
Senadora foi ministra durante o governo Bolsonaro
Gabriel Sabóia
O Globo
O nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) ganhou força entre representantes do agronegócio para ser vice em uma possível chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência, com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ministra da Agricultura durante o governo Bolsonaro, a parlamentar é vista como um nome capaz de atrair o eleitorado feminino e conservador e integra a federação entre União Brasil e PP, de onde deve sair o vice para a chapa de centro-direita.
NOME PONDERADO – O nome dela já foi aventado para integrar a chapa em 2022, mas Bolsonaro optou por Walter Braga Netto para o posto. Vista no Congresso como nome ponderado do bolsonarismo, a parlamentar manteve interlocução recente com a base de Lula, durante a relatoria do projeto da Reciprocidade Econômica, e foi elogiada pelos colegas governistas.
Meses depois, ao ver o Brasil ser taxado pelo governo dos Estados Unidos, disse que a Lei da Reciprocidade Econômica só deveria ser usada “como último recurso” e quando “todos os caminhos diplomáticos” fossem esgotados, embora o agronegócio estivesse entre os setores mais afetados pelo tarifaço. Posicionamentos como estes a reforçam como um nome “mais ao centro”, não associado ao radicalismo.
SEM RESISTÊNCIA – O nome dela já foi colocado por membros do agro a Bolsonaro e ao filho mais velho dele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que não apresentaram resistência inicial. Tarcísio, que foi colega de Esplanada de Tereza, também teria simpatia à ideia.
A concorrência, porém, pode vir de dentro do próprio partido, já que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) não esconde a vontade de compor a chapa. Ao O Globo, no mês passado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, definiu Ciro como “um ótimo nome” para o posto. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é cotada, embora seja mais provável que concorra ao Senado pelo Distrito Federal.
— Estaremos com o Tarcísio, caso ele seja o candidato apoiado pelo Bolsonaro. É provável que o vice seja da federação União-PP, e a Tereza é um nome mais do que perfeito para nós, do agro. É ponderada, de confiança, entende nossas bandeiras. Mas, até o momento, não temos candidatura definida, muito menos o vice. Outros nomes ótimos ainda vão surgir, certamente — disse o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Pedro Lupion (PP-PR).
NEGATIVA – Procurada, Tereza não respondeu diretamente. Por meio da sua assessoria, disse que “ninguém é candidato a vice” e negou ter tido qualquer conversa sobre o tema até o momento.
Na última segunda-feira, depois do primeiro encontro com Bolsonaro desde que o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, Tarcísio reafirmou que será candidato à reeleição para o governo de São Paulo. A insistência na reeleição é lida por aliados como uma forma de dar uma “acalmada” nas especulações e ganhar tempo. Valdemar Costa Neto afirmou que, caso Tarcísio seja candidato ao Planalto, será pelo PL.
— Quem vai escolher o candidato a presidente e a vice é o Bolsonaro, na hora certa. É por isso que ele (Tarcísio) ainda não veio para o PL. Se ele for candidato à Presidência, com o aval de Bolsonaro, será pelo nosso partido. Se tentar a reeleição por São Paulo, será pelo Republicanos. Então, sem esta decisão feita, ainda não faz sentido ele vir. O Republicanos sempre foi e sempre será parceiro nosso — disse, no último mês.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Grande reforço para a candidatura de Tarcísio de Freitas. Vai ser uma eleição eletrizante e acredito que Tarcísio vença o segundo turno. Será esculhambado de todo jeito, chamado de privatista etc., mas é um militar de carreira, que saberá defender os interesses do país, conforme ensinam no quartel. (C.N.)