terça-feira, agosto 31, 2021

Ao proibir motoboy de depor, Nunes Marques tomou uma decisão ilegal e muito suspeita


Nunes Marques autoriza motoboy a não comparecer à CPI | Carlos Dehon |  Noticias de Acopiara e região

Nunes Marques desmoralizou a CPI e afrontou a Constituição

Jorge Béja

A Constituição Federal (CF) diz que sim. Que as comissões parlamentares de inquérito têm, sim, poderes de investigação próprias das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, que são a Câmara dos Deputados e o Senado Federal (artigo 58, parágrafo 3º). Poderes próprios das autoridades judiciais são os mesmos poderes da magistratura.

Mas o recém-empossado ministro do STF,  Nunes Marques, na noite desta segunda-feira (30) disse que não. Que a CPI da Covid não tem aqueles poderes previstos da CF.

ATO INCONSTITUCIONAL – O ministro desprezou o que determina a Constituição, porque o ministro decidiu que o motoboy da VTCLog, convocado para depor no dia de hoje, terça-feira (31) na CPI da Pandemia, não está obrigado a comparecer. É o mesmo que proibir a CPI de convocá-lo!

Noticia-se que o advogado que impetrou no STF o Habeas-Corpus para o motoboy é o mesmo que defende o Queiróz. A decisão do ministro é anormal. É teratológica. Não é preciso conhecer os fundamentos da petição do HC nem as razões da decisão do ministro. É teratologia pura.

Maculou o Supremo. Interveio onde não poderia intervir. Só os integrantes da CPI é que sabem da necessidade da convocação de pessoas para depor. Quem investiga é a CPI. E só seus integrantes é que conhecem o que já foi apurado e comprovado após tantos meses de trabalho. Só eles sabem o motivo da convocação do motoboy.

OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA – A decisão deste ministro tem até mesmo a conotação de obstrução da Justiça. As CPIs não têm “poderes de investigação próprias das autoridades judiciais”? Logo, os senadores da CPI da Covid estão investidos nestes poderes. Impedir que o motoboy compareça para depor é obstaculizar os trabalhos investigatórios da CPI? Ou não?

Assim, de súbito, aparece um ministro do STF que decide pela proibição do motoboy de ir depor! Vejam bem: proibição de ir depor. A decisão não foi no sentido de “não prestar compromisso de dizer a verdade”, de “permanecer calado”…Não, não foi essa a decisão. A liminar desobriga o motoboy de comparecer. É uma decisão inédita, suspeita e muito mal vista.


Brasil endividado | Ator lamenta morte do pai | Alta do desemprego

 

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Quem nega altos riscos às manifestações no Sete de Setembro está a serviço de Bolsonaro


MPPE investiga atuação da Polícia Militar durante manifestação realizada no Recife | Local: Diario de Pernambuco

Não se sabe se os “inimigos” são os baderneiros ou os policiais

Janio de Freitas
Folha

Quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro — um coro que cresce a cada dia — está a serviço de Bolsonaro ou comete uma leviandade. Não há sinais, de descontrole ou de contenção, merecedores de confiança.

Em contrapartida, sabe-se que o bolsonarismo é perigoso em si mesmo, sempre potencialmente criminoso nos meios e nos fins. E Bolsonaro, ele sim, emite sinais claros de sentimentos opressivos, de cerco e medo: o ataque frontal ao Supremo, a incessante corrida a aglomerações excitáveis de Norte a Sul, o agravamento de suas falas — e a convocação às “manifestações do 7 de Setembro do povo”.

MEDO DA POLÍCIA – Nesse estado de país enlouquecido, as polícias militares passam de proteção social a fontes de medo coletivo. Os militares do Exército, que exigiram a referência à segurança interna, na Constituição, como domínio seu, reduzem-se a uma incógnita nos riscos das manifestações.

O Supremo sabe desses riscos. Não os esconde, e os quer contidos por uma barreira de proteção especial. O Congresso segue, sem outro jeito, o seu tergiversante presidente. Rodrigo Pacheco o juntou às providências do Supremo, mas à sua maneira.

Para negar fundamento ao impeachment de ministro do Supremo pedido por Bolsonaro, apressou-se à baixeza da compensação: “como também não antevejo para impeachment do presidente da República”. Contudo, a proteção buscada pelo Supremo e o Congresso são advertências para os riscos que Bolsonaro acionará em Brasília, pela manhã, e à tarde em São Paulo.

PM BOLSONARIZADA – Muitos governadores estão com preocupação extrema. A situação é de tal maneira desarticulada, que aos governadores não bolsonaristas falta até a segurança de que devam mobilizar suas PMs.

Em vários estados, como Ceará, pode ser melhor a polícia invalidada no quartel do que nas ruas com seu bolsonarismo.

