vinicius) que mente". "Ele não é todo esse santinho que ele está querendo pintar", afirmou Cunha.
O advogado disse que não mentiu na entrevista que deu em São Paulo na qual afirmou que tinha seguido da Câmara direto ao aeroporto, sem passar no shopping, onde as câmeras de vídeo registraram sua presença. "Eu omiti na primeira vez. Na hora não era conveniente falar", disse Cunha. "Foi estratégia de marketing e de defesa", completou.

"Eles não gostam de pobre", diz Lula

Por: Tribuna da Imprensa

AGUIARNÓPOLIS (TO) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um discurso duro contra os tucanos, seus antecessores no governo e rivais na eleição de outubro. Sem citar especificamente nenhum nome do PSDB, Lula disse que há no Brasil políticos que não gostam de pobres, fazem política no conforto do ar-condicionado e torcem para tudo dar errado para que então possam voltar ao poder.
O presidente esteve no Tocantins para visitar um trecho da ferrovia Norte-Sul entre as cidades de Araguaína e Aguiarnópolis. No pátio da ferrovia, Lula andou de trem num trecho curto e foi recebido por cerca de 1,5 mil pessoas. Entusiasmado, o presidente deixou de lado o discurso escrito e improvisou por cerca de meia hora.
"Neste País, tem um tipo de político que não gosta de pobre, tem um tipo de político que não respeita os trabalhadores, que acha que a gente dar dinheiro para a pessoa comprar arroz e feijão para comer é assistencialismo", disse Lula.
Ao assegurar ter percorrido 91 mil quilômetros pelo Brasil durante três anos, antes da eleição de 1994, o presidente afirmou que aprendeu a conhecer o Brasil e que seus adversários poderiam sair "andando pelo Brasil" para conhecer a real dimensão das necessidades do País. "Quem vive fazendo política só na capital ou na universidade, ou quem fica fazendo política só em Brasília, não tem dimensão do Brasil real que nós enfrentamos", disse o presidente. "É muito fácil fazer críticas sentado numa sala com ar-refrigerado, é muito fácil."
Ao se comparar mais uma vez ao presidente Juscelino Kubitschek, Lula afirmou que é mais atacado do que era o criador de Brasília. "Todas as ofensas que faziam a ele, fazem pior a mim", discursou. "Toda vez que eu fico aperreado lá dentro, eu fico pensando: deixa eu ir me encontrar com o povo porque o povo pensa outra coisa, o povo tem outra cabeça."
Durante todo o pronunciamento, o presidente tratou os adversários apenas por um genérico "eles", a quem acusou de apostarem no fracasso do País. "Tem um tipo de político no Brasil que, por mais experiência que eles tenham, por mais mandatos que tenham, por mais cargos que eles tenham exercido, estão sempre torcendo para que as coisas não dêem certo no Brasil, para ver se eles voltam", disse. "Vocês acompanham a política, vocês vêem televisão, vocês ouvem rádio, lêem jornal e vocês percebem claramente que há neste país um conjunto de pessoas que torce para o país não dar certo."
Lula lembrou a quitação das dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e disse ainda que só agora o Brasil tem auto-estima. "Este País hoje não é mais um paisinho onde o presidente da República tinha que mandar o seu ministro da Fazenda ao FMI pedir dinheiro emprestado para pagar as suas exportações. Agora, não precisa mais. Agora, nós não devemos mais ao FMI, não devemos mais ao Clube de Paris e não devemos mais a ninguém", afirmou. "Nós agora somos donos do nosso nariz. Nós agora dizemos e falamos o que queremos e fazemos aquilo que nós temos vontade."
Ao responder a uma pergunta de alguém da platéia sobre o atraso da construção de uma hidrelétrica na cidade de Estreito (TO), Lula cutucou mais uma vez a oposição: "Eu quero dizer para vocês: não tem nenhum brasileiro com mais vontade de que a gente possa construir as hidrelétricas que faltam do que eu, até porque eu não quero carregar nas minhas costas a marca do apagão que já carregaram antes de mim."
Festa com transporte e comida de graça
AGUIARNÓPOLIS (TO) - O período eleitoral ainda não começou, mas a cidade de Aguiarnópolis assistiu ontem o que pode ser chamado de um dos primeiros comícios da eleição nacional deste ano. A festa que recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ônibus de graça para levar eleitores, distribuição de comida gratuita e até um discurso entusiasmado do senador José Sarney (PMDB-AP) declarando seu apoio incondicional ao presidente.
No palanque de Lula, o senador José Sarney fez as vezes de apresentador do virtual candidato. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que tinha autoridade - por ser ex-presidente, mas também por tê-lo sempre apoiado - para afirmar que Lula é o presidente popular, do povo. "E ele terá sempre a minha solidariedade, sempre que necessitar", disse Sarney, em um apoio explícito a Lula no momento em que seu partido, o PMDB ainda briga para saber se terá candidato próprio ou se apóia Lula ou o tucano Geraldo Alckmin.
"É um dos mais populares presidentes da história do Brasil. É um homem que tem responsabilidade com suas bases populares e tem sido o grande presidente do povo", discursou Sarney. "Aí estão seus programas sociais, o Bolsa Família, a Farmácia Básica, o aumento do salário mínimo." Os elogios não foram em vão. Em seu discurso, logo depois, Lula voltou a dizer que tinha se enganado ao criticar, no governo Sarney, a construção da ferrovia Norte-Sul e citou o programa do leite, criado pelo ex-presidente, como um dos "maiores programas de combate à desnutrição" que o País já teve.
As cerca de 1,5 mil pessoas que esperavam o presidente, numcalor de 35 graus, foram ao pátio da ferrovia Norte-Sul entusiasmadas com a possibilidade de ver o presidente. Mas o transporte para a área, um pouco afastada da cidade, foi garantido pelo governo do Estado. Propagandas nas rádios convidavam os moradores da região para o evento, garantindo que haveria ônibus de graça.
Depois de mais de quatro horas debaixo de toldos brancos que protegiam do sol, mas não do calor, a população que se animou a ver o presidente ganhou um incentivo a mais: comida. No final do evento, o narrador da cerimônia avisou, pelo alto-falante, que todos os presentes ganhariam marmitex. No caminhão em que funcionários do governo estadual faziam a distribuição, uma fila enorme logo se formou. Nas embalagens, arroz, feijão, farinha e frango.

