quinta-feira, novembro 06, 2025

Carta de juristas cobra Lula em meio à crise no Rio e acende alerta no Planalto


Aliados da esquerda exigem ação direta de Lula

Bela Megale
O Globo

Um grupo de juristas de esquerda passou a articular uma carta aberta ao presidente Lula sobre a operação no Rio de Janeiro que se tornou a mais letal da história, com 121 mortes. Na minuta do documento, à qual a coluna teve acesso, o grupo pede que Lula crie uma secretaria diretamente ligada à Presidência para liderar as iniciativas envolvendo a crise de segurança pública fluminense.

“O limite a que chegamos recomenda que V. Exa. assuma pessoal e diretamente, por meio de uma Secretaria Especial da Presidência da República – dirigida por um Secretário de Estado com prerrogativas ministeriais e estreitamente ligado à sua liderança e direção”, diz o texto. A carta aponta que o objetivo da secretaria “seria coordenar, com a sua autoridade, todas as instâncias de polícia, de inteligência, de informações e de caráter operacional da União, para debelar a crise do Rio de forma conjugada com o governo estadual e também iniciar a formatação institucional do Ministério da Segurança Pública no país, proposta que está contida no seu programa de governo”.

DURAS CRÍTICAS – O documento também traz duras críticas ao modo como a operação no Rio foi conduzida pelo governo estadual, classificada como “mal preparada e mal explicada”, além de “inadequada para enfrentar as facções criminosas”. O texto está em fase de coleta de assinaturas.

Integrantes do governo Lula já tiveram acesso à minuta e criticaram com ênfase a iniciativa. Eles avaliam que o momento para pressionar o presidente sobre o ocorrido é o “pior possível”, já que as pesquisas mostram que a ação policial no Rio teve amplo apoio popular. A avaliação é que a carta tem grande potencial de fortalecer o discurso da direita, com ataques ao governo federal na área de segurança pública.

CONCLUSÕES – Para membros do governo Lula, é preciso aguardar os resultados das perícias que serão analisadas pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para que se tenha conclusões efetivas sobre a lisura e abusos da operação.

Outro fator que irritou integrantes da Esplanada foi a carta sugerir a criação de uma secretaria diretamente ligada a Lula. Para eles, a iniciativa joga o problema da segurança pública no colo do presidente, como quer a oposição. Uma autoridade que atuou nesse segmento em governos anteriores classificou a proposta como “colocar veneno diretamente na veia de Lula”.

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