
No fundo falso do móvel, grande quantidade de dólares e euros
Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Julia AffonsoEstadão
Em uma busca e apreensão complementar, autorizada judicialmente, a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual encontraram dólares e euros, nesta sexta-feira, dia 7, no município de Itatiba, a 75 km de São Paulo, em um bunker – parede falsa – na residência de Olívia Vannucchi, ex-mulher do ex-corregedor-geral da Secretaria Estadual da Fazenda, Marcus Vinícius Vannucchi.
De acordo com a Promotoria, eles se divorciaram somente no papel, em 2016, para que o ex-corregedor pudesse ocultar seu patrimônio por meio de sua companheira.
DINHEIRO VIVO – Na quinta, 6, no âmbito da Operação Pecunia no Olet, cujo alvo maior é o fiscal da Fazenda, os policiais e promotores já haviam apreendido na casa de Olívia R$ 19 mil em dinheiro vivo. No apartamento dele, em São Paulo, R$ 2 mil. Ele foi preso temporariamente – cautelar com validade de cinco dias prorrogáveis.
Vannucchi era corregedor até dia 31. Sua prisão foi decretada dois dias antes pelo juiz criminal Pedro Luiz Fernandes Nery Rafael.
A contagem do dinheiro ainda não se encerrou, mas a Promotoria estima em cerca de US$ 180 mil (em dólares e euros) a quantia oculta achada no bunker. Segundo investigadores, além de dinheiro, documentos importantes para o inquérito foram encontrados.
DENÚNCIA ANÔNIMA – O Estado apurou com fontes próximas da investigação que, após vasculhar a residência dela pela primeira vez, uma denúncia anônima fez as autoridades retornarem ao local, onde encontraram uma espécie de sala secreta na residência, onde havia um armário, com um fundo falso.
Após a retirada do tampão do móvel, as autoridades encontraram os envelopes com maços de dinheiro em dólar e euro.
Vannucchi foi preso nesta quinta, 6, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) do Ministério Público Estadual, e da Polícia Civil.
65 IMÓVEIS – O ex-corregedor-geral é acusado de cobrar propina do Magazine Luiza e de fiscais investigados pela Corregedoria. A Promotoria descobriu que, por meio de seus familiares, o ex-corregedor ocultava um patrimônio milionário, formado por pelo menos 65 imóveis adquiridos com dinheiro ‘sem origem lícita’.
A Promotoria sustenta que o agente fiscal de Rendas separou-se da mulher, Olinda Alves do Amaral Vannucchi, com objetivo de dissimular bens, transferidos para o nome dela. Segundo apurou o Estado, somente uma das empresas da ex-mulher comprou uma dezena de imóveis, por R$ 6,5 milhões, em um mês, no ano de 2016.
As investigações revelam que o casal retificou declarações de Importo de Renda 41 vezes em sete anos. Se somadas a evoluções patrimoniais de Olinda e da mãe de Vannucchi, Hercília Chioda, que é professora, em um período de 7 anos, elas ganharam juntas R$ 12,5 milhões.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Era um funcionário importante, de alto salário e prestígio. Mesmo assim, não conseguiu resistir à atração do dinheiro fácil. Para esse tipo de gente, a condenação deveria ser triplicada, porque eles são insaciáveis em matéria de dinheiro. É muito diferente de quem comete um crime no desespero, para alimentar os filhos, por exemplo. (C.N.)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Era um funcionário importante, de alto salário e prestígio. Mesmo assim, não conseguiu resistir à atração do dinheiro fácil. Para esse tipo de gente, a condenação deveria ser triplicada, porque eles são insaciáveis em matéria de dinheiro. É muito diferente de quem comete um crime no desespero, para alimentar os filhos, por exemplo. (C.N.)