quarta-feira, novembro 19, 2025

Jeremoabo e a Necessidade do Alienista: Entre Memórias Curta e Moral Elástica

Por: José Montalvão

A situação política de Jeremoabo chega a um ponto em que, se Machado de Assis ainda estivesse entre nós, certamente convocaria o ilustre alienista Dr. Simão Bacamarte para instalar aqui uma sucursal da Casa Verde. E talvez fizesse fila.

Durante seis anos, a Câmara de Vereadores desempenhou um papel que, em tese, deveria ser exemplar: denúncias semanais, quase diárias, contra o então prefeito Deri do Paloma. Foram acusações envolvendo educação, saúde, infraestrutura e outras frentes onde o desgoverno se instalou. As denúncias ecoavam na tribuna, nas rádios locais, nas redes sociais, nos blogs, nos sites, no Instagram e no Facebook. Uma verdadeira sinfonia de moralidade — ao menos no discurso.

Até aí, nada de anormal. Fiscalizar é dever do vereador, e denunciar irregularidades deveria ser um ato digno de louvor, não de censura. O problema é que toda essa indignação parecia ser ensaiada para a plateia, não para a história.

Agora, com a proximidade das próximas eleições, um fenômeno digno de estudo psiquiátrico tomou conta de parte dos mesmos vereadores e figuras políticas: uma amnésia seletiva, conveniente e altamente oportuna. Esqueceram tudo. Absolutamente tudo.

Sumiram as denúncias outrora repetidas com empolgação. Desapareceram as certezas sobre atos de improbidade. Evaporou-se o zelo moral que, por anos, serviu como combustível político. O que antes era grave, agora virou tolerável. O que antes era inadmissível, agora é “normal”. E os mesmos que acusavam se unem, apoiam ou se calam diante de candidatos que praticaram atos iguais — ou ainda piores — do que os que eles mesmos denunciavam.

A memória curta, combinada com a moral elástica, transformou a velha política de Jeremoabo num teatro em que os personagens mudam, mas o roteiro continua pobre e previsível. As acusações perderam a validade, como se tivessem data de vencimento. E o que era pecado virou estratégia.

Por isso, talvez seja mesmo o caso de solicitar a cooperação técnica do alienista Dr. Simão Bacamarte. Porque o que está acontecendo não é apenas incoerência — é um surto coletivo de conveniência política, que desafia o bom senso e a paciência do eleitor.

Jeremoabo não precisa de loucos. Precisa de coerência. Precisa de memória. Precisa de representantes que saibam que a ética não pode ser usada como arma de ocasião, nem como moeda eleitoral.

E enquanto a Casa Verde não chega, resta ao povo observar, lembrar e decidir. Porque nas urnas, ao contrário da política, a amnésia costuma cobrar caro.


Nota da Redação Deste BlogDe que adianta tudo isso?

De que adianta repetir, ano após ano, que “todos os políticos são farinha do mesmo saco”?
De que adianta xingar, se indignar nas rodas de conversa, se envergonhar publicamente dos políticos ímprobos — principalmente daqueles deputados, senadores e até estaduais que vivem atolados em escândalos — se, quando chega a eleição, a população simplesmente esquece tudo o que condenou?

É um ciclo que parece não ter fim:
As pessoas criticam, se revoltam, compartilham vídeos, fazem desabafos inflamados nas redes sociais, juram que nunca mais votarão em certos nomes, prometem renovação…
Mas, na hora decisiva, na urna, deixam a consciência de lado e repetem os mesmos gestos que mantêm a banda podre instalada no Senado, na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas.

E assim, a cada eleição:

Os escândalos são esquecidos.
Os corruptos são perdoados.
Os fichas-sujas viram “opções viáveis”.
Os oportunistas retornam como salvadores.
Os enganadores ganham nova chance de enganar.

A política se deteriora não apenas pela ação dos maus, mas pela omissão dos bons e pela memória curta do eleitor.

De que adianta reclamar?
De que adianta denunciar?
De que adianta pedir moralidade?

Se, na hora de mudar, o próprio povo se recusa a virar a página?

A verdade é dura, mas necessária: enquanto o eleitor não votar com consciência, informação e responsabilidade, nenhuma mudança real nascerá.
Não existe limpeza ética possível sem a participação ativa de quem elege.
Não existe renovação quando o voto é guiado por promessa vazia, emoção passageira, favores pessoais ou conveniência.

O Brasil só terá um Congresso digno quando o eleitor tiver coragem de romper com os velhos vícios — e isso começa na urna, não no desabafo.

A indignação só vale quando se transforma em ação.
O resto é apenas barulho que se perde antes da próxima eleição.

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