quarta-feira, janeiro 29, 2025

Na História, a colonização é sempre feita com perseguição étnica

Publicado em 28 de janeiro de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem retrata uma cena de conflito entre colonizadores e indígenas em uma praia. No fundo, há um navio à vela. Os colonizadores estão armados e em pé, enquanto os indígenas estão em uma posição mais vulnerável, alguns no chão e outros em pé. A cena é colorida, com predominância de tons terrosos e um céu cinza.

Ilustração de Anette Schwartsman (Folha)

Hélio Schwartsman
Folha

Como sempre ocorre quando o João Pereira Coutinho elogia um livro, corri para adquiri-lo e lê-lo. Não foi diferente com “On Settler Colonialism” (sobre o colonialismo de assentamento), de Adam Kirsch. O livro é bom.

Confesso que não conhecia essa moda ideológica universitária. Se seus proponentes se limitassem a reconhecer que várias nações foram forjadas a partir de um processo de colonização que resultou na subjugação ou eliminação de populações que já viviam naquelas áreas, eu seria o primeiro a subscrevê-la. Não dá para negar a história.

BEIRA O DELÍRIO – Os adeptos dessa escola interpretativa, porém, vão mais longe. Para eles, o processo de formação dessas nações carrega uma mácula que só seria sanada com a devolução das terras aos povos originários e a retirada dos invasores.

E isso beira o delírio. Dos mais de 300 milhões de norte-americanos, menos de 3% descendem dos indígenas. Algo parecido vale para Brasil, Austrália etc.

Na congestionada Eurásia, a coisa fica pior. Lembro o caso da Crimeia. De 700 a.C. para cá, a península foi controlada por cimérios, búlgaros, gregos, citas, romanos, godos, hunos, cazares, bizantinos, venezianos, genoveses, kipchaks, otomanos, tártaros, mongóis, russos, alemães e ucranianos. Pode ser desafiador distinguir invasores de invadidos. O colonizador de ontem tende a ser a vítima da invasão subsequente.

ANTISSEMITISMO – O propósito de Kirsch ao escrever a obra é explicar a mais recente transfiguração do antissemitismo, que ganha adeptos nas universidades. Seria legítimo lançar os judeus ao mar porque eles seriam os novos colonizadores, que roubaram a terra da população palestina originária.

Não é um raciocínio que passe no teste da historiografia. Não se trata por óbvio de negar que Israel comete crimes contra os palestinos. Eles se dão à vista de todos.

Mas não dá para esquecer que, em algum momento da história, os judeus foram a população invadida daquela região. E houve outro momento em que os palestinos apareceram ali como invasores, desalojando algum outro povo. Essa é mais ou menos a história de todas as nações.


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