sábado, julho 11, 2026

Marina Silva critica aliança entre PT e PL para flexibilizar cotas eleitorais: “Retrocesso grave”

Publicado em 11 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Ex-ministra vai fazer palanque com PT

Juliana Arreguy
Folha

Marina Silva, 68, diz ser inaceitável que partidos de polos opostos na política possam se unir na tentativa de driblar as cotas de distribuição mínima do fundo eleitoral às candidaturas de mulheres e negros.

Pré-candidata ao Senado pela Rede em São Paulo, ela observa que as regras da Justiça Eleitoral, que definem que ao menos 30% do fundo eleitoral dos partidos devem servir para as campanhas das minorias “não são concessões, nem favor partidário”. Uma das siglas que tenta burlar a cota, como noticiado pela Folha, é o PT, com quem Marina fará palanque nestas eleições.

FLEXIBILIZAÇÃO – “É especialmente inaceitável que partidos de diferentes campos políticos se unam para flexibilizar justamente mecanismos criados para ampliar a participação de quem historicamente foi excluído da política”, disse ela à reportagem.

Ex-ministra do Meio Ambiente e hoje deputada federal, Marina vai encarar a campanha ao Senado para fortalecer o palanque do presidente Lula (PT) em São Paulo, assim como fez há quatro anos. Na chapa, tanto ela como Simone Tebet (PSB) disputarão as duas vagas ao Senado, enquanto Fernando Haddad (PT) será o candidato ao governo estadual e Márcio França (PSB), o candidato a vice.

A composição, anunciada ao fim de junho, deu fim a especulações de que Marina poderia deixar a disputa ou sair como vice de Haddad. A agenda ambientalista, pela qual dedica sua vida pública, seguirá como a sua prioridade. Questionada sobre o que mais poderia oferecer, a resposta foi firme: “E quem disse que o meio ambiente não contempla as demais questões?”

Em relação às fake news e o uso de deepfakes, qual será o maior desafio da campanha?
É poder fazer com que os processos orgânicos, não artificiais, prevaleçam. Não estou negando a tecnologia, mas o conteúdo enviado à população deve ter base de realidade, e não da invenção de narrativas. Atualizar a linguagem é estar disposto a conversar com jovens, com quem tenta se informar de outras formas, que buscam novas estéticas para os conteúdos políticos. Política, ética e estética nunca deveriam se separar.

Já que a sra. citou os jovens: como formar novas lideranças na esquerda, já que o campo progressista tem enfrentado dificuldades em apresentar novos quadros?
Acho que temos novos quadros: Fernando Haddad, Simone Tebet, Renan Filho… Mas se não tivermos projetos políticos que sejam capazes de suscitar nos jovens essa atração, fica difícil chamar para a política. O mundo vive um processo muito desafiador, não é só o Brasil. A gente vive o imediatismo político, que é um terreno muito propício ao populismo. É uma visão que vai pelo caminho mais fácil de prometer o que às vezes não tem condição de cumprir ou de criar bodes expiatórios para dizer que o problema foi resolvido.

A sra. considera o presidente Lula populista?
Populismo é dizer coisas que não são possíveis de entregar, de vender falsas soluções. Eu não acho que o Bolsa Família, por exemplo, seja uma falsa solução. Tirar o Brasil do mapa da fome, ser capaz de isentar pessoas que ganham até R$ 5.000 de ter que pagar imposto, isso não é populismo, isso é justiça.

Governistas reclamam de pautas travadas no Congresso e dos custos das emendas. O que é necessário mudar?
A visão e a postura no momento da escolha: quem são as pessoas que respeitam a Constituição? A execução do orçamento público é uma atribuição constitucional do Executivo, que vai sendo cada vez mais subtraída por emendas que não ligam lé com cré e são mais destinadas a amealhar votos –aí, sim, de forma populista–, e por não serem executadas de forma transparente, são desviadas para finalidades antirrepublicanas.

