Por José Montalvão
Jeremoabo sempre foi uma terra rica em cultura, mesmo quando a realidade parecia caminhar na direção contrária. A falta de incentivos, o pouco apoio institucional e a desvalorização da arte local nunca foram suficientes para impedir o florescimento de talentos genuínos. Filhos da terra, resilientes, determinados e orgulhosos de suas raízes, construíram trajetórias que merecem ser lembradas, respeitadas e finalmente valorizadas.
Entre esses nomes, figura Manoel de Chico, Titonho filho do Sr. Bibo um artista que extrapolou os limites do município e chegou a integrar a banda de Chico Anísio, um dos maiores humoristas da história do Brasil. Um talento que saiu de Jeremoabo, levou consigo sua musicalidade e mostrou que, mesmo nascidos longe dos grandes centros culturais, os artistas daqui sempre tiveram potencial para ir mais longe.
Outra figura marcante é Carmelita, cuja força cultural e presença artística sempre ecoaram na cidade, representando um elo vivo entre tradição e identidade. E na arte visual, um nome se impõe naturalmente: Pimenta, profissional de mão cheia, responsável por recuperar esculturas, imagens sacras, santos, obras artísticas diversas e tudo aquilo que, nas mãos de muitos, já estaria perdido. Seu talento não é apenas técnico — é sensibilidade, respeito e dedicação à preservação da memória estética e religiosa de Jeremoabo.
Esses artistas — e tantos outros que seguem no anonimato — conseguiram resistir ao que muitos chamavam de “maldição dos capuchinhos”, expressão usada para se referir ao descaso histórico com a cultura local e com os próprios símbolos religiosos da cidade. Mesmo sem apoio, continuaram criando, restaurando, cantando, tocando e representando Jeremoabo com dignidade.
Agora, com o novo momento que a cidade vive, cresce a esperança para um cenário diferente. Espera-se que o prefeito Tista de Deda reconheça e valorize verdadeiramente os santos da terra — nossos artistas, artesãos, músicos, restauradores e criadores. Que o poder público finalmente enxergue que cultura não é gasto: é investimento em identidade, pertencimento e futuro.
Jeremoabo tem talento. Jeremoabo tem história. Falta apenas o incentivo capaz de transformar resistência em reconhecimento, e esforço em orgulho. Que este seja o tempo do resgate, da valorização e da celebração daqueles que sempre mantiveram viva a alma cultural da nossa terra.