Uma síntese da situação: o baderneiro agressivo é menos ameaçador do que políciais.


Lewandowski aponta como punir Bolsonaro em caso de tentativa de ruptura democrática


TRIBUNA DA INTERNET | Já era esperado que Lewandowski confirmasse a  suspensão das investigações do Coaf

Charge do Nani (nanihumor.com)

Matheus Teixeira, Marianna Holanda e Ricardo Della Coletta
Folha

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e integrantes da cúpula do Congresso dizem que o artigo publicado pelo ministro Ricardo Lewandowski na Folha no final de semana representa o mais claro recado de membro do corte ao presidente Jair Bolsonaro desde o início da escalada na tensão entre os Poderes.

A análise é que Lewandowski foi o primeiro a dar concretude às estratégias que o Judiciário pode adotar caso o chefe do Executivo resolva partir para uma ruptura institucional.

CAMINHO JURÍDICO – Essa é a diferença apontada, por exemplo, em relação ao presidente do Supremo, Luiz Fux, e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que fizeram discursos duros contra Bolsonaro.

Os dois ministros, no entanto, não citaram a possibilidade de prisão nem detalharam o caminho jurídico a ser trilhado para punir o presidente caso a disputa com a corte descambe para uma tentativa de golpe.

Além disso, Lewandowski deixou claro que não simpatiza com a ideia de haver algum tipo de anistia a quem ajudar a promover um movimento que viole as regras do jogo democrático estabelecidas pela Constituição.

ATRAVESSAR O RUBICÃO – No artigo, Lewandowski faz uma analogia com uma lei da Roma Antiga que proibia generais de atravessarem, com suas tropas, o rio Rubicão, que demarcava a fronteira ao norte com a província da Gália.

Depois, detalha a situação e passa a discorrer sobre artigos da Constituição e da nova Lei de Segurança Nacional que criminalizam qualquer tipo de intervenção armada contra as instituições. O ministro também faz referência expressa ao trecho da Constituição que costuma ser distorcido por bolsonaristas para justificar eventual uso das Forças Armadas contra o STF e o Congresso.

“E aqui cumpre registrar que não constitui excludente de culpabilidade a eventual convocação das Forças Armadas e tropas auxiliares, com fundamento no artigo 142 da Lei Maior, para a ‘defesa da lei e da ordem’, quando realizada fora das hipóteses legais, cuja configuração, aliás, pode ser apreciada em momento posterior pelos órgãos competentes”, escreveu.

FEZ UM ALERTA – Ao final do texto intitulado ‘Intervenção Armada: crime inafiançável e imprescritível’, o ministro faz um alerta: “Como se vê, pode ser alto o preço a pagar por aqueles que se dispõem a transpassar o Rubicão”.

O artigo foi elogiado nos bastidores do Supremo e, no Congresso, a esperança é que o alerta de Lewandowski sirva para Bolsonaro recuar nos ataques ao STF.

Em conversas reservadas, integrantes da corte consideraram importante o ministro ter feito o alerta de que as ameaças à democracia e ao regular funcionamento das instituições caracteriza crime e não pode ser protegido pela liberdade de expressão.

DIREITO UNIVERSAL – Eles lembram que esse delito está previsto nas leis dos países mais avançados do mundo e não é uma exclusividade da legislação brasileira.

Já o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o artigo de Lewandowski é o que há de “mais lúcido se escreveu nos últimos tempos”.

“O Judiciário está deixando claro quais são os limites e ele [Bolsonaro] fica cada vez mais só. Lembro de um presidente que ficou assim. Chama Fernando Collor de Mello”, afirmou.

No Palácio do Planalto, entretanto, a avaliação é que o texto não representa uma novidade relevante, uma vez que ministros do Supremo vêm dando recados velados a Bolsonaro com frequência. O ministro não cita nominalmente Bolsonaro, mas há vários sinais no artigo de que ele foi direcionado ao mandatário.

ESCALADA GOLPISTA – Nos últimos meses, Bolsonaro atacou ministros do STF e colocou em dúvida a realização das eleições de 2022. A escalada de falas golpistas de Bolsonaro levantou o alerta de que ele pode estar pavimentando um discurso para não reconhecer o resultado eleitoral do próximo ano, caso ele seja derrotado.

Existe ainda forte tensão entre críticos e governadores com as manifestações em apoio a Bolsonaro convocadas para o feriado de 7 de Setembro. Um dos principais temores é com a politização das forças de segurança pública e com a possível insubordinação de Polícias Militares.

Nesta segunda-feira (30), Bolsonaro tentou esvaziar a raiz golpista dos protestos e afirmou, em entrevista, que as manifestações programadas terão como pauta apenas a “liberdade de expressão” e a defesa do voto impresso.