Como enxerga o Congresso hoje em relação a 1995, quando foi eleita senadora pela 1ª vez?
Para quem teve a oportunidade de ouvir reclamações da qualidade do Congresso de pessoas como Pedro Simon, Artur da Távola, Darcy Ribeiro, [Eduardo] Suplicy, Benedita da Silva, e mesmo divergindo, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e Jader Barbalho, eu diria que eles não sabiam o que vinha pela frente.

O que falta na interlocução da esquerda com alguns setores religiosos, em especial os evangélicos?
Acho que essa falta não é só para o campo democrático, é para todos os partidos políticos, mesmo aqueles que contam numericamente com uma grande quantidade de intenções de voto de pessoas cristãs. Temos que tratar evangélicos, católicos, pessoas de religiões de matriz africana e aqueles que não professam nenhuma fé como cidadãos. Somos um Estado laico, em que as políticas públicas devem ser para todos.

Às vezes você peca ou por querer fazer uma assepsia da fé em um país que tem mais de 80% da população se declarando cristã, ou tentando fazer a instrumentalização dessa fé. As duas formas são equivocadas. No campo democrático, desde 2018, essa sinalização começou a piscar. E há um esforço muito grande de entender isso, mas a gente não precisa de Fla-Flu religioso quando você respeita o Estado laico.

O que fazer no caso de temas polêmicos como o aborto?
Evitar a instrumentalização de um tema tão complexo. Nenhuma mulher faz aborto porque quer fazê-lo como um método contraceptivo. São circunstâncias muitas vezes dolorosas, extremas, que levam uma pessoa a abortar. As religiões que trabalham com a ideia do amor, da compaixão e do respeito procuram ser coerentes com aquilo que são os ensinamentos bíblicos, mas não fazem essa instrumentalização. E na política não é o lugar de fazer. Tenho essa postura desde sempre e ela é colocada como uma forma de me indispor com o público evangélico, porque sempre busco o caminho da mediação. É um debate que sempre defendi que deveria ser submetido a um plebiscito.

Para além da agenda do meio ambiente, o que mais defenderá na campanha?
E quem disse que o meio ambiente não contempla as demais questões? Como se fosse possível ter desenvolvimento econômico sem água, agricultura sem terra fértil. Dentro de uma visão integrada de economia e ecologia, é possível pensar políticas públicas que sejam geradoras de emprego, renda, avanço tecnológico e justiça social. Os empresários sabem que, para poder competir em mercados cada vez mais exigentes, é necessário dar uma resposta para as mudanças climáticas.

São Paulo é um grande produtor de etanol e pode ser a solução para o transporte, tanto no caso da aviação quanto do transporte marítimo. Podemos ser o estado capaz de atrair os investimentos para a nova indústria de carros elétricos, de produção de baterias, pás eólicas e hidrogênio verde.

A sra. vê maior atenção às pautas ambientais por causa dos desastres climáticos?
Com certeza. É o que eu chamo de pedagogia do luto. Se tivéssemos governos com visão antecipatória, que desde 1992 [na Conferência da ONU, no Rio de Janeiro] foram alertados, hoje não estaríamos aprendendo por essa pedagogia dolorosa. Em São Paulo, 140 municípios são suscetíveis a eventos climáticos extremos [são 173 municípios, segundo lista do Ministério da Casa Civil].

Desde 2014, vivemos crises hídricas em São Paulo. A situação se agravou, principalmente com a privatização da Sabesp. Os sistemas estão colapsando e, não por acaso, várias caixas d’água estão explodindo, levando vidas, por causa de intervenções da empresa que faz os serviços pensando mais em dinheiro do que na vida das pessoas.

Nós não temos uma ação voltada para a qualidade do transporte, para que as pessoas tenham que usar menos o carro. Além de gerar uma cidade colapsada em termos de mobilidade, continua poluindo e criando graves problemas de saúde pública.

O que falta para as mulheres conseguirem mais espaço na política?
Mudar as estruturas que levam as mulheres a serem minoria na política. Só que, para que essas estruturas mudem, é preciso ter mais mulheres na política. Veja que é um paradoxo. Tudo leva à nossa exclusão.

