segunda-feira, setembro 23, 2019

Tensões, disputas e falta de coesão marcam crises internas do PSL em Assembleias Legislativas pelo país


Rompimento com Witzel foi uma das encrencas envolvendo o PSL
Guilherme Caetano
O Globo
O aviso de Flávio Bolsonaro na última semana de que o PSL não apoiaria mais o governo de Wilson Witzel (PSC) entrou para a lista de encrencas envolvendo a sigla nos estados. Além do Rio de Janeiro, o partido de Jair Bolsonaro coleciona tensões, disputas e falta de coesão em outras Assembleias Legislativas pelo país.
Há casos de deputados se recusando a votar com o próprio governo, reclamações sobre postagens no Facebook e até relatos de ameaças e disputas por diretórios. Em Santa Catarina, a deputada Ana Campagnolo e o governador Carlos Moisés nem sempre falam a mesma língua.
No mês passado, Campagnolo votou a favor de suspender os decretos governamentais que extinguiam incentivos fiscais a agrotóxicos no estado. Ela vem de uma família de agricultores. “Tendo que escolher a posição que defende o nosso presidente da República e a postura do nosso governador, eu escolhi ficar ao lado de Jair Bolsonaro”, declarou a deputada em vídeo gravado para o seu canal no Youtube.
“PAUTAS ESQUERDISTAS” – Ela afirmou que, “como membro do partido do governo do estado”, deveria se posicionar a seu favor. Mas mudou de ideia ao saber que o deputado Fabiano da Luz (PT) votaria a favor do projeto de Moisés. O governador já foi atacado nas redes sociais pelo próprio eleitorado, sendo associado a “pautas esquerdistas” — tratamento que ele se queixa de não ser replicado a outros membros do governo que, segundo diz, agem da mesma forma que ele.
Um outro caso curioso também foi presenciado na Assembleia catarinense. O deputado Sargento Lima chegou a subir à Tribuna para condenar uma postagem no Facebook feita por um assessor de seu correligionário, Jessé Lopes. O funcionário havia publicado que seu chefe era a “única voz sincera e sem compromisso de poder com a ilicitude” entre todos os parlamentares da assembleia. O comentário tirou Sargento Lima do sério.
LARANJAS E AMEAÇAS – Minas Gerais vivencia uma situação menos pública. Interlocutores se queixam da influência ainda exercida pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que deixou a Presidência da sigla no estado. Após ter denunciado o esquema de candidaturas laranja em Minas, a deputada federal Alê Silva relatou ter sofrido ameaças do ministro.
O grupo de Álvaro Antônio permanece no poder no estado, segundo fontes que não quiseram ser identificadas. A reclamação se dá acerca da deposição de aliados da deputada do comando de diversos diretórios municipais. Alê Silva já declarou que “está só esperando” ser expulsa da legenda, o que ainda não aconteceu.
SEM DIÁLOGO – Já na Bahia, o desentendimento fica entre a deputada estadual Talita Oliveira e a deputada federal Dayane Pimentel. Talita reclama da falta de diálogo de Dayane com a base. Junto do candidato derrotado ao Senado Comandante Rangel, a parlamentar do estado também critica a adesão do PSL baiano ao governo de ACM Neto (DEM), do qual faz parte o marido de Dayane Pimentel.
Apesar de ter a maior bancada entre os estados, com 15 deputados, o PSL de São Paulo vive em relativa harmonia, dentro dos limites de discordância comuns em outras legendas. A coesão da bancada poderia ser maior, entretanto, não fosse a atuação quase independente de Janaina Paschoal.
“CIÚMES” – Eleita com mais de dois milhões de votos, a maior votação da história, Paschoal ajudou a eleger muitos dos colegas do PSL em razão do coeficiente eleitoral — situação que causa uma espécie de “ciúme” para a bancada. Alguns acreditam que o eleitorado tão expressivo lhe deu moral para que cumpra a própria agenda, alheia aos acordos da legenda.
Em relação ao governo estadual, integrantes da bancada dizem que “inexiste relação de confiança” com João Doria (PSDB). O partido até agora, entretanto, tem atuado quase como base aliada, votando favoravelmente às pautas dos tucanos em muitas matérias.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
A disputa por espaço e poder dentro da legenda reflete a falta de maturidade política do PSL e a ansiedade de muitos parlamentares em concretizar ações em curtíssimo prazo, sem o mínimo de estruturação. Além da exarcebada atuação negativa de Flávio Bolsonaro, promovendo a insatisfação pública e explícita de alguns expoentes do seu partido e apoiadores bolsonaristas, as picuinhas e a falta de entendimento pelos vários estados aumentam ainda mais a fragilidade partidária. A roupa suja não está sendo lavada dentro de casa, mas no quintal do país com direito a selfies e exposições. Se a trégua não for determinada, as dissonâncias só tendem a ecoar cada vez mais alto, quebrando pouco a pouco o partido onde muitos falam, poucos se entendem, repetindo velhos exemplos. (Marcelo Copelli)

Em destaque

EDITORIAL: Ouvidoria Municipal – A Ponte Direta que Tista de Deda Criou para a Cidadania, Transparência e Democracia

  EDITORIAL: Ouvidoria Municipal – A Ponte Direta que Tista de Deda Criou para a Cidadania, Transparência e Democracia Por José Montalvão  P...

Mais visitadas