domingo, novembro 13, 2022

Mancha na laringe de Lula é lesão pré-maligna e requer acompanhamento, diz oncologista


Dr José Guilherme Vartanian no Jornal Hoje - Globo 29 10 2011 Hospital ACCamargo - YouTube

Sem regressão, terá de haver cirurgia. diz o médico

Victoria Azevedo
Folha

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizou exames de rotina neste sábado (12), no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, antes de viajar ao Egito, onde participará da COP27, conferência da ONU sobre mudanças climáticas. Nos exames, foram apontadas inflamação das cordas vocais e leucoplasia na laringe, que é caracterizada por manchas brancas. Eles também mostraram “completa remissão do tumor diagnosticado em 2011”.

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a leucoplasia não é uma “emergência médica”, mas que requer acompanhamento médico, uma vez que pode evoluir para um câncer. As probabilidades de isso ocorrer, no entanto, são de cerca de 10%.

REMISSÃO DO CÂNCER – Segundo boletim médico divulgado pelo hospital na tarde de sábado, “foram realizados exames de imagens: ecocardiograma, angiotomografias e PET scan, que estão normais e seguem mostrando completa remissão do tumor diagnosticado em 2011”.

“O exame de nasofibroscopia mostra alterações inflamatórias decorrentes do esforço vocal e pequena área de leucoplasia na laringe”, completa o boletim.

O presidente eleito foi acompanhado pelas equipes médicas coordenadas pelo cardiologista Roberto Kalil Filho, que é seu médico, e por Artur Katz e Rubens Brito.

LESÃO PRÉ-MALIGNA – Segundo o oncologista José Guilherme Vartanian, especialista em cabeça e pescoço do A.C.Camargo Cancer Center, a leucoplasia “não é uma emergência médica, mas é preciso acompanhamento de perto”, uma vez que ela é considerada uma “lesão potencialmente pré-maligna” e pode se tornar um câncer.

Ele cita três causas principais para a leucoplasia: tabagismo, etilismo e refluxo gastroesofágico. Para ele, num primeiro momento, é preciso “tirar o fator causal”, ou seja, tratar o que pode ter causado a leucoplasia, e seguir com acompanhamento médico. Caso não haja melhora e seja avaliada a necessidade de uma cirurgia, o procedimento é de baixo risco.

“É uma cirurgia simples, de baixo risco. Geralmente, o paciente vai de alta [hospitalar] no dia seguinte. É simples e rápido”, diz Vartanian.

REPOUSO VOCAL – O pós-operatório, segundo ele, implicaria uma semana de repouso vocal e exercícios com fonoaudióloga. Ele diz que o impacto na voz do paciente depende da localização, na laringe, da leucoplasia.

O oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas Pedro De Marchi, especialista em câncer de cabeça e pescoço e coordenador médico do Instituto Oncoclínicas, diz que o tratamento para a leucoplasia é “basicamente observação” e, caso possível, “ressecção da lesão”, via cirurgia.

“Vai depender muito da localização, mas, em geral, essas lesões são passíveis de ressecções simples. Muitas das vezes endoscópicas”, disse, esclarecendo que o fato de um paciente discursar ou falar muito não interfere na chance de a lesão progredir para um câncer “de maneira alguma”.

PRESERVAÇÃO DA VOZ – Assinala o especialista que, uma vez realizada a cirurgia e o paciente se recuperando dela, “não existe nenhum tipo de limitação” em relação à preservação da voz.

“A partir do momento que faz o procedimento, a voz pode ficar comprometida por alguns dias. Mas, quando cicatriza depois do procedimento cirúrgico e o paciente se recupera da cirurgia, vida normal. Nada específico em relação a discursar e falar, não existe nenhum tipo de limitação”, diz De Marchi.

Médico-chefe do serviço de cirurgia de cabeça e pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Marco Aurélio Kulcsar diz que, se a lesão for pequena, “nem alteração da voz tem”.

CIRURGIA RÁPIDA –  O profissional afirma que, com seus pacientes, uma vez diagnosticada a lesão, ele reavalia o quadro em 15 dias. Caso não haja melhora e considerando o tamanho e localização da lesão, assim como os antecedentes da pessoa, ele realiza a cirurgia.

No sábado, Lula estava acompanhado no hospital de sua esposa, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, e do deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP).

Nas redes sociais, Padilha escreveu que “os resultados foram ótimos” e que Lula está firme e forte para mudar o Brasil. “O tumor que ele teve há 10 anos está em completa remissão e sua saúde está pronta para governar o país pelos próximos anos”, disse o parlamentar, sem se referir à leucoplasia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente reportagem de Victoria Azevedo, muito elucidativa. Confirma totalmente a informação da Tribuna da Internet, no sentido de que, no próximo exame de Lula, caso a lesão não regrida por via medicamentosa, o presidente eleito terá de fazer a cirurgia preventiva, pois no caso nem é possível fazer biopsia, para definir se há câncer ou não. Quanto à cobertura da imprensa, foi constrangedora a mancada de O Globo, Estadão, Correio Braziliense, Veja etc., etc. Todos publicaram a versão do PT, com Alexandre Padilha, que é médico, “comemorando” os excelentes resultados do exame de Lula, conforme registrou a Veja. Somente O Globo depois se mancou e deu uma matéria explicando o que é leucoplasia, que é cancerosa em quase 20% dos casos. (C.N.)


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