quarta-feira, junho 19, 2019

Há expectativa de que Moro saia fortalecido do debate no Senado, agora de manhã


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O próprio Moro se ofereceu para prestar depoimento no Congresso
Daniel CarvalhoFolha
Enquanto aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Senado tentarão conduzir um debate no campo jurídico, a oposição quer promover uma discussão política nesta quarta-feira (19) para tirar o ministro Sergio Moro (Justiça) de sua zona de conforto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O ex-juiz da Lava Jato irá prestar esclarecimentos na Casa sobre as trocas de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol.
Para esfriar o clima para criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), Moro ofereceu-se para ir voluntariamente ao Senado, ambiente relativamente mais controlado para ser interpelado.
COMPORTAMENTO – Embora senadores digam acreditar que o PT não estará à vontade na sessão porque qualquer manifestação mais enfática poderá soar como bandeira contrária ao combate à corrupção, o líder da sigla no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirma pretender indagá-lo sobre razões de seu comportamento quando juiz federal.
“A discussão vai ser um pouco política: quais as consequências destas condutas que ele teve, o que trouxe para o Brasil?”, disse Costa.
Do lado governista, a intenção é não deixar Moro cair em provocações que o levem para o debate político, o que pode tirar o ex-juiz de sua zona de segurança. “Se ele ficar no campo técnico-jurídico, briga duas horas sem botar o pé no chão, porque ele é professor. Duvido que ele vai cair para o campo político e se agastar com um bate-boca com senador dentro do Senado, não é o perfil dele. Achar que vai nocauteá-lo para a opinião pública, não vejo a menor possibilidade disso”, disse o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP).
PALANQUE – Governistas, parlamentares que se declaram independentes e opositores concordam que a comissão pode se tornar um palanque para o ministro da Justiça. Como Moro ainda tem crédito de popularidade, alguns senadores indicam que dificilmente haverá uma arguição mais consistente.
Diante do receio de que Moro saia ileso e até fortalecido da reunião, integrantes da oposição dizem que vão reavaliar cenários. Parlamentares acham difícil fazer, por exemplo, com que o ministro não compareça, já que ele não foi convidado ou convocado pela comissão, mas se ofereceu para ir.
O que pode acontecer, dizem, é acelerar o ritmo da sessão para não deixá-lo confortavelmente sob os holofotes, caso esse clima favorável se confirme.
CONTRADIÇÕES – A oposição ainda espera a divulgação de novos diálogos para calibrar o tom que adotará na comissão. Líder da Minoria no Senado, Randolfe Rodrigues  (Rede-AP) pretende abordar contradições no discurso de Moro desde que os diálogos vieram a público.
“Ele tem que dizer algo além de ‘fui hackeado ilegalmente’. Ele primeiro confirmou a ocorrência daqueles diálogos. Se ele [agora] diz que são falsos, então, quais são os diálogos verdadeiros?”, indagou.
Mais importante colegiado da Casa, a CCJ é composta por 54 senadores, 27 titulares e igual número de suplentes. No entanto, senadores que não são membros também podem fazer perguntas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Depois que foi descoberto que se trata de um esquema mais amplo, destinado a libertar Lula, Dirceu, Cunha e outros políticos, ao mesmo tempo inviabilizando a Lava Jato e impedindo que Temer, Aécio e outros envolvidos sejam presos, o jogo virou e agora é Moro que está partindo para o ataque. O embate vai ser transmitido pela TV Senado, a partir da 9 horas desta manhã. (C.N.)

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