Flávio Bolsonaro avança como candidato, tem apoio de Eduardo e atrapalha Tarcísio
Por Mônica Bergamo, Folhapress
14/11/2025 às 14:01
Foto: Roque de Sá/Agência Senado/Arquivo
Senador Leonardo Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avançou em seus movimentos para se lançar candidato à Presidência da República.
As conversas se aceleraram com a proximidade da prisão em regime fechado de Jair Bolsonaro.
De acordo com líderes de partidos que integraram o governo do ex-presidente e que hoje defendem a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) para concorrer contra Lula, Flávio afirmou a eles nas últimas semanas que pretende mesmo entrar na disputa.
"E, mais ainda: acha que pode ganhar", afirma um dos líderes, que mantém diálogo frequente com o parlamentar, mas não acredita em suas chances eleitorais.
O senador já conversou também com o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se diz disposto a concorrer contra Tarcísio para evitar que o espólio político do pai seja entregue de mão beijada ao governador de SP e ao Centrão. Ele já afirmou ao pai que Tarcísio só fica "vendo você se foder e se aquecendo para 2026".
Os dois irmãos se reuniram no mês passado nos EUA, onde Eduardo está em autoexílio. O jornalista Paulo Figueiredo participou do encontro.
Flávio ouviu na reunião que teria o "apoio entusiasmado" de Eduardo: o deputado retiraria o time de campo caso o irmão mais velho concorra em 2026 pois veria nele um nome que representa o grupo político ao qual pertencem _ao contrário de Tarcísio. "Isso acabaria com os planos de uma chapa puro-sangue do Centrão, só com gente deles, em um bolsonarismo sem Bolsonaro", diz um interlocutor de ambos.
Os dois irmãos vão agora viajar juntos a El Salvadorpara um encontro com o presidente linha-dura do país, Naiyb Bukele.
A candidatura de Flávio teria algumas vantagens relativas em relação à de Eduardo: ele seria mais palatável para o Centrão e também para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A disposição de Flávio representa uma pedra no caminho dos defensores da candidatura de Tarcísio em uma chapa pura-sangue do Centrão _ou seja, sem o sobrenome Bolsonaro como vice.
Sem apoio inequívoco da família, o governador de São Paulo não se lançaria candidato pois não estaria disposto a entrar em uma bola dividida, sofrendo ataques diuturnos de Eduardo e de outros bolsonaristas. Nestas condições, preferiria disputar a reeleição em SP.
"Tarcísio começou o mês com 85% de chances de ser o candidato a presidente da direita. Elas caíram para 50% com essa disposição recente do Flávio", diz um antigo apoiador de Bolsonaro que acompanha de perto os movimentos da família.
O mesmo interlocutor acredita que é possível ainda um acordo em que Tarcísio, que pretende ter como vice o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ceda e entregue essa vaga a Flávio Bolsonaro.
Com isso, ele conseguiria em tese acalmar Eduardo, que não teria como atacar uma chapa em que o irmão mais velho figurasse como vice.
Problema: líderes do Centrão resistem a aceitar um dos integrantes da família Bolsonaro na chapa, pois acreditam que isso tira votos do Tarcísio. A rejeição a Jair Bolsonaro é de 60%, segundo a pesquisa Genial/Quaest. A de Eduardo Bolsonaro bate nos 67%.
"Temos que ser pragmáticos", afirma um dirigente partidário que se alinha à direita.
Apoiadores de Eduardo afirmam que de fato a rejeição a Tarcísio diminuiria se ele fizesse uma "aliança com o verdadeiro bolsonarismo", e não uma chapa puro-sangue do Centrão. Mas rejeitam a ideia de Flávio ser o vice na chapa.
"O lógico seria o contrário: Flávio presidente com Tarcísio de vice, já que os votos são de Bolsonaro. O rabo não pode abanar o cachorro. Tem que ser o contrário", disse um deles à coluna.
Caso o pai, Jair Bolsonaro, batesse o martelo em torno da chapa com Flávio na vice, o senador obedeceria as determinações. Mas Eduardo poderia voltar ao ataque _ele já demonstrou autonomia completa em relação ao ex-presidente, de forma contundente, conforme mensagens até com xingamentos colhidas em investigações da Polícia Federal.
Políticos de direita avaliam que ainda há chance de Tarcísio sair candidato com Michelle Bolsonaro como vice, com o aval do ex-presidente. Mas, neste caso, a chapa teria forte oposição dos filhos de Bolsonaro, que não são exatamente entusiastas da candidatura da madrasta.