quinta-feira, agosto 08, 2019

Bolsonaro chama coronel torturador de ‘héroi nacional’ e almoça com a viúva dele


Resultado de imagem para bolsonaro elogia ulstra no alvorada
Bolsonaro fez questão de enaltecer a missão do chefe da tortura
Deu no G1
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (8) que o coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi durante a ditadura militar, é um “herói nacional”. Ustra morreu em 2015, aos 83 anos. O DOI-Codi era o órgão de repressão política no período do governo militar.
Entre 29 de setembro de 1970 a 23 de janeiro de 1974, período em que o coronel esteve à frente do DOI-Codi, foram registradas ao menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, de acordo com relatório elaborado pela Comissão Nacional da Verdade, que apurou casos de tortura e sumiço de presos políticos durante os governos militares.
MAIS ELOGIOS – Na saída da residência oficial do Palácio do Alvorada, Bolsonaro falou com jornalistas sobre um almoço com a viúva do coronel, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra.
“Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”, afirmou o presidente.
Ustra também foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura durante a ditadura. Em outubro de 2008, o juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível central, em São Paulo, julgou procedente o pedido dos autores da ação, que buscava que a Justiça apontasse Ustra como responsável por crimes de tortura.
INDENIZAÇÃO – Em 2012, ele foi condenado a pagar indenização por danos morais à esposa e à irmã do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em julho de 1971. O coronel negava ter cometido atos de violência contra presos.
O relatório final da Comissão da Verdade apontou 377 pessoas – entre elas Ustra – como responsáveis diretas ou indiretas pela prática de tortura e assassinatos durante a ditadura.
VOTO POLÊMICO – Em abril de 2016, dias depois de aberto o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comandada à época por Felipe Santa Cruz (atual presidente nacional), protocolou na Câmara dos Deputados um requerimento pedindo a cassação do mandato do então deputado Jair Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar e apologia à tortura.
Na oportunidade, Bolsonaro, ao declarar seu voto favorável à abertura do impeachment, homenageou Brilhante Ustra. “Pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, disse o então deputado ao votar pela abertura do processo.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O embate do passado deveria ser esquecido, mas Bolsonaro faz questão de revivê-lo, reabrindo as feridas das famílias das vítimas de lado a lado e fazendo provocações sem a menor justificativa. Seu despreparo para presidir o país é cada vez mais flagrante. Ele acha que é presidente apenas dos brasileiros que pensam como ele, que são uma minoria muito pequena. É um engano, ele é presidente de todos nós(C.N.)

Em destaque

Pai de Vorcaro é preso pela PF por ser cúmplice do filho e ameaçar adversários

Publicado em 14 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Henrique Vorcaro era mandante dos atos de “Sicário” ...

Mais visitadas