quarta-feira, novembro 04, 2026

Defesa de Vorcaro pede a Fachin perícia oficial em celular apreendido

 

Defesa de Vorcaro pede a Fachin perícia oficial em celular apreendido

Advogado esteve com assessores do presidente do STF e diz que extração tem de preservar dados brutos do aparelho

Por Ana Pompeu/Folhapress

03/11/2026 às 19:45

Atualizado em 03/11/2026 às 20:45

Foto: Reprodução

Imagem de Defesa de Vorcaro pede a Fachin perícia oficial em celular apreendido

Daniel Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, uma perícia oficial sobre o celular do ex-dono do Banco Master. O advogado Sérgio Leonardo foi recebido nesta terça-feira (3) por integrantes do gabinete do ministro, que relata o caso temporariamente, para tratar dos pedidos ainda sem decisão.

"Nós precisamos que uma perícia oficial seja feita, e que a defesa tenha assegurado os dados brutos, completos dessa extração, que é a única forma de a gente aferir se aquela prova foi obtida de forma lícita ou não", disse Leonardo na saída da audiência.

No fim de outubro, os advogados apresentaram à corte o resultado de uma perícia preliminar contratada pela defesa que aponta supostas modificações no celular do ex-banqueiro após a apreensão, em novembro do ano passado.

O documento é usado pelos advogados para questionar a higidez das provas usadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam Vorcaro e para pedir que o órgão apresente dados que, segundo eles, têm sido solicitados desde fevereiro.

Na petição enviada ao Supremo, a defesa diz que os pontos levantados pelo perito implicam "necessariamente que a liberdade [de Vorcaro] seja restabelecida" porque consideram que não é razoável que ele continue preso enquanto não houver um exame mais profundo do conteúdo do telefone. Procurada, a assessoria da PF não quis se pronunciar sobre a acusação.

Nesta terça, os advogados também criticaram o indiciamento feito pela PF, diante da ausência dessa verificação no aparelho de Vorcaro.

"Foi feito um indiciamento afoito, apressado, num pedido totalmente contraditório, em que a autoridade policial pede para continuar a investigar, mas desde logo indicia. Diz que falta ouvir um tanto de gente, que não fez perícia, e tem muitas dúvidas a esclarecer, mas fez um indiciamento. Então a prisão já se prolongou demais", disse.

No último dia 28, a PF concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Master, e indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).

A Vorcaro são atribuídas suspeitas dos crimes de gestão fraudulenta, de fraude à fiscalização, de lavagem de dinheiro, de indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e de participar de organização criminosa. O documento da PF tem mais de 700 páginas e foi entregue ao Supremo.

Daniel Vorcaro está preso na Papudinha, como ficou conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

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Vorcaro disse que 'tá muito difícil' em mensagem a Flávio Bolsonaro antes de prisão, diz portal

 

Vorcaro disse que 'tá muito difícil' em mensagem a Flávio Bolsonaro antes de prisão, diz portal

Ex-banqueiro cita duas parcelas de 'grana', que não teria sido enviada ao senador, aponta UOL

Por Folhapress

03/11/2026 às 21:00

Atualizado em 03/11/2026 às 21:06

Foto: Reprodução/YouTube

Imagem de Vorcaro disse que 'tá muito difícil' em mensagem a Flávio Bolsonaro antes de prisão, diz portal

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou mensagem de visualização única ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um dia antes de ser preso, afirma reportagem do portal UOL.

Segundo o texto publicado nesta terça-feira (3), o ex-banqueiro afirmou ter enviado duas parcelas da "grana", mas disse que estava com dificuldade de concretizar as transferências. A mensagem foi recuperada pelo portal a partir de uma análise do log (arquivo que guarda registros de atividade de dispositivos eletrônicos) do telefone de Vorcaro.

"Tá muito difícil, mas vamos vencer. Se eu passar da semana que vem aí resolvemos tudo em seguida", prosseguiu o empresário. A reportagem indica que Vorcaro já sabia da operação que resultaria na própria prisão, e por isso teria citado que precisaria sobreviver até a semana seguinte.

O banqueiro utilizava imagens de visualização única para esconder rastros ao conversar com Flávio e com outras autoridades, como o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Vorcaro escrevia a mensagem no bloco de notas, capturava a tela e enviava a imagem pelo WhatsApp aos destinatários. Após o receptor ver o conteúdo, a mensagem é destruída no aplicativo. Apesar de apagar as imagens e as notas, o iPhone guarda temporariamente um arquivo PDF de cada captura de tela criada. Os dados do documento, então, foram cruzados com o log do celular para identificar a data e a hora do texto.