Inclusive dentro dos partidos, não?
É. Existem partidos que conseguiram ter mais mulheres dentro das estruturas de direção, e isso faz a diferença porque, quando elas estão presentes, as exigências para ampliar esses espaços conseguem ser mais ouvidas. Isso não os torna isentos de reclamação. Na prática, é sempre mais difícil. Nós não queremos só o direito de concorrer em quantidade.

É uma redundância: no dia em que não for mais necessário ter cotas, nós já estaremos participando do processo em completa igualdade de condição. Hoje nós somos 50% da população com apenas 18% de representação no Congresso.

O que acha da tentativa de siglas que vão do PT ao PL de tentarem driblar as cotas para mulheres e negros?
É um retrocesso grave e precisa ser enfrentado com firmeza. Essas regras não são concessões, nem favor partidário, e sim instrumentos mínimos de correção de desigualdades históricas que ainda limitam a presença de mulheres, pessoas negras e indígenas nos espaços de poder.

A democracia brasileira só se aprofundará quando sua representação política se parecer mais com a população brasileira. Burlar essas cotas significa perpetuar estruturas que concentram poder, recursos e visibilidade nas mãos dos mesmos grupos de sempre. É especialmente inaceitável que partidos de diferentes campos políticos se unam para flexibilizar justamente mecanismos criados para ampliar a participação de quem historicamente foi excluído da política.

É preciso garantir condições reais de disputa: financiamento, tempo, estrutura e respeito. Essas cotas existem porque a desigualdade existe. Enquanto ela persistir, enfraquecer esses instrumentos é trabalhar contra a renovação, contra a diversidade e contra a própria democracia.

Pensa em se candidatar mais uma vez à Presidência da República?
Eu já dei a minha contribuição, fui candidata três vezes, estou na política desde 1986 e me sinto muito agradecida a Deus, ao povo do Acre, ao povo brasileiro e ao povo paulista por todas as oportunidades que tive de poder atuar na política institucional.

RAIO-X | Marina Silva, 68

Formada em história pela Universidade Federal do Acre, foi líder sindical, senadora (1995-2011), ministra do Meio Ambiente (2003-2008 e 2023-2026) e candidata à Presidência da República (2010, 2014 e 2018). Uma das fundadoras da Rede, é deputada federal do partido por São Paulo e pré-candidata ao Senado nestas eleições.


O método Vorcaro provoca a corrosão silenciosa das instituições brasileiras


Vorcaro tentava transformar informação em arma de poder

Pedro do Coutto

O escândalo envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, já extrapolou há muito tempo os limites de uma investigação sobre fraudes financeiras. A cada nova etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, o que emerge é um retrato preocupante de um modelo de atuação que, segundo os investigadores, buscava combinar influência econômica, produção de narrativas, coleta de informações sensíveis e pressão sobre adversários. Se confirmados pela Justiça, os fatos revelam um mecanismo muito mais sofisticado do que um simples caso de corrupção financeira. Revelam uma tentativa de transformar informação em arma de poder.

A nova fase da investigação trouxe à tona mensagens que indicam que Vorcaro teria determinado ao publicitário Thiago Miranda o levantamento de informações pessoais e patrimoniais sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. De acordo com os autos mencionados na decisão judicial que autorizou buscas e apreensões, o executivo era visto como um obstáculo aos interesses do grupo ligado ao Banco Master. A resposta atribuída a Miranda — “deixa comigo” — tornou-se um dos símbolos daquilo que a Polícia Federal descreve como uma estrutura organizada para monitorar pessoas consideradas inconvenientes aos interesses da organização investigada.

MESMO PADRÃO – O episódio ganhou ainda maior dimensão porque não se restringia ao ambiente empresarial. As investigações apontam que o mesmo padrão teria sido empregado contra jornalistas responsáveis pela cobertura do caso Master. A colunista Malu Gaspar, de O Globo, aparece nas investigações como alvo de uma verdadeira devassa em seus dados pessoais, familiares e patrimoniais. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro demonstrava preocupação com novas reportagens e teria afirmado ser necessário “frear” a jornalista. O objetivo, segundo os investigadores, seria encontrar elementos capazes de constrangê-la ou enfraquecer sua credibilidade pública.

