Publicado em 6 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Eduardo Leite se tornou o maior líder do que restou do PSDB
Pedro Venceslau e Raphael Ramos
Estadão
Principal liderança nacional do PSDB após ser reeleito governador do Rio Grande do Sul no último domingo, Eduardo Leite defende que o partido faça oposição ao governo Lula e não descarta uma fusão ou a composição de uma nova federação partidária como alternativa dentro do processo de reconstrução dos tucanos. MDB, Cidadania e Podemos estão entre as siglas que podem fazer parte desta transição.
“Pretendo ir a Brasília na próxima semana para conversar com os líderes do partido para que a gente possa promover um alinhamento e definir os caminhos que serão trilhados, se será federação com algum partido, fusão ou criação de algo novo”, disse o governador reeleito ao Estadão.
MENOS PARLAMENTARES Após governar o País duas vezes com Fernando Henrique Cardoso, o PSDB elegeu apenas 18 deputados federais na última eleição, já contando com os que entraram pelo Cidadania, que faz parte de uma federação com os tucanos. Como base de comparação, há quatro anos, o PSDB havia conseguido eleger sozinho 29 parlamentares.
Nos Estados, os tucanos perderam em São Paulo após 28 anos no poder e venceram no segundo turno no Rio Grande do Sul, em Pernambuco (com Raquel Lyra) e em Mato Grosso do Sul (com Eduardo Riedel). Essa nova geografia nacional do partido é o que faz de Leite, hoje, o principal nome da sigla com mandato e peso determinante no futuro da legenda.
“O resultado que se pretende é o fortalecimento de um campo no centro que esteja associado, seja na forma de uma federação ou, se possível, partindo para a criação de algo novo”, antecipou Leite. Para o gaúcho, é necessário “conciliar agendas, com visão arrojada de economia”.
NOVA FEDERAÇÃO – A possibilidade de a sigla formar uma federação com outros partidos que estiveram juntos em apoio à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) ao Palácio do Planalto já começou a ser discutida no mês passado entre os presidentes do PSDB, Bruno Araújo; do MDB, Baleia Rossi; do Cidadania, Roberto Freire; e do Podemos, Renata Abreu. Como Leite estava envolvido na disputa do segundo turno do governo gaúcho, agora é que ele passará a participar mais ativamente dessas conversas.
As federações exigem que as legendas aglutinadas atuem de forma conjunta, como se fossem uma só sigla, por no mínimo quatro anos. A união vale nos níveis federal, estadual e municipal.
Lideranças de MDB e Cidadania admitem publicamente a possibilidade de formar uma federação com o PSDB, mas o governador gaúcho vai além ao falar em uma possível fusão ou o que ele chama de “criação de algo novo”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se as articulações de Eduardo Leite não derem resultado, pode acontecer um fenômeno estranho, com Lula governando praticamente sem oposição, como se fosse o rei da cocada preta. Assim, vai ser ainda mais difícil aturar sua prepotência. (C.N.)