terça-feira, fevereiro 10, 2026

Brasil mantém pior posição em ranking global de corrupção, aponta Transparência Internacional

 

Brasil mantém pior posição em ranking global de corrupção, aponta Transparência Internacional

Por Rariane Costa/Estadão Conteúdo

10/02/2026 às 08:38

Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Agencia Brasil

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Esplanada dos Ministérios

O Brasil manteve em 2025 sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela ONG Transparência Internacional, e repetiu a segunda pior nota da série histórica, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100. O país ficou na 107ª posição entre 182 nações avaliadas, abaixo da média global e das Américas, ambas de 42 pontos. A variação de um ponto em relação ao ano anterior foi considerada estatisticamente irrelevante, indicando estagnação.

O levantamento divulgado nesta terça-feira, 10, é o principal indicador mundial de percepção da corrupção no setor público. De acordo com a Transparência Internacional, os resultados mantêm o Brasil distante de níveis observados em países com melhor desempenho, como Dinamarca, Finlândia e Cingapura, que lideraram o ranking.

Em paralelo ao IPC, a organização divulgou o relatório Retrospectiva 2025, que aponta agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e cita casos de macrocorrupção como os esquemas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Banco Master. A entidade afirma que as investigações expuseram falhas estruturais no sistema financeiro e na advocacia, setores apontados como estratégicos para o avanço de práticas ilícitas.

O documento também destaca o aumento do volume de emendas parlamentares, que atingiram valores recordes e ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, consolidando o controle do Legislativo sobre parte significativa dos recursos públicos. Segundo a ONG, o fenômeno representa um movimento de “captura orçamentária” que se estende a estados e municípios.

O relatório menciona ainda suspeitas envolvendo contratos de alto valor firmados pelo Banco Master com escritórios de advocacia ligados a autoridades do Supremo Tribunal Federal e defende apurações independentes sobre o tema. A Transparência Internacional recomenda a criação de um código de conduta no Judiciário e o fortalecimento de mecanismos de integridade em todos os Poderes.

Apesar do cenário negativo, a organização aponta avanços como a atuação da Receita Federal e do Ministério Público em operações baseadas em inteligência financeira, entre elas a Carbono Oculto, voltada ao combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal. Também cita como positivo o controle ampliado de emendas e a rejeição da “PEC da Blindagem” no Senado.

O Brasil figura entre países como Sri Lanka e Argentina, com desempenho semelhante no ranking. Desde 2015, o país permanece abaixo da média mundial e regional.

Politica Livre

Entenda as investigações da Polícia Federal no caso Banco Master

 

Entenda as investigações da Polícia Federal no caso Banco Master

Por Folhapress

10/02/2026 às 06:40

Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

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Banco Master

A Polícia Federal tem uma série de investigações ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. São apuradas suspeitas de crimes como fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e o uso de recursos públicos em operações com o banco.

O caso é um dos maiores escândalos bancários do país, com investigações que miram desde a venda de créditos sem lastro e investimentos de fundos de pensão até a suspeita de ocultação de participação acionária em uma instituição pública. Veja a seguir as principais investigações em curso.

1. OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Deflagrada em 18 de novembro de 2025, investiga a fabricação de carteiras de crédito inexistentes (sem lastro) e a circulação de "ativos podres" para inflar o patrimônio do Banco Master e esconder prejuízos.

De acordo com as investigações, o Master emprestava dinheiro a empresas que, em seguida, aplicavam os recursos em fundos da gestora Reag. Esses fundos, suspeitos de pertencerem a "laranjas", compravam ativos sem valor por preços supervalorizados para fechar as contas do banco.

A PF e o Banco Central analisam se áreas obrigatórias de controle —como compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e gestão de riscos— funcionavam apenas formalmente, sem capacidade real de barrar operações suspeitas.

As falhas de compliance são apontadas como peça-chave para viabilizar tanto as operações com empresas de fachada (como Tirreno e DPI) quanto a circulação de recursos sob suspeita de origem ilícita.

Na primeira fase, ocorrida em novembro de 2025, o alvo foi a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas ao BRB (Banco de Brasília).

Na segunda fase, deflagrada em janeiro de 2026, a PF mirou o uso de fundos de investimento para a compra de ativos podres, como certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).

2. OPERAÇÃO CARBONO OCULTO

Deflagrada em agosto de 2025, originalmente para atingir o núcleo financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), investiga a atuação da facção criminosa em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

A Reag Investimentos, empresa que mantinha laços estreitos com o Banco Master, e seu fundador, João Carlos Mansur, estão entre os alvos. Em nota, a Reag negou conexão com o PCC. "Desde o início das apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado." A defesa de Mansur afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Seis fundos de investimento (Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna), que somam R$ 102,4 bilhões em patrimônio e são ligados ao esquema de Vorcaro, também aparecem nesta investigação.

A PF investiga se recursos de origem criminosa foram direcionados a fundos administrados pela Reag e pelo Master para posterior "legalização" por meio de operações financeiras regulares.

3. OCULTAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO BRB

Um inquérito específico apura se Daniel Vorcaro ocultou sua participação como acionista do BRB (Banco de Brasília) enquanto o banco público comprava carteiras de crédito do Master.

Além de Vorcaro, o ex-sócio do Master, Maurício Quadrado, e o fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag, João Carlos Mansur, estariam envolvidos.

A suspeita é que o trio adquiriu as ações do BRB como pessoas físicas e se tornaram acionistas do BRB atropelando as regras de transparência de titularidade das ações. Eles teriam usado nomes de terceiros por meio de fundos administrados pela gestora Reag (como o Borneo e o Deneb).