Não se trata apenas de um ataque a uma profissional de imprensa. Trata-se de um questionamento ao próprio funcionamento da democracia. Em qualquer Estado de Direito, jornalistas, investigadores, reguladores e executivos de instituições concorrentes exercem papéis distintos, mas igualmente essenciais para o equilíbrio do sistema. Quando passam a ser monitorados, pressionados ou transformados em alvos de campanhas coordenadas, o prejuízo deixa de ser individual. O dano alcança a capacidade das instituições de exercerem suas funções com independência.

As investigações também descrevem uma sofisticada estratégia de comunicação destinada a influenciar a opinião pública durante a crise do Banco Master. Segundo documentos da Polícia Federal, recursos financeiros teriam sido utilizados para contratar influenciadores digitais, estruturar campanhas em defesa da instituição e atacar decisões do Banco Central após a liquidação extrajudicial do banco. A suspeita é de que essa estratégia buscasse alterar a percepção pública dos fatos enquanto as autoridades aprofundavam as investigações. A defesa dos investigados nega a prática de crimes.

MECANISMOS DE PRESSÃO – O aspecto mais preocupante, contudo, talvez seja outro. Ao longo das últimas décadas, grandes escândalos de corrupção no Brasil frequentemente estiveram associados à compra de apoio político ou ao desvio direto de recursos públicos. O caso Master parece apontar para uma evolução desse modelo. Em vez de apenas buscar influência sobre decisões, a estrutura investigada teria investido também na construção de mecanismos permanentes de pressão, coleta de informações estratégicas e produção de narrativas favoráveis aos seus interesses.

Essa lógica representa uma ameaça mais sofisticada. Não depende exclusivamente de agentes públicos corrompidos. Ela procura capturar o ambiente onde decisões são tomadas, opiniões são formadas e reputações são construídas. Trata-se de um processo silencioso, capaz de atingir órgãos reguladores, veículos de comunicação, concorrentes privados e até integrantes do sistema financeiro.

O episódio envolvendo o executivo do Itaú ilustra exatamente essa mudança de paradigma. Não se investigava apenas um concorrente de mercado. Segundo a Polícia Federal, buscava-se mapear vulnerabilidades pessoais e patrimoniais que pudessem ser utilizadas futuramente. Ainda que eventual utilização desse material não tenha sido demonstrada, a própria produção desses levantamentos já desperta preocupações relevantes sobre privacidade, abuso de poder econômico e utilização de dados pessoais para fins de intimidação.

MONITORAMENTO – A reação institucional também revela a gravidade do caso. Entidades representativas da imprensa, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), manifestaram preocupação com as revelações envolvendo o monitoramento de jornalistas, classificando a prática como incompatível com a liberdade de imprensa e defendendo investigação rigorosa sobre eventual acesso ilegal a dados protegidos pela legislação brasileira.

O Brasil já conheceu diferentes formas de captura das instituições. Algumas ocorreram pela corrupção tradicional. Outras, pelo loteamento político. O caso envolvendo Daniel Vorcaro sugere um fenômeno ainda mais complexo: o uso integrado de poder econômico, inteligência informal, campanhas digitais e coleta clandestina de informações para neutralizar adversários e moldar o ambiente institucional em benefício próprio.

A responsabilidade de confirmar ou rejeitar essas acusações caberá ao Poder Judiciário, assegurando aos investigados o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. Mas as informações já tornadas públicas deixam uma advertência importante. A maior ameaça às democracias contemporâneas nem sempre se manifesta por ataques frontais às instituições. Muitas vezes, ela se desenvolve silenciosamente, por meio da intimidação, da manipulação da informação e da tentativa de transformar dados privados em instrumentos de poder. Quando isso acontece, o problema deixa de ser apenas criminal ou financeiro. Passa a ser institucional. E, por isso mesmo, interessa a toda a sociedade.

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Polarização leva pré-candidatos a desistirem da corrida presidencial


Charge do Babu (Arquivo do Google)

Yago Godoy
O Globo

A pouco menos de três meses das eleições, o cenário acirrado da disputa presidencial, marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem provocado desistências e dificultado os planos de outros pré-candidatos.