“Nunca uma oportunidade para o povo será tão importante como o dia 7, diz Bolsonaro”

Publicado em 31 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

 (crédito: Reprodução / Redes Sociais)

Jair Bolsonaro discursa numa inauguração em Uberlândia

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (31/08) que o próximo dia 7 de setembro “nunca foi tão importante” para a população brasileira. A declaração ocorreu durante cerimônia de inauguração do Complexo de Captação e Tratamento de Água Deputado Luiz Humberto Carneiro, em Uberlândia.

“Nós não podemos chegar lá na frente e olharmos para trás e falar “por que nós não fizemos ali atrás, por que nos omitimos naquele momento”. A vida se faz de desafios. Sem desafios a vida não tem graça. As oportunidades aparecem. Nunca uma outra oportunidade para o povo brasileiro foi tão importante ou será tão importante quanto esse nosso próximo 7 de setembro”, apontou.

NOVO DESTINO – Bolsonaro defendeu ainda que mudará o destino do Brasil, que “não empunhará uma espada para cima”, “mas que temos outro 7 de setembro pela frente” referindo-se indiretamente a uma nova chance de independência.

“Muitos querem que eu tome certas medidas. Eu acredito, creio que nós vamos mudar o destino do Brasil e tenho certeza, dentro das 4 linhas da nossa Constituição. Não será levantando uma espada para cima e proclamando algumas palavras. No passado foi assim. Hoje, pela complexidade pelo que está em jogo na nossa nação será um pouco diferente. Mas temos um outro 7 de setembro pela frente. É muito mais fácil para mim estar do outro lado, muito mais fácil. Mas eu prefiro ter a consciência tranquila para com o criador e depois estar em paz com esse povo maravilhoso que é o povo brasileiro. O homem ou a mulher sem liberdade não é ninguém. A liberdade é origem para tudo, é a certeza que nós podemos crescer”, bradou.

RIQUEZAS DO BRASIL – O chefe do Executivo ainda destacou as riquezas do país e disse que “tem muita gente de olho”, mas que o Brasil não será um “fazendão”, em referência a expressão de “celeiro do mundo” em termos de produção de alimentos.

“Tem local do Brasil que tem debaixo da terra uma tabela periódica completa. Por que esse país não vai para frente? Vai para frente. Os problemas maiores do país são mais internos do que externos. Tem muita gente de olho no Brasil e eles estão certos, nós que estamos errados. Isso daqui é um celeiro para o mundo, jamais será um fazendão, seja qual país for”, acrescentou.

Ele ainda atacou a imprensa.. “Interesse para desgastar o governo é o que mais existe. Primeiro passo: não ler jornal e nem revista porque quem não lê não tem informação e quem lê está desinformado”.

KRIPTONITA NA CADEIRA – Bolsonaro repetiu que a cadeira presidencial tem “kriptonita”. “Costumo dizer: não queiram a minha cadeira. Ela tem Kriptonita. E só vocês nos dão forças para continuar sempre se dirigindo ao norte. Norte esse que vocês nos dão para nós, políticos do Brasil. Vamos sempre acreditar. Mais que ter esperança, vamos buscar fazer a coisa certa, não tem satisfação melhor para um político do que ser recebido dessa forma na minha segunda terra natal, Minas Gerais”.

Por fim, voltou a colocar a culpa do aumento da gasolina nos governadores e, citando a facada recebida em 2018 em Minas Gerais atacou o PT.

“Tenho recordações de Juiz de fora, foi um marco na minha vida e na vida do povo brasileiro. Imagina se eu tivesse partido, quem estaria no meu lugar. Os mesmos que assaltaram o nosso país por 14 anos. Roubaram tudo”, concluiu.

NOVA CAVALGADA – Mais cedo, ao desembarcar em Uberlândia, o mandatário andou de cavalo empunhando um mastro com a bandeira do Brasil. Em meio à cavalgada, encontrou com apoiadores que o presentearam com um troféu. No entanto, os mesmos não explicaram o motivo da premiação. Minutos antes, na chegada à cidade, ao som de “mito, sem máscara, ele cumprimentou bolsonaristas com apertos de mãos, tirou selfies e pegou crianças no colo.

Antes de deixar Brasília, exibiu a apoiadores uma medalha com uma expressão que costuma utilizar e chamar de “Três Is”. O objeto possui uma foto do mandatário com os dizeres: “Clube Bolsonaro – Imorrível, imbrochável e incomível”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Bolsonaro continua passado ao país um exemplo nada edificante e totalmente deplorável. Aliás. Na sua lista de “Is” faltam alguns, como irresponsável, insuportável, inaproveitável, intolerável, imbecilizável, insanável, inaceitável etc. (C.N.)

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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