Belém virou a capital do clima. A COP30 começou nesta segunda-feira, 10, reunindo chefes de Estado, lideranças setoriais e representantes da sociedade civil para debater a agenda climática e ambiental. Durante o discurso de abertura, o presidente Lula (PT) reforçou a urgência dos debates e defendeu que este é o momento para “impor derrota aos negacionistas”.
“A COP30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, declarou.
A fala ocorreu após declarações do presidente Donald Trump no domingo, 9. Em suas redes sociais, o líder americano criticou as obras realizadas na capital paraense para receber a COP30. Os Estados Unidos não participarão desta edição do evento. “Eles destruíram a Floresta Amazônica no Brasil para a construção de uma rodovia de quatro faixas para que ambientalistas pudessem viajar”, publicou.
- Ainda em seu discurso de abertura, Lula comentou que a emergência climática não é uma preocupação futura, mas um desafio presente, citando o tornado que atingiu o Paraná no último final de semana. “A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o estado do Paraná, no Sul do Brasil, deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição”, disse.
Crítica às guerras
O presidente brasileiro manteve em sua fala as críticas aos conflitos armados, postura que tem adotado nas demais agendas internacionais. “Se os homens que fazem guerra tivessem aqui nessa COP, eles iriam perceber que é muito mais barato colocar 1,3 trilhão de dólares para a gente acabar com o problema climático do que colocar 2,7 bilhões de dólares para fazer guerra como se deu no ano passado”, declarou o petista.
Fundo de Florestas Tropicais (TFFF)
A iniciativa do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) teve boa receptividade entre os países. Metade dos 10 bilhões de dólares esperados até novembro de 2026 já foi alcançada, com expectativa de novas adesões de outros países participantes da Cúpula do Clima. A principal ideia é que países com grande extensão territorial de florestas tropicais conservadas, como Brasil e Indonésia, sejam remunerados pela conservação dos biomas.