Presos na Operação Sanguessuga estão livres

Por: Tribuna da Bahia

BRASÍLIA - Os desembargadores da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região decidiram ontem soltar todos os presos na Operação Sanguessuga, que investiga compras superfaturadas de ambulâncias. Além disso, os desembargadores também devem transferir ao Supremo Tribunal Federal (STF) inquéritos referentes ao caso que tramitam na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso.
A decisão foi tomada durante julgamento do pedido de habeas corpus do ex-deputado Carlos Rodrigues, preso na operação. Agora, o STF fará triagem sobre quem responderá em foro privilegiado e definirá se alguém deve voltar à cadeia. Os desembargadores concluíram que o juiz em Mato Grosso não era competente para conduzir o processo, uma vez que há a suspeita de envolvimento de parlamentares - que só podem ser investigados pelo Supremo.
Nova CPI
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende trabalhar contra a criação da CPI da Operação Sanguessuga. Ele se reunirá nesta semana com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e com lideranças para falar sobre o desgaste que nova comissão pode ocasionar. Para o presidente do Senado, há grandes chances de a CPI se esvaziar devido às eleições. Publicamente, Renan declara que "vai conferir as assinaturas, verificar se há fato determinado, se há preenchimento dos pressupostos constitucionais e decidir o que fazer".
O pedido de CPI, liderado pelos deputados Raul Jungman (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ), já tem o número exigido de assinaturas, que podem ser retiradas até a leitura do requerimento de instalação. Na Câmara, a comissão de sindicância que apura envolvimento de deputados na fraude apresenta hoje relatório que define nova lista de investigados. Podem ser 30, não 16, os parlamentares suspeitos.

Preso trabalha há 19 anos no Senado

Por: Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Apontado como um dos cabeças da quadrilha desmantelada pela Operação Castores, o assessor parlamentar José Roberto Paquier atua há pelo menos 19 anos em funções estratégicas do Senado, sempre vinculado ao PMDB e serviu a dois outros gabinetes até ser cedido pelo partido ao senador Valdir Raupp (RO), nos últimos três anos. Na legislatura anterior, ele foi um dos assessores mais próximos do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), que presidiu a poderosa Comissão de Orçamento do Congresso.
Durante a operação, a Polícia Federal esbarrou, sem querer, em outro assessor parlamentar, que a partir de hoje passa a ser investigado como suspeito de integrar a quadrilha. Amaury Martins, assessor do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), foi flagrado no Aeroporto "Afonso Pena", em Curitiba, recebendo uma mala do líder da quadrilha, Laércio Pedroso, no momento em que os policiais se preparavam para prendê-lo. Laércio foi detido e a mala, apreendida.
Como não havia mandado de prisão contra Amaury, o assessor de Hauly foi ouvido e liberado, mas hoje será intimado a prestar depoimento como suspeito. As investigações indicam Paquier como peça-chave do esquema de corrupção do setor elétrico brasileiro.
Mas a PF não levantou qualquer indício de que parlamentares como Raupp, cujos nomes apareceram nas investigações, tenham ligação com a quadrilha, segundo ressalvou o delegado Fernando Franceschini, encarregado do inquérito. Ele explicou que os nomes de vários parlamentares surgiram em diálogos telefônicos interceptados ou em outras diligências, mas não foram investigados porque têm foro privilegiado.
A PF enviou os nomes para que os presidentes da Câmara e do Senado decidam sobre eventual aprofundamento das investigações. Em nota, Raupp se disse surpreso com a prisão do assessor e com a invasão do seu gabinete por policiais que cumpriam mandado de busca e apreensão do computador e de documentos na mesa de Paquier.

