sábado, junho 15, 2019

Moro e Dallagnol já podem respirar aliviados, mas a Lava Jato continua ameaçada


Resultado de imagem para moro e dallagnol
Depois do vendaval, não há nada de desabonador contra os dois
Carlos Newton
No final da tarde de domingo, dia 9, quando o site “The Intercept Brasil” lançou a primeira reportagem da prometida série sobre o que se anunciava como grande escândalo da Lava Jato, que se concretizaria por meio da comprovação de que o então juiz Sérgio Moro teria coordenado e comandado ilegalmente a principal força-tarefa da Lava Jato, a “Tribuna da Internet” não embarcou nessa onda. Pelo contrário, na manhã da segunda-feira, dia 10, publicamos o primeiro artigo que saiu na mídia e na internet brasileira defendendo Moro e o procurador Deltan Dallagnol.
No artigo, fizemos a seguinte recomendação: “Vamos com calma, porque a bancada da corrupção, que é majoritária nas instituições brasileiras, agora vai partir com tudo para destruir a Lava Jato, é preciso resistir”.
NÃO DEU OUTRA – De fato, foi exatamente isso que aconteceu. A mídia inteira embarcou na canoa furada do “The Intercept”, que anunciou que publicara apenas 1% do que havia apurado, e logo sairia “uma série” de matérias sobre o assunto.
Aqui na “TI”, fomos logo desmascarando esses farsantes. Neste primeiro artigo sobre o caso, fizemos a seguinte observação: É claro que os organizadores do já apelidado “Wikileaks de Curitiba” tiveram um trabalho enorme para selecionar os trechos mais censuráveis em dois anos de mensagens. Mas na verdade não conseguiram pinçar afirmações capazes de efetivamente destruir ou invalidar o consistente trabalho da Lava Jato.”
Acrescentamos que nas mensagens selecionadas não se via adulteração nem manipulação de provas. E assinalamos: “Em nenhuma delas se constata a existência de uma “conspiração” para destruir Lula e o PT, como tentam fazer crer determinados jornalistas ligados ao site “The Intercept”. Pelo contrário, o que aparece é a incerteza de que a Lava Jato realmente conseguiria “limpar o Congresso”. 
NADA DE GRAVE – Na terça-feira, dia 11, pegava fogo o falso escândalo, porque o Conselho Nacional do Ministério Público já tinha aceitado abrir duas representações simultâneas contra Deltan Dallagnol – uma delas, por ter trocado mensagens com o juiz Moro, e a segunda, por ter atacado a honra do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é um crime impossível, pois honra é atributo que o citado parlamentar decididamente não possui. E falava-se também em demissão de Moro e anulação das sentenças por ele aplicadas.
No meio dessa vendaval, com a mídia atacando implacavelmente Moro e Dallagnol, aqui na TI chamamos atenção para o disparate . “Afinal, o que há de concreto contra o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Nada, absolutamente nada. Como juiz de instrução de todos os processos iniciais da Lava Jato, era Moro quem autorizava todas as complexas operações policiais, algumas desfechadas simultaneamente em vários Estados, e não podia haver vazamentos, que possibilitariam evasões e ocultação de provas”, afirmamos, acrescentando:
“Moro desempenhava a função do chamado juiz de instrução, era ele que recebia as informações para autorizar prisões preventivas e provisórias, assim como quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. Como juiz de instrução, portanto, era natural que Moro se comunicasse com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que liderava a equipe de procuradores, delegados federais e auditores da Receita que estão passando a limpo este país”.
CAINDO NO RIDÍCULO – De terça-feira para cá, aos poucos, as coisas foram se modificando. O vice-presidente Hamilton Aragão saiu em defesa de Moro, alguns jornalistas começaram a entender como funciona o juiz de instrução e seu relacionamento com o Ministério Público,. Além disso, não saiu mais denúncia alguma da série prometida pelo The Intercept, apenas perfumarias, como se dizia antigamente.
O bom senso então começou a suplantar o sensacionalismo ideológico, e importantes jornalistas passaram a apoiar a tese da TI, de que não se tratava de um ataque a Moro e Dallagnol, mas um sofisticado e custoso esquema para destruir a Lava Jato, soltar quem está na cadeia e evitar que os outras corruptos também sejam presos. Especialistas decidiram avaliar o tamanho do “investimento” e chegaram a 15 milhões de dólares.
Agora, já existe consenso de que é preciso resistir e evitar a destruição da Lava Jato, que realmente está sob ameaça.
###
P.S. 1 – 
Por mera coincidência, é claro, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Segunda Turma do Supremo, marcou para o dia 25 o julgamento do recurso da defesa de Lula da Silva, para libertar o ex-presidente com base na suposta ocorrência de conluio entre Moro e Dallagnol, tese oportunamente reforçada pela falsa denúncia do The Intercept. Mas deve ser apenas coincidência.
P.S. 2 – Dois ministros já votaram – o relator Edson Fachin e Cármen Lúcia, ambos no sentido de manter Lula na cadeia. Faltam Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, dois votos certos para soltar, dando empate de 2 a 2. O julgamento, portanto, será decidido por Celso de Mello. Se ele soltar Lula, a Lava Jato estará praticamente liquidada. Como diria Leonel Brizola, o ministro Celso de Mello está costeando o alambrado. E onde passa um boi, logo passará uma boiada. (C.N.)

Em destaque

Fraude à Cota: Anulação do Mandato e DRAP no Eleitoral

  Fraude à Cota: Anulação do Mandato e DRAP no Eleitoral               24/02/2026 A Fraude à Cota de Gênero e as Consequências Jurídicas par...

Mais visitadas