Segundo o UOL, a mensagem sobre as transferências foi enviada em resposta ao congressista. O candidato derrotado na eleição para a Presidência da República enviou duas fotos temporárias seguidas da mensagem "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

O dono do Master detalha ao senador a dificuldade para transferir recursos. "Vai dar certo essa semana. O cara que mandei a grana não liquidou, e eu estou num momento difícil demais. Foram duas parcelas que mandei e ele não liquidou. Muito foda. Mas já organizei pra fazer de novo na terça".

A última mensagem de Flávio Bolsonaro, conforme a reportagem, foi enviada às 15h46 de 16 de novembro de 2025 —Vorcaro estaria em Brasília aguardando possível encontro com Moraes.

O ex-banqueiro desbloqueou o telefone, abriu o bloco de notas às 15h51 e digitou por 70 segundos o conteúdo que enviaria ao filho de Jair Bolsonaro (PL). Capturou a tela às 15h52 e, cinco segundos depois, enviou a imagem que expira no WhatsApp.

No minuto seguinte, Flávio responde "amém!".

A reportagem procurou as defesas de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que não se manifestaram.

Segundo o UOL, a conversa leva a entender que as mensagens tratavam do financiamento do filme "Dark Horse", que retratava a trajetória política de Jair Bolsonaro, em especial o tempo dele no Palácio do Planalto.

O dono do Master se comprometeu a enviar R$ 134 milhões para o longa-metragem em 14 parcelas. Até a prisão de Vorcaro foram enviados sete repasses, em um total de R$ 67 milhões.

A Polícia Federal investiga Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no caso do filme.

A reportagem também cita mensagens a Moraes na antevéspera e na véspera da prisão de Vorcaro, também combinada em conversa no WhatsApp enviada por imagens que desapareciam. Apenas o conteúdo do ex-banqueiro foi recuperado.

"Não conseguimos reverter isso com Paulo [Gonet] ou Andrei [Rodrigues]? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?", enviou a Moraes às 18h23 de 15 de novembro de 2025. "Esses caras devem estar sabendo que estou resolvendo tudo essa semana e querem acabar com tudo antes", escreveu Vorcaro às 19h43.

O dono do Master pergunta a Moraes, às 21h23, se "podemos nos ver amanhã rapidamente algum horário?". E emendou dez minutos depois que "vou na parte da tarde então. Veja um horário que não vai te atrapalhar muito. Pode ser bem rápido".

Em 16 de novembro, Vorcaro enviou mensagem ao ministro do STF às 13h40 dizendo que estava no avião. "Vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?", disse. Eles voltam a se falar às 16h57. "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível", escreveu o ex-banqueiro.

Politica Livre

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Lideranças evangélicas se afastam de Flávio Bolsonaro após derrota e reação golpista


Igrejas criticaram postura do candidato do PL

Bernardo Mello
Fernanda Alves
O Globo

Depois de ensaiarem uma neutralidade na eleição presidencial e terem aderido com mais vigor à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, lideranças evangélicas de igrejas como a Universal e as Assembleias de Deus passaram a adotar um distanciamento estratégico do grupo político do senador, em especial após a tentativa do candidato derrotado ao Planalto de contestar o resultado das urnas e a fuga para os Estados Unidos.

O vaivém de pastores em relação a Flávio ocorre em meio ao desempenho abaixo do esperado, em outubro, de políticos ligados ao segmento: enquanto nomes do bolsonarismo aumentaram suas votações com acenos aos fiéis, parlamentares apoiados por igrejas perderam espaço e acabaram não se reelegendo.

AFAGOS NOS EUA – Nesta segunda-feira, em mais um momento simbólico da busca bolsonarista por apoio no meio evangélico, Flávio recebeu afagos ao participar de um culto organizado por pastores brasileiros na Flórida. Ao lado do irmão Eduardo e das respectivas esposas, o senador escolheu a agenda religiosa como primeira aparição pública após deixar o Brasil.

Lideranças das maiores igrejas do Brasil, porém, têm procurado demarcar distância de Flávio desde a derrota eleitoral e da publicação de uma carta com teor golpista após a chegada aos EUA, na semana passada. No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoall, uma espécie de porta-voz de assuntos políticos da Universal, republicou o trecho de um culto no qual o bispo Edir Macedo, líder da igreja, afirma não concordar com o lema “Deus, pátria e família”, usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— Na Universal, nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus, depois família, e depois o resto. Não concordo com essa teoria “Deus, pátria e família”. Porque se não houver família, vai haver pátria? Impossível. Só há pátria se vier da família, que vem de Deus — discorreu Macedo na ocasião.