Delúbio diz em CPI que tinha chefes

Por : Tribuna da Imprensa

Ex-tesoureiro diz que alimentava caixa 2 com "procuração política" do PT
Em depoimento à CPI dos Bingos, Delúbio se negou a fornecer os nomes dos chefes
BRASÍLIA - Mesmo empenhado em proteger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que não atuava sozinho, pois tinha aval superior para as operações financeiras com que alimentava o caixa 2 do partido. "Eu tinha uma procuração política da direção do partido", disse Delúbio.
"De quem? Do presidente Lula, do José Dirceu?", perguntou o presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB). "O senhor tem um documento? Uma ata que diga isso?", insistiu o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Delúbio disse: "Não. Não há ata nenhuma. Eu tinha uma autorização política."
Na avaliação de Efraim, apesar de Delúbio ter-se mostrado escorregadio e muito atento - ao contrário das três outras vezes em que depôs nas CPIs dos Correios e do Mensalão, quando parecia sonolento -, ele acabou por deixar escapar que tinha chefes. "Está claro que fazia tudo a mando de alguém. Sabemos que eram ou Lula ou José Dirceu", disse o senador. A questão é que Delúbio não disse quem eram seus chefes.
O depoimento do ex-tesoureiro durou cerca de quatro horas e meia. Delúbio negou ter tentado achacar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões do banqueiro Daniel Dantas em troca do fim dos embaraços ao Grupo Opportunity: "Nunca pedi nem recebi nada do senhor Daniel Dantas." Admitiu, no entanto, que a pedido do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza teve uma reunião com Carlos Rodemburg, sócio do Opportunity. "Ele queria saber por que o PT não gostava do Opportunity. Eu respondi que nessa questão de negócio cada um tem a sua forma de agir", disse Delúbio.
O ex-tesoureiro voltou a insistir que o dinheiro do caixa 2 do PT veio de empréstimos de Marcos Valério e não da cobrança de propina de empresas ou de operações dos fundos de pensão. Disse que somente os diretórios petistas do Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Piauí não receberam dinheiro pelo valerioduto. Afirmou ainda que os partidos aliados o procuravam para pedir dinheiro. Ao todo, segundo ele, para o PT foram entregues cerca de R$ 30 milhões e para os partidos aliados, R$ 15 milhões.
O comitê financeiro da campanha do presidente Lula, segundo Delúbio, era formado por ele, pelo então presidente do PT José Dirceu, pelo ex-presidente do PL Valdemar Costa Neto e pelos presidentes do PCdoB e do PCB. Os novos aliados, como o PSB, o PTB e o PP apareceram durante a campanha para o segundo turno.
Em todas as oportunidades que teve, Delúbio negou que a campanha de Lula tivesse recebido dinheiro de quem quer que seja. Só admitiu o fato quando não teve jeito de negar. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) insinuou que a Companhia Vale do Rio Doce fez uma grande doação ao PT logo depois de um encontro do ex-ministro José Dirceu com Marcos Valério, quando foi discutido o futuro do nióbio. Sem ter como negar a doação da Vale, porque ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Delúbio disse que ela e outras empresas deram dinheiro ao PT, como também o fizeram a outros partidos.
O ex-tesoureiro negou ainda conhecimento de que empresas de bingo de São Paulo e do Rio de Janeiro tenham doado, por Estado, R$ 1 milhão para a campanha de Lula, em 2002. Afirmou que não conheceu o advogado Rogério Buratti, que afirmou, na própria CPI dos Bingos, ter havido a doação dos bingueiros. Também a respeito das denúncias de Buratti, disse que não é verdade que tenha recebido dinheiro doado às prefeituras de Ribeirão Preto e de Santo André, municípios administrados pelo PT e que, de acordo com denúncias do advogado, cobrariam propina de prestadores de serviços.
Por duas vezes, Delúbio se recusou a responder ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se era ou se é amigo do presidente Lula. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) pediu a palavra e repetiu a pergunta, agora acrescentando que Delúbio se recusava a falar qualquer coisa a respeito da amizade dele com Lula. Delúbio respondeu, de novo, de forma dúbia.
"Sou um admirador do presidente Lula. Já o admirava antes de ele ser presidente. Agora, com seu governo, passei a admirá-lo muito mais, principalmente pelo que ele está fazendo pelos mais necessitados. Se, quando deixar o governo, quiser minha amizade, aqui estou."
Em todo seu depoimento, Delúbio preservou não só o presidente Lula, mas também outros petistas, como José Dirceu. Os senadores quiseram saber por que o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, pagou uma conta de R$ 29 mil do presidente Lula junto ao PT. Delúbio disse que na campanha de 2002 Okamotto era o administrador do Diretório Nacional do PT. E, quando Lula venceu a eleição, passou a ser o seu procurador, justamente para resolver questões trabalhistas do recém-eleito.
"Desde 1990 Lula era assalariado do PT e, com a eleição, teria de deixar os quadros profissionais do partido. Foi encontrada uma dívida de R$ 29 mil, que Lula contestou. Eu a cobrei, porque essa era minha função. E o TSE exigia que a contabilidade fosse fechada. Então, Okamotto a pagou."

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