Nesta semana, o deputado federal Aécio Neves (MG) descartou a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSDB, enquanto o partido Democracia Cristã (DC) avalia desistir de lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

SEM PONTUAÇÃO – Em janeiro, o Democracia Cristã anunciou a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo. Ele foi o nome da sigla até maio, quando, segundo a Genial/Quaest, nem sequer pontuou na pesquisa de intenção de voto. Diante do fraco desempenho, o partido decidiu lançar Barbosa.

No mês passado, ao ser testado pela primeira vez, o ex-magistrado registrou 1% em um eventual cenário de primeiro turno. O percentual é o mesmo de nomes como Samara Martins, da Unidade Popular (UP), e Augusto Cury, do Avante.

DESISTÊNCIA – Presidente nacional do DC, o ex-deputado federal alagoano João Caldas admitiu, na quinta-feira (9), que Barbosa pode desistir de disputar as eleições. Segundo o dirigente partidário, o cenário “não está nada fácil”.

— Ainda estamos tentando, mas não está fácil. Temos até 5 de agosto, prazo para realizar a convenção que pode definir o nome do candidato a presidente, mas está muito difícil — disse Caldas, em entrevista ao site Poder360.

Barbosa foi o primeiro homem negro a ocupar uma cadeira na mais alta Corte da Justiça, onde permaneceu por 11 anos. Ele foi relator dos processos do mensalão, escândalo que marcou os dois primeiros governos Lula e ainda é utilizado por adversários para criticar as gestões petistas.

ESTRATÉGIA –  Em meio aos desdobramentos do caso Master, que atinge tanto nomes do governo — como o senador Jaques Wagner (PT) — quanto da oposição — com a crise causada na direita pelo caso “Dark horse” —, a estratégia do ex-ministro passa por capitalizar o discurso contra a corrupção. Outro objetivo é se inserir nos debates sobre a “moralização” do STF. A definição precisa ocorrer até 5 de agosto, data-limite para as convenções partidárias.

No dia anterior à declaração de Caldas, quem optou por deixar a corrida foi Aécio Neves. Em 2014, ele disputou a Presidência contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em uma das eleições mais acirradas do país: o tucano obteve 48,36% dos votos válidos, contra 51,64% da petista. Desta vez, aparece com 2% das intenções de voto, de acordo com a Genial/Quaest.

— Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição — afirmou Aécio, em entrevista ao Estado de S.Paulo.

PLANOS PARA 2030 – O ex-deputado ressaltou que, a partir de agora, os planos do partido para uma candidatura presidencial estão voltados para 2030. Antes de decidir entrar na disputa, ele havia convidado o ex-ministro Ciro Gomes. O cearense, contudo, recusou o convite para focar em sua candidatura ao governo do Ceará, onde lidera contra o governador Elmano de Freitas (PT).

Aécio defende se dedicar à reestruturação do PSDB na Câmara, que deve optar por apoiar uma candidatura de centro. O partido decidiu entrar na disputa em meio ao início dos desgastes na pré-campanha de Flávio, provocados pela revelação de sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

CORRIDA ELEITORAL –  A última pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula na liderança da disputa pelo Planalto no primeiro turno, com 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio. Depois deles, nenhum candidato ultrapassa 3%, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Apontados até o momento como as principais alternativas à polarização, os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) marcaram 3% e 2%, respectivamente. Pelo partido Missão, Renan Santos apareceu empatado com o ex-governador de Goiás.

VOTO DE REJEIÇÃO – Durante agenda no Rio de Janeiro, na quinta-feira, Caiado foi questionado sobre aparecer atrás dos dois pré-candidatos nas pesquisas e afirmou que o cenário é motivado pelo “voto de rejeição” entre os eleitores dos adversários.

— Estamos vendo uma candidatura de rejeitados. São os mais rejeitados que estão aí. “Eu não gosto do Lula, voto no Flávio. Eu não gosto do Flávio, voto no Lula”. Isso é jogo de revanche ou é uma eleição para o país? É sobre quem está mais no noticiário da Polícia Federal, ou quem tem um passado que o credencia, uma vida de luta? — declarou a jornalistas após um almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).


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