POSTURA DÚBIA – A fala do bispo ocorreu na manhã da votação do segundo turno, após uma postura dúbia da Universal na campanha: políticos ligados à igreja, como o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, apoiaram Flávio no embate direto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas pastores próximos a Macedo ficaram em cima do muro.

Paschoall, por exemplo, publicou vídeos afirmando que seu espectro político “não é de direita ou de esquerda, e sim do reino de Deus”. Ele também lamentou derrotas de candidatos da Universal ao Legislativo: como mostrou O GLOBO no mês passado, metade dos 12 deputados federais da igreja fracassou nas tentativas de recondução à Câmara.

O cenário destoa do adotado pela Universal nas eleições de 2018 e 2022, quando Macedo declarou apoio a Bolsonaro, e líderes da igreja alegaram que cristãos não poderiam votar na esquerda. Reservadamente, pessoas próximas à igreja fazem a avaliação de que a adesão à direita beneficiou mais o bolsonarismo do que a própria congregação, que perdeu espaços.

CAUTELA – Já o bispo Inaldo Silva, vereador pelo Republicanos no Rio, considera a declaração de Macedo neste ano não uma represália a Flávio, mas sim uma tentativa de evitar atritos internos.

— Não podemos subestimar alguém que teve mais de 60 milhões de votos. A neutralidade veio porque a gente acaba escolhendo um lado e perdendo muito, na nossa comunidade há pessoas da direita e da esquerda — diz.

Na Assembleia de Deus de Madureira, que apoiou Flávio no segundo turno após seus candidatos ao Legislativo também terem amargado derrotas em estados como São Paulo e Rio, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Lula já no dia seguinte à eleição. Antes, ele chegou a participar de um culto em outubro, no Rio, no qual seu irmão, o bispo Samuel Ferreira, recomendou voto em Flávio. Na última segunda-feira, porém, Abner publicou um longo texto nas redes sociais afirmando que a democracia “exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, independentemente das convicções e preferências individuais”.

SEM TERCEIRO TURNO – Outros pastores que apoiavam Flávio seguiram a mesma linha. O bispo JB Carvalho, responsável pela Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde Flávio foi batizado em 2024, se manifestou na última quarta-feira dizendo que “as eleições terminaram” e que “não há terceiro turno”. Sem se referir a um interlocutor específico, ele também orientou que “pare de profetizar o caos”. No mesmo dia, o candidato derrotado do PL publicou uma carta, após fugir do Brasil, na qual se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, em uma segunda versão, “líder” do país.

Líder da Igreja Fonte da Vida e também aliado de Flávio, o Apóstolo César Augusto afirmou, no dia seguinte à publicação da mensagem golpista, que não se arrependeu de seu voto, mas reprovou a reação do candidato do PL ao resultado:

— Numa derrota, você fica extremamente decepcionado. Nesse momento, o conselheiro tem que ter a sensatez de ajudar, equilibrar. Acho que ele foi muito mal orientado. Não concordo, mas não vejo como um problema de ele se achar ditador, não. Isso foi no calor da derrota. As eleições ocorreram, segundo a Justiça, de maneira legal, então vira-se a chave para olhar o futuro do país.

“PERSEGUIÇÃO” – “Outro que avaliou negativamente a postura de Flávio foi o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Em conversa reservada após a publicação da carta de Flávio, revelada pelo blog da colunista do O Globo Malu Gaspar, ele referiu-se aos “filhos de Bolsonaro” como “jumentos”. Publicamente, porém, o pastor argumentou que concordava com a fuga de Flávio do país, por considerá-lo um “perseguido político”.

Ex-presidente da bancada evangélica na Câmara e pastor da Assembleia de Deus, o deputado Eli Borges (Republicanos-TO) também afirmou ao O Globo concordar com a saída de Flávio do país, mas disse não ter lido a carta. Outros pastores que apoiavam Flávio, como José Wellington Jr., líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), também silenciaram sobre a mensagem golpista.

TEOR TEOLÓGICO – Segundo Borges, declarações como a do bispo Edir Macedo mostram que o “teor teológico” se sobrepõe a eventuais desavenças políticas:

— Vejo ele (Macedo) como um teólogo querendo colocar as palavras de forma hierárquica, mas sem negar a essência do lema usado pelo bolsonarismo.

Por outro lado, em um sinal de que mantém apoio no meio evangélico, Flávio esteve ontem em um culto do Ministério Celeiro, nos EUA, ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e das respectivas esposas. No culto, embora sem citar de forma explícita as eleições, o pastor José Maurício falou diretamente ao presidenciável derrotado do PL e e lhe fez um afago:

— Com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando — disse no culto.

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