sexta-feira, outubro 16, 2026

OAB propõe limitar decisões individuais de ministros do STF

Publicado em 15 de outubro de 2026 por Tribuna da Internet

Conselho quer restringir decisões monocráticas

Leticia Moreira
CNN

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defendeu em medida aprovada nesta quarta-feira (14) limites objetivos para decisões monocráticas, especialmente em “matérias de grande impacto institucional”.

A entidade afirmou em manifesto lançado nesta tarde que “fortalecer a colegialidade dos Tribunais e ampliar a segurança jurídica” estão entre os objetivos da OAB Nacional para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário.

REDUÇÃO DO ESPAÇO – “Decisões individuais de natureza cautelar ou com efeitos institucionais relevantes devem ser submetidas ao órgão colegiado competente em prazo razoável. A OAB defende a redução do espaço reservado às decisões monocráticas, sobretudo em matérias de elevada relevância institucional, no controle concentrado de constitucionalidade e em decisões que interfiram diretamente na atuação dos demais Poderes”, afirmou.

A proposta aprovada pelo Conselho Federal também tem o intuito de regulamentar os pedidos de vista, segundo a OAB, com definição de prazo para devolução dos processos e retomada do julgamento.

Para a entidade, a disciplina objetiva contribui para dar maior previsibilidade à tramitação dos processos e evita que a continuidade da apreciação de matérias relevantes fique indefinidamente postergada.

PROPOSTAS – A limitação das decisões monocráticas faz parte de um conjunto de seis propostas aprovadas pela Ordem relacionadas ao Judiciário. Entre as medidas estão o estabelecimento de mandatos com prazo definido para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a adoção de um Código de Conduta para os ministros da Corte e regras claras e proporcionais para situações de conflito de interesse.

A OAB ainda defendeu a criação de vagas ao Supremo destinadas a indicações que não venham do presidente da República, com base no modelo plural do Conselho Nacional de Justiça.

CIRCUSTÂNCIAS PONTUAIS –  O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, disse que as medidas não respondem a episódios específicos, mas que “surgem de circunstâncias pontuais”. “Elas representam bandeiras históricas da advocacia brasileira, construídas ao longo de décadas de compromisso com a Constituição, com a cidadania e com a democracia”, afirmou.

O Conselho Federal instituiu em abril uma comissão de mobilização para reforma do Judiciário e, em setembro, outro comitê para consolidar propostas das seccionais e elaborar o texto final das mudanças propostas a ser apresentado ao Congresso Nacional.

As medidas acontecem em meio à crise que atinge a Suprema Corte nos últimos tempos. A tensão se aprofundou na sessão extraordinária de 15 de setembro, quando o plenário do Tribunal discutiu se os procedimentos relacionados às investigações do Banco Master que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados em conjunto.

PEDIDO DE VISTA – O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Depois, o presidente do STF, Edson Fachin, também adiou o julgamento sobre a atuação de Mendonça na relatoria dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dino tem até dezembro para devolver o processo, que ainda segue indefinido.

Como mostrou a CNN, o caso envolvendo o antigo Banco Master completou um mês parado na presidência do STF no domingo (11) desde que Fachin direcionou as investigações e os processos sobre a instituição financeira para o seu gabinete. O magistrado tem represado a análise de pedidos de liberdade de investigados e de outros processos sobre o caso, que aguardam um despacho do Supremo.


Em destaque

Fim da escala 6×1 - Escolha entre barbárie e democracia - O Jogo Duplo de Flávio Bolsonaro e muito mais..

  Fim da escala 6×1 marca o maior avanço trabalhista no Brasil desde a Constituição de 1988 15/10/2026 Por ABJ Debate sobre redução da jorn...

Mais visitadas