Se confirmada a participação de Vorcaro no BRB, a compra de carteiras do Master pelo banco público pode configurar conflito de interesses.

A defesa de Vorcaro afirma que o Master detinha participação acionária no BRB por meio de sua holding, devidamente registrada e dentro das regras do mercado.

4. OPERAÇÃO ZONA CINZENTA

A investigação mira a aplicação de recursos de regimes próprios de previdência estaduais e municipais em títulos emitidos pelo Master.

O foco mais recente é a Amprev (Amapá Previdência). O fundo de previdência do Amapá investiu cerca de R$ 400 milhões em títulos do banco em um intervalo de 20 dias, segundo a PF, apesar de alertas técnicos e do Ministério Público Federal.

A operação investiga crimes de gestão temerária e fraudulenta, com possível direcionamento político para socorrer o caixa do banco.

Ao menos outros seis estados têm investimentos no Master sob apuração. No Rio de Janeiro, foram investidos R$ 970 milhões pelo Rioprevidência. O ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, foi preso.

Há inquéritos abertos em São Paulo (cidades como São Roque e Araras), Alagoas (Maceió), Goiás e Amazonas.

5. INVESTIGAÇÃO NO BRB

A PF investiga eventual gestão fraudulenta no BRB, após o banco estatal ter feito uma proposta de compra do Master, que acabou indeferida pelo Banco Central em setembro do ano passado. A abertura do inquérito foi informada ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.

A investigação aponta que o próprio banco teria analisado que algumas operações podem ter sido feitas para burlar a cláusula de transparência da titularidade das ações na gestão anterior. A Folha apurou que um dos investigados pela PF é o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa.

A instituição disse, em nota, que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto ao Machado Meyer Advogados com suporte técnico da Kroll.

6. INVESTIGAÇÃO CONTRA A FICTOR

A Polícia Federal abriu investigações para apurar possíveis crimes da Fictor, que também chegou a anunciar uma proposta para comprar o Master.

A holding financeira está na mira da Delecor (Delegacia de Repressão a Corrupção e crimes financeiros) de São Paulo por suspeita de crime financeiro. As investigações checam possível conexão com os crimes da Compliance Zero.

No dia 1º de fevereiro, a firma entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), com uma dívida de R$ 4,2 bilhões.

O QUE DIZEM OS INVESTIGADOS

Daniel Vorcaro nega qualquer crime. Em depoimento à PF, ele afirmou que o Banco Master era solvente e que a crise foi de liquidez, provocada por mudanças regulatórias e ataques reputacionais. A defesa alega que as operações com o BRB foram técnicas e auditadas, e que a participação acionária no banco de Brasília estava devidamente registrada em sua holding.

Maurício Quadrado afirma que suas aquisições de ações do BRB ocorreram no mercado secundário e não influenciaram a gestão do banco.

Em nota, o BRB disse que encontrou achados relevantes em uma investigação independente e comunicou os detalhes para as autoridades.

Politica Livre

Entre Alckmin, Haddad e o MDB, PT empurra com a barriga a definição da chapa



Rodrigo Pacheco articula saída do PSD e deve se filiar ao União Brasil


Migração é atribuída a uma articulação tocada por Alcolumbre

Rafaela Gama
O Globo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) deverá deixar o PSD e se filiar ao União Brasil nas próximas semanas. A articulação acontece em meio à constatação de que o parlamentar não deverá permanecer no mesmo grupo político que o vice-governador Matheus Simões (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O parlamentar também tem sido descrito como o candidato ideal do presidente Lula (PT) para disputar o Executivo estadual, mas tem deixado a decisão sobre o caminho que deve seguir neste ano em aberto.

Prevista para acontecer após o carnaval, a migração do senador para o União é atribuída a uma articulação tocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Segundo interlocutores, ele disponibilizou a estrutura da sigla para que o aliado fortaleça a bancada do partido no Congresso ou concorra ao governo. O cargo em que ele deverá concorrer depende de uma decisão pessoal que deverá ser tomada pelo próprio senador, afirmam aliados. Além disso, nas próximas semanas, o comando do diretório em Minas também deverá ser transferido para o deputado Rodrigo de Castro (União), também aliado próximo de Pacheco.

“INSUSTENTÁVEL” – A migração do senador era esperada desde o ano passado, quando a permanência de Pacheco no PSD se tornou “insustentável” após a filiação e o lançamento de Simões para concorrer ao governo do estado. O vice-governador foi escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), que se coloca como pré-candidato à presidência e adversário de Lula. Dentro do União, interlocutores afirmam que Pacheco poderá se manter alinhado ao projeto político do petista, que já expressou em mais de uma ocasião que gostaria de tê-lo na disputa pelo comando do estado.

Em meio à indefinição sobre a posição de Pacheco dentro da chapa majoritária, há alas do PT que têm defendido um plano B, que envolve o apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). A construção da aliança chegou a ser confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, em uma publicação feita nas redes sociais sobre um encontro entre ele e Edinho Silva, que comanda o diretório nacional do PT.

Na legenda do post, além de dizer que havia “reafirmado a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula”, Lupi escreveu que recebeu “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”. “Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos“, acrescentou.

NOTA – Em seguida, no entanto, o diretório do PT divulgou uma nota dizendo que a reunião aconteceu entre os dirigentes partidários para “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, mas “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”.

“As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, encerrou o comunicado. O atrito provocou reação de Kalil, que fez um post em seu perfil no X no qual escreveu que “eleição é um saco”. “No meu palanque só sobe quem eu quiser”, acrescentou.


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